Ascendance of a BookwormCAPÍTULO 339 - 338
Capítulo 339Ascendance of a Bookworm – Capítulo 338
Meu Primeiro Dia da Terra
Quando finalmente voltei para o meu próprio quarto, Richarda me instruiu a colocar minha Vontade Divina na cama.
— Eu realmente não quero fazer isso, já que pode impactar a feystone, mas… — Ela parou com um suspiro, depois começou a tirar minhas roupas enquanto usava luvas de bloqueio de mana.
Normalmente, só se tomava banho depois de encher sua Vontade Divina com mana, mas depois de adormecer contra a rocha nua, eu não estava nem perto de estar limpa o suficiente para ir para a cama. Richarda havia dito que eu não seria capaz de tomar um banho adequado, mas ela era pelo menos capaz de me limpar com toalhas molhadas. Isso me fez sentir muito melhor.
— Beba isso e descanse bem, minha princesinha.
Depois de preparar uma das poções especiais e de gosto horrível de Ferdinando para mim, Richarda recuou e esperou silenciosamente que eu a bebesse. Eu ainda podia me mover um pouco graças aos meus potencializadores, mas minha cabeça estava girando e os calafrios eram insuportáveis. Não havia como negar que eu havia desenvolvido uma febre intensa, mas não pude deixar de olhar entre Richarda e a poção tão terrível.
Posso estar doente, mas ainda não quero beber essa coisa impiedosamente desagradável…
Enquanto eu recuava de medo, Richarda de alguma forma conseguiu me dar um olhar crítico enquanto ainda mantinha seu sorriso. Foi bastante impressionante, considerando todas as coisas.
— Pensar que você estava dormindo no Salão Mais Distante, neste tempo… Mesmo uma criança normal pegaria um resfriado, ou se o pior acontecesse, subiria a escada imponente! Não é um milagre que você esteja viva agora?!
— Sinto muito por te preocupar…
Richarda sempre entrou em pânico por causa da minha doença no castelo, então não era surpresa que ela tivesse começado a se preocupar quando eu não tinha voltado da caverna. Ela revelou primeiro a Hilshur e depois a todos os outros professores quantos incidentes minha saúde precária havia causado no passado, o que fez com que os outros professores percebessem que eu não era apenas um aluno incapaz que se cansou enquanto recebia minha Vontade Divina, em vez disso, eu estava tão doente que desmaiei e quase morri.
— Beba isso tudo. Agora, minha princesinha.
— Okay…
Peguei o frasco e bebi o líquido verde que estava dentro. Não havia motivo para hesitar, tentar beber devagar só prolongaria o sofrimento.
— Ecaa!
Fazia tanto tempo desde a última vez que bebi uma dessas poções vis que imediatamente tive que bater com a mão na boca para não vomitar. Mas enquanto eu rolava na minha cama, lágrimas brotando nos meus olhos, comecei a me sentir cada vez melhor. A poção realmente funcionou, foi apenas a parte de beber que me fez sentir como se minha alma estivesse sendo arrancada do meu corpo e arrastada para o inferno.
— Aproveite seu descanso, minha princesinha.
Depois de confirmar que a poção havia desaparecido, Richarda terminou de limpar meu quarto e saiu rapidamente.
— Com certeza ficou menor… — Eu meditei enquanto estava deitada na minha cama, olhando para a Vontade Divina. Tinha encolhido o suficiente para que eu pudesse segurá-la com uma mão. Eu apertei com força, e quanto mais mana eu derramava nela, menor ficava. Parecia que eu a estava absorvendo em meu corpo enquanto ela se fundia com minha mana.
Quando eu acordei depois de adormecer no Salão Mais Distante, minha Vontade Divina encolheu tanto que inicialmente me pegou de surpresa. Hilshur felizmente explicou que era assim que funcionava, e ela observou que eu deveria continuar derramando minha mana até que se tornasse uma comigo.
Absorver a Vontade Divina em si mesmo só poderia ser feito a embalando, quase como uma mãe galinha aquecendo seu ovo. Completar o processo exigiria abraçá-la por um dia e uma noite inteiros enquanto despejava mana nela. Então era tradição que a aquisição de schtappe acontecesse em um Dia das Frutas. Dessa forma, os alunos poderiam dedicar o Dia da Terra subsequente à sua Vontade Divina.
— De qualquer forma, estou feliz por ter voltado em segurança, — eu disse com um suspiro, pensando em todo o barulho que causei. Rauffen conseguiu me acordar com um grito especialmente alto, e tudo depois disso foi terrível…
Os níveis de mana em meus intensificadores voltaram ao normal enquanto eu dormia, e meus músculos já haviam começado a doer, então minhas pernas estavam oscilando desde o momento em que me levantei. Eu também havia pego um resfriado, minha cabeça latejava e, enquanto eu tinha calafrios, meu corpo também sentia calor ao mesmo tempo. Os professores não podiam me tocar, então observaram ansiosamente enquanto eu mancava pelo túnel.
— Professora Hirschur, posso montar minha montaria escultural de volta ao dormitório? Por favor. Só por hoje, — implorei.
Sylvester, como Aub Ehrenfest, me permitiu montar minha montaria escultural dentro do castelo, e como ele também possuía o Dormitório de Ehrenfest, essa permissão também se aplicava lá. A própria Academia Real, no entanto, era uma instituição administrada pela família real. Eu precisaria de permissão daqueles investidos de sua autoridade para montar minha montaria escultural dentro dela. Foi por essa razão que olhei entre os professores, esperando que eles permitissem.
Primevere franziu a testa bem torneada e balançou a cabeça.
— Eu posso lhe conceder permissão, mas você não será capaz de criar sua montaria escultural enquanto segura sua Vontade Divina, — disse ela.
Isso me lembrou, toda a mana que eu havia tentado derramar em meus intensificadores havia entrado diretamente na Vontade Divina. Mesmo assim, eu tinha certeza de que poderia despejar mana à força em minha feystone da montaria escultural. Eu só precisava segurá-la em minha mão e me concentrar.
— Eu vou pelo menos tentar, — eu disse, então agarrei minha feystone da montaria escultural e comecei a derramar minha mana. Metade foi sugada para a Vontade Divina, mas de alguma forma consegui usar o resto para fazer um Pandabus para uma pessoa. Eu entrei inquieta, depois coloquei a Vontade Divina aos meus pés e coloquei as mãos no volante.
Eu poderia adivinhar que a Vontade Divina estava sugando minha mana através de Menos, e a confusão em minha cabeça estava fazendo minha mana fluir estranhamente. Meu fiel Pandabus seguiu em frente. Ele estava indo muito mais devagar do que o normal, mas ainda rápido o suficiente para que fizéssemos um progresso decente, o que os professores ficaram aliviados em ver. Eles começaram a oferecer seus comentários enquanto andavam ao meu redor.
— Então essa é a montaria escultural dos rumores…? — disse um.
— Oho. Então foi isso que deixou Fraulerme inconsciente, — comentou Rauffen. — Com certeza parece feroz.
Menos não é feroz! Ele é fofo e adorável!
Eu queria protestar contra o elogio de Rauffen, mas mal conseguia abrir a boca. No final, recorri a um simples beicinho e a um olhar irritado.
— Não é espetacular que ela possa montá-lo mesmo usando uma saia? — Hilshur acrescentou. — Eu decidi tentar fazer uma montaria escultural dessa, para ver como é.
Esta declaração pareceu interessar a Primevere em particular.
— Minha nossa. Agora que você mencionou, ela pode realmente montá-lo com uma saia. O modelo da montaria escultural parece ser bastante complexo, no entanto.
Como esperado, ter que vestir roupas de montaria toda vez que quisessem montar uma montaria escultural não era algo que as mulheres gostassem muito.
— Mesmo depois de receber uma explicação da própria Senhora Rozemyne, eu me esforcei para conceituar o ‘volante’ e o ‘acelerador’ dos quais ela falava — disse Hilshur. — Meu plano atual é, portanto, copiar a estrutura geral enquanto uso rédeas como qualquer outra montaria escultural no interior.
Fraulerme havia gritado sobre o quão antinatural era para uma montaria escultural sem asas voar, mas de acordo com Hirschur, quase certamente poderia ser reproduzido agora que se provou ser possível. Era a confiança e a mentalidade que mais importavam.
— Fraulerme é bastante cabeça dura, você vê. O que poderia haver de errado em se importar mais com a utilidade de uma montaria escultural do que sua beleza? — Hilshur havia dito. — Ser capaz de transportar bagagem em sua montaria escultural é simplesmente maravilhoso, se você me perguntar.
A maneira como ela insultou a aparência de Menos e o tratou como um objeto, enquanto simultaneamente elogiava sua capacidade de carregar minha bagagem, me lembrou muito de Ferdinando.
Tal professora, tal aluno, suponho…
E assim, passei o resto da jornada com professores curiosos olhando para a minha montaria escultural. Estar dentro de Menos significava que eu estava me movendo muito mais rápido do que eu poderia ter a pé, e uma vez que estávamos seguros de volta na capela, todos soltaram suspiros tão descaradamente aliviados que meio que ficaram presos a minha mente.
Richarda e Wilfried choraram pelo meu retorno em segurança, tendo ficado preocupados enquanto esperavam na entrada. Hilshur então me acompanhou de volta ao dormitório, dando a desculpa de que ela mal conseguia se concentrar em sua pesquisa sabendo que eu poderia morrer na aula a qualquer momento.
Era agora a manhã do Dia da Terra, meu primeiro dia de folga desde que cheguei à Academia Real. No entanto, nós, alunos do primeiro ano, não pudemos desfrutar desse dia sagrado. Em vez disso, tivemos que carregar nossas Vontades Divinas como ovos de galinha enquanto os enchíamos com nossa mana. Como a mana dos outros reduziria a qualidade de nossos schtappes, pedimos aos nossos assistentes que trouxessem nossos cafés da manhã para nossos quartos, onde comeríamos sozinhos.
— Richarda, como os alunos mais velhos passam seus dias livres? — Eu perguntei quando ela veio com a minha comida. Pelo que eu tinha visto, eles normalmente faziam o que lhes convinha, seja ir à biblioteca para estudar, fazer festas de chá com seus amigos de outros ducados, coletar informações ou participar de sessões de treinamento de cavaleiros aprendizes.
— Eu esperava ir à biblioteca.
— Isso precisará esperar até que você melhore novamente e tenha passado em suas aulas.
— Estou bem. Eu bebi a poção, lembra? E minha Vontade Divina é realmente pequena agora.
— Sim, sim. De qualquer forma, você ainda está gastando o dia de hoje na cama — disse Richarda incontestavelmente, trazendo uma das poções de sabor melhorado. Assim que eu a bebi, fui imediatamente perseguida de volta para a cama.
— Richarda, você poderia pelo menos me trazer um livro?
— Você deve se concentrar em sua Vontade Divina hoje, minha princesinha.
Ler, evidentemente, não era uma opção. Eu infelizmente ouvi os passos recuados de Richarda, depois peguei minha Vontade Divina, que agora era pequena o suficiente para caber confortavelmente na minha palma. Foi então que de repente percebi algo.
— Todo esse processo não será muito mais rápido sem meus aprimoradores? — Eu me perguntei em voz alta. Experimentalmente, movi a Vontade Divina para a mão esquerda e removi o potenciador no meu braço esquerdo, e assim que teorizei, a feystone começou a encolher diante dos meus olhos. Logo, ela se foi completamente.
Afff! Por que não pensei nisso antes?
Olhei para a minha mão agora vazia em transe, soltei um suspiro pesado, depois comecei a colocar o potenciador de volta, enquanto dizia a mim mesma que a febre era a culpada por eu não ter notado antes. A Vontade Divina aparentemente havia sido absorvida por mim, mas eu não me sentia diferente.
— Hum… Isso significa que eu posso realmente fazer um schtappe agora?
Pensei na forma dos schtappes que vi todos os adultos usarem, depois visualizei segurando um na minha mão direita e dominante. Em um instante, uma varinha brilhante de aparência familiar apareceu.
— Uaaaau! Eu realmente fiz um! Caramba! Eu sou como um mágico de verdade!
Cheia de emoção, balancei a fita em forma de varinha enquanto estava deitada na cama.
— Vai saber. Posso transformá-lo em outra forma? Como o cajado de um mago, talvez?
Decidi que um cajado longo e acidentado era ideal, como o de Flutrane do templo, então foi isso que visualizei quando comecei a refazer meu schtappe.
— Aah! Funcionou.
Tentei balançar o cajado como uma varinha, e foi quando me ocorreu. Usar um cajado tão grande era realmente inconveniente. O schtappe em forma de varinha que eu via com mais frequência era o comprimento perfeito para bater em uma feystone, despejar mana nela e criar um ordonnanz. Fazer isso com um cajado sem dúvida seria muito mais difícil.
— Hum… Acho que os schtappes são tão curtos por uma razão.
Passei algum tempo brincando com meu schtappe, o transformando em espadas, martelos e até livros e canetas, mas esses modelos eram todos bastante desajeitados. No final, descobri que precisava de uma imagem clara na minha cabeça para mudar a forma do schtappe ou adicionar decoração, o que significava que cada vez era ligeiramente diferente. Também sempre desaparecia quando eu ficava longe por muito tempo.
O pensamento de um livro ou caneta schtappe havia deixado meu coração acelerado, mas não era fácil tocar uma feystone com eles, ou transformá-los em objetos diferentes para, por exemplo, acertar Sylvester na cabeça como Ferdinando já fez. Nenhuma das opções parecia viável, então finalmente me acomodei com uma varinha como as que os adultos usavam.
— Espero que haja pelo menos uma maneira de usá-los para me divertir… — Eu murmurei. Mas, de qualquer forma, eu estaria aprendendo a usar o schtappe na minha próxima lição prática: fundamentos do schtappe. Eu estava seriamente ansiosa por isso.
— Trouxe seu almoço, minha princesinha.
Depois da minha refeição, Richarda me lembrou de não sair do meu quarto ou andar desnecessariamente. Ela não ofereceu nenhuma misericórdia, mesmo que minha febre tivesse desaparecido e eu já tivesse absorvido minha Vontade Divina.
— Se você se comportar até o jantar, vou permitir que você coma no refeitório, — disse ela, enquanto pegava meus pratos e saía da sala.
Eu a vi sair, então deslizei para fora da cama no momento em que pude confirmar que ela tinha ido embora. Um dia inteiro sem ler era uma maneira infalível de morrer de tédio, então eu furtivamente peguei um livro da minha gaveta e mergulhei de volta sob as cobertas.
— É hora de ler. Eheheh…
Não muito tempo depois que comecei a ler, Richarda voltou, tendo terminado de guardar os pratos. Suas sobrancelhas se ergueram de raiva no momento em que ela me viu segurando um livro.
— Minha princesinha! Eu disse para você descansar hoje!
— Mas eu estou. Esta é a minha maneira de descansar.
— Meus Deuses! Quando se trata de livros, você simplesmente nunca aprende! Você é tão teimosa quanto o Senhor Sylvester e o Senhor Ferdinando! — Richarda bufou enquanto pegava o livro. — Se você está bem o suficiente para ler, então está bem o suficiente para falar. Você não pretende se tornar Aub Ehrenfest, não é?
Inclinei a cabeça confusa, tinha certeza de que outra pessoa havia me perguntado isso ontem. — Por que você pergunta?
— Como a filha formalmente adotada do casal arquiducal, sua reivindicação à cadeira de Aub Ehrenfest é igual à dos outros candidatos, — explicou Richarda. — Ao contrário de antes, quando o Senhor Wilfried foi decretado sucessor do Senhor Sylvester, você agora poderia se tornar a Arquiduquesa, se assim o desejar. Também não há problema com sua linhagem, pois Karstedt tem o sangue do Arquiduque de duas gerações atrás.
Ih, rapaz. Há sérios problemas políticos com a minha linhagem, garanto.
— O assento de Arquiduque é mais bem ocupado pelo candidato mais poderoso — continuou ela. — Os homens geralmente são preferidos às mulheres, como a tradição sugere, mas você tem sua posição de Santa de Ehrenfest para superar isso. Como tal, alguns de seus retentores estão trabalhando sob a suposição de que você pode se tornar a Arquiduquesa no futuro. Gostaria de confirmar seus pensamentos sobre o assunto antes de ser conduzida por esse caminho.
Aah. Hartmut deve ter dito algo…
Parecia que Hartmut estava agindo nas sombras nos últimos dias, trabalhando em direção a algum objetivo misterioso. Eu podia imaginar que ele estava tentando acelerar ainda mais a minha lenda de santa.
— Não tenho absolutamente nenhum interesse em me tornar o próximo Aub Ehrenfest. Pretendo concentrar meus esforços em gerenciar uma sala de livros enquanto apoio quem assumir o cargo.
— Isso é muito a sua cara — disse Richarda com uma risada, relaxando os ombros. — Como você não tem intenção de se tornar a próxima aub, minha princesinha, vou impedir que esses encrenqueiros fiquem no seu caminho.
Richarda saiu da sala com uma expressão notavelmente serena, ela provavelmente bloquearia meus retentores de tentar me empurrar em direção ao assento do Arquiduque. Uma vez que seus passos ficaram distantes, peguei um livro de outro esconderijo e voltei para a cama.
— Minha princesinha!
Meu plano era esconder meu livro sob minhas cobertas antes de Richarda voltar, mas acabei adormecendo no meio da leitura, então ela me pegou em flagrante.
Whoops, whoops.
Ainda assim, consegui descansar bastante e acordei me sentindo completamente revigorada. Richarda trocou minhas roupas, resmungando que meu tempo de leitura secreto teria sido melhor gasto socializando no refeitório, então juntas saímos do meu quarto.
Meu sono de dois anos significava que eu estava lamentavelmente sem conexões sociais dentro do meu próprio ducado, para não falar de outros ducados. Eu me relacionei um pouco com os primeiros anos através das provações e tribulações que enfrentamos passando em todos os nossos exames escritos no primeiro dia, mas os alunos mais velhos ainda eram praticamente estranhos para mim. Com toda a honestidade, eu mal tinha falado com meus próprios retentores.
Eu subi em Menos, meus músculos ainda doíam por toda parte, então comecei a fazer meu caminho para a sala comum. Angélica me acompanhou, tendo guardado minha porta do lado de fora. Estava quase na hora do jantar, então os alunos que haviam saído e tinham voltado lentamente para o dormitório e relaxavam tanto quanto queriam.
— O que você fez hoje, Angelica? — Eu perguntei.
— Esta manhã Cornelius, Leonore e Traugott me convidaram para praticar ditter. Judithe queria se juntar a nós, mas ela tinha o dever de guarda, então não pôde participar desta vez.
Logo chegamos ao segundo andar onde Traugott estava esperando por mim. Nos encontramos e continuamos descendo as escadas.
— Ditter é um tipo de esporte, certo? Como se joga? — Eu perguntei. Eckhart mencionou isso há muito tempo, mas ele só o descreveu como um jogo que os cavaleiros aprendizes costumavam jogar na Academia Real.
— Você caça feybeasts, — respondeu Angélica, dando-me a resposta mais breve possível.
— Angelica, isso realmente não explica as coisas… — Traugott disse com uma careta, depois se virou para mim para elaborar. — Existem muitos tipos diferentes de ditter. Os participantes competem comparando coisas como a força e a velocidade dos feybeasts caçados, bem como o número total capturado. As condições de vitória dependem do tipo de ditter.
A forma de ditter de maior escala era aparentemente algo chamado de ditter da caçada aos tesouros. Cada ducado teria seu próprio grupo de cavaleiros aprendizes, e esses grupos formariam bases perto de seus respectivos dormitórios. O objetivo era que cada ducado caçasse e capturasse um feybeast, que então servia como um tesouro para ser guardado dos outros ducados. Era crucial enfraquecer o feybeast primeiro, mas não tanto que se transformasse em feystone.
Cada grupo protegeria seu feybeast capturado dos ataques de outros grupos, enquanto tentava tomar feybeasts de outros ducados. Aliás, não havia problema em transformar os feybeasts dos adversários em feystones para torná-los mais fáceis de roubar, embora o conflito direto entre os grupos não fosse permitido.
— No passado, o ditter da caçada aos tesouros era o coração do Torneio Interducal, mas a população em geral caiu tanto que jogar já não é mais viável, — continuou Traugott. — Atualmente, é mais popular jogar o tipo de ditter durante o qual as equipes competem para caçar feybeasts de treinamento criadas pelos professores.
— Eu vejo. Nesse caso, estou ansiosa para o Torneio Interducal — eu disse.
— Vou treinar duro para honrar seu nome, Senhora Rozemyne.
Era difícil imaginar exatamente como seria o Torneio Interducal, mas eu estava animada para isso mesmo assim. Eu ainda não tinha visto Angelica e Cornelius lutando em suas formas aprimoradas.
— Com Angelica e Cornelius do nosso lado este ano, acho que podemos nos sair bem — observou Traugott, embora, apesar de suas palavras, sua voz fosse sombria e ele parecesse notavelmente frustrado.
— Você não parece muito feliz com a perspectiva de nos sairmos bem.
— Para falar honestamente, estou com muito ciúme. Espero aprender seu método de compressão no próximo ano e aumentar minha própria capacidade de mana antes de participar novamente.
Quando chegamos à sala comum, um monte de meninas, incluindo Lieserator e Brinhilda, estavam reunidas em um círculo. Pareciam estar escrevendo algo.
— O que vocês estão fazendo? — Eu perguntei, fazendo com que elas soltassem gritinhos assustados e escondessem apressadamente a folha de papel entre todos eles. Inclinei a cabeça. — É algo que vocês não querem que eu veja?
Brinhilda balançou a cabeça imediatamente, com um sorriso perturbado. — Não, senhora Rozemyne. Nós, erm… Só nos sentimos um pouco desconfortáveis por termos ficado tão animadas sem você. Não há muito mais do que isso.
Lieserator balançou a cabeça em concordância, assim como as outras meninas. — Schwartz e Weiss são simplesmente adoráveis demais… Começamos a discutir que estilo de roupas você poderia preparar para eles. Perdoe-nos por nos anteciparmos em sua ausência.
— Eu não me importo nem um pouco. Posso ver quais ideias vocês tiveram?
Estendi a mão com entusiasmo, momento em que Lieserator me passou a folha de papel. Nela estava uma ilustração impressionantemente bem desenhada de Schwartz e Weiss feita em tinta preta. Em vez de fazer com que os dois shumils usassem vestidos de cores contrastantes como faziam agora, as meninas imaginaram vestir um com roupas masculinas.
— Seria ideal para eles terem enfeites de cabelo floridos e, se possível, acredito que ficaria realmente excelente se você os vestisse como gêneros diferentes… — disse Lieserator. — Embora esta seja apenas minha opinião, é claro.
Analisei as várias ilustrações e ideias de modelo. Nelas, Weiss estava vestido com rendas e babados, enquanto Schwartz usava um uniforme legal e afiado. Quando se tratava dos enfeites florais, havia descrições bastante detalhadas explicando o quão grandes eles deveriam ser e onde deveriam ser colocados.
— A saia da roupa que você usou durante a festa de inverno deste ano foi excepcionalmente fofa, Senhora Rozemyne, então pensamos que seria sábio se inspirar nela — disse Lieserator com olhos brilhantes.
Ela estava se referindo à saia bolha que eu tinha feito para evitar que a roupa parecesse grande demais para mim. Na época, eu não tinha ouvido muito sobre o que os outros pensavam sobre isso, mas acabou que eles o viam como fofo e bem-feito. As pessoas ficaram impressionadas que eu estava criando novos estilos para minhas próprias roupas, em cima do vestido que eu havia projetado para Brigitte dois anos antes.
Quanto mais se sabe, melhor.
Angelica sorriu, divertida ao ver Lieserator sendo muito mais falante do que o normal. — Lieserator sempre amou demais coisas fofas — disse ela. — Ela até veste nossos shumils de estimação em casa com roupas que ela mesma faz.
— Irmã! — Lieserator exclamou, infeliz, estufando as bochechas com a revelação de Angelica. Ela estava finalmente começando a parecer da idade dela.
— Só poderei entrar na biblioteca depois de passar nas minhas aulas — eu disse. — Lieserator, se você tiver terminado suas aulas escritas até lá, eu não me importaria que você viesse comigo para medir Schwartz e Weiss.
— Sério, Senhora Rozemyne?!
— Será muito mais agradável se todas pensarmos em modelos juntos. Alguém mais gostaria de se juntar a nós? — Eu perguntei, olhando em volta enquanto Lieserator entrava em um sorriso feliz.
As meninas que não tinham vindo em nossa viagem de grupo à biblioteca prontamente começaram a expressar seu interesse.
— Eu gostaria de ver Schwartz e Weiss também, — disse uma.
— Certamente será mais fácil dizer quais roupas se adequarão a eles depois que nós mesmas os medirmos, — acrescentou outra. — Mal posso esperar.
— Nesse caso, recomendo que todos terminem suas aulas escritas antes que minhas aulas práticas sejam concluídas, — eu disse. — É sempre difícil se concentrar em seu estudo quando há assuntos mais emocionantes para tentá-lo.
— De fato! Faremos o nosso melhor!
Eu podia sentir um sorriso tocar meus lábios enquanto as meninas se cumprimentavam, determinadas a terminar suas lições escritas o mais rápido possível. Trazer um monte de pessoas comigo seria a melhor maneira de proteger meus pequenos Schwartz e Weiss de Hilshur, especialmente quando disse que as pessoas adoravam os dois shumils também.
Eu não sei como medir shumils grandes como esses eu mesma, e quanto mais pessoas eu tiver para parar a Professora Hilshur antes que ela vá em um surto induzido por pesquisa, melhor. Não conseguiria lidar com ela sozinha. Estou feliz por ter encontrado tantas ajudantes dispostas!
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