Ascendance of a BookwormCAPÍTULO 419 - 418
Capítulo 419Ascendance of a Bookworm – Capítulo 418
Uma Discussão com a Cidade Baixa
Minha reunião com o chefe da guilda e as Companhias Plantin e Gilberta foi marcada para a tarde, três dias depois que meus retentores chegaram ao templo. Eu estava um pouco tensa sobre ter acadêmicos participando de uma reunião com pessoas da cidade baixa, mas Hartmut parecia animado enquanto seguíamos em direção ao quarto do diretor do orfanato.
— Senhora Rozemyne, o que você discutirá com os comerciantes da cidade baixa? — perguntou ele.
— Meu principal interesse é como a cidade baixa tem se saído desde o entwickeln — respondi. — Além disso, pretendo discutir acomodações para os comerciantes provenientes de outros ducados com o mestre da guilda, explicar para onde os Gutenbergs irão junto da Companhia Plantin e receber meus produtos encomendados da Companhia Gilberta.
Hartmut anotou tudo isso, enquanto Philine o observava e copiava. Não demorou muito para chegarmos aos meus aposentos, que já estavam preparados para nossos convidados graças a Monika e Nicola. Angélica estava do lado de fora da porta, enquanto Damuel e Cornelius estavam vigiando o interior. Leonore e Judithe estavam ausentes, já que haviam treinado hoje.
Hartmut, Philine e Cornelius olharam ao redor com curiosidade ao chegarmos ao segundo andar.
— Senhora Rozemyne, não acredito que esta mobília seja adequada para alguém da sua posição — disse Hartmut, franzindo o nariz levemente.
Assenti com a cabeça. Sua observação era precisa. O diretor anterior do orfanato aparentemente havia nascido como um nobre intermediário, o que significava que esses móveis eram adequados para um nobre intermediário. Em nenhum momento haviam sido apropriados para a minha posição, mas eu não tinha recursos quando era plebeia, e eram muito caros. Agora que eu era a filha adotiva do arquiduque, eram muito baratos.
— Esta sala e seus móveis vêm de uma época em que eu não sabia da posição do meu pai e, sim, certamente não se adequam à minha posição, agora que fui adotada pelo arquiduque — expliquei. — No entanto, ela só é usada quando me encontro com plebeus, então certamente não há necessidade de gastar recursos para substituí-la.
— Acredito que seria uma maneira eficaz de estabelecer ainda mais o quão superior você é para eles — respondeu Hartmut, mas eu não estava prestes a desperdiçar recursos preciosos em móveis que uso tão raramente. Não havia como ele me convencer a mudar de ideia.
— Hartmut, os plebeus que conhecemos estão todos cientes da minha posição, e assim como os nobres veem os comerciantes mais ricos como não diferentes dos agricultores mais pobres, os plebeus veem os nobres superiores mais ricos e os nobres inferiores mais pobres como nobres da mesma forma. Mudar os móveis não alterará sua percepção, supondo que eles notem isso. Se tivéssemos dinheiro para substituir móveis pouco utilizados, eu preferiria gastá-lo em algo mais importante.
— Algo mais importante… Como o quê? — Hartmut perguntou, aparentemente tão focado em me fornecer câmaras condizentes com a minha posição que nenhum exemplo lhe veio à mente.
— Livros, naturalmente. Ou talvez criar novas prensas de impressão, desenvolver novas estantes ou economizar para a eventual criação da minha própria biblioteca pessoal. Há infinitos usos produtivos para o dinheiro, não é? Móveis novos estão muito baixos na lista de prioridades.
— Senhora Rozemyne, como nobres, é crucial que preparemos ambientes apropriados à nossa posição, — disse Cornelius, apoiando Hartmut com um sorriso mal-humorado.
— Em outras palavras, criar um ambiente adequado para mim. Entendi. Vou poupar dinheiro com o melhor de minha capacidade e me esforçarei para comprar livro após livro, para que um dia eu possa criar uma biblioteca adequada para a filha adotiva de um arquiduque.
— Não estamos falando de bibliotecas.
— Oh, mas estávamos falando sobre usos produtivos do dinheiro, não estávamos?
Não importava o quão desesperadamente Cornelius tentasse explicar seu ponto de vista para mim, eu não conseguia imaginar um desperdício maior de dinheiro do que substituir os móveis. Ainda assim, considerando que meus retentores nobres já haviam encontrado algo para resolver, eu comecei a ficar um pouco nervosa sobre se esta reunião iria correr bem.
Assim que finalizei todas as reclamações restantes sobre a situação dos meus móveis, Fran subiu com um pouco de chá.
— Seus convidados devem chegar em breve — ele me informou, e pouco tempo depois, Angélica anunciou que eles realmente haviam chegado. Ela abriu a porta e Gil trouxe todos para cima, tendo esperado por eles no portão da frente. Eu podia ver Gustav, Freida e seus assistentes, bem como Benno, Mark, Lutz, Otto, Tuuli e Theo.
— Abençoadas sejam as ondas de Flutrane, a Deusa da Água que nos guiou para este encontro afortunado.
Gustav deu a saudação apropriada como representante do grupo, falando ainda mais educadamente do que o habitual, devido ao número de nobres com quem se encontravam pela primeira vez. Meus retentores responderam por sua vez, e então eu gesticulei para os assentos providenciados. Dos plebeus, apenas Gustav, Benno e Otto sentaram-se como representantes de suas respectivas lojas.
— Klassenberg e a Monarquia foram selecionados como nossos parceiros de negócios durante a Conferência dos Arquiduques, conforme planejado — declarei. — Temos um documento de verificação para que a Guilda dos Comerciantes utilize na identificação dos comerciantes que chegam dessas áreas específicas.
Eu sinalizei para Hartmut, que entregou as outras metades das folhas de verificação que tínhamos dado a Klassenberg e à Monarquia. O papel de Klassenberg era vermelho e o papel da Monarquia era preto, deixando claro qual era qual. Isso tudo foi graças à tinta colorida que Heidi desenvolveu.
— Este papel possui uma propriedade em que peças menores são atraídas por peças maiores, como visto aqui, — explicou Hartmut, demonstrando aos comerciantes como cortar as bordas do papel de verificação e utilizá-lo para seu propósito. — Lembrem-se de verificar se os pedaços de papel que os comerciantes visitantes trazem são atraídos para suas próprias peças. Instruímos que eles forneçam a cada comerciante uma folha maior que esta placa, para que a folha possa ser cortada em não mais que oito pedaços, o que deve controlar o número de visitantes que recebemos. Se você for abordado por alguém cujo papel é muito pequeno, então pode recusar-se a fazer negócios com eles. Nós lidaremos com o assunto, se necessário.
— Então, o papel é um dispositivo mágico que até os plebeus podem usar? Isso será muito útil — disse Gustav, aceitando cuidadosamente as folhas antes de passá-las para um de seus assistentes.
— Como está a cidade baixa? Ela permanece limpa o suficiente para que possamos manter nossas cabeças erguidas quando comerciantes de outras cidades chegarem? — perguntei. Tínhamos embelezado a cidade com o entwickeln e o waschen de grande alcance, mas se os plebeus que viviam lá não cuidassem, tudo acabaria imundo novamente em pouco tempo.
Gustav acenou com um sorriso.
— Eu estava assistindo da janela acima da Guilda dos Comerciantes naquele dia fatídico, e a visão foi realmente chocante o suficiente para me deixar sem fala. Luzes de repente brilhavam no céu, e um instante depois, torrentes de água caíram contra minhas portas e janelas. Eu recuei reflexivamente, mas na próxima coisa que percebi, a água já havia desaparecido, e as estradas e edifícios da cidade baixa estavam tão brancos quanto os do Bairro dos Nobres. Eu já tinha uma ideia do que ia acontecer, mas, céus, o poder do arquiduque era realmente algo a se ver.
Hum…? Ele está falando sobre o waschen que Ferdinando usou, e não sobre o entwickeln em que Sylvester derramou tudo dele? Parecia que o entwickeln tinha passado em grande parte despercebido, uma vez que mudou principalmente coisas subterrâneas, enquanto as ondas do waschen foram o que deixou uma grande impressão sobre os plebeus. Ah, que seja. Não é como se os detalhes de como a cidade acabou tão limpa realmente importassem aqui…
— Os soldados e nós da Guilda dos Comerciantes espalhamos as notícias por toda a cidade, então ninguém ficou do lado de fora no momento. Não fui informado de nenhum ferimento ou desaparecimento após a magia.
Uau. Então ninguém foi pego no entwickeln, afogado no waschen, ou acabou tendo um ataque cardíaco.
— Houveram alguns edifícios na parte sul da cidade baixa que tiveram água escorrendo pelas rachaduras de suas portas e janelas, o que resultou em seus interiores ficando tão limpos quanto as ruas do lado de fora, — disse Benno.
Ele então lançou um olhar significativo a Lutz, então eu perguntei o que havia acontecido.
— Disseram-me que a casa da minha família foi um desses edifícios. Minha mãe lamentou que, se soubesse o que aconteceria, teria mantido as janelas abertas desde o início, — explicou Lutz, evitando desajeitadamente meu olhar. A imagem mental de Karla corajosamente esperando pela água com as janelas abertas me fez rir. Ela provavelmente teria sido capaz de ficar de pé mesmo depois de ser lançada.
— Infelizmente, essa magia de grande alcance é bastante cara e não pode ser realizada com tanta frequência — eu disse. — Em todo caso… a cidade está sendo mantida limpa?
Tuuli, que estava atrás de Otto, deu um sorriso orgulhoso.
— É claro. Meu pai e todos os soldados estão patrulhando as ruas com olhos afiados, avisando a qualquer um que a sujar. A cidade é uma visão a ser observada do extremo norte ao ponto mais ao sul — disse ela.
Parecia que falar com o pai e os soldados em Hasse tinha sido a escolha certa, afinal. Não pude deixar de sorrir enquanto imaginava ele e seus soldados trabalhando duro para mim.
— Isso é um alívio de se ouvir, mas eu tenho mais uma preocupação — eu disse. — Em breve, haverá uma onda de comerciantes vindo para Ehrenfest de outros ducados. Haverá pousadas e restaurantes suficientes para apoiá-los?
— Não haverá pousadas de alta qualidade suficientes, dada a falta de necessidade para elas até este ponto e o fato de que não podem ser construídas tão repentinamente, — respondeu Gustav. — Este ano, planejamos que os grandes donos de lojas os abrigassem e, para isso, enviamos uma mensagem os instruindo a preparar suas casas. Graças ao arquiduque que limitou o número de visitantes, devemos ter espaço suficiente se nós, comerciantes e pousadas, trabalharmos juntos.
Ele explicou que eles planejavam usar o restaurante italiano para realizar um jantar comemorativo dando as boas-vindas aos comerciantes. Isso me pareceu uma boa jogada, já que tínhamos acabado de divulgar nossa culinária única na Conferência dos Arquiduques. Enquanto eu acenava em concordância, Freida levantou a mão. Ela estava envolvida com a operação do restaurante italiano.
— Senhorita Rozemyne, se o tempo permitir, por favor, visite o restaurante italiano, — disse ela rapidamente. — Certamente aliviaria nossas preocupações se você verificasse a operação como uma de nossas investidoras para garantir que tudo seja adequado para comerciantes de fora.
Ela queria que eu verificasse o novo menu e dissesse algumas palavras para os donos de grandes lojas que estariam envolvidos, já que isso aparentemente teria um impacto sobre o apoio que eles ofereceriam.
— Você aí, — Hartmut de repente interveio, com seu tom áspero. — Você fala acima de seu lugar. Você acha que tem o direito de fazer tais exigências diretas a Senhorita Rozemyne, a filha adotiva do arquiduque? Nem mesmo um nobre ousaria falar como você fez.
As tensões imediatamente aumentaram enquanto todos temiam que tivessem acabado de ganhar a ira de um nobre poderoso. Eu dei a Hartmut um olhar feroz. Nobres participariam de reuniões sobre a indústria de impressão a partir de agora, mas essas reuniões seriam inúteis a menos que aprendessem a parar de ser tão presos. Também seria mais difícil eu proteger aqueles na cidade baixa.
— Eu faço essas reuniões precisamente para ouvir os pedidos diretos dos nossos cidadãos da cidade baixa. Um acadêmico que não entender isso e interferir não será permitido comparecer, independentemente de ser um nobre superior ou meu retentor.
— Minhas desculpas — respondeu Hartmut. — Eu falhei em entender sua intenção, Senhorita Rozemyne.
Devolvi minha atenção para Freida.
— Neste verão, vou precisar do apoio dos comerciantes não apenas para os comerciantes de outros ducados, mas para os casamentos interducais e a competição de tingimento. Não me importo de falar com eles. Vou adquirir permissão do Sumo Sacerdote quando possível e pessoalmente comparecer no restaurante italiano.
— Você tem nossos agradecimentos. Por favor, dê uma olhada no novo cardápio — disse Freida com um sorriso.
— Fran, quando minha agenda permitirá tal reunião?
— De agora até a cerimônia de primavera ou entre o batismo de verão e a Cerimônia do Nó das Estrelas. Supondo que precisa ser realizada antes que os comerciantes cheguem, sugiro a concessão de permissão do Sumo Sacerdote imediatamente.
Uma vez que isso seria uma oportunidade de visitar o restaurante italiano e verificar a cidade baixa, era possível que Sylvester gostaria de me acompanhar apenas por diversão. Isso me fez perceber algo.
— Freida, posso pedir para treinar novos chefs? — Eu disse. — O arquiduque deseja ter mais chefs na corte que possam seguir minhas receitas prontas até o próximo inverno, e há uma chance dele levar os trabalhadores do restaurante italiano. Por essa razão, peço que treinem seus sucessores ou alguns novos candidatos.
Sylvester tinha mencionado não ter chefs suficientes para a Conferência dos Arquiduques, e eu poderia adivinhar que seu primeiro instinto seria roubar alguns do restaurante italiano.
— Entendido. Vou começar com isso imediatamente, — respondeu Freida, endurecendo um pouco e imediatamente abrindo seu díptico para anotar algumas notas.
Com a questão do restaurante italiano resolvida, voltei minha atenção para a Companhia Plantin. Hartmut e Philine pareceram fazer o mesmo de onde estavam atrás de mim, quando Benno, Lutz e Mark se endireitaram simultaneamente.
— Tenho uma atualização sobre a indústria de impressão para a Companhia Plantin: Greschel concluiu seus preparativos — eu disse.
— Impressão em Greschel…? Certamente não esperava que eles se preparassem para a indústria de impressão antes de construírem oficinas de fabricação de papel, — comentou Benno, arregalando levemente os olhos. No entanto, sua surpresa logo foi substituída por compreensão quando expliquei que Greschel e Haldenzel estavam trabalhando juntos.
— Greschel, ao contrário de Haldenzel, está planejando ter oficinas de fabricação de papel também. Isso significa que eles precisarão tanto de uma Guilda do Papel Vegetal quanto de uma Guilda de Impressão, — informei.
Mark e Lutz estavam ocupados anotando tudo em seus dípticos, então voltei minha atenção para Gil, que estava de pé à minha direita, dando-lhes mais tempo.
— Gil, por favor, decida quem da Oficina Rozemyne vamos enviar e prepare-os para a partida.
— Já dividi as equipes conforme suas instruções, Senhorita Rozemyne. Eles estarão prontos quando precisar deles, — respondeu Gil.
— Minha nossa. Eu não esperaria menos de um dos meus assistentes — comentei, rindo elegantemente.
Gil deu um pequeno sorriso orgulhoso, com meu elogio. Ele normalmente mostraria sua satisfação de maneira mais evidente, mas isso era difícil com tantos nobres presentes.
— A partir de agora, a família arquiducal e os acadêmicos farão as verificações finais — expliquei. — Supondo que não haja problemas, os Gutenbergs serão mobilizados. Envie uma mensagem e certifique-se de que eles estão prontos para partir assim que o convite for enviado. Além disso, planejamos mobilizá-los até o Festival da Colheita deste ano.
— Entendido. Como viajaremos este ano? — perguntou Benno. Ele tinha reclamado muito sobre as dificuldades de viajar de carruagem, e eu podia perceber que essa era sua maneira de sugerir o uso da minha montaria escultural novamente. Pessoalmente, não via problema nisso. Brinhilda estava indo para Greschel, então eu também iria para lá. Além disso, como a pessoa que queria expandir a indústria de impressão, faria o possível para ajudá-los.
— Vamos viajar usando minha montaria escultural — anunciei. — Planejem com isso em mente.
— Muito obrigado. Essa informação será excepcionalmente útil, — disse Benno, antes de se virar para Lutz. — Lutz, o alfinete experimental.
Lutz tirou um pequeno alfinete de uma caixa que ele estava carregando e o estendeu educadamente para mim.
— Senhorita Rozemyne, este é o alfinete de segurança que você pediu. O discípulo de Johann, Danilo, o fez. Se você estiver satisfeita com o produto, eles disseram que podem produzir muitos outros.
Examinei o alfinete de segurança de todos os ângulos, colocando-o e removendo-o algumas vezes. Ele foi feito exatamente de acordo com as minhas especificações. Parecia que Danilo era discípulo de Johann por um bom motivo.
— Está excepcionalmente bem-feito. Peça para Danilo produzir uma boa quantidade a mais — disse. Então, baixei a voz para um sussurro. — Talvez eu deva conceder a ele o título de Gutenberg também…?
Lutz balançou a cabeça.
— Johann disse que ele ainda tem um longo caminho a percorrer. Danilo precisa aprender a fazer tipos de letras de metal antes de qualquer outra coisa.
— Como esperado do primeiro Gutenberg, ele tem altos padrões. Diga a Danilo que espero ansiosamente o dia em que ele ganhará a aprovação de Johann — respondi com um sorriso.
Lutz assentiu, seus olhos brilhando com um leve sorriso.
— Como desejar. Passarei suas palavras a ele. Agora, quanto aos formulários de papel que estão sendo produzidos na Oficina Rozemyne, podemos começar a usá-los primeiro na cidade baixa? — questionou.
Os formulários de papel foram feitos para evitar confusões com a papelada quando os comerciantes de outros ducados chegassem. Gil já havia me informado que a Companhia Plantin estava experimentando com eles, pois os trabalhadores da Companhia e os da Guilda dos Comerciantes precisavam estar familiarizados com os formulários antes de serem amplamente utilizados.
— Certamente. Vou comprar uma amostra e perguntar ao arquiduque se eles podem ser usados no castelo também. Mark, como foi o desempenho do papel durante os testes na Companhia Plantin? Facilitou o trabalho?
— Sim, muito. Ter formulários padronizados tornou tudo muito mais fácil, — disse Mark, sorrindo enquanto Lutz balançava a cabeça concordando ao seu lado. Se isso facilitou o trabalho para a Companhia Plantin, então era provável que a Guilda dos Comerciantes também adotasse a novidade prontamente.
— Fizemos os formulários para os comerciantes de outros ducados nesta primeira fase, mas se vocês acham tão úteis, talvez possamos pensar em formular outros tipos de documentos para diferentes propósitos — finalizei.
— Se usar formulários padronizados é sua intenção, acredito que precisaríamos baixar o preço do papel para que os comerciantes menores também possam comprá-los. Mais oficinas de fabricação de papel seriam produtivas para esse fim — disse Benno, com os olhos brilhando. A maioria dos comerciantes ainda dependia muito de tábuas de madeira, e ele queria baixar o preço do papel o máximo possível para conquistar esses clientes. Benno sempre dizia que eu era precipitada em minhas ações, mas, quando se tratava de ganhar dinheiro, ele parecia tão ousado quanto eu.
— Foi decidido que mais oficinas de fabricação de papel serão criadas para auxiliar a disseminação da indústria de impressão, mas o número exato dependerá de quantos artesãos possam ser designados para trabalhar nelas — expliquei. — Garantir mais pessoas não é um processo fácil, imagino?
— Senhorita Rozemyne está certa, Mestre Benno. Aprender corretamente o processo de fabricação de papel leva algum tempo — disse Lutz, que havia ensinado pessoalmente os artesãos em Illgner e Haldenzel. Benno murmurou algumas palavras de relutante compreensão e suspirou.
Eu ri e depois voltei meus olhos para Otto, Tuuli e Theo, o trio que representava a Companhia Gilberta. Tuuli sorriu em resposta e levantou levemente a caixa em suas mãos, indicando silenciosamente que o enfeite de cabelo estava dentro. Dei um pequeno aceno para mostrar que entendi.
— Recebi a notícia de que o enfeite de cabelo de verão foi concluído — disse. — Tuuli, você poderia mostrá-lo para mim?
— Aqui está o seu. Que ele te agrade — disse Tuuli enquanto delicadamente retirava a tampa da caixa. Pude sentir Philine inclinando-se um pouco para a frente atrás de mim, curiosa para ver o conteúdo.
Dentro da caixa havia um enfeite de cabelo decorado com duas grandes e belas flores. O centro das pétalas era azul, a cor divina do verão, mas gradualmente ficava branco nas bordas. Era um feito impressionante, especialmente considerando a dificuldade em fazer flores que combinassem com o azul escuro do meu cabelo. Ao redor das pétalas, várias folhas, incluindo algumas verde-amareladas, balançavam suavemente. Ficava claro quanto pensamento e esforço Tuuli havia colocado na confecção.
— Está de acordo com seu gosto, se me permite perguntar, Senhorita Rozemyne? — perguntou Tuuli. Dado o olhar orgulhoso em seu rosto, no entanto, ela poderia muito bem ter dito: “Eu trabalhei muito duro, não foi?”
Virei a cabeça para o lado, deixando minha bochecha voltada para ela.
— Você poderia me ajudar a colocá-lo?
— Como desejar.
Hartmut e Philine deram alguns passos para trás, abrindo espaço para Tuuli, que avançou com o enfeite de cabelo, parecendo especialmente tensa. Ela removeu meu enfeite atual antes de colocar o novo no lugar. Senti as folhas penduradas escovarem suavemente contra minha orelha.
— Como ficou, Philine? — perguntei. Normalmente, eu escolheria meu enfeite de cabelo baseada apenas na minha opinião, mas desta vez queria uma segunda avaliação. Como não tinha outras assistentes comigo, confiava inteiramente no julgamento dela.
Philine começou a examinar o enfeite de cabelo, observando-o de todos os ângulos, enquanto Tuuli, ansiosa, apertava as mãos. Após um longo momento, Philine olhou para cima e disse:
— Está muito bonito, Senhorita Rozemyne.
Tuuli exalou aliviada, seus ombros relaxaram, e um sorriso voltou ao seu rosto. Peguei de volta o enfeite de cabelo que eu já havia usado e, carinhosamente, acariciei o novo enquanto olhava de Tuuli para Otto.
— Nesse caso, comprarei este enfeite de cabelo de verão — declarei.
— Agradecemos muito, — respondeu Otto. — Também trouxemos uma roupa desenhada para combinar com o enfeite de cabelo. Tuuli fez o design, e Corinna providenciou alguns pequenos ajustes. O que acha?
Era mais fácil descrever a roupa como uma versão aprimorada da que usei durante o meu batismo na cidade baixa. Tivemos uma resposta positiva às mudanças que fizemos no inverno, ajustando as mangas e dando mais volume à saia, então Tuuli projetou um vestido de ombros à mostra. A dobra do busto era decorada com rendas e incluía uma flor semelhante à do meu enfeite de cabelo, embora em tamanho menor. Ver o design familiar me encheu instantaneamente de nostalgia.
— Em breve convidarei a Companhia Gilberta ao castelo e pedirei que tragam o tecido adequado para este projeto para inspeção — anunciei. — Gostei muito do que produziram, mas antes de encomendar formalmente, preciso ouvir as opiniões de minhas mães e assistentes.
O simples fato de Tuuli ter desenhado o vestido me fazia querer encomendá-lo imediatamente, mas ter mais poder nem sempre significava ter mais liberdade. Tudo o que eu vestia influenciaria as tendências da moda, então era essencial obter a aprovação de Florencia e Elvira primeiro. Também precisava consultar Richarda e Brinhilda, que já estavam planejando minhas roupas futuras.
— Mais uma vez, muito obrigado. Aguardaremos sua convocação — disse Otto com um sorriso. Tuuli ainda parecia especialmente orgulhosa, e isso me deixou feliz ao ver que ela estava se dedicando não apenas aos enfeites de cabelo, mas também a aprender a confeccionar roupas.
Boa sorte, Tuuli. Eu acredito em você.
— Também temos conosco dois enfeites de cabelo que projetamos para Ella. Acredito que qualquer um se adequaria a ela, mas não vi o que ela planeja vestir. Você já viu, Senhorita Rozemyne? — perguntou Tuuli. Ela tinha dois enfeites de cabelo nas mãos, um branco e um amarelo. Ambos estavam decorados com muitas pétalas pequenas e folhas de diferentes cores.
Eu nunca tinha visto Ella usando roupas sofisticadas, mas ela nasceu na primavera, então sabia que o que quer que ela usasse precisaria conter o tom divino de verde. Ficou claro que Tuuli havia considerado isso ao fazer os enfeites, escolhendo cores que combinassem com qualquer roupa verde. Decidi escolher o amarelo, pois achei que seria melhor para o cabelo de Ella.
— Vou levar este, — anunciei, tirando meu cartão e o entregando a Otto para efetuar o pagamento. Eu compraria meu próprio enfeite de cabelo e roupa mais tarde, já que ainda precisava que Ferdinando me desse o dinheiro para isso. — Como está o tingimento? Os artesãos estão trabalhando duro?
— Oh, dizer que eles trabalharam duro é um eufemismo… Cada oficina terminou sua carga de trabalho normal muito mais cedo do que o habitual, na esperança de garantir mais tempo para fazer pesquisas. As coisas têm sido bastante animadas, de fato — respondeu Otto, que havia visitado cada uma das oficinas.
Tuuli assentiu repetidamente em concordância. Os envolvidos na indústria de tingimento estavam bem entusiasmados, e parecia que os jovens, em especial, estavam se esforçando para dominar essas “novas” técnicas.
— Senhorita Rozemyne, posso ter um momento para fazer uma pergunta? — Gustav interrompeu, antes de olhar para Otto. — A Companhia Gilberta enviou um pedido à Guilda dos Tingidores. Parece que, por sua sugestão, eles planejam realizar uma competição de tingimento em grande escala.
— Isso mesmo. Você mesmo não disse que seria sábio para mim estabelecer mais oficinas exclusivas? Gostaria de ver tecidos tingidos de todas as oficinas, para que eu possa decidir a quem dar meu negócio exclusivo.
Eu não tinha muitos relacionamentos exclusivos com oficinas além dos meus Gutenbergs, e fui aconselhada a explorar outras opções. Parecia uma decisão razoável, especialmente se a competição incentivasse os artesãos. Admito que a ideia da competição de tingimento surgiu por um capricho, mas com Elvira, Florencia, Brinhilda e várias outras já entusiasmadas com isso, não havia como voltar atrás.
Gustav estreitou os olhos levemente depois que repeti suas próprias palavras. — Também ouvi dizer que você está revivendo antigas tecnologias, Senhorita Rozemyne. Tem alguma opinião específica sobre isso?
— Sim, gostaria que algumas tecnologias esquecidas fossem revividas, se possível. A existência de métodos de tingimento que permitam mais do que apenas um tecido de cor única seria muito benéfica para o mundo. Afinal, a variedade é o tempero da vida.
— Variedade… — o mestre da guilda repetiu para si mesmo enquanto acariciava o queixo. Enquanto isso, Freida estava me observando com uma mistura de diversão e perplexidade.
— Eu entendo seus desejos, Senhorita Rozemyne, mas reviver velhas tecnologias não é uma tarefa simples, — disse ela. — Simplesmente não há tempo suficiente até o final do verão.
— Claro, não espero que essas técnicas sejam revividas em menos de meio ano, e também não estou exigindo que ninguém as traga de volta. Apenas quero uma roupa de inverno feita com tecido tingido resistente à cera. As oficinas de tingimento e os artesãos podem decidir por si mesmos como utilizar as tecnologias que a Companhia Gilberta lhes transmitiu através da Guilda dos Tingidores, — expliquei. Nós havíamos dado a eles uma pista, e o que fariam com essa informação dependia deles. — Agradeceria se a Guilda dos Tingidores pudesse documentar todos os métodos de tingimento utilizados nesta ocasião, para preservá-los para as gerações futuras.
— Preservar tecnologias? Essa é uma ideia bastante interessante… — comentou Freida, piscando surpresa.
Gustav suspirou profundamente. — Nesse caso, estou certo em assumir que essa competição será realizada no final do verão, aconteça o que acontecer? — perguntou. Eu podia imaginar que ele via toda a situação como um enorme incômodo, especialmente considerando o caos que Ehrenfest enfrentaria quando os comerciantes de outros ducados chegassem em massa, mas não havia mais como evitar isso.
— Meu objetivo inicial era que fosse um evento privado, mas ao relatar a ideia aos meus guardiões, minha mãe adotiva, a arquiduquesa e várias nobres superiores, todas expressaram interesse. Agora, isso já está fora do meu controle — respondi.
Todos me encararam em choque, com os olhos tão arregalados que eu me perguntei se poderiam saltar de seus crânios. Benno, em particular, tinha uma expressão que dizia claramente: “Você nunca mencionou isso!”
— A arquiduquesa e várias nobres superiores…? — Gustav repetiu, surpreso. — Parece que esse evento vai ter uma escala maior do que eu esperava.
— Entendo sua preocupação, mas, considerando que iniciei esta competição para criar minha roupa de inverno, não podemos adiá-la até o próximo ano. Fazer roupas leva tempo. No máximo, podemos postergar até o início do outono. Qualquer atraso além disso, e as costureiras terão dificuldades para entregar a tempo.
Gustav suspirou novamente, com uma expressão de quem queria segurar a cabeça em desespero, enquanto Benno olhava para o horizonte, como se estivesse relembrando suas dificuldades quando Elvira fazia exigências excessivas.
— Dito isso, se olharmos por outro ângulo, esta também é uma oportunidade para os tingidores provarem suas habilidades e atraírem a atenção de outros nobres, além de mim. Presumo que isso motivará ainda mais os artesãos, uma vez que é mais provável que se encontrem com clientes que realmente apreciem seus talentos. Para cada um, seu público, como dizem.
— Se introduzíssemos um sistema de votação, como fizemos durante o evento de teste de sabor de bolo de libra, isso colocaria mais tingidores em destaque e, assim, mais tinturas poderiam ganhar relações comerciais exclusivas. — Comentei. — Imagino que isso será desafiador para você como mestre da guilda, já que precisará gerenciar várias guildas ao mesmo tempo, mas confie à Guilda dos Tingidores o gerenciamento desse evento e concentre-se em acomodar os comerciantes de outros ducados.
— Falarei com os nobres interessados sobre realizar a competição no início do outono, em vez do final do verão. Assim que os detalhes forem resolvidos, informaremos tanto a Guilda dos Comerciantes quanto a dos Tingidores através da Companhia Gilberta.
Com isso, a reunião chegou ao fim. Depois de me despedir de todos, voltei aos meus aposentos de arcebispo. Pedi a Fran que preparasse tinta e papel, pois ainda havia algum tempo antes do jantar ao soar do sexto sino, e eu queria aproveitá-lo transcrevendo o livro que Hannelore havia me emprestado.
— Todos na reunião estavam usando dípticos, — observou Hartmut. — Foi obra sua, Senhorita Rozemyne?
— Os dípticos são muito convenientes para os plebeus, já que o papel é caro demais para ser usado à vontade. Acredito que meus assistentes e os Gutenbergs os espalharam por toda a cidade baixa, embora sua popularidade seja limitada pelo fato de muitos serem analfabetos.
— Então você os distribuiu como presentes? — Hartmut perguntou.
— Apenas para meus criados no templo e alguns dos Gutenbergs. Eles se espalharam por conta própria a partir daí, — expliquei, o que fez Hartmut lançar um olhar levemente invejoso. — Se quiser um, posso apresentá-lo à Companhia Plantin para que você adquira um.
— Não, — ele respondeu com um sorriso. — Eu preferiria que você mesma me desse um de presente. Se você só os distribuiu para os assistentes do templo e os Gutenbergs, então eles são como um símbolo de sua fé, não?
Eu pisquei, surpresa. Não havia pensado nisso dessa maneira, mas fazia sentido. Não tinha dado presentes específicos aos meus retentores nobres, ao contrário do que havia feito para os plebeus.
— Muitos dos meus retentores nobres talvez não apreciassem receber um díptico, então é melhor que eu pense em outra coisa. Vou consultar Ferdinando para considerar uma recompensa mais apropriada, — disse.
Hartmut sorriu, satisfeito. Embora sua admiração exagerada por mim fosse, por vezes, problemática, ele era um acadêmico valioso e de grande ajuda. Percebi que precisava recompensar meus retentores nobres de maneira mais formal, assim como costumava elogiar Gil pelo seu trabalho bem feito. No entanto, isso era mais complicado. Para os plebeus, eu poderia simplesmente presenteá-los com algo prático e elogiar com palavras, mas não tinha certeza de como recompensar adequadamente os nobres.
Virei-me para meus outros retentores reunidos em meus aposentos.
— O que seria considerado uma recompensa apropriada para um nobre? — perguntei.
— Eu quero sua mana, Senhorita Rozemyne! — Angélica gritou antes que qualquer um dos outros pudesse responder.
— Não! O Senhor Ferdinando proibiu! — Damuel e Cornelius gritaram em uníssono, recordando o incidente com Stenluke. Na verdade, a lição era clara: eu precisava ter cuidado ao conceder desejos, mesmo quando estava bem dentro dos meus meios.
— Decidirei depois de consultar Ferdinando sobre o nível de realização que merece uma recompensa e o que deve ser dado, — afirmei. — Tirar conclusões sozinha só me trará uma repreensão.
Cornelius riu.
— Certo. O Senhor Ferdinando tem o dom de dar longos sermões.
— Eu ficaria feliz com o que você escolher me dar, Senhorita Rozemyne, — disse Philine, com um sorriso encantador. Sua resposta foi tão adorável que eu tive vontade de presenteá-la com tudo.
Mas eu sabia que precisava perguntar a Ferdinando primeiro. Ele com certeza ficaria bravo se eu começasse a distribuir recompensas sem critério.
Enquanto conversávamos, os preparativos para a transcrição foram concluídos, e Philine e eu começamos a trabalhar no livro de Hannelore. Philine estava copiando o texto palavra por palavra, enquanto eu o reescrevia em vernáculo moderno.
— Este livro é realmente difícil de ler, com todas essas frases antigas. Como você consegue entender tão facilmente? — Philine perguntou, franzindo a testa diante do texto arcaico.
— Estou apenas acostumada. O primeiro livro que li foi a Bíblia, e muitos dos textos no templo também estão escritos em uma linguagem antiga. Transcrever isso será uma experiência valiosa para você.
— Farei o meu melhor, — respondeu Philine, determinada.
Enquanto trabalhávamos juntas, notei que Hartmut também estava escrevendo algo.
— O que você está escrevendo, Hartmut? — perguntei.
— Estou registrando algumas anotações da minha própria pesquisa. Descobri muitas coisas novas hoje.
Espere… Ele está falando sobre a pesquisa que faz sobre mim? Por favor, não! Pare!
Hartmut percebeu meu desconforto e, com uma expressão séria, pousou sua caneta. Fiquei congelada no lugar, minha mão estendida em direção a ele, tentando interrompê-lo.
— Ainda assim, nunca imaginei que você tratasse os plebeus em pé de igualdade, — comentou ele. Para Hartmut, que trabalhara com acadêmicos no castelo, os plebeus eram vistos apenas como figuras silenciosas que recebiam ordens e relatavam as tarefas designadas. — No castelo, os plebeus não costumam expressar opiniões ou fazer relatórios detalhados como esses, nem mesmo para nobres inferiores.
— E é isso que acho preocupante. Prefiro que os nobres prestem mais atenção aos que estão abaixo deles, — declarei.
Philine parecia bastante satisfeita com minha visão, enquanto Hartmut permanecia cético, talvez por ser um nobre superior e estar acostumado a ser o centro das atenções. Refleti sobre a situação, tentando encontrar uma forma de fazê-lo entender minha perspectiva.
— Embora os nobres sejam os únicos a estabelecer tendências, os plebeus são os que realmente criam os produtos da moda. Se alguém deseja espalhar as tendências que tanto trabalhou para estabelecer para outros ducados, a cooperação com os plebeus é essencial. Ehrenfest, sem dúvida, permaneceu um ducado de nível inferior por esse tempo precisamente porque não conseguiu entender isso.
— Você acredita nisso?
— Se virmos isso como nobres pensando em bens da moda e plebeus os fazendo, então os nobres são a mente pensante, enquanto os plebeus são suas mãos e pés, não? Sobrecarregar os plebeus com demandas irracionais não é melhor do que aleijar os próprios braços ou pernas.
Hartmut não respondeu, em vez disso, ele ponderou minhas palavras em consideração silenciosa.
— Os Gutenbergs e todos aqueles que compareceram à reunião de hoje são como meus braços e pernas; sem eles, eu não teria sido capaz de fazer papel vegetal, nem bolo de libra, karuta ou as cartas de baralho jamais existiriam. Os plebeus também são responsáveis por fazer nossos alimentos e doces. Eu simplesmente invento ideias; são eles que as tornam realidade. Assim, outros nobres intimidarem os Gutenbergs é como eles intimidarem meus braços e pernas.
E é precisamente por isso que não permitirei que ninguém se meta com eles.
Eu sorri, deixando meus pensamentos claros no meu rosto.
— Entendido — disse Hartmut, parecendo ter entendido bem minhas intenções. — Vou cuidar para que seus braços e pernas não sejam esmagados por outros acadêmicos.
— Espero que os acadêmicos um dia entendam o quanto eles dependem dos plebeus para fazer qualquer progresso significativo, mas se afastar da maneira de pensar que sempre se conheceu nunca é simples — eu disse com um suspiro. Hartmut assentiu em concordância, sua testa franzida com uma carranca profunda.
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