Ascensão do Lorde — Capítulo 130: CAPÍTULO 130 - 127 - Objetivos e Sonhos

Ascensão do Lorde
Cap. 130
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Ascensão do Lorde

CAPÍTULO 130 - 127 - Objetivos e Sonhos

Capítulo 130

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Capítulo 127 - Objetivos e Sonhos

Ascensão do Lorde

O dia seguinte chegou limpo. Céu azul, sem nuvens. Um daqueles dias em que a vida parece dar uma pausa no caos — só para te enganar depois.

Saito chegou cedo à Guilda dos Avós de Prata. Kevin e o resto do grupo já estavam por lá. A exceção, como sempre, era Little Girl.

— Ela se atrasa — disse Kevin, lendo o olhar de Saito como um livro aberto. — Vai aparecer.

— Ou está por aí ameaçando crianças… — Saito murmurou. Não que esperasse ser ouvido.

Seguiram para a sala de reuniões de sempre. Enquanto esperavam a pequena maga, Saito decidiu puxar conversa com Kevin. O que era só para matar o tempo acabou virando algo mais revelador.

Kevin era um bastardo.

Literalmente. Filho ilegítimo de um nobre que dormiu com a empregada antes do casamento. Cresceu sem saber disso. Só descobriu quando o verdadeiro herdeiro morreu, e o velho nobre percebeu que não ia mais produzir descendentes — problemas de saúde, segundo ele.

Então, fez o que nobres fazem: contou à esposa. “Tive um filho antes do nosso casamento.” Ela não gritou, não chorou. Só calculou. E decidiu aceitar. Sem herdeiro, toda a fortuna que juntaram podia ir pro ralo. Um bastardo era melhor que nada.

Kevin tinha cinco anos. A mãe dele, plebeia sem qualquer peso no mundo, não disse nada. Talvez por medo. Talvez por saber que o filho teria o que ela nunca teve: um futuro.

Ele foi educado como nobre. Espada, etiqueta, postura. Estava pronto para herdar tudo. Mas Kevin nunca quis aquilo.

— Eu não queria ser o filho do nobre. Queria ser o cara que muda o mundo.

Então, aos quatorze, fez um plano. Arrumou uma mulher — escolhida a dedo — engravidou-a, e entregou o filho recém-nascido ao pai. Para todos os efeitos, o bebê virou o novo herdeiro legítimo do velho.

Cinco anos se passaram. Kevin agora tem vinte. O filho tem cinco. E eles nunca se viram.

— Não sente nada? — perguntou Saito, curioso. — Nunca quis conhecer ele?

Kevin deu de ombros, sem peso nos olhos.

— Não. Ele tá com meu pai, sendo criado como príncipe. Vai ter tudo. Eu… não seria um bom pai. Eu quero mudar o mundo. Isso é o que eu sou.

Saito não respondeu. Não porque concordava, mas porque… não sabia se discordava. Kevin não fez o que era certo. Mas fez o que queria. E foi honesto com isso.

Little Girl chegou. Ignorou todo mundo — especialmente Saito — como se nada tivesse acontecido na noite anterior. Nem um olhar. Só largou o cajado no chão, fez barulho, e sentou. Silêncio total.

Saito se sentiu invisível. De novo.

Kevin, em compensação, parecia animado como se fossem sair para pescar.

— Missão nova! — anunciou, de pé, como se fosse um capitão prestes a levar o navio ao mar. — Vai servir de treino pro grupo agora que temos o Saito com a gente.

— Que tipo de missão? — Saito perguntou, levantando a mão como se estivesse na escola.

— Escolta. Vamos levar um viajante até Breiri. Não é longe, mas leva uns dias.

Kevin parou, franzindo a testa.

— Isso não atrapalha sua rotina, né? Você trabalha de segunda a quinta, certo?

— De segunda a quinta? — Tuare arregalou os olhos. Aquilo era estranho. Aventureiro que escolhe dia pra trabalhar geralmente morre na sexta.

— Não tem problema — disse Saito. — Só preciso estar de volta até sexta à tarde.

Kevin assentiu.

— Ótimo. Já cuidei de tudo: carruagem, suprimentos, mapa… Está tudo pronto.

Saito piscou. Organizar uma missão assim normalmente envolvia o grupo todo. Kevin preferia cuidar sozinho. Saito suspeitou que fosse mais sobre senso de responsabilidade do que desconfiança. Talvez, no futuro, pudesse oferecer ajuda.

— Partimos ao meio-dia. Até lá, temos tempo livre. Preparem-se. Vai ser uma viagem de alguns dias.

Leiana foi a primeira a sair.

— Vou me despedir do meu namorado e da minha família! — anunciou, enquanto se espreguiçava.

— Eu também. Meus pais… — Tuare falou baixo, ainda decidindo.

Kevin sorriu. Genuinamente.

— Tranquilo. Só voltem meia hora antes do horário. Assim dá pra revisar a formação e apresentar o cliente.

Ele então se virou para os dois que restaram.

— Se tiverem algo pra resolver, aproveitem agora.

— Quanto a gente vai ganhar? — perguntou Little Girl. Sua voz era neutra. Mas o olhar dizia: “não me faça perder tempo”.

Kevin coçou a nuca, rindo.

— Eu sabia que você ia perguntar isso.

— Você sempre pergunta antes de aceitar qualquer coisa — disse Tuare, rindo.

— Dez moedas de ouro pra cada um — respondeu Kevin.

Saito arqueou uma sobrancelha. Isso era muito.

— Isso é… uma recompensa muito boa.

— Rank prata tem suas vantagens — disse Tuare, com orgulho. — Mas, no caso do Kevin, é o nome dele que abre portas.

— Ajudei um grupo de mercadores uma vez. Depois disso, sempre me procuram pra escolta. Gero confiança. Agora me contratam todo mês.

Tudo fazia sentido. Kevin queria preencher a vaga do grupo rápido porque precisava de gente confiável pra continuar pegando esses contratos. Missões de escolta não se fazem sozinho.

— Você é cheio de surpresas, Kevin — disse Saito.

Kevin desviou o olhar, meio sem graça.

— Bom, pessoal… Quando estiverem prontos, nos encontramos aqui.

Missão aceita. Próximo passo: estrada.

Fim da leitura

Capítulo 130 concluído

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