Ascensão do Lorde — Capítulo 131: CAPÍTULO 131 - 128 - Ajudando um Amigo

Ascensão do Lorde
Cap. 131
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Ascensão do Lorde

CAPÍTULO 131 - 128 - Ajudando um Amigo

Capítulo 131

774 palavras~3 min de leitura

Capítulo 128 - Ajudando um Amigo

Ascensão do Lorde

Vê se pode uma dessas, colocaram aquele tapado na equipe. Aparentemente, o critério agora é saber repetir o óbvio com convicção.Little Girl saiu da Guilda de Aventureiros bufando — e nem tentou esconder o mau humor.

Ela caminhou pelas ruas do reino com o cenho franzido, amaldiçoando mentalmente os deuses da incompetência. Precisava de uma válvula de escape. Nada melhor do que açúcar, gordura e culpa.

Seguiu direto para a confeitaria mais próxima.

Assim que entrou, foi atropelada pelo cheiro de açúcar queimando, baunilha e alguma coisa que lembrava infância e irresponsabilidade. Atrás do balcão estava Sandra — coberta de glacê, segurando uma tigela de massa do tamanho de um barril e com uma expressão de quem estava prestes a gritar com o mundo.

— Sandra! — exclamou a pequena maga, marchando até ela como quem invade uma fortaleza. — Tens algo doce e absurdamente calórico para me dar? Estou carente.

Sandra levantou o olhar. Claramente não esperava visitas.

— Little Girl?! Que sorte a minha!

Little Girl estreitou os olhos. Quando alguém dizia “que sorte” logo depois de vê-la, era sinal de problema.

— O que estás fazendo aí? — perguntou, encarando a massa que parecia tentar fugir da tigela.

— O que parece? Estou me afogando em trabalho. Pegamos um pedido gigante pra uma festa. Meu irmão, gênio que é, decidiu que podia fazer a entrega sozinho mesmo doente. Resultado: tropeçou, espalhou tudo no chão e agora está de cama.

Ela deu um suspiro que parecia vir dos ossos.

— E agora vais ter de refazer tudo? — perguntou Little Girl, já sabendo a resposta.

— Exato. Minha mãe está viajando, meu irmão parece um zumbi e sobrou tudo pra mim.

A pequena maga começou a calcular as rotas de fuga, mas não foi rápida o bastante. Sandra levantou o rosto e a olhou como quem encontra uma tábua de salvação no meio do naufrágio.

— Mas tu estás aqui!

Little Girl deu um passo pra trás. Alerta máximo.

— E… e daí? Não sei cozinhar. Nunca nem fritei um ovo. Posso fazer bolas de fogo, mas acho que não é isso que estás procurando.

— Só preciso que mexas a massa. Não é física quântica, é biscoito. Por favor!

Sandra ajoelhou-se no chão como uma sacerdotisa desesperada implorando aos céus por socorro. Tudo muito dramático.

Little Girl bufou, resignada.

— Tá… Certo. Mas se esses biscoitos saírem do forno e me atacarem, a culpa é tua.

— És uma amiga maravilhosa!

— Hmph.

Seguiram-se minutos que pareceram horas, cheios de açúcar, farinha e caos. Mas, milagre dos milagres, conseguiram preencher quatro caixas enormes antes do cliente aparecer.

Sandra praticamente desabou no balcão. Parecia que tinha vencido uma guerra.

— Obrigada! Se não fosse por ti, estaria chorando no chão da cozinha agora.

Little Girl olhou para o próprio braço. Estava coberto de alguma coisa pegajosa. Provavelmente doce. Talvez perigosa.

— Não tens de agradecer. Mas sim, preciso de um banho.

Sandra percebeu o estado lamentável da amiga e apontou para o andar de cima.

— O banheiro é teu. Vai, antes que fiques colada no chão.

Little Girl subiu. No espelho, viu o que já suspeitava: parecia que tinha lutado com um monstro feito de massa de biscoito. E perdido.

Tomou banho, lavou as roupas com o sabão que encontrou e usou uma relíquia mágica que soprava ar quente — útil, embora barulhenta. Quando voltou, mais apresentável, encontrou Sandra limpando os últimos vestígios da batalha.

As caixas tinham sumido.

— Já vieram buscar?

— Vieram.

— Quatro caixas gigantes? Quantas pessoas?

— Duas. Uma garota toda arrumada — parecia uma princesa. E um cara vestido como se fosse para a guerra.

— Casal. Aposto.

— Tinham essa vibe. Bem próximos. Fiquei até com inveja.

— Invejosa? Ele era bonito?

— Nem tanto. Falei “invejosa” porque todas as minhas amigas já estão namorando. Sou a única encalhada.

Little Girl inclinou a cabeça, estudando-a como um alquimista analisa uma poção instável.

— Quantos anos tu tens, mesmo?

— Vinte e cinco.

Pausa. Uma longa pausa.

— Estás quase na idade em que ninguém mais te quererá.

— O quê?!

Sandra parecia ter levado uma estocada no coração.

— Que tipo de criança diz isso?! Homens gostam de mulheres maduras!

— Mais velha, com certeza. Madura? Hmm… tenho dúvidas.

— Aaaah! — Sandra gemeu, afundando o rosto nas mãos.

Little Girl suspirou, subiu na ponta dos pés e deu três tapinhas nas costas da amiga.

— Calma. Vais encontrar alguém bonito e legal. Que goste de doces, de preferência.

Sandra fungou, tentando sorrir.

— Obrigada…

Adultos. Às vezes eram piores que crianças.

Little Girl tinha onze anos, era uma aventureira registrada — a mais jovem do reino.

Não tinha família. Não aceitava ordens.

Era uma vida solitária, difícil e perigosa.

Mas era a vida dela. E isso bastava.

Fim da leitura

Capítulo 131 concluído

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