Crônicas das Terras dos Portais — Capítulo 2: Mininovel – Balisteiro – Parte 2 – Parte 2: O Preço de Continuar

Crônicas das Terras dos Portais
Cap. 2
0%
Crônicas das Terras dos Portais

Mininovel – Balisteiro – Parte 2 – Parte 2: O Preço de Continuar

Capítulo 2

2.825 palavras~12 min de leitura

A porta do posto estava escancarada, a madeira batendo de leve no batente com cada rajada fria da manhã. Sarah entrou, sacudindo a capa úmida antes que o vento a seguisse para dentro. Parou por um instante. O nariz se contraiu diante do cheiro de ervas fervidas e pano limpo, tão diferente do sangue seco e do ferro que ainda pareciam morar nas paredes nos primeiros dias.

O jovem paladino ergueu os olhos da mesa onde separava faixas e frascos.

— Você chegou cedo.

Sarah fechou a porta atrás de si.

— Ele dormiu?

— Um pouco. — O paladino terminou de dobrar uma gaze e a deixou sobre a bandeja. — Melhor do que ontem.

Ela se aproximou da cama de Akem, observando o rosto enfaixado, a respiração lenta, o peito subindo e descendo com esforço.

— E a febre?

— Baixou durante a noite. Tenho usado minha magia de cura sempre que ele piora.

Sarah soltou o ar devagar e baixou os ombros.

— Então estamos avançando.

— Não. Isso só mantém ele vivo — respondeu o paladino, sem dureza, apenas com a mesma secura de sempre. — Melhorar é outro assunto.

Sarah assentiu e foi até a bacia ao lado da mesa, mergulhando um pano na água morna.

— Posso ajudar?

— Sim. — Ele apontou para a cadeira ao lado da cama. — Se ele acordar, tente fazê-lo beber antes que eu volte com o caldo.

Ela pegou o pano, torceu-o e olhou de novo para Akem.

— Você disse ontem que ia tirar os últimos curativos hoje.

— Sim, já se passou uma semana. Certamente os ferimentos já devem ter fechado.

Sarah passou os dedos pela borda da faixa, sem tocar de fato.

— E como ele ficou?

O paladino demorou um instante antes de responder.

— Não sei. Vamos descobrir agora.

Sarah continuou limpando cuidadosamente o rosto de Akem. Sempre que a gaze tocava alguma parte mais sensível, ela afrouxava a mão e passava o pano com mais leveza, reduzindo a pressão do toque.

A porta se abriu.

Lowie entrou ainda coberto pela poeira da estrada.

— Como ele está?

O paladino terminou o curativo antes de responder.

— Vivo. Nada mais, nada menos.

Lowie soltou o ar devagar.

— Mas, Isso já é o suficiente por enquanto. — disse o jovem paladino lavando as mãos numa pequena bacia.

Sarah posicionou o pequeno espelho de metal polido sobre a mesa, alinhando o reflexo direto ao rosto de Akem. Os dedos trêmulos do rapaz envolveram a moldura de ferro, erguendo o objeto até que a luz da lanterna revelasse o lado esquerdo da face. Uma linha avermelhada rasgava a bochecha até alcançar o volume irregular de pele retorcida que agora cobria o osso exposto da mandíbula.

O metal permaneceu estático entre os dedos do jovem enquanto Sarah desviava o olhar em direção à janela.

— Tente devagar — disse o paladino, acomodando uma tigela de caldo na mesa e aproximando a colher cheia dos lábios deformados de Akem.

O rapaz inclinou a cabeça para trás e tencionou a garganta, mas o líquido escorreu livremente pelo vão da cicatriz, encharcando o tecido da manta antes que o paladino pudesse recolher a colher e limpar o queixo dele com um pano seco.

— A carne fechou — disse o paladino, quebrando o silêncio pesado do quarto enquanto guardava os utensílios na bandeja. — Mas acabou obstruindo a parte da alimentação.

Akem não respondeu, limitando-se a soltar o espelho, que bateu contra a madeira da mesa com um estalo seco.

— Isso impede qualquer infecção.

Sarah baixou os olhos para a bacia. O pano encharcado pingou água no chão.

— Mas não posso reconstruir uma mandíbula.

Ela ergueu o rosto.

— Não existe ninguém capaz?

— Claro que sim.

Ela deu um passo à frente.

— Quem?

— Em Sabriz existem taumaturgos capazes disso.

Lowie respirou aliviado.

— Então nós...

O paladino o interrompeu.

— Você conseguiria comprar metade desta cidade antes de pagar um deles.

O silêncio voltou a ocupar a enfermaria.

Sarah procurou o rosto do pai, esperando outra resposta.

— Mas... e a indenização?

Lowie não respondeu.

Foi o paladino quem falou.

— O julgamento terminou ontem.

Sarah voltou-se imediatamente para ele.

— E Stefan?

O jovem sustentou seu olhar antes de responder.

— Confessou tudo o que fez, assim como todos os outros.

A enfermaria permaneceu silenciosa.

— Dois dos rapazes receberam sentença de morte.

Lowie franziu a testa.

— E os outros três?

— Foram condenados à mutilação. Cada um respondeu apenas pelos golpes que desferiu.

Sarah respirou fundo.

— Stefan também foi condenado?

— Sim.

O paladino juntou as mãos atrás das costas.

— A pena foi indenização proporcional à participação dele na agressão. Caso não haja dinheiro, trabalho compulsório até quitá-la.

Sarah voltou lentamente para junto de Lowie.

— Então... isso não basta para pagar a cura dele?

Lowie ergueu lentamente os olhos.

— Os demais responsáveis não possuem mais patrimônio.

— Como assim?

— Durante a madrugada, as famílias abandonaram Jillar. Todos os bens foram levados. Deixaram apenas os filhos para cumprir as sentenças.

Sarah permaneceu imóvel.

Lowie caminhou até a cama e observou Akem tentando, em vão, fechar a boca.

Só então voltou a falar.

— Ele nunca receberá o restante da reparação.

O jovem paladino confirmou com um discreto movimento de cabeça.

— Apesar de incompleta, a justiça foi cumprida.

— Não. — Lowie pousou a mão sobre o ombro do rapaz. — Desculpe paladino, mas dessa vez a justiça falhou.

— É lamentável dizer isso — começou o paladino. — Mas concordo com você, senhor Brienza. Se não houver uma solução, Akem vai definhar até morrer de inanição.

O homem permaneceu alguns segundos olhando para o rapaz.

Então respirou fundo.

— Tudo bem. Situações desesperadoras exigem medidas à altura. Ainda há um homem que eu não procurei.

Sem dizer mais nada, virou-se e deixou a enfermaria.

O sol já começava a descer quando a porta da enfermaria tornou a se abrir.

Lowie entrou primeiro.

— Consegui. Sorte ele não estar viajando.

O homem que veio atrás dele não respondeu. Era de estatura mediana, envolto por um casaco escuro de couro grosso. O cabelo grisalho era curto, preso para trás, e a barba cuidadosamente aparada contrastava com uma placa metálica que substituía parte da têmpora esquerda e desaparecia sob a gola da roupa. O braço direito, do cotovelo para baixo, era inteiramente de metal escovado, articulado por pequenas engrenagens que se moviam silenciosamente a cada passo.

Assim que cruzou a porta, deixou a bolsa sobre uma cadeira e caminhou diretamente até a cama de Akem.

Sarah recuou um passo para lhe dar espaço.

O estranho apoiou dois dedos metálicos sob o que restava da mandíbula do rapaz, inclinou-lhe a cabeça para um lado, afastou delicadamente um dos curativos e observou a cicatriz em silêncio. Em seguida conjurou um pequeno globo de luz na palma da mão. Com um gesto, a esfera deslizou para o interior da boca de Akem.

O paladino acompanhava cada movimento sem dizer uma palavra.

— Então o senhor é Dimik: O Quangra.

O homem apenas inclinou discretamente a cabeça, sem interromper o exame.

— Ouvi falar do senhor.

— Espero que tenham falado bem.

Moveu cuidadosamente o maxilar, apalpou a base do pescoço, acompanhou com os dedos a linha da cicatriz e permaneceu mais alguns instantes em silêncio.

— Vamos ver... aqui.

A esfera luminosa desapareceu. Só então Dimik retirou as mãos do rapaz e deu um passo para trás.

— Consigo resolver.

Sarah endireitou o corpo.

— Resolver... como?

— Construindo outra.

Ela piscou algumas vezes.

— Outra mandíbula?

Dimik apenas confirmou com a cabeça.

— De metal.

O silêncio voltou a ocupar a enfermaria.

Dimik passou o polegar metálico sobre a articulação do próprio punho, como se conferisse um velho hábito.

Foi o paladino quem rompeu o silêncio.

— Eu não sabia que isso era possível. Pensei que os segredos protéticos Quangras tinham todos morrido com a queda da cidade.

— Alguns, sim. Outros ainda teimam em sobreviver.

A resposta saiu sem qualquer orgulho. Logo após, voltou os olhos para Akem.

— Na minha época muitos se orgulhariam de receber uma mandíbula melhor do que a que nasceram. Mas o modo de vida dos Quangras... assim como os poucos sobreviventes... hoje não passam de lembranças.

Sarah inclinou discretamente a cabeça.

— Ele vai conseguir... comer?

Dimik ainda observava as articulações da cicatriz.

— E falar?

O quangra moveu delicadamente a mandíbula para um lado antes de responder.

— Talvez não como antes.

Fez uma breve pausa.

— Mas viverá.

Sarah soltou o ar lentamente.

— Então faça.

Dimik finalmente voltou os olhos para ela.

— E quem te deu algum poder de decisão, garota?

A enfermaria ficou silenciosa outra vez.

O quangra aproximou-se da cama, apoiou as duas mãos nos ombros de Akem e o encarou diretamente.

— E aí? Quer ou não quer?

Akem sustentou aquele olhar por alguns instantes.

Depois voltou os olhos para Sarah.

Ela apertava as próprias mãos com tanta força que os nós dos dedos haviam embranquecido.

Lowie permanecia imóvel ao lado da cama.

O rapaz respirou fundo.

Então fez um único movimento afirmativo com a cabeça.

Dimik vestiu novamente o casaco.

— Ótimo. — disse ele voltando-se para Lowie. — Ponham-no numa carroça. Precisamos agir depressa.

Enquanto falava, retirou uma folha dobrada do bolso interno da roupa e começou a escrever.

— Escuta aqui, Brienza. Vou precisar desses materiais aqui.

Lowie aproximou-se.

— Pode deixar. Eu assumo todas as despesas.

Dimik terminou a lista e a entregou.

Lowie percorreu rapidamente os nomes escritos no papel.

— Aço rúnico de baixo teor de carbono. Prata de cinco refinos vividos. Bronze branco tratado. Dois cristais Zig-Resil...

Dimik apontou para a folha.

— Quanto maior a qualidade dos materiais, melhor será o resultado.

Lowie dobrou cuidadosamente o papel.

— Eu consigo tudo isso.

O quangra indicou Akem com um discreto movimento da cabeça.

— Então não demore. Cada dia sem alimentação enfraquece mais o corpo dele.

Guardou o caderno de anotações.

— Levem-no para minha oficina.

Sarah olhou para o paladino.

— Não seria melhor fazer tudo aqui?

Dimik balançou a cabeça antes mesmo que o jovem pudesse abrir a boca. Ajustou a alça da bolsa sobre o ombro.

— Minhas ferramentas estão na oficina.

Lançou um último olhar para Akem.

— Amanhã você será um verdadeiro cidadão Quangra.

O interior da oficina de Dimik permaneceu iluminado sem interrupção.

O calor das forjas nunca diminuía. Correntes pendiam do teto, sustentando blocos de metal ainda incandescentes. Bancadas cobertas de ferramentas dividiam espaço com construtos desmontados, braços mecânicos presos a suportes de madeira, engrenagens organizadas em gavetas e dezenas de peças cuidadosamente etiquetadas. O cheiro de carvão, óleo e ferro aquecido dominava o ambiente.

— Cuidado... — disse Dimik para si, sem levantar os olhos da mesa. — Isso é tão duro que se cair, quebra.

No centro da oficina, Akem permanecia preso sobre uma mesa metálica.

Sarah só via fragmentos do trabalho. Numa vez, o braço metálico de Dimik girava lentamente uma pequena chave sobre uma peça presa à bancada. Horas depois, quando a porta tornou a abrir, pequenas faíscas saltavam sobre placas já moldadas no formato de uma mandíbula. Na manhã seguinte, um brilho azul percorria discretamente as articulações recém-montadas enquanto um filete de vapor subia da mesa onde Akem permanecia imóvel.

— Como ele tá? — perguntou Sarah, sem tirar os olhos da mesa.

Dimik nem levantou a cabeça.

— Vai dar certo.

— Tem certeza?

— Se eu não tivesse, não estaria fazendo isso.

A porta voltava a fechar.

Horas depois, abria novamente.

Dimik caminhava até um armário diferente, retirava outra peça e desaparecia sem dizer uma palavra.

Enquanto isso, Lowie atravessava a cidade de um lado para outro.

No fim daquela tarde voltou com um pesado caixote de madeira, apoiando-o sobre a bancada com um baque surdo.

— Aço rúnico.

Dimik abriu a tampa, retirou uma das barras ainda envoltas em tecido oleado e examinou cuidadosamente as inscrições gravadas ao longo do metal.

— Serve.

Quando Sarah tornou a espiar pela porta, já não via apenas ferramentas espalhadas. Sobre outra bancada repousavam placas metálicas parcialmente moldadas, riscadas por dezenas de marcas de medição.

Na manhã seguinte, Lowie retornou trazendo outra caixa.

— Prata de cinco refinos.

Dimik apenas assentiu, sem interromper o trabalho.

Antes do fim do dia apareceu novamente com um embrulho envolto em couro.

— Bronze branco tratado.

O velho passou os dedos sobre o metal e permitiu-se um discreto sorriso.

— Excelente.

Sarah observava a movimentação da porta.

Quando o pai voltou a sair, caminhou até ele.

— Aonde você vai agora?

Lowie apertou o casaco contra o corpo.

— Resolver umas pendências.

Ela permaneceu olhando enquanto ele desaparecia pela estrada.

Muito além da oficina, entre um pequeno bosque de pinheiros, Lowie retirou um cristal facetado do bolso e o segurou diante do rosto.

A superfície da pedra começou a brilhar.

— Não vai mudar nada — disse a voz do outro lado.

Lowie apertou o cristal entre os dedos.

— Vai mudar, sim. Vocês precisam sair daí antes do amanhecer.

— E o restante?

— Fica comigo.

— Como assim?

— O que você ouviu. Não mandei deixar seu garoto fora da coleira.

— Tudo?

— Tudo.

A luz do cristal desapareceu.

Lowie tornou a guardá-lo no bolso e seguiu caminhando.

Na manhã do terceiro dia, Dimik encaixou a última peça na articulação inferior da mandíbula, observou durante alguns instantes o leve brilho azul desaparecer entre as junções e finalmente afastou as ferramentas da mesa.

Ficou alguns segundos em silêncio, estudando o próprio trabalho.

Então cruzou os braços.

— Levante.

O rapaz apoiou as mãos na mesa e ergueu lentamente o corpo.

As pernas vacilaram, mas ele se manteve firme.

Sarah deu um passo à frente.

Akem ergueu discretamente a mão, recusando ajuda.

Dimik aproximou uma pequena tigela de caldo.

— Mastigue.

Akem levou a colher até a boca.

Pela primeira vez desde a agressão, a mandíbula metálica fechou completamente. Os dentes de aço trituraram o alimento com um estalo seco. Ele engoliu.

Depois outra colher. E mais outra.

Sarah levou as duas mãos ao peito.

— Ele conseguiu...

Dimik apenas observava o movimento das articulações.

— Funcionamento satisfatório.

Abriu a boca de Akem com delicadeza, examinou os encaixes e voltou a fechá-la.

— Melhor do que imaginei.

Ninguém falou durante alguns segundos.

O único som era o leve estalar das articulações sempre que Akem movia a mandíbula pela primeira vez.

Só então Sarah caminhou até a frente do rapaz.

O sorriso que trazia desapareceu no instante em que viu o rosto dele.

A mandíbula inferior havia sido substituída por uma estrutura inteiramente metálica. Duas grandes articulações de bronze ligavam a peça ao restante do crânio, enquanto placas curvas de aço escovado formavam um conjunto robusto e completamente exposto. Rebites minúsculos percorriam toda a extensão do metal, e uma discreta linha azul brilhava entre as junções sempre que Akem movimentava a boca.

Ela permaneceu imóvel por alguns segundos.

— Akem...

A voz saiu baixa, quase num sussurro.

Os olhos percorreram lentamente aquele novo rosto, depois desviaram para o chão.

Lowie entrou logo em seguida. Também parou.

Observou o rapaz durante alguns segundos. Respirou fundo.

— Obrigado.

Dimik limpava as mãos num pano escuro.

— Ainda será necessário ajustar algumas articulações nas próximas semanas.

Batidas ecoaram na porta. Um rapaz entrou trazendo um pequeno tubo de couro.

— Senhor Brienza.

Lowie recebeu o documento, afastou-se da mesa de operação e foi pra fora da oficina.

Só então desenrolou o pergaminho e leu rapidamente.

Depois o guardou dentro do casaco.

Sarah esperou até que Lowie terminasse de ler o pergaminho. Franziu a testa e foi atrás dele em silêncio.

— O que aconteceu?

— Os Boerdam aceitaram.

Sarah ficou alguns segundos sem entender.

— Aceitaram o quê?

— O novo contrato de casamento.

O silêncio durou apenas um instante.

— Não.

Lowie voltou-se para ela.

— Não o quê?

— Eu não vou casar com Stefan.

O homem permaneceu tranquilo.

Sarah deu um passo à frente.

— Depois de tudo o que ele fez? É muita coragem sua.

— Justamente por causa do que ele fez.

Ela encarou o pai, a testa franzida e os lábios entreabertos.

— E se ele fizer o mesmo comigo?

Lowie aproximou-se da janela da oficina.

— Antes desse ataque, nós precisávamos deles.

Olhou para fora.

— Agora eles precisam de nós.

Sarah permaneceu em silêncio.

— As outras casas mercantes fugiram. Os Boerdam ficaram sozinhos. E agora vão cumprir exatamente as condições que nós impusermos.

Ela abaixou lentamente os olhos.

— Mas eu...

Lowie a interrompeu.

— Stefan passará anos pagando pelo que fez. Não sabemos se ele terá condições de arcar com a dívida. Caso desista, ficamos com tudo. E você terá o caminho livre para...

Lowie deixou a frase morrer por um instante antes de continuar.

— Enquanto isso, os Boerdam comerão na mão dos Brienza.

Sarah ficou imóvel. Nenhuma palavra saiu de sua boca.

Dimik saiu para a rua.

— Terminamos.

Akem caminhou lentamente até a porta.

Quando passou pelo batente, a luz da manhã refletiu sobre a mandíbula metálica. Do outro lado da rua, um casal interrompeu a conversa. Uma mulher segurou discretamente a mão do filho pequeno. O menino permaneceu olhando para Akem sem piscar.

— Mãe... — disse ele, baixo.

A mulher apertou sua mão e o conduziu para a calçada oposta.

Mais adiante, dois comerciantes interromperam a discussão e acompanharam sua passagem em silêncio.

Ninguém dizia nada.

Mas todos olhavam.

Akem baixou os olhos. Os dedos roçaram a mandíbula metálica por um instante, depois se fecharam em punho ao lado do corpo. Ele seguiu em frente sem olhar para trás.

Fim da leitura

Capítulo 2 concluído

Mininovel – Balisteiro – Parte 2 – Parte 2: O Preço de Continuar