Diários de uma Apotecária — Capítulo 10.01: Volume 10 – Capítulo 1 – Capítulo 1: Retorno à Capital do Oeste

Diários de uma Apotecária
Cap. 10.01
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Diários de uma Apotecária

Volume 10 – Capítulo 1 – Capítulo 1: Retorno à Capital do Oeste

Capítulo 10.01

2.586 palavras~11 min de leitura

Maomao enxugou a testa enquanto olhava para fora da carruagem. O sol castigava sem piedade, assando a terra. As pessoas que seguiam o veículo a pé usavam chapéus cônicos de viagem, mas aquilo não as protegeria da luz refletida pelo chão, que ainda seria forte o bastante para bronzear a pele.

Então, um ano depois, e estou aqui de volta, pensou Maomao. Da última vez que ela esteve ali, era um pouco mais cedo no ano e não fazia tanto calor. Pelo menos não havia umidade, o suor que ela enxugava secava rapidamente, mas o calor continuava escaldante.

O médico charlatão sucumbiu ao calor quase de imediato e estava encolhido em um canto da carruagem.

— O que este lugar precisa é de um pouco de vegetação! Isso melhoraria tudo — comentou Chue. Ela estendeu um cantil de couro com água aromatizada pela casca de algum tipo de fruta cítrica. Mesmo morna, a bebida era muito melhor do que nada para a garganta ressecada de Maomao. — Você já esteve aqui antes, não foi, senhorita Maomao?

— Sim, no ano passado.

Ela certamente não esperava voltar tão cedo. A maioria das pessoas comuns jamais fazia uma viagem tão longa em toda a vida.

— Mas você ficou pouco tempo, não foi? Desta vez, deixe a senhorita Chue mostrar tudo para você! Você pode conhecer os pontos turísticos! Aproveitar! — Havia um brilho em seus olhos. Quanto menos uma coisa tinha a ver com trabalho, mais animada ela ficava para fazê-la.

— Não, obrigada. Tenho um trabalho para fazer. — Maomao adoraria passear pela cidade, finalmente conhecê-la inteira e explorar todas as ervas medicinais e outras plantas vendidas naquele grande centro comercial. Mas havia uma pessoa em quem ela precisava ficar de olho o tempo todo. Jinshi.

Aquele filho da...!

Mesmo agora, só de lembrar, seu sangue fervia, e ela desconfiava que isso nunca mudaria.

— Senhorita Maomao! Senhorita Maomao! Você está muito tensa. — Chue começou a massagear suas bochechas. De algum jeito, sempre aparecia alguém para fazer aquilo.

— A-Ah, estou mesmo?

— Tenho certeza de que eles deixariam você passear o dia inteiro se dissesse que era para inspecionar os arredores. Só não esqueça de me chamar quando for!

Ela só quer me usar como desculpa!

Chue era fácil de conversar e muito melhor do que qualquer outro acompanhante que pudesse ser designado para vigiá-la, mas, ainda assim...

— Ora, ora! Conversamos tanto que já chegamos!

Uma cidade de pedra e tijolos surgiu diante delas. Árvores verdes apareciam espalhadas por toda parte, e um lago cintilava ao longe. Toldos balançavam aqui e ali para amenizar o sol. A carruagem seguiu direto em direção a uma enorme mansão. Por um instante, Maomao pensou que estavam indo para a mesma casa em que estiveram no ano anterior, mas logo percebeu que era a residência ao lado.

— Então este é o escritório administrativo! — disse Chue, olhando para uma placa de pedra na frente do edifício.

A carruagem parou diante do portão. Os outros médicos já os aguardavam lá dentro.

— Ah, agora chegou todos o que restavam? — perguntou o doutor You, de pele morena, acenando para eles.

— Certo, senhorita Maomao. A senhorita Chue tem outras coisas para fazer. Então, até mais!

— Sim. Muito obrigada.

— Nem precisa agradecer! — Chue saiu correndo em passinhos rápidos para dentro do prédio administrativo.

— Por aqui! — chamou o doutor You. Ele estava ao lado de Tianyu e de outro médico. Maomao e o médico charlatão foram até eles, enquanto Lihaku os seguia a uma distância discreta.

— O senhor já esteve aqui antes, doutor You? — perguntou Tianyu em seu tom arrastado.

— Sim, muitas vezes. Mas isso foi antes deste lugar virar um escritório administrativo. Sou da capital do oeste, sabia? Nasci na província de I-sei. Conheço mais ou menos onde fica a vila do leste.

— Ah, é? — respondeu Tianyu, sem demonstrar o menor interesse, apesar de ter sido ele quem fez a pergunta.

Antes de virar um escritório, é...? Maomao pensou. Enquanto caminhava para dentro, ela se perguntou para que aquele lugar havia servido antes. De fato, parecia muito mais a casa de uma família rica do que um edifício administrativo propriamente dito. Será que era a mansão de alguém que teve os bens confiscados por não pagar impostos?

Era apenas fruto de sua imaginação, mas bastou para distraí-la até chegarem à vila. Os suprimentos médicos já haviam sido entregues.

— O que faremos agora? — perguntou o médico de expressão séria ao doutor You.

— Vejamos. O plano é nos dividirmos em três grupos, assim como fizemos nos navios. O Príncipe da Lua ficará no anexo do Lorde Gyoku-ou, o Grande Comandante Kan permanecerá aqui no escritório administrativo, e nosso homem Lu, do Ministério dos Ritos, ficará na residência principal do Lorde Gyoku-ou.

O bom doutor claramente se referia a um daqueles homens de maneira diferente dos outros. Talvez fossem próximos, ou talvez a diferença estivesse na posição hierárquica?

— Então vamos nos dividir nos mesmos grupos de quando estávamos nos navios? — perguntou o outro médico.

— Hum... Acho que hoje vamos fazer um pouco diferente. — O doutor You agarrou Tianyu e o empurrou na direção de Maomao e do médico charlatão.

— Hã? Vou ficar com eles, senhor? — perguntou Tianyu. — Eu tinha certeza de que ficaria novamente com o doutor Li.

Maomao concordava. Li aparentemente era o médico que restava. O sobrenome também era extremamente comum, tão comum que não ajudava em nada a distinguir as pessoas, e aqueles que se chamavam Li frequentemente acabavam sendo chamados pelo nome completo. Lihaku era um ótimo exemplo disso.

[Noelle: Chocada estou.]

— Levamos todos os fatores possíveis em consideração quando tomamos essa decisão. Você pode ficar com o doutor Li... desde que aprenda a controlar essa língua. Ouvi falar das suas pequenas gafes no navio. — Ao que tudo indicava, Tianyu tinha respondido de forma atrevida a alguns altos oficiais.

— Mas eu posso ser igualmente grosseiro em qualquer outro lugar! Hum... Para onde eu vou?

— Para o anexo. Eu ficarei aqui no escritório administrativo, e o doutor Li irá para a residência principal.

— Isso significa que vou ficar no mesmo prédio que o irmão mais novo do Imperador, não é? Isso não tem potencial para piorar ainda mais as coisas?

Aquilo significava que Maomao também ficaria no mesmo edifício que Jinshi. Ela já desconfiava que seria assim.

— Hah! Esperando conseguir uma oportunidade para examinar o Príncipe da Lua? Boa sorte. Duvido que você sequer o veja com frequência. — O doutor You deu um tapa no ombro de Tianyu. Tianyu esfregou o local, sentindo a dor.

O doutor You continuou: — Vocês formarão a equipe perfeita. Niangniang é ótima em preparar medicamentos, justamente o que falta a você, Tianyu. Mas, entre os novatos, você é o melhor cirurgião. Esta será a oportunidade ideal para aprenderem um com o outro.

Seria mesmo, se Niangniang estivesse aqui, pensou Maomao, mas não se deu ao trabalho de corrigi-lo. Ela já havia decidido que, enquanto aquilo não lhe causasse problemas, poderia conviver com o mal-entendido. Ela lançou um olhar para o médico charlatão. Ele nem parece estar na lista. E, pelo visto, ele também não tinha percebido.

— Espero conseguir ser um bom professor... — disse o médico charlatão, inquieto. Maomao desviou o olhar.

— Estou ansioso para trabalhar com você, parceira! — disse Tianyu, dando um tapa nas costas de Maomao.

— Nós não somos parceiros.

Maomao se colocou na frente do médico charlatão, que corou de vergonha e se escondeu atrás dela.

— Estou ansioso para trabalhar com você também, grandalhão! — disse Tianyu.

— S-Sim, será um prazer — respondeu o médico charlatão. Pelo jeito, Tianyu não o levava muito a sério.

— Vocês podem estar em um grupo diferente, mas o trabalho de vocês não mudou. Médicos cuidam dos seus pacientes... e de mais nada! Cada grupo terá um oficial júnior designado para servir como mensageiro caso aconteça alguma coisa. Não hesitem em usá-lo.

Era fácil trabalhar com o doutor You; ele tornava tudo simples. Maomao sabia que as pessoas daquela missão haviam sido escolhidas por sua capacidade de se adaptar rapidamente às mudanças, mas ele tinha uma naturalidade especial, certamente por estar em sua terra natal.

— Vocês ouviram ele. Vamos indo? — perguntou Tianyu, pegando suas coisas.

Escritório administrativo, residência principal e anexo: duas das três propriedades pertenciam diretamente a Gyoku-ou, o que demonstrava o tamanho de seu poder. O escritório e a residência principal ficavam lado a lado; o anexo estava a cinco minutos de caminhada. Todos davam para a rua principal, mas, dentro do prédio administrativo, o movimento lá fora mal podia ser ouvido. O lugar era enorme. Os muros e as árvores do lado de fora provavelmente também ajudavam a abafar o barulho.

Maomao e seus três companheiros juntaram-se ao oficial júnior que serviria como mensageiro. Os cinco foram conduzidos até o prédio por um homem que parecia ser da região. Quando saíram pelo portão, tiveram uma boa visão da cidade.

Lihaku mais uma vez manteve uma distância respeitosa, mas Tianyu continuava lançando olhares para trás na direção dele. Acho que realmente parece estranho, pensou Maomao. Alguns médicos comuns receberem um guarda-costas? Sem falar que o próprio médico charlatão era o responsável direto pelos cuidados de Jinshi. Tianyu era inteligente demais para não se perguntar por que justamente Maomao e o médico charlatão haviam recebido a missão de cuidar do irmão mais novo do Imperador. Ela se preocupava com o momento em que ele começaria a fazer perguntas, mas, por enquanto, tentou agir como se tudo fosse perfeitamente normal. Pelo menos poderia fingir inocência até que ele a pressionasse diretamente.

— Nossa! Isso é empolgante! — Se o médico charlatão ainda tivesse seu bigode, certamente estaria tremendo de animação. Ele não era exatamente um eunuco corajoso, mas, naquele momento, sua empolgação por conhecer a capital do oeste parecia superar sua timidez.

Tianyu também olhava para todos os lados. Sua expressão, porém, permanecia inalterada. Ele parecia menos alguém se divertindo e mais alguém observando cuidadosamente tudo ao redor.

Nunca sei o que pensar desse sujeito. Maomao nunca conseguia entender o que ele estava pensando. A única coisa que ela havia descoberto era que ele se agarrava imediatamente a qualquer coisa que despertasse sua curiosidade. Se ela soubesse o que chamava sua atenção, talvez pudesse prever suas reações, mas ainda não fazia ideia do que ele considerava interessante.

— Hum? — Tianyu inclinou a cabeça, intrigado, enquanto saíam do escritório. Maomao se perguntou o motivo e, então, viu um rosto familiar. O dono daquele rosto também pareceu reconhecê-los, pois caminhou rapidamente até eles.

— Quanto tempo — disse ele, inclinando respeitosamente a cabeça e exibindo um sorriso gentil. Era o bonitão Rikuson, o antigo assistente do estrategista excêntrico.

É verdade. Ouvi dizer que ele foi transferido para a capital do oeste.

Ele estava mais bronzeado do que da última vez que Maomao o vira, sem dúvida por causa do sol intenso daquela região. Dois acompanhantes caminhavam atrás dele.

— Faz mesmo, senhor — respondeu Maomao.

— É, faz um tempo que a gente não se vê — disse Tianyu quase ao mesmo tempo. Só o médico charlatão ficou completamente perdido. Ele olhou para Maomao como se perguntasse quem era aquele homem.

— Vocês dois se conhecem? — perguntou Maomao, olhando de Rikuson para Tianyu e depois de volta.

— Digamos que eu nunca esqueço alguém que conheci. — Rikuson sorriu. Maomao percebeu um traço de cansaço naquela expressão. Também notou que suas roupas estavam cobertas de poeira e que havia lama espalhada por seus sapatos.

— A primeira coisa que nos ensinaram quando entramos para a corte foi decorar a aparência do assistente do estrategista — explicou Tianyu.

— Ah... Entendi. — disse Maomao. Mesmo tendo cumprimentado Rikuson de maneira descontraída, Tianyu não parecia conhecê-lo nem se importar tanto assim com ele. Enquanto isso, o médico charlatão se remexia, desconfortável diante daquele desconhecido. Pela primeira vez, Maomao não podia simplesmente deixar que os outros conduzissem a conversa.

— Este é o médico-chefe. Vim à capital do oeste para auxiliá-lo.

— Médico-chefe? — perguntou Rikuson, olhando confuso para o médico charlatão.

Ah! O nome dele. O nome dele é, uhhh...

Droga! Ela quase tinha esquecido de novo. Ela achava que era Gu... Guen? Mas decidiu não arriscar dizer em voz alta.

— Se eu disser que ele é o médico que serviu durante muitos anos no palácio interno, o senhor saberá de quem estou falando?

[Noelle: Pensa sair charlatão kkkk tadinho kkk]

Ah. Perfeito.

Rikuson bateu as mãos. — Sim! Então é ele?

Essa passou perto. Quase me entreguei.

O médico charlatão era o substituto de seu verdadeiro pai, Luomen, e estava sendo tratado como se fosse o verdadeiro médico de prestígio. Rikuson, por sua vez, certamente conhecia Luomen, que era tio do estrategista excêntrico. Também devia saber que o médico charlatão era o único médico do palácio interno.

Nunca se sabe quando as paredes podem ter olhos ou ouvidos.

Eles ainda estavam tecnicamente em Li, mas a capital do oeste era praticamente território estrangeiro. Mais importante ainda, os dois acompanhantes de Rikuson pareciam ser habitantes locais. Maomao não podia se dar ao luxo de dizer algo imprudente. Precisava medir cuidadosamente cada palavra.

Ela não tinha nenhum assunto específico para conversar com Rikuson e queria sair dali antes que alguém acabasse revelando algo sem querer.

— Imagino que o senhor esteja ocupado, mestre Rikuson. Peço desculpas por tomar seu tempo — disse ela.

— De forma alguma. Acabei de voltar de uma viagem de trabalho. Precisei ir bem longe, mas sabia que vocês chegariam em breve, então voltei às pressas. Nunca imaginei que meu timing seria tão perfeito. — Ele abriu um largo sorriso, mas isso não escondia a lama na barra de seu robe. Já estava seca, mas era evidente que originalmente era uma terra escura e fértil.

Será que ele estava nos campos por algum motivo?

A capital do oeste era uma região seca; poças de lama eram raras nas estradas. Mesmo que houvesse alguma, a poeira dali seria mais clara e pobre em nutrientes. O único lugar de onde aquela terra fértil poderia ter vindo era um campo irrigado. Talvez ele estivesse voltando da aldeia mais próxima da água. Na pressa de retornar, nem teve tempo de se preocupar com a própria aparência.

Então ninguém informou a ele exatamente quando chegaríamos? Mesmo sendo uma viagem longa, Maomao esperava que Rikuson soubesse pelo menos esse detalhe.

— Preciso ir. Se eu ficar conversando por muito tempo, receio que meu antigo chefe acabe me notando. Tenho certeza de que nos veremos outra vez — disse Rikuson. Parecia haver mais coisas que ele gostaria de dizer, mas devia estar ocupado demais. Tianyu, que sabia a quem ele se referia como seu "antigo chefe", soltou uma risadinha. Apenas o médico charlatão continuava completamente sem entender nada e passou toda a conversa com uma expressão abatida. Maomao teria de explicar quem era Rikuson enquanto seguiam para o destino.

Ela tinha muito em que pensar, mas também se lembrou das palavras do doutor You.

Médicos cuidam dos seus pacientes... e de mais nada.

Maomao era uma apotecária. Então ela faria o trabalho de uma apotecária... e nada mais.

[Noelle: Logo ela que se mete em um tanto de encrenca falando isso kkk]

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Atenciosamente,

Scan Moonlight Valley

Fim da leitura

Capítulo 10.01 concluído

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