Diários de uma Apotecária — Capítulo 10.21: Volume 10 – Epílogo

Diários de uma Apotecária
Cap. 10.21
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Diários de uma Apotecária

Volume 10 – Epílogo

Capítulo 10.21

1.922 palavras~8 min de leitura

Chá aromático e quitutes assados com bastante manteiga. Um incenso moderadamente estimulante que realçava as notas mais intensas do doce aroma.

A Imperatriz Gyokuyou era a anfitriã, e suas convidadas tinham vindo para se divertir.

Ela tinha realizado muitas festas de chá durante seus dias no palácio interno, mas menos desde que passou de concubina a Imperatriz. Ainda assim, tinha certeza de que sua habilidade de mimar uma visitante não tinha diminuído.

— Muito obrigada por nos convidar — disse uma das mulheres. Eram as esposas de algumas das pessoas mais importantes de Li. Todas eram mais velhas que Gyokuyou, com uma exceção: sua sobrinha, Yaqin.

— E quem seria esta? — perguntou uma das convidadas de olhar atento ao notar a jovem.

— Minha sobrinha — respondeu Gyokuyou com um sorriso. — Ela veio até aqui, da capital do oeste.

Yaqin ainda não tinha entrado no palácio interno, pois não só Gyokuyou, mas também Gyokuen tinha se oposto a isso. O pai e o irmão de Gyokuyou queriam coisas diferentes: perceber isso a deixou ainda menos hesitante em agir.

Ela tinha apresentado a garota não como filha de Gyoku-ou, mas como sua sobrinha. Ninguém conheceria Gyoku-ou como o governador das regiões ocidentais distantes. Na capital, ele era conhecido como filho de Gyokuen, e pouco mais que isso.

De qualquer forma, Yaqin parecia mais com Gyokuyou do que com Gyoku-ou. Sem dúvida, as pessoas concluíram que ela era sobrinha de Gyokuyou por parte de mãe.

Elas conversaram sobre os perfumes mais populares, veludo importado, as maquiagens mais recentes, assuntos um tanto juvenis considerando a faixa etária das participantes. Em parte, Gyokuyou trouxe esses assuntos de propósito para que Yaqin, que ainda não estava acostumada com esse tipo de evento, se sentisse à vontade, mas também servia para que ela evitasse discussões políticas.

O principal objetivo daquele dia não era fortalecer seus laços com aquelas mulheres. Na verdade, ela tinha feito questão de convidar esposas bem estabelecidas que não demonstravam ambição demais.

Nos últimos meses, Yaqin começou a se abrir com Gyokuyou. Como Gyokuyou suspeitava, ela era adotada, não filha biológica de seu meio-irmão. Ele devia ter decidido que a escolha do Imperador por Gyokuyou como imperatriz mostrava que o governante tinha uma queda por mulheres de aparência “exótica”.

Gyokuyou só conseguia rir.

O Imperador não era um homem que escolheria sua imperatriz apenas pela aparência. Isso podia ser um fator, é claro, mas não o suficiente para fazê-lo se apaixonar perdidamente. Gyokuyou podia ter o afeto imperial, mas não era do tipo capaz de levar um país inteiro aos joelhos.

Seu pai, Gyokuen, entendia bem Sua Majestade. Por isso não tinha oferecido uma jovem Gyokuyou ao imperador anterior. Ele esperou, usando o tempo até a troca do trono para dar a Gyokuyou a educação de que precisaria para ser Imperatriz.

Gyokuen era um comerciante. Ele escolheria o caminho que trouxesse o maior lucro. Mas não se deixaria distrair pela ganância, olharia dez, vinte, cinquenta anos para o futuro. Até além da própria morte. Gyokuyou sabia que ele buscaria algo maior do que a glória modesta de um único clã.

Gyokuyou acreditava que Gyokuen a amava. Mas o amor dele não era incondicional. Se ela se tornasse um obstáculo para sua busca por ganhos, ele a descartaria. O que Gyokuyou podia fazer era aumentar seu próprio valor, fazer com que seu peso fosse maior na balança de Gyokuen.

Essa festa de chá era uma das maneiras de fazer isso.

A festa terminou em um clima amistoso. As esposas demonstraram grande interesse pelas curiosas mercadorias vindas do oeste. Gyokuyou teria que presenteá-las com algumas em breve.

Ela ordenou que suas damas de companhia arrumassem tudo e então voltou para seu quarto, acompanhada por Yaqin.

— Parece que está aprendendo a se comportar em uma festa de chá — observou Gyokuyou.

— Sim, senhora. Só graças à senhora.

— No começo, você não conseguia dizer uma palavra sequer! — Ela deu uma risadinha.

— Por favor, eu imploro, não me faça lembrar.

Yaqin era bonita, isso era verdade, mas, no fim das contas, ainda era uma filha “improvisada”. Ela conseguia soar aristocrática durante alguns minutos de conversa breve, mas, por muito mais tempo que isso, seu sotaque de I-Sei começava a aparecer. Gyokuyou provavelmente ainda teria o mesmo problema se Hongniang não tivesse corrigido seu sotaque toda vez que ele aparecia desde que ela era jovem.

O sotaque tornava Yaqin pouco adequada para festas de chá. No fim, ela tinha sido oferecida com um único propósito: conquistar o interesse romântico da nobreza.

— Lady Gyokuyou, posso lhe perguntar uma coisa? — disse Yaqin.

— Pode.

— Como está a província de I-Sei agora? — A jovem não conseguiu esconder sua ansiedade.

— Por que pergunta? Há alguma coisa lá que esteja preocupando você? — perguntou Gyokuyou diretamente.

Depois de um segundo, Yaqin respondeu: — Os insetos devem estar chegando em breve. Estou preocupada com a colheita. — Ela era uma jovem muito direta e bondosa de coração e rápida para aprender. Gyokuyou simpatizava com ela.

Cerca de dez dias antes, Yaqin tinha se aberto com Gyokuyou sobre seus verdadeiros pais… um assunto que, sem dúvida, pretendia manter estritamente para si.

Aquela garota, tão parecida com Gyokuyou, tinha um profundo respeito por Gyoku-ou. Em sua vida anterior, sua família era nômade, mas, quando seu pai adoeceu, eles se estabeleceram em uma vila de agricultores. É claro que isso não os transformou imediatamente em agricultores habilidosos. Eles deixavam os animais pastarem em um campo próximo e, pouco a pouco, aprenderam a cultivar a terra. Ela descreveu, com evidente gratidão, como o governador os tinha ajudado financeiramente.

O governador — Gyoku-ou.

Gyoku-ou não era mau aos olhos de Gyokuyou. Ele simplesmente acreditava que estava sempre certo. Sempre sendo justo. Era por isso que os dois não se davam bem. Ela, favorecida por Gyokuen, contrariava o senso de justiça dele. Ela sabia muito bem disso.

Ele era o filho mais velho, da esposa oficial de Gyokuen. Se olhava de cima para uma garota nascida depois, filha de uma concubina, bem, aquilo dificilmente era exclusividade da província de I-Sei. A maioria dos homens de Li faria o mesmo.

Não, o que incomodava Gyokuyou era a maneira como Gyoku-ou menosprezava sua aparência. Não o rosto em si… não se tratava dela ser bonita ou feia. Em vez disso, ele diminuía seus cabelos vermelhos e seus olhos verdes. Ele era filho de um comerciante, aquele que deveria ajudar a capital do oeste a prosperar como um centro de comércio no futuro. Não era exatamente a melhor profissão para alguém xenofóbico.

A política de Gyokuen, de modo geral, era ser um bom vizinho para os estrangeiros. Gyokuyou não entendia como Gyoku-ou conseguia respeitar tanto o pai deles e, ao mesmo tempo, virar as costas para um de seus ensinamentos mais importantes.

Esse era o homem que Yaqin admirava tão profundamente. Alguns anos antes, ela tinha sido obrigada a se vender por causa de uma colheita ruim. Vender uma filha não era exatamente algo incomum; mulheres eram apenas mais uma mercadoria em famílias pobres. Ela tinha começado a trabalhar como prostituta.

Foi dessa situação que Gyoku-ou tirou Yaqin, adotando-a como filha. Uma bela história, pensou Gyokuyou. Ela escolheu não dizer o que havia por trás daquilo; não contaria a Yaqin a verdade sobre o assunto. Ela acreditava que uma de suas forças estava em não destruir a visão que a garota tinha dele.

— Acho que podemos esperar ouvir alguma coisa da capital do oeste em breve. Vou contar a você assim que souber de alguma coisa — disse Gyokuyou. Então ela tirou um grampo de cabelo dos cabelos de Yaqin. Sentindo a cabeça ficar mais leve, Yaqin soltou o ar. — Agora vá se trocar e vamos começar nossos estudos. Aprender… isso é a coisa mais importante que você pode fazer para ajudar o meu honrado irmão.

— Sim, senhora.

Yaqin era obediente, uma boa garota. Ela respeitava Gyoku-ou e se preocupava até com a família que a tinha vendido. Mesmo que, sem dúvida, eles tivessem recebido prata mais do que suficiente de Gyoku-ou para viver… em troca de manterem a boca fechada.

Quando Yaqin saiu do quarto para se trocar, Haku-u entrou segurando um pedaço de papel amassado. — Lady Gyokuyou — disse ela.

Ela entregou o papel a Gyokuyou, que tinha sido dobrado e torcido para poder viajar com um pombo. Aquela mensagem em particular parecia ter sido tratada de maneira ainda mais bruta que o normal. Gyokuyou olhou para a ave, imaginando se era a que o Príncipe da Lua costumava usar, mas não. Aquela mensagem tinha vindo de alguém que não era o irmão mais novo de Sua Majestade.

— Isto é...?

— Sim, senhora.

Haku-u já tinha lido, ao que parecia. A mensagem informava que a capital do oeste — na verdade, toda a província de I-Sei — estava sendo assolada por uma praga de insetos. A caligrafia desleixada revelava a urgência com que aquilo tinha sido escrito.

Gyokuyou cerrou a mandíbula. — Haku-u.

— Tenho uma mensagem preparada para seguir por terra e outra por mar. Temos um pombo mensageiro sobrando, se desejar usá-lo. Mas a capital do oeste ainda está em confusão, então questiono se ele chegaria em segurança.

Mesmo assim, seria muito mais rápido do que enviar a mensagem pelas mãos de uma pessoa.

— O pombo, por favor — disse Gyokuyou. Então ela pegou uma folha de papel particularmente resistente. Nela, escreveu apenas uma frase:

Como quiser.

Depois, colocou a carta dentro de um pedaço de papel oleado, amarrou-a à pata do pombo que Haku-u tinha trazido e soltou a ave. A criatura branca parecia perfeita contra o céu azul brilhante.

O céu era tão azul ali na região central que, na verdade, era quase difícil imaginar que, tão longe a oeste, ele estava sendo encoberto por insetos, enquanto os bichos devastavam as plantações e os suprimentos. Aqueles que não conseguissem imaginar aquilo poderiam zombar para si mesmos: Que bando de chorões, esses ocidentais. “Ah! Os insetos vão me pegar! Buááá!”

Gyokuyou soltou um longo suspiro. Por que tinha entrado no palácio interno? Para quê? Por que seu pai achou necessário mandá-la para lá, para a região central do país?

Será que o pai de Gyokuyou continuaria a amá-la no futuro, por muitos e muitos anos?

— Tudo bem! — Gyokuyou quase deu um tapa na própria bochecha para recuperar a energia, mas Haku-u a impediu.

— Seu lado moleca está aparecendo, senhora. Não no rosto, por favor.

— Sim, sim.

— E tente parecer que está falando sério quando responder. — Haku-u, sua amiga de infância, olhou para ela com severidade.

Gyokuyou pegou uma nova folha de papel e começou a escrever tudo o que poderia fazer pela região oeste.

Sua luta estava apenas começando.

[Noelle: Genteeee que volume 10 foi esse em? Achei paia como o Jinshi foi usado, por isso não ouvimos muito do Governador, estava até com medo. O caos, foi nítido para vocês aí como foi aqui pra mim? Foi tenebroso ler, imaginar tudo, ser comido vivo por gafanhotos, pensa? Fiquei me questionando o que aconteceu com o gado pois não falaram muito a respeito… Maomao arrasando corações, Rikuson pedindo ela em casamento, a química deles é incrível, por enquanto, até mais que a dela com Jinshi na minha opinião… E também outra coisa, depois que ela desmaiou por conta do granizo, o que aconteceu? Pois o céu ainda estava infestado de gafanhotos, como Rikuson reagiu? Ele pegou ela no colo?? Tudoooo isso em branco sem detalhes me deixa muito curiosa, ahhhh! Kkkkkkk Curiosa para saber o decorrer de tudo!

Lembrando que na próxima semana farei uma pausa, mas no dia 14/9 retorno com os capítulos do volume 11!! Preparem os corações! ]

Fim da leitura

Capítulo 10.21 concluído

Volume 10 – Epílogo