Diários de uma Apotecária — Capítulo 10.2: Volume 10 – Capítulo 20 – Capítulo 20: Confirmação

Diários de uma Apotecária
Cap. 10.2
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Diários de uma Apotecária

Volume 10 – Capítulo 20 – Capítulo 20: Confirmação

Capítulo 10.2

3.316 palavras~14 min de leitura

Quando voltou à capital do oeste, Maomao encontrou a cidade em péssimo estado.

As coisas realmente estavam piores aqui, pensou ela. Ela observou a cidade com certo distanciamento. Ainda havia gafanhotos nas ruas e rastejando pelas paredes dos prédios. Às vezes, ela via aglomerados negros se contorcendo, mas preferiu não olhar de perto.

Ela suspeitava que o número de gafanhotos fosse, na verdade, menor do que na vila, mas por toda parte conseguia ver barracas de rua mastigadas e frutas roídas espalhadas pelo chão.

O pessoal da cidade não lida bem com insetos.

As pessoas aqui provavelmente tinham reagido ao enxame de maneira muito diferente dos moradores da vila. Ela quase não viu ninguém do lado de fora. Os agricultores tinham suas plantações para proteger, então tentaram exterminar os insetos para manter as plantas a salvo, mas o medo puro e simples dominou os habitantes da capital do oeste.

— Quão grande foi o caos? — ela perguntou a Lihaku, que estava sentado no banco do cocheiro. Rikuson tinha dito que ficaria na vila por mais alguns dias. Isso era muito bom para os moradores, mas Maomao ficou surpresa por ele não achar que deveria voltar à capital para lidar com aquela emergência.

— Foi um pandemônio. Chuva e granizo!

— Ninguém avisou que o enxame estava chegando? — Se Jinshi tinha conseguido mandar um aviso até para ela, então ele devia ter algum plano em andamento na capital.

Mas Lihaku disse: — Esta é a capital do oeste. Aqui existe uma ordem para as coisas, sabe?

— Entendo...

Jinshi dificilmente poderia sair correndo pelas ruas gritando a plenos pulmões. Ao contrário de Maomao, ele precisava pensar na posição que ocupava. Ele não podia fazer nada a menos que agisse por meio dos funcionários da cidade.

— Parece que ele fez melhor do que nada, pelo menos — disse Lihaku.

Em uma grande praça da cidade, parecia estar acontecendo uma distribuição de comida. Maomao ficou surpresa… os insetos tinham realmente causado tantos estragos e deixado as pessoas tão exaustas? Já tinham se passado alguns dias, porém. Nem todas as famílias teriam grandes provisões guardadas.

Muitas famílias pobres já vivem com o dinheiro contado. Muitas vezes, o máximo que conseguiam fazer era ganhar o suficiente para um dia e depois gastá-lo em uma barraca para comprar o jantar daquela noite. Alguns lugares que serviam comida ainda estavam abertos, mas, em meio ao caos, as redes de distribuição tinham parado, e eles não tinham muito o que oferecer.

Maomao conseguia sentir o cheiro do mingau que estava sendo distribuído mesmo de onde estava. O cheiro a fez pensar: Irmão do Lahan.

Era o cheiro de batata-doce, talvez do enorme estoque que tinha chegado com ela e os outros nos navios. As batatas estavam sendo cozidas e servidas para encher a barriga dos habitantes famintos da cidade.

— Então estão usando as batatas nessa distribuição — observou Maomao.

— Ah, Irmão do Lahan, mal tivemos tempo de conhecê-lo... Dói tanto perdê-lo… — Os olhos de Chue se encheram de lágrimas. Ela estava tratando o homem como se tivesse morrido?

— Eu diria que, se estão sendo úteis, está tudo bem, não está? Tenho certeza de que o Homem-Batata está por aí em algum lugar, sorrindo — disse Lihaku.

Por aí? Onde seria isso? Pelo jeito que Lihaku falava, era difícil saber se ele achava que o Irmão do Lahan estava vivo ou morto.

A carruagem chegou ao anexo. As pessoas se reuniram no portão quando ouviram os relinchos dos cavalos. Mais especificamente, as pessoas eram o charlatão e Tianyu.

— Mocinha! Você voltou! — Um homem exausto e abatido correu até Maomao. Lihaku o agarrou pela nuca antes que ele pudesse colidir com ela. O baixinho se debateu e esperneou: era o médico charlatão.

— Mestre Médico, está tudo bem? — disse Maomao, fazendo uma reverência. Lihaku colocou o charlatão de volta no chão.

— E você, mocinha? Está bem, não está? Eu sei que estava em um lugar seguro, mas deve ter ficado morrendo de medo! Eu certamente fiquei! Eu jurava que o mundo estava chegando ao fim!

— Sim, senhor. Sei que o senhor desmaia só de ver uma barata.

Mais de uma vez, ele tinha aparecido diante dela branco como uma folha depois de encontrar algum inseto particularmente assustador enquanto limpava. Um enxame de gafanhotos devia ter sido um verdadeiro inferno para ele.

— Não é justo, Niangniang. Por que você pôde ser evacuada? Cara, deve ser ótimo ter contatos de verdade! — Tianyu estava tão sarcástico como sempre, embora Maomao não tivesse certeza de até que ponto ele realmente acreditava no que Jinshi tinha dito.

— Você tem certeza de que não há problema em deixar o consultório médico vazio? — perguntou Maomao. Aquilo foi, de verdade, a primeira coisa em que ela pensou ao vê-los.

— Ahh, não estamos tão ocupados — disse Tianyu. — Talvez porque, na maior parte do tempo, devemos cuidar do Príncipe da Lua. Já o doutor You e os outros, agora, eles têm muito trabalho!

Os dois têm tempo livre porque são responsáveis por Jinshi? Havia algo estranho naquilo.

— Isso me lembra, mocinha! Mestre Lakan ficou muito preocupado com você!

— Ah.

A informação não era particularmente útil.

— Ele parece gostar bastante de doces. Você deveria levar alguns docinhos de batata-doce amassada e ir cumprimentá-lo. Ele estava morrendo de vontade deles outro dia!

Ela gostaria de poder ignorar a sugestão do bom doutor, mas, se fizesse isso, suspeitava que a outra parte simplesmente fosse visitá-la. De qualquer forma, ela tinha um problema maior: o charlatão estava aproveitando a ausência do Irmão do Lahan para cozinhar as batatas destinadas ao plantio.

— Minha nossa, mocinha, você está machucada! O que aconteceu com sua mão?

— Ah, não é nada com que se preocupar. Eu estava fazendo pesticida. Foi por causa dos experimentos com aquilo.

— Experimentos? Você não é um inseto, mocinha! — O charlatão parecia genuinamente confuso.

— Se consegue matar um gato, com certeza funciona em um inseto — Tianyu interveio.

[Noelle: Lembrando que o nome da Maomao significa gato, daí o trocadilho]

— Tudo bem, vocês dois, chega de conversa — disse Chue ao entrar na sala. — Temos muita coisa para contar!

— Contar? — perguntou o charlatão.

— Sobre essa mistura que mata insetos.

— Ahh, sim, claro. Desculpe, desculpe. — O charlatão abriu passagem educadamente. Tianyu não parecia ser um problema, ele só tinha aparecido para fazer comentários sarcásticos.

Muitas pessoas importantes, não apenas Gyokuen, moravam em casas excessivamente grandes, mas os aposentos de Jinshi ficavam no santuário mais interno daquela. Tudo aquilo era muito respeitoso com ele como hóspede, mas, sinceramente, era uma caminhada e tanto.

— Certo, ninguém está com a roupa amassada? Excelente — disse Chue, inspecionando as roupas de Maomao e Lihaku. Maomao viu um ou dois fios de cabelo soltos na cabeça de Chue, então os ajeitou com a mão.

— Com licença, nós estamos… — Maomao foi interrompida por um estrondo enorme no momento em que entraram.

Jinshi estava sentado em uma postura um tanto quanto informal. Suiren e Taomei cuidavam dele como sempre, enquanto Gaoshun e Basen também estavam ali, ambos parecendo um pouco desconfortáveis. — Quá! — grasnou o pato ao lado deles. Seria melhor fazer alguma piada sobre o pássaro ou não?

Basen tinha deixado o pato para trás, e ela tinha voltado com Maomao e os outros. Pelo modo como ele foi direto para Basen no momento em que chegaram ao anexo ele parecia mais um cachorro do que um pato.

Parece bem o tipo de coisa que o Gaoshun faria, pensou Maomao. Ao contrário do que parecia, ele tinha um fraco por doces e pequenos animais. Provavelmente achava a presença do pato reconfortante.

Tudo bem, não posso passar o tempo todo olhando para o pato.

Ela olhou para Lihaku para perguntar como fariam o relatório. Ele deu meio passo para trás… aparentemente, ele queria que ela falasse. Chue também recuou.

— Acabamos de voltar, senhor — disse Maomao, endireitando um pouco a postura e falando de maneira um pouco mais formal porque Taomei estava ali. Se fossem apenas Gaoshun ou Suiren, seria uma coisa...

— Muito bem — disse Jinshi, com um ar de autoridade impassível. Ele parecia sentir o mesmo que Maomao, pois usava no rosto sua proverbial máscara de “Príncipe da Lua”. Maomao entendeu que Taomei tinha sido uma das amas de Jinshi, mas sua... abordagem para criar uma criança era bem diferente da de Suiren.

— E como foi? — perguntou ele.

Era uma pergunta justa, mas tudo que Maomao conseguia fazer era repetir o que tinha ouvido de Chue.

— A colheita foi severamente afetada, mas não foi destruída por completo. Quanto ao trigo, acreditamos que restaram cerca de setenta por cento de uma colheita normal.

— Então a mensagem do Irmão do Lahan chegou a tempo.

Ele até o chama assim em reuniões oficiais?

Talvez nem Jinshi soubesse o nome do homem. Se ele nunca voltasse, Maomao se perguntou o que colocariam em sua lápide?

— Enviamos mensageiros para as outras vilas, mas, segundo os relatos, salvamos menos da metade da colheita. E há alguns lugares dos quais os mensageiros ainda não voltaram — só posso presumir que as coisas estejam piores por lá.

Por mais que tenha trabalhado, o Irmão do Lahan simplesmente não conseguiu chegar a todos a tempo. Pior ainda, não importava quanto tivesse suportado pelo bem das vilas que alcançou, as demais simplesmente presumiriam que os superiores as ignoraram e abandonaram. Por mais que se esforçasse, o Irmão do Lahan nunca conseguiria chegar à linha de chegada.

— Lihaku. Quantas pessoas você acha que precisamos enviar para cada vila? — perguntou Jinshi.

— Eu diria que pelo menos dez, senhor. Vamos precisar de alguns para cuidar dos insetos e de outros para ajudar a reconstruir as casas, mas o que mais me preocupa é...

— Violência? Ou banditismo?

— Os dois, na verdade.

Desastres naturais como aquele viravam a vida das pessoas de cabeça para baixo… e isso tendia a fazer o mesmo com o coração humano. Um coração devastado podia logo se voltar para o roubo ou para a violência. Jinshi já estava pensando no que viria depois dos gafanhotos.

Poink! fez o cabelo rebelde de Chue; ela parecia achar que Jinshi poderia pedir sua opinião, mas nunca teve a chance de falar.

— Muito bem. Você fez um bom trabalho, Lihaku. Pode voltar ao seu posto — disse Jinshi.

— Senhor — respondeu Lihaku prontamente, e deixou a sala. O pato, por algum motivo desconhecido, o seguiu. Seu traseiro balançava enquanto andava: talvez precisasse fazer cocô.

Será que dá para ensinar um pato a fazer as necessidades no lugar certo?

Maomao teria presumido que era impossível, mas, pensando bem, se o animal sujasse os aposentos de Jinshi, Taomei provavelmente o assaria na hora. Talvez o pato, percebendo o perigo mortal, tivesse decidido sair. Se fosse isso, era um truque impressionante.

Maomao se virou para segui-los, mas imediatamente encontrou Suiren bloqueando sua saída.

— Posso ajudá-la? — perguntou Maomao.

— Ho, ho, ho. Talvez você pudesse nos conceder só mais um pouquinho do seu tempo.

Colocando daquela maneira, Maomao não teve escolha a não ser dar meia-volta.

Jinshi já não usava a expressão de Príncipe da Lua. — Sua cabeça está bem? — perguntou ele. Basen devia ter contado a ele sobre a pedra de granizo que a atingiu e o consequente período de inconsciência de Maomao. Quando olhou atentamente, ela conseguiu ver olheiras escuras sob os olhos de Jinshi, e seus lábios estavam secos.

— Não tenho certeza, senhor. Às vezes uma pessoa cai morta do nada alguns dias depois de levar uma pancada na cabeça.

Mesmo sem ferimentos externos, aparentemente, um sangramento dentro da cabeça ainda podia causar a morte.

— Então você precisa se deitar!

— Não, senhor. Minha hora vai chegar quando tiver que chegar, e a única pessoa que poderia fazer alguma coisa a respeito seria meu pai. Ele, ou talvez o doutor Liu, mas nenhum dos dois estava na capital do oeste. — Então, prefiro fazer o que puder enquanto puder.

— Então explique essa mão direita. — Ele parecia ter notado os curativos de Maomao.

— Cicatrizes de um experimento — respondeu ela lentamente.

— Pensei que você não usasse sua mão dominante para isso. — Ele a encarou por um longo tempo, com firmeza… o oposto da posição que os dois costumavam ocupar. Por fim, disse: — Hum. Tudo bem. O mais importante é... você está bem. É isso que importa.

Ah...

Ela viu a mão dele se fechar e abrir novamente, e percebeu que o “Príncipe da Lua” tinha desaparecido por completo, dando lugar a Jinshi. Era quase infantil… e, na verdade, perturbadoramente humano.

— Você deve estar cansada. Volte para o seu quarto e descanse um pouco.

Agora, isso era algo que Maomao estava feliz em ouvir. Chue ergueu os braços em comemoração, até ver a expressão da sogra e baixá-los novamente.

Maomao estava ansiosa para voltar ao seu quarto, mas havia uma coisa que precisava saber. — Mestre Jinshi, o senhor não vai fazer nada a respeito do enxame?

Talvez não parecesse uma pergunta muito respeitosa… e não ajudava o fato dela ter voltado a chamá-lo de Jinshi em vez de “Príncipe da Lua”. Mas, depois de todo o planejamento e preparo para lidar com a praga de insetos, ele certamente não deveria estar descansando tranquilamente em seus aposentos de hóspede naquele momento. Maomao insistiu: — Em tempos tão extraordinários, certamente ainda há muita coisa que o senhor poderia fazer, não?

Sua intenção pareceu chegar até ele.

— Como você sabe, sou um hóspede aqui — disse Jinshi, voltando ao tom oficial. — O que posso fazer pessoalmente no local é limitado. Então preparei um presente para aqueles que podem fazer o que quiserem.

Maomao se lembrou do mingau de batata-doce que estava sendo distribuído no mercado.

— Vi mingau de batata-doce sendo distribuído.

— É bom saber que estão usando como planejado.

— Usando?

Jinshi já tinha entregue os mantimentos à capital do oeste. Seria o governante da capital quem conquistaria a boa vontade por distribuí-los. A gratidão dos habitantes da cidade seria direcionada àquele que lhes tivesse dado a comida.

Ele arrancou este momento das mãos de Jinshi! Jinshi tinha feito todo o trabalho, mas Gyoku-ou receberia todo o crédito.

— Também está claro por que permitiram que eu enviasse mensageiros às vilas quando eu quisesse. Se nada acontecesse, eles poderiam culpar o irmão mais novo do Imperador por tentar incitar o povo. E, se algo acontecesse, ainda pareceria que a capital do oeste tinha enviado o aviso.

Jinshi era uma pessoa muito mais direta do que parecia à primeira vista, e colocava a nação em primeiro lugar, sem se importar com facções ou alianças. Ele podia ser um peão extremamente útil se alguém soubesse como movê-lo.

Então aquela catástrofe conveniente tinha chegado.

— Esses ocidentais parecem ter planejado desde o começo usar nós, visitantes da capital central, como seus mensageiros e ajudantes. Pelo menos fomos poupados do pior porque o estimado estrategista assumiu a liderança.

— M-Mas...

Havia pessoas que achavam aquilo mais doloroso do que Maomao. Basen permaneceu resolutamente inexpressivo, enquanto Suiren e Taomei pareciam pouco animadas. Gaoshun, por sua vez, cuidava de uma ruga profundamente marcada entre as sobrancelhas.

— Parece que essa é a verdadeira razão pela qual fui convocado para cá — para servir como um conveniente contraponto — disse Jinshi.

Surpreendentemente, o governante interino da capital do oeste, Gyoku-ou, estava tentando usar o irmão mais novo do Imperador como seu próprio coadjuvante. Ele está tentando se transformar no herói dessa história? Maomao fechou a mão em um punho ao perceber o que estava acontecendo.

Eles ainda ficariam na capital do oeste por algum tempo. Gyoku-ou podia ser irmão da Imperatriz Gyokuyou, mas, mesmo assim, Maomao tinha a sensação de que nunca conseguiria gostar muito dele. Enquanto isso, Jinshi, que parecia sempre acabar levando a pior, não conseguia esconder o cansaço crescente das pessoas mais próximas dele.

Ele precisa dormir um pouco, e logo.

Maomao estava prestes a tentar encerrar a conversa quando Suiren chamou:

— Basen, seu pato está fazendo uma barulheira lá fora!

— Jofu? Aconteceu alguma coisa?

— Aquela coruja mascarada voltou. Talvez devolvê-la à natureza não tenha sido tão fácil...

— Ela já está acostumada com os humanos — disse Taomei, abrindo um sorriso ao ouvir menção à coruja. Maomao tinha certeza agora: Taomei apreciava a ave como uma predadora da mesma espécie.

— Você poderia ir dar uma olhada? Você sabe como lidar com aquela coisa, não sabe? — perguntou Suiren.

— Colocando dessa maneira, acho que sim… — Por mais que fosse uma mulher extraordinária, até Taomei precisava ceder diante de uma dama de companhia veterana como Suiren. Basen, preocupado com seu pato, também correu para fora. Já estava escuro, então Chue acendeu uma lanterna. O doce cheiro de mel flutuava pelo ar.

— Senhorita Chue, talvez pudesse me ajudar com os preparativos do jantar? — disse Suiren.

— Ah, sim, certamente! — respondeu Chue, de algum modo teatral.

Suiren deu uma piscadela para Maomao.

Entendi. Muito esperta.

[Noelle: Suiren maior apoiadora desse casal kkk]

Sem precisar ser chamado, Gaoshun saiu correndo atrás deles. Ele ficaria por perto, para poder chegar rapidamente caso fosse necessário.

Quando os dois ficaram sozinhos na sala, Maomao respirou fundo e soltou um suspiro. — Mestre Jinshi.

— Sim?

— Não acha que está se esforçando demais?

Os últimos vestígios do Príncipe da Lua desapareceram. — Existe algum momento em que eu não esteja?

Desde o momento em que nasceu como membro da família imperial, liberdade não era uma palavra que fazia parte de seu vocabulário. Maomao percebeu que simplesmente tinha feito uma pergunta óbvia.

— Então, até que ponto mais você consegue se esforçar demais? — Devia haver um limite para o quanto Jinshi conseguia suportar.

— Você faz perguntas difíceis. Não descobrimos onde está o limite até encontrá-lo, não é?

— A maioria das pessoas que se destrói além de qualquer possibilidade de recuperação faz isso no trabalho, enquanto continua jurando que consegue seguir em frente.

Aquilo deixou Jinshi em silêncio por um momento, mas seu rosto escureceu. — Não é para isso que serve uma apotecária? Para fazê-las melhorar?

— Sim, senhor. Mais ou menos. Quer que eu prepare um banho de ervas para o senhor?

— Não… — Jinshi estendeu a mão.

Hã?

Maomao ficou olhando para ela, tentando decidir se havia algum significado naquilo. A mão dele era grande, os dedos eram longos. As unhas estavam bem aparadas e lixadas.

A mão grande se estendeu um pouco mais e pousou sobre a cabeça de Maomao.

Credo!

Ele bagunçou o cabelo dela como se estivesse fazendo carinho em um cachorro. Ela tentou afastar a mão dele com um tapa, mas ele se esquivou habilmente.

— Que diabos, senhor? — perguntou ela, ajeitando o cabelo despenteado de volta ao lugar. Ela não tinha tido oportunidade de tomar banho por vários dias, então seu cabelo estava pesado e oleoso.

— Eu simplesmente me fiz melhorar. Para não chegar ao meu limite tão rápido. — Jinshi ergueu o queixo, como se quisesse dizer que não tinha feito nada de errado.

— Deve haver maneiras melhores de fazer isso, senhor.

— Isso é um convite para eu utilizar essas... maneiras?

Nenhum dos dois disse nada.

Maomao recuou meio passo e cruzou os braços em X.

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— Conte-me sobre essas maneiras “melhores”

— Certo, já relatei tudo que tinha para relatar! Com licença! — E então, com uma esquiva habilidosa, Maomao escapou da sala.

Lá fora, ela soltou um longo suspiro. Ele tem sido tão indireto ultimamente que eu tinha esquecido.

A verdadeira personalidade de Jinshi era avançar sem hesitação. Seus métodos podiam ser brutais. Se ele estava se contendo com Maomao, era apenas por causa da maneira absurda que tinha escolhido para lidar com aquilo.

Enquanto caminhava na esperança de clarear a cabeça, Maomao encontrou uma coruja, um pato, Basen e, por algum motivo, até uma cabra correndo lá fora.

Aquela cabra é da senhorita Chue.

Eles estavam transformando o anexo em uma fazenda.

Eles têm liberdade para fazer isso.

A cena era ao mesmo tempo ridícula e divertida. Maomao sentiu os cantos da boca se erguerem e fechou a mão em um punho, decidindo preparar mais pesticida no dia seguinte.

Ela ainda ficaria algum tempo na capital do oeste. Se ia dizer a Jinshi para não se esforçar demais, então deveria seguir o próprio conselho.

Mas, ainda assim, faria tudo o que pudesse. Ela precisava fazer.

Fim da leitura

Capítulo 10.2 concluído

Volume 10 – Capítulo 20 – Capítulo 20: Confirmação