Diários de uma Apotecária — Capítulo 9.02: Volume 9 – Capítulo 02 – Capítulo 02: A Vila

Diários de uma Apotecária
Cap. 9.02
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Diários de uma Apotecária

Volume 9 – Capítulo 02 – Capítulo 02: A Vila

Capítulo 9.02

3.193 palavras~14 min de leitura

O mensageiro não a levou ao palácio habitual de Jinshi, mas a uma vila fora da área principal da corte.

Quantas vilas o Imperador tem?

Era verdade que seria mais fácil levar Maomao a um lugar como aquele, considerando toda a bagagem que ela estava trazendo. Só na capital, o Imperador tinha outra vila, onde Ah-Duo morava. Um nobre como ele provavelmente podia mandar construir um ou dois prédios novos só para passar o tempo.

[Kessel: Para contextualizar, “vila” aqui refere-se a propriedades privadas com muros altos, jardins, seguranças, enfim… tais quais as vilas romanas, sabem? Não é vila de vilarejo!]

A segurança era mais discreta do que o normal, e Maomao foi conduzida a um aposento onde Jinshi, Suiren e Gaoshun a aguardavam.

Basen não está aqui? Ela pensou, mas logo percebeu que aquilo devia ser obra de Sua Majestade. Basen era inteligente, porém teimoso. Gaoshun tinha muito mais chances de guardar seus pensamentos para si caso ela e Jinshi acabassem sozinhos. Ele talvez desconfiasse de algo que não deveria saber, mas não iria investigar.

E o que a velha acha disso?

Suiren sorria como sempre, mas seu sorriso podia ser assustador, justamente porque Maomao nunca sabia o que havia por trás dele.

Parecia haver mais alguém ali também. Maomao ouvia o barulho de pratos vindo do interior. Será que tinham encontrado alguém capaz de suportar tanto a beleza de Jinshi quanto a severidade de Suiren?

— Há alguma coisa de que você precise, Xiaomao? — perguntou Gaoshun.

— Não, obrigada. — Ela mesma havia preparado todas as suas ferramentas, além da maior parte dos componentes medicinais de que poderia precisar. Achou melhor não dar pistas demais a Gaoshun sobre o que pretendia usar. Então percebeu que havia, sim, uma coisa que queria. — Se por acaso tiverem gelo...

— Certamente. — Quem respondeu não foi Gaoshun, mas Suiren. — Chue, traga um pouco de gelo, por favor.

[Kessel: E finalmente temos a estreia da protagonista! Digo, da Chue!]

Era um nome que Maomao não conhecia. Pouco depois, acompanhada por passos bem característicos, surgiu uma mulher carregando um grande balde. Sua pele era bronzeada e seu nariz era baixo. Tinha aproximadamente a idade de Maomao, talvez um ou dois anos a mais. Muitos dos criados da família imperial eram fisicamente belos, mas, quando se tratava de servir Jinshi, competência era mais importante do que aparência.

Como o pardal que lhe dava nome, Chue parecia quase saltitar enquanto andava; seus passos produziam um som agudo e rangente.

— Só consegui encontrar um bloco grande. Quer que eu o quebre?

Dentro do balde havia um enorme bloco de gelo envolto em juncos. Provavelmente tinha vindo de alguma montanha distante, mantido congelado durante toda a longa viagem até a capital. Ainda era a estação fria, e eles poderiam ter conseguido gelo de algum lago próximo, mas tinham feito questão de buscar um que viesse de bem longe.

Não é como se eu fosse beber isso… Ela se sentiu um pouco culpada por usar algo tão valioso para aquele propósito, mas era o que tinha à disposição.

— Você pode quebrá-lo em quatro partes? — perguntou ela.

— Entendido! — respondeu Chue tirando um martelo das dobras de seu manto, desenrolando os juncos e acertando o gelo com uma pancada. Maomao esfregou os olhos. Ela duvidava do que acabou de ver; parecia impossível fazer aquilo com tanta naturalidade. — Assim serve? — perguntou Chue.

— Sim. Muito obrigada. — disse Maomao fazendo uma respeitosa inclinação de cabeça, que Chue retribuiu. Ela colocou o balde de gelo diante de Maomao, limpou o martelo com um lenço e o guardou novamente em seu esconderijo. Depois saiu saltitando pelo mesmo caminho por onde havia vindo.

— O nome dela pode significar pardal, mas ela parece mais um esquilo. — disse Suiren olhando diretamente para Maomao. Ela parecia querer dizer que não havia como uma pessoa esconder um martelo daquele tamanho dentro do manto. Em seguida, perguntou: — Precisa de mais alguma coisa?

— Não, obrigada.

— Então, por favor, venha por aqui. — Suiren conduziu Maomao até um aposento interno. — Venha até aqui. Você pode provar esses novos petiscos — disse ela, puxando Gaoshun para o lado. Ele não fez perguntas; apenas assentiu respeitosamente e se sentou onde ela indicou. Maomao teve até a impressão de ver um brilho divertido em seus olhos. Ela lançou-lhe um olhar muito contraditório e fechou a porta.

Jinshi, parecendo distante, largou-se imediatamente sobre a cama. Maomao não perdeu tempo. Colocou o gelo que havia recebido dentro de uma bolsa de couro e a entregou a ele. — Pressione isto sobre o ferimento por favor. Esfrie a região. — Resfriar o abdômen podia incomodar o estômago, mas ainda seria melhor do que realizar aquele tratamento sem nada para amenizar a dor. — Se sentir vontade de ir ao banheiro, me avise imediatamente.

— É só isso que você tem para me dizer? — perguntou Jinshi, pressionando a bolsa contra o lado do corpo, claramente insatisfeito.

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Depois de um instante, Maomao perguntou:

— O que devo dizer ao Mestre Gaoshun e à Senhora Suiren? Acho que posso simplesmente ignorar... a outra pessoa lá fora.

Maomao retirou os remédios e os instrumentos que havia trazido, incluindo uma pequena faca para remover a pele queimada. As pessoas do lado de fora confiavam nela, mas, se soubessem que ela carregava algo que praticamente era uma arma, jamais a deixariam sozinha com Jinshi.

O que fariam se pensassem que eu era uma assassina? Era verdade que Jinshi conseguiria dominá-la se fosse necessário, mas, ainda assim, aquilo parecia um descuido inacreditável.

— Gaoshun está aqui por ordem do Imperador — disse Jinshi. Não era exatamente uma resposta, mas Maomao entendeu o que ele queria dizer. Se Sua Majestade havia ordenado que Gaoshun estivesse ali, provavelmente também o havia informado de que o corpo de Jinshi havia se tornado, na prática, uma bomba, e que ninguém além de Maomao deveria tocá-lo. Gaoshun talvez soubesse ou não dos detalhes, mas, ao contrário de Basen, cumpriria seu dever fielmente. — E… — continuou Jinshi, — foi Suiren quem preparou o ferro de marcar.

Maomao ficou imóvel.

— Mas por que, em nome dos céus, ela faria isso? — Será que Jinshi havia enganado sua cuidadora e a convencido, de alguma forma, a preparar o ferro? Talvez não. Maomao duvidava que ele fosse capaz de superar a velha em astúcia. Nenhuma das duas possibilidades parecia plausível.

— Suiren é minha aliada — disse Jinshi. Maomao teve dificuldade para compreender. Se Suiren realmente havia sido a ama de leite de Jinshi, contribuído para sua educação e criação, como poderia aceitar o que ele havia feito consigo mesmo?

Não consigo imaginar o que Suiren está pensando. Seria possível que Gaoshun estivesse ali não apenas para vigiar Jinshi, mas também para vigiar Suiren? Pare. Não pense nisso. Isso não é o que importa agora.

Maomao aproximou a vela que iluminava o aposento e colocou a adaga sobre a chama para esterilizá-la. Sacudiu a lâmina para resfriá-la um pouco e então se preparou para retomar o trabalho do dia anterior.

Jinshi continuava resfriando o lado do corpo.

— Afrouxe o cinto, por favor.

— Ah... Sim, claro. — Houve um farfalhar quando Jinshi desfez o cinto e retirou a bandagem. Sob uma espessa camada de pomada estava a carne queimada que Maomao não havia conseguido remover antes.

— Você já comeu? — perguntou ela.

— Sim, já terminei.

— Então tome isto. — Ela misturou um remédio em água quente e bebeu um gole primeiro para tranquilizá-lo.

— Um analgésico?

— É para prevenir infecções. Precisa de um analgésico?

— Preciso.

— Ora! Não esperava por essa. Achei que você fazia esse tipo de coisa por diversão.

Era uma piada, embora carregada de ironia. Ela acrescentou alguns analgésicos ao copo. Mesmo assim, ainda que ele bebesse naquele instante, o remédio não impediria a dor que sentiria quando ela começasse a cortar.

Maomao limpou a pomada do lado do corpo de Jinshi e depois esfregou a pele com álcool. Graças ao gelo, a região estava muito fria ao toque; quando a pressionou com o dedo, a pele demorou a voltar ao normal. Ela passou um lenço para Jinshi.

— Vai sangrar. Pode enxugar para mim? E saia da cama. Não vai ajudar em nada se ela ficar coberta de sangue. Já preparei tudo. Deite aqui, de lado.

Maomao alinhou três cadeiras, e Jinshi se deitou conforme ela pediu. Seus pés ficaram para fora, mas não havia o que fazer. Maomao cobriu a área ao redor do ferimento com papel oleado e também estendeu algumas folhas no chão.

Só havia Jinshi e Maomao no aposento. Ela não podia pedir ajuda a ninguém.

Jinshi assentiu, indicando que estava pronto.

— Lá vou eu.

Jinshi, com a ansiedade estampada no rosto, respirou fundo antes de dizer:

— Tudo bem.

Era natural ficar apreensivo quando alguém estava prestes a enfiar uma faca na sua pele, mas, mesmo assim, sua expressão parecia estranha.

Maomao afundou a lâmina na pele queimada. O sangue brotou imediatamente.

Não me diga que ele está um pouco... animado?

A coloração de Jinshi era boa, sinal de que sua circulação estava excelente, mas isso acabava anulando o efeito de resfriar a pele. Ela teria de agir rapidamente.

Ela começou a remover a carne carbonizada restante. O sangue escorria, e ela dependia de Jinshi para contê-lo. Fazia todo o possível para que os cortes fossem os mais superficiais possível, mas aquilo não era como filetar um peixe. Gotas de sangue pingavam sobre o papel oleado no chão. Ploc. Ploc.

Depois que Maomao removeu toda a pele queimada, o formato da marca e os detalhes do brasão ficaram ainda mais evidentes.

Queria simplesmente arrancar isso de uma vez. Remover toda a pele queimada até que a marca deixasse de ser visível resolveria pelo menos metade dos seus problemas. Naquele momento, porém, precisava priorizar o tratamento adequado. Sua especialidade eram ervas e medicamentos; no que dizia respeito ao que estava fazendo com Jinshi agora, ela mal era melhor do que uma completa amadora. Não queria fazer nada que provocasse mais sangramento do que o necessário.

Ela estancou o sangue com puhuang e, em seguida, pressionou uma gaze coberta com papel oleado sobre o ferimento. Apertou bem a bandagem para ajudar a conter o sangramento.

Maomao soltou um longo suspiro e limpou o restante do sangue com um lenço. A mão de Jinshi, onde ele havia segurado o pano, estava completamente suja.

— Aqui. — Ela umedeceu um pano e o entregou a ele. — Preparei remédios para você tomar todos os dias e uma pomada para aplicar no ferimento. Também trouxe coagulantes, caso o sangramento não pare. Há bandagens e gazes suficientes para dez dias. — Ela deu um tapinha em um pequeno baú contendo os suprimentos. — Como sei que aprende rápido, Mestre Jinshi, posso presumir que já entendeu como prender a bandagem?

— Sim... até certo ponto. — Jinshi parecia querer dizer mais alguma coisa.

— E consegue se vestir sozinho?

— Consigo — respondeu ele, profundamente contrariado. Maomao suspeitava que sabia exatamente o que ele estava deixando de dizer.

— Eu gostaria de poder vir verificar seu progresso todos os dias, mas acho que o melhor que podemos esperar é uma vez a cada três dias. Vir diariamente seria pedir demais. É por isso que preciso que o senhor consiga trocar a própria bandagem.

Durante as férias, isso talvez fosse possível. Contanto que Yao e En'en não estivessem por perto, ela talvez conseguisse até esconder delas suas saídas noturnas. Mas havia olhos e ouvidos demais por toda parte para manter tudo em segredo.

Os boatos já tinham começado a circular da última vez que ele foi ao distrito dos prazeres.

Naquela época, ele aparecia a cada dez dias para que ela pudesse examinar a cicatriz em seu rosto. Usava a máscara, mas isso só o tornava ainda mais provocante e misterioso. Os indícios eram evidentes: pelas roupas e pelo perfume, todos no distrito dos prazeres percebiam que ele era alguém importante.

Mas que diabos eu devo fazer a respeito disso?

Considerando a gravidade do ferimento atual de Jinshi, o correto teria sido um médico de verdade examiná-lo imediatamente. A especialidade de Maomao eram ervas e medicina interna. Ela não era especialista em cirurgia. Sim, certa vez ela ajudou a amputar um braço quando um soldado foi ferido durante um ataque de bandidos, mas aquilo aconteceu porque, por assim dizer, ela não teve escolha.

— Você ficou em silêncio. Há mais alguma coisa que precise me dizer?

— Estou pensando, senhor. Tenho muitas coisas na cabeça.

Maldita raiz de todo o mal! E agora a própria raiz estava falando com ela?

Jinshi se aproximou de Maomao, que imediatamente deu um passo para trás.

— O que foi? — perguntou ele, decepcionado por ela ter recuado.

— Não chegue tão perto. Estou fedendo. Suei muito.

— Não deve estar tão ruim assim.

— O bastante para me incomodar.

Ela havia se limpado antes de seguir para os aposentos de Jinshi, mas tinha suado por todos os poros e se sentia imunda. Remover a pele queimada do ferimento dele tinha sido um trabalho exaustivo e tenso. Também não era aquele suor limpo de quem faz exercícios; era oleoso e tinha um cheiro desagradável.

Maomao deu mais um passo para trás.

— O que pretende fazer daqui para a frente?

— Curar pessoas é o trabalho de um apotecário, não é? Que sorte a minha ter uma bem aqui.

O jeito despreocupado com que ele disse aquilo fez Maomao sentir vontade de acertar um soco bem no meio daquele rosto bonito. Em vez disso, respirou fundo, serviu água de um jarro em um copo e bebeu. Ela nem se deu ao trabalho de pedir permissão a Jinshi.

Calma, calma, calma!

— O senhor tem razão. Apotecários tratam doenças e ferimentos. Mas essa queimadura está além das minhas capacidades. Quando se trata de cirurgia, só consigo imitar o que vi outras pessoas fazerem. Nunca aprendi formalmente. Nem sequer tenho certeza de que o tratamento que fiz no senhor está correto.

— Mas você acabou de fazê-lo, não fez? Imagino que não pretenda enfiar mais nenhum objeto cortante em mim não é? — Jinshi esfregou alegremente o lado do corpo.

Antes que pudesse se conter, Maomao bateu as duas mãos sobre a mesa. As palmas formigaram, e ela olhou ao redor para ver se alguém do lado de fora tinha ouvido o barulho. Os aposentos eram espaçosos o bastante para que, com sorte, não tivessem percebido.

— Primeiro você faz uma cicatriz no rosto, depois uma queimadura na barriga... e espera que eu simplesmente acredite que não vai fazer mais nenhum mal a si mesmo depois disso?! — Ela sacudia as mãos enquanto gritava. Queria acreditar que Jinshi não estava sendo apenas otimista demais, mas, quando ele tomava uma decisão, já era tarde demais para impedir. No fundo, Maomao estava sentindo sua própria impotência… e isso a consumia.

Tenho que fazer alguma coisa!

Ela pensou em seu velho. Ele lhe ensinou muito sobre ervas e medicamentos, mas, quanto à cirurgia, apenas o básico. Além disso, ordenou com firmeza que ela jamais tocasse em um cadáver humano.

Maomao apertou os lábios e olhou para Jinshi.

— Mestre Jinshi — disse ela.

— O quê?

— Atualmente sou uma das damas da corte designadas para auxiliar os médicos. Não sei se sou a pessoa mais adequada para esse trabalho, mas passei na prova e conquistei o cargo por mérito. Quais privilégios isso me confere?

Por enquanto, o trabalho de Maomao consistia principalmente em lavar bandagens e preparar medicamentos simples. Talvez prestar primeiros socorros em ferimentos leves. Os casos graves sempre eram encaminhados aos médicos mais experientes. Maomao queria saber até que ponto teria permissão para tratar pacientes, caso suas habilidades fossem suficientes.

Jinshi levou uma das mãos ao queixo.

— Não existe uma regra oficial que estabeleça esse limite. Imagino que dependa da carga de trabalho dos médicos mais graduados.

— Entendo, senhor.

Maomao pensou no doutor Liu. Entre os médicos responsáveis, ele era o principal. Se fosse implorar para que alguém lhe ensinasse, teria de ser ele... ou talvez...

Meu velho ficaria muito triste se eu pedisse que me ensinasse cirurgia.

Não bravo, triste. Luomen, seu pai, era exatamente esse tipo de pessoa.

No fundo, ela achava que entendia por que ele nunca quis lhe ensinar cirurgia. Era uma área envolta em práticas consideradas impuras, e até outros médicos a tratavam como se fosse algo completamente diferente da medicina. Ela ouviu dizer que, no oeste, era ainda pior, lá, barbeiros também exerciam a função de cirurgiões!

O próprio Luomen havia sido perseguido e presenciado outros sofrerem o mesmo destino. Sem dúvida, ele criou Maomao seguindo a tradição dos apotecários para poupá-la desse tipo de discriminação.

E sou grata por isso. Mas...

A vida de Maomao acabou se tornando muito mais turbulenta do que até mesmo Luomen provavelmente imaginou.

— Mestre Jinshi, vou tentar pedir ao meu pai que me ensine. O senhor não tem objeções, espero.

Ela achava melhor falar primeiro com seu velho.

— Senhor Luomen? — Jinshi fingiu refletir por um instante. — Muito bem. — Luomen era um homem extremamente perspicaz. Se Maomao aparecesse pedindo para aprender cirurgia, ele talvez desconfiasse de que havia alguma coisa acontecendo. Ainda assim, jamais comentaria algo baseado apenas em suspeitas.

Desculpe, pai, pensou Maomao. Ela sentia tanta ansiedade que parecia haver um buraco se abrindo em seu estômago, mas permanecer calada seria ainda pior. Você pode pôr a culpa nele. Ela lançou um olhar fulminante para Jinshi.

Quanto a Jinshi, ele fitava o teto.

— Tudo ficará bem... se o senhor Luomen concordar...

Enquanto ele falava, Maomao arrumava o local de trabalho e quase respondeu que não ficaria nada bem. Ela recolheu o papel oleado ensanguentado e o colocou em uma bolsa de couro. Limpou o sangue que havia caído nas cadeiras e no chão. Esforçou tanto os olhos para garantir que não restasse uma única mancha que eles chegaram a ficar vermelhos.

Quando Maomao terminou a limpeza, Jinshi parecia finalmente ter chegado a uma conclusão.

— Vou me retirar, senhor. — disse Maomao.

— Já?

— Já fiz o que vim fazer aqui.

O nobre lançou-lhe um olhar suplicante, mas ela não podia ficar ali fazendo companhia a ele para sempre. Naquele horário, talvez ainda conseguisse voltar ao dormitório.

Ela recolheu a última de suas ferramentas e então encarou Jinshi. Preciso ter certeza de que esta parte fique bem clara para ele.

— O peso que o senhor carrega, Mestre Jinshi... acho que eu jamais conseguiria suportar. Talvez tenha sido por isso que fez o que fez. — Ela respirou fundo, soltou o ar... e agarrou Jinshi pelas lapelas da roupa. — Mas o senhor não vai fazer isso de novo.

Foi um milagre sua voz não soar tomada pela fúria.

Jinshi desviou o olhar de forma desajeitada.

Será que ele vai ficar bem? Ela se perguntou. Ela ainda estava ansiosa enquanto pegava seus pertences e saía da sala.

[Kessel: Manda quem pode, obedece quem tem juízo...]

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Atenciosamente,

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Fim da leitura

Capítulo 9.02 concluído

Volume 9 – Capítulo 02 – Capítulo 02: A Vila