Ecos de Méter — Capítulo 93: CAPÍTULO 93 - 93 Horizonte

Ecos de Méter
Cap. 93
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Ecos de Méter

CAPÍTULO 93 - 93 Horizonte

Capítulo 93

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Capítulo 93: Horizonte

Ecos de Méter

Anel externo – Zona Oeste

Correndo o olhar do Leste, já quase mergulhado na noite, e chegando até o Oeste, ainda se é possível ver tons laranjas que são refletidos até na água escura. Pode-se observar, no terraço de uma construção, mesas que aos poucos vão ganhando companhias. Seja de casais apaixonados, amantes da natureza, apreciadores de peixe frito ao molho ou grupos altamente suspeitos.

— Você realmente gosta daqui. — Ely contempla o pôr do sol como se fosse a primeira vez.

Helvetia, em silêncio, aprecia aquele rosto, aqueles olhos e os fios tingidos levemente de laranja que sacolejam pela brisa salgada.

— Aqui está o pedido, senhoritas. — Uma voz masculina e juvenil, corta o silêncio.

— Hmm. A aparência é boa. — Ely o observa deixar uma bandeja prateada e retangular sobre a mesa.

Ele se prepara para desejar a elas uma boa refeição, mas quando se depara com aqueles olhos, aquele rosto, e toda a pintura do sol poente ao fundo. Seu rosto cora, e até esquece o que ia dizer.

— Eu te entendo. Também senti isso. — Helvetia com um leve sorriso, fala despretensiosamente.

— Me desculpa, não pude evitar. — Ele retorna as mãos para trás do corpo e se vira para ela.

— Você é novo por aqui, certo?

— Sou sim. Meu nome é Makae, comecei hoje. Ainda estou aprendendo. — O sorriso dele de olhos fechados traz leveza ao ambiente.

— É peculiar sabia. Encontrar alguém dos nômades, fora do deserto. — Helvetia o surpreende.

— Mais peculiar ainda, conhecer alguém que os conhece. — Ele retribui a surpresa.

Ely, já saboreando um pedaço de peixe após mergulha-lo em um pequeno pote com um molho escuro, repara que os dois estão em um diálogo.

— Eu os conheci em uma das minhas jornadas por aquele maldito deserto. Impossível esquecer esses olhos avermelhados. — Ela lança um leve olhar de emburrecimento para o horizonte e retorna para ele. — Mas não sabia que vocês podiam ter a pele tão clara, e o cabelo tão escuro.

— Esses foram os motivos de eu não estar mais com eles. — Agora quem lança um olhar para o horizonte é ele. Muito mais para as areias distantes do que para o céu.

— Faz sentido. — Ela sorri mais relaxada enquanto observa as vestes brancas dele. — Você está no lugar certo. Aqui em Atlântis tem lugar para todos. Fora que o Touka é um bom homem. — Helvetia observa de canto Ely que uma hora olha paraela, e outra paraele. — Aliás, gostei da roupa.

— Segundo Touka, foi sugestão de uma cliente muito especial, que vende peixes bem baratos paraele. — Ele já está se virando para retornar ao serviço.

— Makae, se uma mulher chamada Lyanna aparecer procurando por mim e Helvetia, poderia dizer paraela onde estamos? — Ely aproveita o fim do diálogo para orientá-lo.

Ele para seus movimentos por um instante, e lança um novo olhar centrado em Helvetia por um breve momento.

— Certamente senhorita. — Ele faz um último aceno positivo com a cabeça e se distância.

— Ela realmente conseguiu? — Helvetia volta seu foco em Ely.

— Com minha ajuda, tudo fica mais fácil. — Sem perder tempo, já vai agarrando outro pedaço de peixe.

— Você realmente ama esse prato. — O olhar de admiração de Helvetia é descarado.

— Ei, tu pode parar. Já sei onde você quer chegar. — Ely fica levemente corada. — Aquele dia foi um erro.

— Não foi isso que você me disse de manhã, com o cabelo todo bagunçado.

Ely perde as palavras, e até engole a carne mais rápido que planejava.

Ela busca um copo de água no canto da mesa com a mesma voracidade que alguém perdido a dias no meio do deserto.

— Sabe Hel, eu definitivamente não sei mais como esconder isso.

Ely se recompõe e olha no fundo dos olhos dela.

— Quando estamos juntas, é como se tudo ficasse borrado ao redor, menos você! — Ela coloca a mão calmamente em cima do peito e se vira para olhar o pôr do sol.

— Você realmente se tornou dona do meu coração.

Helvetia até perde o ar por um momento com tais palavras que ecoam até o fundo de seu coração, o fazendo acelerar. E paracompletar, diante de seus olhos, a mais bela pintura que um dia pode ver, a faz agir por impulso.

Ela puxa Ely delicadamente, mas de surpresa pela cabeça, com as mãos tocando carinhosamente pelas laterais.

E rouba um beijo.

Tal cena é observada de camarote por Lyanna que acabou de chegar.

— Finalmente! — Ela corta o clima ainda em pé.

Dessa vez, até Helvetia fica envergonhada, e desviando o olhar para baixo e para o horizonte. Mas ao reencontrar a face toda corada de Ely, ela sorri ao voltar a admirá-la.

— Desculpa a intromissão. — Lyanna vai se sentando de frente para a pequena cerca de madeira que cerca o local. Ela também não pode deixar de admirar a vista ao horizonte.

— Pena que já está no fim. — Ela suspira, e encara o silêncio que às duas fazem no momento. — Mas as negociações estão só começando. — Ela sorri enquanto coloca um pano enrolado sobre a mesa.

Esse pano atiça a curiosidade de Helvetia, e tira um sorriso confiante de Ely que volta a comer mais um pedaço.

Ela então desenrola com cuidado o pano cinza e expõe uma faca que repousa sobre ele.

— Posso? — Helvetia já vai pegando antes mesmo de fazer tal pedido.

Lyanna só concorda com a cabeça.

As mãos de Helvetia correm delicadamente pela faca como se fosse uma de suas maiores criações. A lâmina branca, o cabo talhado em madeira de um tom marrom-escuro faz a peça parecer só mais uma igual tantas outras que ela mesma já fabricou.

— Olhando assim, não parece grande coisa. — Palavras que não concordam com o olhar de admiração dela.

— Você percebeu? — Lyanna a questiona, e pega uma pequena lamparina que repousa no canto da mesa. Ela vai abrindo o vidro e a colocando virada para Helvetia.

— Eu nunca vi um pessoalmente. Mas, dizem que quando um dragão vai cuspir seu fogo, o primeiro sinal que ele dá, são suas presas que começam a brilhar como se fossem metais prestes a derreter. — Ele coloca a faca próximo ao fogo da lamparina, e no instante seguinte, ela começa a emitir um leve brilho avermelhado, e conforme vai esquentando, mais intenso o brilho fica.

Em um movimento rápido, Lyanna afasta a lamparina da faca.

— Tome cuidado, ninguém pode saber que ela foi retirada dos cofres da guilda. — Ela adverte Helvetia, que não para de admirar tal criação.

— Então é assim que eles cortam aqueles ossos. Quanto tempo você acha que levaria para alguém desconfiar que ela não está lá? — O leve brilho da faca ainda permanece, e ela até sente um pouco do calor em sua mão.

— Enquanto não aparecer algo que precise dela. — Ely pega seu espaço no diálogo.

— Posso ficar com ela por alguns dias?

— Será mais caro. E vou precisar de uma réplica para colocar no lugar. — Lyanna dá as cartas.

— Combinado. E qual será o preço? — Helvetia ainda sem tirar os olhos da faca, a vê finalmente perder o brilho.

— O preço é você!

Fim da leitura

Capítulo 93 concluído

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