Extra's Descent Novel — Capítulo 383: CAPÍTULO 383 - Ponto de Virada 30 8

Extra's Descent Novel
Cap. 383
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CAPÍTULO 383 - Ponto de Virada 30 8

Capítulo 383

1.866 palavras~8 min de leitura

Amélia terminou de se trocar, pronta para sair para o encontro.

Ao sair do quarto, ela estava prestes a caminhar em direção à porta, quando notou algo peculiar no chão.

"....?"

Era uma moldura de foto pequena, que parecia ter caído da estante.

Ao pegá-la, ela percebeu qual foto era.

A foto que tiraram na festa de Natal.

Amélia franziu a testa, recolhendo a moldura caída.

O vidro estava trincado, bem na cabeça de Evelyn na foto de Natal.

"Estranho..."

Ela sussurrou.

Memórias da festa de Natal passaram por sua cabeça.

Riso, drinks, troca de presentes. Evelyn estava mais quieta que o normal naquela noite, mas ela não deu muita importância.

"Acho que vou ter que arrumar isso depois."

Ela voltou a sussurrar, balançando a cabeça antes de seguir em direção à porta.

No entanto, um arrepio estranho ficava na parte de trás de sua mente.

Brandon ficou sem ar no momento em que entrou no quarto de Evelyn.

Ela estava….

"...."

Sem dúvida….

"....Brandon."

….Transformando-se em um espectro.

"Evelyn!"

Brandon correu em direção a Evelyn, que acabara de desfalecer no chão.

Evelyn jazia fria em seus braços, a pele pálida, o cabelo quase branco. A escuridão em seu olhar se espalhava.

Seu núcleo de mana parecia estar se consumindo por dentro.

"Evelyn!"

Sua voz quebrou.

Seus lábios tremeram, sussurrando.

"Dói…."

Mas Brandon permaneceu em silêncio, seus olhos se estreitaram enquanto observava a situação de Evelyn.

A humanidade nunca conseguiu descobrir a origem de um espectro. Conheciam o nome, temiam a entidade, mas é onde a compreensão parava.

Espectros eram um mistério, e a Semente de Espectro—que Evelyn tinha após seu núcleo de mana ser danificado—por Ezekiel, até agora era desconhecida.

Brandon só soube disso por memórias fragmentadas, mas não tinha respostas concretas.

Existem registros de pessoas que se tornaram espectros, mas ninguém sabe por quê ou como.

Era um enigma que a humanidade não conseguia resolver. Mesmo agora, com tudo que sabiam, a transformação permanecia um mistério.

Contudo, transformações eram raras no início.

Havia casos como; Francis Osborn, e o pai de Sarah, David Aurae, que foram possuídos por um espectro, mas sob circunstâncias diferentes.

Sim. possessão.

No caso de Evelyn, era uma transformação.

Ela estava se tornando uma espectro ela mesma.

Mas, de fora, não dava para distinguir se alguém havia se transformado ou sido possuído.

Brandon tinha noção disso, mas não conseguia explicar o fenômeno. Uma Semente de Espectro? Como explicar isso? Quem acreditaria nele?

Nem mesmo alguém como Bellion, que sempre acreditou cegamente nele, acreditaria.

Casos de espectros eram assuntos delicados, e sem evidências concretas da existência de uma semente de espectro, Brandon não podia fazer nada.

Então, uma memória surgiu.

Rafael Asami, que inicialmente ele achava estar corrompido por uma semente de espectro.

Ele o salvou, e descobriu que não era bem assim.

Ele apertou os dentes.

"Por que você não contou a ninguém?"

Ele poderia tê-la salvado também, se soubesse.

Se ao menos, por Deus, soubesse.

"Por que você não me contou!?"

Ele gritou.

Mas o máximo que conseguiu foi berrar.

Intervenções... poderiam ter salvado Evelyn. Uma cirurgia sob sua jurisdição, exatamente como fez com Rafael.

"Eu poderia ter salvado você!"

Ele poderia ter….

"Tudo começou no leilão, não foi!?"

"...."

"Me diga! Isso.... eu poderia ter...."

A semente de espectro parecia estar em seu estágio final.

Não havia mais o que fazer por ela agora.

Por que ela escondeu isso dele?

Ela só precisava pedir ajuda.

Me ajude.

Só duas palavras.

Era tudo o que ela tinha que dizer.

"Eu.... Eu tinha medo…."

Sua voz finalmente saiu dos lábios trêmulos.

"Medo do quê?"

No entanto, Evelyn parou ali, incapaz de encontrar seu olhar enquanto fechava os olhos à força.

"Akh…!"

Um gemido dolorido escapou de seus lábios.

Coração de Brandon afundou, e um calafrio percorreu sua espinha.

"Desculpe…. Desculpe…. Eu…."

A voz de Brandon ficou trêmula.

Ele apertou Evelyn mais forte, o peito doendo a cada respiração curta que ela dava.

O corpo dela parecia mais frio a cada segundo, sua estrutura frágil tremendo contra ele.

Finalmente, ela respondeu.

"Desculpe…. Eu não queria…. ser um fardo."

Ela sussurrou, a voz partida.

"Um fardo? Por que você—"

As sobrancelhas de Brandon se levantaram ao perceber algo.

Um detalhe que sempre esteve ali.

Mas que ele tinha deixado passar.

Claro, Evelyn era introvertida, e não dependia de ninguém.

Então... ela tinha o costume de reprimir todos os seus problemas, de nunca compartilhar com ninguém, e de encarar tudo sozinha.

Porque Evelyn cresceu sem ninguém, e sempre que ela achava que finalmente tinha alguém ao seu lado….

Eles a abandonavam.

Por isso, ela fechou seu coração.

Para parecer forte, do jeitinho que o público a via.

"....Eu poderia ter te salvado…. Eu poderia ter…."

Antes que ele percebesse, sua visão começou a ficar turva, uma sensação úmida escorrendo pelo seu rosto.

"....Brandon."

Evelyn falou, quase sem força, apenas sussurrando.

"Vou... morrer…?"

A voz de Evelyn era tão fraca, quase como se ela não quisesse perguntar. Como se ela já soubesse a resposta.

"...."

Brandon não conseguiu falar.

Sua garganta estava apertada, seu coração pulsando forte no peito, sufocando-o com um peso insuportável.

Ah, doía.

Seu peito doía.

Seu coração doía.

Era pesado.

Era tudo demais.

Com todas aquelas memórias, todas aquelas mortes que testemunhara, ele ainda… não conseguia se acostumar com isso.

"Ah, tinha tanta coisa… que eu queria fazer também…."

A voz de Evelyn continuava a tremer, exausta, misturada aos soluços ocasionais de Brandon.

"Estou com medo, Brandon…."

Ela tinha sido uma figura importante nesta vida.

Uma irmã mais velha, que o mantinha sob controle, mas também uma irmãzinha, vulnerável e humana de formas que poucas pessoas viam.

Ele olhava para ela com respeito.

Ela era para ser a mais forte.

Ela não deveria morrer.

Não aqui.

Não assim.

Ela, essa figura grotesca que ela estava se tornando.

"Eu não quero morrer…."

Brandon a abraçou com força, os ombros tremendo enquanto suas lágrimas se misturavam em sofrimento.

"Desculpe…. Desculpe…. Se ao menos eu tivesse prestado mais atenção…."

Seu coração se quebrava.

Mas então, uma ideia repentina surgiu.

Havia uma maneira.

Ele não tinha certeza se daria certo.

Mas ele estava desesperado.

A habilidade que jurou prometer a si mesmo que nunca usaria novamente.

"Tecelão de habilidades!"

Ele berrou de dor.

A cena era nostálgica.

Poucos meses atrás, ele fizera a mesma coisa por Belle.

E nunca deu certo.

Mas agora, quem sabe?

Ele não queria cometer o mesmo erro de novo. Então, Brandon criou o máximo de habilidades possível usando o espaço remanescente para [Tecelão de habilidades].

No total, quatro habilidades.

"Voto vinculante!"

Ele gritou.

No entanto….

Pela primeira vez.

O voto vinculante não funcionou.

Não resolveu seu problema.

Ele o traiu.

"Por quê!? Por quê!? Por quê!?"

E além disso, ele também perdeu as habilidades.

Tudo que fez foi devolver a cor da pele de Evelyn e reverter a esclerótica de volta à cor original.

"...."

….Somente para ser corrompida novamente pela semente de espectro.

Não há volta uma vez que a semente do espectro avança para seus estágios finais.

O Voto Vinculante—uma habilidade que desafia toda lógica.

Mas espectros? Eles também desafiam a razão.

Pôr um contra o outro não daria resultado.

"Droga. Droga. Droga!"

Ele xingou.

O que mais?

O que mais poderia fazer?

"O que eu deveria—"

Foi então que seus pensamentos impulsivos tomaram conta.

Um sacrifício diferente.

'Devo apenas—'

Matar a mim mesmo?

'Não.'

Ele não podia.

Ele não podia se sacrificar em troca da vida dela.

A culpa lentamente crescia dentro dele.

Porque havia uma coisa que só ele poderia fazer.

Se Evelyn conseguisse se transformar em uma espectro…. Uma espectro tão forte quanto ela….

Certamente, a humanidade entraria em colapso.

Ele tinha que….

"Não."

—Matá-la.

"Cale a boca!"

Ele precisava matá-la.

"Brandon…."

A voz dela era quase um sussurro, mas cortava a confusão na cabeça dele como uma lâmina.

"Não."

Ele sacudiu a cabeça, apertando ainda mais seu abraço.

"Não, eu não vou fazer isso. Não vou."

Mas o corpo dela tremia em seus braços, ficando mais frio, escorregando cada vez mais longe dele.

"Por favor…. não me faça…."

Sua voz se quebrou, seu peito arfava enquanto lágrimas incontroláveis rolavam pelo seu rosto.

Pensar que teria que passar por mais uma provação dessas.

Essa transição deveria seguir sem problemas.

Ele tinha marcado tudo no checklist.

Fez tudo que podia pela humanidade.

Ah, poucos dias atrás, tinha celebrado o Natal com todos.

A risada, a alegria, a diversão daquele dia.

Como tudo deu tão errado?

O quarto ficava mais frio a cada segundo que passava, o peso do corpo de Evelyn ficando mais pesado em seus braços.

"Brandon."

A voz dela era fraca, quase inaudível, como o último suspiro de uma brasa morrendo.

"Desculpe…."

Ela tossiu, seu corpo convulsionou levemente antes de voltar a ficar em seus braços.

"Não, não—"

Ele hesitou.

"Não diga isso. Você não precisa pedir desculpas."

A mão trêmula de Evelyn alcançou seu rosto, suas longas unhas de cristal escura tocando sua bochecha enquanto os cabelos dela, que viraram totalmente brancos, atingiam até o topo da cabeça.

O tempo dele estava acabando.

Ele tinha que matá-la agora.

Não podia hesitar.

Ou então, seria tarde demais.

SHIIING—!

Relutante, Brandon empunhou sua espada e apontou a ponta para o peito de Evelyn—onde seu núcleo ficava.

Podia acabar com tudo. Acabar com o sofrimento dela.

Seria tão fácil fazer seu coração parar antes que ela se tornasse completamente a monstro que temia.

Mas, ao invés disso, isso o despedaçou.

Sua visão ficou turva.

Sua mão tremeu sem controle.

Segurando a espada com as duas mãos, ele fez o possível para conter o tremor.

Ele olhou para a espada.

Era a espada que Evelyn lhe dera.

A dor abalou seu coração, e a tristeza sufocou sua garganta.

Ele tinha medo.

"Eu…. desculpe."

Apesar de não conseguir sentir medo, ele tinha medo.

Medo da dor que sentiria e do ferimento que se revelaria quando tudo isso acabasse.

Mas não tinha escolha.

Com os dentes cerrados, Brandon estava prestes a perfurar sua lâmina através do núcleo dela, quando a voz trêmula de Evelyn, ao fechar os olhos, chegou aos seus ouvidos.

"Por favor, não me odeie… Eu não achava que iria te abandonar assim…."

"...."

Mas ele não parou.

Porque, ao fechar os olhos suavemente, sua decisão ficou clara. Brandon não podia trair sua convicção, mesmo ela não querendo morrer.

Investindo sua mana na espada, o ar ao redor dele começou a girar com uma aura negra como tinta.

Swoosh—!

Antes que a espada fosse fundo, memórias de seu tempo com Evelyn inundaram seus pensamentos como um sonho febril, e, antes que percebesse, não ouvia mais nada.

RIIIING—

Apenas um som estranho de tique-taque ressoando em seus ouvidos.

"Haaa….."

Evelyn Cessna, sua mentora, e uma figura parental inesperada em sua vida.

Apesar de sua fachada fria. Apesar de tudo que passou, todo sofrimento, perda e abandono.

"Droga, droga!"

Ela era uma pessoa gentil, calorosa, altruísta e justa até o fim.

"Ah...."

Um som indiscernível escapou de seus lábios, deixando-o em dúvida se foi um grito humano ou de besta.

Naque dia, 31 de dezembro de 2149, faltavam só algumas horas para o Ano Novo.

"Eu nunca poderia te odiar...."

Evelyn Cessna havia falecido.

Fim da leitura

Capítulo 383 concluído

CAPÍTULO 383 - Ponto de Virada 30 8