Extra's Descent NovelCAPÍTULO 394 - Santuário dos Testes
Capítulo 394"Milis."
Gases de espanto invadiram toda a câmara.
Era isso. A última evidência que confirmava todas as afirmações de Brandon.
Brandon, obviamente, tinha plena consciência do que fazia, mas não conseguiu evitar um sorriso de lado.
"Charles, você… O que foi aquilo da cláusula de neutralidade!? Você está do lado desse garoto? Deste continente!?'
O Ancião, sentado ao lado de Charles, exclamou.
"Deve haver algum mal-entendido."
Charles começou.
"Não estou do lado desse rapaz, nem deste continente. Estou do lado da própria humanidade."
"...."
"Milis claramente se envolveu com atividades de Wraith. Se for para falar de algo errado, somos nós que estamos violando a cláusula ao ignorar esses assuntos. Este garoto é apenas um bode expiatório para expor esses fatos."
Então, Charles virou a cabeça, focando no homem sentado casualmente na plateia, com as pernas cruzadas.
"Mas a questão ainda permanece: de onde ele tirou toda essa informação?"
O homem que ele encarava desviou o olhar naquele momento, evitando o contato com Charles.
"Você, aí do lado. Gostaria de nos esclarecer?"
"E–Eu?"
O homem apontou para si mesmo atrasado, constrangido. Mas Charles sabia bem que tudo aquilo era uma encenação.
"Sim, você. Isaac Milton."
Era Isaac.
"Ou melhor, o Décimo Segundo Ancião, que fingia estar ausente hoje. Isaac Solace."
Charles sorriu amplamente.
A sala mergulhou em silêncio tenso, quebrado apenas pelo murmúrio de descrença. Todos os olhos se voltaram para Isaac Milton—não, Isaac Solace, o Décimo Segundo Ancião.
Brandon olhou fixamente para Isaac, que até então estava sentado casualmente, e endireitou a postura.
'Eu queria expô-lo.'
Ele já sabia a identidade dele no instante em que os dois se encontraram pela primeira vez.
Como tudo estava sendo transmitido ao vivo, Raven deveria estar assistindo.
'Sim, Raven. O seu amigo de longa data era um Ancião o tempo todo.'
Isaac destravou as pernas, soltou um suspiro lento antes de finalmente falar.
"Décimo Segundo Ancião? De onde vieram essas acusações infundadas? Sou apenas um cão de caça trabalhando para a—"
"Você é ruim de mentir, Isaac."
Brandon cuspiu indiferente.
"...."
"Você acha que não vimos seu disfarce? Mira praticamente te encarava o tempo todo."
Charles comentou. Mira referia-se ao outro Ancião que apoiava Brandon, e era contra a Análise de Cadáver Rúnico.
"Então é por isso… Achava que ela queria dar uma pista ou algo assim—!"
Isaac parou por ali, um calafrio súbito percorreu sua espinha ao sentir o olhar intenso vindo de Mira.
"Keum."
Charles tossiu, limpando a garganta atrasado.
"Ok, ok. Entendi."
Naquele momento, Isaac se levantou, ajeitando o sobretudo como se se preparasse para um discurso.
Mas antes que pudesse falar, Charles deu um empurrão com queixo, indicando que sentasse ao seu lado.
Isaac caminhou casualmente para frente. Os guardas recuaram, dando espaço.
Antes de se sentar ao lado da cadeira vazia ao lado de Charles, Isaac apontou para seu próprio rosto, fazendo sinal de uma arma com a mão.
De repente, seu rosto se distorceu, assumindo o de um sujeito bonito. Seus olhos, de um azul refrescante, e seus cabelos, que lentamente mudaram para azul-marinho.
'Refração de luz….'
Uma habilidade exclusiva de magos que ultrapassaram a maestria na afinidade [Luz].
Nem mesmo Belle conseguiria fazer isso. Nem em alguns anos mais de treino incansável.
Sentando-se, Isaac virou a cabeça e olhou para Mira. Uma mulher com aparência jovem, cabelos de um laranja radiante e íris carmesim.
Todos eram Elders, que viveram por anos. Mas sua aparência nunca demonstrou sinais de envelhecimento.
"Mira, ainda quer dar uma…"
"...."
"Tá bom, tá bom."
"Ai, como sempre problemática."
Charles não conseguiu segurar o sorriso de reprovação.
"Enfim, nos diga como o garoto conseguiu tanta informação?"
"Pois bem, aqui vai a verdade."
Isaac fechou os olhos, fez uma pausa, deixando a tensão pairar no ar.
Mas demorou demais para continuar.
"Apenas continue!"
"Ok, então… Eu não fiz nada."
"Hã?"
Charles piscou. Não fez nada? Então, como?
"Absurdo!"
Outro Ancião exclamou.
"A confiança dele claramente vem da ideia de que vocês o apoiam."
"Não."
Nesse momento, a postura de Isaac mudou. Uma aura opressiva emanou dele, e seus olhos se estreitaram em uma fenda.
"A confiança dele vem apenas dele mesmo."
"Me lembra você nos seus dias mais jovens."
Charles comentou, com desprezo.
Isaac assentiu, sorrindo de lado.
"Sei disso."
A verdade veio à tona.
Não havia dúvida na cabeça de ninguém que todas as acusações e declarações infundadas de Brandon eram verdadeiras.
Especialmente porque Charles e Isaac praticamente confirmaram tudo.
De qualquer forma, os outros Anciãos pareciam bastante incomodados.
"Você está pedindo o caos, Locke. Você realmente acredita que pânico generalizado é a solução?"
"Estou pedindo a verdade."
Brandon respondeu de volta.
"As pessoas têm que saber o que vem por aí. Elas têm que ter uma chance de se preparar. Você não pode mantê-las cegas e protegidas."
Charles, rompendo seu silêncio mais uma vez, tomou a palavra.
"Ele está certo."
O ambiente ficou quieto. Todo mundo olhava fixamente.
Charles se inclinou, dirigindo-se aos outros Anciãos.
"Vocês estavam tão focados em manter o controle que perderam de vista o quadro maior. Estávamos mentindo para nós mesmos, achando que poderíamos lidar com isso tranquilamente. Mas a verdade é: não é só a Holy Britannia que está em risco. É o mundo inteiro."
"Isso não vem ao caso. Todos sabemos como funciona o núcleo de Milis. Eles não são o problema."
"O que quer dizer?"
Com as sobrancelhas levantadas, Brandon perguntou.
"Então, mesmo você não sabe de tudo isso. Interessante…."
Charles respondeu.
A discussão mudou totalmente de rumo, transformando-se de uma audiência para um debate.
"O motivo de nunca termos intervindo é que nem mesmo sabemos com o que estamos lidando. Na verdade, não é o próprio Milis, mas uma coletividade dele. Ainda não conseguimos entender os seus motivos."
O motivo de terem se mantido em silêncio até aqui era porque poderiam acender a faísca de uma guerra.
Da perspectiva do conselho, ambos os continentes estavam ignorando toda a situação.
"Então, em outras palavras…"
Brandon pinçou o queixo.
"Estão sendo feitos de bobo?"
"É isso que achamos."
Agora, toda a perspectiva de Brandon mudou. Ou seja, todos eram vítimas do verdadeiro inimigo que enfrentavam.
Não era só a Holy Britannia, e provavelmente Milis também não. Provavelmente, os inimigos estavam em todos os continentes, semeando as sementes que poderiam desencadear outra Grande Guerra.
"Sei qual é o inimigo."
Naquele momento, Brandon se destacou.
Gases de espanto ecoaram através da câmara, até entre os Doze Anciãos.
Isaac, que até então mantinha a calma, decepcionou-se.
Todos os olhares se voltaram para Brandon, que estava no centro do Santuário, com olhos negros como tinta, frios e calculistas.
"O que foi que você acabou de dizer?"
Um dos Anciãos gaguejou, claramente surpreso.
Brandon deixou a tensão pairar mais um pouco no ar.
Sua voz varreu a audiência.
"O verdadeiro inimigo que estamos enfrentando."
"Não é uma força só. Nem uma nação, nem mesmo um continente. É algo mais. Um grupo oculto que puxa as cordas nos bastidores, manipulando países inteiros para seus objetivos doentios."
Fechando os olhos, deixando a tensão se intensificar, Brandon continuou.
"A Seita dos Wraith."
A multidão explodiu em suspiros, murmúrios e medo.
Por outro lado, os Anciãos trocaram olhares incrédulos.
"Já sabemos deles há anos, garoto. São apenas um grupo espalhado de fanáticos—quase nenhum perigo."
Havia uma ponta de descrença na voz do Ancião.
Isso porque a Seita dos Wraith operou por anos.
São uma ameaça, mas não a ponto de causar pânico em massa.
Brandon balançou lentamente a cabeça.
"Vocês estão enganados. Vocês só veem a superfície. O que vocês não percebem é que eles vêm crescendo em poder, orquestrando eventos pelos continentes."
Ele fez uma pausa, deixando suas palavras pesarem no ar.
"O que vocês viram é apenas uma fração do que eles realmente possuem. Há algo muito mais sinistro além de tudo."
Brandon olhou brevemente para Bellion antes de seguir.
"São conhecidos como os Arcebispos do Pecado."
A sala arfou em surpresa.
Até mesmo os Anciãos, que até então se mantinham compostos, trocaram olhares desconfortáveis.
Era uma informação nova, e eles não gostaram do rumo que estava tomando.
Brandon prosseguiu, seus olhos fixos na câmera, dirigindo-se não apenas à sala, mas ao mundo inteiro.
"Existem sete Arcebispos, cada um representando um dos pecados capitais."
Brandon falou, sua voz ficando mais intensa.
"Eles não são apenas figuras simbólicas—são os que puxam as cordas por trás da Seita dos Wraith, e infiltraram-se em todos os níveis da sociedade."
O olhar de Brandon vacilou brevemente para os Anciãos e depois voltou para a câmera.
"Mas não é só isso. Um desses Arcebispos tem atuado bem debaixo do nosso nariz, responsável pelas mortes que aconteceram recentemente."
Ele respirou fundo, a voz baixando.
"A matança do Guilda Punho de Ferro. O massacre do Guilda Lua da Crescente Sangrenta. E…."
Os olhos de Brandon se estreitaram, todos fixos nele enquanto focava na câmera.
Chegou a hora de revelar a verdade oculta.
"O assassinato de Evelyn Cessna."
"...."
Seguiu-se um silêncio hesitante, todos tentando digerir as palavras de Brandon.
"Voltando ao objetivo inicial deste julgamento. Admito, matei Evelyn Cessna com minhas próprias mãos."
Mas, ao contrário de antes, não havia nenhum desprezo por ele. Pelo contrário, todos queriam saber a verdade, porque claramente havia algo mais por trás da história.
"Eu não tive escolha."
Ele apertou o punho.
"Se eu tivesse permitido que a semente do Wraith crescesse mais, Evelyn Cessna se transformaria em uma Wraith."
Apesar da dor no coração, as expressões de Brandon permaneciam completamente indiferentes.
Ele não estava ali pedindo compaixão.
Estava ali para revelar tudo ao mundo.
"Se minhas hipóteses estiverem certas—não, tenho certeza absoluta disso."
Seu olhar foi parar em Amelia, que o encarou de volta.
"Das investigações de Amelia Constantine, cheguei à conclusão de que tudo o que aconteceu até agora foi feito pelo Arcebispo do Pecado da Luxúria e do Orgulho."
Isaac finalmente falou, com voz carregada de sarcasmo, mas seus olhos entregaram a tensão que sentia.
"Essa é uma afirmação ousada, Locke. Você tem provas disso, ou só gosta de fazer acusações sem fundamento?"
"Tenho."
Nesse instante, um público específico se levantou.
Era Bellion.
Logo depois, foi exibido o vídeo da 'interrogatório' de Zeke.
Apesar de estar preso na cela durante a semana inteira, Brandon nunca ficou parado.
Ele também entrou em contato com Bellion usando seu telefone descartável.
O tempo passou.
Quando o vídeo terminou, a sala voltou a ficar em silêncio, mais uma vez.
Claro que ainda havia uma ponta de descrença entre os Anciãos.
Mas foi então que Bellion falou.
"Eu, Marechal de Campo Bellion Van, confirmo que essa gravação é autêntica."
Não havia dúvidas da parte dos Anciãos. Seus olhos falaram por si.
Nesse momento, os olhos de Brandon se fixaram na câmera.
"Arcebispos, sei que todos vocês estão assistindo. Sei que acham que estão intocáveis."
Seus lábios se curvaram num sorriso sombrio.
Ele conseguiu.
Colocou uma mira nas costas dele.
Se fosse impossível encontrá-los, que eles viessem até Brandon.
"Mas eu vou atrás de vocês dois. Encontrarei vocês—não, todos vocês. E quando o fizer—"
a voz de Brandon ficou mais firme, seu corpo inteiro emanando uma auréola negra como tinta, e seu poder mágico subiu.
"Matá-los-ei pessoalmente."
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