Extra's Descent NovelCAPÍTULO 399 - O Primeiro Encontro
Capítulo 399No momento em que Brandon chegou, sentiu os olhares focados nele. Já esperando por isso, Brandon apenas ignorou e seguiu em frente.
O peso da morte de Evelyn ainda o pressionava, cada passo ficando mais pesado e difícil.
Porém, não podia mais mentir para si mesmo.
Apesar da sensação de sufoco que o acompanhava, sabia que precisava superar aquele obstáculo de alguma forma.
E, se fosse para entorpecer seus sentimentos no processo, que assim fosse.
Estava exausto.
Era impossível manter todos protegidos em qualquer avanço.
Só agora tinha percebido que a morte era inevitável, mesmo com a previsão, os preparativos e o conhecimento. Não conseguia levar tudo em consideração.
'Não é de se admirar que Jin tenha acabado do jeito que foi.'
Era bastante irônico. Tinha julgado um livro pela capa, sem se aprofundar demais no conteúdo.
Se fosse o caso, já não se surpreenderia se acabasse como Jin.
De qualquer forma, Brandon olhou ao redor.
Havia muitas pessoas, sentadas nas fileiras de cadeiras que se estendiam infinitamente. Mal conhecia alguém, de tanta gente.
Depois, seus olhos se elevaram, para o grande retrato — embutido na parede.
Lá estava Evelyn. Como se fosse uma foto da própria Mona Lisa.
No centro, uma grande urna coberta de flores brancas. Brandon franziu a testa, fixando o olhar com atenção.
Pois não havia ninguém dentro da urna.
Mas, ao ver o mar de flores oferecidas por aqueles que vieram prestar homenagem, independentemente de conhecerem ou não Evelyn, a expressão de Brandon suavizou.
Era demais de flores para contar. Até crianças estavam oferecendo flores por respeito.
Ao recordar o vídeo que assistira há cerca de uma hora, um pequeno sorriso surgiu em seus lábios.
As palavras de Evelyn no vídeo ecoaram em sua mente.
—Tenho pensado muito sobre... sabe, as coisas. Vida, morte, tudo isso. Me bateu diferente depois que fomos ao funeral da Irmã Mais Velha Yi Jihyeon. Tinha tanta gente lá, tanta gente que se importava com ela. E isso me fez pensar…
e quanto a mim?
Assistiu a essa parte, quase sem conseguir respirar, enquanto ela ria suavemente após dizer aquilo, como se fosse um pensamento passageiro.
Mas agora, vendo a presença avassaladora na homenagem, Brandon não pôde deixar de pensar o quão equivocada ela estava.
Foram tantas pessoas. Tão muitas que mal dava para contar.
Crianças, adultos, estranhos — todos com flores, todos lamentando sua perda à sua maneira.
'Você estava enganada, Evelyn.'
Pensou ele, com o coração pesado.
'As pessoas se importavam. Elas se importavam mais do que você jamais imaginou. Você teve um impacto grande na vida de outras pessoas, vidas que você salvou sem jamais pedir algo em troca, mesmo sem perceber.'
Não era apenas o mar de flores ou a multidão que provava ela estar errada — era o olhar em seus rostos, a maneira como as pessoas falavam em sussurros, a forma como arqueavam as cabeças com respeito genuíno.
Brandon levantou a cabeça e olhou para cima.
'Espero que tenha encontrado uma paz verdadeira lá em cima.'
Ele depositou suas próprias flores, juntou as mãos e fez uma reverência.
Virando-se, Brandon seguiu adiante e encontrou um assento.
A cerimônia ainda não tinha começado. O que era bastante estranho, considerando que ele estava bastante atrasado.
Sentiu alguém cutucando seu ombro e virou-se.
"Você chegou."
Era Vanessa.
"Sim, você tinha razão. A Evelyn ficaria decepcionada se eu não aparecesse."
Brandon olhou ao redor, depois voltou sua atenção para Vanessa.
"Onde estão os outros?"
"Foram embora há um tempo buscar umas coisas para comer e beber,"
respondeu Vanessa, olhando na direção da entrada.
"Mas devem voltar em breve. Por que você não vai procurá-los? Não devem estar longe."
Brandon hesitou, seu olhar permanecendo na imagem de Evelyn.
"Hmm…."
Vanessa notou sua hesitação.
"Não se preocupe, a cerimônia ainda vai demorar. Ainda estão prestando homenagens."
"Tudo bem, volto já."
"Então é verdade mesmo…"
Rachel falou, massageando o queixo.
Era a primeira vez que todo o grupo se reunia em um bom tempo.
Enquanto Raven, Reinhard e Claire já tinham recebido confirmação do acontecido, Rachel e Amy ainda não conseguiam aceitar totalmente.
Porém, só agora tinham a oportunidade de perguntar a alguém relacionado ao Exército Imperial — que, claro, eram Amelia e Belle.
"Então, o que vocês planejam fazer?"
Amelia parou de caminhar, virou-se e olhou para todos presentes.
"Alguns estudantes já desistiram, pelo que sei. Ninguém iria culpar vocês se decidissem mudar de escola."
Era verdade. Como acadêmica, Amelia tinha que passar o recesso de inverno na academia, ajudando os professores a preparar o próximo semestre.
Não era só ela, mas Belle também era uma acadêmica.
Portanto, ambas tinham bastante conhecimento sobre a estrutura da Academia Imperial.
Eram, afinal, generais em treinamento.
"Eu fico."
Raven foi o primeiro a falar, sinalizando com a cabeça, os olhos azuis brilhando de determinação.
"Não tenho outra escolha."
Seguido por Reinhard, que deu de ombros.
"Bom, meu pai disse que essa seria a opção mais econômica, então…."
E também Claire.
"...."
"...."
Amelia e Belle olharam para eles, boquiabertas. Com exceção de Raven, que tipo de desculpa esfarrapada é essa…?
"E vocês dois?"
Belle perguntou, olhando para Rachel e Amy.
Sabiam que as duas estavam trabalhando juntas e, provavelmente, ficariam bem, mesmo que não escolhessem a rota de maga de batalha ou militar.
Claire também seguia seu caminho, mas, por causa do pai — uma figura poderosa no passado — decidiu ficar.
"Vou desistir—"
"Fico eu."
Amy e Rachel falaram em uníssono.
"Calma, Amy ia dizer —"
"Fico eu."
....
Batendo palmas, Amelia virou-se.
"Então é isso. Melhor voltarmos, a cerimônia pode começar em breve."
O grupo atravessou as ruas, beliscando petiscos com sucos na mão.
Porém, quando estavam prestes a atravessar a faixa de pedestres, pararam.
"....?"
"...."
"He?!
De pé no centro, havia uma criança. E, embora o semáforo estivesse verde, logo ficaria vermelho.
Por alguma razão, a criança não se mexia.
A cena era bastante estranha, fazendo o grupo parar enquanto Raven falou.
"O que aconteceu?"
Ele se aproximou da criança.
"Você está perdido?"
"...."
No entanto, a criança não respondeu, olhando para baixo.
Raven olhou para a esquerda, depois para a direita. Carros esperavam ansiosos para a luz de pedestres ficar vermelha.
Agachando-se, Raven falou novamente, e os outros se aproximaram da criança.
"Você não deveria ficar aqui. É perigoso."
A criança, com cabelos desgrenhados e cobrindo a maior parte do rosto, continuava olhando para baixo.
Havia algo inquietante nele, uma sensação que Raven não conseguia identificar.
Seu corpo pequeno não se moveu, mesmo com o grupo ao redor, sem saber o que fazer.
Claire trocou olhares com Amy, confusas.
"Tem algo errado com ele?"
Raven, ainda agachado, tentou novamente.
"Ei, está tudo bem. Você se perdeu? Onde estão seus pais?"
"...."
A criança permaneceu em silêncio.
As luzes de pedestres piscaram, sinalizando que logo mudariam. Carros zuniam impacientes no cruzamento.
Belle deu um passo adiante, observando a criança com cautela.
"Talvez devêssemos levá-lo a algum lugar seguro. Ele não parece—"
Antes que Belle terminasse, a criança lentamente levantou a cabeça, revelando um rosto inocente.
"Que valor há na busca insaciável por algo que nunca pode ser satisfeito? Não será, talvez, um desejo infinito por mais, uma sede tão profunda que devora tudo ao seu redor, deixando somente vazio em seu rastro?"
Raven franziu a testa, confuso com as palavras enigmáticas.
"Uhm, do que você está falando…?"
O sorriso da criança se alargou, e seus olhos brilharam subitamente, uma aura sinistra começando a envolvê-lo, fazendo Raven sentir um calafrio.
"Gula."
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