Extra's Descent NovelCAPÍTULO 411 - Progresso
Capítulo 411Os pensamentos de Raven estavam confusos.
Neste último mês, ele vinha vendo coisas.
"Ukh…!"
Coisas que não conseguia explicar.
"....Estou passando mal."
Ele estava morrendo.
Spurt!
Mas então não estava.
Ele estava claramente vivo.
"Estou passando mal."
Mas continuava vendo os cenários. Eram tão reais, como se ele tivesse vivido aquilo na própria pele.
"Estou passando mal."
"Raven, pra onde você vai?"
Reina chamou, mas tudo foi ouvido como se fosse um som distante. Raven, extremamente grogue, caminhou lentamente até o banheiro e ligou a torneira.
"Estou passando mal."
Isso surgiu em sua mente.
Ele, morrendo.
De novo e de novo e de novo—
"Ueeekh!"
Seu estômago se contraiu em cólicas, sua cabeça girava enquanto vomitava copiosamente.
Sentia tudo como se fosse real, tamanha as sensações, que Raven podia jurar que sentia a dor na própria carne.
"Ueeeekh!"
Nada fazia sentido algum. Era como se tivesse sido transportado para o passado.
Certos cenários surgiam na sua mente.
Cenários que já tinha testemunhado, mas ao mesmo tempo, sentia que não.
Spurt—!
Seu peito atravessado por Francis Osborn.
Spurt—!
Seu corpo, totalmente dilacerado por fios. Fios advindos de David Aurae.
"Ueeekh!"
Ele, esmagado sob rochedos dentro de Astrea, durante a calamidade.
Swoosh—!
Ele mesmo, consumido por um espectro dentro de um lugar estranho para ele. Atrás dele, reunidos, oficiais do Exército Imperial.
Crack—!
Completamente dilacerado por uma garra de wyvern.
Spurt—!
Corpo, mutilado por monstros que ele nem consegue explicar. A cena, um mar de espelhos altos ao redor dele.
"Ueeekh!"
O que parecia ser um espectro, com cabelos brancos e olhos negros sem pupilas, suas unhas negras como cristal devorando toda a sua essência.
Cut!
O menino que ele havia acabado de encontrar, Greed. O garoto que deveria ter sido derrotado. Porém, ao invés disso, foi Raven quem sofreu as consequências.
"Ueeekh!"
Dois olhos carmesim o encarando, decapitando-o. Ele não conseguiu ver claramente quem foi, pois antes que percebesse, já tinha sido morto.
"Haaa… H-haaa…."
De novo e de novo. Era tudo tão vívido, cenas diferentes que nunca aconteceram passavam por sua cabeça.
Quando pararam, Raven ficou olhando fixamente para o teto, com o rosto e as roupas encharcados pelos seus fluidos.
Sua mente estava um tumulto. Era assim todos os dias, e ele nunca conseguiu descobrir a causa.
Torcer—
Ao girar a torneira, a água começava a escorrer lentamente do chuveiro.
Raven olhava de cabeça baixa com expressão vazia, o rosto escurecendo.
Logo após essas… visões? Ficarem para trás, Raven esquecia a maior parte dos detalhes em poucos segundos, como se tudo fosse um sonho passageiro.
Porém, de algum modo, Raven ainda conseguia vislumbrar fragmentos delas. Sem muitos detalhes, apenas….
"Ueekh!"
Sua morte.
Após terminar o banho, Raven saiu, puxando as cortinas. Trocou de roupas por umas mais limpas e deixou o banheiro.
Agora, ele já tinha esquecido a maior parte do que tinha visto, só uma sensação aguda no pescoço permanecia.
No entanto, apesar disso, não poderia negar a ansiedade que começava a se infiltrar nele.
"Sherly…."
Lá, Reina estava sentada no sofá, vestindo uma blusa branca de alças frouxas, expondo seu decote sem perceber.
"...."
Raven foi imediatamente puxado de sua indecisão, franzindo a testa.
Ela sempre era assim—totalmente alheia ao que acontecia ao redor, relaxando sem pensar duas vezes.
"Você está se expondo demais de novo."
Raven murmurou baixinho, sua voz quase inaudível para ela.
"Hm?" Reina finalmente levantou os olhos, fixando o olhar nele. "Fez algo?"
Ele balançou a cabeça, dispensando o assunto, uma irritação secreta fervendo por baixo da pele.
"Nada. É que… vou sair."
Ele não queria explicar a confusão que tinha na cabeça, nem queria lidar com a atitude despreocupada de Reina agora.
"Tem certeza que está tudo bem?"
Ela notou a tensão na voz dele, mas Raven balançou a cabeça em negação.
"Estou bem."
Ele não estava, mas isso não importava.
Reina suspirou, claramente não convencida, mas decidiu deixar pra lá.
"Você precisa cuidar de si mesmo, sabia?"
Ela ajustou a postura, sentando-se um pouco mais ereta, seus olhos suavizando.
"Você está diferente ultimamente…"
"...."
Raven não respondeu.
Não precisava.
Ela não tinha ideia do que se passava na cabeça dele. Mas ele também não sabia, então como poderia explicar toda a ansiedade que crescia?
"Só… cuidado, tá?"
"Vou cuidar."
As palavras pareceram vazias, como tudo mais que acontecia nos últimos tempos.
Assim que Raven saiu de casa, Reina fez uma careta, encarando o espaço onde Raven havia estado poucos segundos antes.
Ela sabia que o garoto estava enfrentando algum problema, mas claramente, ele não queria falar sobre isso.
Reina suspirou e trocou o canal da TV.
Esperando que não fosse nada grave.
"Se precisar de algo, é só me procurar."
Reina tinha várias teorias em mente.
Mas uma delas parecia a mais provável.
"Tipo, uma estratégia para conquistar o coração de uma garota."
Horas depois, Reina pensou, ela nunca tinha tido experiência romântica alguma.
Apesar de ser uma beleza deslumbrante, por alguma razão, os homens simplesmente evitavam ela.
Ela não conseguia entender. Tinha o visual, a postura, era até uma guerreira de classificação S — uma oficial da guilda Força Especial.
"Mas eles ficam me evitando!"
Na verdade, pareciam até ter medo dela.
Nesse momento, sua atenção foi rapidamente atraída ao olhar fixamente para fora da janela.
Estava chovendo, e Raven segurava um guarda-chuva.
No entanto, ele não parecia estar sozinho.
Havia alguém.
Uma mulher de cabelo platinado.
Reina estreitou os olhos, observando cuidadosamente. Não conseguia ver seu rosto, pois ela virava as costas, mas, por alguma razão, ela parecia estranhamente familiar.
Foi então que a mulher finalmente virou o rosto de lado.
Olhos vermelhos.
"Não é…."
A mulher presente no funeral de Evelyn.
Sua aparência a abalou completamente na época. Não apenas ela, mas também os outros ao redor.
Afinal, a mulher era conhecida por sua riqueza, aparecendo até em revistas.
Na verdade, Vanessa tinha tentado recrutá-la para sua guilda só por sua beleza. Mas foi em vão.
E agora, ela estava ali.
Fora da casa de Reina.
"Lianna Venice?"
Huh.
Pela minha memória, Lianna Venice tinha 26 anos — até mais velha que Reina, que agora tem 22.
"Espera, Raven…."
Não, isso não poderia ser.
Ela se lembrava de uma garota loira que o seguia sempre.
Ele a rejeitou ou algo assim?
Não, não, não.
Esse nem mesmo era o problema no momento!
De imediato, Reina se disfarçou. Assim que o caminho ficou livre, saiu de casa e decidiu seguir Raven e Lianna.
Depois do funeral de Evelyn, de alguma forma, Raven tinha criado uma ligação com Lianna.
Ele não sabia explicar por quê, mas sentia-se atraído por ela.
Não de forma romântica, sabia, pois não sentia nenhuma paixão por ela, apesar da aparência deslumbrante.
Pelo contrário, parecia que ele tinha que segui-la.
Não, seguir não era a palavra certa.
Investigar.
"Vamos?"
"Sim…."
As duas partiram, com Lianna informando ao chauffeur sua localização.
Se alguém mais observasse, imediatamente acharia que eles estavam num encontro.
Mas não era nada disso.
Era uma entrevista de trabalho.
"Chegamos, Srta. Venice."
"Obrigada."
Logo, saíram do sedã preto.
Raven levantou a cabeça, olhando para a placa de néon que iluminava a entrada.
"Cassino."
Era um cassino.
De todas as opções.
Quando entraram, o barulho o atingiu.
Bibibiiip—
Risos, comemorações, o tilintar de moedas e o barulho constante de cartas sendo embaralhadas, as máquinas caça-níqueis, deixando claro que quem jogava ali era um perdedor. \\
A atmosfera estava animada, mas Raven se sentia desconectado de tudo aquilo.
Lianna o conduzia pelos multidões com facilidade.
Ele não pôde deixar de notar como as pessoas pareciam abrir caminho para ela, como se fosse Moisés separando o mar.
Chegaram a uma porta no canto mais distante do cassino, vigiada por dois homens altos de terno.
Um deles acenou para Lianna, que então abriu a porta, deixando entrar.
A sala era escura, diferente do movimento lá fora.
No centro, uma mesa redonda com várias pessoas ao redor.
Todos se voltaram para ela e Raven ao entrarem.
"Ah, Srta. Venice. Estávamos esperando por você."
Um homem, mais velho que os demais, com cabelo grisalho e feições afiadas, falou primeiro.
Seu olhar por um momento se fixou em Raven, mas não questionou nada.
"Senhores, este é Raven Blackheart."
A voz de Lianna ressoou por toda a sala.
"Então é ele…."
"Tem um potencial promissor."
Uma mulher, que estava com as pernas cruzadas, lambia os lábios.
Raven, desconfortável, tentou ignorar.
"Desculpe, Raven. Mas não aceitamos qualquer um. Está apto a fazer um teste?"
"Sim, me inscrevi, afinal."
"Certo."
Lianna concordou com a cabeça.
Então, um homem robusto, de terno e óculos escuros, avançou.
"Acompanhe-me."
Raven engoliu em seco e o seguiu.
O que ele tinha se candidatado era uma função de guarda-costas.
Lianna ofereceu o emprego, e reconhecendo a experiência que poderia adquirir, Raven aceitou.
Perfeito, pois, por alguma razão, a ideia de Lianna não saia da sua cabeça.
Era como matar dois coelhos com uma cajadada só!
Uma boa oportunidade para treinar também para o segundo semestre.
De qualquer forma, o homem parou diante de uma porta de metal e fez um gesto para Raven entrar.
"Dentro."
Raven assentiu, preparando-se mentalmente.
A sala era escura, como as demais áreas nos fundos do cassino, mas ficava claro que ali era um local de treinamento de combate.
O chão era acolchoado, e várias armas estavam penduradas nas paredes.
Porém, não foi a sala ou as armas que chamaram sua atenção—foi a pessoa no centro, esticando os membros.
Por um momento, ambos ficaram parados, os olhos se cruzando com espanto.
Cabelos vermelhos. Olhos azuis.
"Raven?"
"Reinhard?"
Reina parou, piscando desconfiada.
Ela tinha seguido o carro discretamente.
Quando Raven saiu e entrou na sala, Reina não acreditou.
Era um cassino.
Então… o motivo do desespero recente de Raven era….
"Esse garoto tava mesmo jogando dinheiro fora?!"
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