Fragmentos do Multiverso — Capítulo 15: Volume 1 – Capítulo 15 – Capítulo 15: Família 1

Fragmentos do Multiverso
Cap. 15
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Fragmentos do Multiverso

Volume 1 – Capítulo 15 – Capítulo 15: Família 1

Capítulo 15

5.937 palavras~26 min de leitura

Ainda naquele dia, Lile estava dando duro na cafeteria.

— Obrigada, volte sempre! — Lile diz, forçando um sorriso no rosto.

“Ahhh… como o Anuk e a Max conseguiam trabalhar nisso? É horrível atendimento ao cliente!”

Lile vai pensando enquanto limpa e arruma as mesas, até ouvir novamente o sino da porta.

— Bem-vindos! — Lile se vira com um sorriso levemente forçado.

— Ela tá sorrindo, que bonitinho! — Anuk diz, entrando acompanhado de Max.

— Anuk? Max? — Lile diz, confusa. — Achei que vocês só iam aparecer de noite.

— É, mas ficamos preocupados daquele velho mercenário estar passando do limite com você! — Max explica, pendurando o casaco.

— Aliás, cadê ele? — Anuk pergunta.

— Ah, saiu. Disse que ia ter que resolver algumas coisas. — Lile explica, mantendo sua frieza de sempre.

— Aquele vagabundo que não trabalha, ele me paga deixando uma criança trabalhar sozinha! — Anuk diz, irritado.

— Anuk, eu tenho 11 anos. Sou tipo quatro anos mais nova que você só! — Lile retruca.

— Independente, você ainda é só uma criança e não tem que passar pelos terrores de patricinhas que podem cancelar seu CPF com uma ligação! — Anuk diz, com certo trauma na voz.

— Ele tá bem? — Lile pergunta para Max.

— Ele vai ficar. O primeiro dia foi cheio — Max explica. — Mas me conta, Lile, você estudava antes de vir pra cá?

— Hã? — Lile para em silêncio, refletindo por alguns segundos e hesitando em falar. — E-eu… nunca cheguei a sair de casa…

— O quê? — Anuk pergunta, indignado.

— É… eu tive no máximo educação básica, mas nada muito aprofundado — Lile explica, deixando escapar um tom deprimido em sua voz.

— Você tá conseguindo receber o dinheiro dos clientes? — Max questiona, preocupada.

— Bem… sim. Só demoro um pouco quando são valores muito altos, mas nada demais.

Anuk e Max se encaram por alguns segundos em silêncio. Os dois observam a situação da menina e, em seguida, decidem agir.

— Lile, flor, vem cá! — Max chama.

— M-mas e a loja? — Lile questiona.

— Não se preocupa, nós vamos te ajudar com tudo. Deixa com a gente, tá!? — Anuk afirma com um grande sorriso no rosto, colocando seu antigo uniforme.

Lile, sem muita escolha, decide aceitar e seguir Max, enquanto ouve Anuk começar a correr por todo o primeiro andar, agilizando a limpeza e a organização da loja sozinho.

“Bem, agora que tenho poderes fica até mais fácil, na verdade. Só tenho que tomar cuidado pra não exagerar e ser pego.”

Anuk encara o esfregão e a vassoura antes de voltar ao trabalho.

Enquanto isso, no andar de cima, Lile e Max se sentam na cama, e Max pega alguns livros na gaveta ao lado.

— O que é isso? — Lile questiona.

— São alguns dos meus livros antigos que usei pra passar na AGF. Vão te ajudar a aprender um pouco mais sobre as matérias — Max explica.

— Sério que você vai se dar ao trabalho de me ensinar? — Lile pergunta, surpresa.

Max encara a menina com um sorriso gentil e ajeita uma mecha de cabelo que estava desarrumada.

— Mas é claro, bobinha. Você é importante pra nós. Vamos fazer de tudo por você! — Max explica.

— Ninguém… nunca fez nada por mim… — Lile diz, com a voz quase não saindo.

— Você nunca ganhou presentes? — Max questiona, ficando séria.

— Nunca… quer dizer… — Lile se move até a gaveta, pegando o livro que normalmente fica lendo. — Essa foi a única coisa que eu ganhei.

Max encara o livro e percebe que, na verdade, aquilo é um dicionário. A adolescente não consegue esconder o espanto e a raiva ao perceber aquilo, mas logo respira fundo, tentando se acalmar.

— Eu sempre vi você lendo isso, mas nunca tinha entendido o porquê. E agora, com você dizendo que recebeu só o básico de ensino, isso me deixa ainda mais confusa! — Max explica.

— Bem, é que quando eu ganhei isso, eu pedi pra me darem alguma coisa que me ensinasse mais palavras. Aí me deram isso. Então eu uso pra aprender palavras novas.

— Que horror… uma criança da sua idade deveria estar ganhando brinquedos e se divertindo. Tipo, um dicionário é, sim, importante, mas ser o único presente que você ganhou? Isso me deixa enojada! — Max diz, sem conseguir conter a reprovação em sua voz diante da situação em que Lile se encontrava.

— Bem… essa é minha vida — Lile afirma.

Max encara a garota em silêncio. Ela sabia o que era estar sozinha no mundo e o que significava sentir que não havia salvação. Ela não queria aquele futuro e aquele destino para Lile.

— Ok — Max diz, pegando os livros. — Nós vamos estudar agora, tá? Vou tentar te explicar do melhor jeito que eu puder! E depois eu tive uma ideia do que podemos fazer!

— O quê? — Lile pergunta, curiosa.

— É surpresa. Não vou revelar agora, tá? — Max diz, com um sorriso, tentando mudar o ambiente.

Lile não entende muito bem as atitudes da garota, mas sente seu coração acelerar um pouco com a ideia de uma surpresa. Então decide apenas concordar e continuar.

Um tempo depois, as duas descem, encontrando Anuk terminando de atender um cliente.

— E aí, Lile, conseguiu aprender alguma coisa? Olha, não se sinta mal se não conseguir. É bem difícil mesmo, eu demorei BASTANTE pra conseguir! — Anuk afirma, tentando animar a garota.

— Na verdade, eu consegui aprender muito. A Max ensina muito bem! — Lile retruca.

— É, Anuk. Parece que você só é burro mesmo! — Max ataca o amigo com as palavras.

Anuk fica desolado ao ouvir aquilo e até cai no chão, incrédulo.

— EI! NÃO É QUE EU SOU BURRO! — Anuk grita com Max.

— É, tem razão. É que você é completamente burro! — Max retruca.

Os dois começam a discutir na cafeteria, e Lile fica observando. A garota novamente não entende por quê, mas ver aquela briga dos dois deixava seu coração quente e fazia com que ela quisesse sorrir.

— Enfim, agora vamos ajudar a Lile a mexer com algumas coisas da loja? — Anuk diz, encarando Max.

— Sim, senhor! — Max diz, colocando novamente seu uniforme.

“Eu nunca entendo Anuk e Max. Eles parecem se odiar, aí parecem que vão se matar, aí parecem uma equipe… Por que disso? Eu sei que quando duas pessoas se gostam elas tendem a agir estranho, mas eles dois é demais…”

— Aí, Lile, sabe fazer café? — Anuk questiona a menina.

— Não! — Ela responde imediatamente.

— Vem cá, vou te ensinar. — Anuk faz um gesto com a mão para a garota se aproximar.

Ela vai chegando perto e, quando chega, Anuk começa a explicar a refinada arte de fazer café. Ele pega a mão dela e a ajuda a colocar a água quente no café, ensinando também alguns outros fundamentos caso Lile queira melhorar a bebida.

Os dois jovens passam o restante da tarde ajudando Lile a cuidar da cafeteria. Ensinam a menina a utilizar um fogão, mas dizem para ela só usá-lo em último caso.

— Não queremos que você dê uma de Max — Anuk diz, brincando.

— Foi só uma vez, tá bom? — Max diz, envergonhada.

“Eles são bem animados, né?” — Lile pensa, observando os dois.

Eles continuam ensinando alguns truques sobre como, às vezes, funciona jogar poeira para debaixo do tapete, que alguns clientes, por mais que você queira socar, não pode, e que, em hipótese alguma, ela deveria entrar na sala do velho, mas sempre deveria chamá-lo de velho, pois isso o deixava puto e eles faziam isso para provocar Edward.

— Voltei, Lile… Ué, Anuk, Max? — Edward diz, retirando seu chapéu da cabeça.

— Escuta aqui, seu velho maldito! — Anuk diz, aproximando-se furioso do homem.

— Como você deixa uma garotinha como a Lile sozinha? — Max completa a frase do amigo, também furiosa.

— Eh… Hã… Ela disse que conseguia cuidar das coisas? — Edward tenta se explicar, encurralado pelos dois perigosos adolescentes.

— A GENTE VAI TE PEGAR! — Os dois pulam na direção de Edward, esmagando-o e mordendo-o.

— ME SOLTEM, SEUS PESTINHAS! — Edward diz, tentando resistir ao ataque.

“Eles são engraçados e empolgados…” — Lile pensa enquanto observa o velho sendo atacado.

Os quatro jantam juntos uma comida preparada por Anuk e logo chega a hora de se despedirem.

— A gente precisa ir! — Anuk diz, abrindo a porta.

— Temos que voltar para o dormitório. Não pegamos ele à toa, mas passamos aqui amanhã! — Max completa.

— Eh… Max… — Lile diz, puxando a blusa da adolescente, com um pouco de timidez. — E… é… você sabe… a surpresa?

— Ah! Não se preocupe, amanhã, assim que eu sair da aula, eu trago tudo, bem? — Max explica, fazendo um carinho na cabeça da garota.

— O-ok… — Lile diz, ainda com frieza, mas deixando escapar um pouco de empolgação em sua voz.

— Cuida bem da Lile, velhote! — Anuk vira com um rosto bem sério para Edward.

— Tá, tá, vão logo embora, que vocês já estão me dando nos nervos! — Edward diz, expulsando os dois com um jornal.

Antes de saírem, Anuk e Max abraçam Lile em conjunto, deixando a garota completamente sem reação.

— O-o que foi isso? — Lile questiona, sentindo-se estranha.

— Um abraço de despedida! — Anuk diz, sorrindo. — A gente se vê amanhã, Lile!

— Até, Lile! — Max diz, indo embora.

— T-tchau… — Lile se despede dos dois, vendo a porta fechar.

— Aqueles dois têm bons corações e gostam muito de você, garota. Você é sortuda por ter eles cuidando de você. Tenho certeza que, se o mundo ficasse contra você, eles mesmos destruiriam o mundo por você! — Edward diz, colocando a mão sobre a cabeça da menina. — Vamos, tá na hora de ir pra cama.

Lile sobe para sua cama, porém passa horas sem conseguir dormir, olhando para o teto e pensando sobre muita coisa.

“Abraço… surpresa…”

Era como se o corpo de Lile não permitisse que ela dormisse por estar esperando demais que o dia seguinte chegasse, até que finalmente ela acaba caindo no sono.

Na manhã seguinte.

— Lile, vou sair de novo! — Edward diz, pegando seu sobretudo e chapéu.

— Tá bom, velhote… — Lile faz como os dois adolescentes mandaram.

— Sério? Até você? — Edward diz, frustrado. — Toma, isso é pra você.

Edward então entrega para a menina uma nota de cem reais.

— O que é isso? Achei que você não desse pagamento! — Lile diz, encarando a nota.

— Pra aqueles dois pilantras eu não dou mesmo, não! Mas pra você é outra história. Então, shhh, é nosso segredinho, ok? — Edward diz, com um sorriso gentil no rosto.

Lile afirma positivamente com a cabeça, guardando o dinheiro. Ela então continua trabalhando normalmente na cafeteria sozinha, até chegar o horário da tarde, que é quando normalmente Anuk e Max chegam.

— E por falar neles… — Lile diz, ouvindo barulhos altos vindo de fora da cafeteria.

— EU ODEIO MATEMÁTICA! O QUE O X FOI FAZER LÁ? — Anuk entra reclamando na loja, acompanhado de Max e Charlie.

— É uma equação simples, idiota. Não tem por que você se desesperar — Max explica, suspirando.

— Qualquer coisa eu posso te ajudar, Anuk! — Charlie sugere.

— Claro, seria muito bem-vindo! — Anuk diz, sentando na cadeira e quase derretendo de tanto pensar.

— Q-que bom que concordou! — Charlie diz, ficando envergonhada e olhando rapidamente para o outro lado.

“Eles sempre são animados.” — Lile diz, ainda observando a cena bem à sua frente.

— Lile, se arruma, pois nós vamos sair! — Max diz, olhando para ela com um grande sorriso.

— Sair? Mas e a loja? — Lile pergunta, confusa.

— O Anuk vai ficar no seu lugar. Você vai vir comigo e com a Charlie, ok? É a sua surpresa! — Max explica.

“Surpresa…” — Lile pensa na surpresa.

— Mas é justo com o Anuk? Ele trabalhou ontem também… — Lile diz, ficando um pouco desanimada, mas sem querer cobrar demais do garoto.

— Que nada! Vai se divertir, pô. Eu cuido disso aqui fácil, fácil! — Anuk diz com um sorriso.

— Tem certeza? — Lile questiona.

— Tenho! Vai lá! — Anuk diz, fazendo uma joia com a mão.

Então Lile, sem perder muito tempo, corre para o segundo andar para se trocar.

— Vocês são uns fofos com ela, sabiam? — Charlie comenta.

Os dois adolescentes se olham. Eles sabiam um pouco do que Lile passou e do que ela provavelmente estava sentindo e não podiam deixar aquilo ficar desse jeito.

Lile coloca sua roupa de sempre, pronta para a aventura misteriosa das garotas.

— Tchau, Anuk, nos vemos mais tarde! — Max diz, saindo com as duas meninas.

— Tchau, bom passeio! — Anuk diz, mais uma vez pronto para cuidar da loja.

— Agora que elas foram… poderes ultra poderosos de limpeza e arrumação, ativar! — Anuk diz enquanto começa a correr pelo estabelecimento.

Enquanto isso, Lile, Max e Charlie estavam dentro de um Uber em direção ao centro da cidade.

— Uauuu! — Lile diz, encarando os prédios e o comércio pela janela do carro.

— Você nunca andou na rua, Lile? — Charlie questiona a menina.

— Bem… nunca que eu pudesse, pelo menos, ver para onde eu tava indo… — Lile diz, se lembrando do sequestro e de outros momentos.

A menina continua olhando pela janela, apreciando a paisagem, enquanto Charlie e Max se encaram por alguns segundos em silêncio e, em seguida, voltam a conversar normalmente.

Depois de alguns minutos de viagem, as meninas chegam ao grande shopping de Arcadia, mais conhecido como Grand Shopping.

— Chegamos! — Max diz, olhando para aquela enorme estrutura.

— O que é isso? — Lile pergunta, curiosa.

— Ah, isso é um shopping! — Charlie explica.

— Sério? Nunca vi um! — Lile afirma.

— Era de se imaginar… — Max comenta, meio deprimida por saber a resposta. — Bem, vamos entrando.

— Aqui é um dos shoppings mais famosos da cidade. É conhecido como Grand Shopping! — Charlie vai explicando para Lile.

— O que é Grand? — Lile questiona.

— Ah, é grande em inglês! — Charlie explica.

— É por que tem esse nome? — Lile pergunta outra vez.

— Bem… porque ele é grande… — Charlie responde, meio envergonhada pela resposta ridícula.

— Que ridículo! — Lile exclama.

— Concordo! — Charlie diz, rindo.

As meninas continuam seu passeio, parando em cada loja e cada lugar para que Lile possa conhecer. Charlie vai explicando para a menina cada ponto do lugar que ela pergunta, enquanto Max guia o passeio, levando-as até a área de jogos para as três jogarem juntas, à praça de alimentação, onde Max paga o lanche para todas, mas principalmente ao ponto principal daquela ida ao shopping.

— Chegamos! — Max diz, apontando para a loja.

— O que é isso? — Lile pergunta.

— Ah, é a Bela, uma loja de roupa! — Charlie explica.

— Roupa? — Lile pergunta, confusa.

— Sim, roupa. Você disse que nunca ganhou um presente e percebi que anda sempre com a mesma roupa, então decidi te dar roupas de presente.

— Tem algo de errado com minhas roupas? — Lile questiona, olhando para suas vestimentas.

— Não, fofinha, mas normalmente as pessoas têm bem mais que um conjunto de roupa! — Charlie explica.

— Vamos lá, você vai gostar. Vai ser uma aventura! — Max diz, começando a entrar na loja.

Lile não entende novamente o sentido daquilo, mas, como estava se divertindo demais no passeio, decide só seguir a onda e ir junto das duas adolescentes.

As meninas entram na loja, e aquilo parece um mundo novo para Lile. Ela nunca tinha visto tanta roupa em um único lugar. A menina fica com os olhos deslumbrados e fascinados por aquela imensidão.

As meninas vão passando de um lado para o outro, buscando roupas bonitas e do tamanho de Lile.

— LILE DE LACINHO! — As duas gritam, maravilhadas com a fofura de Lile.

— Lile agente secreto!

— Lile princesa!

E as duas continuam vestindo Lile como se fosse uma boneca. Por mais incrível que pareça, Lile estava se divertindo com aquilo. Sair, mostrar seu visual e receber diversos gritos das meninas, maravilhadas e elogiando-a, fazia ela se sentir… bem.

“Isso… é até bem legal!” — Lile pensa, soltando um pequeno sorriso.

Quando elas estavam prestes a pagar as roupas, Lile acaba avistando um vestido branco que chama muito sua atenção. Ela sempre quis usar um vestido como aquele, pois sempre ouvia dizer que princesas usavam vestidos lindos.

— Max… — A menina balança a blusa da adolescente, chamando-a com timidez.

— Oi, meu anjo!

— Eu sei que você comprou várias roupas pra mim, mas… eu posso levar aquele ali também? — Lile diz, envergonhada e apontando para o vestido.

Max olha na direção do vestido e depois volta a olhar para a menina toda encolhida, com medo de pedir aquilo a ela.

— Mas é claro, meu bem! — Max responde, com um grande sorriso no rosto.

Os olhos de Lile se arregalam e ela dá um pequeno pulo de susto para trás. Ela não esperava que Max fosse deixar, pois já haviam comprado muitas peças adicionais e normalmente estava acostumada a receber “nãos”.

A adolescente vai até o vestido e o pega.

— Vou querer passar esse aqui também! — Max diz para a atendente.

— Vai ser crédito ou débito?

— Débito, por favor! — Max diz, passando o cartão para a mulher.

Assim que pagaram, finalmente as meninas saíram da loja depois de longas horas.

— Ah… Max, pega. — Lile diz, entregando a ela a nota de cem que Edward havia lhe dado.

— Quê? O que é isso? — Max pergunta, confusa.

— É que… você comprou muita coisa pra mim e eu não queria que ficasse caro ou te prejudicasse. Eu sei que não é muito, mas talvez possa ajudar, né? — Lile diz, de uma forma doce e gentil.

Os olhos de Charlie se enchem de lágrimas, e a menina coloca as mãos juntas, tampando a boca e o nariz enquanto vê a cena.

Já Max olha para o dinheiro e se abaixa para falar com Lile.

— É muito fofo da sua parte, docinho, mas eu não posso aceitar! — Max devolve o dinheiro para a garota.

— O quê? Por quê? Eu juro que não roubei, nem nada do gênero! — Lile tenta ao máximo explicar a situação.

— Eu sei que não! Só que tudo que eu comprei são presentes. E, se eu aceitar seu dinheiro, deixa de ser presente para você. Fica com seu dinheiro e guarda pra algo que você queira, tá bom? — Max explica, com um sorriso gentil e fazendo um carinho na cabeça da garota.

“Presentes… pra mim?” — Lile reflete, apenas observando novamente a situação e aceitando o dinheiro de volta.

Após um longo dia, finalmente as meninas voltam à cafeteria e, quando chegam lá, se deparam com algo surpreendente.

— Ah, oi, meninas!

— Aki? — As duas dizem em conjunto, surpresas.

Lile apenas inclina a cabeça para a lateral, tentando entender quem era aquele homem que ela nunca tinha visto na vida.

— O que você tá fazendo aqui? — Max pergunta.

— Ah, o Anuk pediu nossa ajuda — Aki explica.

— Espera, nossa? — Charlie questiona.

— E aí, se não são minhas duplas favoritas de amigas! — Bruno diz, saindo do depósito da cafeteria.

— Bruno, até você? — Max indaga, surpresa.

— É, o Anuk ficou com medo de nosso baixinho não dar conta sozinho e eu achei uma oportunidade muito divertida para ajudar! — Bruno explica.

— Eu disse que dava conta… mas eles insistiram! — Aki explica, um pouco decepcionado.

“Quanta gente esquisita!” — Lile pensa enquanto vê os amigos de Anuk e Max.

— Mas cadê o idiota então? — Max pergunta.

No exato momento, a porta se abre com Anuk chegando rapidamente.

— Bem aqui! — O garoto diz, empolgado.

— Botando os outros pra trabalhar no seu lugar, que bonito, hein! — Max diz, em tom de esporro.

— Calma, calma, foi por uma boa causa! — Anuk explica com um sorriso orgulhoso, não conseguindo conter sua empolgação e segurando algo atrás das costas. — Acha que você é a única que pode dar presente pra Lile? Vai sonhando!

— Anuk, você… — Max diz, sem reação.

Lile se vira para Anuk, confusa com a discussão da vez.

— Lile, vem cá — Anuk diz, chamando-a.

A menina, sem hesitar, dá uma pequena corridinha até o garoto.

— Olha, não sei quando é seu aniversário, mas podemos fingir que é hoje, ok? Quis te dar algo especial, pois sei que você nunca ganhou nada, então decidi fazer uma surpresa muito especial para você. Por isso… feliz aniversário adiantado do seu irmãozão! — Anuk diz, entregando um presente embrulhado.

“Aniversário?” — Lile se pergunta, confusa enquanto olha para o presente.

— Vamos, abre! — Anuk diz com um sorriso.

Lile começa a desembrulhar o presente, papel por papel, pedaço por pedaço, até que só reste uma caixa. Quando Lile abre a caixa, ela vê o objeto, fazendo seu coração disparar. Ao retirá-lo, ela vê um ursinho de pelúcia.

— Meu Deus, Anuk, isso é lindo! — Charlie diz, maravilhada.

— Mandou bem, maninho! — Bruno diz, tentando esconder as lágrimas de um homem grande e forte.

— Anuk… como você comprou isso? — Max questiona, com as mãos tremendo e os olhos enchendo de água.

— Ah, eu tinha umas economias guardadas e vi que tava exatamente o valor, então não pude deixar passar! — Anuk explica, mantendo o sorriso otimista e alegre.

Max rapidamente corre na direção do garoto e o abraça. Aquilo atingiu muito mais ela do que poderia esperar. Aquele pequeno gesto de carinho e importância com Lile dizia muito. Max sabia que o garoto não tinha condições de pagar um presente daquele e, mesmo assim, ele fez questão de comprá-lo.

— Você é incrível, seu idiota! — Ela diz, chorando abraçada com ele.

— Obrigado. — Anuk diz com um sorriso contido e orgulhoso.

“Um ursinho… Ursinho…”

Lile novamente apenas observa toda a situação, mas, dessa vez, muito mais emocionada do que poderia esperar. Então abraça bem forte seu ursinho.

— ANUK, MAX! — Lile grita, correndo em direção aos adolescentes.

Os dois param de se abraçar e olham na direção da menina que, no mesmo momento, salta em direção a ambos, fazendo com que eles a peguem e, em seguida, ela os abrace.

— Obrigada! Esse foi o melhor aniversário do mundo! — Lile diz, sorrindo de verdade, com o sorriso mais alegre e genuíno que já deu em sua vida.

Os dois não aguentam e desabam em lágrimas, abraçando a menina.

— Não há de quê! — Ambos a abraçam forte. Aquele sentimento era único, um sentimento que podia até mesmo espantar a mais forte das tristezas. Algo que Lile não entendia, mas sabia a palavra que podia ser usada para definir aquilo.

Família.

— Bem! — Anuk diz, limpando as lágrimas e tentando recuperar o astral. — Não é uma festa sem bolo, né?

— Exato! E também precisamos de balões! — Max completa.

— Eu posso ajudar… Sniff, sniff… — Bruno diz enquanto chora rios de lágrimas.

— O grandão tá chorando, isso é demais! — Aki diz, enquanto também chora. — Eu também quero ajudar!

— Vocês não podem, em hipótese alguma, me deixar de fora. — Charlie diz, aproximando-se.

— Beleza, o plano é o seguinte… — Anuk começa a formular um plano para a equipe.

Ele e Charlie vão para a rua fazer as compras dos ingredientes.

Max e Aki ficam encarregados da arrumação.

E Bruno fica encarregado de comprar os balões e enchê-los.

Os adolescentes se separam e partem para seu plano de ação.

Edward sai de sua sala, vendo toda a bagunça que estão fazendo em sua loja, e apenas suspira próximo de Lile.

— É, aparentemente eu vou ter que fechar mais cedo! — Edward diz, conformado.

— Desculpa… — Lile se desculpa.

— Para de bobeira, garota. Por motivos assim, eu fecharia por anos se fosse necessário! Isso é especial, Lile. Não se esqueça nunca desse momento! — Edward diz, fazendo um pequeno carinho na cabeça da garota.

— Especial… — Lile diz, refletindo mais uma vez sobre a situação.

— Ah, é. Toma. — Edward diz, dando mais uma nota de cem para a garota. — E lembre-se: shhh.

— Shhhh. — Lile olha para ele, fazendo o mesmo gesto de silêncio.

— Essa é minha garota! — Edward diz, feliz e orgulhoso.

Os preparativos correm bem e a cafeteria fecha mais cedo. Anuk fica na cozinha fazendo o bolo, enquanto os outros arrumam o salão principal com balões, letras e tudo que tem direito.

Ao final:

— FELIZ ANIVERSÁRIO, LILE! — Os adolescentes gritam após toda a arrumação estar pronta.

Lile fica deslumbrada com tudo aquilo que fizeram em poucos minutos somente para ela, com muito esforço e trabalho em equipe. E, logo em seguida, achando que não poderia ficar melhor, Anuk sai da cozinha com um bolo de morango pronto, cantando a clássica canção de aniversário.

— Parabéns pra Lile, nessa data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida!

Todos acompanham Anuk na cantoria e com palmas, enquanto Edward observa de longe, com um sorriso orgulhoso de todos ali presentes.

Lile vê o bolo à sua frente e o encara em silêncio, até que, de repente, seu corpo e sua alma não aguentam mais segurar. Ela resistiu pela viagem e pelo dia inteiro, mas aquilo foi demais.

— V-vocês… obrigado! — Lile diz, chorando de felicidade.

— Faz um pedido, Lile — Charlie diz, apontando para Lile apagar as velas.

Lile se prepara para soprar as velas, extremamente feliz com todo aquele aniversário improvisado.

— Eu quero… — Lile sussurra baixinho.

Porém, quando pensa no que queria, olha ao redor e vê todos ali presentes. Ela não consegue pensar em nada melhor do que aquilo que já tinha ganhado. Aquele era o melhor presente de sua vida.

Então ela se prepara para soprar as velas novamente.

— Eu queria… — Mais uma vez ela sussurra.

Dessa vez, porém, algo estranho acontece.

Seu semblante aos poucos muda. Seu sorriso desaparece lentamente e ela fica completamente séria, olhando para as velas e pensando em seu pedido.

Ou melhor… em sua vida.

Então:

— Fuuu.

Com um sopro rápido e veloz, ela apaga as velas e todos comemoram.

— Então, o que você pediu? — Anuk pergunta a Lile.

— Ah… eu ouvi dizer que não funciona se eu contar, né? — Lile diz, brincando com Anuk.

E todos começam a gargalhar juntos. No fim, a festa continua normalmente e todos, incluindo Lile, se divertem demais.

No dia seguinte.

— Lile, você tem tanta sorte de não aprender a fórmula de aceleração! — Anuk diz enquanto está deitado sobre a mesa, sofrendo com a cabeça pegando fogo.

— Ah, vai, nem deve ser tão difícil assim! — Lile responde, sorrindo.

— O quê? É IMPOSSÍVEL! Meu Deus, é pior que um bandido! — Anuk diz, sofrendo.

Lile apenas ri da piada do garoto.

De repente, a porta se abre.

— Bem-vindos! — Lile responde com um sorriso.

— Então é aqui que você se esconde para planejar seus crimes, Rose?

— Kaguya? O que você tá fazendo aqui? — Anuk pergunta, surpreso com a presença da amiga.

— Ah, eu segui você, andei observando cada movimento. Como eu disse, estou de olho em você! — Kaguya diz, em um tom sarcástico.

— Conta outra!

— Sério, não colou? A Max contou onde era. — Kaguya explica, sentando-se ao lado do garoto.

— Agora faz sentido… Ei, você é superinteligente, né? — Anuk diz como se tivesse acabado de ter uma ideia.

— Digamos que observadora e investigativa, mas sim, sou bem inteligente. Por quê?

— Lile tava precisando de ajuda nos estudos e, como a Max não tá sempre disponível, pensei que tu poderia dar um reforço! — Anuk diz, apontando para Lile.

— Claro, tudo por um amigo. Mas primeiro, um café! — Kaguya diz, com um sorriso no rosto.

— Deixa comigo! — Anuk diz, levantando-se da mesa e indo buscar o café com empolgação.

Lile apenas observa aquela conversa acontecendo bem à sua frente em silêncio.

— Então você é a Lile? — Kaguya questiona a menina.

— Sim.

— Eles gostam muito de você mesmo. Não pararam de falar o dia inteiro sobre a sua festa de aniversário e como você sorriu! Você deve ser especial para eles de verdade! — Kaguya conclui.

— Eu… imagino… — Lile diz, meio evasiva.

— Tá tudo bem, menina? — Kaguya pergunta, encarando a garota com um olhar desconfiado.

— Tá… por quê?

— Não sei. Você tá com cara de quem tá planejando alguma coisa, ao mesmo tempo que esconde algo. Seus olhos denunciam isso… — Kaguya diz, analisando a garota. — Tem certeza de que está tudo bem?

— Tenho…

— Sei… — Kaguya diz, desconfiada. — Bem, prazer. Eu sou a Kaguya. Vai ser um prazer te ajudar!

— Obrigada, senhorita Kaguya! — Lile agradece, com um sorriso.

Mais um dia se passou.

— Ei, Lile, o que tá fazendo? — Kaguya questiona a menina ao vê-la escrevendo em um papel.

— Ah… é… é uma surpresa pro Anuk e pra Max! — Lile diz, pegando o papel o mais rápido que consegue.

— Sério? Posso ver? — Kaguya se aproxima da menina.

— NÃO! — Lile grita desesperadamente. — Quer dizer… não, desculpa. É que é… bem importante!

— Tá bom, garota, você tá muito suspeita. Abre logo o jogo! — Kaguya diz com um olhar sério.

— É que… Anuk e Max fizeram tanto por mim e eu quero agradecer à altura. Quero que eles sejam muito felizes, por isso quero fazer algo especial. Por isso pareço tá escondendo algo, porque eu tô com medo deles descobrirem e não me deixarem fazer, porque eles são ruins em aceitar presente. — Lile diz, com um olhar cabisbaixo.

— Ei, garota, eles não vão recusar um presente vindo de você, principalmente se for do coração. Tenho certeza disso. Seja lá o que você fizer, eles vão entender e adorar! — Kaguya diz, com um sorriso no rosto.

— Assim espero… — Lile diz, meio deprimida, olhando para a carta.

Todos os dias desde que recebeu o ursinho, Lile dormia abraçada com ele. Aquilo fazia ela se sentir segura e protegida dos perigos. Mesmo que não se importasse com a própria vida, ela gostava da sensação de segurança que o ursinho passava e, às vezes, até chorava abraçada com ele.

Na noite do dia seguinte.

Anuk estava andando na rua durante a noite, indo em direção à cafeteria.

— Cara, parece que vai chover. Espero que não caia um temporal antes que eu chegue lá! Infelizmente tive que devolver a moto do pai da Emma. Não podia ficar com ela pra sempre e continuar esquecendo ela por aí. E ainda tem a Max, que correu mais cedo pra casa pra ver a Lile. Elas realmente ficaram muito próximas nos últimos dias… Fico contente que tudo esteja dando certo! — Anuk diz com um sorriso no rosto.

O garoto enfim chega à frente da cafeteria e ouve um trovão vindo ao fundo.

— Eita, tá vindo um tempo bem ruim mesmo, né? — Anuk diz, olhando para o céu e, logo em seguida, abrindo a porta.

Porém, no momento em que ele abre a porta, ela se abre rapidamente sem que ele precise fazer nada.

— M-mas o quê? — Anuk diz, confuso.

Mais um trovão é ouvido no céu.

— ANUK! — Max grita enquanto corre na direção do garoto, jogando-se em seus braços em lágrimas.

— M-Max? Tá tudo bem? — Anuk pergunta, confuso.

— É A LILE, ANUK! A LILE! — Max continua dizendo de maneira desesperada, sem conseguir controlar as lágrimas.

— Lile? O que houve com a Lile? — O coração de Anuk começa a disparar.

— ELA FUGIU, ANUK! — Max diz em meio a lágrimas e soluços.

Anuk congela.

O mundo parece ter parado. Anuk não ouve mais nada. Não consegue pensar em mais nada. Ele não consegue acreditar na informação que acabou de ouvir.

Não queria acreditar.

Não podia ser real… podia?

“Não, não, não… tava tudo bem. Ela não faria isso, né? Não é, Lile? É uma brincadeira de mau gosto da Max, né?” — Anuk pensa, recusando-se a acreditar na realidade, enquanto todas as lembranças dos últimos dias passam por sua cabeça. E não apenas dos últimos dias, mas de tudo desde que ele salvou aquela pequena garota indefesa das mãos do dragão.

— Max… — Anuk diz sem vida, ainda paralisado. — Me diz que é mentira, por favor…

— NÃO É! ELA DEIXOU UM BILHETE!

Anuk se vira lentamente para o bilhete na mão da amiga. Suas mãos começam a tremer, e ele precisa fazer força para conseguir mover os braços e pegar o papel.

Anuk nunca sentiu tanto medo assim na vida.

Nem mesmo quando estava perto da morte.

Ele lentamente abre o bilhete, pedindo para que seja mentira. Pedindo para que não seja real. Pedindo para que o conteúdo daquilo ali seja tudo, menos uma comprovação de que Lile fugiu.

Ele só pedia a Deus uma coisa:

Que tudo aquilo fosse uma mentira.

Então, finalmente, ele abre o bilhete.

Caros Anuk e Max, é meio difícil pra mim escrever isso, pois eu não sei escrever muito bem, mas vocês estão me ajudando bem. O Anuk faz o que pode, né? Obrigado por todos esses momentos incríveis, eu de verdade amei cada momento que passei com vocês, eu nunca me senti tão feliz e viva na minha vida e tudo graças a vocês e eu sou eternamente grata por isso. Mas chegou a hora de nós nos separarmos, vai ser melhor assim, vai ser melhor para todos! Eu prometo! Não se preocupem comigo, pois eu estou bem! Eu sei pra onde eu vou, então não precisam esquentar a cabeça, pois eu estou segura! Agradeçam a Charlie por me explicar várias coisas que eu não entendia, ao Bruno por me ajudar encher os balões, ao Aki por me contar algumas histórias para me distrair, a Kaguya por me ajudar com as lições mais difíceis, ao velhote por cuidar de mim e deixar na ficar na cafeteria!

Obrigada mesmo, esses foram os melhores dias da minha vida e eu nunca vou esquecer eles jamais. Max, você é uma mulher incrível e sei que vai evoluir muito ainda, mesmo que sua personalidade seja meio explosiva e maluca. Você é muito divertida. Continua cuidando do Anuk pra mim, por favor, e vê se controla ele, porque ele é realmente um idiota que não sabe viver sem você!

E Anuk, quando você estiver lendo isso, você foi a melhor coisa que aconteceu comigo. Você é o homem mais incrível desse mundo e tenho certeza que você vai conseguir salvar muitas pessoas por aí, porque você é um verdadeiro herói. Você é meu herói! Então, por favor, cuida bem da Max. Ela te ama de verdade e não saberia viver sem você e continuem sendo essa dupla perfeita, lindos, divertidos, empolgados, que conseguiram tocar o coração dessa meninha de 11 anos que teve o melhor aniversário do mundo, mas agora precisa de dizer adeus às duas pessoas que ela mais ama no mundo e que ela nunca imaginou que sequer sentiria algo assim por essas pessoas. Vocês mudaram minha vida, obrigada. Agora eu vou retribuir o favor! Por favor, espero que entendam.

Anuk e Max, obrigada, eu amo vocês. Ah, e antes que eu me esqueça, Anuk, obrigada por ser o meu irmãozão. Eu vou sempre carregar vocês comigo. Da sua irmanzinha favorita — Lile.

Por favor, Anuk, eu te imploro, não venha atrás de mim. É melhor assim e você sabe. Adeus pra sempre.

— O-o que a gente faz, Anuk? — Max diz, quase não tendo mais lágrimas para chorar. — As únicas coisas que ela levou foram o vestido branco e o ursinho. Anuk, eu tô com medo… e se ela estiver em perigo?

Edward chega correndo por trás, com um celular nas mãos.

— Liguei para todos os meus contatos e ninguém parece ter visto ela. Além disso, já acionei a polícia.

— ANUK, FALA ALGUMA COISA! — Max diz, balançando o garoto.

Anuk aperta a carta com toda a força que consegue e a guarda em seu bolso, com seu olhar sério, deixando escapar uma lágrima.

— Eu vou achar ela, Max. Eu prometo. Não precisa chorar mais! Eu vou trazer a minha irmã de volta pra casa e de volta pra gente! — Anuk diz, abraçando Max, e depois começa a caminhar em meio à tempestade que começou a cair.

— Boa sorte, moleque! — Edward diz, encarando Anuk com seriedade e balançando a cabeça, como se aprovasse as atitudes do menino.

— Traz ela de volta, Anuk… — Max diz, voltando a chorar.

— Eu prometo.

Anuk então parte em meio à chuva, correndo mais rápido do que nunca e mais focado do que jamais esteve em toda sua vida.

“Mas nem a pau que eu vou deixar você ir embora assim, Lile. Se você quer dizer que nos ama, então diga na cara, sua fedelha! Me espera um pouquinho, porque eu vou te achar e te resgatar. Seu irmão tá indo.”

O garoto corre em meio à chuva e aos trovões como se nada nesse mundo pudesse impedi-lo.

Mas apenas uma questão pairava na mente de Anuk:

Será que ele conseguiria mesmo encontrá-la a tempo?

Fim da leitura

Capítulo 15 concluído

Volume 1 – Capítulo 15 – Capítulo 15: Família 1