Fragmentos do Multiverso — Capítulo 14: Volume 1 – Capítulo 14 – Capítulo 14: Princesa Dourada

Fragmentos do Multiverso
Cap. 14
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Fragmentos do Multiverso

Volume 1 – Capítulo 14 – Capítulo 14: Princesa Dourada

Capítulo 14

4.282 palavras~19 min de leitura

— Entãoooo, aproveitando que os meninos foram ao banheiro, o que rola entre você e o Anuk? — Kaguya pergunta a Max com um olhar provocante e incriminador, comendo uma batata junto da pergunta.

— E-eu e o Anuk? P-para de palhaçada e de querer achar respostas pra tudo! — Max responde, virando o rosto para evitar contato visual.

— Mas esse é meu trabalho: descobrir tudo sobre as pessoas. Já pensou que seu namorado pode ser um criminoso?

— De novo com isso, Kaguya? Ele não é um criminoso! — Max afirma, irritada.

— Pode até não ser, mas você acabou de confirmar que ele é seu namorado! — Kaguya diz, comendo outra batata e exibindo um sorriso debochado.

Max trava e cai imediatamente da cadeira, enquanto as outras meninas da mesa começam a rir da cara da amiga.

— Mas abre o jogo com a gente, amiga. Você gosta dele ou não? — Nirak pergunta, mantendo os olhos fixos na garota e falando com sua voz sempre calma, como se estivesse instigando as pessoas a dizerem exatamente o que ela queria saber.

— C-claro que não! — Max responde, voltando para a cadeira, mas com o rosto completamente em chamas e o coração quase pulando para fora do peito.

"Por que isso me incomoda?"

Charlie, que apenas estava se divertindo com a conversa, sente um pequeno aperto no coração, um incômodo que só aparece quando falam sobre relacionamentos ou, melhor dizendo, sobre Anuk.

— Beleza, então e você, Charlie? — Kaguya pergunta, virando o rosto para ela.

— Q-que? E-eu? Claro que não! — Charlie diz, sentindo o coração acelerar. — Vocês sabem que eu não quero namorar até o fim do colegial!

"Por que meu coração disparou?" — Charlie se pergunta, olhando de leve para o próprio peito.

— Claro, a senhorita perfeitinha que não quer nenhum obstáculo atrapalhando sua vida acadêmica! — Kaguya diz em um tom debochado. — A não ser que ele seja um príncipe encantado, o que é impossível.

— Logo, eu não vou namorar! — Max e Nirak completam junto de Kaguya, como se aquela fosse uma frase comum vinda de Charlie.

As meninas começam a rir juntas, incluindo a própria Charlie. Aquilo já era um tópico de discussão recorrente entre elas.

— Mas é sério, meninas. Tem muita coisa com que eu preciso me preocupar: estudos, estágios, reputação... Não dá pra simplesmente me distrair. — Charlie explica.

— Você deveria se cobrar menos, amiga. Vivo dizendo isso pra você! — Max comenta, enquanto consegue voltar a comer as batatas.

— E olha, um herói não é quase um príncipe? — Nirak pergunta, olhando diretamente para Charlie, com um sorriso sarcástico, como se soubesse exatamente o que a amiga estava pensando.

— Q-que? Não, não, não! Eu jamais gostaria do Anuk só porque ele é considerado um herói pela AGF! — Charlie tenta se explicar o mais rápido que consegue, sentindo o coração bater cada vez mais rápido.

— Ah, não só por isso? — Kaguya pergunta, com um sorriso debochado e um olhar que deixava clara sua intenção. — Então você gostaria dele por quê?

Charlie para por alguns segundos para pensar na pergunta da amiga. Novamente, sente o coração acelerar; às vezes, era como se ele estivesse errando as próprias batidas.

"O que é isso?" — Charlie se questiona.

— Terra chamando Charlie, alô! — Kaguya chama, estalando os dedos na frente da amiga para chamar sua atenção.

— A-ah, oi? — Charlie responde, voltando a atenção para a amiga.

— Tava em outro mundo, princesa? — Kaguya pergunta.

— N-não, só me perdi um pouco nos meus pensamentos... E você sabe que eu não gosto do apelido princesa. — Charlie responde, um pouco incomodada.

— Tem razão, desculpa! — Kaguya se desculpa e volta para o seu lugar.

— Mas e o Aki? — Nirak pergunta a Charlie.

— Hã? O que tem ele? — Charlie pergunta, confusa.

— Vocês se conhecem desde o jardim de infância. Não sentem nada por ele? — Nirak explica.

— Ah, não. Mesmo que a gente se conheça há bastante tempo, nunca conversamos tanto. Ele sempre foi meio evasivo, meio na dele. Eu até queria conversar mais com ele, mas ele sempre se afasta quando eu chego. Eu ficava com medo de incomodar, mesmo me sentindo triste por ele estar sozinho... Mas somos só amigos!

— Eu tenho noventa por cento de certeza de que existe outro motivo pra ele se afastar! — Max comenta.

— Pros outros você é especialista em romance, né, Max? — Kaguya retruca.

— O-o que você quer dizer com isso? — Max responde, ficando sem graça.

As meninas começam a rir juntas novamente.

"O que será que a Max quis dizer?" — Charlie pensa, tentando decifrar a frase da amiga.

O bom clima da conversa das garotas dura por mais um tempo. Porém, passos fortes anunciam uma grande mudança no ambiente, e nenhuma delas gostaria de saber o motivo.

— Olá, Charlotte!

As meninas olham em direção à voz e notam a presença de Hana em frente a elas, acompanhada de suas amigas, que andavam com ela para cima e para baixo.

— Olha só, é a princesinha dourada! Que raro ver você no refeitório! — uma das garotas comenta.

— H-Hana... — Charlie começa a ficar pálida. Suas mãos começam a tremer, e ela vai aos poucos se encolhendo na mesa.

Max, Kaguya e Nirak se levantam, ficando de frente para as garotas e também entre Charlie e elas.

— Não sabia que alguém tinha chamado a rainha estraga-prazeres aqui. — Max diz em um tom debochado.

— O que foi? O esquadrão que não sabe pensar sozinho e sua líder, a rainha do mundo, estão fazendo o quê em meio aos plebeus? — Kaguya responde, com um olhar mais fatal que uma pistola carregada.

— Dá o fora, Hana! — Nirak diz com uma voz calma, mas feroz.

— O que foi? Os cavaleiros da princesa já estão de guarda? O turno começa cedo, hein! — outra das amigas de Hana comenta.

— Dina, a próxima palavra que você disser, eu juro que arranco sua língua! E você sabe que eu consigo fazer todo mundo ficar do meu lado, então pense bem! — Nirak diz, lançando um olhar demoníaco.

Dina, a amiga de cabelos alaranjados e olhos da mesma cor, corre para se esconder atrás de Hana, usando a amiga como proteção.

— Aparentemente, a gatinha assustada sabe onde é o seu lugar. — Max diz com um sorriso no rosto.

— Gatinha assustada? Bem, se estamos falando disso, por que não falamos da verdadeira gatinha assustada aqui? — Hana pergunta, encarando a direção onde Charlie estava.

— Escuta aqui, Hana! — Kaguya começa a partir para cima da garota.

— Escuta aqui você, Kaguya! Temos o mesmo título, mas nossas posições sociais e nossos Ranks são diferentes. Você sabe que não pode tocar um dedo em mim, a não ser que queira que eu te elimine! — Hana corta a garota com um olhar ameaçador.

Kaguya hesita e é obrigada a recuar.

— Ela não pode fazer nada, mas eu posso! — Nirak encara a garota com seu olhar mortal.

— Demônio, demônio... Não é você que, nesse momento, está em uma negociação com meu pai? — Hana diz com um sorriso, como se já soubesse que havia vencido.

— C-como você sabe disso? — Nirak pergunta, surpresa.

— Pode ficar despreocupada. Não sei os detalhes da negociação, porém seria ruim para os seus negócios se alguém atrapalhasse, pois esse projeto parece bem importante, não? Então, dessa vez, você não tem poder aqui! — Hana diz, como se sua voz fosse um xeque-mate.

Nirak aparenta se incomodar de verdade com Hana saber daquela informação. O pior para a garota é perceber que Hana está certa e ter que recuar, pelo menos por enquanto.

— Vai ter volta! — Nirak responde sem perder a superioridade no olhar.

— É o que eu espero. — Hana diz, começando a andar em direção a Charlie.

Antes que consiga se aproximar da garota, Max para em sua frente, impedindo a passagem de Hana.

— Mas de mim você não vai passar! — Max afirma.

— Max, sejamos francas. Você, dentre todas aqui, é a que menos tem poder contra mim. Mesmo quase sendo digna de receber o título de especial, você ainda é só uma qualquer! — Hana explica, sem parecer se preocupar muito com Max.

— Pode apostar que eu não ligo. Eu entendo as meninas não poderem te parar, mas eu posso e vou! — Max afirma com total determinação.

— Seria triste ver alguém com tanto potencial desperdiçado por uma atitude estúpida. A pobre Maxmine, que perdeu seus pais em um acidente e se tornou órfã, tendo que ser cuidada pelo seu avô, que batalhou muito para permitir que você entrasse aqui... Seria ruim se você jogasse todo o esforço e as esperanças da sua família no lixo, não? — Hana fala com total convicção e frieza, sem medo de utilizar o passado da garota contra ela.

— Pode até ser, mas eu aprendi com um certo idiota que os amigos valem bem mais do que isso. Não importa o que esteja no meu caminho, eu preciso enfrentar de braços abertos, sem nunca desistir. Então, não importa o quanto a situação pareça difícil, eu só preciso dar um jeito de me levantar de novo. — Max responde com um sorriso confiante, algo que faz Charlie se lembrar de alguém.

Depois daquele pequeno discurso, Charlie se lembrou do passado delas, quando Max morava com ela. A garota dizia que havia sido salva pelo sorriso de um pequeno garoto que ela não fazia ideia de quem era e que, tempos depois, esse mesmo garoto havia devolvido a ela a vontade de viver. Ela sempre falava dele como se fosse incrível e pudesse enfrentar o mundo inteiro apenas com coragem.

"Você tinha que ver, amiga. Não importava quantas vezes ele caía, ele sempre se levantava. Parecia até que era invencível. Eu quero ser igual a ele, quero dar esperança igual ele me deu e, quem sabe, um dia poder agradecer a ele pessoalmente!"

Desde então, Max se tornou alguém muito mais alegre e forte. A garota que antes vivia deprimida se tornou quase um exemplo que Charlie gostaria de seguir. Max dizia que aquele garoto e a própria Charlie eram a luz da vida dela, mas, para Charlie, aquilo estava errado.

Quem era a luz da vida dela? Quem sempre a protegeu de todos os perigos?

Max.

— Max, p-por favor, sai! — Charlie diz com a voz trêmula e hesitante.

— O quê? Ficou maluca? — Max pergunta, olhando para Charlie, incrédula.

— Eu não posso permitir que você me proteja mais uma vez e que perca tudo por minha causa. Eu não suportaria viver com isso. Então, por favor, não jogue seu futuro fora por mim. Deixa que... eu aguento, amiga! — Charlie diz, quase começando a chorar.

— Não! De jeito nenhum! — Max reage com raiva.

— POR FAVOR, MAX! — Charlie grita, encarando a amiga com os olhos cheios de lágrimas.

Doía muito ter que lidar com Hana, mas doía ainda mais ver sua melhor amiga perder tudo. O coração puro e justo de Charlie não poderia aceitar aquilo de forma alguma.

Max hesita instantaneamente. Ela queria confrontar a amiga, mas, ao ver seus olhos determinados, sabia que não podia. Engole seu orgulho e sua raiva por Charlie e começa a se afastar de Hana com a cabeça abaixada.

"Não sei o que você tá pensando, mas você sempre foi a mais corajosa entre nós. Você não consegue ver alguém sofrendo que já parte pra ajudar sem ao menos pensar. É sempre você que lida com as situações mais difíceis e é sempre você que tá nos protegendo. Você é a heroína aqui, Charlie... Eu queria poder te ajudar, pelo menos dessa vez... mas aparentemente vou ser salva por você de novo!"

— Quem diria que a princesa mostraria as suas garras como um leão? — Hana diz, zombando de Charlie, agora de frente para a garota.

— Acaba logo com isso, Hana... — Charlie diz, abaixando a cabeça e sem conseguir conter as lágrimas.

— Que bom que aceitou seu destino. Então quero que se lembre de quem é a sua rainha aqui, de quem manda! Você acha que pode desafiar minha coroa? Lembre-se, Charlotte, você é só uma princesinha inferior que nunca chegará a lugar nenhum, que nunca irá me vencer. Pois, nessa selva, a verdadeira rainha sou eu! — Hana diz com toda a raiva e fúria acumuladas, perdendo pela primeira vez sua postura.

Charlie não responde e apenas ouve em silêncio.

— Você acha que pode ser representante? Está enganada. Você sempre foi e sempre será uma menina chorona. Essa é quem você é de verdade. Então se ponha em seu lugar e nunca mais entre no meu caminho, pois eu não vou ter piedade de uma caça... E uma caça tão fraca quanto você me dá nojo. E, só pra você não esquecer isso nunca mais... — Hana diz, enquanto ergue a mão para bater na garota.

Charlie não podia fazer nada. Hana tinha mais poder, mais influência, mais Rank. Não havia esperança nem saída para a pobre garota. Ela só podia chorar e aceitar apanhar de novo e de novo. Não importava o quanto quisesse voar, o céu estava proibido para ela.

Quando Hana desferiu o ataque em Charlie, a garota apenas fechou os olhos e aceitou seu destino.

"Tudo bem, Charlie. É pela Max. Você tá acostumada, logo acaba... Você até que voou alto dessa vez, mas sabe que sonhos não se tornam realidade..."

Um silêncio tomou conta do ambiente.

Charlie esperou a dor.

Mas ela não veio.

"O-o quê?"

Charlie estava com medo de abrir os olhos, com medo do que poderia encontrar. Então ouviu Hana dizer:

— Ora, ora...

"Espera... por que a Hana parou?"

Aos poucos, hesitante e ainda com medo de abrir os olhos, Charlie foi abrindo-os. A luz invadia sua visão, mas não era qualquer tipo de luz. Parecia uma chama incendiando todo o lugar, uma chama de esperança.

"Isso é..."

— Você não vai tocar um dedo nela!

Charlie enxergou Anuk segurando o braço de Hana.

— Um verdadeiro ato heroico, devo dizer, Anuk Rose. Você realmente faz jus ao seu título. — Hana diz, deixando escapar tons de admiração em sua voz.

"Eu ouvi os batimentos da Charlie, como se ela estivesse prestes a explodir, e sua respiração parecia indicar que ela estava com medo... Que bom que eu acelerei para chegar aqui!" — Anuk refletia, analisando a situação.

"P-por que você me salvou?" — Charlie questionava, com seus sentimentos embaralhados. Ela não sabia o que pensar, não sabia o que sentir.

— Eu não sei quem é você, Hana, honestamente, mas você não vai tocar em quem é importante pra mim. Eu juro que, se você continuar fazendo a Charlie chorar, eu vou fazer você pagar! — Anuk diz, olhando ferozmente para Hana.

Kaguya, Max e Nirak dão um sorriso genuíno de felicidade.

"Aí está ele, meu idiota. Só mesmo o Anuk pra ignorar qualquer coisa: aviso, perigo, tudo para agir por alguém importante pra ele!" — Max pensa, orgulhosa e feliz por ver seu amigo.

— Amiga, você vai deixar esse plebeu falar assim contigo? — Dina pergunta em um tom enfurecido.

— Cala a boca, Dina! — Hana responde, furiosa, fazendo Dina se calar imediatamente.

— C-Charlie, você tá bem? — Aki grita de longe, chegando junto de Bruno.

— A-Aki? Bruno? Eu... tô. — Charlie responde, ainda confusa.

— Anuk disparou na frente sem nos falar nada e ficamos preocupados. Alcançar esse cara na corrida quando ele tá focado parece algo impossível! — Bruno explica.

"Que bom que ela tá bem. Eu até esqueci que era a Charlie por estar preocupado com ela. Acho que meu medo de ver ela se machucando é maior que meu medo de falar com ela." — Aki pensa, aliviado.

Bruno vira com um olhar sério para Hana, completamente irritado e pronto para se juntar à briga.

— Não precisa, Bruno. Eu resolvo, tá? — Anuk diz, sem olhar para o garoto, ainda completamente furioso com a situação.

— Tudo bem, sei que você é capaz, mas, se precisar, dá um berro! — Bruno diz, ficando apenas ao lado de Charlie para proteger a menina.

— Então, Hana, como vai ser? — Anuk questiona, encarando a mulher no fundo dos olhos.

— Hora certa, momento certo... Impressionante, Rose. Você não cansa de me surpreender. Seu coração bondoso e suas ações me fazem ter que reafirmar o quão heroico você é!

— Sem papinho furado. Eu não vou cair nessa falsa bajulação!

— Não é falsa! — Hana diz, soltando o braço do garoto. — São reais. Eu realmente estou admirada com você. É uma pena você estar protegendo essa princesa, e você também me tocou sem permissão. Eu poderia acabar com você agora, mas... por você ter me impressionado, vou deixar essa passar! — Hana diz, convencida, e começa a se afastar.

Anuk continua encarando a garota, sem abaixar a guarda diante de qualquer atitude suspeita da menina.

— Enquanto o herói tiver meu interesse e todas vocês estiverem com ele e a Nirak, vocês estarão protegidas. Isso também vale para os rapazes, então agradeçam por, agora, heróis realmente existirem! — Hana diz, saindo de perto do grupo ainda com um olhar superior. — Vamos, Dina. E até outra hora... herói.

As garotas deixam o refeitório, tornando o clima um pouco mais leve para o grupo. Assim que elas somem da visão de todos, Max pula e abraça Anuk.

— AÍ, AÍ! O que foi? Espera... você não vai me estrangular? — Anuk pergunta, surpreso.

— Não, seu idiota! Às vezes eu amo quando você é exatamente você! — Max diz, abraçando o garoto com um enorme sorriso de ponta a ponta e as bochechas meio rosadas.

— Meu mano Anuk sempre se provando um herói! É por isso que somos parceiros! HAHAHA! — Bruno diz, rindo enquanto abraça Anuk.

— Vou te dar créditos dessa vez, mas não vai se achando! — Kaguya diz, com um sorriso orgulhoso.

"Valeu, Anuk. É muito bom ter você por aqui!" — Aki pensa, feliz.

— Te devo essa! — Nirak diz, aproximando-se do garoto e colocando a mão em seu ombro. — Se você não aparecesse, a situação poderia ser muito pior. E, dessa vez, eu estava de mãos atadas. Então, muito obrigada.

— Que isso, pessoal, tá tudo bem! — Anuk explica, ainda sendo esmagado por Max e Bruno. — Mas por que vocês têm tanto medo da Hana?

— Com uma simples ligação, ela pode acabar com a vida de todo mundo aqui, fazer a gente perder oportunidades de emprego ou até mesmo tirar o emprego dos nossos pais, entre outras coisas. — Kaguya explica.

— Sério? Ela é tão poderosa assim? — Anuk questiona.

— Sim. Por ser aluna especial, Rank S e filha do prefeito, a autoridade dela é quase incontestável. O que ela quiser fazer com você, ela pode, e ninguém vai poder fazer nada para impedir... Bem, até hoje, pelo menos! — Nirak completa.

— Bem, ainda não entendo como isso funciona, mas fico feliz por ajudar! — Anuk responde com um sorriso.

Charlie, até aquele momento, continuou paralisada, apenas encarando Anuk de costas. Quanto mais olhava para ele, mais sentia que poderia enfrentar o mundo e que o impossível realmente era possível para ele.

"E-ele parou a Hana? Eu nunca vi ninguém conseguir isso... E ele parecia tão forte e tão corajoso... Como ele consegue ser assim? O medo não afeta ele? Ele parece brilhar tanto quando estava me protegendo e... ele tava tão bonito..." — Charlie pensa, sentindo o coração acelerar novamente.

— Charlie, você tá bem? — Anuk se vira para a amiga, perguntando.

Charlie ouve o chamado e se levanta devagar, ainda de cabeça abaixada, posicionando-se de frente para Anuk. Max e Bruno percebem isso e se afastam um pouco do garoto.

Por alguns momentos, o mundo parecia ter ficado completamente em silêncio. Aos poucos, parecia que tudo ao redor estava desacelerando. Charlie então reflete sobre tudo que ela e Anuk passaram: os pequenos momentos divertidos, as vezes que ele a fez rir, a comida que ele cozinhou para ela e para os outros.

"Ele sempre é incrível."

Mesmo que ninguém tivesse visto, ela estava lá quando Anuk protegeu Max e Aki de Denis. Ela se lembra da preocupação que sentiu ao ver Anuk na TV, mas também da felicidade que sentiu ao vê-lo proteger aquelas pessoas. O jeito que ele trata Aki, o jeito que atrai as pessoas ao seu redor... Tudo passa como um flashback rápido.

Mesmo que Charlie não entendesse o que estava sentindo, sabia que precisava fazer alguma coisa.

A menina então dá um passo.

E, logo em seguida, corre até o garoto e o abraça.

— C-Charlie? — Anuk pergunta, sem jeito.

A garota apenas afunda o rosto no corpo de Anuk e começa a chorar.

— OBRIGADA! OBRIGADA! VOCÊ NÃO SABE O QUANTO EU TAVA COM MEDO! ACHEI QUE NÃO TINHA MAIS SAÍDA! ACHEI QUE ELA IA ME MACHUCAR MUITO! EU TAVA MORRENDO DE MEDO! OBRIGADA, ANUK! — ela grita, enquanto mantém o rosto escondido no corpo do amigo.

Todos ao redor começam a sorrir, felizes ao ver Charlie desabafando com Anuk, enquanto o garoto abraça a amiga de volta.

— Tá tudo bem... Vai ficar tudo bem... — Anuk diz em um tom baixo e cuidadoso, confortando a garota.

— Sério, gente, vocês vão me fazer perder minha postura de má, me fazendo chorar aqui! — Nirak diz, limpando as lágrimas.

Todos começam a rir enquanto também deixam algumas lágrimas escaparem.

Charlie então se afasta de Anuk, com o rosto totalmente sujo de lágrimas, mas contente.

— De verdade, obrigada. Eu sou uma idiota que acredita em sonhos e contos de fadas e não sei quando o mundo real vai me trazer de volta à dura e fria realidade. — Charlie explica.

— Mas, Charlie, qual é o problema em acreditar em sonhos? — Anuk pergunta, confuso.

Charlie fica sem reação ao ouvir a pergunta do amigo.

— Sonhos são bons, pois eles nos dão esperança e força de vontade pra continuar seguindo em frente. Sonhos podem se tornar realidade se nunca desistirmos, e eu acredito nisso porque alguém, há muito tempo, me ensinou isso. Então não tem nenhum problema em acreditar em sonhos, pois isso vai te deixar mais forte, não o contrário! — Anuk responde com inocência e genuinidade.

Charlie encara Max sem acreditar no que acabou de ouvir.

— Eu disse que conhecia alguém que pensa igual a você, sua sonhadora boba! — Max diz, rindo em meio às lágrimas.

Charlie então começa a gargalhar, com vontade de começar a chorar novamente.

— Você é demais! — Charlie diz, abraçando Anuk novamente.

— O-obrigado, eu acho? — Anuk responde, confuso.

— Vem cá, seus idiotas! — Max diz, indo para cima dos dois amigos e abraçando ambos.

— Ah, eu também quero! — Bruno diz, indo abraçar os três.

— Não vou ficar de fora. — Nirak caminha até eles e também abraça o grupo.

— Eu normalmente sou contra... mas... — Kaguya se aproxima, abraçando o restante do grupo.

— E-eu... não deveria, né? — Aki pergunta, mas, antes que possa pensar em algo, Kaguya o puxa para próximo do grupo com força e rapidez, e o garoto aceita o convite, abraçando o restante do grupo.

Após o momento fofo, eles se separam rindo juntos, como se já se conhecessem há tempos e fossem muito íntimos. Não importava se eles se conheciam havia apenas algumas horas; um sentimento de família surgiu entre eles com extrema facilidade. Às vezes, dizem que o destino pode unir as pessoas e que os laços mais fortes surgem do nada.

— Mas olha pelo lado bom, pelo menos a Hana tava elogiando a Charlie, chamando ela de princesa. — Anuk solta o comentário que faz com que as meninas entrem em pânico.

— ANUK, NÃO! — Max, Nirak e Kaguya gritam.

— Como assim? — Charlie pergunta, confusa.

— Ah, ué? Porque você parece uma princesa. Uma princesa dourada! Sabe, porque você é linda e tem cabelos amarelos, chamativos como ouro, e chama atenção como se fosse realmente uma princesa. — Anuk explica com extrema inocência. — E por que vocês entraram em pânico?

As garotas param, incrédulas, olhando para a cara de Anuk, que não estava entendendo nada. Até que, de repente, um estalo surge na mente do garoto.

"Espera... Agora que eu percebi o que eu disse. Eu falei por impulso, merda, merda! Será que ela percebeu? Será que eu exagerei no elogio?" — Anuk pensa, ficando corado.

Mas não era por isso que as garotas estavam incrédulas.

Olhando para Charlie, ele percebe que ela também havia congelado e que seu rosto estava vermelho. Então ela começa a rir.

— Amiga... tá tudo bem? — Max pergunta para Charlie.

— Eu nunca pensei por esse lado. — Charlie diz, ajeitando o cabelo atrás da orelha. — Eu gostei. Princesa dourada é fofo!

"Acho que o apelido princesa passou a se tornar um dos meus favoritos." — Charlie pensa, com um grande sorriso no rosto.

Anuk ri sem graça e com vergonha, enquanto Max briga com o garoto e os outros amigos ficam rindo da situação.

Finalmente, o período da escola havia acabado e os adolescentes foram para a saída se despedir. Cada um foi para o seu respectivo dormitório, enquanto só restaram Charlie, Max e Anuk.

— Eu e a Max precisamos voltar pra cafeteria! — Anuk explica.

— Precisamos confirmar se o velho não tá abusando dos serviços da pobre Lile! — Max completa.

— Tudo bem. Vejo vocês depois? — Charlie pergunta com um enorme sorriso.

— Claro! — os dois adolescentes respondem em conjunto, acenando com as mãos em despedida e subindo na moto de Anuk.

— Você tem certeza que sabe pilotar isso? — Max questiona, desconfiada.

— É clarooo! Confia em mim! — Anuk responde, colocando o capacete.

Porém, ele esquece o pé no acelerador, e a moto dispara em uma velocidade surreal.

— ANUK! — Dá para ouvir o grito de Max à distância.

Charlie apenas ri da situação e fica encarando a saída em silêncio, sentindo o vento passar por seus cabelos.

"Sonhos nos tornam mais fortes, hein? Nunca pensei que fosse encontrar alguém que pensasse como eu. Mas é bem mais do que isso. Nunca pensei que fosse me apaixonar. Eu acreditava que príncipes não existiam, que contos de fadas eram bobagem, e sempre me enganava falando que nunca iria amar alguém, pois amor verdadeiro não existe... Eu não poderia estar mais errada. Mesmo ele não sendo um príncipe... Eu te amo, Anuk Rose."

A garota então começa a ir embora, com um enorme sentimento de felicidade e satisfação preenchendo seu coração.

Fim da leitura

Capítulo 14 concluído

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