Hadria, O Renegado — Capítulo 2: CAPÍTULO 2 - 2 Teste

Hadria, O Renegado
Cap. 2
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Hadria, O Renegado

CAPÍTULO 2 - 2 Teste

Capítulo 2

663 palavras~3 min de leitura

Capítulo 2: Teste

Hadria, O Renegado

Diferente dos outros, que estão sentados, permaneço de pé. Com as mãos nos bolsos do moletom, observo a reação de todos.

Eliene faz uma expressão de surpresa, mas logo sua face se suaviza.

A outra garota, Coraline, aparenta estar mais assustada. Noto suas mãos trêmulas, porém ela junta-as e entrelaça os dedos.

Os outros dois garotos estão cochichando entre si.

Percebo um deles — o de cabelo cacheado — olhando de canto de olho para mim. Entretanto, ao encontrar meu olhar, disfarça e volta a falar com o outro.

Provável que todos estejam com medo, no entanto fingem não estar: pois acham que demonstrá-lo significa ser fraco.

Claro, isso não passa de orgulho.

É normal sentir medo — é humano —, mas a soberba sempre fala mais alto. Fingem que tudo está bem quando nada está.

— Haa… então… c-como assim um de nós vai morrer hoje? — indaga o garoto de cabelo cacheado.

Dona não demora para responder:

— Bem, após o teste pontual da Ceifa que fizeram, os quatro mais promissores de cada estado são escolhidos para ir à Escola de Elite da Ceifa. Assim totalizando 104 pessoas. — Ela suspira antes de continuar: — Porém este ano tivemos uma… particularidade.

Seu olhar vai até mim e os outros quatro o seguem. Não me intimido e permaneço com a postura ereta.

Uma pequena curvatura surge em seu lábio quando a encaro, entretanto rapidamente volta ao normal e, após os outros quatro tirarem os olhos de mim, prossegue:

— No estado de São Paulo, contrariando todos os pontos passados, foram escolhidas cinco pessoas, mas não podemos enviar mais que quatro. Então faremos um segundo teste. — Ela espera até processarem as informações. — Achei que devia notificá-los pessoalmente, alguma pergunta?

O garoto de cabelo cacheado levanta a mão.

— Sim, Maven, diga.

Ele limpa a garganta antes de perguntar:

— Onde vai ser esse teste? — Tenta disfarçar a voz trêmula, entretanto falha miseravelmente.

— Irei enviar uma mensagem a todos mais tarde… Alguma outra pergunta?

— Eu! — Dessa vez quem fala é a garota loira ao lado de Eliene, Coraline. — Meus pais nunca irão concordar com essa blasfêmia! Tenho que fazer um teste imbecil só por causa desse moleque?! — Aponta para mim. — Me recuso! — Finaliza cruzando os braços.

“Moleque?”

Minha mestra, como se já esperasse por isso, responde calmamente:

— Coraline, você já é maior de idade. Todavia, para garantir, falamos com seu pai e ele concordou. “Um testezinho bobo não é nada para minha filhota”, foi o que disse. Se não acredita, pode contatá-los depois… ou será que está com medo?

O rosto da garota cora quase que no mesmo instante.

— C-claro que não! Acha que eu, Coraline Ospol, ficaria com medo de um testezinho imbecil?! Não mesmo!

— Então fazer o “testezinho imbecil” não será um problema, certo?

— Isso aí!

“Essa desgraça não sabe falar baixo?”

— Ótimo, alguém tem mais alguma pergunta? — Ninguém responde. — Bom, se as dúvidas acabaram… — Dona faz um movimento circular usando dois dedos e um portal surge no meio da sala. — Lhes vejo em breve.

Os quatro se levantam e começam a entrar no portal. Permaneço parado, esperando todos irem.

Quando a última pessoa estava prestes a entrar, ela para e se vira para mim. Seus olhos castanha claro se encontram com os meus azuis, mas não desvio o olhar. Ao invés disso mantenho contato enquanto…

“Ah, entendi.”

Aceno com a cabeça. Eliene então me dá as costas e se vai.

O portal desaparece em seguida.

— Qual a desse sorrisinho bobo? — indaga Dona de maneira amigável.

Noto uma expressão atípica em meu rosto. Rapidamente volto para minha cara de “peixe morto” — pelo menos é assim que minha mentora chama.

— Sei lá… Devo tá doente.

— Ahhh, que sono! — exclama enquanto estica os braços e pernas. — Hadi, quem foi o idiota que marcou essa reunião logo de manhã?

— Você — digo.

— Ah, é mesmo. — Começa a coçar sua cabeça enquanto sorri. — Bom, não importa. — Ela então levanta e um portal surge no meio da sala. — Agora vamos.

— Aonde?

— Despertar sua volunge.

Fim da leitura

Capítulo 2 concluído

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