Hadria, O Renegado — Capítulo 3: CAPÍTULO 3 - 3 Despertar Temporal

Hadria, O Renegado
Cap. 3
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Hadria, O Renegado

CAPÍTULO 3 - 3 Despertar Temporal

Capítulo 3

615 palavras~3 min de leitura

Capítulo 3: Despertar Temporal

Hadria, O Renegado

Quatro paredes surgem à minha volta. Quando olho para frente, ao invés de segurar o cadáver do meu antigo eu, estou segurando… Dona?!

Imediatamente, solto seu corpo, que cai no chão, sem vida. Noto a expressão de desespero em sua face…

Agacho e começo a cutucá-lo com o indicador.

— Nossa, — digo com desdém — por um momento até achei que era real. — Espero alguma resposta, nada vem. — Já descobri tudo… — Suspiro. — Meu Deus, para com essa ilusão idiota!

— Tá bom, tá bom — ecoa a voz de uma mulher.

De repente, como se estivesse me desligando de um jogo de realidade virtual, o lugar começa a se desfazer.

E então, tudo fica escuro.

— Estou impressionada, como descobriu? — Ouço a mesma voz de antes.

— Se eu disser, você fala desde quando estou aqui? — Não responde. — É, imaginei.

De repente, estou no chão do escritório de minha mentora. Levanto e vejo os outros quatro Eles estão desacordados no sofá.

Vou até Eliene.

Sua pele branca brilha sob a luz do sol. O longo cabelo escuro junto de uma mecha verde e seus lábios finos são as coisas que mais adoro nela.

Meu corpo pede para que eu toque sua mão, seu rosto, seus lábios… Mas não posso, não depois do que fiz.

— Ela está bem, não se preocupe.

Me viro e vejo Dona sentada na poltrona. Porém agora encontro outra mulher sentada no sofá, de chinesinha.

— Essa é Geila — diz ao estender a mão para apresentá-la. — Uma ceifadora ilusonica rank D que chamei pra me ajudar.

Fito a mulher que possui uma volunge classe ilusionista. Ela é bonita: seios firmes, cabelo castanho, olhos castanhos…

Me concentro em seus mínimos movimentos: o pé inquieto, os olhos piscando rápido demais, os tremores disfarçados.

Só para ter certeza, pergunto:

— Nossa! Nunca falei com uma ilusionista! — Imito uma criança animada.

Noto a surpresa de Dona, mas apenas sento ao lado de Geila e continuo:

— Ei, ei! É verdade que os ilusionistas têm acesso a algumas memórias das pessoas que manipulam? Ouvi boatos, sabe? Mas nunca soube se era verdade.

— Na verdade, não — responde em tom neutro. — Isso é só um boato. Ilusônicos, como eu, não têm acesso às memórias dos outros.

“Mentira.”

— Mas, senhorita Geila, eu…

— Então, como eles estão? — pergunta Dona, assim interrompendo os questionamentos.

A ilusônica então fecha os olhos e ajeita a postura — noto suor escorrendo de sua testa.

— Bem… Eliene está quase descobrindo, Coraline e Maven também não estão muito atrás, mas… — Ela para por um momento, então prossegue: — Harvey não está nem perto.

— Perfeito — alega minha mestra.

— Hã? C-como assim, coronel?

— Hadria, vamos. — Ela então se levanta.

Um portal surge no escritório.

— Para onde? — indago, mesmo sabendo a resposta.

— Despertar a sua volunge, é claro. — Seu olhar vai até para Geila. — Me avise quando todos acordarem, ok?

— Hã? Ah, sim, senhora.

Dona me espera e logo entra na passagem dimensional. Caminho até ela, porém antes de entrar, olho diretamente nos olhos da ilusionista, entretanto ela desvia.

Solto um suspiro involuntário.

“Ela sabe.”

Começo a caminhar até ela com passos leves, seu corpo todo estremece. Paro bem na sua frente e deparo com lágrimas brotando em seus olhos.

Inclino-me e coloco os lábios a poucos centímetros de seu ouvido.

— Relaxa — cochicho. — Não vou te machucar. — Me afasto e retiro um cílio caído de sua bochecha. — Tinha um cílio no seu rosto.

— Hã? O quê, um… um cílio?

— Haha, é, um cílio.

Viro de costas para Geila e começo a caminhar.

— Ah, só mais uma coisa,— paro a poucos centímetros da passagem dimensional — se contar pra alguém… — olho por trás do ombro em sua direção — eu te mato.

E então entro no portal.

Fim da leitura

Capítulo 3 concluído

CAPÍTULO 3 - 3 Despertar Temporal