Hadria, O Renegado — Capítulo 4: CAPÍTULO 4 - 4 Recordações

Hadria, O Renegado
Cap. 4
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Hadria, O Renegado

CAPÍTULO 4 - 4 Recordações

Capítulo 4

682 palavras~3 min de leitura

Capítulo 4: Recordações

Hadria, O Renegado

Toco a campainha da casa de Beatriz — minha amiga desde os três anos.

O enorme muro que separa o terreno da mansão da calçada impede que eu veja o interior da residência.

Logo, ouço o barulho de passos vindo em minha direção.

O portão branco metálico se divide e começa a abrir.

Vejo uma garota da minha idade: oito anos.

Ela está usando uma blusa verde junto às calças jeans azuis. Seu cabelo loiro e olhos azuis estão com um ”brilho” diferente do habitual.

— Hadi?! — exclama ao correr até mim e então me abraça! — Feliz aniversário!

— Obrigado, Bia. — Retribuo seu gesto e ficamos assim por algum tempo.

Beatriz então se afasta, noto seu rosto avermelhado.

— Ora, ora, vejo que temos dois pombinhos aqui, não é mesmo?

Dona Laura, mãe de Bia, chega com as mãos atrás das costas.

— Oi, dona Laura.

— Olá, Hadria — diz e então revela um presente.

— Nossa! — Praticamente arranco a embalagem quadriculada de suas mãos. — Valeu!

— Fufu, de nada, querido. — Ela então olha para sua filha. — Vocês precisam ir, não é?

Bia, como se tivesse sido arrancada de um transe, responde:

— Hã? Ah, sim!

Ela então começa a caminhar e a sigo.

— Hadria. — Paro quando ouço a mãe de Beatriz chamando. Viro-me e a encaro. — Cuide da minha filha, está bem?

Quase que automaticamente, respondo:

— Pode deixar! Não vou permitir nada de ruim acontecer com ela.

Um sorriso genuíno se forma em meu rosto, porém ainda vejo preocupação estampada em sua cara.

— Eu prometo.

Sua face então se tranquiliza.

— Certo, estou contando com você. — Ela então fecha o portão após entrar em casa.

Empolgado, me viro para Bia, que está parada me encarando. Coloco o presente que ganhei na mochila em minhas costas.

— Vamos. — Pego sua mão e começo a correr. — Senão a gente vai se atrasar!

Corremos pela calçada, porém o sol escaldante logo faz com que cansemos.

— Ei, Hadi — chama Bia ainda ofegante.

— Oi? — respondo com o olhar fixo para frente.

De repente, ela para de andar. Após avançar alguns metros à sua frente, paro na sombra de uma árvore. Sinto a sensação agradável do vento batendo contra meu corpo.

— Beatriz?

— E-então… eu… eu… — noto seu rosto corando — t-tenho um presente pra você.

— Sério? Legal. — Espero um pouco para continuar a falar. — O que é?

Ela começa a se aproximar com passos lentos.

— Sabe, Hadi — Bia para a poucos centímetros de mim — eu… eu gost-?!

De repente, como se o tempo parasse, vejo tudo em câmera lenta. Olho para o céu e algo parecido com um meteoro em chamas está prestes a colidir com o chão.

Fito minha mais preciosa amiga, que está a poucos metros de onde o objeto flamejante cairá.

O tempo volta ao normal.

— BEATR-!!!

O impacto cria uma rajada de vento que me arremessa para longe, e colido contra algo rígido.

— Argt!

Sinto uma dor aguda na barriga, quando olho, vejo um pedaço de metal fincado em minha pele.

— Merda — murmuro.

Ainda nauseado, forço-me a ficar de pé e olho ao redor.

Caos, é tudo que vejo.

Uma cratera emanando chamas no meio da rua, vários lugares pegando fogo, corpos sem vida pelo chão, gritos de desespero…

“Beatriz.”

Encontro minha amiga caída no chão.

Imbuto mana nas pernas e corro até ela. Sinto uma dor latejante na recém ferida, mas ignoro e continuo.

“Por favor, não esteja morta.”

Chego e me agacho ao seu lado. Meu ouvido vai de encontro ao seu peito e foco em seus batimentos.

Nada. Não ouço nada.

“Não, não, por favor…”

Tum Tum.

Ouço um batimento. Fraco e lento, porém um batimento.

“Preciso levá-la até…”

Uma pressão indescritível preenche a atmosfera.

Com os olhos arregalados, viro em direção ao buraco no meio da rua, mas me arrependo no mesmo instante ao ver a coisa responsável por todo esse caos saindo da cratera.

Olhos vermelhos, pele acinzentada, manto escuro e uma foice negra junto às correntes em sua mão, que lhe dão um ar demoníaco.

Ele olha para mim com desprezo. Um sorriso macabro de dentes amarelados surge em seu rosto.

— Olá, garoto.

Fim da leitura

Capítulo 4 concluído

CAPÍTULO 4 - 4 Recordações