Mestre Espadachim das Estrelas — Capítulo 60: Sessão 6 – Capítulo 60 – Capítulo 60: Uma Visita a Niebla 2

Mestre Espadachim das Estrelas
Cap. 60
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Mestre Espadachim das Estrelas

Sessão 6 – Capítulo 60 – Capítulo 60: Uma Visita a Niebla 2

Capítulo 60

1.793 palavras~8 min de leitura

As crianças são inocentes.

No entanto, são sempre as primeiras a serem sacrificadas.

Vlad havia testemunhado isso nos becos escuros que mais pareciam tumbas.

Adultos arrancando crianças dos braços de outros para sobreviver ou conseguir mais.

As crianças roubadas morriam de fome, morriam de frio, chorando até a exaustão enquanto procuravam por mães que as haviam abandonado.

Naquele inferno, Vlad abraçou Zemina e Harven e tomou uma decisão.

Ele não se tornaria esse tipo de adulto.

Não viveria daquela forma.

As regras de vida que ele criou durante a infância para não ser arrastado pela vida dos becos ainda permaneciam vivas em seu coração.

Era uma disciplina que a própria criança havia criado para si.

Regras devem ser respeitadas.

E cavaleiros são aqueles que as respeitam.

Agora, havia crianças morrendo diante dele.

[Kura: Agora ele vai fazer o que um cavaleiro deve fazer.]

Vlad caminhava pelo ar úmido que envolvia a aldeia.

Os edifícios feitos de tijolos cinzentos escureciam os arredores através da névoa.

[Parece que é aqui.]

"..."

Vlad ergueu a cabeça para observar o edifício à sua frente.

Era maior do que qualquer outro ao redor.

A torre do sino, erguendo-se como um chifre apontado para o céu, chamou sua atenção.

Uma igreja.

O lugar mais próximo de Deus.

Um local sagrado destinado a proteger os jovens, os fracos, os idosos e os enfermos.

Era isso que deveria ser.

"Vou entrar."

[Concordo.]

Vlad retirou o capuz e caminhou em direção ao edifício cinzento.

A única cor natural naquele lugar era o cabelo loiro com o qual ele havia nascido.

"..."

Uma igreja vazia em plena luz do dia.

Vlad era o único entrando na capela, já que todos na aldeia pareciam ocupados com seus próprios afazeres.

'Você vê algo estranho?'

[Por enquanto, não.]

Vlad começou a caminhar lentamente pela capela, movendo-se de forma que a Voz pudesse observar qualquer sinal ou evidência suspeita.

O mundo da Voz era um mundo de cores profundas.

Seu mundo provavelmente continha cem cores a mais do que o de uma pessoa comum.

Certamente seria capaz de encontrar uma cor inadequada para um lugar sagrado.

Enquanto a Voz procurava sinais estranhos através dos olhos de Vlad, ele estudava a estrutura da igreja e se preparava para qualquer eventualidade.

À primeira vista, parecia um prédio de dois andares, mas considerando a natureza das igrejas, provavelmente havia um porão.

Se possível, Vlad queria explorá-lo.

[Alguém chegou.]

Mas toda terra e todo edifício possuem um dono.

E este lugar não era diferente.

Enquanto caminhava lentamente pela capela, Vlad sentiu um olhar vindo de trás.

Um olhar pesado, como se observasse um visitante não autorizado.

"..."

Percebendo o olhar, Vlad naturalmente se ajoelhou como se estivesse rezando.

Não podia parecer que estava investigando o local.

Mas precisava estar pronto para sacar a espada a qualquer momento.

Afinal, esta aldeia estava envolta por uma névoa sinistra.

Passos.

Passos.

Mesmo ajoelhado, Vlad manteve os olhos bem abertos, medindo a distância dos passos e preparando-se para sacar a espada.

Os olhos azuis de Vlad começaram a se preencher com sua própria cor.

"É a primeira vez que vejo você por aqui."

Mas o homem que se aproximou por trás não criou a situação terrível que Vlad havia imaginado.

Ele simplesmente cumprimentou o estranho com uma voz calorosa.

"Cheguei ontem pela manhã."

"Ah, você é um daqueles mercenários. Ouvi falar de vocês."

Cabelos castanhos cuidadosamente penteados.

Uma Bíblia grossa firmemente segurada nas mãos.

Seu corpo esguio, semelhante ao de Josef, fazia-o parecer mais um estudioso do que um sacerdote.

"Desculpe por entrar de repente, Padre."

"Não há problema. Os braços de Deus estão sempre abertos, em qualquer momento e em qualquer lugar."

Vlad observou o sacerdote sorrindo e tocou levemente o cabo da espada.

[Não vejo nada. Pelo menos não agora.]

"..."

Mas a resposta que recebeu foi negativa.

Ele havia seguido a pista apontada pelo colar da menina até aqui, mas não encontrou nada.

"Espero não estar interrompendo suas orações."

"Não. É mais fácil pedir permissão assim. Vou embora quando terminar de rezar."

O sacerdote observou o mercenário rezando de maneira incomum e sorriu.

"Esta é uma igreja. É o lar de todos aqueles que procuram Deus. Faça o que desejar."

Embora o homem estivesse sorrindo amigavelmente, Vlad não conseguia confiar nele.

Ele havia visto o mundo oculto com a ajuda da Voz.

E sabia que havia algo anormal naquela aldeia.

Não podia relaxar.

"Obrigado, Padre."

Vlad decidiu recuar por enquanto.

Não encontraria mais nada suspeito a menos que investigasse todos os cantos da igreja ou atacasse o sacerdote diante dele.

Sinceramente, ele queria fazer isso.

Mas Gregory tinha-lhe dado uma missão.

"...Então acho que aproveitarei para rezar também."

O sacerdote aproximou-se silenciosamente de Vlad e ajoelhou-se ao seu lado.

Um garoto fingindo ser mercenário.

Um homem que não podia ser confiado como sacerdote.

Ambos ajoelhados diante de Deus.

Uma igreja vazia.

Não havia mais ninguém naquele lugar.

"Por favor, não permita que a epidemia que assola esta região alcance o seu grupo."

'Epidemia?'

O sacerdote sorriu discretamente ao notar a confusão de Vlad.

"E também proteja nossas crianças."

Dizendo isso, abaixou a cabeça.

Sua postura serena demonstrava claramente a de um sacerdote devoto.

Mas Vlad sentiu uma estranha repulsa naquela imagem.

O símbolo da igreja, que deveria estar gravado na torre do sino, estava oculto pela névoa.

Porém, o símbolo que ele havia visto ao entrar parecia estranho.

O emblema da igreja estava de cabeça para baixo.

E o sacerdote segurava a Bíblia invertida diante de Deus enquanto rezava.

'...'

Depois de sair da igreja, Vlad ficou perdido em pensamentos.

Seguindo rastros do Urso Negro e os depoimentos dos homens capturados, o grupo de investigação chegou a uma aldeia no território do Barão Utman.

Mas ao chegar ao local para onde as mulheres grávidas desaparecidas haviam sido levadas, tudo o que encontraram foram rumores sombrios e uma névoa sinistra.

'É uma doença que mata apenas crianças...'

Ao perceber a estranheza da oração do sacerdote, Vlad perguntou aos moradores sobre a epidemia.

E acabou cerrando os dentes ao ouvir as respostas.

Se em Sohara mulheres desapareciam, ali as vítimas eram crianças.

Um fenômeno semelhante a uma epidemia ocorria não apenas naquela aldeia envolta em névoa, mas em diversas aldeias pertencentes ao Barão Utman.

Os maus presságios continuavam.

"Precisamos encontrar provas. Mas não podemos mostrar isso."

Não podia ser uma epidemia.

Ele tinha certeza disso.

Mas não possuía provas.

Não podia mostrar aos companheiros a mão negra que havia visto no mundo da Voz.

Tentou usar a relíquia sagrada trazida de Sohara na criança da estalagem, mas, como esperado, nada aconteceu.

[Como a relíquia não reagiu, parece ser uma maldição criada por um mago negro de alto nível. Isso deveria ser analisado por um sacerdote devidamente treinado.]

'Como você sabe tanto sobre isso?'

[...Não faço ideia.]

Ao ouvir mais uma resposta sem sentido da Voz, Vlad balançou a cabeça com força.

Não importava quanto conhecimento ela possuísse.

Se não pudesse resolver o problema, não ajudava em nada.

Agora que finalmente possuía seu próprio mundo, o garoto se via novamente diante de algo que não podia resolver sozinho.

"Hm?"

Enquanto pensava em como explicar a situação para Gregory, Vlad avistou algo estranho numa esquina.

Na pequena praça no centro da aldeia.

Uma pessoa usando um manto estava diante de uma menina.

"Foi isso que me deram na igreja."

A garota exibiu orgulhosamente o colar amaldiçoado.

O desconhecido recebeu o colar e começou a examiná-lo.

Vlad já havia sido um batedor de carteiras.

Também fora ladrão e até assaltante ocasionalmente.

Mas sua ocupação mais antiga era furtar bolsas e carteiras das mãos alheias.

E ele tinha orgulho disso.

[Acho que ele percebeu.]

"Eu também."

Seguindo a figura suspeita vestida com uma túnica invertida, Vlad percebeu que estava sendo conduzido para os arredores da aldeia.

Estava sendo atraído.

Para um lugar sem pessoas.

"Acho melhor voltar."

Vlad mordeu a língua e interrompeu os passos.

Ele não superestimava suas próprias habilidades.

Havia visto tantas pessoas talentosas que sabia ainda ser apenas um iniciante.

Além disso, estando numa aldeia tão suspeita, precisava agir com cautela.

'Vou reportar isso para Gregory.'

Já tinha confirmado suas suspeitas.

Informar seu superior deveria bastar.

Talvez aquela pessoa servisse como prova dos aspectos suspeitos da aldeia.

[Está vindo!]

Mas a vida raramente segue conforme desejamos.

Talvez percebendo a intenção de Vlad de recuar, o homem de túnica avançou repentinamente.

'Assim?'

Eles nem sequer haviam chegado ao beco.

Mesmo assim, a figura desconhecida atacou agressivamente.

'Maldição!'

Embora não pudesse prever aquilo, Vlad estava preparado.

Calmamente sacou a espada.

Clang!

As lâminas se chocaram.

No instante em que sentiu o peso inesperado da espada adversária, o garoto percebeu.

[Esquerda!]

Usando a força do impacto, Vlad ergueu rapidamente sua espada.

"...!"

Sem sequer conseguir levantar a arma a tempo, ele recuou instintivamente do ataque usando passos ágeis.

Passos que seu mestre havia gravado profundamente em seu corpo.

Crack!

Ao observar o solo quebrado, Vlad chegou à conclusão.

'É um cavaleiro!'

Agora ele conseguia reconhecer isso apenas pelo choque das espadas.

Aqueles que possuíam habilidade suficiente para dominá-lo.

Essas pessoas eram cavaleiros.

Enquanto o desconhecido demonstrava surpresa por Vlad ter deixado o ataque passar como água escorrendo pelos dedos.

Vlad fechou um olho.

Seu mundo começou a fluir através da espada.

O plano era vencer com um golpe inesperado.

Já que havia revelado sua força primeiro, aquela era sua única oportunidade.

Apenas uma.

"Ugh!"

Com um grito curto, Vlad avançou.

A figura desconhecida ficou surpresa e ergueu rapidamente a espada.

[...Vlad!]

Uma luz brilhante afastou a névoa espessa.

KAAAAANG!

Diante daquela sensação completamente diferente da anterior, a Voz tentou desesperadamente detê-lo.

Mas Vlad não parou.

Pessoas que machucavam crianças existiam em toda parte.

E ele estava furioso consigo mesmo por não conseguir fazer nada.

Assim como acontecia com seu eu mais jovem.

Não queria mais viver daquela forma.

Depois de quebrar sua própria promessa, sua raiva tornou-se mais afiada e feroz.

E ele avançou.

Um ataque imparável.

Seguindo os ensinamentos de Jager, que dizia para sempre pensar no próximo movimento, Vlad continuou atacando sem parar.

[Pare! Pare!]

As lâminas colidiram.

Faíscas voaram.

A túnica da figura desconhecida foi rasgada.

E sua verdadeira aparência foi revelada.

[A responsável é uma Paladina!]

O verde dos campos.

Olhos verdes que o lembravam da Lady Oksana.

Havia uma mulher de olhos verdes olhando para ele em choque.

Entre os cabelos ondulados, ela o encarava surpresa.

Vlad fechou um olho para enxergar seu mundo interior.

Mas os dois olhos da mulher já estavam completamente focados nele.

O mundo dela já estava acima deste mundo.

Sob a palavra de Deus.

Traduzido por Moonlight Valley

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Fim da leitura

Capítulo 60 concluído

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