Mestre Espadachim das EstrelasSessão 6 – Capítulo 61 – Capítulo 61: Uma Visita a Niebla 3
Capítulo 61A mulher usava uma túnica velha, mas sua espada continha poder divino.
Um garoto que parecia um mercenário, mas que já possuía seu próprio mundo.
Ambos perceberam que suas origens não eram comuns, mas suas espadas já estavam entrelaçadas.
As espadas eram rápidas, e as palavras lentas.
Optar por um simples gesto com a espada permitiria subjugar o oponente, mas explicar a situação atual exigiria tempo.
"..."
A mulher de olhos verdes não queria discutir sobre algo tão óbvio.
Seria muito mais seguro assim.
[Reaja!]
A mulher, que parecia ter decidido subjugá-lo, correu em direção a Vlad antes mesmo que ele pudesse reagir.
Sua voz ordenava ao garoto que obedecesse, como se fosse impossível resistir.
Os eventos já haviam se desenrolado até aquele ponto, e agora não havia mais volta.
"Tsk!"
Vlad aceitou o ataque dela com resignação.
Preferindo pensar que, pelo menos, aquilo terminaria bem. A presença de uma paladina, algo que ele nunca havia encontrado antes, despertava sua curiosidade.
Kwang!
O mundo de Vlad desceu junto de sua espada, preenchida pela vontade de Deus.
Quando os mundos colidiram e faíscas voaram, ao mesmo tempo, o mundo de Vlad vacilou como uma vela prestes a se apagar.
'É pesado demais!'
Enfrentando pela primeira vez a espada de uma paladina, Vlad ficou extremamente surpreso.
Embora sua espada também possuísse peso e velocidade, não era suficiente para causar o mesmo impacto, e ela possuía uma força comparável à de Jager.
Era um resultado incompreensível.
[Isso é uma bênção. É a prova de que o mundo está ajudando ela.]
'...Como assim?'
Apenas seguindo a vontade de Deus, ela recebia um poder maior do que suas capacidades originais.
Pensando mais uma vez que o mundo era injusto, Vlad fechou o olho esquerdo.
A espada começou a queimar lentamente junto da determinação do garoto.
Embora seu poder fosse fraco em comparação ao poder divino que emanava da paladina desconhecida, Vlad se orgulhava de ter construído seu próprio mundo com as próprias forças.
Porque era algo que ninguém poderia lhe tirar.
'Entendi.'
Vlad, que já estava bastante acostumado ao combate graças aos confrontos contra Jager, percebeu que a mulher à sua frente estava cheia de brechas.
"Posso acabar com isso."
A chave para desferir um golpe fatal está em controlar o campo de batalha.
Se ele pudesse guiar os movimentos do oponente, seria capaz de preparar o caminho para a vitória.
Com sua determinação fortalecida, Vlad avançou com movimentos explosivos.
Mirando o ombro da mulher, ele prendeu a respiração enquanto aguardava a reação que viria.
"O quê?"
Porém, os movimentos da mulher diante dele não foram defensivos como ele esperava, mas puramente ofensivos.
A paladina, que havia recebido a vontade de Deus, simplesmente avançou sem dar importância às partes que o jovem tentava cortar.
"...!"
Vlad não queria causar grandes ferimentos agora que sabia que ela era uma paladina. Mas seu estilo de luta era extremo demais, e naquela situação, recuar primeiro apenas resultaria em grandes perdas.
Thunk!
Vlad não teve escolha senão balançar sua espada contra a paladina, mas a armadura de placas escondida sob sua túnica desviou sutilmente a ponta da lâmina.
Era o encantamento de armadura do qual os Cavaleiros Sagrados tanto se orgulhavam.
"...!"
O golpe que errou o alvo marcou o início do desequilíbrio de Vlad.
Naquele instante, os olhos verdes da mulher brilharam enquanto ela chutava com força o tornozelo dele.
Giro—
O mundo estava girando.
'O que foi isso?'
Embora sentisse um vazio enquanto caía, Vlad continuava lembrando da forma como a mulher havia se movido momentos antes, mesmo em meio à confusão.
Desde o conceito incompreensível das bênçãos até a forma como ela utilizava uma armadura que ele nunca tinha visto.
Por ser algo desconhecido e intenso, era uma cena difícil de esquecer, mesmo no momento da derrota.
Kwang!
E quando aquele breve instante de contemplação terminou, Vlad atingiu o chão com violência.
"Kuh!"
Logo em seguida, sentiu a sensação fria de uma espada encostada em seu pescoço enquanto permanecia caído.
"Quem diabos é você?"
Vlad levantou a cabeça e encontrou o olhar da paladina desconhecida.
Os olhos eram da mesma cor dos de Lady Oksana, mas sua temperatura era diferente.
Com um sorriso abatido estampado no rosto, Vlad percebeu que ela havia deixado brechas de propósito.
"Eu... venho de Sohara. Tinha algumas coisas para investigar aqui."
A chave para dominar um golpe fatal está em controlar o campo de batalha.
Entretanto, quem havia controlado o campo de batalha naquele confronto não fora o garoto, mas sim uma paladina desconhecida.
Um novo objetivo, uma nova habilidade.
Hoje, o garoto que havia vislumbrado outro mundo ergueu as mãos e admitiu a derrota.
Gravando mais uma cor, semelhante a uma ferida, dentro do próprio mundo.
Na estalagem onde os únicos hóspedes eram aquele grupo, havia cavaleiros sentados frente a frente à mesa.
Vlad, observando-os do outro lado do braseiro, tomou um gole da água em seu copo.
O gosto que permanecia em sua garganta tinha um amargor desagradável, talvez porque a situação tivesse terminado com sua derrota.
"Deve ser a vontade dos céus que eu encontre os cavaleiros de Sohara aqui."
"Concordo, Lady Justia."
Cavaleiros reunidos em uma vila cercada por uma névoa suspeita.
Embora carregassem ordens diferentes sobre os ombros, claramente haviam seguido sinais incomuns.
"Eu estava investigando os estranhos incidentes em que crianças estavam morrendo nas redondezas. No começo, pensei que pudesse ser uma doença contagiosa."
A mulher que Vlad vinha seguindo secretamente revelou-se uma paladina enviada pela Igreja.
Mais precisamente, uma integrante da equipe enviada pela Arquidiocese do Norte de San Rogino.
A Igreja já havia tomado conhecimento dos problemas que aconteciam no território do Barão Utman.
"Uma maldição. Encontramos vestígios de algo antigo."
"Está certo."
Enquanto Justia falava, Gregory começou a acariciar a barba, perdido em pensamentos.
Embora já esperasse por isso, a presença dela estava levando a situação além de sua autoridade e capacidade.
"Mas também existe uma igreja aqui, certo?"
Foi uma pergunta feita com cuidado, temendo parecer rude, mas a resposta que recebeu foi fria.
"Acreditamos que a igreja daqui seja o foco da maldição."
"Bem..."
Observando os cavaleiros que seguiam à vontade de Deus apontarem a igreja como culpada, Gregory decidiu permanecer calado.
A situação era mais grave do que imaginava, e aquele não era seu território.
"Por favor, transmita meus agradecimentos ao novo prefeito de Sohara por sua admirável atitude em tentar se preparar para algo que desconhecíamos."
Embora estivesse falando com eles, no fim, as palavras de Justia não passavam de um pedido para que Gregory encerrasse sua investigação.
Aquele não era território de Bayezid, e assuntos relacionados à magia negra eram responsabilidade da Igreja.
Como cavaleiros de Sohara em uma posição ambígua, eles não tinham mais justificativa para continuar.
"Entendido."
Com essa conversa, uma linha clara foi traçada.
A investigação terminava ali.
Eles haviam confirmado os problemas no Baronato de Utman e obtido o testemunho de uma paladina de San Rogino.
Embora não tivessem encontrado as mulheres desaparecidas, continuar investigando seria um peso para Joseph.
Porque aquele não era seu território.
Diante do peso da autoridade e da responsabilidade, os cavaleiros decidiram recuar.
Com a amargura crescendo dentro de si, Vlad bateu inutilmente no copo que segurava.
Parecia que não encontrariam Anna no fim das contas.
Vlad permaneceu em silêncio, pensando na mulher que sorrira para ele com pena.
Justia mencionou que já havia solicitado reforços à Igreja.
Como era esperado que outros cavaleiros chegassem em, no máximo, três dias, Gregory decidiu permanecer ao lado dela até lá.
Talvez essa fosse a melhor decisão que ele pudesse tomar.
"Vamos partir agora?"
"Sim."
Enquanto observava a praça vazia da estalagem silenciosa, Vlad conversava com uma garota.
"Por que você vai embora tão cedo?"
"Já terminei meu trabalho."
"...Não existe fim para nada neste mundo."
Embora a garota não tivesse a intenção de ser maldosa, suas palavras pareceram atravessar Vlad, que tossiu desconfortavelmente.
"Você não tem amigos? Por que ficou aqui esse tempo todo?"
"Papai disse para eu não sair."
Ao ouvir aquilo, Vlad virou cautelosamente a cabeça para o balcão, onde o estalajadeiro o observava com desconfiança.
"Fique mais um pouco. Ele disse que, se esperássemos mais um pouco, a igreja nos daria um presente."
"...O quê?"
As palavras casuais da garota deixaram Vlad inquieto.
Quando lançou um olhar incrédulo ao estalajadeiro, a filha dele explicou:
"Ele disse que a igreja logo reuniria as crianças para uma bênção especial. É algo pelo qual os pais de crianças como eu deveriam ser gratos nestes tempos sombrios."
"...E quando isso vai acontecer?"
"Não tenho certeza. Não me lembro direito."
O estalajadeiro coçou a cabeça, como se realmente não se lembrasse.
"Acho que ele disse em três dias, ou talvez quatro. De qualquer forma, o padre vai reunir as crianças."
Ignorando os elogios do homem ao sacerdote, Vlad olhou para a garota ao seu lado.
Um colar de madeira esculpido com o símbolo da Igreja.
Embora estivesse bem entalhado, a forma como havia sido amarrado deixava muito a desejar, tornando-o imperfeito.
O olhar de Vlad escureceu ao vê-lo.
"Você vai ficar até lá?"
Enquanto observava a garota carregando aquele símbolo ominoso enquanto lhe lançava um olhar inocente, Vlad ficou sem palavras por um instante.
A garota não sabia de nada.
Por isso, ela não tinha feito nada de errado.
Deus também entenderia isso.
"Talvez eu fique até lá."
"Hmph!"
Antes que Vlad terminasse de responder, a garota rapidamente lhe entregou algo que segurava na mão.
Provavelmente havia aproveitado a oportunidade durante a conversa.
"O que é isso?"
"Um anel de flores."
"Mas não tem flores. Como isso pode ser um anel de flores?"
Como Vlad apontou, era um anel composto apenas por caules verdes.
Sem poder sair para fora, ela o havia feito usando as vinhas que cresciam na parede.
Embora devesse estar brincando do lado de fora e colhendo flores, a realidade não permitia.
"Então, vamos sair um pouco..."
"Marian."
O estalajadeiro, que observava silenciosamente a conversa entre os dois, falou.
"Agora suba. Está na hora de dormir."
"Mas..."
Diante do olhar firme do pai, a garota se levantou do lado de Vlad com uma expressão abatida.
Para alguém que passava o dia inteiro sozinha, conversar com Vlad provavelmente tinha sido um prazer há muito esquecido.
"Você vai mesmo estar aqui amanhã também?"
"Provavelmente."
Então, a garota seguiu o pai até o quarto, acenando com sua pequena mão.
"Até amanhã."
Vlad também acenou enquanto a observava partir.
"..."
Vlad ficou olhando em silêncio para o anel de flores que a garota lhe dera.
A realidade úmida envolvia tudo e sequer permitia uma única flor para aquela criança.
Enquanto observava a névoa do lado de fora, a maldição no pescoço da garota e o anel de flores sem flores que ela lhe dera, ele mergulhou em pensamentos.
"Marian! Marian!"
"...!"
Vlad continuava olhando para o anel de flores no primeiro andar vazio.
"O que está acontecendo?"
"O que houve?!"
As pessoas do segundo andar se assustaram com os gritos e correram para baixo.
Vlad, que estava sozinho no primeiro andar, amaldiçoou em voz baixa e correu imediatamente para o quarto onde o estalajadeiro e a garota haviam acabado de entrar.
"Maldição!"
Ao ouvir o pedido de socorro, Vlad avançou sem hesitação.
"Não! Marian!"
Quando arrombou a porta, viu a garota caída, com o rosto pálido.
Ela chorava enquanto era abraçada pelo pai, e espuma saía de sua boca.
[Parece que uma maldição foi ativada. Eles parecem ter percebido nossa presença.]
Assim como Justia e os cavaleiros de Sohara perceberam as anomalias daquele lugar, o lado oposto também percebeu a presença dos cavaleiros.
Aquela vila estava praticamente sob o controle deles.
Pareciam ter decidido dar o primeiro passo em vez de permanecer esperando em silêncio.
[Eu lhe emprestarei o meu mundo.]
Talvez não fosse possível resolver o problema apenas olhando para ele, mas pelo menos a voz tentou fazer o garoto compreender a situação.
"...."
Um pai chorando.
Uma garota lutando para respirar.
E cavaleiros incapazes de agir livremente.
Enquanto isso, Vlad abriu o mundo da voz e observou a garota que chorava de dor.
Um mundo de vozes tingido de cores.
O que ele viu foi uma mão negra apertando impiedosamente o pescoço da garota e uma fina linha de fumaça saindo de sua boca.
[Parece ser uma maldição do tipo drenagem de força vital.]
A fumaça saía da garota sufocada e atravessava a janela da estalagem.
Na direção da igreja.
[A maldição foi ativada. Parece que perceberam minha presença.]
"Lady Justia."
Justia, que observava calmamente a situação, garantiu as vias respiratórias da garota e, sem hesitar, vestiu a túnica que segurava.
Ela sabia muito bem.
Para resolver a situação atual, precisariam eliminar o responsável.
"Se eu não retornar, por favor, explique a situação aos meus colegas que chegarão mais tarde."
"..."
Gregory, parado ao lado dela, apenas mordeu os lábios sem dizer nada.
Os cavaleiros que partiam seguindo a vontade de Deus e aqueles que permaneciam presos ao peso da autoridade e da responsabilidade.
Embora vissem a mesma coisa, os mundos aos quais pertenciam os levavam a decisões diferentes.
Vlad observou as costas de Justia desaparecendo na névoa sem qualquer hesitação e, sem perceber, saiu atrás dela.
"...Tente respirar."
"Tem algo errado com a garota!"
"Não! Não!"
Na praça para onde o garoto havia ido sem pensar.
Uma a uma, as luzes começaram a se acender nas casas além da névoa.
E junto delas espalharam-se os gritos desesperados dos pais.
A praça vazia passou a ser preenchida apenas pelo som do choro.
Traduzido por Moonlight Valley
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