Mestre Espadachim das Estrelas — Capítulo 65: Sessão 7 – Capítulo 65 – Capítulo 65: A Nova Geração

Mestre Espadachim das Estrelas
Cap. 65
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Mestre Espadachim das Estrelas

Sessão 7 – Capítulo 65 – Capítulo 65: A Nova Geração

Capítulo 65

2.095 palavras~9 min de leitura

O som crepitante e tranquilo de uma fogueira queimando em silêncio.

"…"

Vlad pensava enquanto observava o fogo balançar com a brisa.

Parecia com ele naquele momento.

Ele queria permanecer firme, mas a luz tremeluzente que balançava na direção do vento o fazia lembrar de uma criança que, embora quisesse ficar de pé, era jogada de um lado para o outro por seres maiores do que ela mesma.

"Por que você está pensando tão intensamente?" perguntou Gregory, olhando para o garoto que observava a fogueira atentamente, mas sem realmente se concentrar nela.

"É só que... vários pensamentos", respondeu Vlad calmamente à pergunta de Gregory.

"...Existem tantas pessoas incríveis neste mundo."

"É mesmo?"

"Não tenho certeza se conseguirei acompanhar essas pessoas incríveis no futuro."

Naquela noite, o garoto perdeu.

Eles provavelmente teriam morrido se não tivessem a voz.

Assim como Jorge, Jack e Anna.

Assim como eles, teriam sido esmagados por um mundo contra o qual não poderiam lutar.

"...Existem momentos na vida em que você acaba pensando em coisas assim."

Gregory, que tinha uma vaga ideia do que o garoto estava pensando, jogou no fogo o galho que segurava.

A fogueira, tendo recebido algo para queimar, subiu mais alto do que antes.

"Está queimando bem?"

"Sim."

Na escuridão da igreja naquela noite.

O garoto havia se aproximado da torre do sino da igreja sendo açoitado pelo vento e estendido a mão até onde as respirações das crianças se entrelaçavam.

Embora Gregory não tivesse visto aquela cena, ele imaginou que era algo que combinava perfeitamente com o garoto.

Uma criança nascida na parte mais baixa do mundo tentando alcançar as alturas desesperadamente, mas que um dia poderia chegar ao ponto mais alto.

Talvez lá ele colocasse uma estrela com seu nome na borda do céu.

"No fim, é uma questão de sobrevivência."

Vlad, afastando-se das chamas tremeluzentes, virou-se para olhar para Gregory, que estava sentado do outro lado da fogueira.

Ali, o robusto cavaleiro de barba forte olhou de volta para ele, sorrindo satisfeito.

"Você só precisa continuar queimando. Enquanto o fogo não se apagar, você sempre poderá reacendê-lo quando quiser."

É impossível não balançar com o vento.

Mas o importante é continuar queimando.

Enquanto a sua chama não se apagar, ela poderá ser reacendida mesmo sob os ventos mais fortes.

Entendendo o que Gregory queria dizer, Vlad assentiu em resposta.

"Entendo."

Para enfrentar o vasto mundo que de repente surgiu diante dele, ele também teria que se tornar uma chama gigante.

Enquanto o garoto observava o fogo queimando em silêncio, um raio de cor começou a penetrar em seu mundo.

Gregory passou a garrafa de álcool ao garoto preocupado.

E um cavalo negro, distante, observava das colinas o reflexo do garoto no fogo.

Foi uma daquelas noites em que cada um deles pensou em algo que faltava e jogou suas preocupações dentro da fogueira.

A última noite de acampamento no caminho para Sohara estava desaparecendo.

"Bom trabalho."

Sentado no salão, Josef cumprimentou a equipe de investigação que retornava de sua missão.

Vlad pensou que as olheiras sob os olhos dele haviam ficado ainda mais profundas desde a última vez que o tinha visto, algumas semanas atrás.

Provavelmente não era apenas porque ele estava sentado sob o sol.

"Quero elogiar sua atitude diligente em relação à missão e também reconhecer sua capacidade de lidar com o problema pela raiz."

Josef avaliou calmamente o desempenho da equipe de investigação, apesar de sua aparência cansada.

Mas, embora elogiasse com palavras, seus olhos não demonstravam qualquer sinal de emoção, fazendo com que toda a equipe sentisse uma pressão estranha.

"Vocês fizeram bem, mas... não posso simplesmente ignorar o fato de que desembainharam a espada de Bayezid no território de outro senhor."

Aquilo que ele temia havia chegado.

Gregory já havia previsto que Josef, que possuía critérios claros para punições, não deixaria aquilo passar sem tomar alguma atitude.

"Sinto muito."

Gregory respirou fundo e se preparou para dizer aquilo que vinha pensando desde o retorno.

Como líder da equipe de investigação, ele queria assumir a responsabilidade por tudo.

"Estamos vivendo em tempos instáveis, e não é apropriado criar problemas nas terras de outros sem motivo."

Mas uma voz estridente interrompeu o pedido de desculpas de Gregory.

Era uma voz pesada como os anos acumulados.

"Além disso, vocês sabiam muito bem como as coisas se desenrolariam e, ainda assim, agiram de maneira imprudente."

Embora fosse a primeira vez que Vlad via o velho, sua presença não era comum.

Vlad sentiu-se cada vez mais pressionado pelo peso da presença daquele velho.

Mais uma vez, um mundo superior estava esmagando o garoto.

"…Você está certo. Você atingiu um ponto sensível em meio a uma situação complicada."

A atmosfera no salão congelou diante das palavras do estranho, mas Josef, plenamente consciente das intenções dele, respirou fundo antes de continuar.

"Existem muitas guerras territoriais, grandes e pequenas, por todo o país. A família real não conseguiu mantê-las sob controle, então todos estão soltando coisas que haviam sido contidas. O Norte, onde estamos, não é uma exceção."

O velho tinha bons motivos para repreender Gregory.

O império estava desmoronando.

Sob a espada do rei fundador e Mestre da Espada, Frausen, todos os lordes haviam reunido suas espadas, mas isso havia acontecido há muito tempo.

Em uma época como essa, dar o menor motivo seria como jogar lenha na fogueira.

"Em uma época como essa, até mesmo os malditos velhos aparecem, e até as forjas de ferro observam o presente."

Até mesmo o mestre do ferro, outra figura importante do Norte, estava observando a situação, e Josef precisava ser cuidadoso.

Gregory simplesmente assentiu em compreensão enquanto Josef o repreendia não por ter boas intenções, mas por ter brincado demais com o fogo.

"Então você deveria ter feito uma retirada adequada. Você disse que havia um Paladino de San Rogino lá, então deveria ter seguido o procedimento correto e entregue tudo a ele."

"..."

O coração de Vlad começou a acelerar ao ouvir a voz do velho repreendendo-o por não ter seguido as regras.

Era como o instinto de uma criança de desafiar o grande mundo.

‘...Você nem estava lá!’

As respirações sofridas das crianças e os gritos de seus pais estavam presentes, mais do que simples palavras poderiam transmitir.

Aos olhos de Vlad, Gregory havia feito tudo que podia e tomado uma decisão corajosa.

Não era o tipo de decisão que um velho sem nome poderia diminuir.

"Afinal, os jovens de hoje só pensam no momento e não consideram as consequências a longo prazo..."

"As crianças teriam morrido. Se não tivéssemos interferido."

Você não tem o direito de dizer isso sem saber de nada.

O jovem, com seus olhos azuis fixos no velho sem nome, disse aquilo.

"...O quê?"

O idoso foi interrompido pela entrada afiada do jovem na conversa, ficando momentaneamente sem palavras.

Ele queria protestar imediatamente, mas o olhar ardente do jovem o fez parar completamente.

"Sir Gregory fez tudo o que podia pelas crianças. E San Rogino garantiu isso. E..."

Olhando de lado para o velho, Vlad começou a liberar a raiva ardente que havia segurado dentro do peito.

"É claro que eu teria feito o mesmo. Acredito que a decisão tomada por Sir Gregory merece elogios, não uma repreensão."

Era um amontoado de calor bruto devido à sua inexperiência.

Porém, justamente por ser bruto, poderia ser sincero.

Todos os presentes ficaram sem palavras enquanto o garoto derramava seus sentimentos sem qualquer hesitação.

"..."

Mas a realidade é que apenas a sinceridade não é suficiente.

Os olhos de Jager se estreitaram enquanto observava Vlad fazer comentários sem autorização, forçando Gregory a abaixar ainda mais a cabeça.

O garoto tinha boas intenções, mas havia acabado de ultrapassar o limite.

"Vlad."

Josef Bayezid.

O homem que cuidava do garoto mais do que qualquer outra pessoa, mas que precisava contê-lo gentilmente, levantou-se.

"Já chega. Não teste mais minha paciência."

Josef não podia empunhar uma espada, mas o poder que emanava dele dominou todos os presentes.

Ninguém da linhagem de Bayezid deveria possuir tal poder.

"..."

Vlad abaixou a cabeça diante do aviso severo de Josef.

O olhar duro de Jager, indicando que ele não deveria continuar, também conteve o ímpeto crescente do garoto.

"...Acredito que Sir Gregory entenderá. A Segunda Regra do Mestre da Espada é particularmente sensível."

Josef direcionou sutilmente a conversa para Gregory, mas aqueles que o conheciam bem podiam perceber que agora ele estava contendo sua raiva.

A prova disso era a maneira como ele silenciosamente desabotoou um dos botões do colarinho.

"Eu fiz uma escolha ruim. Sinto muito, Sir Josef."

Gregory reconheceu rapidamente seu erro para evitar mais problemas causados pelo garoto que o defendia.

"Havia circunstâncias complicadas. Precisávamos agir antes que as reclamações fossem enviadas diretamente de lá."

Josef lançou um olhar para Vlad por um momento e então virou-se, aproximando-se da janela.

Ele olhou para Sohara do lado de fora e abriu a boca para falar.

"Sir Gregory será punido por um período indeterminado. Ele não receberá seu salário por enquanto e não desfrutará de nenhum dos direitos que Bayezid garante aos seus cavaleiros."

"Entendido."

Gregory abaixou a cabeça aceitando a punição.

Entretanto, Josef, depois de dar as ordens, virou-se para o garoto que o observava e encontrou seus olhos.

Havia procedimentos e regras para todos, e elas também precisavam ser aplicadas ao garoto.

"Escudeiro Vlad."

O garoto olhou para aquele que o havia convocado com um ângulo levemente sutil, ainda sendo a criança rebelde que sempre foi.

"..."

'Não acredito que alimentei, vesti e tratei ele tão bem, e mesmo assim ele ainda não foi domado.'

Ao ver o garoto, que permanecia igual desde a primeira vez que o encontrou, Josef sentiu uma pontada incontrolável de arrependimento.

"Eu lamento profundamente tê-lo ofendido com meus comentários sem autorização."

Vlad olhou para os olhos profundos de Josef e assentiu com a cabeça.

O jovem sempre parecia calmo consigo mesmo, mas agora possuía o olhar de um monarca de mente afiada.

"Por isso, você também está punido a uma semana de liberdade supervisionada e, por enquanto, deve permanecer longe da minha vista."

"...Sim, senhor."

Erguendo a cabeça em resposta, Vlad olhou para Josef, que lhe dava ordens frias enquanto deliberadamente evitava seu olhar.

O garoto não pôde deixar de sentir uma pontada de arrependimento ao perceber que havia feito o seu melhor para cumprir a ordem, apenas para ser mandado para casa em liberdade condicional.

"Todos, saiam. Preciso escrever uma carta ao Barão Utman explicando a situação."

Os cavaleiros, que haviam feito o relatório e recebido suas ordens, estavam prestes a sair quando Josef lhes agradeceu.

Mas, enquanto o velho os observava, não conseguiu evitar sorrir diante dos olhos azuis que ainda não haviam perdido o brilho.

Então era você.

Não havia necessidade de se apresentar.

"Você é aquele chamado Vlad."

"..."

Vlad, que havia acabado de retornar de sua viagem, parou ao ouvir as palavras do velho.

Um momento de silêncio envolveu o salão.

"Você nem sequer responde quando um adulto fala com você. Imagino que não tenham lhe ensinado bons modos."

Os olhos de Vlad se arregalaram diante do sarcasmo do velho.

'Eu tive muitos modos.'

'Da senhora com olhos maternais.'

Virando-se para o velho que se dirigia a ele, Vlad se apresentou com mais educação do que nunca.

"Está correto. Eu sou Vlad."

O cumprimento do garoto era direto, carregando toda a ferocidade que ele possuía antes de desembainhar sua espada.

"Também posso pedir respeito?"

O velho sentiu um arrepio subir de dentro do peito enquanto observava o comportamento educado, mas feroz, de Vlad.

Era quase como se eles estivessem perguntando o nome um do outro antes de iniciar um confronto.

"Então, você quer saber meu nome."

O velho sorriu para o garoto, que irradiava uma sensação incomum, raramente encontrada nos jovens de hoje.

"Mas, infelizmente, não posso lhe dizer meu nome neste momento."

"..."

A expressão de Vlad endureceu diante daquelas palavras incompreensíveis, mas só então ele percebeu a bandeira desgastada atrás do velho.

Era semelhante à sua própria, mas diferente da dele, que possuía apenas dois brasões, a bandeira do velho tinha mais de uma dúzia.

Havia cavaleiros que, sem terem morrido ou envelhecido, permaneceram em silêncio.

Tendo sido incapazes de se aposentar honrosamente do campo de batalha, eles precisavam recuperar a honra que haviam perdido há muito tempo.

Essa era a aparência final do primeiro Mestre da Espada.

O velho sem nome que olhava para Vlad com olhos profundos estava celebrando sua aposentadoria honrosa.

Traduzido por Moonlight Valley

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Fim da leitura

Capítulo 65 concluído

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