Mestre Espadachim das Estrelas — Capítulo 64: Sessão 6 – Capítulo 64 – Capítulo 64: Em Direção ao Céu 3

Mestre Espadachim das Estrelas
Cap. 64
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Mestre Espadachim das Estrelas

Sessão 6 – Capítulo 64 – Capítulo 64: Em Direção ao Céu 3

Capítulo 64

4.622 palavras~20 min de leitura

Uma pequena estrela resgatada da escuridão.

Eu não sei quem sou.

Mas sei que existe algo que preciso fazer.

Embora a memória da minha existência tenha desaparecido há muito tempo, o dever que eu precisava cumprir estava profundamente gravado em minha alma.

Minha existência era por isso.

O primeiro encontro foi um confronto, mas a partir do segundo, transformou-se em raiva, e depois disso...

[Você enlouqueceu achando que poderia alcançar alguma coisa com uma habilidade ridícula como essa?]

Era simplesmente violência.

No ápice de uma violência implacável, o cavaleiro sem cabeça ficou atordoado e só conseguiu recuar.

Ele parecia ter se esquecido por um momento.

O cavaleiro sem cabeça, que havia vivido consumindo a morte dos outros, também percebeu que algum dia poderia ser devorado por outra pessoa.

Clash! Roar! Clash!

Observando o clarão de luz perfurar sua espada, o cavaleiro sem cabeça se lembrou de uma emoção que havia esquecido há muito tempo.

"...Quem é você?"

Era medo.

Ele temia que o sacerdote em ruínas e o espectro distante pudessem se tornar sua própria imagem naquele momento.

[Não tenho palavras para lixo como você, que se suja com o sangue de crianças.]

Uma tempestade estrondosa atravessou o olho esquerdo da voz.

Era uma tempestade sem misericórdia.

[Então morra.]

Por um instante, o mundo inteiro ficou branco.

Pelo menos, foi isso que o cavaleiro sem cabeça sentiu.

Aqui vem.

Um monstro branco.

Com suas presas ferozes expostas.

Ele está vindo para me devorar.

Uma fera selvagem feita de relâmpagos brancos avançou diretamente contra o cavaleiro sem cabeça.

Em uma velocidade em que nem mesmo as gotas de chuva conseguiam molhá-la.

'Esquerda? Ou direita?'

Em um instante de hesitação, o cavaleiro sem cabeça estremeceu várias vezes enquanto se movia.

Os passos da voz carregavam dezenas de possibilidades.

O problema era que cada uma dessas possibilidades carregava consigo a sua morte.

Era como um destino que se aproximava incansavelmente.

'Direita!'

Apesar de reagir o melhor que podia ao movimento da voz, tudo o que recebeu foi um arrepio vindo de trás.

[Você falou tanto, mas é tão lento assim?]

"...!"

A fera branca, que havia se aproximado de repente, soltou uma respiração fria atrás de suas costas.

Como ousa zombar da possibilidade que eu valorizo?

Roar!

"Aaah!"

A voz, cheia de raiva, golpeou o cavaleiro sem cabeça impiedosamente com sua espada carregada de fúria.

O cavaleiro sem cabeça, que havia recebido um golpe tão pesado, foi lançado ao chão mal conseguindo permanecer de pé, gritando sem perceber, mas aquilo não era tudo.

Clash! Burst!

Flutuando no ar e sendo cortado repetidamente, o cavaleiro sem cabeça lutava contra um medo pior que sua própria morte.

"Ah!"

Livre da morte e resistente até mesmo à dor, o cavaleiro sem cabeça não conseguia recuperar a razão diante do ataque da voz, que parecia rasgar sua alma em vez de seu corpo.

Como uma existência assim poderia existir neste mundo?

Olhando para a voz, incomparável a qualquer inimigo que já havia enfrentado até então, o cavaleiro sem cabeça só conseguiu mover suas mãos impotentes.

[Entregue para mim!]

A fera branca avançou contra o cavaleiro sem cabeça, que estava caído de forma miserável na lama encharcada pela chuva.

[Eu mandei você entregar!]

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"Aaah!"

A voz, ecoando as palavras do garoto de um momento atrás, golpeou novamente o cavaleiro sem cabeça sem piedade.

Cada vez que a espada e o punho eram lançados, fragmentos secos caíam impotentes do cavaleiro sem cabeça.

Crash!

"Ah!"

A voz encontrou as respirações das crianças nos braços do cavaleiro sem cabeça e continuou atacando-o com sua espada e esmagando-o com seus punhos.

Embora seja provável que um mundo fraco seja devorado.

Ainda assim, as crianças não têm culpa; elas são inocentes.

Crianças não deveriam ser empurradas para o cruel reino das regras.

[Vocês estão aqui.]

Assim, a voz conseguiu detectar as respirações das crianças que estavam sendo sugadas para a escuridão.

A voz cuidadosamente reuniu aquelas pequenas respirações que tremiam.

Embora fossem pequenas, a existência das crianças parecia pesada.

Para fazer crescer o pequeno brilho que elas carregavam, ambos os mundos precisariam derramar sangue e lágrimas.

A voz, sentindo o peso gravado pelos pais das crianças, golpeou novamente o peito do cavaleiro sem cabeça.

"Ugh!"

Em uma noite chuvosa, uma voz perdida, que não sabia seu próprio nome, recuperou uma estrela da escuridão daquela maneira.

[Agora vamos terminar isso.]

A voz cuidadosamente colocou aquela estrela nos braços do jovem e então segurou a espada novamente.

Porque ainda havia algo a fazer.

[Eu costumava me lembrar de como matar pessoas como você com esse tipo de habilidade, mas parece que esqueci.]

"..."

O cavaleiro sem cabeça lentamente olhou para a voz que se aproximava e se culpou pelo seu erro.

Ele pensou que era um dos seus.

Mas não era.

Embora fosse alguém que havia escapado da morte junto com ele, possuía uma energia pura diferente da sua e era uma existência infinitamente nobre.

[Eu não consigo me lembrar, mas não significa que não exista uma maneira.]

Das pontas dos dedos da voz, um relâmpago branco começou a brilhar intensamente sobre a espada.

[Vou arrancar cada um dos seus membros e despedaçá-lo. Isso não será diferente de estar morto.]

Os vencedores estão acima, os perdedores abaixo.

Aquele que vence decide tudo.

E hoje, você será despedaçado aqui.

Ao ouvir o fim impiedoso decidido pela voz, o cavaleiro sem cabeça recuou e estendeu a mão.

Era quase como uma súplica.

"Ramashthu... Ramashthu, Senhor!"

O cavaleiro sem cabeça, que não podia clamar por Deus e não tinha escolha senão pronunciar o nome de seu mestre, se contorceu e gritou o nome de alguém.

"...Ramashthu, Senhor!"

[...!]

Embora a voz não pudesse se lembrar, ela conseguia sentir.

Que aquela coisa repugnante diante dela estava pedindo ajuda a alguém.

Crunch!

[...É isso.]

No entanto, o corpo do garoto começou a gritar, indicando que não conseguia mais suportar.

O corpo e o mundo do garoto haviam claramente crescido, mas não podiam mais resistir.

Ele deveria estar grato por tudo que a voz havia feito por ele até agora.

"Estou aqui!"

Enquanto a voz hesitava por um momento, o cavaleiro sem cabeça estendeu ambas as mãos para o céu como se buscasse salvação.

Mas a salvação que ele realmente desejava não veio do céu, mas do chão.

Como se um buraco tivesse se aberto, uma sombra escura começou lentamente a abrir sua boca e puxar o cavaleiro sem cabeça e o cavalo fantasma para baixo.

"Senhor Ramashthu? Senhor Ramashthu!"

Olhando para suas mãos que ficavam cada vez mais finas, o cavaleiro sem cabeça gritou em desespero, mas seu mestre já estava recuperando sua imortalidade dele.

[Ramashthu.]

Ouvindo a ressonância familiar em sua boca, a voz observou o fim do cavaleiro sem cabeça, que se desfazia.

Coisas que cumpriram seu propósito eventualmente desaparecem.

Ela não sabia se era uma punição ou uma tentativa de não deixar evidências, mas o cavaleiro sem cabeça estava encolhendo daquela forma.

"Não!"

A morte retornava ao chão.

Seguindo o chamado do mestre.

A última coisa que ele deixou no mundo foi um grito inútil e vazio.

No entanto, a voz, a única que ouviu aquele grito, não tinha intenção de se lembrar do fim daquele homem.

A voz começou seu movimento final, preservada dentro dos limites do garoto.

[Retorne.]

Kwaang!

Em meio aos gritos finais da morte, a voz derrubou o símbolo profano com o último movimento que lhe restava.

Da ponta da espada, as respirações brilhantes das crianças se espalharam.

A morte que diminuía e a vida que surgia.

O que a voz viu na vila onde a chuva havia parado era a própria vida ou a própria morte.

Permanecendo na fronteira entre as duas, ela apenas absorveu toda aquela visão sem dizer uma palavra.

A névoa estava se dissipando.

Uma pousada solitária em uma vila que ainda não tinha clientes.

Havia um homem ocupado se movimentando sozinho naquele lugar silencioso.

Ele também era aquele que retornou secretamente à igreja agora morta e silenciosa e recolheu os cavaleiros que estavam caídos ali como cadáveres.

"Capitão, como está seu corpo agora?"

"...É apenas um monte de lixo."

Vlad soltou um pequeno suspiro enquanto olhava para Goethe.

Era frustrante ver que ainda tinha dificuldades até mesmo para levantar uma colher.

"Ainda assim, é uma sorte que você tenha saído bem. No começo, quando eu trouxe você de volta, achei que você era apenas um pedaço de pano."

"..."

Vlad permaneceu em silêncio enquanto mexia vigorosamente a sopa que segurava.

Seria melhor guardar um pouco de energia, pois ainda havia coisas que precisava fazer depois de comer aquilo.

"Também há outros cavaleiros dos quais precisamos cuidar. Descanse um pouco."

"Tudo bem."

Com essas palavras, Goethe deixou o quarto onde Vlad estava.

Vlad, certificando-se de que Goethe havia se afastado, começou a conversar com a voz.

Talvez porque estivesse se esforçando demais, ele não conseguia transmitir seus verdadeiros sentimentos.

Talvez tivesse que fazer isso por algum tempo, como a voz havia sugerido.

"Ainda assim, é um alívio que todos estejam vivos."

[Isso mesmo. Essa é a coisa mais importante.]

Os cavaleiros que haviam lutado contra o cavaleiro sem cabeça e sofrido ferimentos grandes e pequenos, mas ainda assim conseguido salvar suas vidas.

Isso aconteceu porque a barreira colocada por Justia resistiu tenazmente e protegeu os cavaleiros, enquanto as ações astutas de Vlad atraíram o Cavaleiro Sem Cabeça para fora da igreja.

Mas, no fim, a sobrevivência deles foi graças à voz.

Naquela noite, os cavaleiros pensaram que eram apenas os quatro, mas na verdade havia mais uma pessoa escondida.

Era um segredo que apenas o garoto e a voz conheciam.

"Obrigado."

[...Tudo bem.]

O garoto ainda não estava acostumado a expressar seus sentimentos, mas pelo menos naquele momento tentou o máximo que podia.

A voz, compreendendo a situação, não disse mais nada e apenas fechou seus olhos dentro do garoto.

Dentro do quarto onde havia apenas o garoto, apenas o som dos pratos e das colheres se chocando podia ser ouvido.

Depois de terminar a refeição, Vlad, apesar de seu corpo desconfortável, levantou-se de seu lugar para terminar aquilo que precisava fazer.

"Obrigado! Muito obrigado!"

"Senhor, muito obrigado!"

Os pais abraçando as crianças que estiveram à beira da morte naquela noite não economizaram agradecimentos ao verem o garoto se movendo com dificuldade.

Provavelmente preferiam elogiar aquele jovem mais do que qualquer outro herói.

O garoto não respondeu àquela visão.

Apenas esfregou o nariz diante da emoção irritante que sentia.

E ainda havia algo que precisava terminar.

"Não se aproximem mais do que isso."

"Eu sou de Sohara. A Paladina Justia saberá quem eu sou."

"...Espere."

Vlad ficou diante da igreja, ligeiramente curvado, aguardando a inspeção dos Paladinos de São Rogino.

Os paladinos chamados por Justia chegaram um pouco atrasados, mas ainda estavam garantindo que tudo fosse resolvido.

A visão dos paladinos investigando e examinando a maldição que havia se espalhado da igreja certamente tranquilizaria os moradores.

"Entre."

Com a permissão do paladino sem nome, Vlad entrou cuidadosamente na igreja.

A igreja, ainda cheia dos vestígios daquele dia e do som do assoalho rangendo, possuía uma atmosfera sombria mesmo durante o dia.

Se não fosse pelos paladinos ocupados andando de um lado para o outro, Vlad teria avançado com sua espada desembainhada.

"Justia."

"...O que você está fazendo aqui, Vlad?"

Vlad, que procurava a mulher de olhos verdes examinando tudo ao redor, encontrou Justia segurando um livro semelhante à Bíblia sob o símbolo profano.

"Eu posso descer até o porão? Há alguém que preciso encontrar."

"As mulheres desaparecidas de Sohara já foram confirmadas pelo Lorde Gregory."

A equipe de investigação enviada de Sohara originalmente havia vindo até aquela vila para encontrar as mulheres desaparecidas.

Embora as coisas tenham saído de controle no caminho, Gregory não havia esquecido sua missão.

"Há alguém que quero encontrar pessoalmente."

"Então venha comigo."

E assim, o garoto foi.

Havia alguém que ele precisava encontrar.

Justia, que havia compreendido a situação, fechou o livro que estivera observando por algum tempo.

Duas pessoas desceram as escadas que levavam ao porão, abrindo a porta queimada e escurecida.

No porão raso, alguma luz entrava através de um pequeno buraco na parede.

"Ainda podem existir vestígios da maldição aqui."

Descendo até o porão com a consideração de Justia, Vlad franziu a testa diante do cheiro de sangue que vinha daquele lugar.

"Posso olhar?"

"Depois que terminarmos, se você tiver minha bênção."

Entendendo o significado das palavras de Justia, Vlad começou a procurar cuidadosamente entre os destroços, procurando por alguém.

"..."

Tudo o que ele precisava ver eram os rostos sofridos das jovens mulheres.

Ele as levantava cuidadosamente, rezava por sua paz e as cobria.

Vlad, que procurava entre as fileiras de cadáveres um por um, soltou um pequeno suspiro.

O cabelo castanho familiar, embora sujo, estava ali.

"Vou sair por um momento."

Justia, percebendo que a pessoa que Vlad procurava estava ali, abriu espaço para ele.

Um porão vazio.

Em um lugar onde apenas uma pequena quantidade de luz brilhava, Vlad olhou para Anna sem dizer uma palavra.

"A vida é tão cruel. Não é?"

A mulher que havia pedido ao jovem para protegê-la enquanto lhe oferecia comida estava ali, depois de ser golpeada por um homem que nem sequer parecia digno de ser chamado de humano.

Com marcas de lágrimas negras que ainda não haviam secado.

Ao ver aquela cena, o garoto sentiu mais tristeza do que raiva.

Se a ponta de sua espada tivesse sido um pouco mais afiada, se ele tivesse sido um pouco mais forte, talvez ela não estivesse deitada no chão frio naquele momento.

O jovem, que não conseguia se satisfazer apesar de ter feito o seu melhor, engoliu em seco antes de falar.

"...Na próxima vida, espero que você tenha nascido como algo diferente, não como uma prostituta."

Vlad ergueu a mão e fechou o peito aberto da mulher, que estava completamente exposto como naquele dia.

'Espero que meu toque de agora aqueça um pouco você.'

No lugar onde o garoto partiu, apenas a mulher cuidadosamente cuidada permaneceu.

A mulher, diferente das outras mulheres, não possuía marcas de lágrimas negras.

Em sua mão, iluminada por uma pequena luz que atravessava o ambiente, ela segurava um anel de flores com uma única flor.

Uma mulher que não respirava.

Uma mulher que não pisava no chão.

Livre dos deuses e não sujeita às leis do mundo.

"..."

A mulher fechou os olhos e se lembrou dos olhos azuis do garoto. E também se lembrou da alma de alguém presa no olho esquerdo do garoto.

Era uma alma brilhante, mas marcada pela crueldade, claramente alguém que havia utilizado algum feitiço antigo.

'Coisas antigas estão despertando.'

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Pensou a mulher de olhos fechados.

O momento havia chegado.

O tempo do caos. O tempo das rachaduras.

Era o momento perfeito para aqueles como eles, que viviam à margem, tomarem uma posição.

A mulher havia esperado por esse momento durante muito tempo.

"Que meus cavaleiros escolham aquilo que desejarem entre o que está diante deles."

Disse a mulher enquanto continuava de olhos fechados, apontando o dedo em meio à escuridão.

No local indicado pela ponta de seu dedo, ainda havia rostos cobertos de sangue.

Rostos de agonia, rostos de horror, rostos de medo.

Tudo o que restava eram os rostos dos cavaleiros do Barão Utman.

"Permaneçam aqui como nossos vassalos por enquanto."

"Entendido, Lady Lakshma."

Os cavaleiros sem cabeça, que aguardavam silenciosamente na escuridão, abaixaram suas cabeças diante de sua senhora.

O Barão Utman havia pago o preço.

Seu único filho havia retornado da morte e, como pagamento, a cidade de Mosiam mergulhou na escuridão.

A escuridão se espalha por todos os lugares.

E ela sempre espera por uma oportunidade.

Assim como a mulher que agora mantinha seus olhos fechados.

O céu noturno que se aproximou da cidade de Mosiam naquela noite veio com uma cor um pouco mais escura.

Vlad pensou enquanto olhava para a mulher que mantinha contato visual com ele.

Observando de perto, seus cílios eram longos.

Embora ela tivesse os mesmos olhos brilhantes de Lady Oksana, a sensação de luminosidade era completamente diferente, e era curioso observá-la atentamente.

"Então, você foi absorvido por um buraco negro que apareceu de repente?"

"Sim."

O tom severo e a expressão facial de Justia criavam uma cena de interrogatório, mas sua verdadeira atitude em relação ao garoto era cuidadosa.

Era o garoto de cabelos loiros que havia cuidado do cavaleiro sem cabeça enquanto eles estavam na igreja parcialmente destruída, apoiados por uma barreira fraca.

Seria natural querer oferecer algo mais ao garoto que havia dado o seu melhor.

"Explique com mais detalhes."

Justia perguntou em um tom áspero, mas na realidade mexia o chá doce com a mão e o entregava a ele.

Embora o primeiro encontro deles tivesse sido desastroso, depois de enfrentarem juntos um campo de batalha que parecia a própria morte, agora eram companheiros próximos o suficiente para se chamarem aliados.

"Então subi até a torre do sino e quebrei o padrão. Depois ele ficou furioso..."

Vlad começou a explicar detalhadamente a situação daquela noite, fortalecido pela consideração de Justia.

O garoto, a última testemunha e sobrevivente que havia enfrentado o Cavaleiro Sem Cabeça, tinha em suas mãos uma pista importante para explicar o que havia acontecido.

Em outras palavras, também significava que não existia nenhuma evidência sólida que pudesse substituir o testemunho do garoto.

"A batalha foi muito intensa. Eu mal consegui suportar desviando dos golpes da espada que aquele cara usava."

A cena reconstruída através da investigação cuidadosa era realmente dolorosa de se ver.

Porque havia vestígios de outra pessoa que havia sido tratada miseravelmente antes da violência de uma única pessoa.

Entre as pegadas confusas misturadas umas às outras, os Cavaleiros Sagrados que encontraram a luta desesperada de alguém naquele lugar aplaudiram o garoto como sinal de respeito.

Porque ninguém imaginava que o garoto, apenas um escudeiro, pudesse ter enfrentado o homem sem cabeça.

"E então, de repente, um buraco negro apareceu no chão. Parecia a boca de algum tipo de fera gigante, e o cavaleiro sem cabeça desapareceu..."

Justia estava concentrada ouvindo o testemunho de Vlad, que descrevia os acontecimentos daquele dia misturando verdade e mentira.

O garoto, que havia vivido entre prostitutas que ganhavam a vida usando sua eloquência, falava de maneira bastante habilidosa.

"E então ele desapareceu. Apesar de eu não ser tão velho, nunca vi algo tão estranho em toda a minha vida."

"Hmm."

Embora parecesse distraída, Justia estava mergulhada em preocupação enquanto ouvia as palavras de Vlad.

"Ah, e acho que ele chamou por algum nome."

"Que nome? Que nome?"

Com uma pista surgindo, Justia olhou para o garoto, que puxava os próprios cabelos tentando se lembrar.

"Ah, não lembro. Minha mente ficou em branco."

"Espere. Você não consegue se lembrar de nada?"

Justia rapidamente pegou uma fruta próxima e começou a descascá-la em um ritmo acelerado.

Em alguns aspectos dela, não havia uma única rachadura visível, mas em sua aparência atual, Vlad viu seu olhar inocente e fez uma expressão sutil.

"Ah, sim. Acho que era... Ramasht?"

"Ramasht?"

"Sim, é isso. Acho que ele disse 'Ramasht'."

Quando Justia ouviu as palavras de Vlad, sua expressão endureceu de repente e ela parou de se mover.

Mesmo sem perceber, suas mãos apertaram cada vez mais a fruta que segurava, deixando marcas mais profundas.

"Entendo. Obrigada pela sua cooperação."

Justia deixou a fruta que estava descascando e se levantou de seu assento.

"San Rogino nunca esquecerá sua bravura naquele dia."

"Sim..."

"Descanse."

Depois de dizer essas palavras, Justia se levantou apressadamente, deixando Vlad sentado com uma expressão vazia.

De alguma forma, ela demonstrava firmeza em momentos como esse, então Vlad realmente não conseguia entender Justia.

Mas, de qualquer forma, era um alívio.

Tudo havia passado sem incidentes.

[Que sorte. Ela não desconfiou.]

"Até o tamanho das pegadas era igual! Até eu ficaria confuso."

Um garoto que havia dado um falso testemunho a uma paladina fiel, usando o senso comum e a lábia como escudo.

Embora tivesse mentido, as informações contidas em suas palavras eram verdadeiras, então os esforços de Justia não seriam em vão.

"Se vai descascar, descasque tudo."

Vlad pegou a fruta que Justia havia deixado e a mordeu de uma vez.

"Azeda!"

Na fruta parcialmente descascada, ainda era possível sentir o sabor dela.

[Kura: Futuro romance?]

Na manhã seguinte.

Justia e seus Cavaleiros Sagrados abaixaram suas cabeças enquanto se despediam do grupo que deixava a vila após concluir fielmente todas as investigações.

Embora fossem pessoas de orgulho tão grande quanto sua proximidade com Deus, a expedição de Sohara até aquela vila havia sido claramente algo digno de reconhecimento.

Mesmo agora, os cavaleiros eram gratos e estendiam suas mãos em respeito ao jovem que havia se destacado.

"San Rogino nunca esquecerá o sacrifício corajoso de todos vocês."

"...Então, por favor, fale de mim de maneira mais gentil. Porque o prefeito que sirvo atualmente é uma pessoa muito rigorosa."

Justia não teve escolha senão responder em silêncio ao comentário brincalhão de Gregory.

Como uma cavaleira de Deus, ela sempre precisava dizer a verdade, então não poderia simplesmente esquecer o nome de Gregory, mesmo naquela situação.

"Embora eu não possa mentir, prometo considerar a posição de Gregory da melhor maneira possível."

"Eu só espero que você não estrague tudo."

"Sinto muito."

O grupo, revigorado pelo poder divino dos cavaleiros, fazia os preparativos finais e aguardava o sinal de Gregory para partir.

Os olhos verdes de Justia pararam em um ponto específico enquanto ela olhava ao redor.

Havia uma pequena bandeira que o garoto dobrava cuidadosamente.

"...Parece que Vlad ficou com a bandeira."

"É um talento que chamou a atenção de Bayezid; estamos tomando cuidado ao lidar com isso."

Os paladinos próximos que ouviram as palavras de Gregory assentiram, dizendo que fazia sentido.

Ele era um garoto corajoso, então seu potencial provavelmente era extraordinário.

"Então, iremos embora por enquanto."

"Que a graça de San Rogino esteja com vocês."

Depois de se despedirem dos cavaleiros e da vila que acenava para eles na entrada, o grupo partiu de volta para Sohara com o coração mais leve do que quando chegou.

O grupo viajava em uma carruagem velha e instável em vez daquela que haviam perdido no incêndio.

Embora tivessem perdido os veículos, agora possuíam o favor da diocese do norte, Rogino.

Eles não sabiam quando poderiam precisar disso, mas certamente poderiam contar com ajuda no futuro.

"Você está bem?"

"Sim, consigo continuar sentado."

"Se sentir desconforto, me avise. Não queremos que você se machuque."

O eco da voz ainda ressoava na mente de Vlad enquanto ele se acomodava na borda da modesta carroça emprestada pela vila.

Embora andar em uma carroça fosse um pouco desconfortável para ele, não tinha escolha senão aceitar, pois não sabia montar a cavalo.

"É bom ver a névoa desaparecendo."

"Dizem que originalmente era um lugar com bastante luz solar. No fim, era apenas isso que estava acontecendo."

As palavras de Gregory tranquilizaram um pouco o garoto.

Seria melhor para Anna estar em uma vila com luz do sol e ar fresco do que em algum beco escuro de Sohara.

A vila que antes estava coberta por névoa.

Agora estava cheia de luz, enquanto os moradores saíam para se despedir do grupo que partia em direção a Sohara.

Entre eles, Vlad percebeu a garota que havia lhe entregado um pequeno anel de flores e respondeu ao cumprimento acenando a mão para ele.

O garoto olhou para cima enquanto balançava na carroça instável.

O céu, cheio de nuvens brancas, estava tingido por um azul claro e fresco.

"É bonito."

'Espero que Anna esteja aquecida e segura aqui.'

O garoto pensou sinceramente.

No escritório do prefeito de Sohara banhado pela luz do sol.

Josef, o dono daquele lugar, estava sentado diante de um homem idoso na mesa de recepção, servindo-lhe chá.

Embora estivesse vestido de maneira simples, seu olhar era tão afiado quanto sua aparência.

"Quando você chegou aqui?"

"Há algum tempo. Acho que faz dois dias."

"Se tivesse me avisado, eu teria ido imediatamente."

O homem idoso, observando Josef com um sorriso satisfeito, olhou para ele com orgulho.

O garoto que parecia tão frágil que poderia desmaiar a qualquer momento havia crescido até aquele ponto.

Vendo isso, o velho sentiu orgulho, pois acreditava ter contribuído ao menos um pouco para isso.

"Agora sou apenas um simples servo. Como eu ousaria chamar um nobre?"

Embora ele se referisse a Josef como "senhor" em vez de "servo", tanto ele quanto seu companheiro, Jager, ignoraram esse detalhe sem dizer nada.

O homem idoso que bebia chá naquele momento tinha o direito de chamar Josef de "nobre", não importava onde estivesse.

"Bem, onde está aquele garoto?"

Ele sabia muito bem que o homem idoso tinha um temperamento impaciente desde jovem.

Josef respondeu com uma risada despreocupada enquanto olhava para o idoso, que foi direto ao ponto antes mesmo de colocar a xícara de chá na mesa.

"Enviei-o para uma missão temporária. Mandei-o para a casa do Barão Utman, então ele deve voltar em breve."

"Ah, entendo. O moleque já tem uma missão."

Ao ouvir Josef, o homem idoso assentiu com entusiasmo.

Talvez esse garoto acabasse sendo útil afinal.

"Na verdade, antes de vir para Sohara, passei por Sturma para ver o Mestre. Só falta um Ducado, então queria terminar aqui."

Ao ouvir a palavra "Ducado", tanto Josef quanto Jager ficaram surpresos.

Ele realmente havia vindo por esse motivo?

[Kura: Sinto que já falei sobre isso em algum lugar, mas o “Ducado” é uma moeda que apenas os duques possuem. E isso lhes dá o poder de ficarem apenas abaixo dos reis. Então os reis lhes dão um território para que eles possam cuidar.]

"Aqueles caras lá são todos cegos. Como é possível que todos aqueles que carregarão o nome de Bayezid sejam assim?"

O homem idoso estalou a língua, dizendo que atualmente não existiam jovens úteis, então virou a cabeça e falou, dessa vez olhando para Jager.

"Seus aprendizes também são assim?"

"Provavelmente são melhores do que aqueles caras."

"Parece que o reclamão tem algum talento."

Jager apertou os lábios ao ouvir o homem idoso chamá-lo de reclamão.

Mas o que ele poderia fazer?

Durante sua juventude, ele havia mostrado ao homem idoso todos os lados possíveis de si mesmo, então não tinha nada a dizer.

"Espero que aquele garoto chamado Vlad goste disso. Se ele agir com arrogância confiando apenas no apoio dos pais, mesmo sendo aprendiz de um nobre, ele receberá o que merece..."

"Ele não tem pais."

Josef estendeu uma bandeja de lanches ao homem idoso com um sorriso irônico.

"Ele é um garoto que cresceu sem pais em um beco e chegou até aqui através dos próprios esforços."

"Oh..."

Josef, percebendo as intenções do velho ao vir até ali, tentou manter o interesse dele o máximo possível.

A história de Josef sobre o começo da autoconfiança certamente despertaria no velho uma nostalgia pelos tempos difíceis de antigamente.

"Eu não preciso ir até o ducado. Apenas dê uma lição naquele seu amigo."

"Bem, se você diz..."

Enquanto mastigava um lanche, o homem idoso acariciou sua barba.

Josef voltou seu olhar para a bandeira colocada atrás do velho.

"De todos os jovens que vi ultimamente, não houve nenhum de quem eu gostei."

Embora pequena e desgastada, a bandeira, que havia sido cuidadosamente preservada, era claramente semelhante àquela que Josef havia dado a Vlad.

"Você também tinha um pedido, então vou investigar isso completamente."

O homem idoso mexeu em sua barba erguida.

A velha bandeira trazida pelo homem idoso tinha mais de dez padrões gravados.

A bandeira, tão antiga quanto seu dono, era a bandeira de alguém que havia provado sua própria honra.

Traduzido por Moonlight Valley

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Fim da leitura

Capítulo 64 concluído

Sessão 6 – Capítulo 64 – Capítulo 64: Em Direção ao Céu 3