Mestre Espadachim das EstrelasSessão 7 – Capítulo 67 – Capítulo 67: O Cavaleiro Misterioso
Capítulo 67Sturma, a cidade cercada por muralhas.
O senhor daquele território, Peter Bayezid, acariciava o queixo enquanto observava a bela armadura à sua frente.
"De acordo com o relatório de Josef, o Lorde Ramund já chegou a Sohara. Dizem que ele parece estar interessado no escudeiro de lá."
"Ótimo."
Peter pensou, lembrando-se do momento em que o Cavaleiro Ramund retornou a Sturma pela primeira vez.
Ramund, o antigo chefe da família, era uma pessoa difícil de lidar, tanto quanto ele próprio.
[Kura: Olha quem é o vovô, rapaz, calma, então é o avô do Josef?]
O fato de ter retornado depois de ver a situação dos vassalos daqui fazia Peter sentir um gosto amargo.
"Devo dizer que, pelo menos, consegui compensar...? Ou devo lamentar que isso seja tudo o que posso fazer?"
Ragmus permaneceu em silêncio enquanto observava os olhos de Peter ficarem cada vez mais penetrantes.
Originalmente, Bayezid era uma família que possuía uma habilidade especial para formar não apenas cavaleiros, mas também escudeiros dignos.
Ramund, que havia retornado suspirando, havia ascendido de escudeiro a cavaleiro naquela época, então ver o nível dos escudeiros atuais deve ter feito parecer que a antiga Bayezid havia entrado em colapso.
A Bayezid que ele conhecera não teria sido assim.
"Os tempos mudaram, não é?"
"Embora os tempos tenham mudado, há algumas coisas que não deveriam mudar."
Poderia ter passado por uma simples reclamação de um velho, mas o duro conselho de Ramund claramente também afetara Peter.
"Parece que negligenciei demais a perspectiva do Norte."
Enquanto isso, a qualidade dos cavaleiros estava melhorando devido ao aumento do recrutamento externo, mas a qualidade dos vassalos estava, na verdade, diminuindo.
Isso também significava que a identidade de Bayezid estava desaparecendo aos poucos, então era definitivamente algo com que Peter precisava se preocupar.
"…"
Uma armadura brilhando sob a luz do sol.
O olhar de Peter, que refletia aquela imagem, voltou-se automaticamente para aquele lugar.
Era uma armadura enviada por San Rogino, uma diocese do Norte.
A breve carta que acompanhava a armadura explicava as circunstâncias de seu envio e mencionava o nome de um garoto conhecido.
"Parece que você está impressionado."
"Ele chegou a receber reconhecimento externo, como o de San Rogino. Nada oferece mais confiabilidade do que uma confirmação independente."
Peter ouviu Ragmus e assentiu.
Até mesmo a seleção dos Cavaleiros Sagrados de San Rogino e o Lorde Ramund, um cavaleiro dos tempos antigos, serviam como confirmação.
"Acho que devemos enviá-la para Sohara."
"Isso mesmo."
Felizmente, as antigas tradições de Bayezid ainda permaneciam.
Ao ver isso, Peter sentiu-se muito aliviado, embora não demonstrasse.
As fortes muralhas de Sturma haviam sido construídas seguindo essas tradições.
"Pare..."
Vlad abriu os olhos sobre a cama com um gemido.
As sobrancelhas de Vlad se franziram ao sentir a dor de cabeça persistente.
"Como vim parar aqui?"
A julgar pela toalha úmida cobrindo sua testa, parecia que alguém havia cuidado dele enquanto estava inconsciente.
"Eu briguei com um velho de quem não gostava..."
Vlad franziu a testa e se sentou na cama, refletindo sobre os acontecimentos do dia anterior.
As lembranças vinham de forma intermitente, como se estivesse bêbado, mas ainda havia memórias fortes que retornavam à mente de Vlad.
Uma testa brilhante.
Era uma testa brilhante dotada de um poder implacável.
"É isso."
Dizem que o mundo é vasto e cheio de muitas coisas estranhas, mas, quando realmente vivenciei aquilo, quase ri.
A testa do velho, fortalecida por Aura, era tão dura que teria sido melhor bater em uma parede.
"Pode ser usado desse jeito?"
[Porque o talento de uma pessoa se manifesta de várias maneiras.]
Pelo fato de a voz não dizer que havia visto aquilo até o fim, parecia que ela também nunca havia visto algo assim antes.
Ou talvez estivesse em sua memória, mas tivesse sido esquecida.
"Bem, depois de tudo o que fiz, acho que ainda estou sendo bem tratado."
[Sim. Ele definitivamente é alguém com quem você pode aprender.]
Vlad aproximou-se em silêncio ao ouvir as palavras da voz.
Era um velho cujo nome e identidade não eram facilmente revelados, mas Vlad conseguia deduzir algo por sua intuição.
Um cavaleiro aposentado de Bayezid.
Sim, agora ele estava aposentado e vagava de um lugar para outro.
Parecia estar realizando algum tipo de ritual que somente um cavaleiro poderia realizar, mas, para Vlad, que ainda era apenas um escudeiro, era difícil descobrir exatamente o que ele estava fazendo.
"Por que está resmungando sozinho desse jeito?"
"Por favor, bata antes de entrar."
Assim que Vlad recobrou os sentidos e se levantou da cama, alguém entrou e abriu a porta abruptamente.
Era uma pessoa baixa cujo rosto sequer podia ser visto, pois estava usando um amontoado de roupas.
"Você deveria ter uma mão para bater antes de entrar."
Zemina pareceu irritada e jogou sobre a cama o monte de roupas que carregava.
Eram todas as roupas que Vlad costumava usar.
"Se me deixar sozinho, eu mesmo cuido disso. Está tudo bem."
"Cliente. Tudo isso são serviços oferecidos pela nossa hospedaria."
Zemina olhou para Vlad com um sorriso cruel que tentava parecer amigável.
Os dentes de Zemina, que pareciam particularmente afiados naquele dia, pareceram sinistros para o garoto sem motivo aparente.
"Porque você é um hóspede precioso que está hospedado no caro quarto do quarto andar. Isso é algo que precisamos fazer."
"…"
Vlad sabia que o que Zemina dizia não era apenas uma brincadeira.
O Sorriso da Rosa, que não era diferente do alter ego de Marcella, estava transformando a hospedaria em uma verdadeira hospedaria, em vez de um simples depósito, de acordo com sua vontade.
Marcella estava fazendo o possível para sobreviver na encruzilhada de sua vida causada pela ausência de Jorge.
"Eu ainda não tenho tanto dinheiro."
"Dizem que você está livre. Só estar aqui já ajuda."
Marcella oferece ao garoto um lugar confortável para descansar, e o garoto empresta a Marcella o valor de seu nome.
"Posso ficar com um?"
"Isso é a Marcella que decide."
Vlad, que havia observado a luta entre organizações por muito tempo, estava preocupado com o fato de que somente ele pudesse reprimi-las, mas, da perspectiva de Marcella, aquilo parecia bastante plausível.
Como ele era uma pessoa talentosa e admirada pelo prefeito de Sohara e o segundo filho da família Bayezid, talvez não fosse conhecido em nenhum outro lugar, mas, pelo menos dentro daquela cidade, seria um nome digno.
"Venha ao restaurante. Ouvi dizer que Marcella preparou o almoço."
Zemina, que estava ocupada deixando o quarto, voltou com uma expressão arrependida e estendeu a mão para Vlad.
"Esqueci disso. Pegue, senhor."
"Ainda não sou um cavaleiro. Não precisa fazer isso por mim."
Vlad estava prestes a dizer algo a Zemina, mas manteve a boca fechada quando viu o lenço que ela lhe entregava.
Era um lenço feito de seda luxuosa, com o nome de alguém bordado em dourado.
"Parece claro que você é o cavaleiro da Lady Alicia."
"Isso... Foi algo que eu não pude evitar..."
Vlad queria explicar tudo em detalhes, se possível, mas manteve a boca fechada ao ver Zemina com um sorriso forçado no rosto.
Há um momento para tudo, e agora não era o momento de resolver mal-entendidos.
"Foi gratificante ter a oportunidade de brandir a espada enquanto cortava até mesmo o cabelo. Você teve um grande sucesso."
"Agradeço..."
Bang!
Antes que pudesse terminar de falar, Vlad ergueu as duas mãos e deu de ombros ao ver Zemina sair e fechar a porta.
"Isso estava acontecendo. Sempre."
Vlad olhou para a porta pela qual a garota havia saído e coçou o pescoço.
Ela não saberia que Lady Alicia era a Baronesa de Deirmar, nem entenderia que o lenço que lhe entregara havia chegado até ele por meio de intrincados cálculos políticos.
Mesmo que soubesse, sua reação provavelmente não teria sido diferente da atual.
"Ela até passou as roupas."
Em um frio dia de inverno, Vlad se lembrou do sacrifício que Zemina havia demonstrado por ele enquanto olhava para as roupas sobre a cama.
A sensação das mãos da garota ruiva sobre as roupas dadas a ele pela dama era reconfortante.
"…"
Vlad tirou as roupas que Zemina lhe dera, depois de ter ficado muito tempo sem sair.
Embora a sensação do tecido fosse diferente, o calor que a garota irradiava não havia mudado desde antes.
Era bom estar de volta.
Vlad pensou assim enquanto esticava o pescoço.
"Eu disse que sinto muito."
"…"
"Eu vou comprar para você. Algo razoável."
"Há coisas que o dinheiro não pode comprar..."
Vlad sentou-se à mesma mesa onde Jorge sempre tomava o café da manhã, ocupando seu lugar.
Entretanto, embora estivesse tomando a sopa de Marcella, da qual sentira saudades, o garoto não conseguia se acalmar facilmente.
A armadura de couro rasgada que usava parecia protestar, dando ao garoto aquela impressão.
"Eu gostava disso."
"É. É uma ótima armadura."
O velho, que compreendia perfeitamente os sentimentos do garoto, simplesmente retirou a tigela de sopa que estava diante dele.
Como o garoto havia dito antes, a armadura de couro concedida pela família Bayezid apenas às sementes promissoras era um item que não podia ser substituído por dinheiro.
O velho também se lembrava vividamente da empolgação que sentira quando recebera a armadura em sua juventude.
"Então, venha comigo até a prefeitura mais tarde."
"Por quê?"
O velho quis jogar fora o prato de sopa que o garoto estava comendo diante de sua resposta brusca, mas se conteve.
[Kura: Calma moço kkkk]
Era verdade que ele havia iniciado a luta, e não conseguira controlar adequadamente sua força, ferindo o garoto e até quebrando a armadura de Bayezid, então podia-se dizer que havia cometido um grande pecado.
"Você não deveria provar seu valor ao seu senhor novamente? Acha que suas avaliações desastrosas depois de uma semana de liberdade supervisionada não vão voltar para assombrá-lo?"
Ao ouvir as palavras do velho, Vlad, que estava nervoso, começou a mergulhar em seus pensamentos.
Sem dúvida, não haveria maneira melhor de melhorar sua avaliação do que apresentar resultados.
Além disso, considerando a postura determinada de Josef ao lidar com o velho, mesmo que seguisse suas palavras, era improvável que ele elogiasse ou criticasse sua decisão.
"Então, vamos trabalhar juntos. Vou lhe dar um aumento generoso depois de ver isso."
"Do que se trata?"
"Se você pedir alguma coisa a Jager ou Bordan, eles pelo menos lhe darão uma coisa."
"...Quer que eu corte um pouco de pão para você?"
O velho ficou sem palavras ao observar o garoto saber instintivamente quando recuar e quando avançar.
"Mas por que você agiu daquele jeito, então?"
"Quando?"
"Então, corte o pão."
O velho só pôde estalar a língua ao ver o garoto arregalar os olhos como se não entendesse do que se tratava.
"Não vai ser fácil lidar com ele."
Pensando nas travessuras do garoto, o velho sentiu pena de Josef, que teria de lidar com ele.
"De qualquer forma, você terá que compensar o valor da armadura que quebrou."
"…"
Entretanto, como era ele quem tinha aquele garoto esperto em suas mãos naquele momento, o velho teria que pagar por isso.
Por causa da ordem de liberdade supervisionada, Vlad não podia entrar na prefeitura, então encontrou um estabelecimento do lado de fora e se instalou ali.
"Está se sentindo bem?"
"Estou me sentindo melhor depois de descansar um pouco."
"Fiquei muito preocupado até chegar aqui."
Ali, Goethe, que agora estava encarregado do estábulo de Sohara, recebeu Vlad.
"Vale a pena?"
"O que há de errado? Eles me pagam muito dinheiro, bastante comida e um bom lugar para dormir. Além disso, desta vez haverá um subsídio especial."
"...Quanto você ganha?"
Em resposta à pergunta de Vlad, Goethe balançou o dedo e disse.
"Por mais próximos que sejamos, não pergunto sobre coisas assim."
"Esperto."
Quando Goethe disse que lhe pagavam muito dinheiro, Vlad sentiu inveja sem motivo algum.
O status formal de Vlad era o de escudeiro, e a posição de escudeiro na família Bayezid era a de assistente e aprendiz dos cavaleiros.
Em outras palavras, Vlad nunca havia recebido nenhum salário além do dinheiro de bolso que Josef lhe dava.
"Mas o capitão recebeu um monte de coisas. Algo como armadura ou roupas."
"…"
Mas, como Goethe havia dito, Vlad também não tinha o que dizer.
O apoio tangível e intangível que Oksana e Josef proporcionavam ao garoto valia algo que não podia ser medido em moedas de ouro.
Só por ser escudeiro de Jager, era uma oportunidade para alguma família procurá-lo com centenas de moedas de ouro.
"O que tem acontecido ultimamente?"
"Faz alguns dias que cheguei."
Goethe, que estava escovando seu cavalo como se não se importasse com a pergunta, certificou-se de que não havia ninguém por perto e rapidamente virou a cabeça para sussurrar para Vlad.
"Há rumores."
"...Rumores?"
A relação entre os dois continuava a mesma, como a de um crocodilo e um pássaro que limpa seus dentes. Os cantos da boca de Vlad começaram a se erguer ao ouvir o sussurro de Goethe.
"Os guardas do turno da noite viram algo estranho."
"Conte."
Embora dissessem que era apenas um rumor incerto, definitivamente havia algo a dizer sobre o que Goethe havia contado.
"Dizem que um cavalo negro está constantemente observando o portão à distância. Mas, quando alguém se aproxima para ver o que está acontecendo, ele desaparece de repente."
"Cavalo?"
Vlad parecia saber por que Goethe estava sussurrando.
Uma cena que ele havia presenciado em uma aldeia coberta pela névoa começou a surgir em sua mente.
"Ouvi dizer que, naquela época, havia um cavaleiro sem cabeça montando algo parecido com um cavalo fantasma."
"...Havia."
Um cavalo negro observando Sohara na escuridão da noite.
E, mesmo que tentassem verificar, ele desaparecia.
A suposição de Goethe certamente fazia sentido.
"Talvez seja isso."
"Cuidado. Você ainda está em liberdade supervisionada."
Depois de ouvir as palavras de Goethe, Vlad rapidamente se levantou de seu lugar.
"Estou em liberdade supervisionada, mas acho que vou trabalhar mesmo assim."
"Eh?"
"Você também, prepare-se."
"Se...?"
Vlad colocou as mãos na cintura e olhou para o velho que se aproximava diante dele.
O sol da tarde iluminava a testa do velho, que estava quase completamente careca.
"Seu desgraçado, vamos!"
"Por favor, me chame pelo meu nome."
Um velho sorria enquanto dizia que havia encontrado trabalho.
No papel que o velho segurava, havia uma imagem de um cavalo negro observando Sohara.
"Seria bom receber mais subsídios especiais."
"Não..."
Olhando maliciosamente para o garoto, Goethe jogou a escova que segurava dentro do balde.
"Eu mal consegui descansar!"
"Eu também."
Vlad interrompeu o descanso tranquilo de Goethe e sorriu alegremente.
Se você não sabe montar a cavalo, pode montar em alguém que conduz um cavalo.
Essa foi a decisão do garoto.
Traduzido por Moonlight Valley
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