Mestre Espadachim das EstrelasSessão 7 – Capítulo 69 – Capítulo 69: Os Velhos Tempos Continuam 2
Capítulo 69Não importava se ele não sabia montar a cavalo ou se não estava sentado em uma sela.
"Depressa, suba no cavalo!"
Relincho!
Quando o garoto olhou, ele estava se aproximando e, depois de brandir sua espada, já havia passado.
Mundo e mundo.
Os dois mundos, conectados pela Aura e por um chifre, avançavam em direção ao mesmo lugar, embora estivessem olhando em direções diferentes.
'É isso!'
Vlad riu alto ao sentir o vento passar por seu rosto.
O som das batidas do coração do cavalo negro era sentido por todo o seu corpo.
Vlad brandiu sua espada e sentiu uma batida duas vezes mais forte que a sua.
Será preciso mais sangue para fazer esse coração gigantesco arder.
"Sorria como antes!"
À medida que a noite escura passava, o sangue dos bárbaros se espalhava densamente.
Aqueles que haviam sido cegados pelo saque da espada e caído no chão jamais poderiam montar a cavalo novamente.
"Aquele maldito!"
"...É aquele que nos rejeitou!"
Os bárbaros, que vinham saqueando os mercadores há algum tempo, ficaram surpresos ao ver Vlad se aproximando rapidamente.
Ele era muito rápido, e a ferocidade da espada que empunhava era parte do motivo, mas o que mais os surpreendeu foi o fato de que o sujeito que estavam perseguindo havia montado uma pessoa.
As únicas pessoas capazes de montar um filho das pradarias nascido com sangue espiritual eram eles próprios, que também eram filhos das pradarias.
No entanto, o senso comum em que acreditavam firmemente foi destruído por Vlad, que agora cavalgava o cavalo negro.
Ao contrário do que pensavam, o cavalo negro como a noite não pertencia a ninguém. Ele havia escolhido Vlad por vontade própria.
"Não o entreguem ao fedelho imperial!"
Os bárbaros rangeram os dentes e recuaram ao vê-lo, como se algo que lhes pertencia tivesse sido roubado.
Sentindo que suas almas haviam sido pisoteadas, para além do próprio orgulho, os bárbaros começaram a perseguir o garoto, deixando para trás as brilhantes moedas de ouro.
'Eles estão me seguindo!'
Vlad, que vinha matando aqueles que saqueavam havia algum tempo, não sabia o que fazer ao ver pessoas vindo em sua direção.
Como havia se separado da caravana, seu objetivo havia sido alcançado, mas a situação de estar cada vez mais cercado era difícil de lidar para um garoto inexperiente.
"…!"
Enquanto Vlad hesitava, incapaz de tomar uma decisão, os bárbaros começaram a cercá-lo enquanto ele corria.
Os olhares dos bárbaros vinham como uma punhalada afiada.
Preso em meio a mais de dez homens, Vlad cerrou os dentes e se preparou para o mal que se aproximava.
"Desça desse cavalo agora mesmo, desgraçado!"
"Este não é um cavalo que você pode se atrever a montar!"
Vlad não se intimidou nem mesmo diante dos olhares dos homens, que o perfuravam como punhais.
"…O que vocês têm a ver com o fato de eu montar esse cara ou não?!"
‘Vou fazer o que eu quiser.’
‘Eu vim até aqui para fazer isso, e vocês não têm o direito de me impedir.’
"Ele está gritando com a gente. Ei."
"Matem-no!"
Os bárbaros, ao verem os olhos azuis ardentes do garoto, brandiram suas espadas de todas as direções, como se estivessem apenas esperando por aquilo.
"…!"
Vlad rapidamente tentou elevar sua Aura para contra-atacar, mas, antes que percebesse, as espadas dos homens estavam oscilando diante dele.
"Oh?"
Irrr-hiii !
Vlad não estava lutando sozinho.
O cavalo negro habilmente diminuiu a velocidade e desviou, em um instante, dos ataques das espadas dos bárbaros.
Bum-Bum—
Então, empurrou com força os cavalos dos bárbaros que corriam ao seu lado e começou a romper o cerco que haviam formado.
Até mesmo o cavalo negro tinha uma dívida a cobrar deles.
"…!"
Um chifre branco que só podia ser visto no mundo do garoto.
Os olhos do cavalo negro começaram a brilhar junto com o chifre, exercendo uma pressão irresistível sobre os cavalos ao redor.
Era uma força incrível emanando de um herbívoro.
"Uau!"
"Merda! Eles me pegaram!"
Vlad, que havia sido capturado em uma enorme rede, rompeu o cerco e saltou, indo parar atrás dos bárbaros.
Era uma posição que apenas um perseguidor e predador poderia alcançar.
"Joguem as cordas!"
Enquanto Vlad entrava em pânico ao ver sua posição mudar em um instante, alguns dos bárbaros rapidamente começaram a lançar as cordas que seguravam.
Era uma corda com um feitiço inscrito, lançado na noite anterior para capturar o cavalo negro.
Irrr-hiii —
O cavalo negro começou a relinchar ao olhar para a corda carregada de uma malícia que ele não suportava ver.
Ele se lembrou do céu noturno, quando os laços voaram de todas as direções.
"Como ousam!"
Entretanto, dessa vez, o garoto foi capaz de enfrentar aquilo que o cavalo negro não conseguira.
O mundo que Vlad segurava começou a fluir de seu olho esquerdo fechado.
"Esses desgraçados são cruéis até o fim!"
Vlad observou os laços que voavam de todas as direções e começou a brandir sua espada no momento exato.
Não sabia se haviam sido lançados de vários ângulos, mas o garoto já os havia pego de surpresa, e os laços lançados às pressas voaram diretamente à sua frente.
Rasgo—
Com um clarão de luz, os feitiços dos bárbaros foram reduzidos a nada.
Com a malícia dos humanos, contra a qual o cavalo negro nada podia fazer.
"Esse garoto também sabe usar Aura!"
"O pirralho também é um cavaleiro!"
O garoto e o cavalo sorriram maliciosamente ao olhar para os bárbaros perplexos.
"Agora é a minha vez!"
A espada na mão do garoto começou a tremer.
Mais rápido que os bárbaros, o céu noturno os atacou pelas costas.
"Aaaah—!"
Os cavalos ficaram assustados.
"…"
Outro grupo de pessoas estava se confrontando do lado de fora da caravana.
O velho e o líder dos bárbaros daquele grupo viraram a cabeça sem hesitar ao ouvirem o estranho grito vindo de trás.
"Vlad?"
"…Aquilo."
Eles eram bárbaros que haviam passado a vida inteira perseguindo e caçando pessoas.
No entanto, o que estavam vendo agora era alguém caçando a eles.
Um garoto loiro empunhando uma espada, acompanhado por um cavalo negro.
"Detenham-no!"
Percebendo que a situação era incomum, o líder dos bárbaros ordenou ao grupo que o seguia que cuidasse de Ramund e correu rapidamente para o lugar de onde vinham os gritos.
"Aonde você vai? Ei!"
Ramund percebeu que ele estava indo na direção de Vlad e rapidamente tentou segui-lo, mas o cavalo que puxava a carroça não conseguia acompanhar enquanto ele avançava em um instante.
O grupo restante bloqueou o caminho de Ramund e o deteve.
"O que está acontecendo?!"
O líder dos bárbaros correu até seus subordinados em fuga.
O que viu ali era chocante.
"Agge... Senhor Agge!"
Um de seus subordinados, coberto de sangue, correu até Agge e acenou com o único braço que lhe restava.
"Isso é inacreditável!"
De repente, metade de seus subordinados havia desaparecido.
E então havia o garoto loiro que o seguia e o cavalo de sangue espiritual que estivera observando.
Ao ver aquela cena inimaginável, Agge, o líder do grupo, arregalou os olhos de surpresa.
"Como esse pirralho se atreve!"
Agge disparou uma flecha ao ver algo que fazia o sangue jorrar apenas de olhar.
Uma flecha fria e impiedosa foi disparada contra o garoto, que irradiava uma presença poderosa mesmo à distância.
Ao mesmo tempo, as orelhas do cavalo negro se ergueram.
"…!"
"Huff!"
Vlad agarrou a crina do cavalo negro, que se inclinara por um instante, e acabou se aproximando ainda mais.
Swooshhhh—
O som sinistro do vento passando por seus ouvidos por um instante.
Era o som produzido quando a flecha que Agge acabara de disparar atravessou o lugar onde estava a cabeça de Vlad.
Vlad rapidamente ergueu a cabeça e olhou na direção de onde a flecha havia vindo.
Um homem bárbaro que, ao contrário dos outros bárbaros, tinha cabelos lisos presos por cordões coloridos.
"Você é aquele garoto de antes!"
Vlad cerrou os dentes ao se lembrar do homem de olhos frios que havia disparado uma flecha contra ele do alto da colina.
"…!"
Agge também ficou surpreso ao ver o cavalo desviar de sua flecha.
Sabia que era incomum por ser um cavalo nascido com sangue espiritual, mas não imaginava que ele fosse tão habilidoso.
'Precisamos pegá-lo aqui!'
Um garoto e um cavalo espiritual.
Um calafrio percorreu a espinha de Agge ao vê-los se complementarem perfeitamente e ficarem mais fortes justamente por serem jovens.
‘Precisamos interromper o ímpeto desses dois aqui e agora.’
"Rápido! Cerquem aqueles dois!"
"Mas, senhor Agge!"
"Eu cuidarei do fim!"
Os olhos de Agge começaram a arder enquanto encarava o garoto.
Até mesmo suas tatuagens, gravadas por todo o seu corpo.
O mundo de Agge, esculpido pela magia dos bárbaros, surgiu sobre sua pele.
A formação se estreitou mais uma vez.
"Está bem, venham ver!"
Havia um homem rompendo a brecha.
Os olhos do garoto e do cavalo que o observavam começaram a brilhar intensamente. A uma distância em que conseguiam até mesmo ver o reflexo um do outro nos olhos, os dois gritaram ferozmente, como se estivessem esperando por aquilo.
"Morra!"
"Desapareça!"
As espadas colidiram, e seus olhos arderam enquanto se encaravam.
Um duelo agitado, formado por cavalos que giravam ao redor deles.
'Droga.'
Vale a pena enfrentá-lo.
Vlad, que havia ficado frente a frente com Agge, pensou assim.
Aos olhos de um garoto que havia enfrentado homens ridiculamente poderosos, o guerreiro das planícies chamado Agge era um oponente digno.
Mas o problema é que agora ele está montado em um cavalo.
[Você não tem uma sela. E isso fica pior conforme o tempo passa.]
Como a voz havia dito, o garoto, que não podia utilizar sozinho o poder da ferramenta, ficava em desvantagem quanto mais aquela situação se prolongasse.
Sentindo as coxas do garoto tremerem cada vez mais, o cavalo negro tentou aliviar sua carga mantendo o máximo possível o corpo erguido, mas os espíritos malignos que o cercavam por todos os lados o impediam de fazer isso.
[…Você precisa recuar!]
'Como?!'
Vlad tentou desesperadamente virar a cabeça para encontrar uma saída.
No entanto, havia apenas bárbaros ao seu redor e, dessa vez, nem mesmo o cavalo negro conseguia romper facilmente o cerco.
"Então você montou um cavalo espiritual só para isso?"
Porque Agge, bem ao seu lado, estava segurando o garoto pelas palavras.
"…!"
Naquele momento, Vlad viu Ramund se aproximando.
Embora estivesse parcialmente oculto pelos bárbaros, a testa brilhante de Ramund era reconhecível mesmo à distância.
‘Com exceção de alguns bárbaros, esses caras nem sequer ousariam enfrentar um cavaleiro.’
‘Você só precisa tirar deles a mobilidade única dos bárbaros.’
Um cavaleiro experiente havia me dito algo.
Dizem que só é possível enfrentar os bárbaros depois de derrubá-los de seus cavalos.
Os olhos de Vlad brilharam em azul enquanto olhava para Ramund, que vinha atrás, e para o cerco desesperador.
"Você nasceu sobre cavalos?"
"O quê?"
Agge percebeu uma mudança na atitude de Vlad.
Até os cantos da boca do garoto começaram a se erguer gradualmente.
"Eu passei todo esse tempo preso lá embaixo."
O garoto nascido em um beco de Sohara nunca havia deixado a luta na lama.
"Se eu consegui fazer isso até agora, então, pelo menos uma vez, você vai fazer o que eu quero!"
Em outras palavras, o garoto estava acostumado a lutar na lama.
Porque havia nascido nela.
"Merda!"
Agge ficou surpreso ao ver os olhos ferozes do garoto enquanto ele saltava do cavalo e avançava em sua direção.
"Desça daí, desgraçado!"
Vlad agarrou Agge de forma imprudente enquanto ele estava montado em um cavalo em movimento.
Diante do jovem que avançava como se dissesse "vamos morrer juntos", Agge ficou profundamente perplexo e simplesmente se esquivou, pois nunca havia experimentado um ataque tão absurdo em toda a sua vida.
"Ugh!"
Um guerreiro bárbaro caiu no chão por causa das ações de um garoto que era nada menos que a própria personificação do inesperado.
Logo depois, uma dor intensa atingiu suas costas.
"…!"
Enquanto observava o chão ficar cada vez mais escuro, Vlad pensou na testa brilhante do velho.
Vlad, que se lembrou da cena que vira naquele dia em uma fração de segundo, impiedosamente empurrou a Aura para o ombro que tocara primeiro o chão.
‘Eu não aprendi isso, mas vi e senti.’
"Eh!"
Em meio à poeira que se erguia, o ombro esquerdo do garoto, tocando o chão, brilhou suavemente.
"Esse garoto... esse garoto!"
Ramund, que chegou logo depois, ficou surpreso ao ver o garoto que havia agarrado o líder dos bárbaros diante dele e caído no chão.
Por mais forte que um cavaleiro fosse, se caísse daquela maneira, seria difícil garantir que sobreviveria.
No entanto, quando a densa poeira baixou, o que surgiu diante dos olhos de Ramund era completamente diferente do que esperava.
"...Eu sou Agge, da tribo Budart."
Um garoto segurando uma espada, com sangue escorrendo por todo o corpo.
E o guerreiro bárbaro sob aquele garoto.
"Não tenho um nome para dar a alguém como você."
O garoto havia aprendido.
Para poder dizer seu nome com orgulho, é preciso agir com honra.
O homem bárbaro sob ele não passava de um dos bandidos mágicos que haviam saqueado e matado a aldeia de Bayezid.
Ramund ficou sem palavras ao contemplar a cena diante de seus olhos.
O ombro esquerdo do garoto ainda brilhava suavemente.
Ramund engoliu em seco ao ver a Aura brilhando na armadura de Bayezid, explodindo aqui e ali.
"...E se eles roubarem isso de você antes que eu possa lhe dizer, seu desgraçado?"
Todos ali estavam olhando para o garoto.
Um garoto montando um cavalo espiritual, seguindo as antigas tradições dos bárbaros.
Um garoto vestido segundo as antigas tradições de Bayezid e com seu próprio mundo.
Havia duas coisas antigas que continuavam existindo dentro do mundo do garoto.
Traduzido por Moonlight Valley
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