Noiva do Mestre de Barreiras — Capítulo 2: Volume 1 – Capítulo 1

Noiva do Mestre de Barreiras
Cap. 2
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Noiva do Mestre de Barreiras

Volume 1 – Capítulo 1

Capítulo 2

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Capítulo 1

A família Ichise era uma ramificação do clã Ichinomiya, um dos cinco grandes clãs encarregados de proteger os pilares. Apenas alguns membros privilegiados da família conheciam a verdadeira importância do clã Ichinomiya e sua responsabilidade de proteger os pilares.

E estes poucos tinham se reunido para uma luxuosa celebração em homenagem ao décimo quinto aniversário das gêmeas, Hana e Hazuki.

E naquele mesmo dia, o destino mudaria a vida de Hana para sempre.

Hana e Hazuki estavam sentadas lado a lado nos assentos de honra, mas era claro para Hana, a mais nova das duas, que seus pais e convidados estavam ali apenas para celebrar o aniversário de Hazuki. O desinteresse em Hana era gritante — Afinal, ela também estava completando quinze anos — mas, ao longo de sua vida, já havia se acostumado com aquela diferença de tratamento.

Seu coração havia se tornado calmo e apático desde o dia em que ela finalmente jogou fora todas as suas esperanças e expectativas que tinha em relação à sua família. Eles a desprezavam por não alcançar o mesmo nível de talento de Hazuki. Por fora, ela aceitava seus insultos com total serenidade, mas por dentro, ela revidava na mesma moeda. A expressão em seu rosto podia parecer serena, mas em sua mente, fazia caretas e mostrava a língua para todos eles.

Os últimos anos haviam distorcido sua personalidade, e ela sabia muito bem disso.

Hana e Hazuki mal se falavam. Na verdade, aquela festa de aniversário era a primeira vez que se encontravam em vários dias.

E se parasse para pensar — quando havia sido a última vez que elas se sentaram tão próximas uma da outra? Hana certamente não conseguia se lembrar.

A leve solidão provocada por esse pensamento e a indiferença profundamente enraizada que sentia pela família estavam inevitavelmente misturadas dentro de seu coração.

Hana virou o olhar para a irmã gêmea, que, como sempre, era o centro das atenções. Hazuki deslumbrava todos ao seu redor com seu sorriso radiante e caloroso.

Em contraste, Hana, a quem todos descartavam como as “sobras” de Hazuki, permanecia sentada em silêncio, tomando seu suco, enquanto observava a irmã com um olhar frio e admiração distante.

Popular como sempre, pensou.

Todos naquele salão depositavam grandes expectativas em Hazuki. Ela era exaltada como o ser humano perfeito — brilhante, talentosa e afável —, o completo oposto de Hana.

Hana costumava reverenciar a irmã, mas agora, já a conhecia melhor.

O comportamento impecável de Hazuki não passava de uma encenação, uma fachada que apenas Hana conseguia enxergar através. Cada expressão de Hazuki era construída sobre mentiras, começando pelo sorriso, que foi cuidadosamente moldado para conquistar as pessoas ao redor.

Como ela deveria agir para receber a aprovação das pessoas? Que palavras a fariam parecer a filha perfeita? Tudo o que Hazuki dizia e fazia era um resultado de cálculos precisos. Sua completa existência era uma farsa.

No passado seu sorriso era mais genuíno…

Hana não foi a única que mudou ao longo dos anos. Essa festa de aniversário não era nada mais que uma desculpa esfarrapada para reunir todos ali e avaliar o atual nível de poder de Hazuki.

Hana estava começando a se perguntar quando aquele teatro finalmente iria acabar, quando algo aconteceu.

Os convidados da festa tratavam Hana como se ela fosse invisível, e ela estava mais do que satisfeita em ignorá-los de volta. Havia um pedaço de bolo em seu prato, mas nem o doce, nem aquele dia carregavam qualquer vestígio de um clima real de aniversário.

Na verdade, ela não havia feito nada de especial naquele dia. Talvez tivesse exagerado um pouco no frango frito, mas normalmente era saudável e cheia de energia. Sua saúde de ferro sempre foi motivo de orgulho para ela.

Por isso, quando uma onda súbita de calor abrasador irrompeu pelo seu corpo, aquilo a pegou completamente de surpresa. Foi como ser atingida repentinamente por uma febre intensa.

Hana enrijeceu, congelou diante da sensação abrupta.

O calor desapareceu tão rápido quanto surgiu.

Em seguida, uma sensação estranha de rachadura ecoou de dentro de seu corpo enquanto o calor dava lugar a um frio repentino.

Parecia que algo dentro dela estava sendo aberto à força.

Como um pintinho quebrando a casca do ovo…

◆

O clã Ichinomiya era um dos cinco clãs de mestres de barreiras cujo dever jurado era proteger os pilares que sustentam a nação.

A família Ichise costumava ser influente dentre as ramificações da família Ichinomiya e já havia até sido respeitada pelo lorde do clã Ichinomiya.

Contudo, devido à família não ter produzido muitos praticantes talentosos em tempos recentes, e a falta de herdeiros dignos levou a um declínio da reputação e prestígio da família.

Foi quando as filhas gêmeas nasceram na família Ichise, desde o momento de seu nascimento, Hana, a mais nova das duas, foi comparada com sua irmã mais velha, Hazuki.

Como gêmeas elas eram quase idênticas fisicamente, porém a diferença entre seus níveis de habilidade como praticantes de magia era como dia e noite, as pessoas não conseguiam evitar medi-las uma contra a outra.

Hazuki despertou seus poderes em uma idade precoce. Seu talento bruto rivalizava com o dos praticantes da família principal, o que despertou interesse e atenção dos pais e parentes.

O pai delas, em particular, vivia insatisfeito com a posição atual da família e ansiava restaurar o sobrenome à sua glória do passado. Por conta dessas aspirações, ele depositava expectativas altíssimas no futuro de Hazuki.

Por outro lado, Hana, cujos poderes nunca evoluíram mesmo com o passar dos anos, tornou-se alvo constante dos suspiros de decepcionados dos pais desde quando era criança — sentindo o peito apertar de dor a cada lamento que ouvia.

Ainda assim, Hana se agarrava à crença de que poderia se tornar tão forte quanto Hazuki — afinal, elas eram gêmeas — e por isso, dedicou-se de corpo e alma em seus estudos. Ela havia passado por um treinamento intenso em busca de se tornar uma praticante poderosa.

Entretanto, a realidade era cruel. Hana não conseguia melhorar. Passou a ser tratada como a “sombra” de Hazuki, na melhor das hipóteses, ou como “as sobras dela” na pior delas.

Embora as gêmeas fossem parecidas, os traços de Hazuki eram visivelmente mais belos e elegantes, e ela se portava com maturidade e graça invejáveis desde pequena. Seu sorriso iluminava o ambiente como um botão de flor desabrochando, atraindo os olhares de todos ao redor.

Com seus talentos e sua personalidade brilhante e extrovertida, era apenas natural que ela fosse amada por todos. Sendo sempre cercada de pessoas e inevitavelmente, tornando-se o centro das atenções.

Hana estava longe de ser feia, é claro, mas comparada à irmã, seus traços pareciam um pouco comuns e infantis, ela era bonita mas não deslumbrante.

Até mesmo seus cabelos eram diferentes. O cabelo castanho de Hazuki caía em suaves mechas moldando seu rosto, enquanto o cabelo de Hana era preto como azeviche e liso como uma tábua.

Ao contrário de Hazuki, Hana era reservada e não gostava de chamar atenção. Ela observava a comitiva de admiradores da irmã de longe, ela achou a sua aura brilhante demais, quase impossível de se aproximar.

Hana era constantemente colocada contra sua irmã por aqueles em sua volta. Mais do que isso, ela também não conseguia evitar e comparar a si mesma com Hazuki, o que apenas levava para ainda mais frustrações. Mas ela não considerava a relação delas ruim, pelo menos não nos primeiros anos do ensino fundamental…

O aumento das expectativas dos pais em Hazuki veio acompanhado por uma diminuição em seu interesse em Hana, mas a irmã costumava consolar ela quando se sentia triste.

Hana sentia orgulho de ter uma irmã mais velha gentil.

Naquela época, as duas ainda conversavam com frequência, tagarelando livremente sobre a escola, os amigos e até suas respectivas mágoas e frustrações.

Hazuki desabafava com Hana dizendo que, embora as expectativas depositadas nela a fizessem feliz, também representavam um fardo pesado de se suportar.

Para Hana que ninguém nunca esperava nada, achava que os problemas de Hazuki eram praticamente um luxo.

O favoritismo de Hazuki poderia facilmente semear as sementes do ressentimento, mas por mais estranho que pareça, Hana não possuía um pingo de inveja pela sua irmã, o que permitiu que as gêmeas mantivessem uma boa convivência.

Porém um dia, um abismo grande demais para ser ignorado se formou entre elas. Isso aconteceu quando elas tinham dez anos, no dia em que elas iriam conjurar seus primeiros shikigami.

Manifestar um shikigami era considerado o primeiro teste para aqueles que buscam se tornar praticantes.

Crianças que tivessem sucesso nessa tarefa, eram integradas pela família como aprendizes oficiais.

Dada a importância do dia, parentes próximos e distantes foram chamados até a mansão para celebrar a ocasião.

No jardim espaçoso da propriedade, um pentagrama imenso foi inscrito no chão, cercado por velas acesas.

Hana e Hazuki estavam diante da marcação, com seus rostos rígidos de puro nervosismo. Os adultos ao redor observavam as duas intensamente.

Os shikigamis eram seres animados pelo próprio poder do conjurador e que agiam em nome de seu mestre.

Eles eram ditos como a representação da identidade do praticante.

A força e a aparência de um shikigami eram reflexo da força de seu mestre.

Shikigamis de nível mais alto, conseguiam até mesmo falar e intuir os desejos de seus mestres.

Hana, que possuía tão poucos aliados naquela família, ficou encantada com a ideia de ter um amigo só seu, alguém que sempre estaria ao seu lado e nunca a traísse.

Mas quando ela invocou seu shikigami, ele assumiu a forma de uma humilde borboleta.

Claro, a borboleta era linda e tinha asas de que reluziam nas cores do arco-íris, mas era de conhecimento geral que insetos eram os mais fracos entre todos os tipos de shikigami.

Hana acabou ficando sozinha na alegria de ter conseguido realizar sua primeira invocação.

Porém, quando seus pais viram o inseto voando, o último fio de esperança que eles tinham nela se desfez.

Ela conseguia perceber por suas expressões o exato momento em que eles desistiram dela completamente, e aquilo a feriu profundamente.

Ao lado de uma Hana desolada, Hazuki iniciou seu ritual.

Seu shikigami tomou a forma de um humano, a mais poderosa, rara e desejável de todos os shikigamis.

A multidão explodiu de animação.

O shikigami de Hazuki tinha a aparência de um garoto — por volta da mesma idade das gêmeas. No entanto, mesmo os praticantes da linhagem principal tinham dificuldades em produzir um shikigami humano.

As gêmeas tinham um irmão mais velho chamado Yanagi.

Ele era talentoso e tinha um futuro promissor pela frente, mas ele nem mesmo ele tinha conseguido realizar o que Hazuki acabara de fazer.

Sendo assim, não seria estranho que os pais e o irmão enchessem Hazuki de elogios e bajulações por seu feito histórico.

Mas…

Hana havia sido deixada de lado completamente.

Ela permaneceu ali, isolada e esquecida por todos.

A borboleta de Hana veio batendo asas em direção à sua figura solitária.

“Você está tentando me consolar?” — perguntou Hana, embora, ao contrário do shikigami de Hazuki, a borboleta não fosse capaz de falar.

Contudo, embora uma conversa adequada fosse impossível, Hana de alguma forma conseguia sentir que seu shikigami estava preocupado com ela.

“Obrigada” — disse ela. — “Você vai ficar comigo para sempre, não vai?”

A borboleta pousou em seu ombro como se concordasse.

O shikigami permaneceria ao lado dela por muito tempo mesmo depois dela ser abandonada pelo resto do mundo.

Hana quase chorou de emoção.

“É mesmo! Eu preciso te dar um nome. O que poderia ser?” — ponderou.

Então a ideia perfeita veio.

“Que tal Azuha? É perfeito para uma beldade como você.”

A borboleta com as cores do arco-íris mostrava sua satisfação ao voar em volta de Hana.

Uma companheira só para ela.

Para Hana, Azuha tornou-se uma amiga insubstituível, independente de conseguirem se comunicar por palavras ou não.

Tragicamente, o mesmo dia em que Hana encontrou o conforto em Azuha, foi também o dia em que a distância dela e Hazuki escancarou de vez, e toda a intimidade que compartilhavam foi esquecida.

Daquele dia em diante, seus pais canalizaram todas as suas esperanças em Hazuki e deram a ela sua total atenção.

Foram contratados praticantes de primeira classe para dar aulas particulares e exclusivas para a primogênita, para cultivar ainda mais seus talentos.

Quando Hana disse que também queria estudar, ela foi repreendida rispidamente por seus pais, dizendo:

“Não atrapalhe sua irmã!”

E foi esse o fim da discussão.

Hana não teve outra escolha além de se entupir de livros e estudar por conta própria.

No meio tempo, Hazuki recebia aulas em matérias suplementares e artes.

Fazendo com que o abismo entre as gêmeas crescesse cada dia mais.

Agora que os pais de Hana a ignoravam por completo em favor de sua irmã.

Acabou sendo uma benção o fato da casa ainda contar com empregados que cuidavam dela.

Graças a serem uma ramificação do clã Ichinomiya, que era fundamental para a continuidade do país, a família de Hana era abastada.

Caso não fosse, os pais provavelmente teriam esquecido de alimentá-la.

O fato de haver uma possibilidade real de que seus pais a deixarem passar fome, era a prova viva da diferença brutal de como ela e Hazuki eram tratadas.

Quanto ao irmão mais velho, Yanagi, ele era um homem inexpressivo de poucas palavras, cujos pensamentos eram um completo mistério para Hana.

Até mesmo aquele homem sério abriu um sorriso raro quando Hazuki invocou o shikigami humano. Mas não poupou um simples olhar para Hana quando ela criou Azuha.

Os pensamentos de Yanagi podiam não estar escritos em seu rosto, mas Hana conseguia sentir, que, como seus pais, ele não ligava nem um pouco.

Possivelmente por conta desse entendimento, Hana sempre se sentia inquieta perto do irmão e o evitava o máximo que podia. Eles poderiam ter vivido sob o mesmo teto, mas não trocavam uma palavra há anos.

Infelizmente, aos poucos se encontrou se distanciando de sua outra metade também. Agora que estava estudando sob a tutela de um exército de professores, Hazuki vivia mais ocupada do que nunca, e as duas simplesmente pararam de se falar.

Mas antes daquele ponto, elas já não eram capazes de encontrar tempo uma para a outra. Hana lamentava essa perda.

Certa vez, ela reuniu coragem para chamar Hazuki, mas sua mãe a parou antes que ela conseguisse. Embora Hazuki ainda fosse uma criança, sua agenda era extremamente lotada. De acordo com sua mãe, Hazuki não tinha tempo para conversar com pessoas como Hana.

“Hana, a Hazuki é diferente de você,” — cuspiu a mãe. “A Hazuki é a esperança da nossa família. Eu não permitirei você gastar um único segundo do tempo precioso dela com sua conversa fiada sem sentido.”

Hana não tinha escolha a não ser responder mecânicamente:

“ ...Eu entendo, Mãe.”

O último recurso que restava à Hana era rezar para que Hazuki a procurasse por iniciativa própria, mas mesmo quando comiam juntos como uma família, Hazuki apenas falava com seus pais. Ela não dizia uma única palavra para Hana.

Ao entrarem no ensino fundamental II, o foco nos estudos as deixou ainda mais ocupadas. Hazuki passou a jantar direto em seu quarto, com a mãe sempre ao seu lado. O pai delas era ocupado; Hana quase nunca via seu rosto. Yanagi, que era dez anos mais velho que as gêmeas, tornou-se um praticante oficial. Seu trabalho o mantinha distante de casa, ele raramente aparecia na residência.

No fim, Hana foi deixada completamente para trás.

Quando ela comia sozinha naquela enorme mesa de jantar, a comida parecia ter gosto de cinzas em sua boca. Ela não conseguia aproveitar nada do que comia. Para acalmar sua solidão, Hana começou a trazer suas refeições para seu quarto também.

Ela não entendia como sua família acabou daquela forma. Até pouco tempo atrás, ela sentia a diferença de tratamento, claro, mas ela ainda se sentia parte daquela casa.

Agora ela não tinha mais certeza se sequer tinha uma família para fazer parte. Não importava o quanto quisesse negar, ela não conseguia. Sua família foi destruída em pedaços.

Seria isso tudo minha culpa? questionava-se em pensamento.

Se apenas ela não fosse fraca.

Se apenas ela fosse tão excepcional quanto Hazuki.

Mas no fim, não tinha nada que pudesse ser feito.

Ela não conseguia deixar de achar todo mundo ridículo – seus pais, que eram obcecados com poder; Hazuki; e principalmente a si mesma.

Hana lembrou-se de um dia na época do ensino fundamental.

Como não tinha tutores para ajudá-la nos estudos, ela dedicou-se inteiramente ao estudo independente.

Naquele dia, ela voltara com suas notas de prova.

Ela estava confiante que tinha ido bem na prova, e sua pontuação estava de acordo com o esperado.

Ela havia marcado noventa pontos, o que estava bem acima da média.

Satisfeita e orgulhosa com o resultado, ela trouxe sua prova para mostrar a seu pai, mas foi recebida com um olhar gélido.

“Porque você não tirou cem?” — advertiu ele, severamente. “É por isso que eu digo que você é inútil. Hazuki gabaritou, da mesma forma que ela sempre faz, e ainda sim você está satisfeita com um resultado medíocre? Você deveria aprender com a sua irmã. Seus talentos como praticante já são inexistentes.

Hana pensava que ganharia um elogio, porém ao invés disso foi duramente repreendida. Ela engoliu em seco, segurando as lágrimas que ameaçavam transbordar.

“O mínimo que você poderia ter feito é acompanhar Hazuki nos estudos” — o pai dela concluiu.

“ ...Eu peço desculpas” — disse Hana.

Com as chamas de entusiasmo e alegria abruptamente extinguidas, Hana voltava a seu quarto abatida.

Azuha sobrevoou e parou, pairando na altura de seus olhos, tentando confortá-la.

Pouco depois, uma das empregadas da família, uma senhora mais velha chamada Sae, também entrou no quarto.

Os criados da residência simpatizavam com Hana, abandonada como ela foi abandonada pelos pais, e faziam de tudo para mimá-la no lugar deles.

Sae era sua cuidadora principal.

Hana amava Sae, a mulher era mais velha que sua mãe, e seu cabelo já estava começando a esbranquiçar. Ela sempre tinha um sorriso gentil pronto para Hana.

Sae entrou trazendo uma bandeja com uma fatia de bolo. Ela colocou a bandeja delicadamente sobre a mesa. No topo do bolo, a palavra “Parabéns!” estava escrita com chocolate.

“O que é isso, Sae?” — perguntou Hana.

“É uma recompensa pelos seus excelentes resultados na prova, Senhorita Hana” — respondeu Sae.

Os seus pais não tinham lhe dado nada além de desprezo, mas Sae foi gentil o suficiente para preparar um bolo.

“Você deu o seu melhor, Senhorita” — continuou ela.

“Mas o Papai disse que sou inútil…” — murmurou Hana.

Até mesmo dizer isso em voz alta doía.

Ela sabia que era verdade. O que Hana poderia fazer para que seu pai e sua mãe lhe dessem atenção?

Ela pensou e pensou, porém uma resposta nunca veio. As habilidades de uma pessoa como praticante eram inatas, e não podiam ser aprimoradas através de cego e sem propósito.

Vendo Hana tão miserável, Sae tentou animá-la.

“Os inúteis aqui são seus pais, que falharam em enxergar os esforços da própria filha. Não precisa se culpar por isso” — aconselhou Sae.

O julgamento de Sae foi incisivo. Essas não eram as palavras que uma empregada deveria usar para falar sobre seus patrões.

Hana ficou chocada.

“Você não precisa agradar seus pais, senhorita Hana.” — Sae estendeu sua mão para segurar a de Hana.

A mão dela estava quente, e o sorriso direcionado a Hana era repleto de afeto familiar.

Hana ficou comovida com a gentileza daquele sorriso, uma expressão que nunca havia visto em sua própria mãe.

— Existem pessoas que estão te observando, que veem o que você faz. Incluindo eu, é claro — disse Sae.

“Seja fiel a si mesma, Senhorita Hana, e viva a vida da forma que desejar.”

Com essa mensagem de despedida, Sae sai do quarto, deixando o bolo sobre a mesa.

As palavras de Sae tocaram o coração de Hana. Sozinha em seu quarto, ela sentia o poder dessas palavras ressoando dentro dela.

Tudo o que Hana queria era que sua família a visse como realmente era, e ela trabalhou incansavelmente para conseguir isso. No fundo, desejava apenas que reconhecessem sua existência.

Mas no fim, tudo que ela fez se resumiu a bajular seus pais para ganhar a simpatia deles.

“Ha. Hee-hee-hee.” — Inexplicavelmente, ela caiu na gargalhada. Se alguém a estivesse observando, pensaria que ela havia enlouquecido. Mas ela não conseguia parar.

“Ah-ha-ha-ha… Haah…” — Depois de rir até se cansar ela desabou no chão de tatami com um suspiro profundo e se esticou.

“Não preciso agradá-los, hein…?” — murmurou para si mesma.

Eram palavras que continham sabedoria.

Não importa o que fizesse, seus pais sempre acabavam comparando-a com Hazuki. Eles nunca disseram um único elogio às suas conquistas.

Além do mais, desde que pararam de comer juntos como uma família, Hana quase nunca mais via seus pais. Eles estavam a caminho de se tornar estranhos que por acaso compartilhavam o mesmo sangue.

Por quanto tempo ela teria que andar na ponta dos pés perto de seus pais?

Para sempre?

Sua mente protestava contra o pensamento.

Ela não queria isso.

Era lamentável, não era?

Sabendo que seus pais não se importavam com ela e nunca se importariam com ela, e ainda assim continuar buscando-os com a esperança de que um dia eles se importassem.

Sabendo que lá no fundo eles nunca olhariam para ela…

Que patético.

Ela odiava essa parte de si mesma. Ela desejava ser livre. Ela queria viver da forma que desejasse, sem ligar para a opinião de ninguém.

Era tolice permitir que as palavras e ações de outros ditassem sua felicidade ou desespero.

Ela queria ser capaz de realmente se orgulhar de si mesma. Ela havia chegado tão longe.

Mesmo que ninguém mais fosse capaz de reconhecer seus esforços, então ao menos ela seria…

O coração de Hana ficou subitamente leve como uma pena.

Ela sentiu como se toda a dor e tristeza que a atormentavam tivessem sido absorvida por algo indescritível e condensado em uma ferida cicatrizada.

Tudo o que restou foi resignação e perdão.

Daquele ponto em diante, Hana parou de se importar com o que seus pais diziam a ela e com a opinião que os outros tinham dela. Ela parou de tentar obter aprovação deles.

Hana percebeu que era bastante feliz.

Ela tinha Azuha, não tinha? Uma parceira que estaria ao seu lado não importa o que.

Ela já havia conquistado tanto. O que ainda restava para lamentar?

Livre dessas algemas, Hana encontrou facilidade para respirar. Ela se sentia renovada, como se tivesse nascido outra vez.

E ela foi capaz de olhar objetivamente para sua própria família.

Seus pensamentos se voltaram para sua outra metade, que esteve com ela desde seu nascimento.

Hazuki era sua irmã gêmea mais velha, então elas deveriam ser parecidas, mas não eram.

Hazuki era uma praticante imensuravelmente mais poderosa que Hana.

Para Hana, que vivia ouvindo que não servia pra nada, Hazuki era seu orgulho e alegria.

Mas quando Hana parou para refletir, ela ponderou se aquilo era sensato.

Da perspectiva de Hana, Hazuki parecia estar presa da cabeça aos pés pelas expectativas de seus pais. A rotina dela era totalmente inflexível. Todos os dias, ela acordava e ia para a escola. Quando voltava para casa, sua agenda estava lotada, e ela não tinha um momento de descanso.

Seus pais estavam confiando o destino da família a Hazuki. Do ponto de vista de Hana, aquilo parecia uma vida sufocante.

Hazuki estava feliz?

Hana se preocupava com esses pensamentos. Então, pela primeira vez em muito tempo, ela teve a chance de falar com Hazuki.

“Você não tem nenhuma atividade extracurricular hoje, Hazuki?” — perguntou ela à irmã.

“O professor está doente” — respondeu Hazuki.

Hana sentiu uma pontada de nostalgia. Já fazia muito tempo desde a última vez que haviam trocado palavras, por mais triviais que fossem. Ela ficou genuinamente feliz por ter sido capaz de falar com Hazuki, mas a atitude dela parecia fria e distante.

Além disso, a Hazuki parecia cansada.

Antes que percebesse, a pergunta escapou de sua boca.

“Não é difícil para você, Hazuki?”

“O que você está dizendo de repente?” — demandou Hazuki.

“Sua agenda é lotada de aulas e compromissos.”

“Você não está cansada?”

“Você não tem tempo nenhum para descansar,” — Disse Hana

“E se você pedisse para a Mãe ou o Pai por um pouco de tempo para si mesma? Se for difícil para você pedir, eu posso…”

“Não interfira na minha vida!” — Hazuki grita em fúria.

Hana estava chocada e congelou, com a boca entreaberta.

“Meu estudos e atividades extracurriculares são todos indispensáveis. Todos estão esperando grandes coisas de mim” — continuou Hazuki.

“Eu não esperava que alguém inútil como você fosse entender, Hana, mas algum dia, eu vou ter uma posição importante no clã. Eu sou diferente de um fracasso como você!”

“Hazuki…”

“Não ouse dizer nada sobre minha vida a partir de agora! Você não sabe nada sobre o que é ser uma praticante!” — Gritou antes de virar-se e ir embora.

Hana não conseguiu dizer nada de volta. Ela estava imóvel no mesmo lugar, atordoada.

Ela estava atônita ao descobrir que Hazuki pensava tão pouco dela.

Bem, considerando que elas foram comparadas a vida toda e o quanto Hazuki foi mimada, talvez apenas tenha sido natural que ela se considerasse superior, quer ela tenha percebido isso ou não.

Hana finalmente conseguiu analisar as interações delas com calma.

Graças a Sae, Hana havia se libertado dos grilhões das expectativas de seus pais, porém Hazuki ainda estava firmemente acorrentada. Hana agora sabia que Hazuki não seria capaz de escapar tão facilmente.

É como se Hazuki tivesse sofrido lavagem cerebral. As expectativas deles tinham um domínio firme sobre ela. Ela não podia se libertar.

Que situação miserável ela estava.

Ainda assim, mesmo se Hana fosse dizer algo, Hazuki nunca daria ouvidos às palavras de alguém que ela considerava inferior, o que ficou claro na conversa que elas tiveram agora.

Hana suspirou e balançou a cabeça em desespero.

“Nada irá mudar a não ser que Hazuki perceba a situação difícil em que está.”

Ela sabia que Hazuki não poderia fazer isso sozinha, mas ao mesmo tempo, ela estava queimando de raiva pela forma como Hazuki havia falado com ela.

Hana optou por apenas observar e esperar.

◆

Ao longo dos anos, ela se desapegou das coisas que não lhe serviam e deu espaço para que coisas melhores entrassem em sua vida. Em algum momento, passou a enxergar a própria família como completos estranhos.

Além disso, a situação dentro de casa dificilmente iria mudar no futuro. Sua família continuaria a ignorá-la — e ela faria o mesmo — até o dia em que se tornasse adulta.

O tempo passou, e sem que ninguém soubesse, aquele ambiente familiar apático distorceu gradualmente a personalidade de Hana.

Mas Hana tinha uma pequena aliada ao seu lado. Tinha Azuha. E enquanto a tivesse, ficaria bem.

Isso foi até o dia do seu décimo quinto aniversário — o dia do incidente.

Enquanto Hana estava comendo seu bolo, uma onda de desconforto invadiu seu corpo. Era tão intensa que ela não conseguiu conter sua reação.

A sensação que a atingiu era como a de uma troca de pele que revelava algo novo…

Ou como se algo que estivesse escondido dentro dela todo esse tempo finalmente tivesse rompido sua casca.

Logo depois, um poder como nunca havia sentido antes, brotou de dentro dela.

“...Agh.” — Ela pressionava a mão contra o peito, tentando aliviar o desconforto e conter aquela sensação.

“O que há de errado?” — perguntou Hazuki, que estava sentada ao seu lado.

Como era de se esperar de sua outra metade, a irmã gêmea havia notado antes que todos… Não, ela foi a única que percebeu a angústia de Hana.

“N-não é nada…” — Hana mentiu.

“Você está pálida.”

“Estou?”

Hana fez o seu melhor para parecer calma, mas por dentro, estava aterrorizada. A pequena parte de si que ainda mantinha a compostura gritava para que deixasse a festa.

Hana cuidadosamente levantou-se para evitar chamar atenção.

“Hana?” — Hazuki a olhava com preocupação.

Por um instante, Hana sentiu uma estranha, indescritível emoção ao perceber que sua irmã ainda era capaz de se preocupar com ela, mas a sensação desapareceu rápido. Ela estava preocupada com seus próprios problemas. Não tinha tempo para dar atenção a Hazuki.

“Eu não estou me sentindo bem, então eu vou me retirar para meu quarto” — Hana disse a sua irmã.

“Você está bem?”

“Vou ficar bem depois de descansar um pouco” — respondeu, retirando-se do salão.

Os convidados estariam satisfeitos desde que Hazuki estivesse lá. Ninguém se importaria se Hana tivesse desaparecido.

Longe dos olhos do público, Hana correu para o seu quarto, que havia sido realocado para fora do edifício principal da propriedade da família em algum momento ao longo dos anos. O anexo isolado que lhe foi dado possuía espaço mais que suficiente para uma pessoa.

Sae e os outros criados a visitavam frequentemente. Azuha esteve ao seu lado desde que ela tinha dez anos. Em vez de se sentir solitária devido a separação da família, ela apreciava a distância. Graças à mudança, as cobranças e julgamentos de seus pais diminuíram.

Hana havia solicitado a mudança por conta própria. Felizmente, como o quarto não estava em uso, ela recebeu a aprovação rapidamente.

Possivelmente seus pais concordaram com ela facilmente porque eles a viam como um estorvo, mas seja qual fosse o motivo, Hana estava feliz por ter conseguido um santuário particular longe de de qualquer incômodo.

Seu quarto era um refúgio seguro, e assim ela se acomodou ali. Foi direto para a cama e desabou imediatamente.

Azuha voava ao seu redor, preocupada, mas como a shikigami era apenas uma borboleta, não havia nada que pudesse fazer para ajudar.

Hana se encolheu, abraçando seus joelhos contra o peito.

“Ugh…” — gemeu.

Estava com calor. No fundo de seu peito, uma chama queimava. O calor torturava seu corpo, golpeando-o como se estivesse buscando uma saída.

A febre a atormentou a noite inteira, mas quando o alvorecer chegou na manhã seguinte…

Sua febre desapareceu como se tudo não tivesse passado de um sonho. Na realidade, seu corpo parecia mais leve do que jamais havia sentido antes.

E ela percebeu outra coisa.

Dentro dela residia uma profunda, vasta, e rica fonte de poder. Não precisava que ninguém lhe dissesse o que aquilo era. Ela compreendia muito bem o que era. Era como se o próprio poder lhe estivesse ensinando tudo o que ela precisava saber.

“Azuha, venha aqui” — Hana chamou seu primeiro e único shikigami.

A borboleta voou até ela e pousou em seu dedo esticado.

Hana alimentou Azuha com um pingo do imenso poder que surgia dela. Ela mantinha o fluxo sob controle, despejando lentamente nela para não sobrecarregar o shikigami. As cores das asas de Azuha se tornaram ainda mais vibrantes.

Quando Azuha atingiu seu limite, levantou voo do dedo de Hana.

Hana cortou a corrente de poder e olhou para seu shikigami.

“Você está bem, Azuha?”

A fala deveria ser algo muito além da capacidade de Azuha, mas Hana ouviu uma voz, uma que só poderia pertencer à borboleta, dizendo: — “Sim mestra.” — A voz parecida com a de uma criança, aguda, sem gênero definido e com um leve ceceio.

Hana havia obtido algo que há muito tempo desistiu de alcançar.

Dentro dela residia a força abundante de um verdadeiro praticante. Mais do que isso, ela sentia que seu poder ultrapassava o de Hazuki.

Hana cobriu o rosto com suas mãos, deixando-se levar pelas ondas de energia, que cresciam incessantemente dentro dela.

Como se chamava a emoção que tomava conta dela? Hana não tinha palavras para descrever.

“Você está chorando, Mestra?” — perguntou Azuha.

“...Não. Eu não estou.”

“Você está triste?”

“Triste…hmm? Eu estou feliz, eu acho… Não, talvez seja tristeza mesmo. Não sei do que chamar isso.”

Ela pensava que era uma causa perdida, que sua falta de habilidade como praticante era algo que nunca conseguiria mudar.

Ser comparada com Hazuki a fez triste. Ela sofreu, e em certo ponto, sem que percebesse, havia desistido de seu próprio potencial.

Quem poderia ter previsto que seu poder latente iria despertar em um momento como esse? A própria Hana achava isso difícil de acreditar.

A inundação continuava a avançar incessantemente dentro dela, indiferente se ela aceitava ou rejeitava.

O poder ao qual ela havia renunciado era real, e se acomodou em seu corpo, como se estivesse ali esse tempo inteiro.

Ela estava cheia de alegria, mas não conseguia parar de pensar:

Por que agora?

Se apenas ela despertasse antes, não precisaria ter passado tanta dor. Nem inveja. Ela não precisaria ter sido torturada por seu complexo de inferioridade.

“De todos os momentos, por que agora?” — murmurou.

Mas era tarde demais para essa pergunta. A quem ela poderia reclamar agora? Ela não sabia.

“Mestra?” — chamou Azuha.

Ao notar o olhar ansioso da borboleta, Hana finalmente abriu um sorriso. — “Eu estou bem, Azuha. Mais importante, nós finalmente conseguimos conversar!”

“Sim. Eu estou feliz.”

“Eu também.”

Presumia-se que borboletas eram shikigamis inferiores, mas Azuha agora abrigava um grande poder. Sem dúvidas, as pessoas ao redor de notariam a mudança, a menos que Hana fizesse algo a respeito.

“Azuha, você pode suprimir seu poder?” — perguntou ela.

“Eu vou tentar.”

Hana observava Azuha. Alguns momentos depois, o brilho intenso das asas do shikigami reduziu ao ponto de ela parecer como sempre esteve antes. O poder emanando dela também diminuiu.

“Assim está bom, Mestra?”

“Ficou ótimo. De agora em diante, esconda seu poder, a não ser que seja absolutamente necessário usar” — instruiu Hana.

“Você não vai contar a ninguém? Você finalmente liberou todo esse poder.”

“Não vou. Esse será o nosso segredinho, Azuha.”

Azuha parecia estranhar que Hana esconderia sua própria força, mas a shikigami não refletiu mais sobre o assunto. Se era isso que sua mestra queria, era isso que ela faria.

“Tudo bem” — concordou Azuha.

Hana não havia tomado essa decisão de forma leviana.

Seus pais sem sombra de dúvidas estariam extasiados ao saber que ela obteve um poder ainda maior que o de Hazuki e finalmente a iriam elogiar. Todas os que a desprezaram como as “sobras da Hazuki”, iriam vê-la com outros olhos.

Mas qual era o sentido disso?

O interesse recém-descoberto por Hana não anularia de forma alguma o que as ações que haviam tomado com ela até então. Ela jamais esqueceria o desprezo, o desgosto e zombaria, quanto menos esquecer que ela havia sido abandonada. Não tinha o menor desejo de ver a atitude deles mudar da água para o vinho só porque agora tinha poder.

Além do mais… Hana refletiu sobre o que Hazuki teve que passar.

Hazuki, que carregava o peso das expectativas de todos nos ombros.

Cuja agenda não lhe deixava tempo nem para respirar.

Que vivia sob imensa pressão.

Que constantemente usava a máscara de estudante exemplar e se conformava com o que os outros queriam para ela.

Hana, por outro lado, nutria uma grande desconfiança em relação a seus pais e parentes e se recusava a participar de seu jogo. Os dias em que ela ansiava para ser aceita se foram a muito tempo.

É por isso que ela permaneceria a ser quem era.

Ela viveria como se ela não fosse nada além do resto de Hazuki.

Como se eu fosse seguir o caminho que meus pais iriam querer que eu fosse! Ela se rebelou internamente.

Sua criação havia distorcido sua personalidade um pouco.

Ela jurou que manteria seus poderes em segredo.

“As expectativas sem sentido deles podem ir para o lixo. Eu não preciso delas.” — Hana disse em voz alta. — “Meu objetivo não é ser uma estudante destaque como a Hazuki. Eu quero viver livremente, sem ser manipulada pela opinião de ninguém. Eu protegerei meu direito de ser eu mesma, e vou viver do jeito que eu quero, custe o que custar!”

Para isso, era definitivamente melhor manter seus poderes em segredo.

A última coisa que ela queria era que as pessoas ao seu redor mudassem suas atitudes e se apegassem a ela. Ela tinha menos que um pingo, não menos que a ponta do dedo de confiança em sua família.

Manter-se em silêncio, sem dúvidas era a sua melhor opção.

“Até o dia em que finalmente deixe essa casa, eu vou agir como eu sempre fiz.” — Hana decidiu.

Ela se sentia culpada escondendo esse segredo de Sae e dos outros que sempre cuidaram dela, mas sabia que era preciso caso quisesse manter sua vida tranquila.

Até o dia em que ela finalmente estivesse livre daquela casa.

Algum dia...

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Fim da leitura

Capítulo 2 concluído

Volume 1 – Capítulo 1