Nossos 28 Dias Com Vontade de MorrerOne Shot – Epílogo 2 – Epílogo 2: 3 de Outubro
Capítulo 8De repente, eu estava na minha cama, no meu quarto.
Será que eu estava dormindo?
Eu não conseguia me lembrar de jeito nenhum do que estava fazendo há pouco.
Com a cabeça girando, fui para a varanda.
As estrelas cintilavam no céu.
Eu não deveria ter dado importância às estrelas e, no entanto, não conseguia tirar os olhos delas.
Enquanto observava as estrelas cintilantes no céu noturno, senti como se estivesse esquecendo algo.
Senti como se tivesse feito uma promessa a alguém.
Mas não conseguia me lembrar a quem.
Mesmo sendo uma promessa que deveria ser muito importante.
“Ah, uma estrela cadente.”
Naquele momento, a cauda de um meteoro riscou o céu noturno de um negro profundo.
“...!”
Uma, depois duas estrelas caíram.
Com cada uma delas, uma lembrança calorosa ganhava vida novamente no fundo do meu peito.
“Por que...”
Como pude esquecer algo tão importante?
A lembrança preciosa daquelas quatro semanas que passei com ela — com a Ema.
Ela me fez querer viver, quando antes eu só pensava em morrer.
“Um meteoro... Espere, não me diga que...?”
Era impossível que aquilo acontecesse.
Mesmo assim, aquelas quatro semanas misteriosas que passei com Ema eram o motivo pelo qual eu não conseguia evitar o pensamento: E se...?
Eu e a Ema — que já deveríamos ter morrido — conhecemos um garoto chamado Haku, e os dias que passamos enfrentando nossos sentimentos, com nossas vidas em jogo, foram tudo, menos comuns.
“Eu sabia. Isso é uma nova chance.”
A data exibida no meu smartphone era “3 de outubro”.
Aquele era o dia em que eu e Ema deveríamos ter morrido.
“Isso significa, em outras palavras...”
Lembre-se.
O que Ema — o que o Haku disse na última vez que conversamos?
Se eu estou no meu quarto, e a Ema?
Onde está a Ema agora?
“Acho que sou a pessoa mais indicada para você levar.”
“Não pode ser... Ema!”
Saí disparado do meu quarto e desci as escadas às pressas.
“Rui! Cala a boca, droga! Eu vou te matar!”
“...Cala a boca!”
Depois de retrucar com o Aniki — que parecia estar tendo um ataque de raiva na sala de estar —, corri direto para fora.
Se hoje era aquele dia de quatro semanas atrás, então Ema estava prestes a sofrer um acidente.
E Haku levaria a alma dela.
“Eu não vou deixar isso acontecer!”
Eu me recusava a deixar isso acontecer.
Eu não me importava se me chamassem de egoísta.
Eu queria viver com a Ema.
Eu queria ir para a escola com a Ema, rir de bobagens, fazer desvios no caminho de volta para casa e, então... queria ver as estrelas juntos, só nós dois.
Eu queria ver as estrelas de Hokkaido, sobre as quais Ema havia me falado, ali mesmo, ao lado dela.
“Eu quero a Ema ao meu lado, sempre!”
Então...!
Passei pelo parque e corri em direção à casa da Ema.
“Que eu chegue a tempo...!”
Minha garganta e meus pulmões ardiam por correr em velocidade máxima.
Mas isso acontecia porque eu estava vivo.
Querer estar com alguém, sentir dor... tudo isso era porque eu estava vivo naquele momento.
Porque eu queria continuar vivo.
E então...
Naquele instante, uma luz ofuscante iluminou o local.
No mesmo momento em que percebi que eram os faróis de um caminhão, vi Ema parada, paralisada diante deles.
“Cuidado!”
Agarrei o braço de Ema em pânico e a puxei para perto de mim.
“Você está bem!? Se machucou!?”
Examinei Ema enquanto falava.
Ela tinha alguns arranhões, mas não parecia haver ferimentos graves.
O alívio de saber que Ema estava segura fez minhas pernas cederem ali mesmo.
Ema, provavelmente aterrorizada, abraçava o próprio corpo trêmulo com os dois braços.
Instintivamente, puxei aquele corpo para um abraço.
“Graças a Deus... Cheguei a tempo. Estou tão aliviado...”
O calor em meus braços e o som das batidas do coração da Ema me diziam que ela estava viva.
“Graças a Deus...”
A voz rouca de Ema falhou antes que ela pudesse terminar.
Em vez de completar a frase, Ema me fez uma pergunta.
“Por que você me salvou?”
Eu já sabia a resposta.
Afastei-me um pouco e sorri para Ema.
“Porque eu quero que você viva...!”
Assim que disse isso, as lágrimas transbordaram, e puxei Ema para os meus braços novamente para que ela não as visse.
“Ah...”
Ema soltou um pequeno gemido em meus braços.
Quando olhei para o rosto dela, vi que suas bochechas estavam molhadas de lágrimas.
Sequei aquelas lágrimas com o dedo e olhei diretamente para Ema.
“Ei, vamos sair juntos amanhã.”
“Amanhã?”
Ema repetiu, surpresa, e eu assenti suavemente.
“Isso. E depois, vamos voltar para casa juntos no dia seguinte. E no dia depois desse, e no outro... vamos fazer todo tipo de coisa, ir a todo tipo de lugar e rir juntos.”
“Todo tipo de coisa... com você, Kiryu-kun?”
“Isso. ...Não vou deixar você sentir que a vida não tem mais graça. Assim como você me ensinou que o amanhã pode ser brilhante e feliz, desta vez serei eu a ensinar você, Ema.”
Então, por favor, pare de pensar em querer morrer.
Não tente acabar com a sua própria vida só para me manter vivo.
‘Eu amo você, Ema. Eu amo você demais.’
Eu me perguntava se, um dia, meus sentimentos cruzariam o céu como a cauda de um meteoro e chegariam até você.
[Sol: Meteoro da paixão, kkkkkkk. ]
Até que esse dia chegue, vou repetir isso quantas vezes for preciso:
Que quero passar cada dia que você tiver pela frente ao seu lado.
◇◆◇
Depois de retornar àquela cidade familiar, Haku decidiu ir um pouco mais longe, curioso para saber como estavam as duas pessoas que ele havia conhecido no passado.
De todas as pessoas que ele conhecera através de seu trabalho, elas eram as únicas que ainda estavam vivas.
Então, certamente ele poderia ser perdoado por sentir um pouco de curiosidade.
“Será que já se passaram quantos anos desde aquela época?”
O tempo fluía de maneira diferente para humanos e para deuses da morte.
A aparência de Haku continuava a mesma, e seu trabalho não havia mudado nada desde aquele dia, mas e quanto a eles?
Será que ainda estavam juntos?
Ou teriam seguido caminhos separados?
Embora fosse, em parte, mera curiosidade, ele queria saber o que havia acontecido com a garota que ofereceu a própria vida para salvar outra pessoa, e com o rapaz que rompeu o poder de Haku com a força de seus sentimentos e recuperou as memórias.
Na verdade, talvez até fosse interessante se eles tivessem se separado.
Assim, ele poderia rir da situação e dizer: “E pensar que vocês estavam tão desesperados naquela época...”
Ainda que fosse isso o que ele esperava...
“...Pois é, isso foi decepcionante.”
Espiando o quarto pela janela, ele viu Ema dormindo.
Em um porta-retratos sobre a mesa de cabeceira, havia uma foto dela e de Rui vestindo uniformes escolares, com o céu noturno estendendo-se ao fundo.
“...Bem, parecem felizes, e é isso o que importa.” Ele havia pensado que talvez fosse melhor se eles tivessem se separado, mas o próprio Haku sabia, melhor do que ninguém, que esses não eram seus verdadeiros sentimentos.
Ele jamais diria algo tão estranho quanto “espero que sejam felizes”, mas também não é como se quisesse que eles fossem infelizes.
Bem, se fosse possível.
“Serei eu quem virá buscá-los quando vocês morrerem na próxima vez. Então, até lá, por favor, vivam bem suas vidas.”
Depois de murmurar isso, Haku bateu as pontas dos pés, transformou-se em um pássaro branco e desapareceu na noite escura.
No céu onde Haku havia desaparecido, uma infinidade de estrelas caía, e um meteoro de um branco puro deixava um rastro de luz atrás de si.
Como se fosse a bênção para a vida que eles viviam agora.
Traduzido por Moonlight Valley
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