Nossos 28 Dias Com Vontade de MorrerOne Shot – Epílogo 1 – Epílogo 1: 3 de Outubro
Capítulo 7De repente, percebi que estava parada junto à janela, olhando para o céu.
Eu não conseguia me lembrar claramente do que estava fazendo até aquele momento.
Mas sentia uma atração irresistível pelas estrelas que riscavam o céu noturno.
Perguntei-me há quanto tempo eu não olhava para o céu estrelado daquela maneira.
Quando eu era pequena, adorava o céu estrelado. O céu repleto de estrelas que vi naquele dia, durante uma viagem em família a Hokkaido, era tão lindo que passei a amá-lo desde então.
Por que eu havia esquecido?
“...Preciso ir.”
Enquanto observava as estrelas, uma sensação de urgência surgiu dentro de mim, como se eu precisasse ir a algum lugar.
Eu precisava ir.
Mas para onde?
Eu não sabia.
Mas sentia que precisava ir a algum lugar, custasse o que custasse.
Saí de casa silenciosamente para que minha família não percebesse.
Inúmeras estrelas caíam no céu acima de mim.
Como se guiado pelas estrelas, caminhei a esmo, com passos incertos, sem saber para onde estava indo.
Se eu fosse um pouco mais adiante, encontraria um parque.
Pensando bem, o que será que aconteceu com aquele pássaro?
Será que ele conseguiu voar em segurança?
Ou será que morreu?
“Espero que ele esteja bem...”
Assustei-me com as palavras que escaparam da minha boca.
Será que eu queria que ele fosse salvo?
Mas por quê...?
Lembrei-me do pássaro cuja pata ficau presa em um fio artificial, com a vida prestes a ser interrompida por algo tão insensato.
O que eu estava projetando naquele pássaro?
Quem eu estava vendo...?
“...!”
Naquele instante, uma luz ofuscante me atingiu. Quando percebi que eram os faróis de um caminhão que se aproximava, já era tarde demais.
Minhas pernas travaram e, enquanto eu permanecia ali, incapaz de me mover, o caminhão, impiedosamente...
“Cuidado!”
Uma voz ecoou ao mesmo tempo em que meu braço foi puxado.
“Ai... dói...”
“Você está bem!? Se machucou!?”
“Estou... bem, mas... Espere, Kiryu-kun? Por que você está aqui?” À luz do caminhão que passava, estava Kiryu Rui, um garoto da minha turma.
Ele era alegre e popular, o tipo de pessoa que estava sempre no centro do grupo.
Por que Kiryu-kun estava num lugar como aquele àquela hora?
Não, mais importante ainda…
“Agora há pouco, eu...”
Se Kiryu-kun não tivesse puxado meu braço, aquele caminhão teria me atropelado e eu teria morrido.
Meu corpo tremia violentamente só de pensar nisso.
Eu estava com medo.
Era impossível não sentir pavor diante do fato de que um passo em falso teria significado a minha morte.
Eu nunca tinha tentado me agarrar à vida; na verdade, nunca havia entendido por que estava viva ou por que precisava continuar vivendo.
Desde o dia em que ela morreu, minha vontade de viver havia enfraquecido.
Eu só estava viva porque ainda não tinha morrido, e não me importaria se tivesse acontecido.
Era isso o que eu pensava. E, no entanto...
Abracei meu próprio corpo, que não parava de tremer.
Aquele tremor era a prova do meu desejo de viver.
Pensar que havia uma parte de mim que queria viver tanto assim, que tinha tanto medo da morte...
“Graças a Deus... Cheguei a tempo. Que bom...”
A sensação suave de ser segurada e um calor gentil me envolveram.
Quando o ouvi sussurrar “Graças a Deus” no meu ouvido mais uma vez, percebi que o calor que me envolvia vinha de Kiryu-kun.
“O-obriga...”
Eu pretendia completar a frase.
Mas as palavras de Kiryu-kun me deixaram com uma estranha sensação de inquietação.
Kiryu-kun havia dito: “Cheguei a tempo.”
Isso poderia significar apenas que ele havia chegado no momento certo.
Mas não foi assim que soou para mim.
As palavras de Kiryu-kun deram a entender que ele sabia que eu estava prestes a ser atropelada.
Isso não era possível. Mas, ainda assim...
“Por que você me salvou?”
Se ele tivesse cometido um erro, poderia ter sido arrastado para o acidente também.
E, no entanto... por quê? Diante da minha pergunta, Kiryu-kun se afastou um pouco e me deu um sorriso suave.
“Porque eu quero que você viva.”
Esta não é bem uma resposta.
Mas, por algum motivo, o calor do corpo de Kiryu-kun enquanto ele me puxava para outro abraço apertado parecia familiar.
“Ah...”
Antes que eu percebesse, lágrimas escorriam pelo meu rosto.
Eu me perguntava o motivo daquelas lágrimas.
Seria porque minha vida havia sido salva? Ou haveria alguma razão que nem eu mesma conhecia?
“Ei, Ema.”
Kiryu-kun sorriu enquanto enxugava gentilmente as minhas lágrimas.
Por algum motivo, senti que os olhos dele também estavam cheios de lágrimas.
“Ei, vamos sair juntos amanhã.”
“Amanhã?”
“É. E depois, vamos voltar para casa juntos no dia seguinte. E no dia depois desse, e no outro... vamos fazer todo tipo de coisa, ir a todo tipo de lugar e rir juntos.”
“Todo tipo de coisa... com você, Kiryu-kun?”
“Isso. ...Não vou deixar você sentir que a vida não tem mais graça. Assim como você me ensinou que o amanhã pode ser brilhante e feliz, desta vez serei eu a ensinar você, Ema.”
Kiryu-kun disse o meu nome.
Ele não deveria estar me chamando assim ainda, mas disse isso com uma voz doce e gentil — como se fosse a coisa mais natural do mundo, como se já tivesse me chamado assim inúmeras vezes antes.
Eu não me importei; na verdade, isso me deixou incrivelmente feliz, e assenti em silêncio, em meio às lágrimas.
Como se velasse por nós, um céu estrelado se estendia acima de nossas cabeças.
◇◆◇
De pé no terraço, Haku balançou a cabeça enquanto observava os dois lá embaixo.
“É, então foi assim que tudo terminou.”
Com certeza, nenhum dos dois queria mais morrer.
Era essa a força que o carinho por alguém — e o fato de ser alvo do carinho de alguém — podia dar forças ao coração.
O simples fato de ter algo precioso se tornava uma razão para querer viver.
Quando ele os conhecera, eles não sentiam nada disso.
Mas agora...
Pensando que havia desperdiçado quatro semanas, Haku deu de ombros enquanto via as lágrimas de Ema caírem.
“Acho que não tem jeito. Afinal, eu tenho uma dívida com a Ema.”
Ele bateu a ponta do pé no chão, como se verificasse a condição da perna — que ainda não estava totalmente recuperada —, e fez uma careta. Embora não houvesse sangramento, parecia que o ferimento ainda estava lá, e a dor não passaria tão cedo.
Ainda assim, se aquele fio tivesse continuado enrolado em sua perna, ele certamente teria morrido ali mesmo.
Se ele encarasse aquilo como o pagamento da dívida por ter tido a vida salva, então talvez aquele tipo de desfecho fosse aceitável.
“Bem, acho que devo ir lá e levar uma bronca.”
Ele riscou os nomes de Ema e Rui no caderno que tirou do bolso.
Então, depois de lançar mais um olhar sobre os dois, Haku desapareceu silenciosamente na noite.
Uma única ave de um branco puro contra o céu estrelado.
Seus olhos eram escuros como a noite, brilhando com intensidade.
Uma infinidade de estrelas derramou-se pelo céu noturno, onde sua silhueta havia desaparecido.
Como se celebrassem um milagre — e um pequeno capricho.
Traduzido por Moonlight Valley
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