O Cuidador da Ojou-sama — Capítulo 59: Volume 9 – Capítulo 1 – Capítulo 1: Facções

O Cuidador da Ojou-sama
Cap. 59
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O Cuidador da Ojou-sama

Volume 9 – Capítulo 1 – Capítulo 1: Facções

Capítulo 59

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O PERÍODO ELEITORAL da Academia Kiou havia começado.

Como alguém diretamente envolvido, eu havia estudado minuciosamente as regras da eleição.

Para começar, a campanha durava treze dias, excluindo os fins de semana. Era um período bastante longo, estendendo-se por três semanas. Ainda assim, considerando que a eleição decidiria os membros do conselho estudantil que liderariam futuros magnatas dos negócios e políticos, parecia algo razoável.

Durante esses treze dias, os candidatos à presidência tinham liberdade para fazer campanha e disputar os votos de todo o corpo discente.

No primeiro dia, era costume que cada candidato à presidência exibisse pôsteres feitos por conta própria e anunciasse suas propostas. Panfletos também costumavam ser usados. Os locais para exposição dos pôsteres e distribuição dos panfletos já eram previamente determinados.

Naquele dia, quando cheguei à academia como de costume, uma grande multidão de estudantes havia se reunido no primeiro andar do prédio escolar.

O motivo logo ficou óbvio: os pôsteres colocados pelos candidatos à presidência.

— Oh, Tomonari e Konohana-san!

— Bom dia para vocês dois~!

Taishou e Asahi-san nos notaram. Hinako e eu os cumprimentamos com um "bom dia" e nos aproximamos.

— Que multidão enorme, hein?

— Bem, com os candidatos deste ano, não é nenhuma surpresa.

Dizendo isso, Taishou voltou o olhar para os pôsteres. Três candidatos estavam concorrendo ao cargo de presidente do conselho estudantil.

Duas delas eram Tennouji Mirei e Miyakojima Narika.

Ambas eram tão famosas quanto Hinako na Academia Kiou. A empresa da família de Tennouji-san tinha uma escala comparável à do Grupo Konohana, enquanto a família de Narika era líder em seu setor. Além disso, suas conquistas recentes na academia haviam lhe rendido uma reputação considerável.

Como as duas haviam me consultado sobre o design de seus pôsteres, eu não tinha tanta necessidade de examiná-los agora. Ainda assim, ver os pôsteres em que elas haviam se dedicado tanto atraindo tanta atenção me encheu de uma profunda satisfação.

...As duas melhoraram muito em comparação com os rascunhos iniciais.

Fiquei genuinamente feliz por seus esforços terem dado resultado.

O primeiro rascunho do pôster de Tennouji-san parecia um panfleto de supermercado anunciando uma grande liquidação — chamativo e exagerado demais. ...Ainda bem que o revisamos.

Já o pôster inicial de Narika refletia sua natureza excessivamente cautelosa, com notas de rodapé em quantidade muito maior que o texto principal.

...Revisar aquele também foi, sem dúvida, a decisão certa.

As duas me consultaram por causa da minha experiência com assessoria durante o Management Game. Mesmo assim, para ser sincero, eu não era nenhum especialista em campanhas eleitorais. Ainda assim, fiz o possível para pesquisar e oferecer conselhos objetivos... e, bem, os resultados não pareciam nada ruins.

Enquanto eu estava parado no fundo da multidão, de braços cruzados e assentindo sozinho—

— Tomonari-san! — Tennouji-san me chamou em voz alta enquanto se aproximava. — Graças a você, consegui criar um pôster verdadeiramente esplêndido!

— Não, eu não fiz nada tão especial assim...

— Não seja modesto! Este pôster elegante captura perfeitamente a minha individualidade com seu charme deslumbrante!

Dizendo isso, Tennouji-san contemplou orgulhosamente o próprio pôster.

Hinako era conhecida como a ojou-sama por excelência, mas Tennouji-san não ficava atrás em termos de perfeição. Exceto por uma coisa: seu impulso de se tornar a ojou-sama suprema não tinha freios. Seu cabelo loiro e aquele modo particular de falar eram resultados disso.

Foi por essa razão que o rascunho inicial de seu pôster era absurdamente chamativo. Ainda assim, apagar completamente sua personalidade seria um desperdício. Por isso, procurei dar ao pôster uma atmosfera refinada e sofisticada. Durante a primeira metade do Management Game, visitei um café elegante com Tennouji-san, e desenhei um pôster que combinaria bem com aquele tipo de estabelecimento.

— Hm, Tennouji-san! Dê o seu melhor!

— Vou votar na Tennouji-san!

Os estudantes ao redor a incentivavam.

— Muito obrigada. A partir de amanhã, começarei a fazer discursos, então, por favor, venham ouvir!

Depois de se curvar educadamente, Tennouji-san se afastou. Seus cachos dourados, enrolados verticalmente, brilhavam sob a luz da manhã, deixando os estudantes em silêncio, admirados.

— Itsuki!

Ao ouvir meu nome ser chamado outra vez, virei-me. Narika vinha em minha direção.

— Obrigada por ter ajudado até tarde ontem à noite! Graças a você, tanto os pôsteres quanto os panfletos estão recebendo um retorno excelente!

— Sério? Fico feliz em ouvir isso.

— Foi igual ao Management Game: suas ideias sempre me surpreendem. Nunca imaginei que minhas habilidades com caligrafia seriam úteis dessa forma.

Narika observava seu pôster com uma expressão de satisfação.

Como o pôster de Tennouji-san destacava sua personalidade, pensei em uma forma de fazer o mesmo com o de Narika. Foi então que me lembrei de que ela era uma mestre em caligrafia. Só para garantir, consultei nossa professora responsável, Fukushima-sensei, que confirmou que não havia nenhuma regra sobre a forma como os pôsteres deveriam ser feitos. Então sugeri que Narika escrevesse o dela com um pincel.

O resultado foi um pôster extremamente chamativo. Os estudantes ficaram fascinados pelas propostas escritas com traços firmes e habilidosos.

— Miyakojima-san! Estou torcendo por você!

— Onee-sama! Com certeza vou votar em você!

Os estudantes incentivavam Narika.

— Muito obrigada. Eu... eu vou fazer o possível para corresponder às expectativas de todos!

Ela se atrapalhou um pouco nas palavras, mas, diferente de antes, Narika já não se intimidava por estar no centro das atenções.

Quando ela foi embora, o ambiente pareceu se acalmar um pouco. Então, de uma só vez, todos os olhares se voltaram para mim.

— Ah...

Eu já sabia o que estava por vir. A pergunta silenciosa estampada naqueles olhares era evidente.

De que lado você vai ficar?

Eu ainda não tinha encontrado uma resposta para isso. Sentindo uma leve pontada no estômago, segui para a sala de aula.

◆

— Haaaaah...

— Você está deixando bem na cara o quanto isso está te preocupando, Tomonari.

Assim que soltei um suspiro na sala, Taishou e Asahi-san vieram até mim.

— Também tem dois candidatos para vice-presidente, incluindo você, não é?

— É, pelo visto. Ainda não sei quase nada sobre o outro candidato, já que nenhuma informação foi divulgada.

— Mas já começaram alguns rumores. Ouvi dizer que é um aluno do primeiro ano.

— Sério?

Esse boato ainda não tinha chegado aos meus ouvidos. Um calouro concorrendo à vice-presidência… É uma demonstração e tanto de ambição. Também não posso subestimá-lo só por ser mais novo. Ao contrário de mim, ele provavelmente entrou nesta academia pelos meios convencionais. Para falar a verdade, há grandes chances de ser mais competente do que eu.

— De qualquer forma, como existem dois candidatos, você vai precisar vencer a eleição. Escolher uma facção acaba sendo uma decisão enorme, não é?

— É….

Era exatamente isso que vinha me atormentando. Não eram apenas os candidatos à presidência que precisavam fazer campanha. O conselho estudantil era composto por cinco cargos — presidente, vice-presidente, tesoureiro, secretário e assuntos gerais — e, quando havia mais de um candidato para um mesmo cargo, era realizada uma eleição.

Como havia dois candidatos à vice-presidência, contando comigo, eu também precisava fazer campanha para garantir minha vaga.

Esta eleição me colocava bem no centro da disputa.

O principal papel de um candidato a vice-presidente era apoiar um candidato à presidência. Em outras palavras, era preciso escolher quem você acreditava que deveria se tornar presidente e servi-lo como seu braço direito.

O motivo para isso estava nas próprias regras da eleição.

Na Academia Kiou, todos os alunos possuíam direito a um voto. No entanto, o presidente eleito recebia um voto especial, conhecido como "voto presidencial", cujo peso equivalia a um terço de todos os votos da escola.

Isso significava que o presidente vencedor exercia uma enorme influência sobre a escolha dos demais membros do conselho estudantil.

Além disso, na Academia Kiou, era tradição que o presidente eleito utilizasse esse voto presidencial em favor do candidato a vice-presidente que o havia apoiado durante a campanha.

Era justamente por isso que escolher uma facção era uma decisão tão importante para quem concorria à vice-presidência.

Na eleição deste ano, havia três facções na Academia Kiou: a de Tennouji-san, a de Narika e a do misterioso terceiro candidato.

Em resumo, a campanha para vice-presidente consistia em apostar na facção vencedora e atuar como seu braço direito.

Você oferecia seu apoio e, em troca, recebia o voto presidencial.

Naturalmente, o voto presidencial representava apenas um terço do total. Se os outros dois terços fossem para o candidato rival, você ainda perderia.

Por isso, eu precisava mostrar aos estudantes o valor do meu trabalho como apoiador e conquistar sua confiança como futuro vice-presidente.

— Estou torcendo por você, cara. Meu voto é seu.

— Valeu.

Em meio a tantas incertezas, um apoio tão direto quanto aquele tinha um peso enorme.

— Você também, né, Asahi?

Taishou olhou para Asahi-san ao seu lado. Mas ela parecia pensativa, com uma expressão complicada no rosto.

— Asahi?

— Hã? Ah... sim! Eu... eu acho que o Tomonari-kun é a melhor escolha.

Ao perceber o quanto ela parecia desconfortável, soltei um pequeno suspiro.

— Você não precisa se forçar a me apoiar, sabia?

— N-Não! Eu estou torcendo por você de verdade! Também vou votar em você, Tomonari-kun!

Mesmo assim, sua atitude continua estranha...

Por um instante, me peguei preocupado com a possibilidade de ela não votar em mim. Só esse pensamento negativo já mostrava que, sem perceber, eu havia presumido que todas as pessoas próximas a mim me apoiariam automaticamente.

Precisava refletir sobre isso. Amizade e lealdade cega não são a mesma coisa.

O período eleitoral mal havia começado. O que realmente importava era o que eu faria daqui para frente.

Mas, para seguir adiante… Eu precisava escolher uma facção.

Apoiar Tennouji-san...

...ou Narika?

Qual delas eu deveria escolher...?

— Não estou conseguindo pensar direito. Vou dar uma volta.

Ainda faltava um tempo para o início da aula. Saí da sala e comecei a caminhar sem rumo pelo corredor.

— Ah, Tomonari-san.

— Suminoe-san….

Enquanto andava, encontrei Suminoe-san, que acabara de chegar à escola.

— O período eleitoral começa hoje, não é?

— Sim….

Seu sorriso impecável e elegante fez um arrepio percorrer minha espinha. Sem desfazer o sorriso, Suminoe-san continuou:

— De qual facção você pretende fazer parte, Tomonari-san?

— Bem...

Fiquei sem resposta. Ao perceber minha hesitação, o olhar de Suminoe-san ficou mais afiado.

— Você não está pensando em trair a Tennouji-sama... está?

A pressão era sufocante. Mantendo os olhos fixos em mim até o último instante, Suminoe-san entrou na sala de aula.

Segurei o estômago, soltei um longo suspiro e...

— Ah, Tomonari-kun — Kita aproximou-se de mim com uma expressão preocupada. — O que houve? Você não está com uma cara muito boa.

— Não, estou bem.

— Se você diz... Você está concorrendo à vice-presidência, não é? Estou torcendo por você.

— Obrigado.

Todo o esforço que fiz até agora devia estar dando resultado, já que tanta gente estava me apoiando. Mas Kita não voltou imediatamente para a sala. Ele permaneceu parado, como se estivesse em dúvida entre falar ou ficar em silêncio.

Depois de hesitar por alguns instantes, finalmente abriu a boca.

— De qual facção você vai fazer parte, Tomonari-kun?

…… …

— Não quero colocar pressão em você, mas acho que a Miyakojima-san é alguém que realmente precisa de apoio.

— É, eu sei.

Eu também pensava assim. De verdade. Mas...

◆

Chegou o intervalo do almoço.

Depois de almoçar com Hinako, como de costume, ela deu um leve tapinha no meu joelho.

— Vai dormir?

— Uhum.

Cruzei as pernas para facilitar que ela apoiasse a cabeça.

— Zzz...

Assim que deitou a cabeça no meu colo, Hinako começou a respirar tranquilamente, soltando um leve ronquinho quase de imediato.

As noites estavam ficando cada vez mais frias conforme o outono avançava, mas durante o dia a temperatura continuava extremamente agradável.

Se minha cabeça não estivesse tão cheia de preocupações, eu provavelmente teria tirado uma soneca junto com ela.

...Talvez eu devesse conversar com alguém.

Peguei meu celular e fiz uma ligação. Não tinha certeza se ela atenderia naquele horário, mas a chamada foi completada quase imediatamente.

— O que foi, Itsuki? Me ligando no meio do dia?

— Desculpa, Yuri. Tem um minuto?

— Tenho, mas aconteceu alguma coisa?

— Sim.

— Espera um pouquinho. Vou para um lugar mais tranquilo.

Ao fundo da voz de Yuri, eu conseguia ouvir uma animada conversa de vários estudantes. O colégio dela provavelmente também estava no horário de almoço. Aquela atmosfera tão familiar da minha antiga escola despertou uma forte sensação de nostalgia.

— Então? O que aconteceu?

A voz de Yuri voltou, agora sem o barulho ao redor.

— Preciso de um conselho. O período eleitoral começou hoje na academia e…

Expliquei toda a situação para Yuri. Contei como havia acabado me tornando candidato à vice-presidência. Como precisava apoiar um dos candidatos à presidência e me destacar nesse papel para vencer a eleição.

Mas, para isso… Eu primeiro precisava escolher uma facção.

— Nossa... esse é um problema luxuoso demais.

— Luxuoso?

— Quero dizer, você pode escolher qualquer uma das duas facções, não pode? Normalmente, só conseguir entrar em uma delas já seria difícil.

Quando ela colocou dessa forma... acho que fazia sentido.

— Espera... você está mesmo me pedindo conselho sobre isso?

— Estou. Afinal, já decidi que, quando se trata de decisões importantes da vida, vou consultar você.

— E o que isso quer dizer?

Yuri deu uma risadinha. Eu realmente queria conversar sobre isso pessoalmente, já que era um assunto tão importante, mas o tempo estava curto.

Eu sabia que a culpa era minha por ter ficado remoendo isso por tanto tempo...

...Se tudo seguir o curso normal, um dos candidatos à presidência acabará ficando sozinho.

Há três candidatos à presidência, mas apenas dois candidatos à vice-presidência.

Assim que ambos os candidatos a vice escolherem suas facções, um dos candidatos à presidência inevitavelmente ficará sem ninguém para apoiá-la.

Eu não queria que nem Tennouji-san nem Narika acabassem sozinhas.

Não era apenas porque não queria vê-las tristes. Eu realmente acreditava que nenhuma das duas merecia ser deixada de lado.

Tennouji-san e Narika eram pessoas extraordinárias. Já que ambas decidiram disputar esta eleição, eu queria vê-las mostrar todo o seu potencial. A ideia de que suas campanhas pudessem ser prejudicadas simplesmente por falta de apoio me incomodava profundamente.

É possível que o outro candidato à vice-presidência pretenda apoiar Tennouji-san ou Narika. Mas, como nenhuma das duas mencionou algo do tipo, isso parecia improvável.

Talvez esse jeito de pensar fosse egoísta...

— Então priorize aquilo que você realmente quer fazer.

Yuri respondeu com uma naturalidade desconcertante.

— O importante é fazer aquilo que faz sentido para você. Eu mesma estou sempre pensando no que eu quero, sabia?

— Sério?

— Uhum. No meu caso, normalmente é cozinhar.

O sonho de Yuri era transformar o restaurante de sua família em uma rede presente em todo o país. Talvez eu precisasse parar de olhar apenas para esta eleição e pensar no panorama maior.

O que eu realmente queria fazer da minha vida era proteger Hinako.

Queria me tornar alguém capaz de apoiar jovens damas como Hinako, Tennouji-san e Narika.

Queria me tornar um consultor de sucesso.

E, algum dia, ser alguém capaz de ficar orgulhosamente ao lado delas, sem precisar esconder minhas origens.

Talvez isso também fosse egoísmo...

Mas...

...Agora que penso bem, todo mundo tem seus próprios motivos para disputar esta eleição.

Tennouji-san queria superar Hinako.

Narika queria mudar a si mesma.

— Dedicação altruísta é uma coisa bonita... mas, no seu caso, isso não significa apenas se trancar dentro da própria concha?

Porque era exatamente isso que eu vinha fazendo. Desde a época em que era apenas um estudante pobre, vivi sem pensar no que eu realmente queria. Yuri já havia chamado minha atenção para isso durante as férias de verão.

Eu era péssimo em dedicar tempo a mim mesmo. Mas eu sabia que não podia continuar vivendo daquele jeito. Se eu não começasse a perseguir meus objetivos por vontade própria, acabaria ficando para trás.

O mundo que escolhi era impiedoso.

...Eu tinha me esquecido da minha determinação original.

Assim como Tennouji-san tinha seus motivos...

E Narika tinha os dela...

Eu também tinha uma razão para participar desta eleição do conselho estudantil.

No fim das férias de verão, Takuma-san me disse uma coisa.

Se eu quisesse me tornar um executivo do Grupo Konohana no futuro, deveria entrar para o conselho estudantil da Academia Kiou.

Muita coisa havia mudado desde então.

Encontrar meu caminho como consultor durante o Management Game e provar que eu tinha talento para isso provavelmente foi algo inesperado até mesmo para Takuma-san.

O plano de vida que imaginei durante as férias de verão havia mudado um pouco. Mas meu desejo mais profundo continuava exatamente o mesmo.

Permanecer ao lado de Hinako.

Esse… E somente esse… Era o meu sonho inabalável.

— Obrigado. Acho que finalmente entendi o que preciso fazer.

— Que bom.

Os dois permaneceram em silêncio por alguns instantes. Então inclinei a cabeça, curioso.

— Ah?

— Você não vai dizer sua frase de sempre? Aquela história de ser minha irmã mais velha...

— Não vou dizer…. — Yuri respondeu com um suspiro. — Eu não vou perder para você... nem para os Konohana!

A ligação foi encerrada.

Será que alguma coisa também havia mudado dentro da Yuri?

Mas agora que ela não dizia mais "Porque eu sou sua Onee-san!"...

Era estranho.

De certa forma… Parecia até um pouco solitário.

Que sentimento egoísta.

— Ei!

— Uwah!?

Uma dedada repentina na minha lateral me fez soltar um grito esquisito.

— H-Hinako? Você acordou?

— No meio da conversa... Não interrompi. Fui boazinha?

— Foi.

— Hehe...

Ela parecia estar esperando um elogio. Passei a mão em sua cabeça, e Hinako sorriu toda satisfeita.

Era praticamente como fazer carinho em um gato.

— Eleições são diferentes dos negócios.

Hinako disse isso enquanto continuava deitada no meu colo.

— Nos negócios, é importante fazer várias empresas crescerem ao mesmo tempo... mas, numa eleição, só existe um vencedor.

Vindas de Hinako, que durante o Management Game conseguiu desenvolver várias empresas simultaneamente, aquelas palavras tinham um peso enorme.

Numa eleição, só existe um vencedor. Normalmente, isso tornaria impossível equilibrar as coisas, mas...

— Mas... tudo depende da forma como você encara isso, Itsuki.

Os olhos de Hinako encontraram os meus.

— O que este evento vai se tornar... depende inteiramente de você.

— É. Você tem razão, Hinako.

Hinako assentiu com um leve:

— Uhum.

— Aliás, Hinako... o que esta eleição do conselho estudantil significa para você?

— Hmm... um festival onde posso relaxar?

Inclinando a cabeça, ela respondeu com naturalidade. Hinako costumava ser a protagonista de qualquer evento em que participasse. Talvez por isso estivesse feliz em assumir um papel mais tranquilo nesta eleição, diferente do habitual.

— Mas eu estou torcendo direitinho.

Ela fez questão de deixar claro que não era apenas uma espectadora.

— Espero que você, Tennouji-san, Miyakojima-san... que todo mundo consiga o resultado que deseja.

Ao ouvir os sentimentos tão sinceros de Hinako, um sorriso escapou naturalmente dos meus lábios.

É...

Exatamente. Era assim que eu também me sentia. Sem conseguir resistir, comecei a afagar a cabeça de Hinako, que ainda descansava no meu colo.

— Mm? Mmm... hehe...

A cada carinho, o sorriso dela ficava ainda mais bobo.

◆

Enquanto voltávamos juntos para a sala da Classe A, demos de cara com duas garotas no corredor.

— Ah.

— Ah.

— Ah.

No mesmo instante em que soltei um som de surpresa, Tennouji-san e Narika fizeram o mesmo.

As duas estavam juntas?

Elas trocaram um breve olhar silencioso, assentiram discretamente e então voltaram a atenção para mim.

— Tomonari-san, poderíamos tomar um pouco do seu tempo?

— Gostaríamos de conversar com você.

As duas falavam com expressões decididas.

— Que coincidência. Eu também tenho algo para conversar com vocês.

Os olhos delas se arregalaram. Talvez estivéssemos prestes a falar exatamente sobre a mesma coisa.

— Então eu volto para a sala primeiro.

— Certo. Até mais.

Percebendo o clima, Hinako retornou sozinha para a sala.

...Bem, não era como se eu estivesse escondendo alguma coisa dela. Depois, quando voltássemos para a mansão, eu contaria tudo.

Como o intervalo do almoço já estava chegando ao fim, o corredor estava praticamente vazio. Nós três paramos em um patamar silencioso da escadaria, frente a frente.

— Podemos começar pelo nosso assunto?

Assenti. Então Narika deu um passo à frente.

— Itsuki... nesta eleição do conselho estudantil... você não precisa nos ajudar.

— Hã?

Meus olhos se arregalaram diante daquela declaração inesperada. Não precisava ajudá-las...

Isso queria dizer...

— Vocês estão... me expulsando da equipe...?

— N-N-Não! Não foi isso que quisemos dizer!

— Exatamente! Você está longe de ser dispensável! Para falar a verdade, não há nada que desejemos mais do que ter você ao nosso lado!

Era mesmo? Inclinei a cabeça, confuso. Tennouji-san pigarreou, claramente envergonhada. Seu rosto estava levemente corado.

— É por sua causa, Tomonari-san. Você provavelmente está sofrendo por não conseguir escolher entre nós duas, não está?

— Bem...

Parece que elas tinham percebido tudo.

— Fazer pôsteres e panfletos é uma coisa. Mas continuar ajudando nós duas ao mesmo tempo seria um fardo enorme. Então Narika e eu conversamos mais cedo. Decidimos disputar esta eleição sem contar com seu apoio, para não sobrecarregá-lo.

— Além disso, Itsuki... se for você, provavelmente até o terceiro candidato à presidência vai querer tê-lo ao lado. Então não se preocupe conosco. Queremos que você dispute esta eleição com mais liberdade.

Se eu não conseguia escolher entre as duas… Então bastava trabalhar com o terceiro candidato. Era isso que Tennouji-san e Narika estavam tentando me dizer.

Mas… Aquilo simplesmente não parecia certo.

— Não se preocupe. Nós daremos um jeito sozinhas...

— Não.

Interrompi as duas de forma firme.

— Não digam isso. Deixem que eu ajude. Vou apoiar vocês duas, Tennouji-san e Narika, com tudo o que tenho.

Será que elas realmente achavam que minha preocupação era apenas o excesso de trabalho?

Não era isso. É verdade que eu estava dividido sobre quem apoiar. Mas nunca, nem por um instante, fiquei preocupado com o peso dessa responsabilidade.

Esse tipo de problema… Eu já vinha ignorando desde o começo. Minha única preocupação eram as regras da eleição. Tradicionalmente, um candidato à vice-presidência apoiava apenas um candidato à presidência.

Era isso que estava me prendendo. Eu tinha receio de quebrar essa tradição. Mas Yuri e Hinako haviam me dado o empurrão que eu precisava para superar essa barreira.

Nesse caso… Eu não tinha mais motivo algum para fazer concessões.

— Vocês entenderam errado. Não é que eu não consiga escolher. É que eu quero apoiar as duas.

Diante das duas, que permaneciam completamente imóveis e sem palavras, continuei:

— Meu objetivo é me tornar um consultor. Para chegar lá, preciso adquirir o máximo de experiência possível nessa função. Vou ficar absurdamente ocupado? Ótimo. Não tenho a menor intenção de desperdiçar essa oportunidade. Ficar soterrado de trabalho é exatamente o que eu quero.

Uma carga de trabalho insana não me assustava. Desde que Hinako me arrastou para este mundo, viver ocupado fazia parte da minha rotina.

— Eu também tenho meus próprios objetivos nesta eleição. Por isso... vou apoiar vocês duas.

Olhei diretamente para ambas ao dizer isso. Por algum motivo, Tennouji-san e Narika ficaram completamente paralisadas, olhando para mim com expressões atônitas.

— Que…….. magnífico.

— Muito legal………

Ao notar que as duas estavam com as bochechas levemente coradas, inclinei a cabeça.

— Hã...? Vocês duas?

— Ah!

As duas voltaram a si ao mesmo tempo.

— Muito bem. Se essa é mesmo a sua decisão, Tomonari-san... então, por favor, nos apoie.

— Eu sempre confiei em você, Itsuki. Para ser sincera... adoraria contar com a sua ajuda.

Aliviado por ambas terem concordado, soltei um suspiro.

Ainda bem...

Eu não tinha sido expulso da equipe.

— No entanto, existe uma preocupação sobre a forma como as pessoas vão enxergar isso. Se você apoiar duas facções ao mesmo tempo, alguns podem pensar que está apenas tentando agradar aos dois lados para conseguir o voto presidencial...

— Eu já pensei em algumas maneiras de lidar com isso. Depois conversamos sobre os detalhes.

O sinal de aviso tocou, anunciando que a aula começaria em breve. Lembrei da mentalidade que tinha durante o Management Game, quando atuava como consultor.

Discussões complicadas podiam esperar.

Primeiro, era preciso decidir o que fazer.

— Por enquanto, as tarefas da eleição são distribuir os panfletos e preparar os discursos que começam amanhã, certo? Vocês já fizeram um rascunho?

— Sim... um pouco...

— Eu comecei, mas ainda não terminei...

Como eu imaginava. As duas estavam tão ocupadas quanto eu, então o progresso não era dos melhores. Como minha indecisão havia atrasado tudo, cabia a mim recuperar o tempo perdido.

— Eu ajudo vocês a preparar os discursos. Então, depois das aulas de hoje, concentrem-se apenas em distribuir os panfletos. Se vocês mesmas fizerem isso, terão uma ótima oportunidade de interagir diretamente com os alunos.

As duas assentiram pensativas, e continuei explicando o plano.

— Dito isso, fazer esse trabalho sozinhas vai ser difícil. Vou apresentar algumas pessoas para ajudá-las na distribuição. Ah, e vocês provavelmente já sabem, mas tomem cuidado: existem apenas alguns locais específicos onde é permitido distribuir panfletos.

Pedirei para Suminoe-san ajudar Tennouji-san e para Kita ajudar Narika.

Os dois são bastante dedicados e, provavelmente, vão se dar muito bem com elas.

Enquanto explicava tudo, percebi que Tennouji-san e Narika me encaravam com expressões de surpresa.

— Você está incrivelmente bem informado.

— Ah...

A pergunta inocente de Narika me deixou um pouco sem graça.

— Bem... eu estava completamente decidido a ajudar vocês, então... acabei pesquisando bastante.

Eu havia decorado todas as regras da eleição do conselho estudantil. Não apenas as relacionadas ao cargo de vice-presidente. Também havia me preparado pensando nas estratégias das candidatas à presidência.

— Pff...

— Hehe...

Tennouji-san e Narika acabaram rindo ao mesmo tempo.

— Parece que nossa preocupação era desnecessária.

— É mesmo. Talvez devêssemos ter confiado em você desde o começo, Itsuki.

Agora que eu havia decidido apoiá-las… Precisava corresponder à confiança que depositavam em mim.

◆

Depois das aulas.

Conforme eu havia orientado, Tennouji-san e Narika estavam concentradas na distribuição dos panfletos.

— Eu sou Tennouji Mirei! Ficarei muito feliz se puder contar com o precioso voto de todos vocês!

— Eu sou Miyakojima Narika! Espero poder contar com o apoio de todos!

As duas distribuíam panfletos em pontos diferentes, do lado de fora do prédio da escola.

Pelo que pude observar, praticamente todos os alunos que passavam aceitavam um panfleto.

Será que os estudantes da Academia Kiou eram realmente tão interessados na eleição… Ou era simplesmente a influência daquelas duas?

Também não dava para ignorar o peso do nome de suas famílias.

Ainda assim, se ambas continuassem fazendo campanha seriamente durante aqueles treze dias, o resultado dificilmente seria decidido apenas por um detalhe como esse.

Os panfletos tinham dois objetivos.

O primeiro era divulgar suas propostas, complementando o conteúdo apresentado nos pôsteres.

O segundo era anunciar os discursos que começariam no dia seguinte.

— A partir de amanhã farei discursos duas vezes por dia: durante o intervalo do almoço e depois das aulas! Conto com a presença de todos!

— Amanhã finalmente poderei explicar melhor minhas propostas durante os discursos! Tenho muitas coisas para compartilhar, então espero que todos possam comparecer!

Enquanto distribuíam os panfletos, as duas também anunciavam os horários e os locais dos discursos.

Sem isso, ninguém apareceria para assisti-los, tornando os discursos completamente inúteis.

...Não estou vendo o terceiro candidato à presidência.

Será que está distribuindo panfletos em outro lugar? Ou talvez tenha decidido apenas observar a situação hoje?

Os candidatos eram livres para fazer campanha da maneira que quisessem, então isso não era um problema...

Mas esse silêncio era um pouco preocupante.

— Tennouji-sama é uma figura digna da Academia Kiou! Por favor, deem seu apoio a ela!

— Miyakojima-san não tem medo de mudanças! Confiem o futuro da academia a ela!

Suminoe-san e Kita também estavam ajudando na distribuição dos panfletos.

Quando pedi a ajuda de Kita, ele parecia um pouco inseguro, mas agora distribuía os panfletos com bastante entusiasmo. Entre Suminoe-san e Kita parecia existir uma rivalidade silenciosa. De repente, Suminoe-san abriu bem a boca e gritou:

— Glória à Tennouji-sama!!

...Suminoe-san. Isso está começando a parecer um culto. Por favor, pare.

— Itsuki... ainda falta um pouco?

— Não. Vamos voltar para casa.

Uma parte de mim queria continuar observando aquela disputa pela distribuição de panfletos — o prelúdio dos discursos — até o fim. Mas eu também tinha meu próprio trabalho.

Confiava que elas dariam conta dali em diante. Eu precisava cumprir o meu papel. Embora uma certa pessoa estivesse começando a fugir um pouco do roteiro...

Ah.

Tennouji-san acabou de repreender Suminoe-san.

Ao ver Suminoe-san abaixar a cabeça, completamente desanimada, confirmei que a situação estava sob controle e segui de volta para a Mansão Konohana.

◆

— Certo...

Durante o período eleitoral, eu estava dispensado das demais tarefas de criado, mantendo apenas minhas responsabilidades como cuidador de Hinako.

Assim que entrei no meu quarto, tirei imediatamente da bolsa os rascunhos dos discursos. Como sempre, eu devia muito à Shizune-san por apoiar minhas ambições. Ninguém poderia imaginar que um plebeu como eu, contratado temporariamente como cuidador, acabaria aspirando a um cargo no conselho estudantil.

Comecei a revisar os rascunhos imediatamente.

...As duas escreveram tudo com tanta sinceridade.

Senti despertar novamente aquilo que Takuma-san chamava de meu "talento para enxergar além dos dados".

Mesmo apenas lendo os textos, era possível sentir a intensidade da paixão que ambas colocavam nesta eleição. Meu trabalho era lapidar esses sentimentos para que chegassem ao público da forma mais eficaz possível.

Os discursos dos candidatos à presidência não podiam ser realizados a qualquer momento.

Eles eram permitidos apenas durante o intervalo do almoço e depois das aulas.

O tempo disponível no almoço era curto, enquanto o período após as aulas oferecia muito mais liberdade, permitindo discursos mais completos.

Talvez fosse melhor preparar duas versões diferentes.

...Essa parte é parecida com os negócios.

Como Hinako havia dito durante o almoço, negócios e eleições eram coisas completamente diferentes. Mesmo assim, toda a experiência que adquiri administrando simultaneamente várias consultorias durante o Management Game estava sendo extremamente útil.

No fim das contas, tratava-se de aproveitar os pontos fortes de cada um para ajudá-los a crescer.

Nos negócios e nas eleições, a regra fundamental era a mesma. Quem conquistasse mais confiança, venceria.

Nas eleições, as empresas eram substituídas por pessoas...

E as ações, por votos.

....Só por garantia, vou pedir para Hinako dar uma olhada.

Olhei para Hinako, que estava relaxando na cama atrás de mim.

— Hinako, pode ler esses rascunhos uma vez?

— Uhum... deixa comigo.

— Desculpa. Eu sei que você está com sono.

— Não tem problema... por você, isso é moleza.

Dizendo isso, Hinako se levantou e caminhou até mim com seus passinhos curtos e tranquilos.

Enquanto lia os rascunhos espalhados sobre a mesa, seus cabelos cor de âmbar roçavam de leve no meu braço, fazendo cócegas.

— Aqui... tem números demais. Acho que vai ser difícil para as pessoas acompanharem.

— Entendi.

Em uma apresentação sem gráficos ou tabelas, despejar números apenas falando dificilmente faria alguém se lembrar deles.

Os discursos até permitiam o uso de projetores. Mas aqueles rascunhos eram para as apresentações do intervalo do almoço, quando o tempo era muito limitado.

Eu preferia não usar projetor nesse horário. Tennouji-san e Narika precisavam descansar pelo menos um pouco. Além disso, lidar com possíveis problemas técnicos só daria mais dor de cabeça.

— Então você também estudou esse tipo de apresentação?

— Uhum... caso um dia eu precise discursar em uma assembleia de acionistas.

Isso era um nível completamente diferente. Ainda parecia um objetivo absurdamente distante. Eu estava longe de chegar a esse patamar.

Mas o caminho à minha frente já estava claro. Não havia necessidade de ter pressa. Bastava continuar evoluindo, um passo de cada vez. Foi justamente quando pensei nisso que meu celular vibrou, anunciando uma ligação.

— É o Takuma-san.

— Ughhh...

Hinako fez uma careta, como se tivesse mordido alguma coisa azeda, e mergulhou debaixo das cobertas.

Ela desgosta tanto assim dele...?

"E aí, Itsuki-kun."

"Oi. Aconteceu alguma coisa?"

"O período eleitoral começou hoje, não foi? Resolvi ligar para te dar umas palavras de incentivo."

"Incentivo... é?"

Vindo desse cara… Parece que sempre existe alguma segunda intenção. Dá até um pouco de medo.

"Você está concorrendo à vice-presidência, certo, Itsuki-kun?"

"Sim."

"E, se bem me lembro, duas das candidatas à presidência são suas amigas. Conhecendo você... imagino que esteja ajudando as duas ao mesmo tempo, não é?"

"...Exatamente."

Como esperado… Ele me conhecia bem demais. Até entendo como ele sabe tanto sobre mim...

Mas como ele descobriu que Tennouji-san e Narika estão concorrendo à presidência?

A rede de informações desse homem continua sendo um completo mistério.

"Bem, se pretende se tornar um executivo do Grupo Konohana, no mínimo precisa ser capaz de lidar com esse tipo de situação."

"...Talvez seja tarde para perguntar isso, mas... tornar-me executivo do Grupo Konohana e me tornar um consultor... esses dois objetivos realmente são compatíveis?"

"Completamente. No fim das contas, o mundo recompensa competência. Se você se tornar um consultor excepcional, Itsuki-kun, isso abrirá portas não apenas no nosso grupo, mas em qualquer grande empresa."

Um mundo baseado no mérito… Pensando bem… Eu concordava, pelo menos em parte.

Antes, acreditava que sorte — como nascer na família certa ou ter boas origens — desempenhava um papel enorme. Mas, observando os estudantes da Academia Kiou, que jamais deixavam de se esforçar, percebi que esses fatores representam apenas uma pequena parte do que leva alguém ao sucesso.

Não vou negar que a sorte influencia. No entanto, também é verdade que a competência permite aproveitar as oportunidades quando elas aparecem. O mundo costuma ser bastante generoso com quem realmente tem capacidade.

Se Takuma-san dizia que era possível… Então conciliar esses dois objetivos não deveria ser um problema. Mesmo assim, uma preocupação ainda permanecia.

"Mas... fiquei pensando nisso durante a visita às empresas. Quando alguém entra em um grupo como executivo vindo de fora... não corre o risco de despertar ressentimento entre as pessoas que já trabalham lá?"

"Hahaha... Muito boa essa pergunta. Suas dúvidas estão ficando cada vez mais afiadas, não é?"

Graças a você.

Minha mente voltou imediatamente para a assembleia de acionistas da Taiyo Construction. A alta administração de lá havia sido completamente encurralada depois que o Suzuki Fund conquistou a maioria das ações.

As consequências daquele episódio provavelmente apareceriam aos poucos. Mas eu ainda não conseguia esquecer a expressão de ansiedade estampada no rosto do presidente naquele dia.

"Não se preocupe com isso. Esse tipo de problema eu resolvo."

Takuma-san respondeu com absoluta tranquilidade. Inclinei a cabeça.

Ele havia elogiado minha pergunta por ser específica… Mas sua resposta era frustrantemente vaga. Parecia até que estava deliberadamente evitando entrar no assunto.

"Esta eleição vai exigir muito mais trabalho do que o Management Game. Então, quando precisar, conte com a Hinako."

"Com a Hinako...?"

"Você sabe como ela é competente quando o assunto é executar tarefas. Existem coisas que ela pode te ensinar e que você jamais aprenderia comigo. Vá absorvendo isso aos poucos."

Eu não queria sobrecarregar Hinako. Mas Takuma-san tinha razão. A capacidade dela de colocar as coisas em prática era extraordinária. Sempre senti um pouco de inveja disso. Durante o período eleitoral, Hinako parecia chamar menos atenção do que normalmente chamava. Então, quando ela não parecesse muito cansada, eu tentaria pedir alguns conselhos.

"A propósito, Itsuki-kun."

De repente, Takuma-san mudou completamente de assunto.

"Houve uma coisa que ficou faltando no Management Game. Consegue imaginar o que foi?"

"...Não faço ideia."

"Acho que você vai descobrir durante esta eleição. Se conseguir superar isso... vai crescer ainda mais."

A ligação foi encerrada.

Qual teria sido a resposta para aquela última pergunta? Deixando esse enigma para trás, coloquei o celular sobre a mesa.

— Itsuki...

Hinako, que estava escondida debaixo das cobertas, colocou o rosto para fora e me chamou.

— Itsuki… você está tentando se tornar um executivo do Grupo Konohana?

— Hã? Ah… eu não tinha comentado isso?

— Não….

Espera… sério?

Agora que parei para pensar, acho que nunca tinha contado isso para a Hinako.

A primeira pessoa para quem falei foi o Takuma-san, e a Tennouji-san acabou percebendo durante a primeira metade do Management Game, mas, desde então, não contei para mais ninguém.

Em parte porque falar isso em voz alta é meio constrangedor. Poderia parecer que estou fazendo tudo isso por causa da Hinako, e eu não queria dar a impressão de que estava esperando reconhecimento ou gratidão.

Eu só estou me esforçando porque é isso que eu quero fazer. Só isso…

— B-Bem… é que…

Hinako brincava inquieta com os dedos, sem tirar os olhos de mim.

— Isso quer dizer… que você vai ficar comigo… para sempre…?

Ela perguntou timidamente, erguendo o olhar para mim.

Ela quis dizer trabalhar como executivo do Grupo Konohana para sempre?

Tornar-me um executivo sempre foi meu objetivo final, então nunca pensei muito no que faria depois disso. Mas, a menos que eu seja demitido ou algo do tipo, provavelmente continuarei trabalhando lá.

— Bem, eu ficaria feliz se as coisas acabassem desse jeito.

Ao ouvir minha resposta, o rosto de Hinako ficou completamente vermelho, e ela disparou em direção à porta.

— Hinako?

— Vou voltar para o meu quarto.

Hinako abriu a porta. Uma empregada, que por acaso estava limpando o corredor, se virou em nossa direção. Pelo visto, ela não precisaria que eu a acompanhasse até o quarto.

Fiquei apenas olhando para a porta fechada, sem entender.

O que foi aquilo…?

◆

Assim que voltou para o próprio quarto, Hinako se jogou de bruços na cama.

Abraçando o travesseiro com força, ela reviveu mentalmente a conversa que tivera com Itsuki.

— Hehe.

Ela não fazia ideia de que o objetivo de Itsuki era se tornar um executivo do Grupo Konohana.

Sabia que ele tinha grandes ambições. Ele já havia dito que queria ficar ao lado dela como alguém do mesmo nível… caminhar ao seu lado. Mas jamais imaginou que seu objetivo específico fosse se tornar um executivo justamente do Grupo Konohana…

Não do Grupo Tennouji.

Nem da Shimax, empresa da família da Narika.

O objetivo de Itsuki era o Grupo Konohana… o lugar onde Hinako estava.

E ele ainda disse que ficaria com ela para sempre.

Isso era…

Isso é… praticamente um pedido de casamento…!!

Apertando o travesseiro contra o peito, ela imaginou um casamento magnífico, cercado pelas bênçãos de todos.

Ela compraria um vestido de noiva. O mais lindo que existisse. Quanto antes se casassem, melhor.

Quem sabe até um casamento ainda durante os tempos de estudante…

Não seria uma má ideia. No cenário imaginário da cerimônia, rostos familiares apareceram: Tennouji Mirei, Miyakojima Narika e Hirano Yuri.

Todos batiam palmas, celebrando o casamento dos dois.

Eu venci… sou a número um do Itsuki…! Eu sabia que era a heroína principal…!

Hinako usava com toda a confiança termos que havia aprendido recentemente lendo mangás shoujo.

Ela apertou o travesseiro com toda a força. Dormiria abraçada a ele naquela noite. Tinha certeza de que teria os sonhos mais felizes de sua vida.

— Com licença.

No instante em que fechou os olhos, Shizune entrou no quarto. Ao ver Hinako prestes a adormecer, ela falou:

— Ojou-sama, está na hora dos seus estudos…

— Hoje não….

— Kagen-sama ficará descontente.

— Não tem problema. Papai está na residência principal hoje.

Sempre astuta, Hinako já havia conferido a agenda do pai com antecedência. Shizune soltou um pequeno suspiro.

— Se continuar relaxando desse jeito, Itsuki-san pode acabar se decepcionando com você.

Ultimamente, Shizune havia começado a usar Itsuki como incentivo para motivar Hinako. Aquilo costumava funcionar muito bem, e normalmente Hinako obedeceria na hora, mas…

— Heh.

— O que foi essa expressão?

— O Itsuki… me escolheu. Não preciso me preocupar com isso…

Hinako abriu um sorriso presunçoso, deixando Shizune completamente confusa.

— O que foi que ele disse?

— Que quer se tornar um executivo do Grupo Konohana.

Shizune já suspeitava vagamente disso. Na época em que o Management Game havia começado, Itsuki lhe perguntara se deveria criar uma empresa do zero e o que precisava fazer caso quisesse trabalhar na administração de uma empresa no futuro.

Depois disso, durante o Management Game, Itsuki seguiu o caminho do empreendedorismo. Porém, seu verdadeiro objetivo nunca foi fundar uma empresa, e sim tornar-se um líder. O Management Game era apenas uma ferramenta de aprendizado. Depois de abrir sua consultoria, ele passou a priorizar trabalhos com grandes empresas, o que deixava claro que aspirava administrar uma grande corporação no futuro.

Fazia sentido…

Provavelmente ele queria participar da administração dos negócios da família Konohana. Era uma decisão ousada. Sinceramente, digna de admiração.

Será que era por isso que ele também estava tentando conseguir um cargo no conselho estudantil?

Era um esforço genuíno. Quando começasse o período eleitoral, ela deveria ajudá-lo um pouco.

Mas, bem diante da emocionada Shizune…

Hinako estava completamente derretida, com um sorriso bobo de quem estava perdidamente apaixonada.

— O Itsuki… disse que vai ficar comigo para sempre…

Era difícil continuar emocionada diante daquela situação. Enquanto Hinako se afundava em seu pequeno mundo de felicidade, Shizune soltou uma leve tosse para trazê-la de volta à realidade.

— Você não pode baixar a guarda.

— Hã?

Shizune lançou um olhar severo para Hinako, que estava completamente relaxada.

— Mesmo que seja assim que o Itsuki-san se sinta, a forma como as outras pessoas vão agir é outra história. Depois do Management Game, ele chamou muita atenção. Mesmo que consiga se tornar um executivo do Grupo Konohana, existe uma boa chance de outra empresa tentar tirá-lo de lá.

— R-Roubar ele…!?

Era uma possibilidade muito real. Hinako também sabia disso, e toda a confiança que tinha demonstrado há pouco começou a desmoronar.

— A senhorita consegue imaginar quem faria isso, Ojou-sama? Alguém que também possa estar interessada no Itsuki-san?

— Consigo………….. — Hinako respondeu com uma voz quase inaudível. — Umas quatro pessoas………..

— Isso é gente demais….

Shizune levou a mão à testa.

Aquele rapaz é muito mais popular do que eu imaginava.

— Por curiosidade… em quem a senhorita está pensando?

— Hirano-san, Tennouji-san, Miyakojima-san… e a Shizune.

— Hã?

Um nome inesperado surgiu na lista.

— Eu?

— Porque, Shizune… ultimamente você fica olhando muito para o Itsuki…

Shizune finalmente entendeu o que ela queria dizer.

Desde que Itsuki descobrira seu hobby de fazer cosplay, Shizune passou a observá-lo de tempos em tempos para garantir que ele não revelasse seu segredo. Principalmente quando ouvia alguém comentando sobre roupas ou hobbies, lançava um olhar rápido na direção dele.

Era exatamente a isso que Hinako estava se referindo.

— Ojou-sama, isso é… bem…

— Isso é…?

— Não, quero dizer…

— Quer dizer o quê?

Agora a situação havia se invertido. Sob o olhar insistente de Hinako, Shizune desviou os olhos.

— V-Vamos voltar ao assunto principal.

— Está fugindo da conversa.

— Não estou fugindo.

Ela só estava impedindo que o assunto saísse ainda mais dos trilhos. Convencendo a si mesma disso, Shizune continuou.

— Agora a senhorita entende, Ojou-sama. O Itsuki-san é muito disputado.

— Ugh… grr…!

Hinako fechou a boca com força, e Shizune prosseguiu.

— Se alguém tentar tirar o Itsuki-san de perto da senhorita, acha mesmo que ele continuaria fiel a uma Ojou-sama preguiçosa como está agora? Não. É melhor se preparar para ser abandonada.

— N-Ngh… nghhh…!

Contra a própria vontade, Hinako começou a imaginar essa possibilidade.

Depois do casamento, eles viveriam felizes para sempre.

Mas talvez aquela felicidade a tivesse deixado relaxada demais. Itsuki olhava para ela com um semblante frio.

"Desculpe, Hinako. Eu… vou trabalhar para uma chefe melhor."

"I-Itsuki…!!"

Seu corpo inteiro começou a tremer.

"Itsuki… não vá embora…!"

Ao ver Hinako tão abalada, Shizune soltou um suspiro.

Sinceramente, não havia a menor chance de aquele rapaz fazer algo assim com ela.

Sua intenção era apenas dar um pequeno empurrão para motivá-la, mas o efeito tinha sido muito maior do que esperava. Agora, sentia até um pouco de culpa por tê-la assustado tanto.

Mesmo assim, havia coisas que precisavam ser feitas.

Certa vez, Hinako havia quebrado completamente a etiqueta durante um jantar importante por causa da chamada "regra dos três segundos". Itsuki ficou profundamente abalado, achando que era culpa dele, mas Shizune também se arrependera muito daquele episódio.

— Vamos, Ojou-sama. Hoje vamos estudar.

Itsuki não era a única pessoa ao lado de Hinako. Se ele lhe oferecia doces, então caberia a ela empunhar o chicote. Shizune decidiu assumir esse papel.

Fim da leitura

Capítulo 59 concluído

Volume 9 – Capítulo 1 – Capítulo 1: Facções