O Cuidador da Ojou-sama — Capítulo 66: Volume 10 – Capítulo 1 – Capítulo 1: O Tipo Político

O Cuidador da Ojou-sama
Cap. 66
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O Cuidador da Ojou-sama

Volume 10 – Capítulo 1 – Capítulo 1: O Tipo Político

Capítulo 66

13.893 palavras~60 min de leitura

DEPOIS DE TERMINAR a distribuição dos panfletos pela manhã, entrei na sala de aula e soltei um suspiro de alívio.

— Ufa.

As manhãs vinham ficando frias ultimamente. Enquanto eu distribuía panfletos, estava me movimentando, então não percebi tanto, mas, quando voltei para a sala, meu corpo já tinha esfriado por completo.

Agora que novembro havia chegado, parecia que a temperatura tinha despencado. Eu não podia me dar ao luxo de pegar um resfriado justo agora, então precisava tomar cuidado com a minha saúde.

— Tomonari-kun, bom trabalho lá fora!

Enquanto eu tirava meus materiais de escrita da mochila, Asahi-san falou comigo. Já havíamos nos cumprimentado mais cedo. Ela também tinha ajudado na distribuição dos panfletos naquela manhã.

— Asahi-san, obrigado por ajudar hoje também.

— Não precisa se preocupar com isso. Então, Tomonari-kun, qual é o plano para o intervalo do almoço?

— Estou pensando em ir ouvir o discurso do Joutou-kun hoje.

Eu tinha um pressentimento de que Joutou começaria a fazer algo especial a partir daquele dia. Queria conferir o quanto antes.

— Dito isso, para ficar de olho na campanha negativa, também gostaria de assistir aos discursos da Tennouji-san e da Narika, se possível... Estou um pouco dividido.

(N/SLAG: Campanha negativa é uma estratégia de comunicação, muito comum em eleições, em que a campanha foca em criticar, atacar ou desqualificar um adversário, em vez de destacar apenas as próprias propostas.)

— Nesse caso, que tal eu ir conferir essas duas por você?

— Tem certeza?

— Claro! Afinal, Tomonari-kun, você é meu benfeitor!

Asahi-san bateu no próprio peito com orgulho enquanto falava.

— Você não precisa fazer parecer algo tão grandioso.

— Mas não é grandioso coisa nenhuma!

Asahi-san apoiou as duas mãos na minha carteira e se inclinou para a frente ao falar.

O entusiasmo dela me pegou desprevenido, e meus olhos se arregalaram.

— Ontem, sabe, o Rintarou jantou conosco em casa. Fazia muito tempo que ele comia sozinho, em horários diferentes, então fiquei muito feliz. Foi como se finalmente tivéssemos recuperado um pouco do nosso tempo em família... E foi tudo graças a você, Tomonari-kun.

Os olhos de Asahi-san brilharam levemente, tomados pela emoção.

Eu tinha ouvido dizer que os irmãos não se davam bem, mas parecia que Rintarou guardava certo ressentimento da família como um todo.

— Então, tipo, minha gratidão está transbordando! Neste momento, eu faria praticamente qualquer coisa que você me pedisse!

Asahi-san disse aquilo com a voz vibrando de empolgação.

Parecia que ela acabara de soltar uma frase explosiva.

Eu não esperava uma gratidão tão intensa, então fiquei um pouco atordoado. Ainda assim, fiquei contente ao saber que a relação entre os irmãos parecia estar se recuperando. Considerando a personalidade de Rintarou, talvez as coisas não voltassem imediatamente a ser como antes, mas, a partir daquele ponto, o tempo provavelmente se encarregaria do resto.

Enquanto me sentia um pouco aquecido pela situação de Asahi-san, percebi Taishou se aproximando.

— E aí, bom trabalho, vocês dois.

— Ah, Taishou.

Taishou também tinha ajudado na distribuição dos panfletos naquela manhã.

No caminho de volta para a sala, ele havia sumido em algum momento — provavelmente para conversar com alunos de outras turmas. Taishou era tão sociável quanto Asahi-san.

De repente, Taishou começou a encarar alternadamente o meu rosto e o de Asahi-san.

— Tomonari e Asahi, vocês dois andam bem próximos ultimamente... Espera, vocês estão namorando ou algo assim?

— Eeh!?

Um grito descontrolado escapou dos lábios de Asahi-san. Aquele comentário devia ter sido completamente inesperado. O rosto dela ficou vermelho-vivo num instante.

— D-D-D-De jeito nenhum! Não é nada disso!

— Você está entrando em pânico de um jeito óbvio demais. Isso só deixa tudo mais suspeito, sabia?

— Ughhh! Taishou-kun, pare de falar coisas estranhas!

Asahi-san começou a bater de leve no ombro de Taishou.

Do meu ponto de vista, eles pareciam muito mais um casal, mas...

Enquanto Asahi-san dava tapinhas no ombro de Taishou, percebi que suas orelhas também estavam vermelhas e que ela suava levemente. Sem perceber, acabei encarando o perfil corado dela, até que Asahi-san notou meu olhar e se virou para mim.

No instante em que nossos olhos se encontraram, senti vergonha de repente e desviei o olhar.

Asahi-san fez o mesmo, desviando os olhos e ficando em silêncio.

Isso... Isso é constrangedor...

Taishou...! A culpa é sua...!

……. .. !

Um olhar afiado e gélido fez minha espinha congelar, e eu me virei por instinto. Ali, a certa distância, estava Hinako, observando-nos.

— K-Konohana-san?

— Sim? Aconteceu alguma coisa?

Hinako, em seu modo ojou-sama, abriu um sorriso radiante e alegre. Enquanto Taishou praticamente derretia diante do charme dela, um suor frio escorreu pela minha bochecha.

Espera... Então aquele olhar não veio da Hinako?

— Mas, bem, é verdade que sou super grata ao Tomonari-kun!

Asahi-san pigarreou, tentando dissipar o clima estranho.

— Tomonari-kun, é só dizer uma palavra! Neste momento, estou pronta para ser seus braços e pernas!

— S-Sim.

Ainda levemente corada, Asahi-san me fez assentir com aquelas palavras.

…….!

Senti aquele olhar de novo! Mas, quando me virei, tudo o que vi foi—

— Konohana-san…..?

— Algum problema?

Hinako sorriu gentilmente. Talvez fosse só impressão minha? ...Será que estou começando a pegar um resfriado?

◆

Intervalo do almoço.

Depois de terminar de almoçar, aceitei a gentil oferta de Asahi-san e fui ouvir o discurso de Joutou.

Mas, quando voltei ao prédio escolar vindo do antigo salão do conselho estudantil, parei no meio do caminho.

Hmmm?

Pensando bem, onde Joutou estava fazendo o discurso?

Agora que eu parava para pensar, não tinha visto a equipe de Joutou distribuindo panfletos no campo esportivo naquela manhã. Como os locais dos discursos mudavam todos os dias, normalmente eles eram anunciados por meio dos panfletos. Imaginei que talvez estivessem distribuindo em outro lugar, mesmo que não fosse no campo, mas eu não havia cruzado com eles nenhuma vez naquele dia.

Acho que vou ter que procurar a pé.

Os locais onde era permitido fazer discursos eram limitados. Entre eles, eu já havia garantido o campo esportivo e a área em frente ao ginásio — pontos privilegiados, com boa visibilidade ou espaço para reunir uma multidão. A essa altura, Tennouji-san e Narika já deviam estar começando seus discursos nesses dois lugares.

Também havia outros bons pontos, mas, mesmo depois de verificar todos, Joutou não estava em lugar nenhum. Passei às pressas pela entrada do refeitório e pelos fundos do prédio escolar, mas não conseguia ouvir a voz dele em parte alguma.

O que estava acontecendo?

Será que ele não faria discurso naquele dia?

Os discursos do horário de almoço eram menores em comparação com os de depois da aula, por causa do limite de tempo, então não seria tão estranho se ele tivesse decidido pular essa parte. Ainda assim, eu não conseguia afastar a sensação de que Joutou, no estado atual em que se encontrava, não deixaria passar nem uma oportunidade pequena como aquela.

Não. Eu estava com um mau pressentimento.

Quando Joutou levasse algo a sério, provavelmente superaria minhas expectativas.

Era por isso que eu queria ver o que ele estava tramando agora. Se estivesse planejando alguma coisa longe dos meus olhos, talvez eu não tivesse como contra-atacar quando chegasse a hora.

Enquanto a ansiedade crescia dentro de mim, avistei uma figura conhecida logo à frente.

— Ikuno-kun.

Ao chamá-lo enquanto ele caminhava pelo corredor, Ikuno se virou imediatamente.

— Tomonari-kun, o que foi?

— Você viu o Joutou? Não sei onde ele está fazendo o discurso hoje...

Eu já havia verificado todos os lugares prováveis, mas Joutou continuava sem aparecer.

— Joutou-kun está no terceiro andar.

— No terceiro andar?

Então ele estava na sala dele?

As salas do segundo ano eram divididas assim: as turmas A a C ficavam no segundo andar, enquanto as turmas D a F ficavam no terceiro. Como eu costumava interagir com Hinako, Tennouji-san e Narika, que eram todas do segundo andar, não tinha tanta familiaridade com os alunos do terceiro. Ainda assim, eu sabia que Joutou era da Turma E.

— Quer ir junto?

— Claro.

Eu havia me aproximado de Ikuno durante o Management Game. Ele era da Turma F e, embora não nos víssemos todos os dias, eu jamais me esqueceria de como ele permitiu que minha empresa de e-commerce focada em presentes, a Tomonari Gifts, fizesse parceria com ele e, no fim, assumisse o negócio.

Ele era alguém com quem eu gostaria de me encontrar um dia fora da Academia.

Quando Ikuno e eu subimos até o terceiro andar, encontramos uma multidão reunida.

Joutou estava fazendo seu discurso no corredor do terceiro andar.

— Em frente às salas...?

É verdade que discursos no corredor não eram proibidos. Mas eu sempre havia pensado que fazer um durante o intervalo do almoço, quando os corredores ficavam movimentados, atrapalharia os outros. Tennouji-san, Narika e eu tínhamos conversado sobre isso e concordado em evitar esse tipo de coisa.

No entanto, naquele momento, o corredor do terceiro andar estava completamente vazio. Todos estavam dentro das salas, ouvindo em silêncio o discurso de Joutou. Apenas Ikuno e eu permanecíamos no corredor.

— Joutou-kun vem preparando isso desde esta manhã — explicou Ikuno. — Ele passou por todas as salas, perguntando se poderia fazer o discurso no corredor durante o almoço.

— Ele fez isso….?

Então era por isso que eu não tinha visto a equipe de Joutou no campo esportivo. Eles haviam sacrificado o tempo de distribuição dos panfletos para preparar o ambiente daquele discurso.

Mas por quê...? Será que ouvir o discurso deixaria isso claro?

Acompanhei Ikuno até a sala da Turma F para escutar o discurso de Joutou.

— Com certeza há pessoas aqui que conhecem a dor de serem julgadas pela origem familiar!

A voz apaixonada de Joutou ecoou em meus ouvidos, ressoando fundo no meu peito.

— Com certeza há pessoas aqui que precisaram sufocar as próprias opiniões! Eu quero acabar com isso!

Sua voz, seu olhar — tudo nele era completamente diferente do Joutou que eu conhecia.

Com o cabelo penteado para trás, os traços marcantes de Joutou chamavam atenção enquanto ele despejava suas palavras. Ele cravava nos alunos da sala um olhar penetrante. Mesmo um instante fugaz preso naquele olhar já era suficiente para arrastar qualquer um para dentro do discurso.

— Como todos vocês disseram, eu sou um reformista! Tenho uma visão para transformar esta Academia em um lugar melhor! Não estou fazendo promessas seguras e conservadoras como os outros, mas, se vocês querem mudança na Academia Kiou, por favor, apoiem-me!

Aplausos e gritos de entusiasmo irromperam das três salas. Quase me esqueci do meu papel e bati palmas junto com os outros.

...Ele é bom.

Se eu não estivesse concorrendo ao conselho estudantil e fosse apenas um aluno comum, talvez tivesse sido levado por aquele discurso. Era esse o nível da habilidade de Joutou em incendiar uma multidão.

Ao se chamar de reformista e rotular os outros candidatos como conservadores, Joutou conquistou de imediato os alunos da Academia Kiou, que tinham um forte espírito desbravador. Palavras como "conservador" ou "seguro" inevitavelmente faziam nosso grupo parecer sem graça em comparação.

O discurso de Joutou conduzia sutilmente os pensamentos do público com precisão.

E ele tinha carisma o bastante para fazer aquilo parecer natural.

— Eu juro a vocês! Não vou deixá-los se arrependerem disso!!

Mesmo sem microfone, a voz de Joutou se projetava. Era alta, mas não áspera; fácil de ouvir, como a projeção vocal de um cantor profissional.

Como eu poderia descrever aquilo? Era simplesmente... uma oratória magistral. O ritmo das palavras, o ângulo do corpo, a forma como distribuía o olhar — tudo era de primeira, sem nenhum movimento desperdiçado. Era impossível desviar os olhos, e ouvi-lo fazia o ânimo de qualquer um se elevar. Dava vontade de lutar ao lado dele, de acreditar que estávamos no lado vencedor.

Durante o discurso, Joutou irradiava mais carisma do que qualquer pessoa — até mesmo mais do que Hinako.

— Isso conclui meu discurso.

Uma salva de palmas estrondosa caiu sobre Joutou.

Prestando atenção, também era possível ouvir gritinhos empolgados. Não era de se admirar — os traços marcantes de Joutou naturalmente chamavam atenção. Seu penteado habitual e simples lhe dava uma aparência mais discreta, mas aquela transformação repentina devia ter mexido com muitos alunos.

Recebendo os aplausos, Joutou abriu um sorriso confiante e falou:

— Por favor, venham também ao meu discurso depois das aulas. Hoje, tenho um grande anúncio a fazer.

Um grande anúncio...?

Enquanto eu inclinava a cabeça, meu olhar encontrou o de Rintarou, que estava ao lado de Joutou.

Rintarou deu um toque no ombro de Joutou, indicando minha presença.

— Tomonari-kun, você veio.

Joutou se aproximou de mim, com uma presença completamente diferente da de ontem. Agora, ele era intenso, como uma chama ardente, mas ainda carregava aquele ar intelectual típico de um aluno da Academia Kiou.

— Me dá um segundo. Só preciso cuidar da garganta.

Rintarou tirou uma garrafa térmica da bolsa e despejou o líquido em um copo. Joutou pegou o copo e virou o conteúdo de uma só vez.

— O que é isso...?

— Uma bebida com mel. Aquece, higieniza e hidrata a garganta — tudo de uma vez.

Joutou explicou enquanto devolvia o copo a Rintarou. Era o tipo de preparação meticulosa que se esperaria de um atleta.

Em uma escola comum, talvez as pessoas rissem e chamassem aquilo de exagero. Mas aquela era a Academia Kiou, e Joutou estava mortalmente sério.

Aquilo era assustador. Havia uma diferença fundamental na forma como encarávamos nossos discursos.

— Então, veio espionar o inimigo?

— Algo assim.

Tomei cuidado para não deixar transparecer minha sensação de derrota e assenti.

— Por que fazer seu discurso aqui?

— Você deveria conseguir entender isso pela cena à sua frente.

Joutou estava certo. No início, eu não havia entendido, mas, conforme ouvia o discurso, sua intenção ficou clara. Ou melhor, foi ao observar os alunos ouvindo-o que tudo finalmente fez sentido...

— Eu venho de uma família de políticos, sabe. Entendo uma coisa ou outra sobre eleições.

Joutou explicou.

— Não se vence uma eleição sem apoio local. Por isso, decidi transformar o terceiro andar no meu território.

A explicação dele me ajudou a juntar as peças da estratégia. Então ele criou uma base própria...

Vencer uma eleição exige apoio local. No entanto, diferente das eleições políticas, o conceito de uma "base local" era vago em uma eleição escolar.

Então, ele criou uma. Esse fora o primeiro movimento de um Joutou levado a sério.

Os alunos do terceiro andar já estavam unidos em apoio ao grupo de Joutou. Não era apenas aquele discurso do horário de almoço. Ele provavelmente vinha plantando, pouco a pouco, sementes de solidariedade — antes das aulas da manhã, durante os intervalos. Quando conseguiu permissão para discursar no corredor, o terreno já estava preparado. Aquele discurso foi o golpe final.

...O que eu faço?

Eu precisava pensar em uma contramedida.

Deveríamos tentar reunir os alunos do segundo andar da mesma forma?

— Você não vai conseguir.

Joutou, como se tivesse lido meus pensamentos, me cortou.

— O segundo andar tem duas candidatas à presidência: Tennouji-san e Miyakojima-san. Os votos delas já estão divididos. Mesmo que você tentasse me copiar, não conseguiria criar esse tipo de união.

Com duas candidatas, era impossível unificar três turmas. Aquela união... era uma vantagem que apenas o grupo de Joutou podia reivindicar.

— A proximidade física é o fator mais importante para construir confiança. As pessoas tendem a ouvir mais quando conhecem o seu rosto. E, acima de tudo, a proximidade se espalha.

Se espalha...?

Levei um momento para compreender o significado daquelas palavras. Fiquei sem reação. Aquilo era ruim.

— Entendeu? O que está se formando agora é uma comunidade.

Os alunos do terceiro andar estavam agitados, conversando animadamente sobre o discurso de Joutou. Aquela empolgação atravessava as fronteiras das turmas e se espalhava pelas salas vizinhas.

Eles conversavam com entusiasmo sobre o próprio Joutou Ren.

Porque estavam próximos. Porque suas salas ficavam lado a lado, era fácil compartilhar a conversa. Cercado por alunos falando sobre Joutou, o entusiasmo deles formava uma comunidade que envolvia todo o terceiro andar.

Era quase como... um fã-clube.

Não, essa metáfora nem era necessária. No mundo das eleições, havia um termo para esse tipo de grupo.

Aquilo era uma associação de apoio. Joutou estava construindo uma associação de apoio.

— Em resumo, é isso.

Joutou disse isso enquanto eu começava a suar frio.

— Expliquei em detalhes, em parte como um pedido de desculpas pelo que aconteceu antes. Há mais alguma coisa que queira saber?

— Ah... não, estou bem.

Pensando com calma, Joutou não tinha motivo algum para me explicar tudo aquilo. Aquela devia ser a forma dele demonstrar sinceridade.

— Obrigado também por fazer os boatos serem retirados. Quando cheguei à Academia esta manhã, eles já tinham praticamente desaparecido.

— Ontem à noite, pedi a alguns amigos que espalhassem a informação de que os boatos não tinham fundamento. Rintarou também ajudou.

Joutou olhou por cima do ombro. Rintarou, que permanecia um pouco afastado e hesitante, deu um passo à frente ao sinal de Joutou.

— Tomonari-senpai, obrigado por ajudar minha irmã.

Rintarou fez uma profunda reverência.

— Eu estava dividido, mas, no fim, estou torcendo por Joutou-senpai.

— Entendo.

Desde o início, aqueles dois compartilhavam a mesma visão do ideal para a Academia Kiou. Por isso, aquela conclusão parecia natural.

Voltando à origem de tudo, a desconfiança de Rintarou em relação aos negócios da família o levara a desejar uma vida não limitada pela linhagem. Provavelmente esse desejo não desapareceria mesmo depois de ele se libertar dos problemas da família Asahi. Aqueles problemas tinham sido apenas um gatilho. Agora, Rintarou havia recuperado seu raciocínio frio e apoiava sinceramente os princípios de Joutou.

Se as ações de Rintarou deveriam ser perdoadas ou não, eu não sabia. A campanha negativa? Eu podia sentir repulsa por ela, mas, como estratégia, era logicamente eficaz.

Se alguém tivesse o direito de decidir se ele seria perdoado, esse papel caberia a Tennouji-san e Narika. E aquelas duas provavelmente perdoariam Rintarou.

Ou melhor... elas não perdoariam a si mesmas se escolhessem não perdoá-lo naquele momento.

— Pois bem. Daqui em diante, podemos competir sem reservas.

No instante em que Joutou disse isso, o sinal tocou. Para nós, naquele momento, aquilo era um sinal ou um gongo? A rodada do intervalo do almoço havia terminado. A próxima batalha seria depois das aulas.

— Joutou-kun.

Chamei Joutou enquanto ele se dirigia para a sala da Turma E.

— Qual é esse grande anúncio de depois das aulas?

Diante da minha pergunta, Joutou abriu um sorriso ousado.

— Se está curioso, venha ouvir.

A gentileza tingida de gratidão que ele demonstrara antes havia desaparecido.

Daqui em diante, eu assumo a liderança — as palavras de Joutou ecoavam na minha mente, repetindo-se sem parar.

◆

Depois das aulas, fui ao pátio da escola para ouvir o discurso de Joutou. Uma multidão já havia se reunido ali, prova da popularidade do grupo dele.

Para compartilhar com Tennouji-san e as outras aquela atmosfera dramaticamente transformada de Joutou, decidi gravar o discurso com meu smartphone. Eu realmente queria que elas o ouvissem pessoalmente, mas os panfletos que distribuímos naquela manhã já anunciavam os discursos delas para aquele mesmo horário. Cancelar em cima da hora prejudicaria o apoio que tinham, então fui sozinho.

— Eu sou Joutou Ren. Desculpem fazê-los esperar.

Joutou apareceu diante da multidão, com o microfone em mãos. Como esperado, com tanta gente reunida, seria difícil fazer um discurso sem amplificação.

No instante em que Joutou deu um passo à frente, uma explosão de aplausos e gritos tomou conta do lugar. Parecia até que o próprio chão tremia. Reconheci os estudantes que gritavam com entusiasmo por Joutou. Eram os mesmos que, durante o discurso do intervalo de almoço, escutavam das janelas do terceiro andar.

A união da comunidade local está inflamando o discurso…

Aquilo era praticamente uma versão legalizada de líderes de torcida contratados.

Ao mobilizar a comunidade local, Joutou garantia aplausos por onde quer que discursasse. Aquela energia constante tornava muito mais fácil conduzir seus discursos.

Naturalmente, os estudantes ao redor também foram arrastados pelo clima.

Com todos tão empolgados, começaram a pensar: "Talvez Joutou Ren realmente possa ser um presidente incrível do conselho estudantil…"

Então, Joutou iniciou seu discurso.

O conteúdo era, em grande parte, o esperado. Ele apresentou a democratização da Academia Kiou, exibindo evidências de que suas políticas melhorariam a escola. Às vezes, recorria a dados objetivos; em outras, a uma convicção ardente. Com sua oratória magistral, conquistava a multidão.

Quando o público já estava completamente envolvido, Joutou fez uma pausa para respirar.

— Tenho um anúncio importante para todos vocês hoje.

Com isso, entregou o microfone a uma aluna que estava por perto.

Eu estava tão absorvido pelo discurso que nem havia notado sua presença até aquele momento. Quando ela tinha aparecido?

…Não pode ser.

Ao ver a garota segurando o microfone, fiquei sem palavras. Sem se abalar com os incontáveis olhares voltados para ela, a garota falou:

— Sou Minato Maki, a ex-presidente do conselho estudantil.

Sua voz clara e imponente ecoou pelo pátio da escola. Sua presença experiente conquistou de imediato a confiança da multidão.

O discurso de Joutou Ren, e agora a aparição dela… Isso significava que…

Como se respondesse à expectativa do público, Minato-senpai declarou:

— Eu apoio Joutou Ren como o próximo presidente do conselho estudantil.

O maior rugido de aplausos do dia explodiu.

Enquanto a multidão vibrava, senti uma onda de pânico me atravessar. A ex-presidente do conselho estudantil, Minato Maki, havia declarado apoio a Joutou Ren. Aquela notícia se espalharia pela academia como fogo em palha seca.

Naquele instante, senti no fundo do estômago: a maré da opinião pública havia mudado drasticamente.

◆

Itsuki deixou o local, visivelmente abalado. Ren observou em silêncio sua figura se afastando.

Eles não se conheciam havia muito tempo, mas Ren sabia: aquele garoto não se quebraria com tanta facilidade. Ele podia parecer em pânico ou preocupado, mas, se lhe dessem tempo, certamente atacaria com um golpe decisivo. Afinal, fora assim que ele dissipara a escuridão que obscurecia o coração de Rintarou.

Ren não podia baixar a guarda. Disse a si mesmo que Tomonari Itsuki não recuaria tão facilmente.

Então, virou-se para Maki, que estava ao seu lado.

— Minato-senpai, obrigado. Isso realmente incendiou o clima.

— Não foi graças a mim. Esse público todo é fruto da sua própria força.

Olhando para a multidão que ainda permanecia ali, Maki respondeu.

— Minato-senpai, por que ficou do meu lado? — Ren perguntou. — Eu fui quem se curvou e pediu seu apoio, mas, mesmo assim, a senhorita aceitou tão rápido. Foi quase como se já tivesse planejado isso desde o início.

Diante da pergunta de Ren, Maki pensou por um momento antes de responder.

— Em resumo, é uma questão de interesses alinhados.

Maki continuou:

— O Grupo Rakuou da minha família construiu seu sucesso com negócios voltados para lares comuns, para o chamado povo comum. Por isso, encontro muitos pontos em comum com os seus ideais.

— Entendo.

Ren assentiu, mas era evidente que não estava totalmente convencido. Interesses alinhados. Maki imaginou que garantir sua lealdade seria o suficiente.

Há outro motivo, mas… prefiro não explicar esse.

O segundo motivo era pessoal demais.

Ren havia dito antes: "Foi quase como se já tivesse planejado isso desde o início."

Não era "quase". Era exatamente isso. Desde o começo, Maki pretendia se juntar ao grupo de Ren.

Certa vez, Maki havia estudado sob a tutela de um certo mentor. Como discípula dele, trabalhou incansavelmente para alcançar resultados. Porém, seus esforços não foram recompensados, e ela logo foi descartada.

Depois disso, ele encontrou um novo discípulo.

Por alguma ironia do destino, esse novo discípulo, um garoto chamado Tomonari Itsuki, transferiu-se para a Academia Kiou, onde Maki atuava como presidente. Agora, ele concorria a um cargo no conselho estudantil.

Maki pensou: "Eu preciso saber."

Por que fui descartada? Por que esse garoto foi escolhido?

O resultado não importava. Se Maki vencesse, isso provaria que o julgamento de seu mentor estava errado, e ela se sentiria recompensada. Se perdesse, aceitaria que seu mentor estava certo e seguiria em frente.

Tudo o que ela queria era fazer as pazes com o fato de ter sido abandonada. Esse era o segundo motivo pelo qual Maki havia ficado do lado de Ren.

Minato Maki queria se colocar contra Tomonari Itsuki.

— Mas você agiu bem rápido com esse timing. Se ia pedir minha ajuda, não teria sido melhor fazer isso antes?

Graças a você, tive que esperar bastante.

Ela guardou esse pensamento para si. Se Ren tivesse demorado um pouco mais, talvez Maki o tivesse procurado primeiro.

— Recentemente, encontrei um motivo para levar isso a sério.

Ren respondeu com um olhar determinado. Havia fogo em seus olhos. Alguém para quem ele não podia perder, alguém que precisava derrotar… uma presença assim havia criado raízes dentro dele.

— Além disso, pensei que contar com a sua ajuda, Minato-senpai, poderia ser um pouco… sujo.

— O que está dizendo a esta altura? — Maki riu. — A campanha negativa veio do seu grupo, não foi?

— Isso é…

— Quer tenha sujado as próprias mãos ou não, dá no mesmo. Você já fez o que precisava ser feito. Existe algum motivo para ficar escolhendo métodos agora?

A pergunta levemente provocativa de Maki fez Ren apertar os lábios. Mas ele logo ergueu a cabeça, com uma expressão decidida.

— Não. Eu já me resolvi. Foi por isso que recorri à senhorita.

Ren entendia que já estava manchado.

— Políticos fazem qualquer coisa por votos.

— Esse é o espírito.

Maki havia escolhido ficar ao lado de Ren justamente por causa daquela determinação.

Ela queria se colocar no caminho de Tomonari Itsuki, mas não bastava ser um obstáculo trivial. Ao se aliar a Ren, ela acreditava que poderia se tornar uma muralha formidável diante de Itsuki.

— Posso te chamar de Ren-kun? Afinal, mesmo que por pouco tempo, somos aliados.

— Então eu vou chamá-la de Maki-senpai. Usar os primeiros nomes faz parecer que somos próximos tanto em público quanto em particular, o que é bom para as aparências.

Aquela mentalidade rápida e calculista, capaz de ligar tudo à estratégia, era típica de um estudante do tipo político.

Maki sabia que um político decidido era uma força que não podia ser subestimada.

◆

Depois das aulas, de volta à mansão, consultei Takuma-san sobre a situação.

Desde o Management Game, venho conversando regularmente com Takuma-san por chamadas, e sou sinceramente grato por ele sempre reservar tempo para me aconselhar. Ele ainda está em maus termos com Hinako e Shizune-san, mas, no fim das contas, será que ele não é até bem cuidadoso com os outros?

"Se eu disputasse contra alguém do tipo político em um discurso, até eu perderia."

Arregalei os olhos, chocado por Takuma-san dizer algo assim. Sua voz calma e firme veio pelo laptop.

"Eles são gênios em inflamar as pessoas. Leem instantaneamente quais palavras ou postura a multidão deseja e entregam a apresentação perfeita, com improviso e carisma. O cérebro deles funciona de um jeito diferente do das pessoas comuns. É como a diferença entre uma pessoa normal e um atleta."

"…Tudo isso?"

Quando vi Joutou cuidando da garganta, achei que ele parecia um atleta. Pelo visto, aquela impressão não estava tão errada.

Mas Takuma-san não estava me dizendo para desistir. Eu entendia aonde ele queria chegar.

"Então, eu não devo lutar no mesmo campo que ele, certo?"

"Exatamente."

Joutou havia despertado. Seus discursos tinham ficado absurdamente bons. Por isso, precisamos fazer Tennouji-san e Narika melhorarem seus discursos também… Esse tipo de pensamento era um erro, era o que Takuma-san estava dizendo.

Se gastássemos todo o nosso tempo com discursos, ficaríamos presos para sempre no território de Joutou.

"Os tipos políticos também são ótimos em táticas desonestas. Você já se preparou contra os esquemas deles?"

A pergunta de Takuma-san me deixou sem palavras.

Esquemas e contramedidas…

O que exatamente eu deveria fazer em relação a isso?

"Você deveria tentar usar esse tipo de tática alguma vez."

Como se enxergasse através do meu silêncio, Takuma-san continuou:

"Para combater esquemas, você precisa entendê-los. E como se entende isso? Colocando-os em prática. Crie seus próprios esquemas e execute-os. Isso, por sua vez, se torna sua melhor defesa."

A lógica de Takuma-san fazia sentido.

Mas…

"…Desculpe. Eu quero lutar de forma justa e honesta."

"Mesmo que isso signifique a derrota de Tennouji-san e Miyakojima-san, que você está apoiando?"

Como se já tivesse previsto minha resposta, Takuma-san rebateu sem perder o ritmo. Mas, ao imaginar o rosto das duas, fiquei ainda mais convicto da minha resposta.

"Mesmo que eu criasse algum plano obscuro, as duas não me perdoariam."

Ao ouvir isso, Takuma-san ficou em silêncio por um momento.

"Bem, desde que não seja apenas orgulho teimoso, então tudo bem."

Seu tom era surpreendentemente calmo, e seu argumento, afiado como uma lâmina. Por uma fração de segundo, aquilo me abalou.

Pensando logicamente, eu não precisava explicar nada a Tennouji-san ou Narika. Eu poderia agir sem a aprovação delas. Será que minha recusa não passava de teimosia?

Não… não era isso.

Usar táticas sujas poderia causar problemas às pessoas ao meu redor. Foi por isso que Rintarou assumiu o papel sujo e se retirou da disputa para vice-presidente. Mas era isso que Joutou queria? Se eu fizesse algo parecido com Rintarou, como Tennouji-san e Narika se sentiriam? Mais importante ainda: o que Hinako pensaria?

Mesmo que eu fosse embora sem dizer uma palavra, elas não aceitariam. Quando pensei até esse ponto, percebi que realmente não queria recorrer a métodos desonestos.

"Está tudo bem. Não é orgulho."

Compartilhei com Takuma-san a conclusão à qual havia chegado depois de refletir com cuidado.

"Mas ainda há mais um grande problema…"

"Qual?"

Havia outra coisa sobre a qual eu precisava consultar Takuma-san. Na verdade, talvez fosse a questão que precisávamos enfrentar primeiro.

"A ex-presidente do conselho estudantil, Minato-senpai, juntou-se ao grupo de Joutou."

……

Seguiu-se um longo silêncio.

"Pensando bem, eu ainda não tinha contado isso a você, Itsuki-kun."

Takuma-san falou com calma.

"Minato Maki foi minha antiga discípula."

"Hã…?"

"Praticamente na mesma posição em que você está agora. A diferença é que ela implorou para ser minha discípula. Eu a aceitei com relutância, então talvez tenha sido um pouco duro com ela."

Pensando bem, quando me tornei discípulo de Takuma-san, foi ele quem sugeriu.

Espera… ele não disse algo como se fosse só para o Management Game? …Tanto faz. Conversar com Takuma-san sempre acaba sendo uma experiência de aprendizado. Se ele ainda está me tratando como discípulo, vou aceitar os benefícios de bom grado.

"Minato-senpai não é mais sua discípula?"

"Não é. Ela não tinha talento, então eu a dispensei."

Que cruel.

"Ela provavelmente está descontando esse ressentimento em você."

"O quê…?"

Então Minato-senpai havia se juntado ao grupo de Joutou por causa de Takuma-san…?

Eu quase conseguia ver Takuma-san sorrindo de lado através da tela.

"Espero que você supere isso. Vai ajudar no seu crescimento."

"Ugh…"

Sinto como se tivesse sido arrastado para alguma rixa estranha…

"Não me sinto responsável por isso, mas vou lhe dar uma dica sobre como lidar com Minato Maki."

Sinta-se um pouco responsável, por favor.

Ainda assim, se ele estava oferecendo uma dica, eu a aceitaria. Por isso, fiquei em silêncio.

"Olho por olho, dente por dente. É só isso que você precisa fazer."

As palavras de Takuma-san eram surpreendentemente simples.

"Você entendeu o que quero dizer, certo?"

"Entendi, mas…"

"Use tudo o que estiver à sua disposição. Esse é o jeito do mundo dos negócios."

Um toque veio do outro lado. O smartphone de Takuma-san estava vibrando.

"Vamos encerrar por aqui."

Com isso, a chamada terminou. Reclinando-me na cadeira, soltei um suspiro baixo.

…Desta vez, nossas diferenças de filosofia ficaram realmente evidentes.

Takuma-san me deu dois conselhos concretos. Primeiro: para combater esquemas, eu deveria tentar criar esquemas também. Segundo: para lidar com Minato-senpai, eu deveria pagar na mesma moeda.

Ambos eram eficazes, eu entendia isso. Eu entendia… mas não gostava.

— Parece uma situação difícil.

— Sim…

A voz de Shizune-san veio de trás, e eu assenti.

— Espera, o quê!? Shizune-san!? Você estava aqui!?

— Estava. Fiquei em silêncio porque não queria que Takuma-sama me notasse.

Dizendo isso, Shizune-san empurrou um carrinho de chá vindo do corredor. Pelo visto, o nome correto daquele carrinho móvel era tea trolley.

Sobre o carrinho, Shizune-san preparou o chá com elegância e me ofereceu uma xícara.

— Como sempre, você está diante de outra grande muralha.

— Sim.

Tomei um gole do chá.

Uma doçura suave se espalhou pela minha boca. Era perfeita para aliviar a tensão que eu estava sentindo. Como Shizune-san sempre sabia exatamente do que eu precisava? Se eu estivesse precisando me concentrar, ela provavelmente teria servido um chá de ervas mais refrescante.

— Ultimamente, eu andei pensando…

Colocando a xícara sobre a mesa, eu disse:

— A minha vida… nenhuma vez sequer as coisas correram bem do começo ao fim, não é…?

— Você trilhou um caminho difícil, não foi?

Shizune-san lançou um olhar compassivo na minha direção. Eu não estava pedindo luxo nem nada do tipo. Mas, sabe, não seria bom se, ao menos de vez em quando, tudo desse certo, encaixando perfeitamente sem nenhum contratempo?

— Mas isso é porque você está se desafiando, não é, Itsuki-san?

Shizune-san disse, sentando-se na beirada da cama.

— Se tivesse escolhido viver em segurança apenas como cuidador, você não estaria enfrentando esse tipo de adversidade. …Eu respeito as suas escolhas, sabia?

Fiquei encarando atentamente o rosto de Shizune-san enquanto ela dizia aquelas palavras.

— O que foi?

— Não… é só que, Shizune-san, ultimamente você tem me elogiado de forma bem direta.

— Tenho? Eu apenas digo o que realmente penso.

Então ela falava do fundo do coração.

Uma onda de alegria brotou dentro de mim. …Shizune-san estava certa. Eu mesmo havia escolhido essa luta. Talvez esse sofrimento fosse justamente o privilégio daqueles que ousavam aceitar desafios.

— Pois bem, já que chegamos a um bom ponto de pausa…

Shizune-san se levantou e abriu a gaveta do carrinho de chá. De dentro dela, tirou uma única peça de roupa.

— Este é um uniforme de maid que foi importado da Inglaterra outro dia. Gostaria de verificar o caimento e o estilo, então, como antes, ficaria grata se você pudesse tirar algumas fotos.

— Sim.

Espera, será que ela me elogiou só para me bajular?

◆

No dia seguinte.

Saí da mansão e fui para a academia com Hinako, como de costume, dividindo o mesmo carro.

…Aquela sessão de fotos se arrastou bastante, não foi?

A sessão de fotos com o uniforme de maid da noite passada, a pedido de Shizune-san, levou mais de uma hora além do planejado. Ao que parecia, a roupa era extremamente funcional como uniforme de trabalho e poderia até ser adotada na residência Konohana no futuro.

Graças à sessão prolongada, acabei aprendendo muito mais sobre uniformes de maid do que esperava.

…Você sabia? Uniformes de maid podem ser divididos em dois tipos: maid vitoriana e maid francesa. Os uniformes de maid vitoriana são roupas de trabalho práticas, simples, com pouca decoração, geralmente em formato de vestidos longos. Já os de maid francesa são mais próximos de cosplay, normalmente adornados com babados chamativos e coisas do tipo. O que fotografamos dessa vez era do tipo maid vitoriana.

Desde que descobri o hobby de cosplay da Shizune-san, ela tem mostrado mais do seu verdadeiro eu…

Até agora, a Shizune-san com quem eu interagia era a empregada-chefe: perfeita, elegante e rígida tanto consigo mesma quanto com os outros. Mas, ultimamente, ela tem ficado mais à vontade comigo. Por exemplo, ontem, quando veio ao meu quarto, ela se sentou na cama.

Isso era algo que ela jamais teria feito quando nos conhecemos.

— Nmuu…

Hinako, sentada ao meu lado, soltou um murmúrio sonolento.

— Desculpa, Hinako. Acabei fazendo você ir para a escola mais cedo que o normal por causa da minha agenda.

— Não tem jeito. Você tem uma reunião com Tennouji-san e os outros, não é?

Exatamente. Eu queria chegar cedo à escola hoje para uma reunião estratégica com Tennouji-san e Narika. Asahi-san e Taishou também estavam ajudando, e prometeram chegar no mesmo horário.

— Se Itsuki virar vice-presidente, eu também vou ficar feliz… então vou ajudar.

— Hinako…

Fiquei profundamente comovido com as palavras de Hinako, mesmo com os olhos dela ainda semicerrados de sono.

Quando a eleição acabar, vou deixá-la dormir o quanto quiser. Vou garantir que ela tenha um dia inteiro para ficar de preguiça, sem fazer nada, com todas as batatas chips e sorvetes que desejar… dentro dos limites do que Shizune-san não perceber, é claro.

— Mas… ultimamente, acho que você está se aproximando demais.

Hinako disse isso enquanto me encarava.

— Aproximando demais? De quê?

— Muu…

Hinako me lançou um olhar longo e intenso. Então começou a bater de leve na minha coxa com seus punhos pequenos.

— Ai!

— Itsuki, seu idiota.

— Ai, ai!

— Idiota, idiota, idiota…

Na verdade, não doía nem um pouco. Eu conseguia perceber que ela estava irritada, mas fiquei confuso, já que não fazia ideia do que ela queria dizer.

O que ela quis dizer com "se aproximando demais"…?

— Estou torcendo por você.

— Obrigado…..

Agradeci a Hinako quando ela finalmente parou com os soquinhos.

— Mas, se você me trair… está morto.

— Morto!?

Ultimamente, o jeito de Hinako falar parecia ter mudado um pouco. Será que isso era influência daqueles mangás shoujo que ela andava lendo?

…Ainda bem que Kagen-san não estava aqui.

◆

Ao chegar à academia, peguei o boletim eleitoral que estava sendo distribuído no primeiro andar do prédio escolar.

…Então, finalmente fomos ultrapassados.

Tennouji-san e Narika tinham cerca de 30% de apoio, enquanto Joutou havia disparado para 40%. Joutou, que tinha apenas 20% na primeira pesquisa, agora havia dobrado esse número e assumido a liderança.

Com o período eleitoral — excluindo os fins de semana — reduzido a cinco dias, incluindo hoje, já estávamos na segunda metade. A partir de agora, precisaríamos acompanhar as mudanças no apoio com ainda mais cuidado.

— Tomonari-san!

— Itsuki!

Enquanto eu me dirigia ao local da reunião, duas vozes me chamaram ao mesmo tempo.

— Tennouji-san, Narika…

Tennouji Mirei e Miyakojima Narika. As duas candidatas à presidência olharam para mim com expressões graves.

— Assisti ao vídeo que você enviou ontem. Joutou Ren… a presença dele mudou bastante, não mudou?

— Mesmo por vídeo, dá para perceber o quanto ele é habilidoso nos discursos. É frustrante, mas não acho que consigamos imitar aquilo.

Eu havia compartilhado com elas o vídeo que gravei ontem. Pelo visto, ambas entenderam o quanto Joutou agora representava uma ameaça para nós.

Atrás delas estavam Asahi-san e Taishou. Fiquei grato por terem se reunido tão cedo pela manhã. Era hora de revisar rapidamente a estratégia.

— Vencer Joutou-kun nos discursos agora vai ser difícil. Mas isso não significa que estamos sem opções. Se eles pretendem expandir sua influência, nós devemos fazer o mesmo.

O ataque é a melhor defesa. Se Joutou busca ampliar seu apoio, vamos acompanhá-lo e transformar isso em uma disputa pelos votos dos estudantes.

Joutou provavelmente está mirando os eleitores indecisos. Então, nós também vamos mirá-los.

— Vamos mudar o local onde distribuímos os panfletos. Eu vou para o portão dos fundos.

— O portão dos fundos?

Tennouji-san inclinou a cabeça.

— Menos estudantes usam o portão dos fundos, então não demos prioridade a ele. Mas é justamente por isso que pode ser eficaz. Se abordarmos os alunos por lá, talvez consigamos despertar o interesse deles pela eleição.

— Faz sentido…

Narika assentiu em concordância. Primeiro, vamos recolher com cuidado os votos que havíamos deixado passar. É um processo lento, mas deve servir tanto como ataque quanto como defesa contra a campanha de Joutou.

— Tennouji-san, Narika, por favor, distribuam panfletos em outros locais hoje. Os pontos são…

Eu lhes indiquei locais específicos para também alcançar esses votos negligenciados.

— Asahi-san e Taishou-kun, por favor, cuidem do pátio como de costume.

— Entendido!

— Deixa com a gente!

Continuaríamos distribuindo panfletos no pátio, onde havia mais movimento. A quantidade de panfletos entregues estava diretamente ligada ao número de alunos que compareciam aos discursos, então não podíamos negligenciar o volume.

Depois de passar as instruções, nos separamos e seguimos para nossos respectivos postos. Como planejado, peguei um maço de panfletos e me apressei em direção ao portão dos fundos.

Mas, ali, encontrei uma figura inesperada.

— Minato-senpai…

— Ora, se não é Tomonari-kun.

Minato-senpai, que distribuía panfletos aos estudantes que chegavam, virou-se e sorriu para mim.

— Imaginei que você apareceria. Está tentando captar os eleitores indecisos, não é?

Senti como se meu coração estivesse sendo apertado com força.

Ela havia me lido. Meu plano inteiro…

— Outros pontos que você provavelmente miraria seriam o primeiro andar do prédio principal e o corredor de ligação, certo? Tennouji-san e Miyakojima-san estão lá?

…….…

— Acertei em cheio, não foi? Se for esse o caso, você chegou um passo atrasado. Nós já estamos usando esses lugares.

Minato-senpai havia identificado instantaneamente os locais exatos para onde eu mandara Tennouji-san e Narika.

Aquela sensação arrepiante… eu conhecia bem.

Ela não tinha sido discípula daquela pessoa à toa. Eu sentia em Minato-senpai uma aura surpreendentemente parecida com a de Takuma-san.

Mas então…

— Eu não sou como aquela pessoa.

Como se tivesse lido meus pensamentos, Minato-senpai falou.

— Pela sua reação, imagino que tenha ouvido, não é? Sobre de quem eu fui discípula.

— Sim.

Senti uma pontada de culpa por ter descoberto aquilo sem a permissão dela. Minato-senpai abriu um sorriso autodepreciativo.

— Eu não sou como aquela pessoa. Tudo o que consigo fazer é prever. É apenas observação, experiência e uma visão de futuro baseada nisso. Uma habilidade comum, que qualquer um poderia desenvolver com esforço suficiente.

Ela zombou de si mesma. Mas, no instante seguinte, seus olhos se fixaram nos meus com uma determinação inabalável.

— Mas, com isso, eu vou derrotar você.

Sua determinação feroz me atingiu em cheio, deixando-me sem palavras.

— Se eu vencer… me pergunto que tipo de expressão aquela pessoa vai fazer.

Com isso, Minato-senpai voltou a distribuir os panfletos. O último vislumbre de seu perfil parecia tão frágil, tingido por uma melancolia sutil. Por trás daquela declaração de guerra, havia emoções complexas em jogo. Eu entendia isso. Mas não tinha espaço para sentir compaixão.

Apressei-me de volta ao pátio. Pouco depois, Tennouji-san e os outros retornaram, todos com expressões igualmente agitadas.

— Tomonari-san, desculpe. Os pontos de distribuição já estavam ocupados.

— Comigo também. Desculpa, Itsuki…

Balancei a cabeça diante dos pedidos de desculpa.

— O erro foi meu, então, por favor, não se desculpem. …Por hoje, vamos apenas distribuir os panfletos no pátio, como de costume.

Não podíamos simplesmente parar de entregar panfletos. Então, teríamos que nos virar no pátio.

Mas, mesmo tentando mudar o foco, eu não conseguia conter a ansiedade que me corroía por dentro.

Minato-senpai chamava a si mesma de comum, mas isso não poderia estar mais longe da verdade. Afinal, ela havia sido presidente do conselho estudantil. Ela vencera justamente a eleição que agora estávamos disputando, conquistando a confiança de mais da metade dos estudantes da Academia Kiou e correspondendo às expectativas deles durante um ano inteiro. Como alguém assim poderia ser chamado de comum?

O fato de uma pessoa dessas estar do lado inimigo só aumentava a minha inquietação.

— Tomonari-kun!

De repente, minhas bochechas foram espremidas por duas mãos. Preso entre pequenas palmas, olhei surpreso para a garota parada à minha frente.

— Asha-hi, han…?

— Se você continuar com essa cara sombria, vamos ficar ainda mais para trás!

Aquilo me trouxe de volta à realidade. Desde que começamos a distribuir panfletos no pátio, eu ainda não havia entregado sequer um.

Minha ansiedade havia, sem que eu percebesse, tornado minha expressão difícil de abordar.

Asahi-san soltou minhas bochechas.

— Eu estou aqui para te apoiar, então vamos fazer isso juntos, tá?

— Sim.

Eu havia perdido de vista o básico. Em uma eleição, o mais importante não são as promessas, mas o caráter do candidato. Distribuir panfletos com uma expressão azeda só teria o efeito contrário.

— Obrigado, Asahi-san.

— De nada!

Agradeci a Asahi-san por me lembrar de algo tão fundamental. Seu sorriso radiante e contagiante fez com que eu sorrisse também.

— Hm?

Nesse momento, senti um olhar vindo de trás e me virei. Lá estavam Narika e Tennouji-san, encarando-me com olhares intensos, quase pegajosos.

— Hã… aconteceu alguma coisa?

— Nada…

— Não é nada mesmo.

Os rostos delas claramente diziam o contrário, mas… Por enquanto, eu apenas voltei a distribuir os panfletos.

◆

Itsuki não tinha como saber…

Naquele momento, Tennouji Mirei, Miyakojima Narika e Konohana Hinako — que observava secretamente de dentro do prédio escolar — pensavam exatamente a mesma coisa.

Itsuki e Asahi-san.

Aqueles dois… não estavam se aproximando demais ultimamente?

As suspeitas que cresciam em seus corações só ficavam cada vez mais fortes.

◆

Quando a primeira aula terminou, Hinako soltou um suspiro discreto.

Ufa… a aula acabou.

As aulas da academia não pareciam particularmente difíceis para Hinako. Os estudos que era obrigada a fazer em casa eram muito mais avançados, então as aulas do dia a dia raramente exigiam muito de sua mente.

Na verdade, o verdadeiro incômodo era manter sua fachada perfeita de ojou-sama.

Ela precisava estar sempre preparada caso algum professor a chamasse. Era um hábito desde a infância, então já estava acostumada, mas, se tivesse oportunidade, Hinako seria capaz de cair em sono profundo em menos de cinco segundos — tamanho era seu amor por cochilos preguiçosos.

Por favor, que ninguém venha falar comigo…

Enquanto mantinha sua máscara perfeita de ojou-sama, Hinako torcia por um breve momento de paz e silêncio.

Mas então — ela ouviu vozes vindas de trás.

— Tomonari-kun, sobre o discurso de ontem, aconteceu uma coisa interessante…

— Entendo. Isso é útil saber.

Dando uma espiada para trás, ela viu Itsuki e Karen conversando.

Talvez para não serem abafados pelo burburinho ao redor, os dois se inclinavam um para perto do outro enquanto falavam.

E-E-Eles estão perto demais…!!

Ultimamente, aqueles dois andavam íntimos demais. Próximos o bastante para que alguém pudesse confundi-los com algo a mais.

Hinako sabia que eles não faziam aquilo de propósito. Mas era exatamente por isso que parecia tão natural, como se aquela fosse a distância normal entre eles.

Enquanto Hinako entrava em pânico, acabou ouvindo uma conversa entre colegas próximos.

— Esses dois andam bem próximos ultimamente, não acha?

— Será que estão namorando?

— Bem, se estiverem, deveríamos parabenizá-los.

— Os dois são tão esforçados. Formariam um ótimo casal.

Não era só Hinako — outros alunos também começavam a notar a relação entre Itsuki e Karen. Isso era ruim. Nesse ritmo, os rumores se consolidariam…

…!!

Hinako se levantou de um salto. Seus colegas ao redor arregalaram os olhos, surpresos, mas Hinako os ignorou e marchou direto até Itsuki e Karen.

— Estão discutindo sobre a eleição?

Com sua atuação perfeita de ojou-sama em plena força, ela se dirigiu aos dois. Itsuki e Karen pareceram um pouco surpresos, mas logo se recompuseram, e Itsuki assentiu.

— Sim. Estamos pensando em ideias para os discursos agora…

— Como amiga, deixe-me ajudar de vez em quando.

Ao ouvir as palavras de Hinako, o rosto de Karen se iluminou com um sorriso radiante.

— Isso é ótimo, Tomonari-kun! A opinião da Konohana-san é inestimável!

— Você tem razão… muito obrigado.

Hinako, que normalmente preferiria descansar, ofereceu sua cooperação, deixando Itsuki um tanto perplexo. Ainda assim, ele expressou sua gratidão, visivelmente feliz.

Hinako exibiu um sorriso gentil enquanto, em segredo, lançava um olhar fulminante para Karen.

Hmph… o Itsuki de verdade não fala desse jeito…!

Eu conheço Itsuki melhor do que qualquer pessoa.

Eu até sei o padrão do pijama do Itsuki…!!

Ontem, era xadrez; no dia anterior, azul liso.

Ela mantinha isso em segredo de todos, mas, na verdade, era mais próxima de Itsuki do que qualquer outra pessoa. …Hinako ardia silenciosamente com um senso de rivalidade.

◆

Na academia, depois que a segunda aula terminou, chegou o intervalo. Narika estava no corredor, logo do lado de fora da sala, conversando com uma garota do primeiro ano.

— Desculpe por chamar você aqui durante um intervalo tão curto.

— Não, tudo bem. Eu também queria conversar com Miyakojima-senpai, então está tudo certo.

A interlocutora de Narika era uma garota chamada Nishi.

Ela era uma estudante que aspirava ao cargo de assuntos gerais no conselho estudantil. Narika a conhecera em uma festa do chá realizada para os candidatos aos cargos e havia trocado informações de contato com ela.

— Você queria saber mais sobre as funções de assuntos gerais, certo?

— Sim. Há algumas coisas que me despertaram curiosidade pessoalmente. Antes de tudo…

Na festa do chá, Nishi havia explicado que queria o cargo de assuntos gerais porque sua irmã mais velha ocupara o mesmo cargo. Pelo visto, Nishi ouvira muitas coisas sobre a função por meio da irmã, e Narika lhe pedira que compartilhasse essas informações.

Como esperado, o cargo de assuntos gerais é bem próximo de vendas…

Narika pensou enquanto ouvia Nishi.

Na Academia Kiou, o conselho estudantil não tinha um diretor de relações externas. A função de negociar com organizações externas para diversos eventos cabia ao diretor de assuntos gerais.

Embora o título "assuntos gerais" pudesse sugerir tarefas menores, na Academia Kiou, onde estudantes excepcionais se reuniam — e ainda mais entre os membros criteriosamente escolhidos do conselho estudantil —, não havia muitas tarefas triviais. A Tesoureira cuidava sozinha dos cálculos, e a secretaria gerenciava os registros por conta própria.

Como resultado, a principal função do diretor de assuntos gerais na Academia Kiou parecia girar em torno de negociações com outras pessoas. A única exceção eram as variadas tarefas do presidente, que muitas vezes geravam trabalhos diversos, mas isso era, em grande parte, administrado pelo vice-presidente.

…Hm?

Enquanto ouvia Nishi, Narika captou uma figura familiar no canto de sua visão. Itsuki e Karen caminhavam pelo corredor, parecendo próximos demais.

— Então, tipo, não existe nenhum motivo real para a gente se conter, certo…?

— Hmm… talvez valha a pena tentar.

Narika não conseguiu entender exatamente sobre o que eles conversavam, mas os dois apontavam para vários lugares — o fim do corredor, o prédio dos alunos do primeiro ano visível pela janela — enquanto discutiam algo animadamente.

Eles pareciam estar se divertindo bastante…

Aqueles dois… não estão próximos demais…!?

Como provavelmente estavam discutindo sobre a eleição, não podiam falar muito alto.

Ainda assim…

Eles precisavam mesmo ficar tão perto? Seus ombros e cotovelos se esbarram sem parar — ah, e agora seus dedos se tocaram!

Ao observá-los, Narika sentiu o coração acelerar de ansiedade. Eles pareciam praticamente um casal.

— Miyakojima-senpai?

— Hã? Ah, não é nada!

Ela havia se distraído tanto com Itsuki e Karen que acabou perdendo o foco. Recobrando a compostura, tentou se concentrar na explicação de Nishi.

Mas, depois de se despedir de Nishi, Narika imediatamente espiou dentro da sala vizinha. Ali, perto da entrada, avistou Itsuki em pé.

— Itsuki…..

Com uma voz baixa, ela chamou suas costas.

— Hã? O que foi?

— Mais cedo… sobre o que você estava conversando com Asahi-san…?

Narika lançou a Itsuki um olhar penetrante. Mas Itsuki explicou casualmente, como se não fosse nada demais.

— Estávamos discutindo locais para distribuir panfletos. Agora que o problema com Rintarou foi resolvido, Asahi-san sugeriu que poderíamos fazer campanha no prédio dos primeiros anos.

Como ela é irmã de Rintarou, provavelmente tinham muito o que conversar, Itsuki acrescentou. Narika continuou encarando-o.

— Mmm…

— Por que está me olhando assim?

— Por nada. Só achei que vocês dois pareciam estar se divertindo.

Fazendo beicinho, Narika virou o rosto, deixando evidente sua atitude emburrada. Confuso, Itsuki abriu a boca.

— Bem, sim, é divertido. Se tudo der certo, isso vai ajudar você, Narika.

— Nngh!!

O rosto de Narika ficou vermelho vivo.

I-Isso não é justo…!!

Aquilo a pegou completamente desprevenida. Pensar que ele diria que era por causa dela…

— Se continuar me fazendo me apaixonar por você, não me responsabilizo pelo que acontecer depois.

— Apaixonar…?

Com o rosto vermelho até as orelhas e ainda o encarando, Narika fez o rosto de Itsuki também ficar corado.

— V-Vou tomar cuidado.

O sinal tocou.

Os dois, tentando esconder os rostos avermelhados, baixaram o olhar e voltaram para suas respectivas salas.

◆

Intervalo do almoço. Depois de terminar rapidamente sua refeição, Mirei fazia um discurso em frente ao campo esportivo.

— Um dia, estaremos na posição de líderes. É exatamente por isso que quero que entendam: o carisma que cativa as pessoas não é algo com que simplesmente se nasce!!

A eleição entrava em sua reta final. Já acostumada a falar diante de grandes multidões, Mirei tecia suas palavras com habilidade, avaliando as reações do público.

O discurso de Joutou Ren foi impressionante. Mas… eu não posso vacilar.

Na noite anterior, Mirei havia assistido ao vídeo que Itsuki lhe enviara e se sentira esmagada. Por mais doloroso que fosse admitir, o discurso de Ren era impecável. Ela percebeu de imediato que, em seu estado atual, não conseguiria igualá-lo. Com apenas alguns dias restantes, imitá-lo não reduziria a diferença.

Mas uma eleição não se resumia a quem fazia o melhor discurso. Ela decidiu manter a calma, acreditar em si mesma e continuar sua campanha com firmeza. Isso, pensava Mirei, era o que precisava fazer agora.

Enquanto colocava sua paixão em cada palavra, notou Itsuki observando-a.

Ao lado dele estava Asahi Karen.

…….Eles não estavam próximos demais?

Não, não havia o que fazer..

Ela tentou justificar. A multidão de estudantes estava apertada diante dela, e Itsuki e Karen ficavam no centro. Provavelmente haviam sido empurrados um contra o outro pela massa de alunos.

Se você esvaziar a mente, até o fogo parece frio—

Mirei acalmou a si mesma. Precisava se concentrar no discurso.

— Quando eu me tornar presidente do conselho estudantil, farei com que esta academia se torne um lugar onde possamos aprender a agir como verdadeiros líderes! E, além disso—

Justo quando Mirei falava com fervor, a multidão empurrou Itsuki e Karen, fazendo os dois quase se abraçarem.

— Ah, Asahi-san…?

— D-D-Desculpa! Me empurraram! Vou me afastar agora mesmo!

— Não, está tudo bem. Não se preocupe…

— Haha… isso é meio constrangedor, não é?

Seus rostos estavam próximos, e ambos coraram enquanto se olhavam. A luz nos olhos de Mirei desapareceu.

— E também iremos reprimir interações impróprias entre gêneros.

Sem perceber, uma nova promessa de campanha escapou dos lábios de Mirei. O público inclinou a cabeça, confuso.

Naquele instante, Mirei voltou a si.

Eu estraguei tudo—!!

Ela havia soltado algo estranho. Com suor frio brotando, pôs o cérebro para trabalhar. Sua mente genial, lapidada pelo esforço de rivalizar até mesmo com Konohana Hinako, acendeu uma ideia.

— Ou melhor, é o que eu diria!! Foi uma brincadeira!!

Com a voz um pouco mais aguda, Mirei declarou:

— Desde o fim do Management Game, percebi que alguns estudantes parecem estar relaxando demais. Por meio desta eleição, espero inspirar uma conduta digna dos alunos da Academia Kiou.

O público aplaudiu aquele sentimento elevado. Tendo escapado da crise, Mirei soltou um suspiro de alívio.

Até eu preciso admitir: essa foi uma recuperação brilhante…

Quando o discurso terminou e a multidão se dispersou, retornando às salas, Mirei olhou de relance para Itsuki.

Ele também olhava para ela. Quando seus olhos se encontraram, ele fez um leve aceno de desculpas antes de sair — provavelmente para verificar Narika ou observar o grupo de Ren.

À medida que os estudantes se dispersavam, Mirei avistou Karen.

Ela hesitou em se aproximar. Havia algo que queria perguntar, mas fazer aquela pergunta poderia quebrar a dinâmica confortável que tinham até então.

Mirei sofreu, debatendo-se com os próprios pensamentos… até se lembrar de quem era.

Eu sou Tennouji Mirei. A única filha do líder do Grupo Tennouji.

Não sou o tipo de mulher que recua por medo de fracassar.

— Asahi-san!

— S-Sim!?

Com sua determinação firme, sua voz saiu mais alta do que pretendia. Os ombros de Karen deram um salto, e ela se virou.

— Ah, é só você, Tennouji-san. Levei um susto quando ouvi uma voz tão alta.

— Minhas desculpas. Acabei sendo um pouco enérgica demais.

Mirei se desculpou. Karen inclinou a cabeça, percebendo o nervosismo incomum de Mirei.

— E-Então, vou perguntar diretamente…! — Mirei olhou Karen nos olhos e perguntou: — O que… você pensa do Tomonari-san?

Corada, Mirei fez a pergunta, e os olhos de Karen se arregalaram.

Alguns segundos se passaram — para Mirei, pareciam minutos.

Karen, que ficara atônita e sem palavras, enfim abriu um sorriso gentil. Como se compreendesse todos os sentimentos de Mirei. Devagar, Karen falou:

— Sinceramente, acho que talvez eu tenha começado a gostar dele.

— Gostar!?

Mirei soltou um guincho estranho. Apressada, levou as duas mãos à boca, incapaz de acreditar que havia produzido um som tão pouco refinado.

— Mas, sabe, sinto que há outra pessoa mais adequada para ficar ao lado de Tomonari-kun. Então, o meu "gostar" é apenas como pessoa. …É assim que estou mantendo as coisas.

A explicação de Karen foi breve e direta, mas Mirei percebeu as emoções complexas por trás daquelas palavras. Ela certamente havia sofrido até chegar àquela conclusão.

— E-Entendo…

Sem saber como reagir, Mirei apertou os lábios.

Ela havia desistido? Ou era algo mais vago, como uma sensação de que não parecia certo, que a fizera recuar?

No mínimo, Mirei não era insensível a ponto de sentir pura alegria com as palavras de Karen. O fato de uma amiga estar dando um passo para trás pesou mais em seu coração do que o alívio de ter uma rival a menos.

— Tem certeza de que não vai se arrepender?

Mirei perguntou, com uma expressão séria. Karen ponderou com um ar despreocupado…

— Hmm… bem, se eu começar a me arrepender, então vou me permitir me apaixonar por ele de verdade.

— Hã?

— Acho que, com esse tipo de coisa, não é preciso decidir tudo imediatamente.

Ela era muito mais resiliente do que Mirei esperava.

— B-Bem, entendo…

Agora, quem entrava em pânico era Mirei. Se Karen não estava sofrendo por dentro, então o único problema restante era a adição de mais uma rival.

— A propósito, só por curiosidade…! — Mirei perguntou, hesitante. — Quem você tinha em mente como essa pessoa adequada para Tomonari-san…?

Se o nome de Konohana Hinako surgisse, talvez ela soltasse outro grito estranho. Preparando-se para manter a calma, não importava qual nome fosse mencionado, Mirei esperou.

Karen sorriu e respondeu:

— Por exemplo, talvez Tennouji-san.

Dizendo isso, Karen voltou para o prédio escolar.

Aquele sorriso, aquela atitude… Karen claramente havia enxergado através dela, deixando Mirei congelada por um momento.

— Fweh.

Seu rosto ficou vermelho, e ela baixou o olhar.

Ela percebeu tudo—!

◆

Intervalo do almoço.

Depois de verificar o discurso de Tennouji-san, segui para o antigo prédio do conselho estudantil. Taishou e Kita estavam ouvindo o discurso de Narika, e me avisariam caso algo acontecesse.

— Hinako, desculpa por fazer você esperar.

— Nn… bom trabalho.

Ao abrir a porta do terraço, vi Hinako acenando preguiçosamente para mim. Seus olhos pareciam sonolentos — provavelmente por causa de um cochilo.

Eu não havia voltado ao antigo prédio do conselho estudantil para relaxar com Hinako. E também não era apenas para escoltar Hinako, que se perderia sozinha, de volta à sala de aula.

Bem, eu realmente precisava levá-la para a sala, mas hoje havia outro assunto importante. Quando fechei a porta e me aproximei de Hinako, meu smartphone vibrou com uma chamada recebida.

— Bem na hora… espera um pouco.

Peguei o telefone vibrando e atendi. Depois de conversar por um tempo diante de uma Hinako curiosa, guardei o celular de volta no bolso.

— Itsuki… com quem você estava falando?

— Com o pai da Asahi-san.

— Hã…?

Por algum motivo, o rosto de Hinako enrijeceu.

— C-Conhecer os pais dela…!?

— Bem, dá para chamar de cumprimento, eu acho.

…!

O rosto de Hinako empalideceu.

Eu não achava que fosse algo tão chocante assim…

— Na verdade, tenho uma estratégia em mente.

Percebendo o mal-entendido, expliquei.

— Como talvez envolva muita gente, estou consultando algumas pessoas com antecedência. Conversei com os pais do Katsuya esta manhã também.

— Ah… esse tipo de coisa…

Hinako assentiu, parecendo convencida.

— A consulta que você mencionou antes… era sobre isso?

— Sim.

Eu já havia dito a Hinako que tinha algo para discutir durante o almoço. Então comecei a explicar os detalhes.

— Esta manhã, as pesquisas viraram, e ficamos atrás de Joutou. Você sabia disso, certo?

— Mm.

Hinako assentiu.

— É a primeira vez nesta eleição que as pesquisas se invertem. Mas, na minha opinião, o fato de termos sido ultrapassados mesmo que uma única vez é crítico.

— Isso… pode ser verdade.

Como esperado de uma ojou-sama perfeita. Ela ia direto ao ponto. Entendia instantaneamente o que eu queria dizer.

— Tennouji-san e Narika eram esmagadoramente carismáticas desde o começo. Todo mundo provavelmente achava que a base delas era inabalável. Mas agora, pela primeira vez, houve uma virada, e as pessoas estão começando a duvidar. Talvez Tennouji-san e Narika realmente possam perder… Talvez esse sujeito, Joutou Ren, seja mesmo tão excepcional assim.

Uma fortaleza que parecia perfeita. Mas, no instante em que uma rachadura de apenas um milímetro surgisse, ela deixaria de ser uma fortaleza.

A virada nos índices de aprovação deu ao grupo de Joutou um vislumbre de vitória. Agora, os estudantes estão prestando atenção nessa possibilidade. Aqueles que antes não depositavam nenhuma esperança no grupo de Joutou estão começando a fazê-lo.

Em outras palavras, eu… estava entrando em pânico.

Esta manhã, Asahi-san me alertou, e consegui parar de deixar isso transparecer no rosto. Mas isso não significava que o pânico tinha desaparecido. Desde a conversa com Takuma-san, venho pensando em uma contramedida.

Mas, para mim, essa jogada é um último recurso desesperado.

— Tudo bem.

Hinako sorriu suavemente.

— Como eu disse esta manhã, estou torcendo por você, Itsuki… Vou ajudar com qualquer coisa.

É possível que Hinako já tenha percebido exatamente o que eu estava prestes a pedir a ela. E agora, eu vou me aproveitar da bondade dela.

— Hinako, me empreste sua força.

◆

Depois das aulas, eu observava o discurso de Joutou.

— E agora, como fazemos todos os dias, vamos ouvir um de nossos apoiadores.

Depois de terminar seu discurso, Joutou passou o microfone para uma aluna que estava atrás dele e deu um passo para trás.

— Sou Minato Maki. A partir daqui, explicarei as promessas feitas por Ren-kun.

Minato-senpai começou a falar com confiança.

Agora eles estavam se chamando casualmente pelo primeiro nome. Sempre foram próximos assim, ou tinham mudado estrategicamente a forma de se tratar para causar efeito…?

Como esperado, Joutou pretende utilizar Minato-senpai ao máximo como uma peça-chave daqui em diante.

Nesse caso, não temos escolha a não ser executar esta estratégia.

Afastando-me da multidão absorta no discurso de Minato-senpai, segui em direção a Tennouji-san. Desta vez, o discurso de Tennouji-san estava sendo realizado no lounge — o espaçoso local interno onde Hinako havia promovido seu encontro durante o Management Game.

— Eu sou Tennouji Mirei. Agradeço a todos por se reunirem aqui hoje.

No instante em que entrei no local, a voz de Tennouji-san ecoou. No momento perfeito — estava prestes a começar.

Como planejado, Tennouji-san iniciou com seu discurso habitual.

Ouvir a fala firme de Tennouji-san acalmou meus nervos. Eu não era o único ansioso com a disparada de Joutou nos índices de aprovação. Ainda assim, Tennouji-san não demonstrava nenhum sinal de inquietação, conduzindo o discurso com sua presença imponente de sempre.

Em uma pausa natural de seu discurso, Tennouji-san anunciou:

— Hoje, convidei uma convidada especial que apoia a minha causa.

Aqui vamos nós… Esta é a nossa contramedida.

Enquanto Tennouji-san recuava, dois estudantes deram um passo à frente.

— Sou Asahi Karen.

— E eu sou Taishou Katsuya.

De algum ponto da multidão, ouvi a expressão "Aliança do Chá".

Como esperado, os dois eram bem conhecidos. Começaríamos tomando emprestada a influência deles.

— Para nós, Tennouji-san sempre parece elegante e incrível. Aposto que muitos de vocês aqui também a admiram.

— É por isso que acreditamos que, se Tennouji-san se tornar presidente, seremos inspirados a viver de uma forma digna desta academia.

Asahi-san e Taishou, que conseguiam se conectar com todos sem preconceitos, falaram de uma maneira acessível, que ressoava com os estudantes.

Enquanto muitos alunos assentiam em concordância, os dois continuaram:

— No Management Game, Tennouji-san conduziu inúmeras fusões e aquisições, mas sempre garantiu que todos os envolvidos ficassem satisfeitos com o resultado. Ela é alguém que encara desafios com ousadia, mas nunca abandona ninguém pelo caminho.

É por isso que podemos confiar nela, Asahi-san deixava implícito, sem dizer diretamente.

— Além disso, aquele negócio de venda móvel de eletrodomésticos que desenvolvemos no jogo… foi decidido que vamos realmente testá-lo no mundo real!

Os estudantes soltaram um "Ooh!" impressionado.

O Management Game era uma marca registrada da Academia Kiou, um evento único em que as habilidades dos estudantes eram colocadas em plena exibição. Alcançar resultados naquele evento — e depois aplicá-los na realidade — era uma conquista rara, capaz de despertar tanto admiração quanto inveja entre os alunos.

Para conseguir permissão para compartilhar isso publicamente, conversei com o pai de Asahi-san durante o almoço. Os pais de Taishou também deram sua aprovação. Ambos concordaram de bom grado, dizendo que seria uma boa publicidade.

— Sinceramente, no ano passado, jamais imaginamos que alcançaríamos resultados assim no Management Game. Mas, este ano, conviver com pessoas como Tennouji-san mudou nossa mentalidade. Fez com que quiséssemos nos tornar pessoas melhores.

Provavelmente, eu era quem mais se identificava com as palavras de Taishou.

Fui eu quem pediu que eles ajudassem no discurso, mas os roteiros foram escritos por eles mesmos. Quando li o roteiro final de Taishou antes do discurso, senti uma forte conexão com essa frase.

Conviver com pessoas nobres faz você querer se tornar alguém digno de estar ao lado delas.

Eu não sabia que nome dar a esse sentimento. Mas Tennouji-san queria espalhar essa emoção por toda a academia.

Eu quero me tornar alguém digno.

Pela pessoa nobre que está ao meu lado.

Pela Academia Kiou.

— Muito obrigada aos dois.

Tennouji-san deu um passo à frente novamente, agradecendo a Asahi-san e Taishou.

— Há apenas uma coisa que eu gostaria de acrescentar.

Por algum motivo, Tennouji-san olhou para mim.

— Esse negócio e as conexões que construímos começaram graças a Tomonari Itsuki-san, ali. Sem ele, não estaríamos onde estamos agora. O maior responsável por essa contribuição, sem dúvida, é Tomonari-san.

Da lateral do palco, Asahi-san e Taishou sorriram e assentiram, dizendo:

— Sim, isso mesmo.

…Eu não esperava que meu nome fosse mencionado ali.

Pego de surpresa por aquela fala não prevista no roteiro, recebi olhares calorosos e aplausos dos estudantes ao redor. Era um pouco constrangedor, mas eu aceitaria com gratidão.

Enquanto Asahi-san e Taishou se dirigiam para a lateral, outra estudante avançou.

— Sou Suminoe Chika.

Sua presença refinada cativou momentaneamente o público. Mas, no instante seguinte, a voz poderosa de Suminoe-san ecoou pelo lounge.

— O que considero o maior encanto de Tennouji-sama é—!!

Cerrando os punhos com paixão, Suminoe-san falou com o fervor de uma cantora de enka.

Eu disse para ela não exagerar…

Lembrei-me da conversa que tivemos quando pedi sua ajuda.

"Por favor, faça apenas um discurso normal."

"Hã? Você acha que eu estragaria tudo na frente de Tennouji-sama?"

Não era exatamente "estragar tudo", mas cerca de metade dos estudantes parecia atônita.

Bem, ter uma apoiadora excessivamente entusiasmada como ela talvez não fosse uma maneira ruim de mostrar a popularidade de Tennouji-san. …Embora eu preferisse que não desviássemos para um território meio cultista.

…Hora de encerrar isso.

Como o discurso apaixonado de Suminoe-san não dava sinais de terminar, fiz um sinal para Taishou e Asahi-san, que a levaram meio à força para a lateral.

— E agora, gostaria de apresentar nossa última convidada!

Tennouji-san chamou a última pessoa a falar. O público provavelmente já sabia. Eles haviam percebido toda a extensão da nossa estratégia. Da lateral, uma ojou-sama que todos reconheciam deu um passo à frente.

— Boa tarde a todos.

No instante em que a garota subiu ao palco, o ar ficou tenso. Conhecida como a ojou-sama perfeita, ela ofereceu um sorriso gentil.

— Sou Konohana Hinako.

Um rugido de aplausos explodiu. O lounge estremeceu. A cena lembrava o momento em que Minato-senpai apareceu durante o discurso de Joutou — não, era ainda mais eletrizante.

Hinako, que até então permanecera em silêncio sobre a eleição, finalmente aparecia? Nenhum estudante conseguiria ficar indiferente.

Mas, apesar do fervor do público, eu me sentia dividido.

Ontem, Takuma-san havia dito: "Olho por olho, dente por dente."

Se eles trouxessem Minato Maki como apoio, nós contra-atacaríamos com Konohana Hinako.

Mesmo quando Takuma-san propôs essa estratégia, hesitei até a virada nos índices de aprovação desta manhã.

Havia dois motivos para minha relutância.

Primeiro, a presença de Hinako era avassaladora. Ela era a estudante que mais chamava atenção em toda a Academia Kiou. Contar com sua ajuda trazia o risco de transformar o apoio em ataque principal.

Se Hinako assumisse o centro do palco, poderia acabar ofuscando Tennouji-san e Narika. Foi por isso que evitamos pedir sua ajuda até agora. A própria Hinako parecia tomar cuidado para não interferir desnecessariamente, considerando sua decisão de não concorrer na eleição.

O segundo motivo era mais simples: eu não queria sobrecarregar Hinako. Ela detestava ficar sob os holofotes. Forçá-la a interpretar a ojou-sama perfeita diante de todos, quando achava esse papel exaustivo, parecia cruel.

Mas a entrada de Minato-senpai no grupo de Joutou mudou tudo.

A estratégia de Joutou, aproveitando a fama de uma terceira pessoa, não nos deixou escolha além de contra-atacar com uma jogada semelhante. Não importa o quanto lutássemos por conta própria, os estudantes se perguntariam: "O grupo de Tennouji tem alguém como Minato Maki?" Se não agíssemos, Tennouji-san e Narika poderiam ser vistas como menos carismáticas que Joutou.

Esse problema se manifestou imediatamente na forma da virada nos índices de aprovação.

Por isso, decidi contar com Hinako.

Foi uma decisão amarga. Diferente de Minato-senpai, uma aluna do terceiro ano que logo se formaria, Hinako era do segundo ano, da mesma idade que Tennouji-san e Narika.

Combinado ao seu carisma natural, havia um risco inevitável de comparações.

— Muito obrigada, Konohana Hinako!

Tennouji-san expressou sua gratidão a Hinako.

Hinako havia apenas falado sobre os pontos fortes de Tennouji-san. Mas só isso já unificou o salão de uma forma incomparável ao que havia acontecido antes. Sua influência, como alguém que encarnava os ideais da Academia Kiou, estava além da imaginação.

Agora, só espero que o público não seja atraído mais por Hinako do que por Tennouji-san…

…Essa foi uma preocupação desnecessária.

Ao observar os estudantes ao meu redor, percebi que meus temores eram infundados. Hinako recuou para a lateral, e Tennouji-san deu um passo à frente.

O pior cenário seria os estudantes pensarem: "Por que Konohana-san simplesmente não concorre à presidência?"

Mas, refletindo bem, isso já não era mais possível. No início da eleição, talvez. Mas, com apenas alguns dias restantes, a maioria dos estudantes já havia decidido em quem votar. Eles já tinham se resolvido a confiar no candidato escolhido.

Todos eles… estão realmente olhando para Tennouji-san.

Nenhum estudante sequer olhava para Hinako na lateral. Todas as pessoas no salão tinham os olhos fixos apenas em Tennouji Mirei. No começo, todos provavelmente ficaram confusos por Hinako não concorrer à presidência. Na ausência dela, devem ter tido dificuldade para decidir quem apoiar.

Mas essa fase já havia passado. Eles encararam a questão de frente. O próximo presidente do conselho estudantil seria escolhido entre Tennouji Mirei, Miyakojima Narika e Joutou Ren.

— Com isso, encerro o discurso de hoje!!

Aplausos estrondosos foram direcionados a Tennouji-san. Satisfeito com o resultado, segui para a lateral.

Ao abrir a porta da sala de espera, encontrei Hinako sentada sozinha em uma cadeira, descansando. Asahi-san e os outros pareciam estar conversando com Tennouji-san no palco.

— Hinako.

Chamei por ela enquanto descansava.

— Desculpa por fazer você ficar na frente de todo mundo.

Ela devia estar exausta, certo? Mas Hinako balançou a cabeça e disse:

— Não. …..Talvez esta seja a primeira vez.

— Hã?

Com um leve traço de alegria, Hinako continuou:

— Interpretar a ojou-sama perfeita… pelo bem de outra pessoa. Talvez seja a primeira vez.

Suas palavras me fizeram lembrar da vez em que Hinako teve febre durante as férias de verão.

Hinako estava mudando. Pouco a pouco, desde que nos conhecemos…

O cansaço de atuar ainda existia, mas ela quase não tinha mais febres. Antes, priorizava o sono acima de qualquer coisa, mas agora acordava cedo para acompanhar minha agenda. Quando vinha ao meu quarto à noite, não apenas adormecia — queria conversar.

Hinako era muito mais forte do que eu lhe dava crédito. Minhas preocupações foram desnecessárias. Para a Hinako de agora, aquilo não era grande coisa.

— Você pode ajudar mais uma vez, no discurso da Narika?

— Mm… Deixe comigo.

Assentindo, Hinako me acompanhou de volta ao lounge. Quando abrimos a porta, Joutou estava ali.

— Joutou-kun… Você estava aqui?

— Sim. Acabei de ver o seu discurso.

Dizendo isso, Joutou lançou um olhar duro para Hinako.

— Você vai se envolver logo agora, de todos os momentos?

Sua voz carregava um traço de ressentimento.

— Isso é bem egoísta. Você não concorre à presidência, mas vai influenciar a eleição?

Fui eu quem pediu a ajuda de Hinako. Joutou devia saber disso, mas me ignorou, mantendo os olhos apenas em Hinako. As palavras dele poderiam facilmente ser devolvidas contra ele. Ele não tinha direito de dizer aquilo enquanto usava Minato-senpai.

Mas, ao perceber a complexidade dos sentimentos de Joutou, acabei segurando a língua.

Talvez, mais do que qualquer pessoa, Joutou desejasse um futuro em que Hinako se tornasse presidente.

— No começo, eu não tinha intenção de ficar diante de todos.

Apesar da raiva deslocada dele, Hinako respondeu com calma.

— Mas observar os esforços de Tennouji-san e Miyakojima-san mudou meu coração.

— Mudou seu coração…?

Joutou repetiu, e Hinako assentiu com um sorriso.

— Quem está sendo influenciada… sou eu — apontando para si mesma, Hinako continuou. — Quem está influenciando os outros são Tennouji-san e Miyakojima-san.

O olhar dela se voltou para Tennouji-san, no palco.

— Se continuar olhando apenas para mim, você vai acabar tropeçando, sabia?

Hinako encarou diretamente os olhos de Joutou.

— Eu não sou mais quem influencia os outros. Quem está naquele palco não sou eu — ela declarou.

Os lábios de Joutou tremeram e, com uma expressão frustrada, ele finalmente falou:

— Eu não vou perder para ninguém além de você.

Observamos em silêncio enquanto Joutou se afastava.

◆

Mais tarde, executamos a mesma estratégia no discurso de Narika.

Além de Asahi-san, Taishou e Hinako, Kita também participou. Ele assumiu o lugar de Suminoe-san.

Kita não parecia acostumado a falar em público, mas, quando chegou sua vez, falou com paixão sobre os encantos de Narika.

— Miyakojima-san é alguém que continua mudando. Um ano atrás, ela era mal compreendida de várias formas, mas não deixou que isso a impedisse. Ela se esforçou e se tornou alguém capaz de concorrer nesta eleição. …Eu acredito que não há ninguém mais forte do que alguém capaz de mudar a si mesmo. Apoio de todo o coração Miyakojima-san, que continua se esforçando para se tornar uma versão melhor de si mesma.

Ao ouvir Kita, senti as lágrimas brotarem. Eu conheço Narika desde criança. Por isso sei o quanto ela se esforçou para mudar.

Kita estava certo. Narika é forte — mais forte do que qualquer um. Não há ninguém mais forte do que alguém capaz de mudar a si mesmo.

Enxugando as lágrimas nos cantos dos olhos, percebi que o discurso de Narika havia terminado.

Com isso, as atividades de campanha do dia chegaram ao fim. Depois de elogiar Narika, todos nos preparamos para ir para casa.

Após guardar os microfones e os outros equipamentos usados no discurso, falei discretamente com Hinako, que esperava no pátio da escola.

— Hinako, você se importa de voltar para casa primeiro hoje?

— Claro, mas… e você, Itsuki?

— Vou ficar um pouco mais na academia. Há algo que quero fazer.

Diante de Hinako, que inclinou a cabeça, continuei:

— Desde que fomos atingidos por aquela campanha difamatória, temos ficado na defensiva. Agora, quero tomar a iniciativa.

Eu já tinha um plano, mas ele exigia a permissão da academia, então precisava conversar com os professores agora.

— Entendi. Vou para casa, então, para não atrapalhar você.

— Não é como se você estivesse atrapalhando.

— Hã… Então vou ficar grudada em você o tempo todo.

— Desculpa, isso talvez seja um pouco demais.

Tê-la grudada em mim o dia inteiro era, bem… Não que eu me importasse exatamente…

De qualquer forma, Hinako pareceu satisfeita, então a deixei ir para casa primeiro. Depois de me separar de Tennouji-san, Asahi-san, Taishou e os outros no portão da escola, voltei em direção ao prédio escolar.

Foi então que notei outra pessoa seguindo pelo mesmo caminho.

— Narika?

— Hã, Itsuki?

Parece que Narika também ainda não estava indo para casa. Lado a lado, voltamos para o prédio escolar.

— Você também não vai para casa ainda, Itsuki?

— Tenho algo que preciso discutir com a professora. …E você, Narika? Tem algum assunto para resolver?

— Sim. Lembra da Nishi-san, de quem falamos na festa do chá? Estou planejando encontrá-la para conversar sobre o trabalho administrativo. Vamos nos encontrar em um café daqui a pouco.

— Pensando bem, você ficou super interessada nas funções administrativas durante a festa do chá, não ficou, Narika?

— Totalmente! É muito mais diverso do que eu imaginava! É um trabalho tão interessante!

Narika disse isso com um sorriso puro e radiante.

— Também estou pensando em ajustar um pouco meu discurso. Tirando presidente e vice-presidente, os outros cargos praticamente já estão decididos, então achei que talvez fosse bom mencioná-los.

— Entendi. Então devemos pedir permissão para usar os nomes deles, certo? Narika, você cuida de conseguir a aprovação da Nishi-san. Eu vou confirmar com Abeno-san e Yodogawa-kun.

— Isso ajudaria muito!

Incluir informações sobre os outros cargos no discurso era uma ideia sólida. Provavelmente chamaria a atenção dos estudantes. Também combinava bem com as promessas de campanha de Narika, focadas em construir conexões.

Imediatamente, peguei meu smartphone e enviei mensagens para Abeno-san, a futura tesoureira, e Yodogawa, o futuro secretário.

Menos de um minuto depois, recebi uma resposta de um deles.

— Certo, Abeno-san deu sinal verde.

— Uau, isso foi rápido. Espera, Itsuki, quando você trocou contato com ela…?

— Depois da festa do chá outro dia. Achei que poderia ser útil.

Yodogawa talvez demorasse um pouco mais para responder, mas ele me pareceu um cara educado. Tenho certeza de que me responderá até o fim do dia.

— Ainda assim, Abeno-san… as mensagens dela são meio fofas, não são?

— São?

— Sim.

Eu havia imaginado Abeno-san como o tipo sério, mas a resposta dela tinha uns emojis adoráveis de gatinho. Será que ela gostava secretamente de coisas fofas?

Enquanto pensava nisso, de repente percebi que Narika havia ficado em silêncio.

…….

— Narika?

Por algum motivo, Narika fazia beicinho, encarando-me com os lábios franzidos.

— Eu realmente preferiria que você não chamasse outras garotas de fofas na minha frente.

Suas bochechas estavam levemente coradas enquanto dizia isso. Eu não esperava um ciúme tão evidente e, por um momento, fiquei sem saber o que dizer.

E, droga… droga, eu não conseguia deixar de pensar que Narika estava bem fofa naquele instante.

— S-Sim, senhora.

A resposta que consegui espremer pouco fez para esconder o quanto eu estava abalado. Mas Narika continuou emburrada.

— Você também anda bem íntimo da Asahi-san ultimamente…

— Não, com a Asahi-san não é nada disso, nós não estamos—

— Mas você não sabe como ela se sente em relação a você, sabe?

Quando ela colocava as coisas desse jeito… eu não tinha como rebater. Ainda assim, não havia como Asahi-san me ver dessa forma… mas dizer isso em voz alta provavelmente não ajudaria em nada a minha situação.

Narika parou de andar.

— Itsuki, escute bem.

Encarando-me diretamente com uma expressão séria, ela falou:

— Eu também sou humana. Então, um dia, talvez eu chegue ao meu limite.

Havia uma intensidade indescritível em suas palavras, e eu assenti em silêncio.

— E, se eu não conseguir mais me conter…

— N-Não conseguir se conter…?

Quando repeti suas palavras, Narika se inclinou lentamente para mais perto.

No instante seguinte, ela segurou minhas bochechas com as duas mãos e—

— Vou roubar seus lábios bem aqui e agora.

Ela declarou algo absurdamente constrangedor com a maior seriedade.

— D-Desculpa…

Vou precisar tomar mais cuidado para não levar Narika ao ponto de ruptura. Mas, mesmo enquanto eu refletia sobre isso, Narika não soltava meu rosto.

— Narika?

………..…

— Narika? E-Espera! Você está chegando mais perto! Perto demais!

Espera, será que ela está chegando ao limite agora!?

Enquanto o rosto de Narika se aproximava, minha mente disparou, pensando em todos os tipos de riscos. Estamos em pleno período eleitoral. Faltam apenas alguns dias para esta fase crítica. Se um escândalo surgisse e as pessoas pensassem, por engano, que Narika, a candidata à presidência, e eu, o candidato à vice-presidência, éramos um casal—

Acabou…!!

Isso não apenas derrubaria nossos índices de aprovação.

Eu já conseguia imaginar os estudantes desta academia gritando: "Mantenham o romance fora da eleição!", enquanto protestavam. Só de pensar nisso, eu já tinha vontade de chorar. Eu, especificamente.

Pelo bem de Narika, eu precisava manter a calma e convencê-la a recuar. Assim que tomei essa decisão—

— Miyakojima… senpai?

Uma voz chamou ao lado, e eu me virei para olhar. Ali estava Nishi-san, justamente a pessoa com quem Narika deveria se encontrar para discutir o trabalho administrativo.

— Hm, vocês dois estão… nesse tipo de relacionamento?

— Não… espera, talvez fosse melhor oficializar logo e—

— Não estamos! Definitivamente não estamos! Eu e Narika não somos assim!!

Eu interrompi Narika desesperadamente antes que ela chegasse a alguma conclusão absurda.

— E-Espera, afinal, qual dos dois é verdade? Em quem eu devo acreditar!?

— Em mim! Acredite em mim! Em mim, em mim, em mim!! Por favor, confie em mim!

— Você está parecendo tão desesperado que isso até fica meio suspeito…

Então o que eu deveria fazer!?

— Além disso, tem aquele boato de que Tomonari-senpai é meio mulherengo…

— Tem o quê!?

Essa foi a coisa mais chocante que ouvi o ano inteiro.

— Ah, mas também estão dizendo agora que foi um mal-entendido. …Na verdade, até pouco tempo atrás, havia um boato de que Tomonari-senpai vinha de uma família rica e usava sua fortuna para sempre ter mulheres bonitas ao redor dele.

Um boato que estava se espalhando até pouco tempo atrás, mas que desde então havia perdido força.

Eu tinha uma boa ideia de quem estava por trás disso.

Rintarou…!

Cerrei o punho sem perceber. Talvez eu precisasse ter uma conversa séria com aquele cara.

Pelo visto, ele vinha conduzindo uma campanha difamatória bem pesada.

— Mas, vendo vocês dois assim, isso meio que faz esses boatos parecerem críveis…

— Não fazem! Eles não são verdadeiros de jeito nenhum!!

Balancei a cabeça com toda força, mas Narika apenas me lançou um olhar abatido.

— Você não precisa negar com tanta força….

— Narika, fica quieta só por um instante…!!

Você está complicando isso muito mais…!!

◆

No dia seguinte, depois de finalmente desfazer o mal-entendido de Nishi-san.

Pela manhã, distribuí panfletos como de costume e então me encontrei com Tennouji-san e Narika dez minutos antes do início das aulas.

Deveríamos fazer uma rápida reunião estratégica, mas…

— I-Itsuki?

………

— Desculpa, tá? Eu passei dos limites ontem. Então, por favor, não me ignore…!!

Soltei um suspiro quando Narika se desculpou com os olhos marejados.

Bem, ela parecia genuinamente arrependida, então eu deixaria passar. Eu também não fui exatamente muito delicado, então parte da culpa era minha.

Percebendo o olhar curioso de Tennouji-san diante da nossa interação, balancei levemente a cabeça, sinalizando que "não era nada".

— Tomonari-san. O plano que discutimos… está marcado para depois das aulas de hoje, correto?

— Sim.

Assenti, e Tennouji-san abriu um sorriso astuto.

— Devo dizer que fiquei bastante surpresa com a estratégia que você compartilhou ontem à noite, Tomonari-san. É algo incomumente ousado para você. Mas é exatamente por isso que é tão empolgante.

Eu sabia que Tennouji-san aceitaria a ideia.

— Assistir ao discurso de Joutou-kun me fez despertar.

O discurso de Joutou, com tudo o que ele tinha, possuía uma força avassaladora que não conseguíamos igualar. Mas foi exatamente por isso que percebi que não poderíamos enfrentá-lo no mesmo palco.

A questão era: qual seria o nosso campo de batalha?

Depois de pensar bastante, reavaliei o que nos diferenciava de Joutou.

Takuma-san certa vez disse que a Academia Kiou possui dois tipos de estudantes: os tipos políticos e os tipos CEOs.

Joutou é do tipo político.

E nós? Nós somos do tipo CEOs.

— Vamos lutar do nosso jeito.

Não podemos vencer na política. Então, aceitaremos o desafio como CEOs.

Fim da leitura

Capítulo 66 concluído

Volume 10 – Capítulo 1 – Capítulo 1: O Tipo Político