O Dilema de Um Arquidemônio: Como Amar sua Noiva Elfa — Capítulo 16: Volume 3 – Prólogo

O Dilema de Um Arquidemônio: Como Amar sua Noiva Elfa
Cap. 16
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O Dilema de Um Arquidemônio: Como Amar sua Noiva Elfa

Volume 3 – Prólogo

Capítulo 16

1.670 palavras~7 min de leitura

“Nephy, eu quero comer aquilo.”

“Já está quase na hora do jantar, então não pode, Foll.”

A cidade comercial de Kianoides. O dia estava chegando ao fim enquanto Nephy caminhava pela cidade que começava a escurecer, de mãos dadas com uma garota jovem. Depois de fazer compras e encontrar suas amigas, Chastille e Manuela, elas estavam a caminho de casa.

Por causa de seus longos cabelos brancos que iam até a cintura, presos com uma fita carmesim, suas orelhas pontudas e seus olhos azul-celeste, era claro que ela era uma elfa. Hoje, ela vestia seu vestido de uma peça habitual, um avental branco, botas nas quais havia sido lançada uma magia de redução de fadiga, e uma coleira grossa que não combinava com seu corpo delicado. Era uma coleira de escrava, mas aquela era a prova de sua preciosa ligação com seu senhor.

Quem andava de mãos dadas com Nephy, apontando para os doces alinhados nas vitrines da rua, era Foll. Pela aparência, ela parecia uma garotinha com cabelos verdes vibrantes, cobertos por um moletom com orelhas de gato. Era um traje nativo que tinha branco e escarlate como tons básicos, mas, sob o capuz, dois chifres se projetavam. Ela tinha a aparência de uma humana, mas era uma dragão. Ainda assim, como sua aparência sugeria, ela pedia doces de forma infantil.

Era verdade que o aroma adocicado que pairava no ar também estimulava o apetite de Nephy, mas ela puxou a mão de Foll e respondeu de forma firme. Se comessem doces naquele momento, isso estragaria o apetite para o jantar. Zagan, o chefe da casa, era gentil, mas tinha um ódio extremo por desperdício de comida.

Nephy carregava uma cesta grande o suficiente para acomodar confortavelmente uma criança humana, cujo interior já estava abarrotado de ingredientes. Tendo seu pedido negado, Foll inflou as bochechas e olhou para Nephy com um olhar cheio de expectativa.

“O que vai ter no jantar?”

“Hoje à noite será frango assado no forno e sopa de milho. E também… deixe-me ver… Que tal eu fazer pudim de sobremesa?”

“Ah, então podemos voltar rápido?”

Em troca de não comprar doces, Nephy decidiu fazer sobremesa, o que fez os olhos âmbar de Foll brilharem. Depois disso, suas tranças verdes balançaram, e ela puxou alegremente a mão de Nephy, incentivando-a a andar mais rápido.

“Vejamos. Acredito que o Mestre Zagan já esteja com bastante fome também.”

“Voando?”

Foll ainda era jovem para um dragão, mas, em sua forma original, ela ainda era grande o suficiente para carregar várias pessoas de uma vez, então às vezes Nephy aceitava uma carona. A expressão de Nephy não mudou, mas suas orelhas pontudas estremeceram e então se agitaram de alegria enquanto ela balançava a cabeça.

“O Senhor Raphael também está lá, então, mesmo que não nos apressemos, ficará tudo bem.”

Enquanto dizia isso, ela se lembrou do rosto levemente satisfeito que seu senhor mostrava durante as refeições, e Nephy também acelerou o passo.

Já havia passado um mês desde que Foll chegara ao castelo de Zagan. A visão das duas na cidade já havia se tornado familiar, e as pessoas que passavam por elas, assim como os lojistas, lançavam olhares afetuosos em sua direção.

E exatamente naquele momento…

“Nephy, cuidado!”

De repente, Foll empurrou Nephy para baixo.

E, ao cair no chão, Nephy acabou soltando a cesta.

Os ingredientes dentro dela foram lançados ao chão e se espalharam. E, bem onde elas estavam, inúmeras flechas feitas de luz começaram a cair incessantemente.

Fomos atacadas… por magia?

Quando Nephy começou a se levantar, Foll já havia se posto de pé rapidamente e assumido uma postura defensiva. Ao que parecia, a garota encarava uma figura sombria cujo corpo estava envolto em um manto.

Como o rosto estava completamente oculto, Nephy não conseguia dizer de que raça se tratava, mas certamente era uma criança ou, se não, uma mulher. Mesmo através das vestes frouxamente usadas, dava para perceber que era alguém de compleição pequena.

Por fim, a figura sombria estendeu o braço pela abertura do manto… e apontou para Nephy.

“Você é… Nephelia?”

Como Nephy imaginara, provavelmente era uma mulher. Afinal, a voz que ouvira soava como o tilintar de um sino. No entanto, ouvir aquela voz deixou Nephy inquieta. E parecia que o mesmo acontecia com Foll. Sua expressão infantil mostrava não pouco desconforto na superfície.

Nephy ficou sem conseguir responder, e os lábios visíveis sob o manto da figura sombria se curvaram em um sorriso.

“Não há necessidade nem de confirmar, não é…? Morra.”

E então, aqueles lábios vermelho-vivos murmuraram algo.

“————————”

Um frio indescritível percorreu a espinha de Nephy ao ouvir aquelas palavras.

“Eu não vou deixar,” disse Foll, avançando um passo.

“Não, Foll!”

Abraçando Foll com força, Nephy se lançou ao chão. Logo em seguida, inúmeras lanças feitas de cristal começaram a cair do céu.

Elas não estavam mirando apenas Nephy, mas também as lojas ao redor e os pedestres. Entulho e sangue voaram pelo ar, e gritos encheram a área.

“Ah, por favor, pare!” Nephy gritou. Não era como se ela achasse que algo mudaria. Foi apenas um grito. Ou pelo menos, era para ser apenas isso, mas… junto ao som claro de um estalo metálico, as lanças de cristal se estilhaçaram em pedaços.

Essa pessoa… feriu as pessoas desta cidade!

Nephy sentiu que sua cabeça estava esquentando por dentro. Em sua mente, as pessoas daquela cidade haviam acolhido Nephy com gentileza, assim como Zagan fizera, então era tão imperdoável alguém machucá-las quanto machucar o próprio Zagan. E, como se se prostrassem diante daquela emoção violenta, os fragmentos de cristal estilhaçados mudaram de direção.

“O quê?”

Os fragmentos de cristal subiram aos céus e passaram a cair repetidamente sobre a figura encapuzada. E, enquanto a figura gemia e saltava para o lado, a chuva de cristais a perseguia logo em seguida.

Apenas por desejar que acontecesse, milagres ocorriam. Até mesmo os elfos, que possuíam um poder muito além da compreensão humana, temiam seus usuários como crianças amaldiçoadas. Esse era o poder de Nephy… Misticismo.

E agora, o controle dos cristais estava inteiramente nas mãos de Nephy, e eles encurralavam aquela que os havia criado.

“Incrível…” disse Foll, com a voz atônita.

A figura encapuzada teceu um círculo mágico no ar e enfrentou vários cristais com ele. Condensar mana para criar um escudo era magia fundamental, mas, dependendo da habilidade do conjurador, ele podia se tornar inquebrável.

Comparado ao escudo do Mestre Zagan, isso é frágil como papel.

O escudo mágico resistiu por um instante, mas não durou sequer um segundo. E, junto a uma fúria gelada, Nephy pulverizou aquele escudo. No entanto, naquele momento que não chegava a um segundo, parecia que a mulher já havia feito sua próxima jogada. Lanças de cristal surgiram novamente de sob seus pés e colidiram com a chuva de cristais que Nephy manipulava. E desta vez, os dois tipos de cristal foram destruídos sem deixar sequer um fragmento.

“…Mesmo uma inútil… ainda é uma elfa de cabelos brancos, hein?” murmurou a mulher encapuzada enquanto o capuz caía.

Nephy perdeu o fôlego quando o rosto da mulher foi revelado. Ao seu lado, Foll também ficou em choque. Isso porque… o que surgiu sob o capuz foi o rosto de uma garota. E, assim como Nephy, ela tinha orelhas pontudas. Uma elfa. Sua idade provavelmente também era próxima à de Nephy. Seus longos cabelos, que iam até a cintura, também eram brancos. Sua expressão impassível, a mana que se podia sentir na pele e, acima de tudo… aquela garota tinha exatamente o mesmo rosto de Nephy.

“Uma Nephy… sombria…?” disse Foll, com a voz trêmula.

Era uma garota que só podia ser descrita como “Nephy Sombria”. A única diferença era a cor de sua pele e de seus olhos. Em contraste com a pele branca como a neve e os olhos azul-celeste de Nephy, a garota diante delas tinha pele marrom-escura e olhos dourados.

Pensando bem, talvez a razão pela qual Nephy conseguiu reagir ao primeiro ataque surpresa fosse porque aquela mana era tão semelhante, em natureza, à sua própria.

Nephy Sombria encarou Nephy fixamente por um momento, mas então desviou o olhar de repente.

“O círculo mágico do Arquidemônio, hein? Que poder terrível.”

“Hã…? Do que você está falando?” Nephy engoliu em seco enquanto seguia o rosto daquela garota.

De repente, percebendo o que estava acontecendo, ela olhou ao redor.

Os prédios que haviam sido destruídos pelas lanças de cristal haviam retornado ao estado original. Até mesmo as pessoas que haviam sido atravessadas apenas estavam sentadas no chão com expressões vazias. E então, como se envolvesse toda a cidade, um enorme círculo mágico foi desenhado no chão.

Isso é… a magia do Mestre Zagan?

Enquanto aprendia magia, Nephy compreendeu que havia uma espécie de idiossincrasia na forma como os circuitos de um círculo mágico eram organizados pelos feiticeiros. E a estrutura daquele círculo mágico correspondia à de Zagan.

Nephy Sombria então colocou o capuz de volta e abriu silenciosamente o manto.

“Por favor, espere! Quem é você—”

“Eu… sou você… Nephelia amaldiçoada,” respondeu Nephy Sombria.

E enquanto Nephy ficava abalada por aquelas palavras, a figura de Nephy Sombria se distorceu como uma miragem e desapareceu.

Com isso, a luta havia terminado, e parecia que Nephy finalmente poderia ficar tranquila. Depois de confirmar que ela e Foll estavam seguras, Nephy correu até as pessoas da cidade.

“Então você está bem, Nephy.”

“Nephy, foi você quem consertou tudo isso?”

Mesmo tendo ocorrido um incidente em que a cidade quase foi destruída, não havia ali nenhuma voz que culpasse Nephy ou Foll.

Depois disso, Foll saiu correndo como se tivesse encontrado algo.

“Olha isso, Nephy,” disse Foll, pegando um único pedaço de papelaria.

O destinatário era Zagan, mas o nome do remetente fez o corpo de Nephy enrijecer em choque.

—Para o Arquidemônio Zagan, do Arquidemônio Bifrons—

Traduzido por Moonlight Valley

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Fim da leitura

Capítulo 16 concluído

Volume 3 – Prólogo