O Dilema de Um Arquidemônio: Como Amar sua Noiva ElfaVolume 3 – Capítulo 1 – Capítulo 1: Vou Ficar Furioso Mesmo que Quem Levante a Mão Contra Minha Noiva Seja uma Garota Bonita
Capítulo 17“…Como eu pensava, não funciona como magia comum, hein?”
Entardecer. Nos arquivos do castelo de Zagan. Zagan resmungava enquanto encarava um único pedaço de papel que tinha um desenho de um brasão misterioso. Ele se assemelhava a um circuito mágico, mas ao mesmo tempo era diferente.
Brasões normais utilizavam circuitos formados por linhas retas e círculos como tema básico. Cada forma individual não era tão complexa.
No entanto, os brasões naquele pedaço de papel não usavam nada além de linhas que se retorciam como serpentes, e não apenas evitavam linhas retas, como também utilizavam pontos com frequência.
Parecia que muitas das letras estavam ligadas umas às outras, mas, se fosse esse o caso, ele não conseguia distinguir onde separá-las, ou sequer dizer se todas eram apenas uma única letra, ou mesmo se aquilo constituía algum tipo de vocabulário.
Aquilo era algo que Zagan havia copiado da gravação presente na grande espada erguida diante de seus olhos. Sobre um pedestal sinistro esculpido em obsidiana repousava uma espada de beleza incompatível com aquele cenário. E brasões pálidos estavam gravados ao longo de sua lâmina branca e pura. Era uma Espada Sagrada.
Ela era uma dentre uma série de armas usadas pela igreja para destruir o rei dos demônios, e também sua maior arma contra os feiticeiros. Além disso, era um símbolo de seu poder. Existiam apenas doze delas, e uma dessas Espadas Sagradas estava nas mãos de um rei entre os feiticeiros, o Arquidemônio Zagan.
Se esse fato viesse a público, o equilíbrio de poder entre os feiticeiros e a igreja certamente ruiria. Se ele ameaçasse a igreja usando isso como base, provavelmente conseguiria passá-la adiante para alguém influente e construir uma fortuna. Era, de fato, um tesouro capaz de abalar o mundo.
Quanto à grande Espada Sagrada em questão, Zagan pegou um martelo da mesa e tentou golpeá-la contra a lâmina sem demonstrar o menor respeito. Ao ver que a lâmina lascara com o impacto, ele pôde perceber que a resistência do metal em si não era tão grande. Se o cardeal que idolatrava a Espada Sagrada visse aquela ação, provavelmente sofreria um ataque cardíaco. Embora, no caso, essa pessoa já estivesse debaixo de uma lápide.
[Sol: Sim, um arquidemônio inspecionando uma relíquia sagrada com um martelo. Muito sutil. ]
Enquanto investigava a Espada Sagrada, Zagan tentou verificar o efeito dos próprios brasões inserindo-os em um círculo mágico, mas não conseguiu ativar nenhum tipo de poder.
Será que existe algo como uma ordem de traços? Ou é necessário algum tipo de ritual? Ou talvez simplesmente escrever isso exija um poder específico?
Por ora, Zagan havia descoberto quais materiais eram usados para pintá-los e utilizara os mesmos, mas eles pareciam não ter relação alguma com o funcionamento.
E, como se não conseguisse esconder o cansaço, Zagan esfregou os olhos e olhou para a própria mão direita.
Um sigilo gravado por mana emergiu na superfície de sua mão. O Sigilo do Arquidemônio… Era a prova de seu status, contendo uma quantidade imensa de mana em seu interior.
Zagan tinha dois objetivos. Um era obter um meio de matar demônios, e o outro era encontrar um método para destruir o Sigilo do Arquidemônio.
Sem uma forma de destruir essa coisa, eu não conseguirei matar os outros doze Arquidemônios.
A razão pela qual ele investigava a Espada Sagrada era porque os brasões gravados nela se assemelhavam àqueles presentes no Sigilo do Arquidemônio. No entanto, ele não teve escolha a não ser admitir que os resultados de sua investigação não haviam sido favoráveis.
Zagan estalou os dedos, irritado.
“Raphael, você está aí?”
“O senhor chamou?”
Um mordomo apareceu do nada, vestindo um fraque com uma armadura envolvendo o braço esquerdo. Mesmo em circunstâncias normais, esse homem tinha um rosto assustador, e ainda por cima carregava uma cicatriz terrível que ia da bochecha até a testa, dando-lhe uma aparência demoníaca. Ele parecia ter mais de cinquenta anos, mas desde sua postura perfeitamente ereta até seu corpo bem treinado, não se percebia qualquer sinal de que a idade o tivesse enfraquecido.
Isso não era nada surpreendente. Aquele homem era um ex-Arcanjo que havia matado 499 feiticeiros. Tendo perdido o braço esquerdo, ele usava um braço artificial feito de armadura, mas suas verdadeiras habilidades continuavam tão formidáveis quanto sempre foram. Já havia se passado um mês desde que ele e Foll passaram a viver no castelo de Zagan.
Zagan apontou para a Espada Sagrada consagrada sobre o pedestal.
“Raphael, você disse que nem mesmo você entende os brasões desta espada, certo?”
“Lamento dizer que é exatamente como você afirma.”
“Mostre-me um pouco do poder dela.” Sem qualquer hesitação, Zagan deu ordens ao antigo Arcanjo que detinha o maior número de feiticeiros mortos na história.
Após Raphael retirar a Espada Sagrada do pedestal de obsidiana, ele pronunciou silenciosamente seu nome.
“Atenda ao meu chamado — Espada Sagrada Metatron.”
Ao invocá-la, a Espada Sagrada envolveu-se em uma chama pálida. Era a Chama da Purificação, que dizia-se ter abatido certa vez o rei dos demônios. Ao tocar aquela chama, toda feitiçaria perdia seu poder sem exceção.
E nem mesmo um Arquidemônio estava isento desse destino.
O fiel mordomo segurou a Espada Sagrada com ambas as mãos e desferiu um golpe contra Zagan sem hesitar. Com um clangor, pequenas faíscas se espalharam, e a espada envolta em chamas foi detida diante de Zagan.
Eu segurei uma Espada Sagrada e até mesmo o seu portador. Não há mão que eu não esteja disposto a usar. — Um círculo mágico elaborado e complexo ergueu-se diante de Zagan enquanto ele pensava em sua boa fortuna.
“...Hmm. Como eu suspeitava, o poder em si não vem da lâmina. Parece que ele é disparado por esses brasões.”
A espada em si era feita apenas de metal resistente. O que realmente a tornava uma Espada Sagrada eram os brasões gravados nela. Não havia como negar esse fato, mas...
De alguma forma, não consigo entender como isso funciona de maneira alguma...
Não era complicado da mesma forma que os circuitos de feitiçaria. Não, parecia até ser um feitiço de uma única frase simples, e ainda assim o princípio por trás dele escapava completamente a Zagan.
Mesmo depois de se dar ao trabalho de fazer o proprietário demonstrar seu poder, ele ainda se encontrava em um dilema.
Apesar de ser o mais jovem a alcançar o título de Arquidemônio na história, sua confiança como feiticeiro foi despedaçada. E assim, Zagan soltou um suspiro ao abrir a boca para falar.
“Bom trabalho. Isso é suficiente.”
“Como desejar,” exclamou Raphael. E então, fitando Zagan, que parecia estar no limite de sua compreensão, ele continuou: “Meu senhor, o senhor também está tendo dificuldades para esclarecer os mistérios da Espada Sagrada?”
“Isso mesmo. Veja, não parece haver dúvida de que essas coisas são letras, mas elas parecem vir de uma tradição completamente perdida. Elas não se assemelham a nenhuma letra existente atualmente, e também parecem ter uma estrutura diferente dos circuitos.”
Uma tradição perdida significava tradições e culturas que haviam sido reduzidas ao nada. Obviamente, se não restasse ninguém para transmiti-las, elas sequer permaneceriam registradas em livros. A igreja administrava a distribuição das Espadas Sagradas, mas nem mesmo eles compreendiam o significado do design dos brasões.
Reconstruir esse tipo de informação levaria muitos anos até mesmo para um especialista, então, embora Zagan fosse o mais jovem feiticeiro da história a alcançar o posto de Arquidemônio, não era algo que pudesse ser feito rapidamente. Achando isso irritante, Zagan lançou um olhar fulminante à Espada Sagrada que Raphael segurava.
“Falando francamente, chega a um ponto em que pensar nessa espada em si como um ser vivo chamado de ‘Espada Sagrada’ soa muito mais convincente.”
O que chamou a atenção de Zagan foi a parte que ele havia atingido com um martelo anteriormente. Certamente deveria estar lascada, mas, em vez disso, parecia perfeitamente afiada. Parecia que a espada possuía a habilidade de se regenerar. O mordomo então assentiu e respondeu.
“Entendo. Não sabemos se isso está necessariamente errado, tampouco,” disse Raphael enquanto erguia sua Espada Sagrada, e então acrescentou: “Espadas Sagradas escolhem seus donos. Mesmo quando eu toco esta espada, em raras ocasiões, senti algo semelhante a uma vontade. Além disso, apesar de ser a mesma arma, diz-se que a forma como seu poder se manifesta difere dependendo do usuário.”
“Agora que você menciona isso, a sua é fogo e a de Chastille é luz, não é?”
Não era como se uma superasse a outra ou algo do tipo, mas isso podia significar que os atributos das espadas se alteravam para corresponder ao seu portador. E o que determinava isso provavelmente era a ‘vontade da Espada Sagrada’ da qual Raphael falava.
Se ela possuía uma vontade, então era possível considerá-la algo mais próximo de um ser vivo na forma de uma espada.
No entanto, já que ela possuía a forma de uma espada, então deveria haver algum tipo de criador original.
Uma espada era algo feito para ser empunhado por pessoas. E se havia alguém que as fazia, então um método de fabricação existiu em algum momento.
“Em vez de analisar a espada em si, investigar isso pode ser a opção mais realista.”
É claro, havia muitas coisas que se tornaram claras ao investigar as Espadas Sagradas. Ao comparar com informações em livros do Palácio dos Arquidemônios, Zagan descobriu que aquelas letras eram outrora chamadas de Celestiano. Elas pareciam ser as letras usadas pela divindade na antiguidade, mas dizia-se que foram perdidas junto com sua partida deste mundo.
Era uma língua completamente desconhecida. O significado e até mesmo a pronúncia não eram claros, então seria difícil obter mais informações sobre ela. Enquanto Zagan se perdia em pensamentos, Raphael finalmente colocou a Espada Sagrada de volta sobre o pedestal.
“Já é hora de eu lhe devolver a Espada Sagrada?”
“Se eu tiver de empunhá-la, então pode me ordenar que o faça.”
E enquanto falavam sobre tais coisas... a sobrancelha de Zagan se ergueu abruptamente.
A barreira de Kianoides foi ativada? — A barreira que ele havia preparado para o caso de uma batalha ocorrer na cidade, a fim de restaurar qualquer dano causado aos edifícios, havia sido ativada automaticamente. Ele a havia configurado para reagir mesmo se Nephy ou Foll lutassem também, então...
Zagan levantou-se de um salto enquanto tais pensamentos lhe vinham à mente.
“Conversaremos depois. Parece que algo aconteceu perto de Nephy e Foll.”
E enquanto ele mantinha uma expressão bastante grave no rosto, Nephy e Foll retornaram em segurança apenas um momento depois.
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“O que aconteceu?” Depois de observar os rostos de Nephy e Foll ao retornarem, a expressão de Zagan tornou-se ainda mais sombria. Por ora, as duas não pareciam estar feridas. Graças ao círculo mágico que ele havia estabelecido em Kianoides ter sido ativado, nenhuma de suas roupas mostrava sinais de estar rasgada ou suja, tampouco. Ambas eram do tipo que não demonstrava muita emoção no rosto, então, à primeira vista, pareciam normais.
Minha barreira não consegue curar ferimentos de seres vivos, afinal.
Como Zagan se especializava em feitiçaria que fortalecia seu próprio corpo físico, ele não conseguia fazer a barreira curar ferimentos de outras pessoas. Ultimamente, o número de pessoas que ele precisava proteger havia aumentado repentinamente, então ele estava seriamente considerando estudar e corrigir essa fraqueza sua.
No entanto, mesmo sem ferimentos, a forma como Foll não largava a mão de Nephy e a maneira como as orelhas de Nephy estavam abatidas de maneira exausta deixavam claro que algo havia acontecido. E enquanto Zagan as encarava fixamente, aguardando sua resposta, a primeira a abrir a boca foi Foll.
“Zagan, sabe...” No entanto, quando ela tentou dizer algo, Nephy apertou firmemente sua mão. “...Não é nada.”
Parecia que Nephy não queria falar sobre isso... ou melhor, ela não queria que ninguém ouvisse a respeito.
Acho que, por enquanto, vou procurar o culpado mais tarde e estrangulá-lo até a morte.
Havia testemunhas na cidade, então não seria tão difícil seguir seus rastros. No entanto, isso era algo que ele poderia fazer depois. Agora, havia algo que ele precisava fazer primeiro. Zagan começou agachando-se diante de Foll, alinhando sua linha de visão com a dela.
“Foll, você está bem?” Zagan acreditava que algo havia acontecido com ela. E ao perguntar isso, Foll respondeu com um pequeno aceno de cabeça.
“...Eu... estou... bem,” disse Foll, olhando para Nephy com um olhar preocupado. E então, Zagan gentilmente afagou a cabeça de Foll.
“Que bom. Raphael começou a fazer os preparativos para o jantar na cozinha. Diga a ele para lhe trazer um pouco de suco. Você merece.”
Dizendo isso, Zagan olhou na direção de Raphael, e o velho mordomo percebeu o que Zagan queria dizer e assentiu.
“Então venha comigo, Foll. Tomei posse de algumas frutas frescas. Eu as reduzirei a detritos esmagados exatamente como você malditamente desejar.”
Ele não pode simplesmente dizer normalmente ‘vou fazer aquele suco que você gosta para você’...?
O mordomo exibiu um sorriso diabólico, como se estivesse prestes a destruir uma cidade inteira, o que fez Zagan engolir seu suspiro. Ainda assim, Foll já havia se acostumado com isso.
“Mmm...” Depois de soltar relutantemente a mão de Nephy, Foll seguiu Raphael até a cozinha e saiu. Esperando até que não pudesse mais ver suas costas, Zagan ergueu o olhar para Nephy, ainda agachado.
“Ah... Hum, como posso dizer... Se for agora, parece que ninguém vai ouvi-la além de mim...” Zagan deixou seu olhar vagar de maneira desajeitada enquanto murmurava isso, e Nephy baixou os olhos.
“Minhas... desculpas...” Nephy pediu desculpas, mesmo não havendo necessidade para isso.
Então isso realmente é difícil de falar, hein?
Se era algo que ela não queria nem mesmo contar a Zagan, então, no mínimo, devia ter sido algo chocante, o que apenas o fazia se preocupar ainda mais. No entanto, ele sabia que tentar arrancar a informação dela à força seria uma péssima ideia.
Mas então, o que ele poderia fazer? Nephy era uma pessoa bastante reservada por natureza, e Zagan também era ruim em conversas. Até hoje, ele ainda não havia transmitido as palavras ‘eu te amo’ a ela. Como ambos eram assim, eles haviam aprendido a perceber o que o outro queria dizer por meio de gestos e mudanças de expressão, e ainda assim, Zagan era completamente incapaz de perceber o que havia acontecido. Ainda assim, Zagan não era um Arquidemônio de mente tão fraca a ponto de recuar só porque não conseguia entender.
Se ela não está disposta a compartilhar, então eu simplesmente ficarei em silêncio e a confortarei até que ela esteja!
Certa vez, quando ele estava se sentindo para baixo, Nephy havia deixado que ele usasse seu colo como travesseiro. E, por algum motivo, isso fez seu coração se sentir em paz. Aquilo certamente era o que significava ‘ser confortado’. Ao pensar até esse ponto, Zagan balançou a cabeça em negação.
Acalme-se. Quero dizer, como exatamente eu deveria oferecer meu colo como travesseiro nessa situação?! — Além disso, só porque ele havia ficado feliz por Nephy ter feito isso, não significava que fazer o mesmo por ela resultaria no mesmo efeito.
Zagan pensou nisso desesperadamente. E enquanto observava Zagan fazer isso, Nephy murmurou em uma voz sussurrada.
“Hum, Mestre Zagan, a verdade é que...”
Entendo. Eu só preciso criar uma situação em que seja aceitável para ela ter um travesseiro de colo, não é?! — Zagan teve uma revelação de uma grande ideia e não percebeu que Nephy havia começado a dizer algo.
“Ouça-me, Nephy, relaxe o corpo.”
“Hã, ah, sim.” Mesmo com suas orelhas tremendo em confusão, Nephy fez o que lhe foi dito e relaxou os ombros. E depois de confirmar isso, Zagan tomou Nephy e a levantou em seus braços. Ele estava realizando um ‘carregamento de princesa’, ao que parecia.
“H-Hã? Hum, huuuh?” Nephy soltou uma voz confusa enquanto suas orelhas pontudas ficavam vermelho-vivas. E, com a ansiedade de seus pés não tocarem mais o chão, Nephy abraçou reflexivamente o pescoço de Zagan. Dois volumes podiam ser identificados mesmo através do avental e do vestido de peça única enquanto ela se pressionava indefesa contra ele.
Ela é macia, ou melhor, leve... Mais importante, o que é esse cheiro agradável?!
Zagan involuntariamente jogou a cabeça para trás e quase caiu, mas, mesmo assim, começou a andar rapidamente com Nephy ainda em seus braços como se não fosse nada.
“Ugh, ohhh...”
Nephy estava soltando sons incoerentes, mas Zagan já havia perdido completamente o senso em sua mente devido ao choque e era incapaz de responder a ela.
Por ora, Zagan tinha consciência de que havia cometido algum tipo de erro, mas ele estava comprometido demais para desistir tão cedo.
♱
Ao que tudo indicava, o local para onde Zagan se dirigiu foi o arquivo. Em comparação com a sala do trono, ali era mais apertado e aconchegante.
Como era difícil de ser visto do lado de fora, provavelmente seria eficaz para acalmar o estado de espírito de alguém. Embora fosse um pouco tarde, Zagan percebeu que o arquivo era um lugar conveniente para ficarem a sós.
Talvez por ter perdido completamente a razão devido ao choque, Nephy simplesmente permaneceu como estava e deixou que Zagan fizesse o que quisesse.
...Não, na verdade, ela podia estar completamente atordoada. Seus olhos se moviam de um lado para o outro de forma inquieta, e ela se agarrava ao pescoço de Zagan o tempo todo.
Ah, mas aqui ela não pode usar meu colo como travesseiro.
Além de o arquivo já estar além de sua capacidade máxima de livros, Zagan, e até mesmo Foll, faziam uso frequente do local, então os tomos estavam empilhados pelo chão. Não era tão ruim assim, mas realmente não havia espaço para alguém se deitar.
Depois de se preocupar um pouco com isso, Zagan sentou-se ali mesmo, ainda carregando Nephy. Como feiticeiro, Zagan não sentia fadiga alguma por carregar uma garota leve como ela. Ainda assim, em vez de permanecer em pé, ele achou que Nephy se sentiria mais aliviada se ele estivesse sentado...
Infelizmente, um silêncio desconfortável dominava todo o ambiente.
Após algum tempo, Nephy o questionou com uma voz extremamente confusa.
“H-Hum, Mestre Zagan, exatamente o que é isto...?”
Eu também não sei! — Mesmo sendo ele quem deveria estar confortando Nephy, já não sabia mais o que fazer. E, como se estivesse disfarçando sua inquietação, um leve toque ecoou a partir do calcanhar de Zagan.
Os livros que ele havia começado a ler, deixados sobre uma mesa, flutuaram sozinhos e voaram para baixo diante de Zagan.
“Ainda falta tempo para o jantar... Vou continuar lendo.”
E assim, ele acabou criando um espaço extremamente incompreensível, no qual lia enquanto a garota que amava estava sentada em seu colo. Ainda assim, curiosamente, ele não sentiu nenhum sinal de que Nephy estivesse descontente com aquilo.
Pouco depois, Nephy pareceu incapaz de suportar mais seu constrangimento e começou a se mexer com pequenos movimentos, mas como Zagan a mantinha envolta em seus braços, com um livro aberto à frente, ela não conseguia sair de seu colo.
Não demorou muito para que, talvez tendo se resignado ao seu destino, Nephy ajustasse levemente sua postura sobre o colo de Zagan. E então, sem se virar para olhar para ele, começou a murmurar como se estivesse falando consigo mesma.
“Hm, Mestre Zagan, sobre o que eu estava tentando dizer antes...”
“...O que tem isso?”
Por mais que pensasse a respeito, Nephy estava tentando iniciar uma conversa séria. Mas aquela configuração atual era realmente a maneira correta de ouvi-la? Ele não tinha certeza, mas também sentia que não seria bom deixar Nephy sair de seu colo imediatamente.
Apenas acenar em resposta já exigia todo o esforço de Zagan enquanto ele se angustiava com tais pensamentos. E, independentemente de saber ou não do estado mental de seu senhor, Nephy retirou um único pedaço de papelaria de seu bolso.
“Em Kianoides, certa pessoa me entregou isto.”
Então esse é o culpado que perturbou Nephy?!
A quantidade de informações que podia ser obtida de uma carta não se limitava apenas ao seu conteúdo simples. Ao analisar a caligrafia, era possível investigar quem era a pessoa em questão. Pela qualidade do papel e pelo formato da papelaria, era possível descobrir onde tais produtos circulavam e até onde eram obtidos. Além disso, o simples ato de segurar um instrumento de escrita com a mão fazia com que a pessoa em questão não tivesse escolha a não ser tocar diretamente a carta. E, ao fazê-lo, deixaria, sem exceção, um vestígio de mana nela.
Em outras palavras, Zagan não teria dificuldade alguma em encontrar o culpado com apenas um único pedaço de papelaria. Deslocando o olhar para o papel que consistia em apenas uma página, Zagan estreitou os olhos.
“Um convite para um baile noturno... O quê?” Além disso, o remetente era o Arquidemônio Bifrons.
Bifrons... Esse é o próximo Arquidemônio mais jovem, não é?
Até Zagan se tornar um Arquidemônio, aquele feiticeiro era o mais jovem da história a alcançar tal feito. E tudo indicava que esse Arquidemônio Bifrons era o responsável por ter se intrometido com Nephy. Enquanto Zagan lutava para conter sua fúria violenta diante desse fato, Nephy inclinou levemente a cabeça para o lado.
“Um baile noturno... é isso?”
“Entendo. Você ainda não sabe sobre esse tipo de coisa, não é, Nephy? É algo como uma reunião social entre feiticeiros.”
Ele até achava que a imagem de feiticeiros, que supostamente só tinham suas próprias pesquisas na cabeça, e uma reunião social não combinavam, mas isso não poderia estar mais distante da verdade.
“Pesquisa custa dinheiro. E também é possível que o conhecimento que você deseja monopolizar acabe sendo tomado por outro feiticeiro. Então, encontros como esse são o lugar perfeito para feiticeiros se encontrarem e barganharem.”
“E Mestre Zagan, você foi convidado para algo assim?”
“Bem, não saberei a menos que dê uma olhada dentro.”
Pensando nisso como um convite escrito vindo de um Arquidemônio, ele suspeitou que houvesse algum tipo de armadilha ali, mas acabou constatando que não havia sinal algum de feitiçaria lançada sobre a papelaria. Provavelmente não havia perigo em abri-la, então.
E quando Zagan bateu novamente o calcanhar, a gaveta da mesa se abriu, e uma faca que repousava dentro, com uma bainha ornamental elaborada, flutuou em direção a eles. A faca então pairou no ar de forma instável e pousou nas mãos de Nephy.
“Abra e dê uma olhada para mim.”
“Tudo bem.”
Talvez já tivesse se acostumado com a situação... ou melhor, talvez algo dentro dela tivesse ficado entorpecido, Nephy respondeu com sua voz monótona de sempre e rompeu o lacre da papelaria com a faca. Depois disso, um único cartão caiu de dentro.
“Leia em voz alta para mim.” Zagan achou que não haveria problema em ele mesmo ler a carta, mas supôs que fazê-la falar poderia aliviar seu estado de espírito.
...Bem, ele também realmente queria ouvir a voz de Nephy novamente.
Nephy apenas assentiu, como se não tivesse dúvida alguma quanto a isso.
“Tudo bem. ‘Caro Arquidemônio Zagan, com o propósito de aprofundar meu relacionamento com você, meu novo camarada, pensei em realizar um baile noturno. P.S.’... Hã?” E então, a voz de Nephy se interrompeu. Zagan então a questionou com a voz mais gentil que conseguiu.
“O que está... escrito aí?”
“...‘P.S., gostaria de convidar todos os residentes envolvidos de seu castelo. Arquidemônio Zagan, Senhorita Elfa Branca Nephelia, Senhorita Aparição Valefor, ex-Arcanjo Lorde Raphael Hyurandell e também, a bela ex-criada, a Donzela da Espada Sagrada, Senhorita Chastille Lillqvist.’”
Até mesmo Zagan deixou escapar um gemido ao ouvir isso.
O que significa que eles vêm nos monitorando há bastante tempo, não é?
Eles sabiam que Chastille havia sido uma criada no castelo mesmo que isso tenha durado apenas alguns dias, e ainda tinham conhecimento da verdadeira identidade de Foll. No mínimo, fazia sentido supor que esse Arquidemônio os mantinha sob vigilância havia mais de um mês.
Nephy então continuou com a voz trêmula.
“‘De modo algum deixem de comparecer os cinco indivíduos mencionados acima. Aguardo uma resposta favorável. Arquidemônio Bifrons.’” E com esse nome, assim como o horário e o local do baile, a carta-convite chegou ao fim.
Os treze Arquidemônios, hein? — Quando ele confrontou os Arquidemônios pela primeira vez, Zagan sentiu medo. Não querendo deixar Nephy em um lugar onde ela se envolveria com tais monstros, ele até tentou mantê-la afastada de si.
Era uma lembrança de uma derrota vergonhosa e miserável. Ainda assim, Zagan bufou enquanto erguia a voz.
“Que convite provocativo.”
Ao ouvi-lo erguer a voz de maneira animada, Nephy virou a cabeça em surpresa. E quando Zagan finalmente pôde ver seu rosto, percebeu que suas orelhas haviam afrouxado, como se ela estivesse abalada.
“Mestre Zagan, você pretende ir?”
Zagan inclinou a cabeça para o lado.
“Um Arquidemônio se deu ao trabalho de enviar um convite pessoal. Não há motivo para não atender, não acha?”
De qualquer forma, são oponentes que eu terei de esmagar eventualmente. — Qual seria exatamente a diferença de poder entre os outros Arquidemônios e Zagan? Essa certamente era uma boa oportunidade para ele averiguar isso. Acima de tudo, havia a necessidade de Zagan ensinar-lhes adequadamente o quão pouco vantajoso era fazer dele um inimigo.
A razão pela qual ele realizava festivais de sangue contra quaisquer intrusos ignorantes era exatamente essa, então, mesmo que seu oponente fosse um Arquidemônio, isso não mudaria. Pelo contrário, precisamente por serem Arquidemônios, ele precisava deixar isso claro, ou então esse tipo de incidente simplesmente se repetiria.
Ao ouvir isso, Nephy arregalou os olhos e abriu a boca para falar de maneira hesitante.
“Eu estou bem ciente de que é impertinente da minha parte dizer isto, mas... você não acha... que isso é algo como uma armadilha?”
“Hã...? Não é obviamente uma armadilha?”
Zagan preferiria que alguém lhe dissesse se houvesse qualquer outra possibilidade. O fato de Zagan prezar por Nephy mais do que pela própria vida já era algo que os outros Arquidemônios sabiam. Além disso, ir ao ponto de usar o pior método de provocação ao atacar Nephy, e então enviar uma carta-convite, era como educadamente informar: ‘Armamos uma armadilha, mas não fuja, está bem?’
“E-Então...” As orelhas de Nephy tremularam, como se ela não conseguisse esconder sua confusão.
Entendo. Ela acabou de passar por uma experiência terrível, então isso deve ser assustador para ela.
Zagan tentou sorrir para tranquilizar Nephy, mas estava ciente de que seu sorriso parecia maligno. Ele queria acariciar sua cabeça, mas isso parecia uma forma estranha de confortá-la, e ambas as mãos de Zagan já estavam ocupadas de qualquer forma. Nephy já estava sentada em seu colo, então ele também não podia usar os pés para encorajá-la.
Então, como exatamente eu devo acalmar o coração dela? — Em momentos assim, Zagan sabia muito bem que não conseguia dizer as palavras apropriadas. Dito isso, como ela já estava em seu colo, ele sentia que nem mesmo abraçá-la surtiria muito efeito.
E nos meros segundos em que os pensamentos de Zagan estavam em completo caos, ele chegou à conclusão de que a parte de seu corpo que tinha liberdade de movimento e estava mais próxima de Nephy era sua cabeça.
Agora que penso nisso, deve existir uma maneira de confortar alguém esfregando a testa contra a dela!
De tempos em tempos, Zagan via Nephy e Foll conversando dessa maneira. Foll elevava a voz como se fizesse cócegas, mas exibia uma expressão satisfeita. Não havia como errar. E assim—
“Eeek?”
Zagan pressionou o rosto contra a bochecha de Nephy. Embora ela fosse bastante esguia, havia uma sensação inesperadamente macia. Era sedosa, semelhante a açúcar em pó, e ele podia sentir que a temperatura dela estava consideravelmente elevada.
E com uma sequência de tapas secos, as orelhas de Nephy se agitaram violentamente e atingiram repetidamente o rosto de Zagan devido à sua inquietação.
Ah, droga, isso está definitivamente errado! — Embora ele tivesse tentado tocá-la com a testa, como estava abraçando-a por trás, acabou esfregando a bochecha nela. Pensando com mais cuidado, percebeu que estava apenas roçando sua bochecha contra a dela.
Se isso acontecesse de repente, qualquer um ficaria desnorteado. No entanto, mesmo sabendo que tinha sido um erro, já era tarde demais para voltar atrás. Depois de pigarrear ao limpar a garganta com uma tosse, Zagan começou a falar.
“Seja um Arquidemônio, ou seja uma armadilha, é uma pessoa que fez você fazer essa cara. Não dá para deixar isso passar sem dar um bom soco nela.”
“O-Ooh...” As orelhas trêmulas de Nephy se esticaram com um movimento rápido, como se tivessem ficado rígidas. Ele acabou dizendo aquilo como se estivesse enganando-a, mas esse era realmente o único ponto que o próprio Zagan não podia deixar passar.
Pouco depois, talvez por ter perdido as forças, as orelhas de Nephy caíram.
“...Mestre Zagan, o senhor já percebeu tudo, não é?”
“Isso mesmo... é o que eu gostaria de dizer, mas não é como se eu soubesse o que realmente aconteceu. No máximo, o que posso dizer é que você está se sentindo para baixo, Nephy.”
Ele queria saber exatamente o que tinha acontecido, mas também não queria forçá-la a falar contra a própria vontade.
Se é algo que a deixou tão abatida, então teria que ser algo como um encontro com um sobrevivente de sua cidade natal, hein?
No entanto, Nephy já havia contado esse segredo a Zagan. Ela certamente ficaria abalada, mas não o suficiente para ficar tão em silêncio.
Então, é outra coisa? — O que exatamente poderia ser isso não era algo que Zagan conseguia imaginar. Enquanto permanecia em silêncio, esperando que ela continuasse, Nephy acabou abrindo a boca timidamente para falar.
“Minhas desculpas, Mestre Zagan. No momento, eu ainda não sei... como falar sobre isso.”
“Entendo. Então fale quando for capaz.”
“...Sim.” — Uma única palavra dita com hesitação. Ainda assim, sua voz deixava claro que a sombra que pairava sobre ela havia diminuído consideravelmente. E então, sem se virar para olhar Zagan, Nephy lhe fez uma pergunta de forma hesitante.
“Um, Mestre Zagan.”
“O que foi?”
“Isso é... um... O senhor estava... me confortando... eu me pergunto?”
“Não parece que eu estava?”
Não tem como parecer, né?! — Até o próprio Zagan sabia disso. Ainda assim, ele não conseguia pensar em nenhum outro método.
Então, Nephy sorriu como se tivesse entendido todos os sentimentos de Zagan.
“Muito obrigada. Eu me sinto... muito mais tranquila agora.”
“Entendo.”
Graças a Deus Nephy é uma garota tão compreensiva... — Ele pensou isso do fundo do coração.
Depois disso, Nephy começou a se remexer no colo de Zagan.
“Mas... um... o senhor poderia... por favor... me colocar no chão... agora? Um... é... embaraçoso...”
Mesmo tendo perdido a compostura, a situação atual era estranha de várias maneiras. Não havia como Nephy não ficar envergonhada. Afinal, até mesmo Zagan estava.
Ou melhor, deveria estar, mas...
De alguma forma, tenho um pressentimento de que eu deveria apertar um pouco mais o cerco sobre ela, pensou Zagan, fingindo ignorância enquanto fingia continuar a leitura.
“Parece que ainda vai levar algum tempo até podermos comer. Vou continuar lendo.”
“...Mestre Zagan, isso é maldade.”
Mesmo soltando palavras que soavam como uma repreensão, Nephy não tentou escapar.
Bem, Nephy trabalha um pouco demais às vezes, então isso está bem. — Deixá-la descansar de vez em quando, mesmo que ele tivesse que empregar métodos tão cruéis, certamente fazia parte de seu papel.
Depois disso, Nephy lançou um olhar casual para a espada que estava de pé em um canto dos arquivos. Era a Espada Sagrada Metatron, que havia sido confiada a Zagan por Raphael. Por causa da confusão que aconteceu na cidade, Zagan perdeu a chance de devolvê-la. Ela nem sequer estava dentro de uma bainha. E, enquanto encarava aquela Espada Sagrada, Nephy murmurou algo como se estivesse falando consigo mesma.
“Me...ta...tron...? Será que esse é o nome da espada?”
“Sim, é a Espada Sagrada de Raphael. Já está na hora de eu devolvê-la para...?” O rosto de Zagan se enrijeceu enquanto ele falava, antes de continuar: “Nephy... agora há pouco... o que você disse?”
O nome de uma Espada Sagrada aparentemente era um segredo rigidamente guardado.
Raphael só havia dito aquilo uma única vez, e Zagan e Foll nunca haviam falado sobre isso desde então. Não havia como Nephy saber o nome da Espada Sagrada.
“Hã...? Um, o senhor está falando daquelas letras?”
E, dessa vez, os olhos de Zagan se arregalaram.
“Nephy, você consegue ler as letras na Espada Sagrada?”
E, com um aceno de cabeça, Nephy confirmou.
“Sim. Eu não entendo muito bem o significado da palavra, mas eu sei como pronunciá-las...”
Zagan falhou em sua tentativa de confortar Nephy, mas graças a isso, ele obteve uma pista enorme.
♱
“Você foi convidado para o baile noturno de um Arquidemônio?!”
No dia seguinte, no início da tarde, o amigo indesejável de Zagan, Barbatos, exclamou isso em voz alta. Como sempre, ele tinha um rosto de aparência doentia, com olheiras profundas, e bagunçava o cabelo preto despenteado enquanto demonstrava surpresa.
Eles estavam atualmente na sala do trono, mas sentavam-se no centro da área, um degrau abaixo do palco do próprio trono. Além disso, havia uma pequena mesa preparada com lugares suficientes para quatro pessoas, e Zagan, Barbatos, Nephy e Foll estavam reunidos ao redor dela.
Várias variedades de doces e chá estavam dispostas sobre a mesa.
No entanto, menos da metade do que inicialmente era uma montanha de doces havia sobrado. Isso porque Foll estava enfiando um por um na boca.
E enquanto conversavam, Zagan deu um gole em sua xícara de chá e, por conta própria, Nephy pegou o bule.
“Mestre Zagan, gostaria de mais chá?”
“Bem, deixo isso com você.” Sua xícara já estava praticamente vazia. E depois de Zagan dar um último gole para esvaziá-la, ele assentiu. Nephy inclinou alegremente o bule diante disso, o que fez Zagan se sentir bastante sereno.
Parece que os assuntos de ontem não estão se arrastando, hein?
Quando ela voltou ao castelo, estava terrivelmente abatida, mas pela manhã, tinha sua expressão alegre de sempre... Bem, não era exatamente uma expressão, mas suas orelhas estavam eretas, como se estivesse de bom humor.
Depois que Nephy colocou o bule de volta, Zagan pegou a xícara e começou apreciando a fragrância.
“Hm, um bom aroma. Vejo que o chá de hoje está ainda mais delicioso.”
“Seu elogio me traz a maior das alegrias, Mestre Zagan.”
Parecia que o humor dele tinha melhorado, já que a fragrância do chá estava mais marcante do que o normal. E, enquanto Zagan correspondia isso com um sorriso, Barbatos levantou a voz de maneira repreensiva.
“...Sabe, mesmo eu estando todo surpreso aqui, por que diabos vocês estão todos só bebendo chá como se não fosse nada?”
“Cale a boca, Barbatos. Por que eu deveria reagir a cada vez que um bastardo como você se surpreende com alguma coisa?”
“Olha, tudo bem não me mostrar nenhuma hospitalidade, mas você não pode ao menos me tratar como um ser humano?”
Enquanto coçava a cabeça como se aquilo fosse apenas cansativo, Zagan devolveu a xícara ao pires.
“Então, com o que exatamente você está tão surpreso?” — Perguntou Zagan em resposta, o que fez Barbatos murmurar algumas palavras com uma expressão espantada no rosto.
“Bem, sabe, quando você diz baile noturno... é aquilo, certo? Um baile noturno de feiticeiros, certo?”
“O convite é de um rei entre os feiticeiros, então o que mais poderia ser?”
Um baile noturno também poderia normalmente significar um evento da alta sociedade entre nobres.
Não era como se ele não entendesse o desejo de confirmar isso, mas, desde que fosse organizado por um feiticeiro, era difícil pensar em qualquer possibilidade que não fosse um baile noturno de feiticeiros. Algo como um baile de nobres não tinha significado algum para feiticeiros, já que eles nem sequer teriam interesse nisso.
Então, Barbatos balançou a cabeça, sua expressão parecendo irritada com a falta de compreensão de Zagan.
“Quero dizer, um Arquidemônio realmente faria um baile noturno...?”
Sim, esse fato também deixava Zagan confuso.
Se um Arquidemônio quer algo, tudo o que ele precisa fazer é ordenar que seja assim. Arquidemônios eram arrogantes e poderosos, o ápice absoluto dos feiticeiros. Como um baile noturno era um lugar para feiticeiros trocarem conhecimento e bens, ele também era uma reunião dos fracos. Por que um Arquidemônio apareceria, quanto mais o organizaria?
Bem, deve estar sendo realizado para montar uma armadilha, eu suponho.
Barbatos então soltou um bufar.
“Bom, essa é uma história bem suspeita, hein? Deixe este homem sábio lhe dar um aviso: há uma chance de oitenta a noventa por cento de que seja uma armadilha. Tome cuidado.”
“Longe de oitenta por cento, eu diria. É obviamente cem por cento, não é? Que diabos você está dizendo?” Zagan fez uma expressão exasperada, e Barbatos ficou sem palavras.
Talvez por ter achado Barbatos digno de pena, em uma virada incomum, Foll falou algumas palavras de consolo para ele.
“Zagan, o faz-tudo não é muito inteligente. É melhor dizer de um jeito mais gentil.”
“Bem, suponho que isso seja verdade. Foi mal, Barbatos. Falei de forma dura demais.”
“Droga, não tirem sarro de mim, seus desgraçados! E além disso, quem diabos é faz-tudo, sua pirralha?!”
Enquanto Barbatos começava a se exaltar, Foll fez uma cara descontente e puxou o prato de doces para si.
“Um feiticeiro de baixo nível que vem aqui só por causa dos lanches da Nephy não deveria agir de forma tão importante. Além disso, quando se trata de idade, eu vivi três vezes mais do que você, faz-tudo.”
“Digo o mesmo para você, pirralha. Por que você está sendo tão condescendente?”
“Barbatos, você é quem deveria cuidar da sua maldita boca. Chamar minha filha de pirralha é mais do que motivo suficiente para eu te matar, sabia?”
Enquanto Zagan o afastava friamente, Barbatos abaixou a cabeça como se estivesse com dor de cabeça.
“Como eu posso dizer isso, Zagan... Você não está mimando ela um pouco demais?”
“O quê...? Como exatamente eu estou mimando ela?”
“Que diabos você está dizendo?! Ela está comendo doces sentada no seu colo mesmo com um convidado aqui!”
Com um “hmm”, Zagan olhou para baixo, para o próprio colo. Foll estava sentada no colo de Zagan durante toda a conversa com Barbatos. E, ao encará-la, Foll se recostou completamente, colando as costas em Zagan, e inclinou a cabeça para o lado como se perguntasse, de forma manhosa, ‘Não posso?’. É claro que não havia como ela não poder. E Zagan fez uma declaração como se não tivesse a menor dúvida a respeito disso.
“Você é o bastardo que invadiu enquanto eu estava aproveitando um chá. Eu não entendo por que eu afastaria minha filha só para ouvir suas besteiras...”
Em primeiro lugar, Zagan nunca considerou Barbatos um convidado. Desde que Foll se tornou oficialmente sua filha adotiva, havia se tornado uma rotina diária para eles tomarem um lanche juntos assim depois do almoço. Esse era o horário do dia em que Zagan interrompia suas pesquisas para que pudessem aproveitar um tempo de qualidade juntos.
Na noite passada, o fato de Zagan ter colocado Nephy em seu colo e não tê-la deixado sair acabou vazando para Foll, e seguindo esse fluxo, a jovem garota estava sentada em seu colo hoje.
“...Não, já chega disso.”
E, enquanto as sombras ao redor de seus olhos ficavam ainda mais profundas, Barbatos soltou um suspiro.
“Então o quê, você está planejando aceitar o convite daquele Arquidemônio?”
“Eles enviaram um convite bastante ridículo, afinal. Eu não sou tão leniente a ponto de simplesmente ignorá-lo”, disse Zagan, lançando um olhar carrancudo para Barbatos o tempo todo.
Então, ele continuou: “E então? Não é como se você tivesse vindo aqui só para latir reclamações tão inúteis, certo?”
E, ao ir direto ao ponto, Barbatos formou um sorriso largo.
“Kehehe, escuta, aquela elfa ali foi atacada por um feiticeiro em Kianoides ontem, então pensei que talvez você quisesse alguma informação...”
“...Urgh.” Zagan percebeu que sua raiva estava estampada em seu rosto.
Eu não sei quem diabos foi isso, mas vou fazê-lo se arrepender de ter nascido, mesmo que leve centenas de anos!
Ele não achava possível que fosse o Arquidemônio que lhe enviou o convite, mas mesmo que fosse, Zagan não hesitaria. E então Zagan abriu um sorriso enquanto seus olhos ficavam injetados de sangue.
“Fale. Se a informação for benéfica para mim, eu entregarei a recompensa que você quiser.”
“Oh, agora estamos falando... Hã, eeek?” Barbatos soltou um grito enquanto recuava.
Ao olhar em volta, Zagan percebeu que Foll havia implantado vários círculos mágicos e estava prestes a lançar um ataque. Então, ele gentilmente afagou a cabeça de Foll para acalmá-la.
“Pronto, pronto. Eu sei que você não gosta do rosto desse cara, mas não vá simplesmente matá-lo de repente.”
“O que há de errado com o meu rosto?”
Depois que Zagan a repreendeu, Foll desfez seus círculos mágicos por enquanto, mas ainda assim rosnava para Barbatos de forma ameaçadora. Era incomum ver Foll tão agressiva assim, então Zagan cruzou os braços e pensou profundamente sobre o assunto.
Assim como ontem com Nephy, ela não quer que eu ouça... É isso que significa?
Ele então lançou um olhar para Nephy, que não estava tendo uma reação tão extrema quanto no dia anterior, mas dava para perceber que ela estava apertando com força a saia sob a mesa. Parecia que ela precisava de um pouco mais de tempo antes de conseguir abrir seu coração sobre aquilo.
Nephy podia estar fazendo isso por ter sido a primeira a perceber a reação de Foll, ou talvez houvesse outro motivo específico para isso. De qualquer forma, era a opinião sincera de Zagan que ele queria respeitar a vontade de sua filha. E assim, cedendo, Zagan mais uma vez acariciou a cabeça de Foll.
“...Entendi. Eu vou esperar até que Nephy fale sobre isso, então não fique tão brava.”
Foll ergueu o olhar e o encarou com surpresa quando ele lhe informou sua decisão.
Nephy também o encarou com surpresa por um único instante, mas então desviou o olhar timidamente para baixo. Certamente não era apenas imaginação de Zagan que suas orelhas tremiam com um pequeno movimento feliz.
Foll então murmurou, como se achasse aquilo estranho.
“Zagan, você realmente consegue ler mentes, afinal?”
“Quem sabe.”
Zagan disse, dando de ombros, e então falou com Barbatos, dizendo: “É assim que é. Eu não preciso da sua informação desta vez.”
“...Isso está realmente bem? Tenho certeza de que você vai se arrepender se não levar isso a sério.”
“Como se eu me importasse.”
Ainda assim, parecia que Barbatos não estava fazendo isso apenas para procurar uma recompensa.
Algo ruim pode acabar acontecendo, hein...?
Mesmo assim, Zagan disse que esperaria. Nesse caso, ele não investigaria mais a fundo. Ele mostraria que podia proteger tudo, independentemente do que acontecesse. Essa era a figura de um Arquidemônio em que Zagan acreditava.
Ainda assim, Barbatos insistiu, como se dissesse que já não havia mais como voltar atrás.
“Não, mas veja bem...”
“Zagan, o faz-tudo parece ter a língua solta. É melhor acabar logo com ele.”
“Sua pirralha, você não valoriza a vida humana?!”
Olha quem fala… — Este era o mesmo homem que havia se aproveitado do caos causado pela morte do Arquidemônio Marchosias para sequestrar jovens mulheres para rituais de sacrifício. Tratar a vida como algo precioso depois de tudo aquilo soava extremamente hipócrita.
Deixando isso de lado, restava apenas um doce sobre a mesa. Zagan foi informado de que o nome dele era macaron. Era um doce que tinha uma textura crocante como a de um biscoito, mas continha creme em seu interior. Apresentava uma variedade de cores externas, conferindo-lhe uma aparência vibrante, mas, mais do que isso, sua doçura rica combinava muito bem com chá, sendo um dos doces de que Zagan gostava bastante. Ao ver a mão da jovem parar de alcançar os doces, Zagan inclinou a cabeça para o lado.
“Foll, ainda tem mais um, sabia?”
“Esse é do Zagan.”
Provavelmente ela queria comer todos sozinha, mas ainda assim deixou apenas o último de lado. Foll encarava o macaron com relutância. Sentindo-se estranhamente encantado com aquilo, Zagan pegou o último doce e deu uma mordida.
“Mmm... Os doces de hoje estão certamente um nível acima do normal, não estão?”
Foll então assentiu com a cabeça, enquanto suas tranças verdes balançavam.
“A Nephy... parecia estar de bom humor desde a manhã. Provavelmente é... graças a isso.”
“F-Foll!”
“Sentar no seu colo é gostoso, mas acho que não é só isso. Zagan, você fez mais alguma coisa?”
“Hã...? Não, não sei bem do que você está falando.”
A única coisa que lhe vinha à mente era o fato de tê-la colocado em seu colo e a deixado envergonhada. Aquilo tinha falhado de todas as formas possíveis, no entanto...
Zagan então lançou um olhar para observar a reação de Nephy e percebeu que sua boca se abria e fechava repetidamente, enquanto ambas as mãos vagavam pelo ar. Parecia que ela havia perdido a compostura devido ao constrangimento.
Nossa... que fofa!
Pela reação dela, dava para perceber que o comentário de Foll tinha acertado em cheio.
Não sei o que teve um efeito tão grande, mas imagino que seja por isso que ela colocou tanto empenho em preparar os doces e o chá... — E essa garota, que se esforçava tanto em coisas tão triviais, era insuportavelmente adorável.
Foll então saltou do colo de Zagan.
“Já está na hora de devolver o colo do Zagan para a Nephy.”
“Não é como se eu quisesse sentar de novo no colo do Mestre Zagan, sabia?”
Nephy inflou as bochechas, e Zagan bateu visivelmente no próprio colo, chamando-a.
“Você não quer?”
“...Mestre Zagan, isso é maldade.” Nephy mostrou sinais de hesitação por apenas um instante, mas imediatamente se lembrou de que Barbatos estava ali. Após se erguer um pouco da cadeira, ela balançou a cabeça.
Se Barbatos não estivesse ali, ela talvez realmente tivesse se sentado em seu colo. Não, certamente teria. Havia momentos em que ele cometia um crime de consciência ao falhar miseravelmente tanto em suas palavras quanto em sua conduta, mas mesmo quando Zagan fazia exigências exageradas e irracionais, Nephy sempre dava o seu melhor para corresponder às expectativas dele no final.
Ah, droga, será que esse maldito Barbatos não pode simplesmente ir embora...? — Se aquele homem não estivesse aqui, Zagan poderia ver mais uma vez Nephy sofrendo com a sensação de conforto em cima de seu colo. E, enquanto Zagan encarava Barbatos com um olhar cheio de sede de sangue por algum motivo, ele enfiou o último pedaço de macaron na boca e se levantou.
“Pois bem, tenho coisas a resolver. Já está na hora de irmos, Nephy.”
“Tudo bem.” Como se estivesse aliviada, mas de alguma forma decepcionada, as pontas das orelhas de Nephy tremeram enquanto ela se levantava. Na verdade, ele queria insistir até que Nephy perdesse a paciência e se sentasse em seu colo, mas infelizmente, Zagan tinha planos para o dia.
Barbatos franziu as sobrancelhas diante de suas palavras.
“Então o quê, você vai fazer os preparativos para o baile noturno ou algo assim?”
“Algo desse tipo.”
Enquanto Barbatos fazia uma cara confusa, Zagan tirou a carta de convite para o baile noturno.
“O convite diz para levar a Chastille junto também.”
Não havia necessidade específica de obedecer isso com uma honestidade tola, mas o oponente era um Arquidemônio. Mesmo que Zagan não a levasse, era provável que ela fosse forçada a participar do baile noturno contra a própria vontade.
Aquela garota é desajeitada até nos melhores momentos, afinal...
Se ele ao menos não conversasse com ela antes, já conseguia imaginá-la à beira das lágrimas diante de um Arquidemônio. Honestamente, ele sentia que não tinha um motivo real para se preocupar tanto com ela, mas no fim das contas, toda essa situação era culpa dele. Ignorá-la completamente lhe deixaria um gosto amargo na boca. Além disso, havia também o fato de que ela era amiga de Nephy, e Zagan não a odiava particularmente. Foi por isso que ele planejava ir vê-la junto com Nephy. Ao ouvir o nome de Chastille, Barbatos fez uma expressão cansada.
“Falando nisso, por quanto tempo eu ainda tenho que ficar de olho naquela mulher?”
Em resposta a isso, Zagan encarou Barbatos com surpresa.
Ah, agora que penso nisso, eu nunca dei um prazo para ele, dei? — Cerca de um mês atrás, a vida de Chastille estava sendo ameaçada por alguém dentro da igreja. Naquela ocasião, Zagan ordenou que Barbatos a protegesse ao longo dos acontecimentos. Um mês inteiro havia se passado desde então, mas parecia que aquele homem havia continuado fielmente a proteger Chastille. Depois de pensar um pouco, Zagan inclinou a cabeça para o lado com uma expressão calma.
“Eu disse que haveria um limite de tempo?”
“Ugh... Droga, achei que você estava sendo generoso demais. Isso é um golpe, droga, um golpe de verdade.” Gemendo, Barbatos então se lembrou repentinamente de algo e continuou falando. “Aliás, por que ela foi convidada, afinal?”
“Todos os residentes do meu castelo, incluindo aqueles que serviram temporariamente, foram convidados. Eles provavelmente planejaram chamar todos os envolvidos comigo.”
Depois que Zagan respondeu isso, por algum motivo, Barbatos sorriu de forma diabólica enquanto passava a mão pelo cabelo despenteado.
“Haaah... Entendo. Bom, ter um Arquidemônio mostrando respeito por mim não é uma sensação tão ruim assim, eu acho. Se é assim, eu vou junto com vocês também.”
“O quê...? Seu nome não estava escrito lá.”
“Espera, sério? Por quê?”
“Como se eu me importasse.”
E, dessa vez, Barbatos caiu no choro.
Esse cara é um verdadeiro pé no saco.
No entanto, mesmo desanimado, Barbatos continuou arrogante.
“Não, espera só um segundo... Se todos vocês idiotas foram convidados para o baile noturno, isso não quer dizer que este castelo e o Palácio do Arquidemônio vão ficar vazios?”
Palácio do Arquidemônio era o nome do castelo do Arquidemônio Marchosias. Sua administração era basicamente deixada a cargo de Raphael e Foll, e embora Foll retornasse sempre na hora das refeições, ela passava o dia lá investigando. Hoje também, enquanto Zagan e Nephy iam visitar a cidade, Foll planejava ir em direção ao Palácio do Arquidemônio.
Zagan então assentiu como se não fosse nada demais.
“Bem, é assim que é.”
“Isso não é meio descuidado da sua parte? Enquanto você estiver fora, por que não deixa o velhinho aqui dar só uma olhadinha lá dentro?”
“Zagan, como eu pensei, é melhor mesmo acabar logo com isso”, declarou Foll friamente.
E, com uma veia saltando na testa de raiva, Barbatos retrucou.
“Sua maldita pirralha... Erk, mas quem decide é o Zagan. E então, cara?”
“Vejamos... eu realmente não me importo.”
Foll lançou um olhar de reprovação para Zagan ao ouvir suas palavras.
“Zagan, você está mimando demais o faz-tudo. Esse cara pretende roubar o Palácio do Arquidemônio.”
“Não há com o que se preocupar. Eu fiz com que, se um forasteiro tentar levar qualquer coisa para fora, ele sofra uma punição adequada.”
“Uma punição adequada...?” Foll inclinou a cabeça para o lado, intrigada, mas Barbatos gemeu enquanto se opunha veementemente às palavras dele.
“Seu desgraçado, então isso realmente foi obra sua?! Eu quase morri da última vez que tentei tirar um grimório escondido!”
“...Hã? Então isso não te matou...”
“Por que você está tão decepcionado?”
Aquilo foi criado para que, se qualquer coisa fosse removida do Palácio do Arquidemônio sem o consentimento de Zagan, uma feitiçaria fosse ativada, capaz até de matar um candidato a Arquidemônio.
Já que esse cara não morreu, será que eu deveria aumentar um pouco a armadilha?
Como era de se esperar, parecia que ele havia falhado em roubar um grimório, mas aquele homem certamente não aprenderia nada e tentaria novamente. Nesse caso, a armadilha atual não tinha significado algum. Foll então pareceu assustada com algo, e Zagan mais uma vez deu um tapinha em sua cabeça.
“Não se preocupe, eu fiz com que não reagisse a você nem ao Raphael.”
“Zagan, tão habilidoso.”
Ao ouvir a voz de admiração da jovem, Zagan inclinou a cabeça para o lado.
“Não é normal fazer pelo menos isso?”
Se ao menos não distinguisse contra quem aquilo ativava, então todos os subordinados ou familiares acabariam sendo pegos. No entanto, Barbatos concordou com Foll.
“Não tem como isso ser normal, né? Já é difícil o suficiente fazer a feitiçaria distinguir você de qualquer outra pessoa, droga.”
“Nesse caso, a Nephy e a Foll seriam pegas também.”
“Você acha que existe algum feiticeiro por aí que se importaria com esse tipo de coisa?”
Agora que ele mencionou isso, a maioria dos feiticeiros só pensava em si mesmos. Certamente era verdade que não havia necessidade de uma feitiçaria tão seletiva quanto a seus alvos.
Não tem como eu permitir que minha própria feitiçaria machuque a Nephy… — A primeira coisa que ele fez depois que Nephy chegou ao castelo foi modificar todas as armadilhas. Naquela época, ele não pensou muito profundamente sobre isso, mas agora, olhando para trás, nunca tinha visto aquele tipo de feitiçaria em lugar algum. Parecia que aquilo também era uma criação original de Zagan.
Zagan então soltou um bufar com um “hmph”.
“Não foi tão trabalhoso assim. Além disso, eu não posso me chamar de Arquidemônio sem ser capaz de fazer algo desse nível, certo?”
“Sim, sim...” Barbatos se levantou de seu assento com uma expressão desconcertada enquanto dizia isso. Em seguida, ele usou feitiçaria para espalhar uma sombra aos seus pés e começou a afundar nela, mas bem no final, de repente murmurou algo, como se aquilo tivesse acabado de lhe ocorrer.
“Ops, é verdade. Deixa eu confirmar só por via das dúvidas, mas está realmente tudo bem eu não falar nada?”
Quando Zagan estava prestes a repreendê-lo, percebeu que Barbatos não estava olhando para ele, mas para Nephy. Nephy mostrou leves sinais de hesitação, mas ainda assim, imediatamente assentiu com a cabeça.
“Haaah... Que desperdício de esforço. Que idiota.” E, enquanto se xingava, Barbatos desapareceu na sombra e foi embora.
Depois de vê-lo partir, Nephy pressionou firmemente o peito com as mãos.
“O Lorde Barbatos... também é gentil de certa forma, não é?”
“Hã? Não estávamos discutindo agora há pouco se devíamos matá-lo ou não?”
“Mestre Zagan, o Lorde Barbatos é um amigo... certo?” Nephy murmurou, como se não estivesse muito confiante nisso, e Zagan inclinou a cabeça para o lado, como se a reação dela fosse totalmente inesperada.
“Não? Eu não sinto isso a respeito dele...”
“É-É mesmo...”
Mesmo um pouco surpresa, as orelhas de Nephy caíram e se agitaram de uma forma levemente satisfeita.
Barbatos era irritante, mas Zagan ficou satisfeito em ver Nephy de bom humor.
Traduzido por Moonlight Valley
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