O Grimório Proibido de Dorothy Novel — Capítulo 199: CAPÍTULO 199 - Conexão

O Grimório Proibido de Dorothy Novel
Cap. 199
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O Grimório Proibido de Dorothy Novel

CAPÍTULO 199 - Conexão

Capítulo 199

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Dentro da tenda, Kapak franziu ligeiramente a testa ao ver o aparecimento repentino de palavras no final em branco do livro ilustrado. Embora não entendesse o significado da palavra, sentiu que ela não pertencia ali.

Todo o resto do texto no livro ilustrado estava em preto, parecendo organizado e padronizado, como se tivesse sido impresso. No entanto, essa palavra estava em azul, e suas letras não eram tão uniformes quanto o resto, sugerindo que havia sido escrita à mão.

"Uma palavra escrita separadamente na página em branco? Será que tem algum significado especial? O que significa?"

Fitando a palavra no papel, Kapak ponderou sobre isso. Então, ele remexeu em seu baú de madeira por um tempo e pegou um pequeno caderno cheio de anotações.

O caderno continha uma lista de palavras, cada uma acompanhada por agrupamentos de outros símbolos, como se fossem selos, servindo como traduções.

Kapak já havia sido escravo em uma cidade fundada pelos invasores do outro lado do mar. Para que ele entendesse as tarefas que precisava realizar, os donos da fábrica contrataram pessoas para ensinar a esses escravos estrangeiros o vocabulário básico. Embora isso fosse para facilitar sua exploração, Kapak levou o aprendizado a sério e até manteve anotações detalhadas. Este caderno em suas mãos era o mesmo que ele havia trazido de volta consigo.

Um lado do caderno continha palavras fonéticas escritas em letras – o que os invasores chamavam de Pritt Comum – enquanto o outro lado tinha os símbolos semelhantes a selos conhecidos como Glifo Espiritual, uma linguagem escrita compartilhada por muitas tribos em todo o continente.

A terra natal de Kapak era vasta e lar de inúmeras tribos, cada uma com línguas e costumes distintos. No entanto, sua linguagem escrita era a mesma. Segundo os sacerdotes de sua tribo, há muito tempo, todas as tribos desta terra estiveram unidas sob um grande rei. Naquela época, guerreiros que lutaram sob o poder divino do rei até lançaram expedições às terras do outro lado do mar.

Mas quando o rei pereceu na guerra, inúmeros desastres ocorreram, destruindo a unidade das tribos. Ao longo de incontáveis anos, o grande legado do rei desapareceu, deixando para trás apenas essa linguagem escrita. Mesmo assim, agora era conhecida apenas por alguns poucos, principalmente sacerdotes. Kapak, tendo servido como assistente de um sacerdote em sua juventude, havia aprendido esse sistema de escrita.

Neste momento, Kapak segurava um simples livro de referência de vocabulário, comparando o Glifo Espiritual com o Pritt Comum. Ele folheou suas páginas, tentando encontrar o significado da palavra escrita na página em branco, mas depois de procurar por um longo tempo, não encontrou nada.

O livro de vocabulário de Kapak continha apenas um número limitado de palavras – principalmente aquelas de que ele precisava como escravo, como "trabalhar", "comer", "continuar trabalhando", "carregar isso", "cavar carvão", "não é permitido descanso", "trabalhar a noite toda" e "trabalhar o dia todo".

Finalmente, após muita procura, ele encontrou uma palavra em seu caderno que se assemelhava muito àquela na página em branco – apenas algumas letras estavam faltando. Com base na tradução para Glifo Espiritual ao lado dela, Kapak entendeu seu significado.

Significava "ignorante", "idiota" ou "tolo" – um insulto comumente usado pelos donos de fábrica. Tendo sido chamado assim com frequência, Kapak se certificou de aprender como era escrito e pronunciado. Quando ele matou o dono da fábrica, gritou essa mesma palavra para seu cadáver dez vezes na frente de todos os trabalhadores, que então se juntaram a ele para amaldiçoar o homem morto.

"Oh... então significa 'ignorante', hein? Só faltam algumas letras. Fora isso, parece quase idêntico. Hmm... o dono deste livro deve ter cometido um erro e deixado de fora algumas letras."

Satisfeito com suas descobertas, Kapak concluiu que a palavra no livro ilustrado significava "ignorante" ou "tolo" – só que com algumas letras faltando.

"Perfeito. Posso usar esta oportunidade para corrigi-la e reforçar minha memória. Dessa forma, não terei que consultar meu caderno na próxima vez que a vir."

Com isso em mente, o diligente Kapak decidiu corrigir a palavra mal escrita. Ele remexeu em seu baú de madeira novamente, puxando um frasco de tinta e uma caneta-tinteiro. Depois de encher a caneta com tinta, colocou o livro ilustrado no chão e começou a escrever – seu tempo na cidade lhe deu prática no uso de uma caneta-tinteiro.

Abaixo da palavra original, Kapak escreveu o que ele acreditava ser a versão correta. Abaixo disso, ele também escreveu seu equivalente em Glifo Espiritual. Satisfeito com seu trabalho, ele assentiu.

Mas então, algo surpreendente aconteceu. As palavras que ele acabara de escrever – tanto a palavra em Pritt Comum quanto o Glifo Espiritual – afundaram no papel branco e desapareceram.

Os olhos de Kapak se arregalaram em choque enquanto ele olhava para a cena diante dele.

Reino de Pritt, Costa Leste da Ilha Principal, Tivian, Universidade da Coroa Real, Campus do Rei.

Dentro do banheiro da biblioteca, Dorothy olhou perplexa para as palavras que haviam surgido em seu Livro de Registro do Mar Literário. Ela não reconheceu os estranhos símbolos semelhantes a selos, mas reconheceu as palavras em Pritt Comum.

"Ignorante? Tolo?"

"Por que alguém está me insultando? Eu enviei conhecimento, e essa é a resposta que recebo? O que isso significa?!"

Irritada, Dorothy franziu a testa para o livro. Em Pritt Comum, a palavra para "conhecimento" era a mesma que a palavra para "sabedoria". Adicionar mais algumas letras a ela a transformaria em "ignorância", tornando-se um insulto.

"A pessoa conectada ao Livro de Registro do Mar Literário – quem quer que seja – enviou de volta alguns símbolos incompreensíveis e a palavra em Pritt Comum para 'ignorante'. O que isso significa?"

Enquanto estudava as palavras, Dorothy teve uma percepção e consultou seu sistema.

"Sistema, verifique se eu ganhei algum novo conhecimento de idiomas."

"Resposta: Uma nova palavra em Glifo Espiritual detectada – 'ignorante'."

Ouvindo isso, Dorothy assentiu em compreensão.

"Como eu pensava, esses símbolos estranhos pertencem a um novo idioma, e correspondem à palavra em Pritt Comum para 'ignorante'. Isso significa que quem quer que esteja conectado ao Livro de Registro do Mar Literário é alguém que conhece esse idioma – talvez até um estudioso dele."

"Talvez este estudioso estivesse apenas usando seu livro vinculado para anotações brutas, e eu por acaso o vi. Isso é ótimo!"

Percebendo que a pessoa do outro lado tinha conhecimento de um novo idioma, os olhos de Dorothy brilharam. Ela pegou sua caneta de sua caixa mágica e escreveu uma nova palavra em Pritt Comum na página do Livro de Registro.

"Oração."

Enquanto a palavra afundava lentamente no papel, Dorothy observou atentamente.

Através do Livro de Registro do Mar Literário, seu sistema poderia estender sua capacidade de detectar orações anônimas. Contanto que ela permanecesse conectada através do livro, ela seria capaz de sentir quaisquer orações do outro lado.

Claro, se a pessoa do outro lado iria ou não orar subconscientemente depois de ver a palavra era incerto. Caso contrário, ela simplesmente se comunicaria mais com eles e os guiaria gradualmente para isso.

De volta à tenda, Kapak, ainda atordoado pelo desaparecimento das palavras que havia escrito, imediatamente agarrou seu machado de batalha próximo.

"O que está acontecendo?! Por que minha escrita desapareceu? O que está acontecendo? Espíritos malignos? Feitiçaria? Ou algo mais completamente diferente?!"

Com os nervos à flor da pele, ele considerou levar o livro ao sacerdote para inspeção. Mas assim que ele estava debatendo isso, novas palavras apareceram repentinamente na página.

"As palavras desapareceram agora há pouco... e agora novas apareceram do nada. E é aquela escrita com letras de novo... O que esta significa?"

Curioso, Kapak se inclinou para mais perto para examinar a nova palavra. Incapaz de entendê-la, ele pegou seu livro de tradução e procurou por ele. Depois de folhear várias páginas, ele encontrou a palavra correspondente.

Era "oração". Os homens brancos – tanto trabalhadores quanto donos de fábrica – davam grande importância a isso. Sempre que tinham tempo, iam às suas igrejas e oravam ao seu deus. Por ser tão comum, Kapak havia memorizado a palavra.

"Oração... Para quem eu devo orar? Para este livro? Será possível... que um espírito poderoso habite nele?"

Murmurando em sua própria língua, Kapak lembrou os rituais de orar aos Espíritos Selvagens. Tendo testemunhado objetos habitados por espíritos guardiões antes, ele de repente sentiu um senso de reverência. Por um momento, ele realmente acreditou que este livro continha um espírito poderoso – afinal, apenas objetos habitados por almas possuíam sabedoria.

Independentemente de ser um espírito maligno ou um espírito guardião, a tradição tribal ditava que ele deveria ser adorado.

Naquele exato momento, do outro lado distante, o sistema de Dorothy finalmente respondeu.

Ela imediatamente consumiu a espiritualidade da Revelação, estabelecendo um canal de informação com Kapak.

N/T: Fica pulando entre este espírito e aquele espírito, sei lá. Vou manter como está.

Fim da leitura

Capítulo 199 concluído

CAPÍTULO 199 - Conexão