PassionBem-vindo
Capítulo 6Jeong Tae-ui o seguiu imediatamente, mas logo depois ficou em silêncio, surpreso.
O quinto subsolo diante deles era um longo corredor coberto por um carpete branco.
O lugar era tão silencioso que não se ouvia sequer o som de uma pegada, e também era completamente diferente do prédio velho e malconservado que havia acima.
Jeong Tae-ui jamais imaginaria que houvesse um espaço tão limpo e sofisticado no subsolo daquela velha construção abandonada.
— O que achou? Surpreso?
Tou sorriu abertamente, como se aquela não fosse a primeira vez que via alguém reagir daquela maneira.
— Você deve ter imaginado um porão úmido, infestado de insetos e coberto de teias de aranhas, não é?
Embora não tivesse imaginado algo tão assustador, não estava completamente errado.
— Será que este andar tem BOQ?
nota: Bachelor Officer Quarters (BOQ) : Alojamento militar individual para oficiais solteiros.
Jeong Tae-ui se perguntou em silêncio, impressionado, enquanto seguia Tou, que caminhava a passos largos pelo longo corredor. Tou virou a cabeça para olhá-lo e sorriu, como se já soubesse que ele faria aquela pergunta.
— Você era militar? De qual unidade?
— ...
— Sem comentários hein? Tudo bem. Todo mundo tem coisas que não quer contar. Aqui chamamos de quartos internos, não de BOQ. São três pessoas por quarto. Mas os lugares para trabalhar e estudar ficam no andar de baixo. Há uma academia, uma biblioteca e uma sala multiuso. Basicamente, a área de entretenimento fica lá. Se quiser brincar, ler ou assistir a filmes no seu tempo livre, pode descer.
— Quero largar minha 'carga' primeiro.
Tou provavelmente achou graça ao ouvir Jeong Tae-ui dizer aquilo enquanto ajeitava no ombro a pesada mochila Boston.
— É mesmo? Então deixe que eu carregue. Primeiro de tudo, temos que criar laços com os outros companheiros, não? No futuro, vamos compartilhar a vida e a morte uns com os outros. Não deveríamos conversar primeiro?
— ....
— Depois das cinco da tarde é tempo livre, então agora cada um está fazendo o que quer. Mas provavelmente a maioria está reunida na sala de treinamento.
Jeong Tae-ui queria conhecer as pessoas que morreriam junto com ele depois de deixar a mochila no quarto e se instalar, mas continuou caminhando em silêncio atrás de Tou, que seguia à sua frente com a bolsa no ombro. Talvez aquela fosse a rotina normal para alguém que acabou de chegar.
Mas havia pelo menos um ponto reconfortante: com exceção dos nove superiores, todos os outros eram colegas em pé de igualdade.
Talvez ele fosse novo, mas, a princípio, se novatos e veteranos estivessem no mesmo nível, seria muito mais fácil se relacionar. Além disso, por mais que parecesse uma piada, aparentemente não havia problema em matar uma ou duas pessoas.
...Embora fosse muito mais provável que ele fosse a pessoa a morrer do que o assassino.
Talvez precisasse ficar mais atento dali em diante.
Mesmo quando estava na escola de oficiais, seu desempenho nos treinamentos e na adaptação prática não era nem muito bom nem muito ruim. Ele sempre ficava na média.
A menos que tivesse certeza de que conseguiria derrotar todos os inimigos que aparecessem, o melhor seria viver tranquilamente e aguentar em silêncio durante os seis meses.
Ao virar a esquina do corredor, viu a biblioteca e a sala multiuso.
Havia também uma máquina de bebidas no canto. De vez em quando, passava por alguém, mas ninguém prestava atenção nele. Apenas lançavam um breve olhar, como se percebessem que era um rosto desconhecido, e depois voltavam a ignorá-lo.
— Pensei que a filial da Ásia tivesse apenas asiáticos, mas aparentemente não é bem assim.
Depois que um homem ocidental passou por ele, Jeong Tae-ui comentou. Tou virou a cabeça para olhá-lo.
— Não importa qual seja a filial, há pessoas de várias raças. Filial asiática significa que ela fica na Ásia, não que aceita apenas asiáticos. Mas, comparada à sede ou a outras filiais, há mais asiáticos aqui. Eu também sou meio asiático.
Tou disse isso ao chegar diante da sala de treinamento.
A porta de ferro, duas vezes maior que uma porta comum, se abriu, revelando um espaço mais amplo do que qualquer academia que Jeong Tae-ui já tivesse visto.
Na verdade, as instalações não eram muito diferentes das do exército, exceto por alguns equipamentos de treinamento que pareciam mais perigosos e chamativos.
Dentro da academia, havia cerca de quarenta ou cinquenta pessoas treinando individualmente.
Entre elas, algumas estavam sentadas em grupos de três ou quatro, conversando; outras estavam deitadas de costas, dormindo; e a maioria das demais estava concentrada nos exercícios, como se quisesse levar sua força física ao limite.
— Você disse que este é o tempo livre, mas tem tanta gente aqui. Eles realmente se esforçam.
— Se não quiser morrer cedo, é melhor aumentar seu treinamento físico antes do mês que vem. Vamos ver... faltam apenas duas semanas. Se os europeus caírem nas minhas mãos, aqueles caras certamente vão morrer.
Tou cerrou os punhos com determinação, olhou ao redor da sala e então se dirigiu ao local onde seis homens estavam reunidos.
Mesmo estando juntos, ainda havia uma distância razoável entre eles, mas era o suficiente para perceber que formavam um grupo separado.
Jeong Tae-ui assentiu em silêncio.
Talvez fossem da mesma equipe. E, como esperado, Tou estava indo até eles.
Quando perceberam que duas pessoas se aproximavam, todos pararam de treinar ou de conversar e olharam para os dois. Mais precisamente, olharam para o rosto desconhecido de Jeong Tae-ui.
— Tou saiu e esqueceu o maço de cigarros?
— Pois é. Depois que começa a fumar, como aquele cara consegue esquecer três cigarros de uma vez?
O olhar do homem que sorria enquanto falava parou sobre Jeong Tae-ui. Não apenas ele, mas também os outros homens próximos voltaram olhares curiosos para Tae-ui.
— Ele é um novato. O instrutor Jeong me pediu para trazê-lo até aqui e apresentá-lo a todos, então eu trouxe. É o novo membro da nossa equipe.
Enquanto Tou dizia algumas palavras para eles, Jeong Tae-ui apenas observava o ambiente ao redor com indiferença.
As idades das pessoas ali variavam dos vinte aos trinta e poucos anos. O que parecia ser o mais jovem, no canto, parecia ter pouco mais de vinte anos. Já o homem que fazia abdominais por perto devia estar quase chegando aos quarenta. A maioria parecia estar no fim dos vinte ou no começo dos trinta.
Um homem de trinta anos não conseguiria competir em força física com um jovem de vinte capaz de quebrar o chifre de um búfalo, mas, em uma luta, além da força física, a técnica também era igualmente importante. Portanto, a idade não era um problema.
Como Tou havia dito, metade deles era asiática; os demais eram brancos e negros. No geral, era difícil dizer qual grupo predominava, mas, pelo menos entre as pessoas dali, parecia haver mais negros do que brancos. Além disso, à primeira vista, muitas pessoas pareciam ter ascendência mista.
Todos pareciam não querer morrer, então aproveitavam qualquer tempo livre para se exercitar.
Ele ficaria ali apenas seis meses. Mesmo que houvesse alguém de quem gostasse e com quem quisesse criar algum tipo de relação, seria difícil fazer isso. Seria melhor viver tranquilamente daquele jeito e depois ir embora.
— Hm, Taeil? Você tem uns vinte... vinte e cinco anos?
Um dos homens sentados sobre uma pilha de colchões encostada na parede pulou e se aproximou dele. Atrás de Jeong Tae-ui, os outros homens soltaram risadinhas depois da breve apresentação feita por Tou.
Jeong Tae-ui olhou para o homem que se aproximava. Seus ouvidos se aguçaram, atentos aos sons e à atmosfera ao redor.
Não era nada de mais. Não eram risadas ou olhares curiosos. Havia hostilidade e zombaria, mas também uma espécie de animação diante de algo novo. Afinal, era impossível perder a empatia por alguém da noite para o dia.
O homem de postura ereta e sorriso discreto observou Jeong Tae-ui em silêncio. Era muito mais alto do que um asiático comum. Pensando melhor, Tae-ui não sabia dizer se ele era mestiço ou não... Parecia ser o líder daquele grupo.
Jeong Tae-ui sorriu amargamente por dentro. Independentemente do lugar, sociedades formadas por homens sempre tinham algumas coisas em comum. Eles inevitavelmente encontravam um líder entre si, mesmo sendo apenas colegas.
É claro que não seriam nomeados abertamente como capitães de equipe, mas, se analisasse a fundo, qualquer grupo tinha alguém que liderava e alguém que seguia. Mesmo que todos fossem considerados iguais, sempre haveria pessoas que aceitavam e seguiam obedientemente o líder que haviam reconhecido silenciosamente entre si.
Jeong Tae-ui não sabia se aquilo era da natureza humana e não apenas dos homens, mas, como homem comum, não tinha como saber como a sociedade entre mulheres se dividia. E também não tinha interesse algum em descobrir.
— E você?
Jeong Tae-ui sorriu e ergueu o queixo para olhar para o homem. Ele apontou para si mesmo e deu de ombros.
— Eu? Carlo Sagisawa. Daqui a sete meses, faço trinta anos. O que mais você quer saber?
— Hum, é por minha causa que você precisa aquecer os pulsos?
O homem chamado Carlo caiu na gargalhada. Tae-ui não sabia se era apenas um hábito ou uma ameaça, mas, ao se aproximar dele, Carlo flexionou os dedos e soltou lentamente as articulações dos tornozelos, depois abriu os braços novamente, preparando-se para começar.
— Não, não. Só vou fazer um pouco de exercício. Qual é o problema? Está com medo? Você não parece muito assustado, não é?
— É que eu não sou do tipo que demonstra reações.
Quando Jeong Tae-ui murmurou aquilo, Carlo riu novamente.
Embora parecesse uma piada, até certo ponto também era verdade. Ele já tinha ouvido dizer que o interior de uma pessoa podia ser diferente do exterior. E, agora que pensava profundamente naquela frase, estava começando a se sentir um pouco desconfortável.
O pulso que Carlo girava era quase do tamanho de uma tampa de panela, talvez fosse um pouco de exagero, mas, em resumo, era muito grande. Os músculos que saltavam de seus braços pareciam tão duros quanto aço. As pernas, dentro da calça de boxe, não eram menos impressionantes. Como poderia se sentir confortável enquanto aquele corpo musculoso se aproximava cada vez mais?
— Tudo bem, então provavelmente você é um sujeito agressivo com a alma de um gatinho, certo? Ei, eu vou só me aquecer um pouco. Não vai me ajudar?
Aqueles músculos e aquele corpo forte não diziam tudo, mas, de qualquer forma, Jeong Tae-ui não queria ter que enfrentar aquele homem. Se a proporção fosse de cem para um, ele certamente tinha todos os cem pontos de desvantagem. Desde o início, não confiava em sua força. Mesmo que fosse uma disputa pela posição de alfa entre feras, ele não tinha a menor intenção de ficar acima daquele homem.
Mas, embora Jeong Tae-ui quisesse recusar, não teve tempo de fazê-lo.
Assim que terminou de falar, Carlo se aproximou de Jeong Tae-ui e segurou seu pulso com uma mão e seu ombro com a outra. Ao mesmo tempo, enganchou a perna de Tae-ui por trás, fazendo-o perder o equilíbrio por um instante.
O campo de visão de Jeong Tae-ui deu um giro de 180°, aproximando-se do teto e depois se afastando novamente. Em seguida, um forte impacto percorreu suas costas.
Embora tivesse tentado, por reflexo, amortecer a queda o máximo possível, ainda não conseguiu impedir a dor aguda que se espalhou pelo peito por um instante.
Bem à sua frente, Carlo franzia a testa enquanto ria alto.
— O que é isso? Tou disse que você era soldado. Por que é tão fraco? Assim, como é que vai lutar direito? Se recomponha
Gargalhadas e assobios ecoaram de todos os lados.
Jeong Tae-ui lançou um olhar para o homem de nome ocidental. Ele estava longe de ter a aparência típica de um mestiço; tinha traços orientais, com algumas características da Europa Ocidental.
Embora Carlo tivesse mandado que se levantasse, não se afastou. Continuou segurando os ombros e os braços de Jeong Tae-ui, com os joelhos pressionados contra suas coxas para impedi-lo de se mover. Tae-ui estava completamente imobilizado.
Usando métodos comuns e a força de uma pessoa normal, seria impossível escapar daquele aperto, a menos que dominasse técnicas avançadas ou fosse tão forte quanto o King Kong. Isso significava que as pessoas daquela organização eram absurdamente fortes.
— Você quer que eu me levante?
— Isso mesmo. Se for capaz.
— Tudo bem. Posso usar qualquer meio?
Jeong Tae-ui perguntou enquanto levantava a perna direita, a única que conseguia mover naquele momento. Dobrou o joelho e acertou com força a parte inferior do corpo de Carlo.
— Ah!
Não foi apenas Carlo que gritou. Os homens que estavam de pé e conversando ao redor também ficaram sem palavras, com o suor surgindo em seus rostos, e soltaram um grito ao mesmo tempo.
O silêncio que durou por um breve instante foi rompido por gritos altos.
— Que desgraçado mais desprezível!
— Covarde...!
Enquanto a vítima permanecia caída no chão, incapaz de se mover, os homens atrás dele gritaram e correram na direção de Jeong Tae-ui, que rapidamente se livrou dos braços de Carlo e se levantou.
Jeong Tae-ui bufou.
— Eu só estava me defendendo. Onde está a covardia nisso?
Parecendo inspirado por aquelas palavras, um homem que estava sentado ao lado de Carlo pulou da almofada. Ele arregaçou as mangas. Era mais baixo que Jeong Tae-ui, mas seu corpo era sólido e pesado como uma rocha.
Depois de passar por uma provação, vinha outra.
Será que esse homem era subordinado daquele líder?
Pelo visto, ele estava sendo recebido calorosamente naquele dia. Com certeza teria que subir ao pódio e receber uma homenagem.
Nota: subir ao pódio é uma Expressão figurada para alcançar o destaque máximo ou receber grande reconhecimento.
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