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Passion — Capítulo 9: A pessoa que todos conhecem

Passion
Cap. 9por Lunaris scan
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Passion

A pessoa que todos conhecem

Capítulo 9

Lunaris scan2.410 palavras~10 min de leitura

Jeong Tae-ui conseguia imaginar, mais ou menos, a situação. Pelo visto, havia um homem da filial europeia que era inimigo de todos os que estavam sentados ali. O problema, era que esse homem não seria fácil de enfrentar nem de derrotar.

— A propósito, todos os que aquele “desgraçado” atacou são membros dessa equipe?

Jeong Tae-ui perguntou, curioso. Pelo que parecia, os 96 membros seriam divididos em seis equipes de dezesseis pessoas, cada uma sob a responsabilidade de um dos seis oficiais instrutores.

Hmm... Ele tinha ouvido dizer que, lá em cima, havia facções disputando a vaga de governador. Antes mesmo de começarem a falar da filial europeia, eles já estavam divididos em dois grupos de três.

— Então, agora todos têm um inimigo em comum. Só temos mais quinze dias antes de nos enfrentarmos, então precisamos nos unir e lidar primeiro com esse inimigo, certo?

— Não é bem assim. Aquele cara sabe de que lado cada membro está, então escolhe seus alvos de acordo com isso. Esse desgraçado simplesmente pegou alguns dos nossos e se divertiu com o que aconteceu depois!

Alta começou a falar calmamente, mas terminou aos berros, tomado pela raiva.

Incomodado com aquela atmosfera, Jeong Tae-ui se inclinou discretamente para o lado oposto, tentando se afastar. Mas, para piorar, o homem sentado ao seu lado também explodiu de frustração.

— Afinal, como um maluco daqueles conseguiu entrar na UNHRDO?! Pelo que me lembro, tive que passar duas horas seguidas fazendo um teste de personalidade!

— Eu também.

— Eu também!

Todos começaram a reclamar em voz alta. Eram profissionais altamente qualificados da UNHRDO, que tinham enfrentado todo tipo de teste e uma concorrência intensa para conseguir entrar ali. Também haviam superado muitos outros candidatos igualmente talentosos que não se encaixavam nos critérios de aparência, personalidade e mentalidade.

Quanto a Jeong Tae-ui, ele não precisou fazer teste algum. Ainda assim, só pôde engolir as palavras que quase deixou escapar.

Segundo seu tio, ele também tinha curiosidade de saber os resultados dos testes de personalidade de pessoas que já tinham “quebrado alguns ossos e levado um ou dois tiros”. Mas, provavelmente, não era disso que estavam falando naquele momento.

— Mas... todo mundo aqui já não tinha usado armas antes de entrar? É possível que alguns malucos como ele acabem entrando.

Jeong Tae-ui não fazia ideia de quem era aquele maluco.

No entanto, as palavras de alguém neutro como ele não foram suficientes para convencê-los. O homem ao seu lado passou o braço pelos ombros de Jeong Tae-ui, num gesto surpreendentemente afetuoso, e falou em tom brando:

— Você está enganado. É verdade que todos aqui entraram depois de já terem lidado com espadas e armas de fogo. Mas nossa maneira de pensar é completamente diferente da daquele maluco.

Se você apontasse uma arma para alguém sem nenhum motivo para odiá-lo, conseguiria puxar o gatilho imediatamente, sem hesitar? Nós, em geral, não conseguiríamos. Mesmo que fosse um inimigo mortal, ainda hesitaríamos antes de ferir alguém.

Ele fez uma pausa antes de continuar:

— Mas aquele desgraçado é diferente. Ele mata sem hesitar.

Jeong Tae-ui ficou em silêncio.

Aquelas palavras claramente não eram um exagero. O homem sentado ao seu lado falava com uma expressão séria.

Por um instante, Jeong Tae-ui sentiu um arrepio percorrer a espinha. O olhar sério e o tom grave do homem pareciam retratar um monstro diante dele. Um monstro disfarçado de ser humano.

— Pelo visto, se eu me aproximar desse homem nos próximos seis meses, não vai acabar bem para mim.

Jeong Tae-ui não sabia que tipo de pessoa ele era, mas parecia melhor continuar sem saber.

— Bem... Pelo visto, não é só esta equipe. Todas as outras equipes da filial asiática também guardam rancor daquele desgraçado. Se ficarmos só entre nós, não deve haver problema.

Jeong Tae-ui não queria se envolver num assunto que o deixava desconfortável. Felizmente, parecia que os outros também pensavam assim. Todos ainda estavam tensos, mas logo mudaram de assunto.

Jeong Tae-ui suspirou baixinho enquanto mastigava o último pedaço de fruta seca. O sujeito que se ofereceu para buscar a carne seca ainda não tinha voltado. Se continuassem ali daquele jeito, ele teria que passar a noite inteira esperando pela carne. Mesmo depois que os petiscos acabaram, eles ainda pareciam dispostos a continuar bebendo.

O que deveria fazer? Sentado entre aqueles homens, bebendo e ouvindo fofocas, ele estava se divertindo. Mas descansar naquele momento seria ainda melhor. Ainda assim, aquelas pessoas pareciam não ter a menor intenção de deixá-lo ir dormir tão cedo.

Todos pareciam bastante à vontade.

Cada um tinha uma personalidade diferente, então Jeong Tae-ui ainda não sabia se iria se dar bem com todos eles. Mesmo assim, pelo menos não desgostava do ambiente daquele grupo. Se nada de especial acontecesse, provavelmente passaria seis meses agradáveis ali e depois iria embora. Quem sabe até fizesse dois ou três amigos próximos.

Fora isso, porém, Jeong Tae-ui não gostava muito daquele lugar. Comer, beber e se divertir de vez em quando era bom, mas, se aquilo se prolongasse demais, ficaria cansativo. Além disso, naquele momento, ele só queria descansar em algum lugar tranquilo.

Enquanto ainda pensava no que fazer, viu Tou se levantar de uma cadeira um pouco distante, segurando um maço de cigarros. Pelo visto, estava prestes a sair para fumar.

— Quero ir ao banheiro, Tou. Me mostra onde fica.

Jeong Tae-ui pousou o copo e se levantou. Tou apenas assentiu, sem demonstrar muito interesse.

— Tou, você só pode levar três cigarros!

— Cuidado para não se perder no caminho do banheiro!

Jeong Tae-ui seguiu Tou, deixando para trás as brincadeiras dos outros.

Tou tinha saído para fumar, mas encontrou o tio de Jeong Tae-ui e acabou sem poder acender o cigarro. Por isso, levou Tae-ui consigo. Tirou um cigarro do maço, colocou-o entre os lábios e começou a caminhar, com o cigarro ainda apagado na boca.

— É proibido fumar aqui?

— É. Existe uma sala própria para fumantes, mas não fica neste andar. Teria que descer, mas prefiro subir e respirar um pouco de ar fresco lá fora. O banheiro fica por ali...

Tou dobrou a esquina no fim do corredor e apontou para um trecho mais adiante. No entanto, Jeong Tae-ui nem sequer olhou na direção indicada. Em vez disso, seguiu Tou por trás e passou o braço ao redor de seu pescoço.

— Já vi onde fica o banheiro, mas o que quero conhecer é o banheiro do quarto onde vou ficar. Vai ser um pouco inconveniente para você, mas seria ótimo se pudesse descer comigo e me mostrar o caminho.

Com uma expressão que deixava claro que o estrangularia caso tentasse protestar ou gritar, Jeong Tae-ui apertou ligeiramente o braço e se aproximou do ouvido de Tou para sussurrar.

Ao perceber que, naquele momento, não era muito diferente dos membros da filial europeia, que capturavam e ameaçavam os outros daquela maneira, Jeong Tae-ui deu um sorriso amargo. De qualquer forma, descansar continuava sendo sua prioridade.

Tou abriu a boca como se quisesse dizer alguma coisa, mas acabou suspirando, como se tivesse desistido.

— Entendi. Pare de bancar o cruel e me solte. Vou mostrar o caminho. Sério. Mas você não trouxe sua bagagem. Volte ao outro quarto e pegue suas coisas. Vou esperar aqui.

— Se eu voltar para buscar minha bagagem e disser que quero ir dormir, você acha que vão me deixar ir tão facilmente?

Metade da frase era uma pergunta, mas a outra metade soava como uma afirmação.

— Não...

Tou respondeu sem hesitar. Jeong Tae-ui sorriu e deu um tapinha nas costas dele.

— Tudo bem. De qualquer forma, não tem nada de valor que alguém queira roubar, então posso buscar minhas coisas amanhã. Se ninguém mexer nelas, provavelmente ainda estão no mesmo lugar. Vamos primeiro ao quarto daquele homem. É um quarto para três pessoas, não é? Não faça essa cara. A culpa foi sua por me levar para a sala de treinamento em vez de me mostrar meu quarto desde o início, não foi? Ah, pensando bem, eu apanhei e ainda estou sentindo bastante dor.

Jeong Tae-ui esfregou os ombros e fez uma careta. Tou deu de ombros, como se tivesse desistido de discutir.

— Está bem, venha. Vou levá-lo de volta ao seu quarto.

Tou passou pelo elevador que se abriu diante deles e seguiu em direção à escada de emergência. Parecia que aquele caminho seria mais rápido.

O sexto subsolo ficava apenas um andar acima, mas sua estrutura era completamente diferente.

Portas idênticas se alinhavam dos dois lados do corredor, dispostas em zigue-zague umas em frente às outras. O chão era coberto por um carpete cáqui, muito mais macio que o do quinto andar. Nas paredes, havia luminárias de vidro e elegantes molduras com fotografias. Flores frescas decoravam uma mesa de apoio no fim do corredor. Ao lado dela, havia uma pequena mesa de vidro e duas poltronas individuais de couro.

— ...Parece um hotel cinco estrelas.

Jeong Tae-ui olhou ao redor.

— Estou mesmo curioso para ver como são os quartos.

Tou, que caminhava à frente, caiu na gargalhada ao ouvir a voz de Jeong Tae-ui logo atrás dele.

— Por dentro, os quartos são todos iguais. Só não têm banheiro privativo.

— Com uma decoração tão luxuosa, não podiam instalar um banheiro em cada quarto? Por que não?

— Sei lá. Dizem que não dá para instalar o sistema de esgoto de um quarto para outro.

— Entendi. Mas não fica muito cheio, já que os banheiros compartilhados ficam nas extremidades leste e oeste?

— Ah, não... Está sempre tranquilo.

— Para onde quer que eu vá...

Como se soubesse o que Jeong Tae-ui estava pensando, Tou continuou:

— Pois é, para onde quer que você vá. Os homens vivem assim em todo lugar.

Ele seguiu em frente, cantarolando.

Eles passaram pelo banheiro compartilhado. Embora fosse o período livre depois do fim de um dia normal, não havia ninguém ali. O espaço era dividido em cabines individuais separadas por portas e também contava com uma grande banheira.

Jeong Tae-ui olhou para a água quente da banheira.

— Talvez eu precise usar isso.

Então, perguntou a Tou:

— Até os superiores usam este lugar? Governadores, vice-ministros e Instrutorestambém?

— Claro que não. Eles ficam em outro andar, no primeiro subsolo, o mais próximo da superfície. Cada quarto tem seu próprio banheiro.

— Ah...

Jeong Tae-ui pensou de repente no tio, tão elegante e de posição tão elevada. Ele era a origem de tudo aquilo. Tae-ui guardou rancor dele e jurou que, quando tivesse a oportunidade, iria até lá e o estrangularia pelo menos uma vez para se satisfazer.

— Então, qual é o número do quarto do instrutor Jeong Changin, no primeiro subsolo?

— O quê? Já está com saudade do seu paizinho? Hehe. Saia do elevador que você usou antes, vire à direita e é o segundo quarto.

Tou brincou e voltou ao banheiro. O toalete ficava logo ao lado. Tou passou por ele e saiu novamente para o corredor.

Jeong Tae-ui pensou no comentário de Tou, mas só pôde balançar a cabeça em silêncio.

Tou caminhava à frente quando, de repente, parou.

— Aqui. Este é o seu quarto.

Era um quarto situado bem no fundo do corredor. Tou colocou a mão na maçaneta e explicou:

— Este quarto era ocupado por um japonês e dois russos da nossa equipe. Um deles morreu, e os outros dois estão em tratamento... Talvez seja difícil voltarem para cá, mesmo depois de receberem alta do hospital.

Tou murmurou em voz baixa e abriu a porta. Ela se abriu facilmente, como se nem sequer estivesse trancada.

O quarto era bastante espaçoso, grande o suficiente para acomodar três pessoas. Havia três camas de solteiro e todos os móveis necessários, como um guarda-roupa, uma escrivaninha e estantes.

— Quanto àquela geladeira, pode colocar suas próprias coisas nela e usar à vontade. Não cabe muita coisa, mas dá para guardar algumas latas de cerveja e dois ou três petiscos. Se quiser apenas lavar as mãos, está vendo aquela pia no canto? Pode lavar ali mesmo. Só é melhor não desperdiçar água, porque às vezes tem gente que usa a pia para fazer as necessidades.

— ...Não sei quem faz isso, mas espero que meu colega de quarto não seja assim.

Era bom que os superiores tivessem banheiros privativos. Além disso, o lugar parecia tranquilo e provavelmente seria confortável. Jeong Tae-ui não era particularmente organizado nem diligente, mas também não era preguiçoso a ponto de lavar as próprias roupas na pia daquele jeito.

— Você vai ficar sozinho aqui até chegar alguém novo ou até que os que estão em tratamento se recuperem completamente e possam voltar. Talvez a primeira opção seja a mais provável.

— Essas pessoas que estão em tratamento devem estar gravemente feridas.

— É... De qualquer forma, felizmente, se você conseguir viver normalmente, não terá grandes inconvenientes. Mas, se quiser voltar para cá depois de sair, vai ser bem difícil. Por outro lado, a indenização e a rescisão são suficientes para viver por várias décadas, desde que você saiba administrar o dinheiro. Tudo isso aconteceu por causa do treinamento interno.

— Entendo.

Jeong Tae-ui assentiu.

Depois de passar pelo treinamento e sair dali em segurança, os membros eram recrutados diretamente por grandes empresas ou órgãos governamentais, recebendo salários anuais muito altos. Mesmo que se ferissem durante o treinamento, não enfrentariam dificuldades financeiras. Uma organização com instalações como aquelas estava longe de ser comum.

Jeong Tae-ui conseguia entender por que todos naquele mundo competiam tão ferozmente para entrar ali.

Tou caminhou em direção à porta, como se tivesse terminado de apresentar o lugar ou não conseguisse mais resistir à vontade de fumar.

— Vamos ao escritório do primeiro andar buscar a chave com Kyoho. Xin Lu é o oficial responsável pelo bem-estar e pelas atividades internas. Vá até lá, diga que é novato e peça a chave e uma cópia do regulamento interno. Se quiser perguntar alguma coisa, é só vir falar comigo. Meu quarto é o número 15. Quer vir comigo? Vou subir para fumar de qualquer maneira.

— Não, pode ir. Eu subo depois. Mas Kyoho ainda vai estar no escritório a esta hora?

— Provavelmente. Vá até lá e diga ao Xin Lu que você é novo. Ele vai chamar o Kyoho.

— Certo. Obrigado.

— Não tem de quê.

Tou acenou e foi embora, deixando Jeong Tae-ui sozinho no quarto vazio.

Ele soltou um suspiro profundo e se sentou na cadeira ao lado. Quase não havia objetos pessoais no quarto. É claro que o homem que tinha morrido não deixaria nada para trás, mas parecia que aqueles que estavam em tratamento já haviam recolhido todos os seus pertences.

Fim da leitura

Capítulo 9 concluído

A pessoa que todos conhecem

Tradução de Lunaris scan