Peças Sobre um TabuleiroVolume I – Capítulo 9 – Capítulo 9: Preparo
Capítulo 9— Já pensou na sua escolha?
A orientadora me olhava sem nem piscar, como se estivesse ansiosa para ouvir minha resposta.
Senti que uma professora estava pedindo a lição de casa que esqueci de fazer… Mas prometi a mim mesma que, daquela vez, seria sincera.
— Antes de responder... preciso contar uma coisa.
— Claro. O que houve?
Respirei fundo.
— Eu omiti uma informação que talvez mude sua avaliação sobre mim.
— Se for importante, ainda estamos em tempo de reconsiderar qualquer conclusão. Pode falar.
— Recentemente… comecei a gostar de uma coisa.
Ela esperou eu continuar.
— Xadrez. Aquele jogo que se parece com o shogi, sabe?
— Sim, sei… Como isso começou?
Ela até apoiou o queixo na mão, preparando-se para ouvir.
Minhas bochechas esquentaram só de recordar o começo dessa história, mas falei:
— Comecei por causa de um filme. Depois conheci algumas colegas que jogam, e acabei me envolvendo cada vez mais.
— Por que você não falou antes?
— É que… eu sinto que está acontecendo o mesmo ciclo: eu me interesso por um assunto, me dedico por um tempo e depois desisto.
— Por que você acha que esse desfecho vai se repetir?
— Porque… xadrez parece exigir demais das pessoas. Anos de estudo. Anos de prática. E, às vezes, é extremamente frustrante. Já vi jogadores falando sobre estresse, ansiedade, esgotamento… Tenho medo de ser atingida por isso e o xadrez deixar de ser divertido.
Ela acenou discretamente.
— Hanamura-san, você acredita que essas dificuldades existem apenas no xadrez?
— Hum… não?
— Medicina é difícil. Esportes são difíceis. Artes são difíceis. Qualquer caminho levado a sério exige esforço, gera frustração e cobra um preço emocional.
Ela juntou as mãos sobre a mesa.
— A diferença está no motivo pelo qual você aceita pagar esse preço.
Essa afirmação me acertou em cheio.
— Você se lembra de uma das respostas do seu questionário? Aquela sobre preferir uma profissão que traz felicidade ou uma que traz muito dinheiro?
— Sim.
— Você continua acreditando nisso?
— Sim…
— Então a pergunta que você deveria fazer não é "o xadrez é difícil?". A pergunta é: "o xadrez é importante o suficiente para mim?".
Olhei para o lado, pensando nessa pergunta.
— As dificuldades vão existir de qualquer jeito. O que muda é se enfrentá-las vai valer a pena.
— …
“Esse é o poder de uma orientadora do Hoshikawa?”
Com poucas palavras, a senhorita Shimizu transformou um fardo que me incomodou por dias em uma mera pena que voou para longe.
— A felicidade e os momentos que o xadrez lhe proporciona compensam o esforço necessário para enfrentar a frustração e a pressão?
Olhei para cima, para recordar tudo o que o xadrez já tinha me proporcionado.
Não eram tantas lembranças assim, mas cada uma delas ocupava um lugar especial na minha memória. Graças a esse jogo fiz novas amizades, conheci pessoas que jamais imaginaria encontrar e vivi experiências que, muito provavelmente, nunca teria vivido de outra forma.
A resposta não podia ser outra:
— Sim, vale a pena.
— Muito?
— Muito!
Um sorriso apareceu no rosto dela.
— Então isso é uma informação mais importante do que qualquer análise que eu possa produzir.
Ela afastou o relatório para o lado.
— Hanamura-san, não estou dizendo que você precisa se tornar uma enxadrista profissional, estou dizendo que você deve explorar esse interesse com seriedade.
Ela apontou para mim com a caneta.
— Porque foi a primeira vez, desde que nos conhecemos, que você falou de alguma coisa com tanta empolgação.
Eu não sabia se ria ou chorava… Passei dias alimentando dúvidas que poderiam ter sido resolvidas com uma única conversa!
Mas, no fim das contas, encontrei a resposta que precisava. Antes tarde do que nunca.
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Achei que encontraria a sala do clube como sempre: alguém jogando, alguém estudando, alguém cochilando… Mas, assim que atravessei a porta, percebi que aquele não seria um dia comum.
Daniela estava em pé ao lado de um flip chart, como uma palestrante prestes a apresentar um projeto milionário. À sua frente, Rachel, Beatrice e Esmeralda estavam sentadas lado a lado, observando-a com diferentes níveis de interesse.
Depois dos cumprimentos de praxe, peguei uma cadeira e me sentei ao lado da Beatrice.
Assim que me acomodei, Daniela pigarreou e anunciou:
— Declaro iniciada a segunda reunião geral do Clube de Xadrez do Colégio Hoshikawa!
Ela fez uma breve pausa, como se esperasse aplausos, mas não recebeu nenhum.
Com uma dose considerável de ironia, Rachel perguntou:
— Qual é a pauta?
— A pauta é muito simples.
Daniela escreveu algumas palavras grandes no papel. Depois, apontou para elas com o canetão.
— Como tornar nosso clube mais sério e, ao mesmo tempo, mais divertido para todo mundo?
O silêncio que se seguiu foi tão absoluto que só faltava um grilo cantar na sala.
— O que significa isso? Sermos mais “sérias”? — Beatrice perguntou.
— Rachel, você acha que nosso clube é uma piada, certo?
— Estamos longe de ser um clube respeitável.
— Esse é o ponto. Quero que nosso clube seja mais profissional, mais engajado. Principalmente porque precisamos mostrar resultados para a coordenação. Se passarmos a impressão de que só estamos brincando…
Ela fez um gesto de tesoura com os dedos.
— Vamos ser cortadas!
Beatrice e eu engolimos em seco.
— Mas não vamos falar só de trabalho. Também quero sugestões para deixar o clube mais divertido.
— Mais divertido? — Eu repeti.
— Atividades diferentes, decoração da sala... qualquer coisa que faça a gente gostar mais de estar aqui.
Daniela virou a folha e traçou uma linha vertical bem no meio.
— Hum…
Depois de pensar por alguns segundos, escreveu dois títulos:
APOLO | DIONÍSIO
— O que é isso? — Perguntei.
— Deuses gregos. Apolo simboliza o trabalho. Dionísio representa a diversão.
— Dionísio é o meu favorito… — Esmeralda murmurou, mesmo dormindo sentada.
— Essa explicação foi simplified demais.
— Não se apeguem aos detalhes. O importante é que o Apolo vai segurar as ideias sérias e o Dionísio vai cuidar das ideias lúdicas.
Ela bateu o canetão no papel.
— Hora do brainstorm. Quero ideias!
Esmeralda foi a primeira a levantar a mão.
— Camas para o cochilo da tarde.
— Fora de cogitação.
— Nem terminou de analisar a proposta… — ela reclamou, fazendo beicinho.
— Aqueles incensos que meus pais mandaram — sugeriu Beatrice, levantando a mão.
— Essa é boa!
Daniela anotou na coluna de Dionísio.
— O lado do Apolo continua vazio, galera.
Observei as duas colunas e tentei pensar em alguma proposta, mas minha mente estava completamente em branco.
— E aí, Rachel? Nenhuma contribuição?
— Não tenho obrigação de ajudar.
Daniela suspirou.
— Vou dar um exemplo para inspirar essas cabecinhas.
Ela escreveu uma única palavra na coluna de Apolo: “treinador”.
— Entraîneur?
— A coach?
— Pensem comigo. Vai chegar uma hora em que não vamos conseguir medir direito nosso progresso porque não temos conhecimento nem experiência suficiente. Então precisamos de alguém mais experiente para nos guiar para o sucesso.
Beatrice encarou Rachel.
— Tá olhando o quê?
— Pena que não podemos contar com a Rachel… — Beatrice lamentou.
— Hunf! — A mencionada virou o rosto.
— Você já tem alguém em mente?
— Ainda não, mas estou procurando. Vou fazer o seguinte: para não pressionar vocês, vou deixar esse cavalete bem ali e, quando tiverem alguma ideia, é só anotar.
Ela moveu o flip chart para outro lugar e voltou com um novo assunto:
— Agora vamos conversar sobre nossa preparação para o Queen Chess Open.
Esmeralda despertou como se alguém tivesse acionado um interruptor nela. Rachel, por outro lado, teve um arrepio.
— Esmeralda, o que podemos fazer para chegarmos prontinhas no campeonato?
Sem dizer nenhuma palavra, ela se levantou e se colocou diante de nós. Depois, endireitou a postura, cruzou os braços atrás das costas e começou a falar como uma comandante preparando suas tropas para a batalha.
— Eles não deixaram claro qual vai ser o formato nem o controle de tempo, então temos que estar preparadas para tudo. Como temos pouco tempo até o eve—
— Wait a minute! — Rachel interrompeu. — Desde quando a Esmeralda está interessada em ajudar vocês?
— Conversei com ela hoje de manhã, aí ela concordou em dar uma forcinha pra nós.
— A Daniela vai fazer minha lição de casa em troca.
— Bruh… — Rachel continuou incrédula.
— Como eu ia dizendo, temos pouco tempo até o evento, então o melhor que temos a fazer é praticar, praticar bastante. Pelo menos umas cinquenta partidas por dia.
— Cinquenta partidas?! — Até a Daniela se assustou.
— Esqueceu que ela só joga blitz e bullet? — Rachel disse.
— Ah! Você quis dizer cinquenta partidas de blitz e bullet?
— Até agora vocês se preocuparam muito com a precisão dos lances, mas xadrez não é só sobre jogar preciso, é sobre jogar rápido também. O melhor jeito de treinar a precisão e a velocidade ao mesmo tempo é jogando ritmos rápidos, fora que vocês vão aprender em questão de horas o que levariam dias para aprender jogando partidas pensadas.
— Então esse é seu segredo para evoluir rápido? — Daniela perguntou, emocionada.
— Não que eu me importe, mas vocês não deveriam levar a sério essa “técnica” da Esmeralda — Rachel advertiu.
— Falou a garota que sempre perde pra mim. — Esmeralda sorriu de canto.
— Não é "sempre", não!
Satisfeita por irritar a Rachel, Esmeralda continuou:
— E, pra otimizar mais ainda nosso tempo, vou jogar contra vocês ao mesmo tempo.
Era impressionante ela se propor a jogar contra quatro pessoas ao mesmo tempo, mas isso é mais comum do que se imagina. Grandes mestres são capazes de enfrentar dezenas de pessoas simultaneamente — e houve quem desafiasse o mundo inteiro, literalmente.
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Colocamos quatro mesas lado a lado, cada uma com sua cadeira.
— Resolveu se preparar também, Rachel?
— Nada disso. Só não tenho nada melhor pra fazer agora.
— Ficou bravinha que eu disse que você sempre perde pra mim?
— Não tem nada a ver!
Pegamos nossos lugares enquanto Esmeralda permanecia em pé diante das mesas, alongando os dedos entrelaçados como uma atleta se aquecendo antes da competição.
Beatrice, que estava ao meu lado, se inclinou na minha direção.
— Você já jogou blitz, Yuuko?
— Nunca… Se já sou lenta nos ritmos normais, imagina no blitz.
— Então chegou a hora de aprender a pensar rápido! — Daniela incentivou, do meu outro lado.
Quando terminou de alongar os braços, Esmeralda olhou para nós.
— Prontas?
Todas assentimos.
Como estava em posse das peças brancas, Esmeralda começou uma sequência de apertos de mão e primeiros lances, caminhando de mesa em mesa. Ela abriu do mesmo jeito em todos os tabuleiros: desenvolvendo o cavalo do rei.
Eu odiava jogar com as peças pretas, pois quem conduz as brancas costuma determinar o rumo da abertura, então eu era praticamente forçada a estar preparada para qualquer coisa.
Assim que o relógio começou a contar, meu coração entrou no ritmo frenético do blitz.
Já que a intenção era jogar rápido, decidi não pensar demais.
O cavalo branco impedia meu peão do rei de avançar, então deixei de lado minha abertura habitual e avancei o peão da dama.
Enquanto isso, Esmeralda se movia entre as mesas em uma velocidade impressionante.
“Ela é atlética mesmo dormindo o dia inteiro?” — Esse pensamento ocupou segundos preciosos do meu tempo.
Quando chegou à minha mesa novamente, ela empurrou o peão da coluna d duas casas para frente e foi embora antes de qualquer coisa.
“Que abertura doida é essa?”
Apesar de nunca ter enfrentado aqueles movimentos antes, continuei seguindo os princípios que eu sabia — desenvolver as peças, controlar o centro e fazer o roque. Esmeralda, por outro lado, ignorava qualquer receita tradicional: colocou o bispo em fianqueto, desenvolveu a dama mais cedo do que o recomendado e, antes que eu percebesse, já tinha capturado meu peão central.
Os lances dela eram inusitados, mas faziam sentido mesmo assim. A estrutura de peões brancos, apesar de meio quebrada, controlava casas importantes, limitando completamente minha mobilidade. As peças dela estavam posicionadas de um jeito que ia contra o princípio de “maximizar o raio de ação”, mas, de alguma forma, todas cooperavam para sufocar minha posição.
Bastava um passo em falso para que meu exército sofresse um ataque fulminante.
Aquilo não era um xadrez puramente posicional, mas também não era um festival de táticas e agressividade. Era um estilo caótico na aparência e coerente na prática.
"Ela é de outro planeta. Só pode ser..."
Arrisquei uma rápida olhada para os outros tabuleiros.
Daniela fazia a mesma expressão de quem não sabe responder nenhuma questão da prova e já aceita que ficará de recuperação.
Beatrice cantarolava baixinho e mexia as peças como se estivesse brincando com bonecos. Ou ela estava aguardando a derrota, ou o jogo estava tão complicado que ela simplesmente enlouqueceu.
Quanto a Rachel… permanecia recostada na cadeira, movendo as peças com leveza, como quem estava resolvendo um caça-palavras para passar o tempo.
Esmeralda passou por ela, fez um lance e seguiu caminhando.
Rachel respondeu imediatamente.
As duas sequer trocavam olhares.
Voltei a atenção para a minha partida. Esmeralda acabara de colocar um bispo dentro do meu território.
Arregalei os olhos. Afinal, esse movimento parecia uma gafe.
Se eu começasse uma sequência de trocas, as contas indicavam que eu sairia com um bispo de vantagem. Mas havia um problema: quem fez esse lance foi a Esmeralda, portanto, a chance era enorme de eu estar deixando passar alguma coisa.
Refiz as contas uma, duas, três vezes.
Se eu ignorasse o bispo, ela iniciaria um avanço de peões que desmontaria minha posição.
Se não capturar era pior, sobrava pagar para ver.
— NÃO!
Quase saltei da cadeira.
Todas nós paramos e olhamos para Daniela.
— “Não” o quê? — Esmeralda arqueou uma sobrancelha.
Daniela congelou.
— N-N-Nada! Não foi nada, não!
O relógio continuava correndo, então Beatrice e Rachel voltaram às respectivas partidas. Esmeralda, porém, permaneceu imóvel.
Ela caminhou até a mesa da Daniela e ficou encarando.
— Eu reparei que você está olhando toda hora para o tabuleiro da Yuuko.
— E-Eu? Imagina! Eu estou completamente concentrada no meu jogo!
Esmeralda alternou o olhar entre nós duas por alguns segundos.
No fim, ela apenas avisou:
— O tempo de vocês está acabando.
E voltou a circular entre as mesas.
Daniela esperou Esmeralda se afastar e, quando teve certeza de que ela estava distraída, olhou discretamente para mim. Então balançou a cabeça em negação, antes de voltar a jogar como se nada tivesse acontecido.
Fiquei intrigada. O que ela estava tentando dizer?
Ela gritou exatamente quando eu estava prestes a fazer meu lance — e ainda olhando na minha direção. Se eu ligasse os pontos, a mensagem parecia óbvia:
"Não! Isso é uma capivarada!"
Procurei outra continuação. Calculei mais uma vez, depois outra… Nada melhor vinha à tona.
Enquanto isso, meu relógio continuava impiedoso: vinte segundos, quinze, dez…
Sem encontrar uma alternativa, chutei um lance qualquer.
Esmeralda respondeu quase no mesmo instante.
Cinco segundos sobrando.
Passei a mão por cima das peças, procurando desesperadamente um movimento, qualquer um. Mas, quanto menos tempo restava, mais medo eu tinha de errar.
No fim… Não joguei nenhum. E o relógio apitou.
Retraí a mão lentamente. Depois, fiquei apenas fitando a posição final.
Será que havia um lance melhor?
Será que eu tinha deixado escapar alguma defesa?
Mesmo sabendo que a diferença entre eu e a Esmeralda era grande, eu não conseguia deixar de pensar que eu poderia ter resistido mais um pouco, mais uns segundinhos…
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— Nossa… a situação de vocês é pior do que eu pensava — Esmeralda batia de leve o pé no chão.
A simultânea terminou. Todas nós fomos derrotadas, uma após a outra.
— Quem você pensa que é pra falar assim de mim? — Rachel protestou.
Esmeralda fingiu que nem ouviu.
— Essa simultânea foi só pra vocês sentirem o drama. O treino de verdade vem agora.
Se aquilo foi apenas uma introdução, eu nem queria imaginar o resto.
— Peguem seus celulares.
Assim fizemos — mesmo sem entender o que isso tinha a ver com o treinamento.
— Agora abram o Luchess.
Obedecemos mais uma vez.
— Joguem vinte partidas de blitz, trinta de bullet e depois revisem tudo com a engine. Quando terminarem, me chamem.
Sem explicar mais nada, ela deu um bocejo, caminhou até uma mesa iluminada pelo sol da tarde e se acomodou.
Em poucos segundos… começou a roncar.
— …
Ficamos olhando aquela cena sem saber o que dizer.
— Essa é a “ajuda” que vocês queriam? — Rachel ironizou, segurando o riso.
Daniela ficou constrangida… mas só por uns segundos. Logo ela respirou fundo, fechou os punhos e recuperou o entusiasmo de sempre.
— Não caiam na pilha da Rachel! Se a Esmeralda passou esse treino, é porque deve ter algum motivo. Vamos confiar nela!
Troquei um olhar com Beatrice.
Nós duas parecíamos ter exatamente a mesma dúvida sobre a eficácia daquele método… mas também chegamos à mesma conclusão.
Se quiséssemos ter alguma chance no Queen Chess Open, precisaríamos aprender a pensar rápido. Mesmo que, para isso, tivéssemos que sobreviver ao treinamento de uma prodígio preguiçosa.
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