Recomeçando a Vida com uma Garota Angelical — Capítulo 38: Volume 4 – Prólogo – Prólogo: A última lembrança deste verão quente

Recomeçando a Vida com uma Garota Angelical
Cap. 38
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Recomeçando a Vida com uma Garota Angelical

Volume 4 – Prólogo – Prólogo: A última lembrança deste verão quente

Capítulo 38

3.226 palavras~14 min de leitura

Eu me tornei um viajante do tempo. Ao invés disso, talvez seja mais preciso dizer que fui enviado de volta no tempo. Não faço a menor ideia de como ou por quê isso aconteceu. O fato é que minha consciência deu um salto de trinta anos para trás e me largou bem no meio do segundo ano do ensino médio.

E agora? Estou jogado no sofá da sala, sem fazer absolutamente nada. É até bom, para ser sincero. Bem diferente daquela loucura sem fim da vida que eu tinha antes….

Um mês inteiro de férias de verão. Parecia que fazia uma eternidade desde que eu tinha esse tipo de liberdade. Depois da minha vida anterior, como um mero funcionário corporativo, essa calmaria estava lentamente se infiltrando em mim. Ela era familiar, estável e quente. Não era algo a que eu estivesse acostumado, mas eu não estava reclamando.

[NT: O ano letivo do Japão tende ir de Abril até Fevereiro e, a cada mudança de estação, há três recesso por ano, sendo dois deles de 10 dias, exceto pelas férias de verão que possuem 40 dias, entre Julho e Agosto.]

Férias de verão... Isso realmente é um paraíso perdido.

Um mês inteiro de liberdade que desaparece assim que você entra na vida adulta, a menos que você seja um dos poucos sortudos que estão só esperando a aposentadoria. Meus pensamentos vagavam devagar e pesados, como o calor da tarde. Virei o rosto para a janela, onde o ar tremulava como se tentasse derreter o mundo lá fora num sonho.

Ondas de calor dançavam sobre o asfalto queimado. Nuvens imensas se espalhavam por um céu tão azul que quase não parecia real. O ronco baixo dos carros que passavam se misturava ao zumbido interminável das cigarras, envolvendo tudo naquela espessa e vibrante quietude que só existe nos verões japoneses.

— Ainda não consigo acreditar que dormi nesse sofá com a Shijoin-san na outra noite...

A memória voltou com muita clareza, pois, há pouco tempo, bem nesta casa, eu havia passado a noite com Shijoin-san, a garota por quem me apaixonei.

Tudo começou com uma chuva repentina que a deixou vulnerável e a trouxe para a casa da minha família. Aquele dia ainda estava gravado na minha cabeça. O lance do banheiro, cozinharmos juntos e depois ficarmos só nós dois conversando até pegarmos no sono neste sofá.

Shijoin-san não é só a garota mais bonita da escola….

Havia algo natural em sua beleza que a fazia se destacar sem esforço.

Seus olhos captavam a luz perfeitamente. Seu cabelo longo e escuro sempre parecia macio. Tudo nela parecia naturalmente perfeito, mas não era só a aparência. Seu coração era igualmente brilhante. Gentil, puro e, naturalmente, infantil de um jeito que a tornava genuinamente encantadora.

Eu não conseguia me controlar, pois a todo momento queria abraçá-la. Mesmo agora, a lembrança daquela noite permanecia doce e reconfortante, uma sensação de calor que não havia desaparecido.

A memória daquela noite calma e chuvosa, nossa conversa e depois acordar debaixo de uma única coberta com Shijoin-san ainda fazia meu rosto corar.

Quando o pai dela, Tokimune-san, veio buscá-la, foi um milagre ele não ter descoberto que dormimos no mesmo lugar. Se aquele homem com sua preocupação quase obsessiva pela filha descobrisse, eu nem quero imaginar as consequências.

Só de lembrar do interrogatório que ele me fez na mansão dele… já me faz suar frio...

Embora o incidente da cama compartilhada tenha passado despercebido, ele definitivamente ouviu meu convite para Shijoin-san. De acordo com as mensagens dela, ele reagiu com fúria paternal, gritando algo como:

“Como esse garoto ousa fazer isso!? Convidar a Haruka… bem na minha frente... mas tenho que admitir, ele ao menos tem colhão.”

Shijoin-san se desculpou pelo surto do pai, mas eu não fiquei particularmente abalado. Se ele realmente me achasse um cara suspeito, não teria parado só em resmungar. Pode ser antiquado, mas se eu quisesse ficar com Shijoin-san, enfrentar o pai dela era algo que eu teria que aceitar. Um pouco de pânico paternal parecia inevitável.

Para ser sincero... quem realmente me desestabiliza é a própria Shijoin-san.

Ela ficou genuinamente grata por eu tê-la deixado ficar aquela noite durante o temporal e ela até disse que queria voltar logo para nos agradecer direito. Na hora, achei que era só isso. Mas então:

— Sério, Niihama-kun... — murmurou ela, com um leve rubor subindo ao rosto. — Eu... não sei como te agradecer. Tem tanta coisa. Existe algo, qualquer coisa, que eu possa fazer por você em retribuição?

Depois de ouvir aquilo, meu rosto certamente ficou vermelho. Desde aquela noite, estamos trocando mensagens e fazendo ligações, embora, mesmo agora, eu ainda não me acostumei com esse tipo de coisa. Por conta disso, eu já sentia falta dela. Achei que aquela noite que ela passou aqui teria recarregado minha “energia Shijoin-san”, a força vital que eu ganhava ao interagir com ela.

Ela é minha motivação... Meu... tudo.

Mas mal tinha se passado uma semana e eu já me sentia esgotado. Até eu tinha que admitir que isso estava ficando ridículo. Meus sentimentos por Shijoin-san eram simplesmente intensos demais. A ideia de não vê-la até o novo semestre era insuportável e, além disso, havia outra coisa me incomodando.

— Será que eu vou mesmo deixar meu segundo verão no ensino médio acabar assim?

Na minha vida anterior, as férias de verão eram simples: aproveitar a folga da escola e jogar videogame. Era divertido, claro, mas no fundo sempre havia um vazio que eu não conseguia preencher. Eu queria aqueles momentos clássicos de verão no ensino médio, aqueles que a gente vê nas páginas de mangá e light novels. Algo real. Vibrante. Apaixonante.

O tipo de verão que fica para sempre na memória.

A noite que ela dormiu aqui ajudou um pouco. Uma pequena compensação pela juventude que eu desperdicei. Mesmo assim, meu coração ainda parecia incompleto. Talvez eu estivesse sendo ganancioso.

Não, eu definitivamente estou sendo ganancioso.

Ainda assim, parecia que faltava uma peça. Era como se o verão estivesse acontecendo, mas eu não estivesse realmente participando dele. Eu queria ver Shijoin-san, conversar com ela.

Mais do que tudo, eu queria que algo acontecesse, algum evento que finalmente preenchesse esse buraco do tamanho de um verão no meu coração.

Perdido nesse pensamento, eu não me mexia. Apenas ficava ali sentado, esperando que algo acontecesse.

— Hã? Ei, espera... Eu tô basicamente desejando um evento de “simulador de namoro”?

No momento em que essas palavras surgiram na minha cabeça, não consegui segurar e acabei falando em voz alta, como se estivesse discutindo comigo mesmo.

Porque era exatamente assim que eu era na minha vida passada: ficava só sentado esperando que algum evento conveniente caísse do céu. Logicamente, há alguns dias a Kanako trouxe a Shijoin-san aqui, uma sorte que nunca tinha acontecido antes. Mas aquilo pareceu mais um acaso, um efeito colateral de eu estar fazendo as coisas diferente desta vez. Esperar que acontecesse de novo seria forçar a barra.

Droga, por que estou me acovardando assim? Eu não acabei de dizer para a Shijoin-san que eu seria o próximo a chamá-la? Esta é a chance perfeita, então por que estou aqui sentado sem fazer nada?

Eu estava voltando aos velhos hábitos. Mesmo tendo prometido para a Shijoin-san que a chamaria para sair, eu continuava adiando.

— Acabamos de ter aquela noite juntos… pode ser cedo demais. Não quero incomodá-la…

Todas elas eram desculpas esfarrapadas. A verdade era que eu estava com medo.

— Vamos, se controla, cara! Isso não é só preguiça… é covardia! Você sabe que ficar esperando só leva ao arrependimento!

Isso mesmo. Ficar sentado não ia fazer nada acontecer. Isso significava que eu precisava de um plano, algo para aproveitar ao máximo o resto das férias de verão.

Mas... o quê? Eu quero chamar a Shijoin-san para fazer algo bem de verão... mas o quê? Hmm…

Meus olhos se voltaram para a TV que ainda estava ligada ao fundo. Justo um especial de verão na praia. Casais debaixo de guarda-sóis, universitários rindo ao redor de churrasqueiras. Cada cena transbordava energia de verão e me deixava com inveja.

Pensando bem... a Shijoin-san adora esse clima animado de festival, né?

A praia do programa parecia exatamente com as barracas de festival que ela gostava. Barulhento, lotado, um pouco caótico, mas cheio de vida, banhado de sol, areia e aquele mar azul infinito e cintilante que fazia todo mundo se sentir livre.

A praia... Eu poderia chamar a Shijoin-san e todo mundo! Isso mesmo, é isso. Perfeito!

A ideia de irmos só nós dois até passou pela minha cabeça, mas honestamente, isso parecia cedo demais. Ainda mais porque não estamos namorando. Além do mais, ela gostava mais de programas em grupo.

— Beleza, destino definido! Primeiro passo: chamar a Shijoin-san!

Com o objetivo de fazer deste verão o melhor possível, peguei meu celular e, então, passei vinte minutos congelado, só encarando o botão de ligar.

— Argh, vamos! Do que diabos eu tenho tanto medo?

Bati as mãos na mesa, fuzilando o celular com os olhos como se ele tivesse me traído e gritei para minha própria covardia patética.

Mas, agora que eu pensava bem, eu nunca havia planejado uma saída em grupo antes. Nem com os caras. E agora estava tentando chamar a garota que eu gostava para ir à praia. Isso era um aumento absurdo de dificuldade.

Tipo, não é como se eu estivesse chamando ela para ir sozinha ou algo assim. É um rolê em grupo, né!? É exatamente por isso que a Kanako vive me chamando de “virgem” e zoando comigo!

Pela décima segunda vez, meu polegar pairou o botão de ligar para Shijoin-san. A cada tentativa, ele chegava mais perto, só para congelar logo antes de tocar. Até eu tinha que admitir que isso era patético demais, mas isso não significava que eu podia desistir. De jeito nenhum eu deveria deixar essa chance escapar.

Em momentos assim… eu tinha que lembrar. Daquele momento da minha vida passada, quando reuni toda a coragem só para fazer uma ligação que eu absolutamente não queria fazer...

Como quando tive que ligar para aquele cliente grudento e dizer “Desculpe, não podemos trocar o produto” ou quando precisei telefonar para meu chefe explosivo nas férias e falar “Sinto muitíssimo incomodá-lo, mas houve uma falha crítica no sistema… Qual é o ID de administrador?”.

É… aquelas ligações eram tortura mental.

Elas sempre terminavam do mesmo jeito: uma avalanche de xingamentos.

Incompetente... Inútil... Lixo…

Durante toda a minha vida profissional, o telefone só me trouxe sofrimento.

Comparado àquilo, por que eu estou com medo de ligar para a Shijoin-san!? Não tenho nem mesmo um para ter medo... Nenhum... Eu vou fazer isso! Vou chamá-la para a praia!

Com o tipo de determinação feroz normalmente reservada para declarações de guerra, eu me preparei.

Dessa vez, com certeza, eu vou apertar o botão!

Alimentado pelas memórias de horas extras que destruíam a alma, respirei fundo e apertei o botão de ligar. Não era a primeira vez que ligava para Shijoin-san. Mesmo assim, aqueles poucos segundos de chamada antes dela atender sempre me enchiam de uma mistura estranha de tensão e empolgação nervosa.

— Alô? Niihama-kun?

— Ei... hm, desculpa ligar do nada.

— Sem problema. — disse ela com voz calorosa. — Mas o que houve? Espera, não me diz. É sobre aquele favor de “fazer qualquer coisa” que eu ofereci? Você pensou em algo?

Ela não hesitou. Só isso já fez meu coração pular. O Ginji me chamava de “idiota apaixonado” e não estava errado. Só de ouvir a voz dela, clara e fresca, eu já sorria como um bobo.

— Não é isso! E eu nem lembro de ter concordado com algo tão perigoso!

Sério, não fala uma coisa dessas assim tão casualmente… É como um pedido para eu revelar meu pior lado! Ela disse aquilo como se fosse um cupom de massagem ou algo do tipo, mas é perigoso demais para se jogar assim no ar.

— Hã… o verdadeiro motivo de eu ter ligado é… bem, eu queria te convidar para algo…

— Espera, um convite?

Mesmo com o ar-condicionado ligado, o suor escorria pelo meu rosto. Não era por causa do calor. Eram meus nervos.

Convidar uma garota para ir à praia… esse tipo de convite parecia um privilégio sagrado, reservado apenas para os extrovertidos de nível máximo.

Para alguém como eu, um introvertido até a medula, era totalmente fora do meu caráter. Mesmo assim, mesmo que não combinasse comigo, mesmo que meu coração parecesse prestes a explodir, se eu não falasse agora, nada nunca mudaria.

— Hm… lembra que a gente disse que deveríamos sair juntos alguma hora? É meio em cima da hora, mas estamos planejando um passeio na praia. Com todo mundo. Então eu pensei que talvez você quisesse ir também.

— Ah…

— Eu estava pensando em convidar também a Fudehashi-san e a Kazamihara-san. E, bem… como eu seria o único cara, achei que seria bom chamar o Ginji também. — Soltei tudo de uma só vez, seguindo o roteiro que havia ensaiado com tanto cuidado para não gaguejar.

Como aqueles caras que falam bem conseguem dizer esse tipo de coisa como se não fosse nada? Carisma é algo com que se nasce?

— M-mas, quero dizer… se você estiver ocupada, não tem pressão nenhuma para ir. — gaguejei, com a voz tremendo um pouco.

— Eu vou!! Quando vai ser? Para onde estamos indo? Ahh, espera, preciso ver a previsão do tempo também! — a voz dela explodiu no telefone, uma avalanche de perguntas animadas.

— Sé-sério!? — Minha voz falhou, uma mistura de incredulidade e alívio.

— Você disse “sério” como se não esperasse que eu aceitasse de verdade. — disse ela com aquele tom brincalhão de sempre, leve mas carinhoso.

— N-não, eu estou falando cem por cento sério!

— Ah, que alívio. Eu estava quase chorando se fosse alarme falso.

Ela soltou um suspiro suave. A tensão na voz dela se dissolveu, substituída por algo mais brilhante.

Alegria, talvez?

Eu tinha tentado pensar em algo que achava que a Shijoin-san iria gostar, mas a reação dela foi muito maior do que eu esperava. Ela ficou feliz quando trocamos endereços de e-mail e disso eu lembrava, mas isso aqui parecia outra coisa completamente diferente.

A empolgação dela está em outro nível.

— Eu, hmm… não achei que você fosse ficar tão feliz. Me pegou de surpresa.

Claro, a gente tinha se aproximado um pouco e eu até tinha dito que a chamaria para sair alguma hora. Mesmo assim, a praia parecia diferente, um degrau acima de karaokê ou um café. Era o tipo de plano que mudava o clima, mesmo que ninguém dissesse em voz alta. Por mais tranquila e pura que ela fosse, eu não conseguia afastar a sensação de que talvez estivesse forçando um pouco a barra. Então ela disse:

— Claro que estou feliz! É a praia! A praia! Ir com você e todo mundo parece um sonho!

A voz dela se iluminou com aquele tipo de alegria que só se ouve de uma criança que acabou de ganhar a promessa de ir a um parque de diversões.

— Porque eu nunca fiz realmente algo como um verão típico com amigos. — disse Shijoin-san, soltando uma risadinha baixa e autodepreciativa. — Desde pequena, sempre foi assim. Sabe… Fogos de artifício e viagens sempre foram sobre minha família e os empregados. E não é que eu não gostava, pois eu gostava de verdade. Mas como posso explicar? Eram sempre coisas tranquilas e privadas. Até eram quentes, mas não do tipo inesquecível… não do tipo que se faz com amigos.

— Ah, sim. É, eu entendo. Tempo com amigos tem outro sabor. Essas memórias têm um brilho especial. Acho que é isso que as pessoas chamam de “juventude”.

— Coisas como acampar ou ir à praia com amigos… Aparece o tempo todo nas histórias, né? Mas eu nunca fiz nada disso. Então acho que… eu sempre tive um pouco de inveja. — A voz dela estava leve e alegre, mas eu ainda conseguia ouvir o sorriso nela.

Aff, se os smartphones já existissem, eu poderia ter feito uma videochamada e visto essa carinha fofa. Essa parte do passado é algo que poderíamos ter pulado!

— Por isso fiquei tão, tão feliz quando você me convidou. Eu sempre observei de longe, nunca tive coragem suficiente para falar nada, então você ter me chamado assim significa muito, muito mesmo.

— Shijoin-san…

Era a primeira vez que eu convidava uma garota para sair. E não era qualquer garota, era ela, mas a forma como ela aceitou, tão aberta e natural, me pegou de surpresa da melhor maneira possível. Meu peito se apertou com uma sensação quente. Ainda nem tínhamos ido à praia e eu já sentia que poderia morrer feliz.

Na minha vida passada, eu sempre achei que Shijoin-san era uma espécie de borboleta social perfeita. Rica, popular, sempre cercada de amigos. Como se ela estivesse vivendo a juventude exatamente como se deve viver.

Eu sempre achei que ela tinha tudo.

Mas quanto mais eu a conhecia, mais via lados dela que nunca imaginei. Que ela queria o mesmo tipo de verão que eu. Que, dependendo de como as coisas acontecessem, até alguém como eu poderia acabar indo à praia com a garota mais bonita da escola. Nada disso havia passado pela minha cabeça naquela época.

— Fico realmente feliz por ter juntado coragem para perguntar… — murmurei, as palavras quase se perdendo no meio da onda de alívio.

— Hã? O que disse? — A voz dela, leve e curiosa, cortou meu devaneio.

— Ah, não foi nada. Só falando sozinho. Enfim, vou chamar os outros agora. Depois a gente combina o horário e o lugar juntos, tá?

— Ótimo! Se precisar de qualquer coisa, é só pedir. Adoraria ajudar com o planejamento. Até mais!

Desligamos depois de uns quinze minutos. Coloquei o velho celular flip no tampo da mesa e olhei ao redor da sala. Na superfície, nada havia mudado. A sala estava igual. O ar-condicionado ainda zumbia baixinho e a luz do sol de verão entrava pela janela, como sempre. Entretanto, dentro de mim, algo definitivamente tinha mudado.

— EEEEEEEEEE! A praia! Eu vou pra praia com a Shijoin-san! É Isso aaaaííííííííí!

Soltei toda a minha voz que mal consegui manter durante a ligação e levantei o punho no ar. Não tinha como ficar quieto. Ir à praia com a garota que eu gostava. Esse tipo de coisa só acontecia em mangás de comédia romântica.

A ficha ainda não caiu...

E, no entanto, tudo era real. Tudo aquilo se tornou realidade com uma única ligação e a coragem de fazê-la. Esse momento estava acontecendo por causa de tudo o que eu tinha feito nesta segunda vida, mas mais do que isso, era porque eu realmente tomei a iniciativa. Se eu tivesse continuado passivo como antes, sempre com medo de rejeição e esperando em vez de agir, nunca teria chegado tão longe.

— Quer dizer, vamos estar em grupo, então não é como se eu devesse esperar ficar sozinho com a Shijoin-san ou algo assim… mas tudo bem. Só conseguir passar um tempo com ela na praia já é mais do que suficiente.

Minha felicidade estava nas alturas. Comecei a murmurar sozinho e fazer uma dancinha de vitória. Honestamente, eu devia estar parecendo um completo idiota.

— O calor derreteu seu cérebro ou algo assim, maninho?

Foi nesse momento que minha estranha comemoração parou. Levantei a cabeça e vi Kanako parada na entrada da sala, me olhando com um olhar frio e totalmente sem graça.

Fim da leitura

Capítulo 38 concluído

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