Relações por Diversão — Capítulo 1: Volume 1 – Capítulo 1 – Capítulo 1: O Problema do Lançamento de Dados (Dia 176)

Relações por Diversão
Cap. 1
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Relações por Diversão

Volume 1 – Capítulo 1 – Capítulo 1: O Problema do Lançamento de Dados (Dia 176)

Capítulo 1

9.217 palavras~40 min de leitura

— Ei, Banjō. Você não acha que rolar dados é, tipo, um saco?

(Azure: Apelido derivado ao inverter os kanjis do sobrenome dele, Tokiwa: 常盤 → 盤常 → Banjō. “Banjō” também soa como 盤上, que significa “sobre o tabuleiro” ou “na superfície do jogo”.)

Mais uma vez, Takanashi-san estava pisando com tudo nas minhas minas terrestres.

Era uma tranquila tarde de outono. Estávamos no quarto andar de um prédio comercial em Ogikubo, Tóquio, sentados em uma cabine do “Kurumaza”, um café de jogos de tabuleiro onde o canto dos grilos era mais alto que a voz dos clientes.

(Azure: Kurumaza vem de 車座(くるまざ), que significa algo como “sentar-se em círculo” ou “roda de pessoas sentadas”.)

E ela estava dizendo isso para mim — Tokiwa Kotaro, 17 anos, gerente interino e um autêntico otaku de jogos de tabuleiro. Uma gyaru colegial que trabalhava meio período ali e não tinha o menor amor por jogos de tabuleiro. E ainda por cima enquanto secava as unhas.

Ela teve a audácia de desprezar casualmente o “dado”, o ancestral e pilar fundamental dos jogos de tabuleiro.

— ... Haa.

Soltei um suspiro profundo, fechei temporariamente o manual de regras do novo jogo de dados que eu estava testando, coloquei-o com cuidado sobre a mesa e empurrei a ponte dos óculos com o dedo médio da mão direita.

Então, depois de uma pausa longa e deliberada... fiz minhas lentes grossas brilharem de forma ameaçadora e iniciei minha refutação.

— Não é nem um pouco um saco. Por que pergunta?

— Ugh, tá vendo? Essa vibe aí já é um saco por si só.

A gyaru ignorante em jogos de tabuleiro disparou uma resposta direta do assento oposto, com um tom transbordando exasperação e desprezo. Sinceramente, aquele ataque foi super efetivo contra um freelancer sombrio, otaku e desistente do ensino médio como eu.

No entanto, quando o assunto envolve nossos próprios hobbies, otakus são invencíveis. Invencíveis de um jeito completamente inútil.

Levantei-me devagar, peguei um punhado de dados do jogo que estava testando e, com um tom firme, disse:

— Escute bem.

— O ato de rolar dados, por si só, já significa entrar no domínio de um “Jogo”.

— Você estava falando de Jujusu Kaisen ou algo assim?

— Não estava. Ah, mas comparar a relação entre dados e jogos de tabuleiro com Técnicas Amaldiçoadas e Expansões de Domínio é até interessante. Certo, dez pontos para Takanashi-san.

— Aê! Vou usar esses pontos pra comprar uns cosméticos novos da Dior.

— Ah, d-desculpe, esses dez pontos não têm valor monetário...

— Inúteis.

— Guh...! D-De todo modo, estamos falando de jogos de tabuleiro que envolvem rolar dados.

— Ah, isso.

Takanashi-san soprou as pontas dos dedos — fuu. Como ela consegue se mostrar tão desinteressada por um assunto que ela mesma trouxe à tona? Qual é o problema dela?

E, ainda assim, apesar disso, ela soltou casualmente uma observação estranhamente precisa.

— Mas, tipo, jogos que envolvem dados... não têm uma taxa bem alta de acabar estragando o clima?

— B-Bem, não vou negar que existe esse aspecto, mas...

Minha mão direita, que segurava os dados no alto, murchou e abaixou, perdendo a força.

— Né? Clientes que tiram resultados ruins e não conseguem entrar na partida de jeito nenhum... tentar contornar isso pra eles é seriamente um jogo com 0% de taxa de vitória.

Como esperado de uma atendente de café de jogos de tabuleiro, mesmo que fosse uma atendente podre. Ela estava pensando nos clientes enquanto acertava em cheio uma verdade dolorosa. Meus olhos nadaram nervosamente, mas consegui me sentar de novo e continuar minha tentativa de convencê-la.

— M-Mas, por outro lado, justamente por causa desse fator de sorte refinado envolvido ao rolar dados, existem muitos jogos nos quais até iniciantes conseguem se empolgar de verdade, não é?

Enquanto dizia isso, joguei o punhado de dados na bandeja de feltro com um barulho seco. A propósito, todos os resultados foram 3 ou menos. Rolagens lixo. E Takanashi-san, sem sequer olhar para eles, continuou:

— Tipo, qual é um jogo simples que empolga usando dados? Aposta de cho-han?

— Um exemplo inesperadamente sujo. Não, colocando em termos mais próximos do nosso café, estou falando de jogos como Las Vegas, Bluff ou Ciao Ciao. Acredito que esses elementos de sorte realmente diminuem a barreira de entrada para iniciantes.

— Ah, verdade. Acho que também tem esses.

Depois dessa resposta, Takanashi-san ficou em silêncio por um instante. Ela ainda parecia dedicar a maior parte de sua consciência às unhas, mas dava a impressão de que estava realmente pensando um pouco na minha opinião.

Um momento de silêncio. Aproveitando a oportunidade, encarei-a diretamente.

Cabelo curto tingido de um rosa vívido. Maquiagem leve aplicada em suas feições belamente simétricas, e o modo como ela soprava pelos lábios vermelho-claros para secar as unhas era estranhamente sedutor.

O uniforme estilo marinheiro escondido sob o avental de funcionária transmitia uma sensação de inocência, enquanto o comprimento da saia estava erguido até uma linha que, por muito pouco, não se tornava vulgar, estabelecendo um equilíbrio primoroso entre fofura e sensualidade.

... Bem, resumindo em uma palavra, ela era uma gyaru da era Reiwa.

Para um otaku sombrio e recluso como eu, ela era praticamente uma predadora natural.

O tipo de espécie que, se eu encontrasse na rua, faria com que eu imediatamente desviasse o olhar e passasse correndo.

E, ainda assim, agora — eu a encarava com uma intensidade obstinada.

Só existe um motivo para um otaku de nível lixo como eu ficar encarando uma gyaru.

Do fundo do meu coração, em relação a essa colega gyaru, minha inimiga natural com quem eu aparentemente tinha zero compatibilidade...

... Eu gosto tanto dela que mal consigo suportar.

Ah, olhar para Takanashi-san de frente... ela também está radiante hoje!

A preciosidade do alvo fazia meu coração acelerar tanto que estava ficando difícil respirar.

Sem perceber, levei a mão ao peito e abaixei a cabeça, o que naturalmente fez Takanashi-san perceber que havia algo errado e me chamar:

— O que foi, Banjō?

A voz dela soava levemente preocupada. Sinceramente, era insuportavelmente adorável. Adorável, mas...

— ... Nada.

Ergui o rosto imediatamente, apaguei toda emoção dele e ajeitei a ponte dos óculos como se nada tivesse acontecido.

— Não é nada. Eu apenas engasguei com uma súbita “sobrecarga de suprimento”.

— Que diabos isso quer dizer? Vergonhoso.

Takanashi-san cortou meu coração imediatamente com uma faca verbal casual, depois voltou a mexer nas unhas, novamente perdida em pensamentos de forma desinteressada.

E, ainda assim... eu continuei olhando para ela com um olhar ardente.

Admito. O eu atual é seriamente nojento. Verdadeiramente repulsivo como ser humano. Eu sei. Isso claramente não é o tipo de olhar que alguém deveria lançar a uma “colega” no trabalho.

Mas, mesmo assim, não posso evitar gostar do que gosto. Assim como um cachorro fiel que consegue “esperar” sob comando não pode apagar completamente seu interesse pelo petisco em si.

Pedir para eu não apreciar nem um milímetro sequer do brilho, do perfume e da aparência da minha oshi neste ambiente de trabalho com apenas duas pessoas é fundamentalmente impossível.

Cada elemento que escapa dela para este mundo é simplesmente precioso.

............

... É, não, desculpa. Vou dizer antes que você diga. Esse cara é seriamente assustador.

P-Porém, se me permitem apresentar uma pequena justificativa, não é como se eu fosse tão patético assim desde o começo.

Na verdade, seis meses atrás, quando a conheci pela primeira vez como colega da equipe de abertura deste café de jogos de tabuleiro, “Kurumaza”, eu até achava essa mulher, “Takanashi Mifuru”, um pouco difícil de lidar — exatamente de acordo com a primeira impressão causada pela aparência dela que descrevi antes.

No entanto — seja como for, este é um café de jogos de tabuleiro deserto.

Os clientes eram escassos, e mal interagíamos com qualquer funcionário além de nós mesmos. Pessoas que poderíamos chamar de clientes frequentes... ah, até houve algumas por um tempo, mas ultimamente elas quase não davam as caras.

Em outras palavras, durante o último meio ano, dia após dia, passamos horas praticamente a sós. Enquanto ocasionalmente misturávamos conversas triviais ou consultas profundas sobre nossas preocupações, basicamente testávamos alegremente os jogos de tabuleiro da loja.

E quanto a mim, além de ser um virgem in-kya — um introvertido sombrio —, sou um ser humano que praticamente teve zero interação com outras pessoas desde que abandonou o ensino médio, cerca de um ano atrás.

............

Não, fala sério! Qualquer um se apaixonaria, não?! Qualquer um mesmo!

B-Bem, para ser sincero, até eu fico um pouco enojado comigo mesmo. Pensando: “Você é fácil demais.”

Cair de quatro por uma “gyaru gentil com otakus” — como otaku de jogos de tabuleiro, eu realmente acho isso patético. Sério.

Mas meu orgulho distorcido e mesquinho...

Não foi suficiente para superar meu afeto genuíno por uma colega com quem era divertido conversar.

Para ser sincero, a “aparência” da pessoa chamada Takanashi Mifuru era exatamente como minha impressão inicial sugeria. Extrovertida, gyaru, festeira. Lembro que a motivação dela para este trabalho era algo vago como “só queria brincar um pouco”, embora eu tenha esquecido a frase exata.

Então, naturalmente, ela não tinha nem amor nem conhecimento sobre jogos de tabuleiro, e sequer conseguia fazer direito uma “Inst” — a Instrução de Regras —, que talvez fosse a habilidade mais exigida de uma atendente de café de jogos de tabuleiro.

Mas — apesar disso, ela não era “insincera”.

É verdade, ela errava as regras, mas as mesas nas quais ela entrava estavam sempre transbordando de risadas.

Para alguém que dizia não ter interesse em jogos de tabuleiro, ela manuseava os componentes — peças, tabuleiros e afins — com cuidado e gentileza.

E, acima de tudo, era alguém que realmente ouvia as palavras dos outros. Independentemente de, no fim, concordar ou discordar, ela absolutamente nunca descartava o argumento de alguém de imediato.

Em outras palavras, antes mesmo de chegarmos aos jogos de tabuleiro, como “atendente de café” — não, como “pessoa” —, ela era incrivelmente bem-resolvida.

Em contraste, eu sou um ser humano carente em muitos aspectos, alguém que se retorceu em nós até finalmente abandonar o ensino médio. Por isso, para mim, Takanashi Mifuru era uma colega que eu podia respeitar de verdade. Aprendi muito observando seu comportamento de perto e, graças a ela, acho que finalmente me tornei capaz de lidar com atendimento ao cliente em um nível decente.

Por outro lado, quando o assunto era conhecimento sobre jogos de tabuleiro, eu levava vantagem. ... Ou melhor, a personalidade descuidada de Takanashi-san e jogos de tabuleiro simplesmente formavam uma combinação desastrosa.

Como resultado, acabamos nos ajustando a uma forma em que eu cuidava principalmente da parte de “Jogos de Tabuleiro”, enquanto ela cuidava principalmente da parte de “Café”.

E assim, ao longo desses seis meses, trabalhamos bem juntos, compensando as deficiências um do outro.

Além disso, essa relação frequentemente se estendia para além do horário de trabalho.

Por exemplo, se ela criticava minhas roupas ou meu penteado, eu a repreendia pelos erros nas explicações das regras, o que levava a uma briga decente e a uma hostilidade temporária. Mas, no fim, no dia seguinte, eu aparecia para trabalhar com o cabelo e as roupas ajustados de acordo com os conselhos dela, e ela parava de cometer o mesmo erro nas explicações das regras... coisas assim eram parte do cotidiano.

E então, certa noite, depois que essa “boa relação” continuou por algum tempo. Eu havia jogado vários jogos de tabuleiro com minha família, comido um jantar delicioso e estava relaxando lentamente no banho, sentindo-me tão satisfeito que meu antigo eu já não teria mais arrependimentos.

De repente, como se bolhas do coração estivessem subindo à superfície, palavras escaparam naturalmente da minha boca.

— Ah, queria poder conversar um pouco mais com Takanashi-san.

Simples assim.

Lembro-me de ter ficado surpreso com meu próprio murmúrio e, depois, de rir um pouco.

Logo eu — Tokiwa Kotaro, que antes se dava por satisfeito desde que pudesse jogar jogos de tabuleiro —, sem perceber, havia chegado a um ponto em que sentia uma “falta” nos dias em que não podia vê-la.

Depois que chegou a esse ponto... por mais frustrante que fosse, eu precisava admitir.

Eu, Tokiwa Kotaro, estou irremediavelmente apaixonado por esta colega—

— Takanashi Mifuru.

Agora, se alguém toma consciência de sentimentos românticos assim, o próximo passo naturalmente é uma confissão. Eu sei disso. Eu sei, mas... no fim, ainda não consegui transmitir esses sentimentos.

Há, bem, vários motivos para isso. Mas, simplificando, é aquela categoria clássica e covarde de “tenho medo de destruir nossa relação atual” e—

— Frango.

— Eh!?

Ao ter minha covardia apontada de repente pela própria pessoa por quem eu suspirava, bem diante de mim, meu coração saltou.

Mas parecia que a intenção de Takanashi-san era outra. Ela continuou:

— Sabe, tipo, alguma coisa Chicken... ah, Chicken Race? Nesse tipo de jogo, rolar os dados e falhar faz sentido, né?

— A-Ah, você estava falando de jogos de dados.

— Quer dizer, não é literalmente só disso que a gente falou hoje?

Isso era verdade. Desviando do olhar desconfiado de Takanashi-san, limpei a garganta com um cof-cof.

— Certamente. Mesmo diante do mesmo fenômeno de “tropeçar na sorte dos dados”, se for uma falha baseada em uma escolha na qual você mesmo assumiu um risco, existe uma sensação de aceitação, ainda que seja frustrante. Como em Las Vegas.

Enquanto dizia isso, zombei internamente de mim mesmo: Ah, isso também se aplica à minha vida amorosa. Ao levantar os olhos, Takanashi-san estava me observando com um sorriso malicioso e provocador por algum motivo.

— O que foi?

— Ehehe. Banjō, você estava pensando na Utakata-chan agora, não estava? Você estava totalmente com a cara de um “Virgem Apaixonado”.

— Hã?

Inclinei a cabeça genuinamente diante daquela acusação, que estava completamente fora do alvo. Não, a pessoa em quem eu estava pensando agora era exatamente você, bem na minha frente. Eu não estava pensando em nenhuma Utakata-san—

— Espera, então me lembrei de repente de certa “configuração” minha e entrei em pânico para contornar a situação.

— Ah, sim! Com licença! Eu estava pensando na “Utakata-san” agora mesmo!

Uma mudança de política incrivelmente abrupta. Mas, felizmente, Takanashi-san não pareceu particularmente desconfiada e riu.

— Né?

— Não subestime meu faro para romance.

— H-Ha-haa, sou indigno, Mestra Takanashi.

— Erga a cabeça, erga a cabeça.

Takanashi-san entrou na brincadeira da minha reverência exagerada, de bom humor. ... Certo, sobrevivi. Essa foi por pouco.

Mas eu me esqueci completamente de novo... Da configuração fictícia de que eu, Tokiwa Kotaro, estou “apaixonado por uma pessoa chamada Utakata Tsukino”.

Enquanto acariciava o peito em alívio, Takanashi-san insistiu alegremente:

— Espera, faz tempo que não ouço falar disso, mas como estão as coisas de verdade? O progresso com a Utakata-chan.

— Não há progresso algum. Venho dizendo isso desde sempre. Utakata-san é estritamente uma “pessoa que admiro”. Ela é uma “flor no alto de um penhasco”, completamente fora do meu alcance, com quem eu nem sequer tenho contato; progresso é simplesmente impossível.

— Haa... As histórias de amor do Banjō são chatas pra caramba, como sempre.

— Minhas mais profundas desculpas.

Balancei a mão, dispensando o assunto. Sim, algum tempo atrás, eu alimentei Takanashi-san com essa “história de amor falsa e muito entediante”. O motivo... bem, é óbvio.

Para impedi-la de perceber que a pessoa de quem eu realmente gosto é Takanashi Mifuru — ela.

É claro que o ideal teria sido conseguir esconder completamente o fato de que eu estava apaixonado por alguém. Mas, como o alvo da minha afeição ficava bem na minha frente durante o trabalho, às vezes eu acabava mostrando aquela “cara de virgem apaixonado” que Takanashi-san mencionou antes.

O resultado de tentar escapar da perseguição dela em relação a esse assunto da forma mais natural possível foi esta configuração: “Tokiwa Kotaro tem sentimentos por uma pessoa chamada ‘Utakata Tsukino’”.

A propósito, Utakata-san é uma pessoa real e uma pequena celebridade por aqui. O motivo é que ela é uma jogadora profissional de shogi. E, além disso, uma estudante colegial ativa, detentora do título de “Genryu Feminina”.

E, bem, como posso dizer isso nos tempos de hoje — francamente, ela era uma beldade. Longos cabelos negros e lustrosos, olhos amendoados cheios de inteligência, uma figura esguia, como a de uma modelo. Era uma mulher que chamava atenção o bastante para que a cobertura da mídia fosse claramente de outro nível.

E essa Utakata Tsukino-san. Originalmente, ela já era um tanto famosa por aqui como uma garota prodígio do shogi, mas sua fama saltou para o nível nacional no torneio da Genryu Feminina algum tempo atrás. Uma jovem jogadora de shogi avançando pela liga e, por fim, desafiando a Genryu Feminina para realizar uma verdadeira façanha contra todas as expectativas era um assunto extremamente chamativo.

Embora, desde que conquistou o título, ela não tenha tido nenhum feito particularmente marcante, e o frenesi nacional pareça ter se acalmado um pouco. Ainda assim, sua popularidade local continuava profundamente enraizada.

Por um tempo, eu ouvia constantemente o nome dela e rumores exagerados sobre ela vindos dos clientes homens do café. Coisas como: “Eu a vi comprando batatas no supermercado do bairro, então ela deve ser prendada”, ou “Aquela tenacidade nos lances dela significa que ela com certeza é do tipo que ama de forma pesada”, ou “Na verdade, ouvi dizer que ela gosta de jogos de tabuleiro”. Bem, uma glorificação conveniente e superficial demais corria solta.

Mas foi exatamente por isso que achei que poderia usar esse frenesi.

Eu seguiria com a configuração de que sou apenas mais um entre as massas fervilhantes que suspiram por “Utakata Tsukino”. Julguei que isso seria fácil de sustentar como uma “história de amor falsa, rasa como papel, porém sustentável”. ... Bem, a desvantagem é que ela é tão rasa que até eu mesmo me esqueço dela com frequência.

— Banjō, tipo, você devia tentar se declarar de leve ou algo assim.

Takanashi-san sugeriu isso enquanto aplicava nas unhas algo que parecia ser um produto de acabamento.

Desviei da sugestão casualmente, como sempre.

— Não, não existe isso “de leve” quando se trata de uma confissão amorosa.

— Existe sim. Tenta mandar uma mensagem no LINE dizendo “Acho que talvez eu goste um pouco de você” ou algo assim.

— Que ritmo animadinho e nojento é esse? Espera, Takanashi-san, o que você pensaria de um conhecido homem que, do nada, mandasse uma mensagem dessas pelo LINE?

— Eh, impossível. Bizarro. Super irritante. Talvez eu até expusesse ele nas redes sociais.

— Você literalmente acabou de me incentivar a fazer isso, não acabou?

— Ah-ha-ha.

— Do que você está rindo?

Essa mulher quase arruinou minha vida por diversão. Ela é o demônio? Além disso, obviamente, eu não sei as informações de contato de Utakata Tsukino-san. Mas, quanto a isso, talvez eu já tenha jogado em conversas passadas uma configuração aleatória de que “somos conhecidos”, então vou simplesmente deixar passar por enquanto.

Falei com Takanashi-san, que aplicava cuidadosamente o acabamento na unha do mindinho.

— De todo modo, agora estamos testando este novo jogo de dados. E a próxima é a sua vez, Takanashi-san.

— Era? Foi mal, foi mal. Então, o que eu faço mesmo?

— Primeiro, por favor, role estes cinco dados de uma vez. Então, com esses resultados...

— Se eu tirar cinco “Números do Sukipi”, é uma Grande Vitória instantânea, né?

— Não, não existe nenhum sistema estilo Exodia assim.

— Exo...? Otakus que se satisfazem com referências obscuras assim são seriamente irritantes.

— Eu não quero ouvir isso de alguém que usa casualmente conceitos misteriosos como “Número do Sukipi”.

— Ah, um Número do Sukipi é, tipo, um número que representa o seu favorito—

— Ah, estou bem sem esse tipo de lógica de festeira. Desculpe por isso.

Pedi desculpas e recuei, limpei a garganta com um cof-cof e corrigi o rumo da conversa.

— Enfim, primeiro role os dados. Aqui.

Tentei entregar os cinco dados a ela. Mas Takanashi-san apenas olhou de relance para eles e não fez menção de pegá-los. Enquanto eu inclinava a cabeça, Takanashi-san deu um sorriso sem jeito.

— Desculpa, Banjō, é que agora minhas mãos estão assim.

Takanashi-san exibiu as unhas ainda não secas. Soltei um suspiro de exasperação.

— Por que, entre todos os momentos possíveis, você decidiu fazer as unhas durante o teste de um jogo de tabuleiro?

— Nah, mesmo que meus dois braços estejam ocupados com as unhas, eu ainda tenho o Banjō.

— Você está contando comigo como se eu fosse seus próprios braços?

Incrível. Uma extrovertida nata. O conceito dela de “outras pessoas” era fundamentalmente diferente do meu.

Não pude evitar resmungar, misturando as palavras a um suspiro.

— Haa... então você não devia ter dito que ajudaria no meu teste de jogo de tabuleiro desde o começo.

— Ehh? Mas jogos de tabuleiro são definitivamente mais divertidos com duas pessoas do que com uma, certo?

— Isso... é verdade, mas...

— Então sair comigo é a única escolha. Né, Banjō, está se divertindo?

Takanashi-san sorriu inocentemente enquanto dizia isso. ... Ah, droga...

Eu gosto demais dela.

Essa pessoa é realmente, realmente fofa demais em momentos assim. Caramba!

— Certo, Banjō, role meus dados e jogue meu turno por mim.

— Não, nesse ponto isso praticamente vira uma partida solo minha, não é?

— Ishishi.

— Francamente...

Enquanto resmungava, rolei os dados por ela a contragosto. ... Para pessoas como eu, a verdadeira emoção de um jogo de dados está justamente aqui. No momento em que você rola os dados barulhentos com a própria mão. Se deixar isso para outra pessoa, o significado de jogar um jogo de tabuleiro é—

— Bem, mas o mais importante em jogos de tabuleiro é com quem você se senta à mesa, certo? Nesse ponto, eu estou me divertindo pra caramba agora, então não tem problema. E você, Banjō?

— ... Quem sabe.

Estou me divertindo pra caramba. Eu gosto de você. Eu amo você. Você é tão preciosa que chega a doer.

Mas, conseguindo conter as palpitações, respondi de forma simples enquanto jogava o turno dela. Sou completamente fácil, até para mim mesmo. Às vezes, penso que essa gyaru sabe de tudo e está apenas enrolando um sujeito como eu em volta do dedo. ... Bem, se esse fosse o caso, na verdade seria mais fácil.

Enquanto colocava os dados de Takanashi-san no tabuleiro e avançava o jogo, ela olhou vagamente para aquilo e reacendeu a conversa sobre amor.

— Bem, na verdade, quando se trata de amor, você precisa começar expressando seus sentimentos.

— Isso, bem, faz sentido.

— Não é só fazer sentido, é a verdade. Ah, nesse sentido, ganhando ou perdendo...

Ela parou ali, alternou o olhar entre o jogo de tabuleiro e eu, e declarou:

— O jogo do amor não começa se você não rolar os dados primeiro.

— Sim, pare com essa cara convencida e com a expressão com furigana mais sem graça do mundo.

A gyaru autoproclamada especialista em romance estava tentando soar inteligente para um otaku ao conectar amor e jogos de tabuleiro. Qual é a dessa pessoa? — Embora ela seja superfofa.

Tentei mudar levemente de assunto para esconder meus sentimentos por ela.

— Você fala como se fosse fácil, mas, na prática, essa rolagem de dados no jogo envolve riscos altos. Dependendo do caso, é um item perigoso que carrega o risco de destruir relações humanas. Não dá para simplesmente rolar um dado com probabilidades assim tão facilmente, certo?

— Nah, destruir relações humanas? Em primeiro lugar, a Utakata-chan e o Banjō, em termos de relacionamento, não são nada—

— De todo modo.

Quando ela mencionava o assunto dessa “pessoa de quem eu gosto”, eu forçava a conversa a terminar para impedir que ela descobrisse quem eu realmente queria dizer.

— Não tenho intenção de me declarar por enquanto. Estou bem assim.

— ... Ah, é.

Takanashi-san respondeu sem emoção, aparentemente decepcionada comigo e perdendo o interesse, voltando ao trabalho de secar as unhas.

... Sinceramente, eu tinha consciência de que disse algo sem graça.

De fato, mesmo em jogos de tabuleiro, há momentos em que fazer uma aposta ruim é justamente o que torna tudo empolgante. Mesmo que você perca a partida, as lembranças divertidas certamente são insubstituíveis.

Takanashi-san provavelmente estava dizendo que o amor era igual. Eu sei muito bem que, em vez de ficar me lamentando assim, me declarar, assumir o risco de ser esmagado e fracassar com certeza seria mais revigorante. Mas... eu ainda não consigo. Não consigo me declarar para Takanashi-san. Porque—

Naquele instante, o smartphone de Takanashi-san, que havia sido deixado casualmente sobre a mesa, vibrou. Num piscar de olhos, a tela acabou entrando no meu campo de visão sem que eu tivesse a intenção de olhar.

Era esperado, mas vi algo que não queria ver. Imediatamente desviei o olhar por educação, mas Takanashi-san, como sempre, não pareceu se importar nem um pouco.

— Vou atender, Banjō.

— Fique à vontade. Ah, mas, se for conversar, vá para a sala dos fundos—

— Sim, sim, sou eeeu!

Ela não estava ouvindo. Takanashi-san atendeu o telefone com muita energia. Bem, não há clientes, então tudo bem. Embora eu esteja aqui.

— Usa-kun, e aííí? Que raro você ligar!

Em completo contraste com a tensão um tanto desanimada que ela tinha enquanto falava comigo momentos antes, Takanashi-san começou a conversar com uma voz um tom mais alta e, acima de tudo, com um sorriso radiante.

Senti-me constrangido por vários motivos e me levantei para sair do assento. Mas Takanashi-san, percebendo isso de forma aguçada, me impediu com o olhar e um gesto da mão. Parecia querer dizer: “Não se preocupe com isso”, “Banjō, pode ficar aí”.

S-Sim. Não, eu agradeço a consideração em si, mas, pessoalmente, não quero estar aqui por vários motivos...

Mas, incapaz de protestar, sentei-me de volta, impotente, e retomei a verificação do manual de regras que estava lendo há pouco. Naturalmente, nada entrava na minha cabeça.

Porque, bem na minha frente, Takanashi-san... minha paixão séria...

— Ehehe. Queee é isso? Hilário, nossa. ... Sim. Eu também te amo.

— Estava flertando pesado com o namorado!

— Eh? Sim, estou no trabalho. Ah, tudo bem, tudo bem. Zero clientes agora. Ahaha, como se eu fosse ter uma conversa dessas na frente das pessoas.

Opa, aparentemente eu nem sequer era contado como uma “pessoa”, muito menos como um “homem”.

Involuntariamente, apertei o manual com força. Mas, por mais fino e barato que fosse o papel, o manual de instruções era um componente respeitável do jogo de tabuleiro. Contive-me e impedi que rugas se formassem nele. Senti uma tristeza estranha por conseguir controlar a força dos dedos com a razão mesmo em um momento como aquele.

Enquanto percorria inutilmente o texto do manual com os olhos, voltei minha consciência para dentro de mim, a fim de bloquear o significado da conversa dela.

... Não há necessidade de explicar agora, mas esse é o maior motivo pelo qual não consigo me declarar para ela.

A gyaru que é fofa, tem uma boa personalidade e é gentil até com alguém como eu naturalmente tem um parceiro.

É, bem, pensando normalmente, a única reação possível é: “Bem, óbvio.” Eu não era presunçoso a ponto de achar que era o único homem que havia percebido o charme dela, e ela nunca mentiu para mim dizendo que estava solteira. Na verdade, soube da existência do namorado dela em um estágio bastante inicial depois que começamos a ter conversas particulares.

Em outras palavras, eu descuidadamente me apaixonei por Takanashi-san mesmo sabendo que ela tinha namorado.

Verdadeiramente, só posso chamar isso de tolice.

É por isso que eu nem sequer tenho o direito de chamar isso de coração partido. Sou apenas um canalha suspirando pela amante de outra pessoa.

Naturalmente, uma confissão está fora de questão. Mais do que isso, do jeito que estou agora, quero impedir até mesmo a menor possibilidade de ela descobrir esses sentimentos. Não, eu preciso impedir.

Porque, para alguém que já tem um parceiro amado, não há nada mais irritante e assustador do que ter um colega de trabalho direcionando uma afeição egoísta a ela.

O mesmo vale para o namorado de Takanashi-san. Ter a namorada abordada romanticamente por um colega do trabalho de meio período seria nada além de desagradável. E, no pior dos casos, isso poderia até se tornar um motivo para ela pedir demissão deste emprego.

No entanto, Takanashi Mifuru é absolutamente necessária para este café. Para o gerente, para os clientes... e, nem é preciso dizer, para mim, Tokiwa Kotaro.

Todos desejam que ela possa trabalhar aqui de forma livre e feliz.

Em resumo.

Meus sentimentos românticos são algo que, do ponto de vista de qualquer pessoa, não passam de um incômodo.

E, ainda assim, meus sentimentos românticos são algo que simplesmente não desaparecem.

Na verdade, “eu sair do emprego” seria, atualmente, a solução mais simples e melhor. Mas nem isso é tão direto por um motivo.

— ... Opa.

Meu smartphone vibrou no bolso, então o verifiquei e vi que uma imagem havia sido enviada no LINE do grupo da loja. Um playboy loiro — embora na casa dos quarenta —, de pele bronzeada, óculos escuros e dentes brancos brilhando de forma nada natural, tirava uma selfie com o mar ao fundo, uma prancha de surfe debaixo do braço. ... Era o gerente.

<Uma grande onda virá amanhã de manhã. ... O mar do Havaí me contou.>

— Não, ele te contou isso ontem e anteontem também, seu merda!

Joguei meu smartphone com o impulso da minha resposta, mas consegui me conter. Então, o pedido “de sempre” do gerente chegou naquele smartphone.

<Então, vou deixar a loja totalmente nas suas mãos por um tempo, “Gerente Interino” Banjō-kun.>

— Haa...

Instintivamente, levei a mão à cabeça.

Sim. Esse é o maior motivo pelo qual não consigo simplesmente largar este emprego.

No momento em que eu sair, este café de jogos de tabuleiro desmorona.

Infelizmente, isso não é excesso de autoconsciência da minha parte. Afinal, atualmente estou cuidando de noventa por cento das funções do gerente. Não, é claro, normalmente não deveria haver problema algum se eu fosse embora, desde que o gerente estivesse aqui — mas, bem, ele é daquele jeito. E, infelizmente, esse gerente não tem apego algum a “Jogos de Tabuleiro”. Eu diria que ele tem temperamento de proprietário. No instante em que julgar este café de jogos de tabuleiro como um “modelo de negócio problemático que não dá lucro”, ele imediatamente mudará o conceito da loja para outra coisa. Na verdade, o interior da loja já começou a ficar bem havaiano por causa dos hobbies do gerente.

Em outras palavras, se eu sair, no mínimo este “Café de Jogos de Tabuleiro” definitivamente acabará.

Sério, como foi que as coisas chegaram a esse ponto? Eu era só um humilde otaku de classe baixa; desde quando acabei carregando tanta responsabilidade nas costas?

No começo, eu deveria ser apenas um otaku contratado temporariamente como funcionário de meio período por ter um pouco de conhecimento sobre jogos de tabuleiro. Depois, em algum momento, começaram a pedir minha opinião sobre o estoque de jogos. Em seguida, fui incentivado a propor cardápios adequados para um café de jogos de tabuleiro, depois a negociar esse estoque, depois a revisar o ar-condicionado — e, como resultado de tarefas sendo delegadas de forma derivativa assim...

Por fim, o gerente me confiou noventa por cento da administração da loja e partiu para uma viagem de surfe que, no nome, era apenas “treinamento”.

Uma carga de trabalho insana, impensável para um funcionário de meio período. O fato de meu salário por hora não ter aumentado torna isso uma verdadeira empresa exploradora. Ultimamente, tenho usado o carimbo registrado do gerente como se fosse algo normal e, sinceramente, não seria estranho se este lugar afundasse a qualquer momento — não, o mais estranho é que ele ainda não tenha afundado. Esse é o estado atual deste lugar.

Pensando apenas em mim mesmo, eu deveria largar um emprego desses imediatamente.

A colega por quem tenho sentimentos vive se derretendo pelo namorado, o gerente é um filho pródigo, a carga de trabalho é brutal, não consigo jogar jogos de tabuleiro tanto quanto gostaria e, acima de tudo, o salário é baixo.

Grosso modo, a troca equivalente não se estabelece; é a pior situação possível. E, ainda assim...

Ao erguer os olhos do smartphone de repente, Takanashi-san ainda conversava alegremente com o namorado.

— Ah, sim, isso é meio preocupante. Lá no nosso lugar, sério, tem poucos clientes—

Parece que o assunto ainda era este emprego de meio período. Takanashi-san olhou de relance para mim e, enquanto eu me perguntava o que ela queria dizer, acenou levemente com um sorriso. Quando retribuí com um pequeno aceno e um sorriso sem jeito, Takanashi-san olhou para mim e — disse ao namorado:

— Mas eu gosto, sabe? Deste trabalho.

— Tsk.

Não consegui olhar nos olhos dela. Involuntariamente, desviei o olhar. ... Não é como se ela tivesse confessado amor por mim, mas meu coração estava batendo como um alarme. Takanashi-san, parecendo não notar nem um pouco minha agitação, continuou falando com o namorado ao telefone.

— É tranquilo, livre e confortável, então é basicamente nível divino, né? E também consigo falar com o Usa-kun assim.

Takanashi-san deixava a voz saltitar com um sorriso inocente. Enquanto suspirava “francamente”, acabei encarando seu perfil com um olhar gentil.

— Sim, este é o verdadeiro motivo pelo qual não quero deixar esta loja falir.

Mesmo que o motivo seja ela poder passar bastante tempo com o namorado.

Ainda assim, quero proteger, tanto quanto possível, o emprego de que a pessoa por quem estou apaixonado gosta. Quero protegê-lo por ela.

É claro que, se esta loja falir por dificuldades financeiras, não haverá o que fazer. Mas, ao menos, não posso ignorar a data sendo antecipada “porque eu pedi demissão”.

Como resultado, continuo aqui, arrastando isso sem fim—

— Sim. Nossa, quantas vezes você vai me fazer dizer isso? ... Eu te amo, Usa-kun.

— Sendo forçado a assistir à pessoa por quem me apaixonei flertando praticamente da primeira fila todos os dias. Hmm, será que eu chutei um monte de animais acasalando na minha vida passada ou algo assim? Caso contrário, sinto que caí em um inferno absolutamente incompreensível.

Para me distrair, peguei uma das balas embaladas individualmente para os clientes, empilhadas no cesto sobre a mesa. Como convinha a um café de jogos de tabuleiro, era uma bala quadrada em formato de dado. Ela era fornecida gratuitamente para fins de propaganda por uma confeitaria local. A propósito, diferente de dados reais, os pontos em uma única bala eram todos iguais. Balas com apenas 6 ou apenas 1 vinham aleatoriamente nas embalagens individuais. Em outras palavras, até o ato de abrir a embalagem tinha uma especificação com significado parecido com uma rolagem de dado.

Incidentalmente, o resultado da bala que abri desta vez foi “3”. Não era 1, não era 6, mas um número ligeiramente abaixo do valor médio esperado. De algum modo, um número muito “eu”. — E então.

— ?

No momento em que eu estava prestes a colocar a bala na boca, Takanashi-san, ainda mantendo a chamada, bateu na mesa com os dedos, toc-toc, como se quisesse pedir algo.

— Sim. Acho que posso sair em breve? E você, Usa-kun?

Enquanto eu inclinava a cabeça, Takanashi-san fez instruções com o corpo sem parar de falar ao telefone. Ela fazia um gesto de pinçar algo pequeno com a mão direita e levá-lo à boca.

— Hum... ... Ah, você quer uma bala?

Adivinhando vagamente, confirmei em um sussurro. Takanashi-san assentiu repetidamente, koku-koku. Entendi. Como uma das mãos estava ocupada com o smartphone, ela não conseguia abrir a embalagem da bala.

Murmurei “Entendido” e, primeiro, para comer a bala que eu estava prestes a co—

— ?

Naquele momento, Takanashi-san bateu na mesa com ainda mais força do que antes, toc-toc-toc! Ao olhar, ela parecia um pouco irritada por algum motivo. Fiquei confuso, sem entender o significado. Então, Takanashi-san lentamente acrescentou instruções com o movimento do dedo. Especificamente... parecia significar isto:

<Dê essa para mim.>

— Hã? Não, por quê—

Depois de dizer isso, percebi de repente. Agora que pensava bem, aquelas balas eram de sabores variados. Um pacote grande continha seis de cada sabor: limão, cola e soda. E a que eu estava prestes a comer era de limão, mas... olhando para o cesto de balas à minha frente, as restantes eram apenas de cola e soda.

— Ah, você gosta do sabor limão, Takanashi-san?

Takanashi-san assentiu repetidamente. Droga, fiz algo ruim. Normalmente, presto bastante atenção aos sabores que consumo devido a certas circunstâncias, mas logo hoje, priorizando desviar os olhos da realidade, parece que peguei inconscientemente a última bala de limão. Para piorar, eu até a tinha segurado diretamente com a ponta dos dedos. Embora eu tivesse higienizado as mãos com álcool pouco antes, uma bala que toquei diretamente provavelmente não seria comestível para ela.

— Desculpe, vou repor algumas novas lá dos fundos, então espere só—

<Dê essa para mim.>

Takanashi-san insistiu, apontando alternadamente para a bala que eu segurava e para a própria boca. Qual é a dessa pessoa, ela é o Gian? O tipo que não consegue suprimir um desejo depois que ele acende?

Mas, mesmo assim, eu já a tinha segurado com os dedos.

Para fazê-la confirmar claramente esse fato, estendi a bala presa entre os dedos na direção dela.

— Como eu disse, olha, eu já encostei niss—

Enquanto dizia isso, no instante em que empurrei a bala para frente.

— Ham.

— Eh.

Como um peixe abocanhando uma isca na pesca com mosca.

Os lábios úmidos de Takanashi Mifuru envolveram a bala. — Junto com as pontas dos meus dedos.

— ────

Ela recolheu a bala como se a lambesse com a ponta da língua.

Então, assim que pensei que ela havia se afastado, fazendo um som estranhamente brilhante de chupo.

Enquanto me encarava de frente de forma um tanto provocante, ela transmitiu apenas com o formato dos lábios.

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Takanashi-san lambeu os próprios lábios de forma sedutora com a ponta da língua.

— ............

............ ............ Ah, entendi.

Então é isso que significa ter o cérebro fritando.

Fiquei parado, atordoado, incapaz de mover nem um milímetro as pontas dos dedos, que estavam levemente úmidas e frias.

Porém.

— Beleza, então, na nossa loja em dez minutos. Sim... sim. Também estou ansiosa. Até mais, Usa-kun.

Fui puxado de volta à realidade de uma só vez pela chamada seguinte de Takanashi-san com o namorado. Ao mesmo tempo, não sei por consideração a quem ou a quê, mas percebi que tinha limpado às pressas as pontas dos dedos com um lenço umedecido descartável dos suprimentos. ... Pensando agora, isso em si parece um pouco rude, mas também não faço ideia de qual teria sido a reação correta. Ao menos, o que sei agora é que Takanashi-san parecia ter zero interesse nas pontas dos meus dedos ou qualquer coisa do tipo.

— Então é isso, Banjō. Usa-kun vem me buscar em dez minutos. Arruma esse cabelo de quem acabou de acordar—

— Não, por que eu preciso me arrumar para o Usa-kun?

Enquanto retrucava, passei a mão pelo cabelo, perguntando-me se ele estava mesmo bagunçado. Takanashi-san riu, “shishishi”, e então desapareceu no banheiro para retocar a maquiagem também.

Observei-a sair e voltei a encarar as pontas dos meus dedos. ... Sinceramente, aquela sensação de estar flutuando havia desaparecido por completo.

— ... Algo assim não é grande coisa para Takanashi-san, não é...

Situações em que você percebe a “diferença de temperatura” entre si e os outros são sempre dolorosas. Pelo contrário, na mesma medida em que eu havia me empolgado sozinho, agora eu parecia, aos meus próprios olhos, um homem irremediavelmente diminuído.

Limpei as pontas dos dedos com força mais uma vez e joguei o lenço umedecido descartável na lixeira.

— Certo, vamos mudar de foco. Primeiro... isso, repor as balas.

Então, lembrei que o sabor limão havia acabado antes. Peguei um novo pacote sortido atrás do balcão e despejei tudo no cesto com um chocalhar. Mais cedo, pensei instantaneamente: “Desculpe por pegar a última de limão”, mas, pensando com calma, o fator que fazia o sabor limão acabar rápido provavelmente também era Takanashi-san.

— Ah, isso é igual a um pequeno sistema de Escolha de Dados.

Olhando para as balas em formato de dado, murmurei uma piada leve sobre jogos de tabuleiro para mim mesmo e sorri amargamente.

Um sistema de Escolha de Dados é um sistema no qual você escolhe e usa, entre vários dados rolados, aquele que é mais conveniente para você naquele momento.

O lado bom disso provavelmente está no ponto em que os elementos de sorte são levemente misturados ao uso dos dados. Na parte da “escolha”, ainda sobra algum espaço de intervenção para o jogador. Especialmente no caso de um formato em que todos escolhem — ou fazem um draft — a partir de uma reserva comum de dados, isso fica bem evidente. O dado que você queria é levado pela pessoa do turno anterior, ou vice-versa. Ser jogado de um lado para o outro pela sorte, alegrando-se e lamentando-se por causa dessas táticas, é irresistível. É por isso que............

Peguei uma bala de limão no meio da enorme quantidade de balas-dado e murmurei:

— Bem, por mais que você queira algo, se já foi escolhido por outro jogador, não tem jeito, certo?

Para quem aquelas palavras eram direcionadas? Nem eu mesmo sabia direito.

Mas, no instante seguinte—

— Não, não.

Uma mão que surgiu de repente por trás tomou vividamente a bala de limão da minha mão.

Virei-me em pânico. E ali—

— Você tem que agarrar aquilo que quer, certo?

Estava um garoto loiro do ensino médio, com uma aparência que até eu, sendo do mesmo sexo, acabaria admirando sem querer.

— ... Usa-kun.

— Yo, Tokiwa-kun.

Ele me cumprimentou com um sorriso inocente, abrindo a mão oposta à que segurava a bala.

O namorado de Takanashi-san — Itsuki Usa.

Um belo rapaz cuja existência estava em um nível completamente diferente do meu, que vivia franzindo a cara, com cada gesto dele sendo refrescantemente estiloso.

Como se eu desviasse os olhos de um sol claro demais, respondi enquanto olhava para o lado por instinto.

— V-Você chegou cedo, Usa-kun. Takanashi-san disse que levaria mais uns dez minutos...

— Ah, por algum motivo meu LINE estava estranho e teve um atraso. Mais importante. Ela só comeu o sabor limão de novo, né? E aposto que foi arrancando de você, Tokiwa-kun.

O assunto voltou ao ponto original instantaneamente. Além disso, aquela percepção dele também era estranhamente afiada; como sempre, ele era uma pessoa tão competente que chegava a irritar.

Mas, sinceramente, para alguém que, até um instante atrás, estava projetando nossa situação naquela bala de limão, envolver-me nesse assunto com Usa-kun era constrangedor demais. Tentei afastar aquilo de leve enquanto virava as costas para ele, fingindo ter outro trabalho a fazer.

— Ah, bem, sim. Mas, na verdade, qualquer sabor servia para mim, então...

Ao chegar nesse ponto, lembrei que eu ainda nem tinha lambido uma bala. Certo, onde coloquei a bala que estava segurando antes...

Enquanto tateava o bolso do avental de funcionário, Usa-kun continuou a conversa.

— Tokiwa-kun, você não precisa se conter e fazer tudo o que a Mifuru manda.

— Hm? Ah, não, não foi nada demais...

Parece que havia um pequeno mal-entendido. Virei-me para ele a fim de corrigir isso. E—

— Aqui.

— Eh.

Naquele instante, algo foi pressionado contra meus lábios. ... Uma bala?

Ao olhar, Usa-kun estava pressionando uma bala contra meus lábios com as belas pontas dos dedos. Atordoado, aceitei-a instintivamente, ploc, para dentro da boca. Ao mesmo tempo, senti como se tivesse prendido por um instante a ponta do dedo de Usa-kun com os lábios, mas Usa-kun sorriu de forma refrescante, sem parecer se importar nem um pouco.

— Gostosa?

— Eh? Ah, s-sim. O-Obrigado...

— Então está bom.

O jovem loiro sorriu inocentemente, como uma criança que teve sucesso em ajudar os pais. Quase fui engolido por aquela “luz” avassaladora. Mas, ao mesmo tempo...

— Viu? Eu te disse, certo?

— Hum... o-o que mesmo?

Para mim, que continuava atordoado, Usa-kun prosseguiu sem demonstrar impaciência.

— Você tem que agarrar aquilo que quer.

— ............

Fiquei em silêncio sem querer. ... Os olhos límpidos de Usa-kun estavam um pouco assustadores agora.

Agarrar aquilo que quer.

Eram palavras calorosas, empurrando minhas costas para que eu não desistisse do amor, e, ao mesmo tempo.

Pareciam me cortar impiedosamente, dizendo que não havia valor nas coisas que você não consegue alcançar.

Mas, na verdade, não havia como confirmar com que intenção Usa-kun disse aquilo. Não, eu não queria confirmar. No fim, respondi com uma reação segura, como sempre.

— S-Sem chance, os gestos de um cara popular são mesmo diferentes. Fazer isso com tanta naturalidade com qualquer pessoa—

— Hã? Não, não, eu não faria isso a menos que fosse alguém de quem sou seriamente próximo. Você é burro?

— ............

— Mais importante, chegou algo novo? As recomendações do Tokiwa-kun são seriamente sempre as melhores.

Dizendo isso como se não fosse nada, Usa-kun caminhou em direção à estante de jogos de tabuleiro. ... Entendi, entendi.

Não, eu me apaixonaria por ele, droga!

Eu já sabia, mas Usa-kun não era apenas um conquistador. O que é esse agradador natural de pessoas? Poder humano avassalador. O fato de aquilo não parecer intencional tornava tudo ainda pior. Porque, justamente por isso, eu era levado a perceber de forma dolorosa a minha própria “insuficiência”. Ou melhor, a tolice de suspirar por Takanashi-san era jogada diante de mim.

... Mas, bem, mais do que isso. De forma mais simples. De forma mais problemática.

— Ah, na verdade, uma novidade de que Usa-kun provavelmente vai gostar chegou recentemente. Olha, você gosta de temas espaciais, certo?

— Eh, sério?

— Sim. Eu estava lendo o manual até agora há pouco, e, por enquanto, a sensação é bem boa. Aqui, este.

— Oh, a arte já é nível divino! Estou ficando empolgado!

— Eu amo este rival como amigo.

É exatamente por isso que meus sentimentos românticos não devem ser percebidos por ninguém. Porque isso só geraria resultados que não seriam bons para ninguém.

Depois de florescer em uma conversa sobre jogos de tabuleiro com Usa-kun por cinco minutos, Takanashi-san, finalmente retornando depois de retocar a maquiagem, nos cobriu com palavras espinhosas no instante em que viu Usa-kun e eu.

— Ah, o Banjō está roubando meu namorado de noooovo!

— Estou roubando.

— Estou sendo roubado.

Enquanto nós dois ignorávamos Takanashi-san com naturalidade, continuamos verificando as regras do jogo de tabuleiro.

— Mas, Tokiwa-kun, o padrão de penalidade quando esse processo se sobrepõe...

— Ah, certamente esse padrão também é possível. Isso foi um ponto cego. ... Sim, acho que vou fazer um resumo esclarecendo essa parte antes de colocar o jogo na loja.

— Eh, sério? Você é dedicado como sempre, Tokiwa-kun. Eu o respeito do fundo do coração.

— Não, falando nisso, o ponto de vista de Usa-kun é que é impressionante, ou melhor, perceber isso em tão pouco tempo...

— Parem de ignorar a namorada e flertar.

Takanashi-san finalmente começou a fazer birra. Usa-kun sorriu sem jeito e disse:

— Desculpa, desculpa.

Imediatamente, Takanashi-san respondeu:

— Está tuuudo bem~

Com um sorriso derretido. ... Certo.

— Eu também peço desculpas, Takanashi-san.

— Ah, o Banjō faz um dogeza flamejante.

— Exijo esclarecimento sobre os padrões de penalidade aqui também!

A diferença de tratamento entre o namorado dela e o restante da humanidade era brutal. Tenho a tendência de avaliar rapidamente Takanashi-san como uma “gyaru que trata todos igualmente”, mas talvez eu precise reconsiderar isso um pouco.

Takanashi-san se aconchegou em Usa-kun e puxou o braço dele para apelar.

— Ei, Usa-kun, vamos logo. Já cansei de jogos de tabuleiro.

Condenei severamente Takanashi-san por agir de forma grudenta com o namorado.

— Não, você não jogou o bastante para se cansar, Takanashi-san. Aproveitando a falta de clientes de hoje, você não ficou só mexendo no cabelo e nas unhas o tempo todo?

Mas Takanashi-san também me encarou de volta e rebateu com força.

— Cansei de assistir ao Banjō. É igual ver um vídeo de alguém comendo uma porção gigante e acabar sentindo vontade de vomitar também.

O irritante era que a metáfora era vagamente compreensível. Essa pessoa, sério, é do tipo que tem inteligência alta apesar de não ter conhecimento. Bem, eu também gosto dessa parte nela.

Vendo eu e Takanashi-san trocando faíscas, Usa-kun riu baixinho.

— Vocês se dão bem como sempre.

— Não, de onde, nessa troca, vem essa impressão?

Quando respondi, como se estivesse espantado, Usa-kun devolveu com suavidade, como se não fosse nada.

— Não, é que eu nunca tive permissão para ver Takanashi-san mexendo nas unhas e coisas assim.

— ...

Por um instante, levei um susto, como se alguma traição tivesse sido apontada, mas, pensando bem, isso não era óbvio? Respondi misturando um suspiro de “francamente”.

— Bem, como é uma preparação para ficar bonita para o Usa-kun, ela não faria isso na frente do Usa-kun.

— Ah, isso também é verdade. Ponto cego.

Usa-kun recuou facilmente. Bem, naturalmente. Afinal, aquilo era mesmo verdade. Para extravasar a irritação de ter sido agitado inutilmente, joguei a conversa para Takanashi-san.

— Takanashi-san, diga alguma coisa para—

— ............ Hein?

— ? Takanashi-san?

Ao olhar, Takanashi-san tinha uma agitação pairando no rosto por algum motivo. E, como posso dizer...

Que expressão foi aquela agora? Vergonha... e também raiva? E direcionada ao Usa-kun? Mas por quê?

Com nossa convivência densa ao longo destes últimos meses, eu deveria ter me tornado bastante capaz de ler as emoções dela... mas aquilo agora não fazia sentido algum. Em que parte da conversa atual havia algum elemento para ela ficar com raiva de Usa-kun?

Será que é uma história baseada em coração de donzela, tipo ela não queria que ele soubesse que estava se arrumando para o Usa-kun? Não, nesse caso, quem deveria receber a raiva sou eu...

Eu realmente não entendia a situação. Mas decidi me desculpar por ora.

— D-Desculpe, Takanashi-san. Isso, bem, talvez eu tenha sido pouco delicado agora há pouco.

— Eh? ... Ah, sim. Sério, Banjō. Essa parte sua, só essa parte.

— S-Sim. Com licença. Terei cuidado de agora em diante.

— Umu, dedique-se ao aprimoramento.

— Não, que relação de mestre e discípulo é essa?

Usa-kun, que observava a troca entre mim e Takanashi-san, retrucou com uma expressão espantada. Respondi com um sorriso sem jeito.

— Veja, sou bem informado sobre jogos de tabuleiro, mas fraco em habilidades interpessoais.

— Sério? Eu acho o Tokiwa-kun super fácil de conversar, e só tenho boas impressões de você.

— U-Usa-kun.

Ah, pare, eu amo essa pessoa. Leve-me com você. Mas, enquanto eu direcionava um olhar de donzela para Usa-kun, naturalmente Takanashi-san interferiu.

— Nah, então para de roubar meu namorado, Banjō.

— Não estou roubando. Eu só quero continuar jogando com Usa-kun para todo o sempre.

— Ah, eu também, eu também.

— Não, meu namorado está totalmente sendo roubado!

Fazendo piadas assim, nós três rimos juntos. E então, Usa-kun finalmente se levantou, como se estivesse desistindo.

— Certo, eu e Mifuru vamos indo logo. Tokiwa-kun vai...

— Ah, eu tenho o fechamento de sempre para fazer, então não se preocupe com—

— Uhuuul, vamos, vamos, Usa-kun. Ei, o que vamos jogar?

— Não, desculpe, quero que você se preocupe pelo menos um pouco.

— LIMPEZA, OBRIGADA, Banjō.

— Uma voz automatizada ainda tem mais emoção.

— Ah, Tokiwa-kun, se o fechamento parecer difícil, quer que eu ajude um pouco?

Sobre a questão do namorado ser uma pessoa boa demais em um nível que não combina com ela.

— N-Não, está tudo bem. Usa-kun, por favor, vá se divertir em uma refeição com sua namorada o quanto antes.

— Isso, isso, vamos sair rápido deste lugar que cheira a jogos de tabuleiro, Usa-kun.

— Ei, você realmente disse isso sobre o próprio local de trabalho.

— Ah, desculpaaa, o que eu critiquei agora como tendo cheiro de jogos de tabuleiro nããão foi o lugar, mas sim o funcionário~

— Muuuuito bem, Takanashi-san, venha aqui. Agora vou fazer uma “Inst” do “Jogo de Arrancar Unhas”.

— Nããão, o Banjō é assustadooorr.

— Uou, espera, Mifuru, não puxa meu braço assim. Até mais, Tokiwa-kun!

— Tchau-tchau, Banjō. Espera, ah, isso mesmo! Me dá uma bala no final!

Virando-se de volta na porta, Takanashi-san pediu que eu jogasse uma para ela. Suspirei de leve, procurei uma de sabor limão entre as balas repostas e a arremessei. Takanashi-san a pegou, abriu a mão para verificar o sabor e...

— Hehe.

Sorriu inocentemente para mim por algum motivo que a deixou feliz. Respondi desviando os olhos.

— Vamos logo, por que vocês não se apressam e vão?

— Uau, esta loja tem uma vibe ruuuim. Vou dar uma estrela depois.

— Sim, sim, faça como quiser.

— Ahaha, até mais, Banjō. ... Desculpa pela espera, Usa-kun! Ei, o que vamos comer?

Brincando alegremente, Takanashi-san puxou a mão de Usa-kun e saiu da loja. Sinceramente, era frustrante além da conta. Além da conta, mas...

— ............ ... Ah, droga, ela realmente tem um sorriso injusto.

Ao me mostrar tanta felicidade assim, como alguém que nutria sentimentos por ela, eu já não podia dizer mais nada. Será que é isso que um fã sente quando sua idol favorita anuncia um casamento feliz? Algum dia, eu gostaria de perguntar ao Takeshi. ............

... É. Mas, bem, se Takanashi-san está realmente feliz, não há mais nada a dizer.

Algo como meus sentimentos românticos, que para ela nem sequer valiam um super chat, deveria ser jogado em algum lugar.

Sim, em algum lugar...

— O jogo do amor não começa se você não rolar os dados primeiro, certo?

— ............

De repente, lembrei-me das palavras dela.

— ............... Mas, bem, se eu vou “jogar” isso fora de qualquer jeito...

Atualmente, havia apenas um dado dentro da bandeja de dados sobre a mesa.

Peguei-o devagar, lembrei-me de repente do resultado da bala-dado que dei a ela hoje — o resultado que me simbolizava —, ri baixinho e declarei a Deus:

— Se sair 3, eu me declaro. Qualquer outro resultado, eu desisto de vez.

Era um amor que terminaria com uma probabilidade de 5 em 6. Uma brincadeira de bem-me-quer, mal-me-quer com probabilidades terríveis. Mas a outra pessoa tinha namorado. Mesmo isso já poderia ser chamado de luxuoso demais.

... Decidido, joguei o dado na bandeja.

Deixar uma escolha importante da vida nas mãos da sorte era verdadeiramente ridículo. Normalmente, alguém deveria escolher a conclusão por si mesmo depois de pensar profundamente e enfrentar seus conflitos.

Mas, quando se trata estritamente de “Amor”, com certeza não existe uma “resposta correta” em lugar nenhum.

Não importa o que eu escolha, vou me arrepender de qualquer forma.

Nesse caso, perder uma aposta ruim por decisão dos céus parece, de alguma forma, mais revigorante.

Exatamente como os jogos de tabuleiro que usam dados.

O importante certamente não é “estar certo”. É “não ter arrependimentos”.

Sob meu olhar intenso, o dado na bandeja girou, fazendo um som seco.

Por fim, parou abruptamente, e então—

— ... Então é assim que vai sair.

— Soltei um grande suspiro diante da brincadeira cruel do destino entregue pelo Deus dos Jogos.

Primeiro, para recuperar o ânimo, comecei lambendo uma bala do meu sabor favorito: cola.

⚂ ⚃ ⚄

Uma bala de limão em formato de dado, com todos os seis lados compostos por três círculos, representando um “3”.

Segurando o objeto amarelo-claro contra o pôr do sol vermelho-vivo, Takanashi Mifuru sorria feliz.

Seu namorado, Usa, que caminhava um pouco à frente, virou-se. Ao mesmo tempo, Mifuru colocou a bala na boca e exibiu uma expressão fofa de puro deleite.

Diante daquela aparência dela, o belo jovem loiro perguntou com um rosto levemente espantado:

— Espera, você gosta tanto assim do sabor limão, Mifuru?

— Bem, sim. Ah, mas, como a rolagem foi boa desta vez, estou ainda mais animada.

— Rolagem? Não, não, que tipo de rolagem influencia o gosto de uma bala?

Interpretando aquilo como uma piada devolvida, Usa riu alto, karakara, e voltou a caminhar à frente.

Mas Mifuru permaneceu parada, traçou o resultado 3 com a ponta da língua dentro da boca e...

Junto com a timidez de uma donzela apaixonada, devolveu aquela resposta em um pequeno murmúrio.

— ... Talvez seja um Número do Sukipi.

(Azure: “Sukipi” é uma gíria moderna japonesa de gyaru. É uma forma fofa de dizer suki na hito, ou seja, “a pessoa de quem eu gosto” / “minha paixão”.)

Esta obra está sendo traduzida pela SpearHead Scan!

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Agradecemos pelo apoio e esperamos ver você no próximo capítulo!

Fim da leitura

Capítulo 1 concluído

Volume 1 – Capítulo 1 – Capítulo 1: O Problema do Lançamento de Dados (Dia 176)