Sistema de Supercomputador Biológico NovelCAPÍTULO 269 - O Encontro 2
Capítulo 269O coração de Erik disparou ao entrar na sala e ver o detetive particular sentado à mesa, com seu olhar penetrante fixo nele. Ele sentiu uma gota de suor escorrer pela testa enquanto se sentava à frente do homem.
— Sr. Romano, presumo — disse o detetive com uma voz grave e rouca. Erik assentiu, sem confiar em sua própria voz.
— Sou o detetive particular Hais. Fui contratado para investigar os desaparecimentos de Logan Reid, Conal Price e Orson Smyth. E acredito que o senhor possa ter algumas informações que poderiam nos ajudar.
A boca de Erik secou. Ele tentou manter a calma, mas sua mente estava a mil. Seu pior medo tinha acabado de se concretizar, e o homem estava ali porque estava investigando o desaparecimento daqueles três filhos da mãe.
— Bom dia, detetive particular Hais — disse Erik. — Farei tudo o que estiver ao meu alcance para ajudá-lo — disse o jovem, forçando um sorriso.
Hais assentiu e disse: — Muito obrigado. Não é muita coisa, na verdade. Só preciso fazer algumas perguntas.
— Que venham, então — disse Erik.
— Pela minha investigação, ficou claro que o senhor tinha um histórico estranho, mas forte, com os três. Gostaria de me contar do que se tratava? Sabe alguma coisa sobre o desaparecimento deles? — perguntou o detetive. Ele queria ver se Erik iria lhe contar tudo.
— Nós não éramos amigos, se é isso que está insinuando, e receio não saber nada sobre o desaparecimento deles — disse Erik, tentando manter a voz firme.
Hais se inclinou para frente, seus olhos fixos nos de Erik. — Não duvido que o senhor não saiba nada sobre o desaparecimento deles, mas qualquer coisa pode ajudar — disse Hais, mentindo descaradamente, já que ele acreditava firmemente que Erik os havia matado.
— Por exemplo, quando foi a última vez que os viu? — perguntou ele, com um tom que deixava claro que não estava acreditando na história de Erik.
Erik sabia que tinha que ter cuidado com suas palavras. — Tenho quase certeza de que o senhor já sabe o que Conal, Logan e Orson fizeram comigo. Quer dizer, é impossível que tenha vindo aqui sem ter perguntado a ninguém sobre isso — disse ele, mantendo a calma.
Hais ergueu uma sobrancelha. — Bem, isso é verdade. Sei que eles fizeram muitas coisas ruins com o senhor; é por isso que estou aqui também. Estou tentando entender se o senhor teve algo a ver com a morte deles.
Erik ficou muito surpreso com a honestidade de Hais, mas o que ele disse significava que ele o suspeitava. Sua mente tentava freneticamente pensar em um álibi que resistisse ao escrutínio do detetive. Hais recostou-se na cadeira, estudando Erik intensamente.
— Então, vou fazer minha pergunta novamente: O senhor sabe o que eles fizeram no dia do desaparecimento? O senhor os viu na escola ou em outro lugar?
Erik suspirou: — Eu os vi na entrada por volta das 08h30, mas me apressei para minha aula, então não sei o que fizeram depois. — Ele disse com a voz firme, mas a alma tremendo. Hais olhou para ele por mais alguns instantes antes de assentir lentamente e anotar algo em seu caderno.
— Muito bem, Sr. Romano. Mas devo avisá-lo: se eu descobrir que o senhor está mentindo ou omitindo informações, isso não será bom para o senhor. E acredite em mim, eu vou descobrir a verdade. O Palácio Vermelho pode ser uma instituição fechada, mas ninguém está acima da lei.
O detetive particular Hais limpou a garganta antes de fazer sua próxima pergunta. — Dada a natureza do seu relacionamento com os três garotos, pode me dizer se já teve algum desentendimento com Logan, Conal ou Orson antes do desaparecimento deles?
Erik assentiu; não fazia sentido mentir, já que muitas pessoas o viram lutar contra eles no refeitório. — Uma vez. Aposto que o senhor já soube disso, mas houve uma briga no refeitório uma vez. Como o senhor sabe, os três costumavam me intimidar, mas eu nunca revidei antes daquele dia.
Hais rabiscou algo em seu caderno novamente. — Pode me contar o que eles faziam? Como eles o intimidavam? Claro, podemos falar sobre outra coisa se não se sentir à vontade.
— Não, não... Eu quero ajudá-lo — disse Erik. Ele fingiu um olhar perturbado e então se concentrou na mesa, dizendo: — Eles zombavam de mim, me empurravam e às vezes até roubavam minhas coisas. O que eles mais faziam, no entanto, era me espancar. Não foi uma experiência agradável.
Hais assentiu. — Entendo. O senhor já contou a alguém sobre o bullying?
Erik hesitou antes de responder. — Os outros alunos sabiam; eles estavam frequentemente lá quando isso acontecia. Mas eu não disse nada aos professores, pois pensei que só pioraria as coisas.
Hais ergueu uma sobrancelha. — Então, o senhor guardou para si mesmo? Erik assentiu. — Sim, eu guardei.
Hais fez outra anotação em seu caderno. — Houve um momento em que o senhor quis fazê-los pagar? — Essa foi uma pergunta estranha na mente de Erik. Era claro que qualquer pessoa teria desejado fazê-los pagar de uma forma ou de outra, então ele sabia que se dissesse não, isso seria suspeito, e ele decidiu dizer a verdade sobre isso.
Erik balançou a cabeça. — Claro, como todas as outras crianças que sofreram o mesmo destino que eu. Há muitos na escola; o senhor pode falar com eles. No entanto, posso ter sido intimidado, mas nunca alimentei nenhum sentimento de vingança em relação a eles. Se é isso que está me perguntando. Não faria sentido, pois o que eles fizeram comigo já havia sido feito, e eles pararam de me assediar após nossa briga no refeitório — Erik mentiu mais uma vez.
Hais se inclinou para frente. — O senhor está me dizendo a verdade, Erik?
Erik olhou Hais diretamente nos olhos. — Sim, estou. Eu sei o que o senhor está pensando, mas eu não tive nada a ver com o desaparecimento deles.
— Tudo bem — disse o velho sem tirar os olhos de Erik. O detetive particular Hais se inclinou para frente em sua cadeira novamente e então perguntou: — Pode me dizer o que fez depois que a escola terminou no dia em que os três garotos desapareceram?
Erik engoliu em seco, com o coração batendo forte no peito. Ele sabia que essa era a pergunta que ele estava temendo, a que poderia fazê-lo ou quebrá-lo, já que ele não tinha um álibi para o período de tempo antes de chegar à casa do Sr. Fox, e mesmo naquele período, não havia ninguém que pudesse testemunhar que ele estava lá, já que seu antigo empregador estava morto. — Eu fui para a fazenda do Sr. Fox trabalhar como de costume — respondeu ele, mantendo a voz firme.
Hais ergueu uma sobrancelha. — E a que horas chegou lá?
— Por volta das 14h00 — disse Erik. — Peguei um táxi. — Erik sabia que não podia dizer que estava na estação de trem. Naquela época, Erik não conhecia bem o sistema e não estava acostumado a tirar proveito da máquina, então não pediu ao supercomputador biológico para desligar as câmeras da estação, o que significa que se dissesse que estava lá, Hais poderia verificar as gravações da estação.
— O senhor se lembra qual era o número de identificação dele? — perguntou Hais.
— Não. Eu estava com pressa para ir trabalhar, então assim que ele chegou, entrei sem olhar para o número.
Hais assentiu lentamente, mas Erik percebeu que ele não estava satisfeito e que ainda tinha algumas dúvidas. Os olhos do detetive perfuraram os de Erik, e o homem despertado sentiu um suor frio escorrer pela testa. Será que Hais achava que ele os havia matado? Será que ele sabia o que realmente havia acontecido com os três garotos?
Erik tentou manter a respiração constante enquanto olhava de volta para Hais, tentando avaliar sua reação. Mas o rosto do detetive era misterioso, e Erik não conseguia dizer se ele estava se aproximando da verdade ou não.
Hais respirou fundo e se inclinou para frente, com seu olhar penetrante fixo nos olhos de Erik. — Agora, Erik — disse ele firmemente —, preciso lhe fazer mais algumas perguntas. Depois que terminou de trabalhar na fazenda, o que fez em seguida?
— Peguei o trem de volta para a escola — disse ele. — Eu tinha que estar de volta à escola às 18h00 para o treino.
Hais ergueu uma sobrancelha. — E a que horas saiu da fazenda?
— Saí por volta das 17h00 — respondeu Erik.
— Alguém pode confirmar que o senhor estava na escola para o treino naquela noite? — perguntou Hais, seus olhos nunca deixando os de Erik.
— Sim — respondeu Erik, sentindo um lampejo de esperança. — Meu professor e meus parceiros de treino podem testemunhar por mim. Tivemos uma sessão de treino rigorosa, e todos estavam lá.
Hais assentiu pensativamente. — Entendo. E o senhor teve algum contato com os três garotos desaparecidos após o treino naquele dia?
Erik balançou a cabeça. — Não, eu não tive. Fui direto para casa depois que o treino terminou; como eu disse, só os vi brevemente pela manhã antes das aulas começarem. Não os vi nem ouvi falar deles depois daquele momento.
Hais então tirou uma foto do bolso e a colocou na frente de Erik. A foto mostrava Logan, Conal e Orson saindo do elevador da estação de trem, de frente para um garoto mascarado vestindo um uniforme da Thornton High School.
— O senhor reconhece este garoto com a máscara? — perguntou Hais, seus olhos fixos no rosto de Erik.
Erik estudou a foto por alguns segundos antes de balançar a cabeça. — Desculpe, não sei quem é esse. Nunca o vi antes. — No entanto, ele estava em pânico. Hais, é claro, já estava de posse das gravações da estação de trem, então sua mentira anterior basicamente lhe poupou muitos problemas. No entanto, ele estava ciente de que esquecer de desligar a câmera tinha sido um erro de novato, algo que poderia colocá-lo em sérios apuros.
Hais assentiu, sua expressão ilegível. — Há alguém que o senhor acha que possa saber quem ele é? Alguém que possa tê-lo visto com Logan, Conal ou Orson?
Erik fingiu pensar por um momento antes de balançar a cabeça novamente. — Não consigo pensar em ninguém de imediato. Mas posso perguntar por aí e ver se alguém sabe de alguma coisa.
Hais assentiu novamente e rabiscou algo em seu caderno antes de olhar de volta para Erik. A conversa não terminaria tão cedo.
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