Terramar: O Mar Encoberto Novel — Capítulo 570: CAPÍTULO 570 - Capítulo 571: Acidente

Terramar: O Mar Encoberto Novel
Cap. 570
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Terramar: O Mar Encoberto Novel

CAPÍTULO 570 - Capítulo 571: Acidente

Capítulo 570

1.437 palavras~6 min de leitura

— Vamos, entra logo — disse Sparkle, apertando a mão de Nene enquanto a menina era arrastada em direção à villa, com uma expressão claramente relutante no rosto.

— Sparkle, essa é a casa de alguém. Não acha um pouco grosseiro simplesmente entrar sem pedir licença? — questionou Nene.

— Não é de mais ninguém essa casa. É do Bart; ele mora aqui. — respondeu Sparkle.

Os olhos de Nene se arregalaram de surpresa ao perceber a opulência da fachada da villa. Estavam no coração da ilha, no bairro mais prestigiado. Mesmo com apenas cinco anos, os adultos ao redor haviam lhe ensinado o significado de residir em um lugar tão nobre.

— Então, por que ele não tem comida pra comer? — questionou Nene em voz alta.

Enquanto isso, Bart parecia resistir profundamente a voltar para casa. Seu rosto estava carregado de angústia, mas, apesar da relutância, o puxão insistente e firme de Sparkle o levou, junto com Nene, até a porta da frente.

Com um empurrão, a porta se abriu, e uma onda de odor insuportável atingiu as narinas do trio. Lixo espalhado pelo chão, e no meio dos detritos, uma mulher estava deitada, cercada por garrafas de vinho descartadas.

— Bart, é a sua mãe? — sussurrou Nene, num tom quase inaudível.

O menino de cabelo verde lutava contra o aperto de Sparkle cada vez mais intensamente. Com o tempo, o medo virou terror, e lágrimas começaram a escorrer pelo rosto dele.

Sparkle levantou suavemente a mão, e a mulher desapareceu instantaneamente, só para reaparecer diante deles. A mulher caiu de uma altura de meio metro, atingindo o chão com um baque forte o suficiente para sobregar a qualquer bêbado.

A mulher abriu os olhos lentamente. Ao ver o seu filho de cinco anos na sua frente, ela o atingiu com um tapa!

— Chora! É só isso que você sabe fazer! — gritou ela, com a mão levantada.

O som do tapa ecoou no ar, e a bochecha de Bart ficou imediatamente avermelhada. Ele mordeu o lábio inferior, tentando segurar as lágrimas que ameaçavam escorrer.

A cena que se desenrolou deixou Nene com medo. Sua própria mãe nunca tivera reunido força para bater nela.

— Por que você bate nele? Geralmente, bater em alguém significa que você o odeia. Como mãe, você realmente odeia seu próprio filho? — questionou Sparkle calmamente.

Foi só então que Marsha percebeu as duas meninas ao lado do filho.

— Odiar ele? Gostaria muito de poder matá-lo com minhas próprias mãos! Ele é igual ao pai! Só de ver aquela cabeça de cabelo verde me dá nojo! — exclamou ela, com os olhos ardendo de raiva.

Suas unhas pintadas se estenderam violentamente, torcendo a carne do braço de Bart com uma força cruel. No entanto, o menino só ficou imóvel, com a cabeça baixo, assustado demais para escapar ou chorar.

Ao ver um hematoma escurecendo o braço de Bart, uma compreensão de repente surgiu na mente de Sparkle. — Agora entendo por que ele sempre gosta de ficar lá fora. —

— Sparkle, vamos embora — sussurrou Nene, tremendo um pouco. Ela tinha medo da mãe de Bart e receio que a mulher pudesse bater nelas, assim como fizera com Bart.

Sparkle permaneceu imóvel, voltando-se para encarar Marsha. — Conte-me seus problemas. Talvez eu possa ajudar a resolvê-los. —

Marsha explodiu numa risada descontrolada e insana, seus cabelos desgrenhados balançando enquanto ela balançava de um lado para o outro. A risada se intensificou até se transformar em soluços.

— Sabe o que Feuerbach me disse antes de partir? Disse que ia embora para sempre e que nunca voltaria. E que deixaria tudo na Ilha da Esperança para mim, como compensação! —

— Compensação? Como se precisasse das migalhas dele! Deve ter sido louca de casar com ele! — sua voz quebrou enquanto cuspia palavras carregadas de veneno. — Ameaçava ele com uma faca na garganta, fazendo-o ficar. Mas ele nem sequer virou para nos olhar. Malditos lunáticos! Todos são pirados! —

— Chorar não resolve nada — comentou Sparkle —. Seu filho está com fome e chega a vasculhar o lixo para encontrar comida. Isso não é certo. —

— E daí? Ele é meu filho! Faço o que bem entender com ele! — retrucou Marsha, num tom irritado, cuspindo saliva no rosto de Sparkle.

Assim que o trio saiu da casa cheia de lixo, Nene respirou aliviada e comentou: — Que bom que minha mamãe não é assim. —

Sparkle arregalou os olhos, incrédula. — Que estranho… Até hoje não havia conhecido alguém que não amasse seu próprio filho. —

Nene se virou em direção a Bart, que tinha um pouco menos de altura que ela. Uma pontada de pena surgiu em seu peito, e ela disse: — Então, de agora em diante, vou trazer comida para você todos os dias. Afinal, minha família é rica agora. —

Coverando a marca no braço dele, Bart olhou para Nene e assentiu. Um sorriso surgiu em seu rosto pela primeira vez ao estender a mão para pegar as mãos de Sparkle e Nene simultaneamente.

— Você sabe onde seu pai foi? Talvez eu possa ajudar a trazê-lo de volta — perguntou Sparkle.

Bart balançou a cabeça, com uma expressão perdida. Ele rapidamente gesticulou com as mãos, tentando mostrar que não queria o pai, só queria ficar com elas.

— Sparkle, seu papai não é o capitão do navio em que o dele está? Será que ele consegue fazer alguma coisa? — perguntou Nene.

— Ele está muito ocupado agora e não tem tempo para essas coisinhas. Ah, espera, talvez eu possa perguntar para minha mamãe. — Com isso, Sparkle agarrou os braços delas e desapareceu num piscar de olhos.

Após alguns teletransportes, o trio apareceu em frente à residência do Governador na Ilha da Esperança. Bart ficou visivelmente assustado e virou para tentar correr. Mas Sparkle o agarrou facilmente.

— Não fuja. A mamãe vai ajudá-lo a resolver esse problema — garantiu Sparkle a Bart.

— Não quero! — rejeitou ele vigorosamente, mas Sparkle não se deixou abalar. Ela o puxou gentilmente, e logo chegaram ao escritório de Anna.

No escritório, Anna estava imersa em seu trabalho, assinando documentos com uma pena de escrever. Duas formas mal definidas, semelhantes a partes de carne, se estendiam atrás de sua cabeça, desempenhando outras tarefas ao mesmo tempo.

Apesar da cena assustadora, nem Bart nem Nene ficaram assustados. Era como se não vissem nada de estranho.

— Mamãe, tenho uma situação aqui que precisa da sua ajuda — disse Sparkle, aproximando-se de Anna e explicando a situação de Bart.

— Este não é um orfanato. Por que o trouxe até aqui? Pense numa solução e resolva você mesma. Você já está quase com três anos — respondeu Anna, sem olhar para elas.

Sparkle deixou escapar um suspiro de derrota. Sabendo que sua mãe não ajudaria, virou-se para sair com suas companheiras. Mas, antes que pudesse dar um passo, Anna de repente chamou para pará-las.

Anna levantou o olhar dos papéis e, com um sorriso brincalhão nos lábios, seu olhar fixou-se em Bart. — Hmm… estou com uma fomezinha... —

Com um movimento casual de pulso, Nene saiu correndo alegremente do cômodo.

Sparkle assistiu enquanto Nene desaparecia de vista, e então voltou a olhar para Anna e Bart.

— Se você comer ele, o papai não vai gostar, né? — perguntou Sparkle, com a voz tensa.

— Depende da situação. Nessa hipótese, acho que ele nem iria dizer nada — respondeu Anna. Uma tentáculo apareceu instantaneamente e saiu do ombro dela, agarrando Bart e jogando-o cruelmente contra a parede.

O som assombroso de ossos se quebrando encheu o ar enquanto Bart caía no chão. Seus membros estavam torcidos em ângulos estranhos, enquanto ele se debatia com gritos ásperos de dor.

Sparkle ficou chocada com as ações da mãe. Por um momento, hesitou, mas, no final, não interveio.

— Chega de fingir. Já percebi sua farsa — disse Anna, com a voz gelada, enquanto olhava para o menino que se contorcia.

Bart não respondeu, continuando a gritar de dor.

Um som de rasgo frio ecoou pelo ambiente, e Bart foi dividido ao meio na altura da cintura. Seus gritos cessaram imediatamente.

Os passos rápidos com salto de agulha negra dela ecoaram enquanto Anna se aproximava dos restos de Bart. Ela se inclinou, pegou uma costela e a quebrou com força ao meio.

Um brilho metálico prateado apareceu dentro do osso branco. Um sorriso intrigado surgiu em seu rosto belo. — Que interessante. Isso me lembra um pouco a Alice —

O torso de Bart, na metade superior, voltou a se mexer. Seus olhos brilharam com uma luz azulada fraca enquanto ele perguntou: — Como você descobriu? —

— Humanos são minha comida. Posso sentir até a menor anomalia — respondeu Anna, rindo suavemente. — Filho? Você é mesmo um espião que Feuerbach deixou para trás, não é? Diga, quem está por trás disso? Qual é seu motivo para se aproximar da minha filha? —

Fim da leitura

Capítulo 570 concluído

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