Todas Essas Heroínas Perdedoras!Histórias Curtas Vol 6 – SS Nukumizu – SS Nukumizu: Quem é o mentiroso?
Capítulo 74A MANHÃ DO PRESIDENTE DO CLUBE DE LITERATURA COMEÇAVA CEDO.
Bocejando, abri as cortinas e deixei a forte luz do sol inundar o quarto. Já estávamos na segunda metade das férias de primavera.
Enquanto conferia o calendário na parede, a porta do meu quarto se abriu de repente, com um estrondo.
— Onii-sama, temos uma emergência!
Minha irmãzinha, Kaju, entrou correndo. Apesar de ainda ser de manhã, ela estava impecavelmente vestida com um vestido preto que ia até os joelhos.
— Que emergência...?
Antes que eu pudesse terminar, Kaju se atirou contra o meu peito.
— Kaju e onii-sama não são irmãos de sangue de verdade!
...Hã? Do que ela estava falando?
Enquanto eu tentava pensar em como responder, Kaju ergueu o rosto para mim, com os olhos brilhando.
— Então agora não tem problema nenhum se Kaju se casar com você, onii-sama!
— Bem, no mínimo precisamos esperar até você fazer dezoito anos. Certo, agora pode se afastar para eu me vestir?
Afastei Kaju de mim e a larguei sentada na cama.
— Hoje vou para a escola, então não preciso de almoço.
— Sim, onii-sama. Então Kaju pode virar sua noiva depois que fizer dezoito anos, né?
...Ainda estávamos falando disso?
Olhei a data no calendário enquanto vestia a camisa.
— Ah, hoje é primeiro de abril, não é?
— Ehehe, você descobriu. Sim, é Dia da Mentira.
Com um adorável "tehe", ela pôs a língua para fora de maneira travessa. Francamente. Ela já estava quase no terceiro ano do ensino fundamental e ainda continuava tão infantil.
— E o que você pretendia fazer se eu acreditasse?
— Nesse caso, Kaju simplesmente teria sido enganada junto com você.
— Isso seria uma bela confusão...
Enquanto eu tirava uma gravata do armário, Kaju se levantou e rapidamente começou a amarrá-la para mim.
Ao observar os cabelos negros dela balançando diante do meu peito, percebi uma coisa.
A roupa que ela estava usando era a mesma que tinha emprestado para Komari outro dia...
— Vai sair para algum lugar? Está toda arrumada.
Imediatamente, ela congelou. As mãos que amarravam minha gravata pararam.
— O que foi?
— Esta é a roupa de batalha da Kaju.
Dizendo isso, ela apertou a gravata de uma vez. Doeu. Kaju deu alguns passos para trás e girou no lugar.
— Como estou, onii-sama?
— Sim, está uma gracinha. Combina com você.
— Hehe, fico feliz que ache isso. O café da manhã de hoje é rabanada.
Ela fez a saia rodopiar e saiu do quarto.
...Parecia estar de bom humor.
Aquela sensação de que ela tinha tentado me estrangular com a gravata devia ter sido só impressão minha.
Afrouxei um pouco o nó e saí do quarto atrás de Kaju.
*
Sala do Clube de Literatura do Colégio Tsuwabuki.
Eu tinha um motivo para ter ido até ali tão cedo. Na noite anterior, recebera uma mensagem de Tsukinoki-senpai, que acabara de deixar Toyohashi.
Ela dizia que havia deixado na sala do clube tudo de que precisaríamos para a recepção dos novos alunos.
Conhecendo-a, eu não levara aquilo totalmente a sério, mas também não podia simplesmente ignorar. Afinal, o Clube de Literatura agora era formado apenas por alunos do segundo ano, e nenhum de nós tinha experiência com a recepção dos calouros.
Quando abri a porta, Yanami já estava lá.
— Bom dia, Yanami-san.
Yanami apenas assentiu em silêncio em resposta ao meu cumprimento. Não era como se ela estivesse de mau humor nem nada do tipo. Por algum motivo, estava mastigando um enorme pedaço de lula seca.
Yanami arrancou com os dentes um pedaço da barbatana da lula.
— Ufa, lula é durinha, exatamente como eu gosto. Perfeita para fazer dieta.
— Então aquelas sardinhas secas e algas que você andava comendo também eram por causa da dieta?
Yanami abriu um sorriso orgulhoso e levantou três dedos.
— Eu, pelo menos, consegui perder três quilos graças à minha dieta!
— Ah, hoje é Dia da Mentira. Boa piada.
— Mas é verdade! A mentira de primeiro de abril que eu preparei é que Amanatsu-chan arrumou um namorado!
Eu não cairia nessa. Afinal, estávamos falando da Amanatsu-sensei. Sentei-me e tirei o celular do bolso.
— Enfim, você leu a mensagem da Tsukinoki-senpai? Ela disse que escondeu na sala do clube uns materiais resumindo todas as dicas e conhecimentos sobre a recepção dos novos alunos.
— Eu li, mas onde será que estão?
— Pois é...
Yanami e eu olhamos ao redor da sala. Com pilhas de livros e tranqueiras espalhadas por toda parte, nenhum de nós tinha disposição para vasculhar cada canto.
Enquanto permanecíamos sentados em silêncio, a porta da sala se abriu com um rangido.
Quem entrou com tudo foi Lemon Yakishio. Assim que atravessou a porta, Yakishio anunciou com toda a energia:
— Ei, ficaram sabendo? Amanatsu-chan se casou! O marido dela é advogado e médico!
Aquilo já era exagero demais. Ao perceber nossa total falta de reação, Yakishio inclinou levemente a cabeça.
— Ah, ficou óbvio que era uma mentira de primeiro de abril?
Yanami e eu assentimos.
— E eu achei que tinha inventado uma bem convincente...
— Mais importante, você ficou sabendo dos materiais para a recepção dos novos alunos? Tem alguma ideia de onde podem estar?
Yakishio pareceu intrigada e arregaçou as mangas.
— Não. Mas é só virar a sala inteira do avesso. Vamos, mãos à obra!
Nós dois estávamos justamente enrolando porque não queríamos fazer isso. Enquanto eu pensava em alguma forma de escapar da tarefa, percebi uma garota baixinha parada do lado de fora da porta aberta.
Era Komari. Ela entrou timidamente, mexendo os dedos de maneira inquieta.
— O que foi, Komari?
— E-Eu... arrumei um n-namorado.
Heh. Ela já era a terceira naquele dia. A ideia da Amanatsu-sensei arrumar um namorado era uma fantasia tão absurda que não havia a menor chance de nós———
— Q-Quero dizer... eu.
Hã!? Namorado!? A Komari!?
Levantei-me de repente, chocado, e Yakishio passou por mim, aproximando-se dela.
— Parabéns! Quem é o cara?
— A-Ah, bem...
Acuada pelo entusiasmo de Yakishio, Komari acabou sendo pressionada pelo outro lado por Yanami.
— Sério, Komari-cha... Komari-san!?
Por que aquela formalidade repentina? Mas, mais importante… Será que Komari realmente tinha arrumado um namorado...?
Surpreso com o tamanho do meu próprio choque, percebi que provavelmente me sentia assim porque ela havia passado na minha frente.
Ainda assim, como presidente do clube, eu precisava parabenizá-la… Recuperando a compostura, virei-me para Komari com uma expressão confiante.
— Komari, independentemente de como aconteceu, parabéns. Seja feliz por todos nós.
— S-SE MATA!
Por que ela estava brava?
Com o rosto completamente vermelho, Komari lançou um olhar furioso para mim.
— É-É primeiro de abril! Era mentira!
...Hã?
Ah, claro. A notícia chocante de que Komari tinha arrumado um namorado me fizera esquecer todo o resto.
— Ah, essa me pegou.
— Boa, Komari-sa... Komari-chan.
Yakishio e Yanami voltaram a se sentar, resmungando baixinho.
Komari também se sentou, murmurando maldições. Eu tinha feito alguma coisa errada?
— Bem, agora que todo mundo chegou, vamos voltar aos materiais que a Tsukinoki-senpai escondeu.
— Por que a gente não pergunta para ela onde estão?
Yanami fez uma sugestão bastante sensata.
— Eu perguntei, mas ela não respondeu.
— Talvez ela tenha bloqueado você, Nukumizu-kun.
Espera. Sério? Desde quando ela tinha começado a não gostar de mim...? Enquanto mexia no celular, Komari levantou lentamente a mão.
— A-Ah... a senpai disse para eu entrar em contato com ela quando n-nós quatro estivéssemos na s-sala...
Yakishio arrastou a cadeira para mais perto de Komari.
— E você falou com ela?
— S-Sim. Ela respondeu. D-Disse que está no meio da m-mesa.
...No meio?
Todos nós voltamos os olhos para a mesa, onde não havia nada além da lula seca pela metade.
— Ah, já entendi. Temos que assar a lula para atrair os alunos do primeiro ano pelo cheiro.
Yanami declarou aquilo com uma expressão orgulhosa. Definitivamente não era isso. Além do mais, os únicos que apareceriam atraídos por aquele cheiro seriam pessoas como a própria Yanami.
De qualquer maneira, o que significava "no meio da mesa"?
— Talvez...
Agachei-me e olhei embaixo dela. E, de fato, havia uma sacola de papel presa na parte inferior do tampo.
— Ah... encontrei isto embaixo da mesa...
A sacola de papel era velha e tinha vários talismãs esfarrapados colados na superfície. Incomodado com a aparência sinistra daquilo, percebi que as três garotas me encaravam fixamente.
— Hã? O quê?
— Nukumizu-kun, você deveria abrir. Você é o presidente, não é?
— Isso aí, presidente Nukkun. Estamos contando com você.
— A-Abra, presidente.
Essas garotas só me tratavam como presidente quando era conveniente para elas. Se aquilo me amaldiçoasse, eu levaria todas comigo.
Nervoso, abri a sacola e encontrei dentro dela um fino livro artesanal.
...?
Ao contrário da sacola, o livro parecia bastante novo. Tirei-o de dentro e observei a capa. Havia um título e o nome da autora.
"A Noite em que a Água Morna Ferveu", de Usagi Kuon.
(N/SLAG: o nome "Nukumizu" significa "água morna".)
Hm?
Usagi Kuon não era o pseudônimo da Komari...?
— Uná!?
Tum! Komari se atirou sobre mim e arrancou o livro das minhas mãos. Eu nem sabia que ela conseguia se mover tão rápido.
— Komari, esse livro...
— N-N-N-Não é nada! N-Não é nada mesmo!
Era uma reação grande demais para algo que não era nada. Aposto que...
— Ahá! Você e a Tsukinoki-senpai planejaram essa surpresa juntas, não foi?
Ao ouvir minhas palavras, Yanami bateu palmas ao finalmente entender.
— Ah, entendi. Parece mesmo o tipo de coisa que ela acharia divertido.
— Parece legal. Komari-chan, o que está escrito nesse livro?
Yakishio se levantou e se espreguiçou enquanto se aproximava. Tremendo, Komari recuou até o canto da sala————
*
Em um apartamento em Nagoya.
Koto Tsukinoki desempacotava uma caixa quando lançou um olhar para o relógio na parede.
— Será que eles já encontraram?
Enquanto pensava em seu antigo clube, uma voz veio da cozinha.
— Ei, Koto. Posso ir guardando os pratos no armário?
Era Shintaro Tamaki, que havia ido ajudá-la com aquela mudança que parecia não ter fim.
— Sim, por favor. Pode guardar.
Koto voltou a tirar algumas coisas da caixa, mas logo parou novamente. Tamaki lançou-lhe um olhar perplexo.
— O que foi? Esqueceu alguma coisa?
— Só estava pensando que, a esta altura, o pessoal do clube talvez já esteja lendo o livro que eu fiz.
— Você escreveu um livro?
— Montei um livrinho com as histórias da Komari-chan sobre o Nukumizu-kun sendo passivo.
— Ei!? Você sabe que———
Koto interrompeu Tamaki com um sorriso travesso.
— Mas, na verdade, o conteúdo é só uma compilação de todas as dicas e conhecimentos necessários para o evento de recepção dos novos membros. Espero que seja útil para eles.
— Por que passar por todo esse trabalho?
Shintaro parecia desnorteado. Koto apenas deu de ombros.
— Porque é Dia da Mentira. Achei que seria interessante se um pouquinho de mentira acabasse se tornando realidade.
Koto fitou o livro do clube que havia retirado da caixa e acariciou suavemente a capa.
📖✨ Este capítulo foi traduzido por Slag e revisado por Shisui
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