Todas Essas Heroínas Perdedoras! — Capítulo 99: Volume 8 – Epílogo – Epílogo: A Escadaria para a Vida Adulta

Todas Essas Heroínas Perdedoras!
Cap. 99
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Todas Essas Heroínas Perdedoras!

Volume 8 – Epílogo – Epílogo: A Escadaria para a Vida Adulta

Capítulo 99

4.043 palavras~18 min de leitura

A MANHÃ CHEGOU, anunciando o amanhecer do dia seguinte àquela confissão chocante.

Eu mal tinha conseguido pregar os olhos na noite anterior, então, quando a tarde chegou, já estava funcionando no puro resto de energia.

Morto por dentro, fiquei parado distraidamente na sala de impressão, observando com o olhar vazio a copiadora cuspir página após página da revista do nosso clube.

………

Ontem, a Tiara-san… ela estava falando completamente sério, hein.

Por que eu não tinha simplesmente respondido na hora?

Não era complicado.

Tudo o que eu precisava fazer era dizer uma palavrinha minúscula "sim" e eu teria conseguido uma namorada.

Assim, simples.

Uma namorada.

O conceito que eu sempre presumira existir apenas em 2D praticamente tinha saído da tela e entrado no mundo real… e eu não tinha dito "sim".

Sinceramente, eu queria que ela simplesmente tivesse ignorado minha hesitação patética e pressionado um pouco mais...

— N-Nukumizu. A copiadora p-parou.

A voz da Komari me arrancou dos pensamentos.

Batendo cuidadosamente uma pilha de páginas recém-impressas contra a mesa para alinhá-las, ela lançou um olhar preocupado para mim.

— V-Você está bem? S-Seus olhos parecem ainda mais mortos q-que o normal.

— Ah... você estava aqui, Komari.

— M-Morra.

Acho que não dava para culpar ela pelo insulto. No momento, estávamos presos na sala de impressão depois da aula, encarregados de imprimir a edição mais recente da revista do Clube de Literatura.

Soltei um suspiro longo e pesado e encarei o teto.

— Ei, Komari.

— O-O quê?

— Você já... se apaixonou por alguém?

Fshh, fshh, fshh—PÁ.

Komari derrubou a pilha inteira de papéis que segurava, espalhando as páginas por todo o chão.

— O que foi? Você também está cansada?

— V-Vai morrer! Agora! Aqui mesmo!

Por que ela estava tão brava? Eu nem tinha feito nada.

Enquanto me agachava para recolher as páginas espalhadas, Komari se ajoelhou ao meu lado e também começou a juntá-las.

— H-Hã, Nukumizu. A-A história da Yanami... as páginas e-estão fora de ordem.

Hã.

Ela tinha razão. A última página — justamente aquela com a conclusão e tudo mais — estava bem na frente.

— Quer dizer, a gente podia simplesmente dizer que foi uma escolha estilística—

— C-Cala a boca. Vamos imprimir d-de novo.

— Tá.

Pelo visto, o romance da Yanami estava entrando num novo arco. Da mesma forma, minha própria vida no ensino médio também estava prestes a avançar para a próxima fase até eu pisar no freio com tudo e me jogar pelo para-brisa.

— Pensando bem, Komari, você também não escreveu nada desta vez. Bloqueio criativo?

— Hii?!

Por algum motivo, ela se encolheu. Aha. Então ela está escrevendo BL. Deve ser do tipo que não tem como mostrar para ninguém. Sorri gentilmente e entreguei a ela os papéis que tinha recolhido.

— É, eu entendo. Você anda ocupada. Eu compreendo perfeitamente.

— O-O que deu em você? Está me d-dando arrepios.

Até as tentativas dela de esconder a vergonha com insultos pareciam meio fofas para mim agora. Afinal, eu era um homem que tinha chegado a centímetros de conseguir uma namorada.

Centímetros.

Mas, falando sério… por que eu não tinha simplesmente dito sim na hora?

Enquanto eu pensava nisso, Komari me observou com profunda desconfiança.

— V-Você definitivamente está e-estranho hoje. T-Tem certeza de que e-está bem?

— Estou. Quer dizer, de certa forma, acho que dá para dizer que... eu não sou exatamente o mesmo cara de antes.

Komari soltou um suspiro exasperado e apontou com firmeza para a porta da sala de impressão.

— E-Eu termino o resto. V-Vai morrer em outro lugar.

— Ah, tá.

Não havia espaço para discussão. Diante daquela expulsão impiedosa, assenti obedientemente e saí me arrastando.

◇

Relatório de Atividades do Clube de Literatura

"Bom Dia para Você" Por Anna Yanami

As reformas da loja de conveniência que eu visitava todas as manhãs finalmente tinham terminado.

Parecia que haviam levado uma eternidade.

Sentei-me no banco em frente ao prédio e abri a sacola com meu pão de curry comprado com desconto. As estações já tinham mudado, e o verão estava chegando. Mesmo assim, eu não tinha nenhum plano em particular.

Enquanto soltava um suspiro melancólico, XX-kun parou do outro lado do banco.

— Ako-san, finalmente terminaram a reforma daqui — disse ele, olhando para a placa do estabelecimento.

Embora eu o ignorasse e continuasse comendo meu pão, XX-kun não desistiu e tentou continuar puxando assunto.

— Você não disse que estava super ansiosa para eles terminarem?

Sim, eu disse. E daí?

Como continuei ignorando-o, XX-kun voltou a olhar para a placa do prédio.

— Afinal, pelo que você estava tão ansiosa?

Que homem profundamente desagradável. Não é de admirar que ele não tenha amigos. Acho que ele deveria parar de agir com tanta intimidade com as garotas quando nem sequer tem amigos para começo de conversa.

Ainda com o pão de curry na boca, ergui os olhos para a placa também. Nela, estava escrito em letras garrafais: Paraíso da Lavanderia.

Pois é. A loja de conveniência que eu sempre frequentava tinha sido reformada… e virado uma lavanderia automática. Eu esperava que uma nova loja de conveniência abrisse ali, então fiquei extremamente decepcionada.

Isso com certeza é culpa do XX-kun. Não sei como, mas só pode ser.

— Ako-san, então você gosta de lavanderias automáticas?

Não, não gosto particularmente delas. Disse isso a ele, e XX-kun apenas respondeu com um vago:

— Hmm.

Então ele se sentou na ponta do banco e começou a comer seu pão de melão.

Que falta de consideração.

Por quê?

Porque, ultimamente, estou evitando doces. O motivo é segredo.

Desviei o olhar do XX-kun, e uma placa enorme voltada para a rua chamou minha atenção. Por que será que pintaram um tanuki nela?

Quando perguntei isso, XX-kun me lançou um olhar de exasperação.

— Isso é um guaxinim. As marcas são completamente diferentes.

Sim, eu sei disso. Obviamente, guaxinins são associados a lavanderias. Acabei de acordar, então foi só um pequeno deslize da língua.

(N/SLAG: A palavra japonesa para guaxinim é araiguma (アライグマ), que literalmente significa algo como "urso que lava" (arai = lavar; kuma/guma = urso)

Sinceramente, devo ser a única pessoa no mundo disposta a aturar alguém que entende tão pouco o coração de uma donzela.

Não sabia por que ele estava comendo pão ali, mas devia estar se sentindo sozinho. Acho que não me importo de lhe fazer companhia no café da manhã de vez em quando.

Terminei meu pão de curry e olhei de relance para XX-kun, mas ele virou as costas para mim.

— O quê? Não vou te dar nenhum.

Que grosseria.

Por acaso pareço o tipo de garota que fica de olho na comida dos outros?

Ainda assim, um homem verdadeiramente sofisticado me ofereceria um pedaço sem que eu sequer precisasse pedir.

Francamente. Parece que ainda vou ter que cuidar desse garoto infantil por um bom tempo…

◇

Expulso da sala de impressão, segui pelo corredor em direção à sala do clube. Eu tinha que admitir que, considerando a falta de sono e todo o resto, até fazia sentido eu estar agindo um pouco estranho.

Quer dizer, além de passar a noite inteira rolando de um lado para o outro, em algum momento uma Kaju meio adormecida aparentemente desconfigurou o sistema interno de navegação e tentou rastejar para dentro da minha cama, o que acabou virando toda uma situação.

Sério.

Kaju podia ser tão distraída às vezes, confundindo meu quarto com o dela no caminho de volta do banheiro.

Quando eu estava prestes a passar pelo quadro de avisos, freei bruscamente.

Preso nele estava o número mais recente do jornal da escola, uma edição recheada de matérias que iam desde a eleição do Conselho Estudantil até o festival esportivo.

A primeira página, sem surpresa nenhuma, era dedicada à eleição.

E uma parte gigantesca dela estava ocupada por uma foto em alta resolução da Tiara-san, com o nariz sangrando, berrando a plenos pulmões sem demonstrar o menor abalo.

Ela já deve ter visto isso, hein...

Continuei lendo a matéria, e meu olho começou a tremer. Eles estavam apresentando o incidente inteiro como um escândalo envolvendo o "Aluno A", o infame inimigo das mulheres.

Segundo o jornal, a invasão da Shikiya-san tinha sido arquitetada pelo Aluno A, e o discurso bizarro da A-san supostamente teria sido uma espécie de vingança depois de ser rejeitada pelo mesmo canalha.

Eles realmente estavam pintando uma história ali. Uma verdadeira obra-prima da difamação.

Sinceramente, aquilo era pura fantasia. Tipo, falando sério, a ideia de que alguma integrante do Conselho Estudantil gostasse de mim era—

……..

...Não estava errada.

Certo. Então talvez nem tudo fosse fantasia.

Hã… agora que eu pensava nisso… se eu revisasse tudo o que tinha acontecido considerando especificamente esse contexto… eu não tinha meio que feito umas coisas bem terríveis...?

Enquanto organizava mentalmente minhas memórias nas prateleiras da cabeça, um anúncio específico no canto do jornal chamou minha atenção.

Fotos exclusivas e nunca vistas da Yakishio, recentemente classificada para o campeonato nacional. Disponíveis mediante pagamento.

Ganhar dinheiro com esse tipo de coisa me parecia meio questionável, mas seria injusto criticar sem pelo menos conferir o produto primeiro.

Vamos ver… como é que comprava a versão premium mesmo...?

Eu estava apontando a câmera do celular para o QR code quando, de repente—

— Nukkun, o que cê tá fazendo?

Junto da voz alegre veio um tapa seco e doloroso nas minhas costas. Ai.

— Só estou lendo o jornal da escola. E você, Yakishio? Não está no treino?

— Estou de intervalo, então só estou correndo pelo prédio da escola. Se eu correr na pista, o treinador vai brigar comigo por não estar descansando direito.

Abrindo um sorriso travesso, Yakishio enterrou impiedosamente o cotovelo na minha lateral.

— O quê?

— Você não tem nada para me dizer?

………

Ah, é. Com toda essa confusão, eu nem tinha dado os parabéns para ela pessoalmente.

— Ah... parabéns por se classificar para o nacional.

Constrangido, acabei falando de um jeito bem mais seco do que pretendia. Yakishio fez um bico claramente insatisfeito.

— Só isso?

— Hã? Era para eu dizer mais alguma coisa?

— Quer dizer, acho que não, mas... eu me classifiquei para o nacional em duas provas! Você não está meio sem emoção demais, Nukkun? Não devia soltar um "yahoo!" e me dar um abraço bem apertado?

Nem pensar. Nós, introvertidos, passamos vinte e quatro horas por dia vivendo em constante estado de alerta e tremedeira.

— De qualquer forma, o verdadeiro desafio ainda está pela frente. Você também está mirando a vitória no nacional, né?

— Claro. Estou de olho no prêmio — Yakishio abriu um sorriso feroz e competitivo. — Então, quando eu realmente vencer, vou cobrar aquele abraço, tá?

Que tipo de acordo era esse? Aqui, quem saía ganhando era só eu.

Enquanto meu cérebro traidor começava a imaginar como seria abraçar a Yakishio usando o uniforme de atletismo, ela olhou para o quadro de avisos ao meu lado.

— Aliás, Nukkun, o que você estava olhando? O jornal da escola?

— Ah, hã, não, isso é—

Os olhos dela percorreram a matéria, e sua expressão foi ficando cada vez mais séria. Depois de terminar, ela voltou para mim um olhar frio e cheio de certeza.

— Olha só. É o inimigo das mulheres.

— É tudo invenção! Além disso, quem disse que esse tal "Aluno A" sou eu?

— É totalmente você, Nukkun.

Bom… sim. Mas também não. Era complicado.

Enquanto eu tentava desesperadamente pensar numa explicação, os olhos de Yakishio desceram até a tela do meu celular. Ela se inclinou, olhando com desconfiança.

— O quê?

— Ei, você estava tentando comprar fotos minhas?

Droga. Eu tinha esquecido que a câmera ainda estava aberta.

— Não, é que, hã, meu dedo escorregou e abriu a câmera sem querer e...

Enquanto eu tropeçava pela desculpa mais patética da história, um sorriso largo e predatório surgiu no rosto de Yakishio. Então ela me deu um tapa nas costas usando toda a força considerável que possuía.

Doeu. Muito.

— Ai?! Por que isso?!

— Eu sabia, Nukkun. Você realmente é o inimigo das mulheres. Vou contar para a Chiha-chan.

— Por que a Asagumo-san?!

Não existia conexão nenhuma ali, mas só de pensar nisso senti um terror genuíno. Ela é assustadora demais.

Para garantir, Yakishio ainda me acertou um último tapa capaz de sacudir os ossos antes de girar nos calcanhares e sair correndo pelo corredor.

◇

Quando finalmente voltei para a sala do clube, encontrei diante dos meus olhos uma cena verdadeiramente comovente.

— Diga "aaaah", Yanami-senpai.

— Aaaah.

Yanami abriu bem a boca, e Shiratama-san habilmente lançou um mini chikuwa lá dentro.

(N/SLAG: Bolinho de peixe japonês feito principalmente com surimi, sal, açúcar e clara de ovo)

Aquilo me fez lembrar, de maneira assustadoramente vívida, do show de leões-marinhos que vi no Aquário de Takeshima. A semelhança era impressionante.

— O que vocês duas estão fazendo? — perguntei.

Ao perceber minha chegada, Shiratama-san se virou para mim com um sorriso doce.

— Meus parentes me deram alguns chikuwa, então estou dividindo. Prez, quer provar? Diga "aaaah".

— Obrigado, mas passo.

Por algum motivo inexplicável, aquelas duas vinham se dando incrivelmente bem ultimamente. A grande virada, pelo visto, aconteceu quando Shiratama-san pegou um bolinho de arroz que Yanami tinha deixado cair.

Não uma borracha.

Acho que isso era mainstream demais para elas. Mesmo assim, eu ainda tinha várias dúvidas: como alguém sequer acabava numa situação dessas? E Yanami realmente… comeu aquilo depois?

Infelizmente, tudo permanecia um mistério.

— Como está indo a impressão, Nukumizu-kun? Aqui já está tudo preparado — disse Yanami, apertando distraidamente o grampeador no ar.

Ela e Shiratama-san cuidavam da encadernação, enquanto eu e Komari fazíamos a impressão.

— Deve terminar logo. Só para constar, eu fui demitido.

— Aah...

As duas responderam em perfeita harmonia, cheias de compaixão. Pelo visto, minha inutilidade naquele dia era universalmente reconhecida. Bom, se era assim, eu poderia muito bem fazer jus ao meu título de inimigo das mulheres.

Vou simplesmente sentar, relaxar e deixar as garotas fazerem todo o trabalho. Afundei na cadeira e fiquei encarando a parede sem expressão por algum tempo, até uma batida seca soar na porta e quebrar o silêncio.

Yanami respondeu casualmente:

— Pode entraaar~.

A porta rangeu ao se abrir.

— Com licença. Nukumizu-san está aqui?

Era a Tiara-san.

Considerando tudo que, sabe… aconteceu ontem… não consegui evitar saltar da cadeira de surpresa.

Ao ver minha reação, a expressão dela suavizou num sorriso aliviado.

— A-Ah, hã, o que traz você até a sala do clube? — gaguejei.

— Vim entregar o que prometi. Esqueci completamente de dar para você ontem.

O que ela tinha prometido?

Antes que eu pudesse perguntar, Tiara-san estendeu uma pequena e adorável sacola de papel. Espiei lá dentro e meus olhos pousaram sobre uma coleção inteira de displays promocionais.

— Eu posso mesmo ficar com isso? Sério?

— Claro. Nós tínhamos uma promessa, não tínhamos?

Quer dizer, tínhamos. Mas talvez fosse a primeira vez desde que entrei nesta escola que todo o meu sofrimento tinha sido recompensado de forma tão direta.

Não dava para me culpar por estar chocado. E, meu Deus… aqueles eram os super-raros lançados antes mesmo da primeira temporada ir ao ar! Enquanto eu sorria feito um idiota para meus produtos, Tiara-san observou meu rosto.

— Você vai ficar até tarde hoje, Nukumizu-san?

— Hã, provavelmente mais um pouco. Estamos terminando a revista do clube.

— Ah, que pena. Minhas obrigações no Conselho Estudantil acabaram cedo, então eu esperava que pudéssemos voltar para casa juntos.

— Hã? Com… comigo?

Clac.

Yanami fechou o grampeador com força.

— A eleição já acabou, não acabou? Por que vocês dois voltariam para casa juntos?

— Não existe nenhum motivo específico. Somos amigos, então só pensei que seria agradável voltarmos juntos de vez em quando — respondeu Tiara-san casualmente.

Ela então se virou para Shiratama-san.

— Como Nukumizu-san está ocupado, posso pegar Shiratama-san emprestada no lugar dele? Você se importa, Shiratama-san?

— De jeito nenhum. Posso separar um pouco de tempo — respondeu Shiratama-san alegremente.

Ela lançou um rápido olhar para mim antes de se levantar. Espera. Por que a Tiara-san levaria Shiratama-san? Ao perceber minha expressão confusa, Shiratama-san me deu uma piscadinha fofa e brincalhona.

— Prez. Eu decidi entrar para o Conselho Estudantil.

— Hã?

Espera. O Conselho Estudantil podia mesmo recrutar criminosos?

Pensando bem, considerando que a presidente anterior era praticamente cúmplice dela, acho que a checagem de antecedentes não era lá muito rigorosa.

Assenti para mim mesmo, compreendendo.

— Fui eu quem convidei ela para entrar — disse Tiara-san, fazendo uma pequena reverência. — É claro que vou organizar os deveres dela para não atrapalharem o Clube de Literatura.

Nah, sinceramente, isso ajudava muito.

Ter que administrar sozinho aquela bomba-relógio ambulante de garota era pedir demais para qualquer mero mortal.

— Da nossa parte, está tudo bem. Cuide da Shiratama-san para mim, Basori-san.

Ela começou a sair, mas, já com metade do corpo para fora da porta, olhou por cima do ombro com um sorriso provocador.

— Oh? Então hoje você não vai me chamar pelo primeiro nome?

— Quer dizer... eu achei que você odiava quando eu chamava você pelo primeiro nome — respondi sinceramente.

Ela simplesmente abriu para mim um sorriso brilhante e radiante.

— Sendo você, Nukumizu-san... eu não me importaria se usasse meu primeiro nome.

Nem.

Ferrando.

Eu acabei de… receber permissão oficial para chamar ela de Tiara-san?

Fiquei paralisado de choque, completamente atônito.

Ouvi Tiara-san soltando uma risadinha baixa enquanto saía da sala do clube com a Shiratama-san e, quando a porta se fechou com um clique, desabei pesadamente na cadeira.

Eu sobrevivi por hoje, mas… daqui para a frente as coisas só vão ficar mais complicadas...

— Encarandooooo……………

Yanami estava me fuzilando com os olhos enquanto literalmente vocalizava o efeito sonoro.

Qual era o problema dela?

— O quê? Tem alguma coisa para dizer?

— O que foi aquilo agora? Você e a Basori-san estão desse jeito?

— Desse jeito como...? Não faço ideia do que você está falando.

— Você sempre me chama de Yanami-san, mas vai chamar Basori-san pelo primeiro nome? Uaaau. Tá bom.

Ah, então é por esse ângulo que ela está atacando. Entendi, entendi...

Apoiei os cotovelos na mesa, entrelacei as mãos e formei um triângulo com os dedos, levando-as até o rosto para cobrir a metade inferior.

— Agora escute aqui, Yanami-san. É verdade que, durante a provação que foi a nossa eleição, Basori-san e eu desenvolvemos certo nível de compreensão mútua. Porém, estabelecer uma conexão com a nova presidente do Conselho Estudantil só servirá para fortalecer a posição do Clube de Literatura no futuro. E isso está alinhado com nossos próprios interesses, não está?

Apesar da minha explicação impecável e completamente lógica, Yanami apenas fez uma careta e jogou outro mini chikuwa na boca.

— A eleição do Conselho Estudantil é um processo sagrado para escolher os representantes dos alunos, sabia? Usar a campanha como desculpa para ficar íntimo de uma garota... você não acha isso meio impuro?

— Se você vai falar assim, então e você? — retruquei por impulso.

— Hã? O que tem eu? — Yanami franziu a testa.

— Yanami-san, você ficou praticamente grudada no Sakurai-kun durante a eleição inteira. Você sabe que ele é superpopular com as garotas, né? Sinceramente, isso não pega muito bem.

— Sakurai-kun? Ele estava tão ocupado com o Conselho Estudantil que a gente mal passou tempo jun—

Ela interrompeu a própria frase, arregalando os olhos como se tivesse percebido alguma coisa de repente.

— Yanami-san, o que foi?

Ela ignorou minha pergunta. Em vez disso, levantou-se lentamente, veio até mim e se jogou na cadeira bem ao meu lado.

………

Hã?

Isso está meio assustador.

Recuei por reflexo, e Yanami se inclinou ainda mais para perto, com diversão misturada à voz.

— Nukumizu-kun... você está totalmente com ciúmes, não está?

………..

Hã? Ciúmes? Eu? Que diabos ela está falando?!

Balancei a cabeça freneticamente em negação.

— Não, você entendeu tudo errado. Eu só pensei que seria ruim se começassem a espalhar rumores estranhos sobre Sakurai-kun.

— Por que você está falando do Sakurai-kun agora?

Toda a diversão desapareceu do rosto dela, substituída por um olhar fulminante.

— Como assim "por quê"? É disso que eu estou falando desde o começo.

— Não é! A gente estava falando de você estar com ciúmes porque eu tenho me dado tão bem com Sakurai-kun!

É literalmente a mesma coisa. Tá, talvez eu só precise reformular.

— Olha, o que eu estou dizendo é: se começassem a surgir rumores estranhos sobre você e ele, Yanami-san, eu me sentiria muito mal pelo Sakurai-kun—

— Com licença?! O que teria de tão "estranho" nisso?!

Tudo. Absolutamente tudo seria estranho nisso, Yanami-san.

Eu sabia. Não existe chance nenhuma de eu confiar meu precioso Sakurai-kun a essa garota…

Soltando um enorme suspiro exasperado, Yanami enfiou a mão no saco de mini chikuwa.

— Esse é exatamente o seu problema, Nukumizu-kun... Toma, prova um. É muito bom.

Ela estendeu um mini chikuwa bem diante da minha boca. Agindo por instinto, dei uma mordida, e o sabor salgado e saboroso do bolinho de peixe se espalhou pela minha língua.

— Oh, tem gengibre nisso.

— Bom, né? Eu fiquei completamente viciada nesses ultimamente.

Repentinamente de muito melhor humor, Yanami colocou alegremente o último pedaço na boca. Enquanto eu observava distraidamente ela mastigar, fiquei pensando no que tinha dito antes.

………..

Então eu pareço estar com ciúmes.

Certo.

Sakurai-kun era um dos poucos amigos homens que eu tinha, então, sinceramente, ver ele se dando tão bem com a Yanami me fazia sentir um pouco deixado de lado.

Pensando dessa forma, acho que chamar isso de ciúmes não estava completamente errado.

E, como a garota com quem Sakurai-kun estava passando tempo era minha amiga Yanami, aquela sensação de estar sobrando doía um pouco mais.

Satisfeito com aquela explicação perfeitamente lógica para meus próprios sentimentos, soltei um suspiro mental de alívio.

Yanami, depois de terminar o lanche, começou a enrolar uma mecha de cabelo no dedo.

— Enfim. O que estava escrito no papel da Basori-san na caça ao tesouro?

— Por que você quer saber disso?

— Talvez porque a Basori-san literalmente agarrou a mão de um garoto na frente da escola inteira e arrastou ele até a linha de chegada? O jornal da escola também estava fazendo o maior escândalo com isso! Se vocês dois não se explicarem, as pessoas vão entender errado.

Bom… não seria exatamente uma interpretação errada. Afinal, o papel que Tiara-san tinha tirado dizia: "A pessoa de quem você gosta."

De todas as fofocas vulgares e sensacionalistas que o jornal tinha publicado, logo naquela eles tinham acertado em cheio.

— Nah, se eu for lá negar, eles só vão insistir mais e prolongar a história. A melhor jogada aqui é ignorar e deixar morrer sozinha.

Pronto. Perfeitamente razoável. Isso deve convencer ela.

— É, acho que sim. Então, o que estava escrito?

………

Não. Ela não tinha sido convencida nem um pouco. E o olhar dela estava começando a ficar meio assustador também.

Eu precisava pensar numa mentira.

Rápido.

— Um amigo! — soltei. — É, o pedido era "um amigo homem"!

— Hã... Que pedido estranhamente específico. Um papel que qualquer pessoa poderia ter tirado e, por acaso, era justamente "um amigo homem", hein? — murmurou Yanami para si mesma.

Apoiando a bochecha na mão, ela me lançou um olhar profundamente desconfiado.

— É-É, exatamente...

— Bom, tanto faz. De qualquer jeito, eu consegui plantar a Shiratama-chan no Conselho Estudantil.

— O que isso quer dizer?

— Quem sabe?

Desviando da minha pergunta com um tom altamente teatral, Yanami saltou da cadeira e caminhou até a janela. Com as costas voltadas para mim, eu já não conseguia ver sua expressão.

Naquela vez em que a Tiara-san se confessou para mim na ponte… sinceramente, eu tinha ficado confuso. Não pela confissão em si. Mas pela minha própria hesitação em dar uma resposta. E mais do que qualquer coisa, pela sombra da pessoa que atravessou minha mente exatamente no instante em que tentei dizer "sim".

O significado daquilo. E os meus próprios sentimentos… eu ainda não conseguia entender.

Quer dizer, só tinha se passado uma noite, afinal.

Fico pensando… quantas noites Tiara-san passou antes de decidir me contar o que sentia?

Yanami fechou as cortinas da janela.

— Está começando a escurecer — murmurou.

Sua expressão era uma mistura indecifrável de desagrado, exasperação e alguma outra emoção completamente impossível de ler. Ela ficou me encarando em silêncio absoluto.

— O quê? Por que você está olhando para mim desse jeito?

Um silêncio constrangedor tomou conta da sala. Bem quando perdi a paciência e abri a boca para falar, Yanami de repente sorriu.

— Sabe, Nukumizu-kun… Você realmente é o inimigo das mulheres, hein.

📖✨ Este capítulo foi traduzido por Slag e revisado por Shisui

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Fim da leitura

Capítulo 99 concluído

Volume 8 – Epílogo – Epílogo: A Escadaria para a Vida Adulta