Todas Essas Heroínas Perdedoras! — Capítulo 98: Volume 8 – Capítulo 4 – Capítulo 4: O Que Quer Dizer com Inimigo das Mulheres?

Todas Essas Heroínas Perdedoras!
Cap. 98
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Todas Essas Heroínas Perdedoras!

Volume 8 – Capítulo 4 – Capítulo 4: O Que Quer Dizer com Inimigo das Mulheres?

Capítulo 98

8.542 palavras~37 min de leitura

O DIA DO FESTIVAL esportivo do Colégio Tsuwabuki finalmente chegou e, apesar de todos os meus desejos mais profundos e desesperados por chuva, lá estava eu debaixo de um céu tão agressivamente azul e limpo que parecia que o próprio universo estava me mostrando o dedo do meio.

A eleição tinha terminado sem incidentes, e o atual Conselho Estudantil seria oficialmente dissolvido assim que o festival acabasse. É claro que isso não significava absolutamente nada para a vasta maioria dos alunos e, agora que a eleição finalmente tinha acabado, também não significava nada para mim.

Não diretamente, pelo menos.

Fiquei mastigando esse pensamento enquanto assistia aos extrovertidos da escola dispararem pela pista sob os gritos ensurdecedores da multidão. Eu já tinha corrido a prova de velocidade e me arrebentado no cabo de guerra, ambos obrigatórios para todo mundo, então a essa altura eu estava completamente acabado.

Sabe, eu realmente achava que, depois de conseguir chegar ao nível de corrida de um garoto mediano do primeiro ano lá em março, pelo menos conseguiria me virar razoavelmente bem na corrida desta vez.

No mínimo. Mas não. Infelizmente, eu tinha ignorado um fato bem simples: Todo mundo tinha virado aluno do segundo ano.

E, dos cinco caras contra quem corri, deixa eu contar uma coisa: nenhum deles era normal. Tinha membro do Clube de Atletismo, garoto de clube esportivo e, de todas as pessoas possíveis, Sousuke Hakamada.

Aquele desgraçado passou até os caras do atletismo e ficou em primeiro como se não fosse nada. A armadura de roteiro do protagonista é mesmo uma força aterrorizante. Caso ainda não estivesse óbvio, eu fiquei em último. Meus ombros também estavam gritando.

Desde quando cabo de guerra deixava alguém tão destruído? Talvez eu simplesmente tivesse chegado ao fim como ser humano...

— Ei, Nukumizu, já está quase na hora — chamou Ayano ao meu lado.

— É, eu sei.

Trocamos um olhar e nos viramos para a pista. Naquele momento, estava acontecendo o revezamento misto entre as turmas, a arena sagrada onde todos os superpopulares se reuniam.

Normalmente, essa frase e meu estilo de vida não teriam absolutamente nada a ver um com o outro. Mas esse evento eu não podia ignorar.

Yakishio era a última corredora da turma 2-E. Ayano e eu tínhamos garantido um lugar perto da quarta curva.

Enquanto observávamos, o bastão finalmente foi passado para Yakishio.

— Olha, passaram para a Lemon em primeiro lugar! — exclamou Ayano, puxando minha camisa animadamente.

— Eu estou olhando, eu estou olhando. Para de puxar minha roupa.

No instante em que Yakishio disparou, uma onda de barulho percorreu a multidão. Como última corredora, ela tinha quatrocentos metros pela frente, bem mais do que os outros trechos do revezamento.

Mas, vendo o jeito como corria, parecia até que aquilo não era suficiente.

Com uma arrancada que não parecia pertencer a uma especialista em média distância, ela entrou rasgando na primeira curva da pista.

...Rápida demais.

Claro, ela já era rápida no ano passado. Mas aquilo estava em outro nível. Agora havia algo mais afiado nela, uma intensidade bruta na corrida que não existia antes.

Fiquei observando, fascinado pela capacidade física absurda dela. Ayano cruzou os braços ao meu lado e assentiu com sabedoria.

— Sabia que a Lemon também melhorou os tempos dela em distâncias curtas?

— Melhorou?

— É. Fizeram uma corrida de treino como referência antes do revezamento e, pelo que disseram, ela bateu o próprio recorde pessoal.

Por algum motivo, ele parecia insuportavelmente convencido. Dei de ombros com o máximo de irritação possível.

— Quando você diz "recorde pessoal", está falando do tempo oficial dela antes de correr comigo, né? Odeio te decepcionar, mas ela já tinha batido esse tempo quando correu contra mim em março.

Ayano empurrou os óculos para cima, e as lentes brilharam intensamente sob o sol.

— Bom, e você sabia disso? Nos dias de competição, a Lemon não come nada sólido. Ela diz que é mais fácil controlar a condição física com gel energético e bebidas.

Hã.

Interessante. Yanami jamais sobreviveria a isso.

Dito isso, não sei muito bem o que penso de um cara que já tem namorada agindo como o "apoiador dos bastidores" da Lemon.

— Ayano, você sabia disso? Yakishio escuta música antes das corridas para entrar no clima.

— Sim, claro que eu sabia.

— Imaginei. Mas tem uma coisa: na última competição, ela colocou a música para tocar no alto-falante sem querer em vez de nos fones. Disse que queria morrer de vergonha depois.

— Heh. Isso tem muito a cara da Lemon.

— Né?

Enquanto nós dois travávamos nossa acalorada batalha para decidir quem sabia mais sobre ela, Yakishio entrou na última curva. Por uma fração de segundo, tive a impressão de que nossos olhos se encontraram.

Então ela ergueu um dedo num gesto rápido e triunfante na minha direção e passou por nós como um borrão. Acelerando ainda mais na reta final, deixou o garoto que a perseguia desesperadamente comendo poeira e atravessou a linha de chegada.

Um enorme grito de comemoração explodiu da multidão enquanto Yakishio se jogava direto nos braços dos integrantes do revezamento da turma 2-E, que a esperavam.

Ayano e eu nos encaramos.

— Ela acabou de fazer um sinal para mim, né?

Por que a gente falou isso ao mesmo tempo? Suspirei e coloquei a mão no ombro dele.

— Ayano, vamos pensar logicamente. Mesmo vocês sendo amigos próximos, é extremamente improvável que a Yakishio faria uma coisa dessas para um cara que já tem namorada. Portanto, por eliminação, a conclusão natural é que ela estava fazendo o sinal para mim.

— Isso não tem nada a ver — retrucou Ayano. — Fazer um gesto para um amigo que está torcendo por você não tem nada de estranho.

— Então podia muito bem ter sido para mim também, não podia? Eu também sou amigo dela. E foi você mesmo quem disse isso.

Ayano refletiu sobre minhas palavras por alguns instantes e então empurrou dramaticamente os óculos para cima com um movimento do dedo.

— Foram meus óculos.

— O quê?

— O reflexo das lentes. Foi assim que ela me encontrou. Não tem como distinguir alguém no meio da multidão de outro jeito.

— Ou talvez o reflexo só estivesse irritando. Pensando bem, tenho quase certeza de que ela levantou o dedo do meio.

Ayano e eu trocamos olhares teimosos. Bem quando estávamos prestes a iniciar a segunda rodada da discussão—

— Miiitsuki-san! — chamou uma voz alegre.

Era a Asagumo-san. Ela fez uma pequena reverência educada para mim antes de voltar um sorriso doce para Ayano.

— Você viu a Lemon-san correr? Ela foi incrível, não foi?

— Vi. Você também estava assistindo, Chihaya? Ela realmente é de outro nível.

— Com certeza — concordou Asagumo-san.

Então o sorriso dela ficou só um pouquinho mais rígido.

— Nukumizu-san, posso pegar o Mitsuki-san emprestado por um instante? Tem uma coisa que preciso conversar com ele.

Assenti, e Asagumo-san imediatamente prendeu os dois braços no braço de Ayano.

— Chihaya? Sobre o que é isso?

— Sim, o que será? Vamos conversar ali, pode ser?

Juntei as palmas das mãos numa oração silenciosa pelas costas do condenado Ayano enquanto ele era arrastado pela namorada.

É. Ela ouviu tudo.

Bom, é isso que você ganha por ficar babando por uma garota que já rejeitou enquanto sua namorada de verdade está bem ali. Reflita sobre seus pecados, Ayano.

Enfim. As provas da manhã estavam chegando ao fim. Hmm, o que mais tinha no cronograma?

Enquanto procurava no bolso a programação dos eventos, Yanami veio correndo na minha direção.

— Aí está você! — disse ela, ofegante e curvada para a frente.

— O que foi? Por que essa pressa?

Ela recuperou o fôlego e então estendeu as duas mãos para mim, os olhos brilhantes e límpidos.

— Nukumizu-kun, me dá seu bentô!

— Não.

Ela me lançou um olhar exasperado e deu de ombros, fazendo questão de exagerar no gesto.

— Tá bom. Acho que vou ter que explicar bem devagar para até você conseguir entender.

— Minha resposta não vai mudar, sabia?

Como sempre, minhas palavras entraram por um ouvido e saíram pelo outro.

— Você sabe que a competição de torcida é o primeiro evento do bloco da tarde, né? Então, assim que começar o intervalo do almoço, a gente vai ter que trocar de roupa e comer enquanto repassa a coreografia e tudo mais.

— Aham.

E isso me interessa como?

Yanami me encarou.

— Escuta. É óbvio que, se você passa a manhã inteira se exercitando, vai acabar ficando com fome, não vai? Então é natural que—

— Que você tenha comido seu almoço mais cedo.

— Eu só queria provar um pouquinho! — reclamou ela. — É que o bentô não ofereceu muita resistência, só isso. Sério, zero garra.

Garra. Eu não sabia que bentôs vinham com atributos ocultos. Quer dizer, eu até entendia a situação dela, mas, ainda assim…

(N/SLAG: Konjou (根性) Aqui, "garra" se refere ao atributo comum em jogos que representa força de vontade, espírito de luta ou perseverança)

De jeito nenhum eu entregaria o bentô especial preparado pela Kaju para alguém que obviamente não reconhecia o valor dele.

— Por que você não vai comprar um pão na lojinha? — sugeri.

— Não dá. Depois disso eu tenho a corrida de comer pão, então não tenho tempo para entrar na fila. Vai comprar para mim.

— Você não podia simplesmente usar o pão da corrida como almoço?

— Você acha mesmo que aquilo seria suficiente?

Justo. Erro meu.

Assim que assenti com relutância, Yanami abriu um sorriso radiante, agradeceu e se virou para ir embora.

— Espera. O dinheiro primeiro. Você não vai querer ficar me devendo, vai?

— Eu tenho cara de quem não pagaria você de volta?

Sem comentários.

Ela vasculhou os bolsos do short de ginástica e tirou uma moeda de 500 ienes.

— Então compra para mim um pão que pareça ter garra!

Acenando alegremente, ela saiu trotando na direção da próxima prova. Fiquei observando enquanto se afastava, inclinando a cabeça em completa perplexidade.

Um pão com garra...

...Que diabos um negócio desses deveria parecer?

◇

No caminho de volta, meus braços estavam completamente carregados de pães de curry — eu tinha conseguido a impressionante quantidade de sete em promoção, já que venciam naquele mesmo dia.

Se existia algum pão com "garra", com certeza era pão de curry. Yanami ia adorar.

Cantarolando enquanto caminhava pelo corredor ao lado do pátio interno, avistei uma garota fofa vindo na minha direção: Shiratama-san.

Quando me percebeu, ela veio trotando até mim com passos leves e saltitantes.

Tão fofa.

Não que alguma vez tenha existido discussão sobre o quanto ela era fofa. Mas tenho que admitir: hoje ela tinha elevado isso a outro nível.

Vestida com uma fantasia de animal, completa com uma tiara de orelhas peludas e uma cauda fofinha, o nível de fofura dela estava simplesmente fora da escala.

Parando bem na minha frente, Shiratama-san fechou as duas mãos imitando pequenas patinhas.

— Grrr, Prez! — rosnou de brincadeira, fazendo uma pose adorável.

— Essa é a fantasia da competição de torcida?

— Uhum! Minha turma vai fazer uma dança de raposas e tanukis chamada "Kon-Poko"! Acabei ficando de tanuki.

(N/SLAG: Nome brincalhão formado pela combinação de duas onomatopeias japonesas: kon-kon (コンコン), associada ao som das raposas no folclore japonês, e pon-poko (ポンポコ), ligada ao som dos tanukis batendo na barriga. Shiratama-san apenas criou um nome fofo para a apresentação da turma)

Ela colocou a língua para fora num "te-he" brincalhão.

Meu Deus. Aquilo era tão calculado. E absurdamente fofo.

Os olhos dela desceram até a pilha de pães de curry nos meus braços e se arregalaram de surpresa.

— Uau, Prez, você come bastante!

— Não, isso é—

— Para a Yanami-san, né?

Ela riu baixinho e então ergueu o rosto para mim, olhando por entre os cílios.

— Aliás, Prez... você também vai assistir à apresentação de torcida da turma 1-E?

— Hã? Ah, bom... desde que não coincida com a vez da minha turma...

O rosto da Shiratama-san se iluminou, seu sorriso desabrochando como uma flor.

— Oba! Mal posso esperar! Vou mandar um sinal secreto para você enquanto estiver dançando. Tem que vir assistir, tá?

— Para mim?

— Só para você, Prez — sussurrou, com a voz suave e quase sem fôlego.

Com isso, ela girou nos calcanhares e saiu saltitando, a cauda fofa de tanuki balançando suavemente atrás dela.

◇

E assim começou o intervalo do almoço.

Sakurai-kun e Ayano faziam parte da equipe de torcida, então eu estava livre para aproveitar uma tranquila sessão solo de bentô num canto do pátio da escola.

Sentado confortavelmente à sombra, ouvi o suave farfalhar dos galhos balançando, acompanhado pelo ocasional canto de algum pássaro acima de mim.

— É bom ter um pouco de silêncio assim de vez em quando...

Agora… o que comer depois dos ovos de codorna?

Os mini espetinhos de oden? Ou ir pelo caminho seguro com o clássico karaage...?

Enquanto ponderava minhas opções diante do bentô especial da Kaju, uma sombra caiu sobre minhas mãos. Ergui os olhos e encontrei Komari parada ali, segurando o próprio bentô embrulhado.

— H-Hã... eu... é... — gaguejou ela, mudando desajeitadamente o peso de um pé para o outro enquanto mexia nervosamente na franja.

— Hã? Os integrantes da equipe de torcida não deveriam comer juntos enquanto repassam a coreografia?

— E-Eu não tenho nada para fazer de v-verdade durante a a-apresentação. E-E o comitê vai cuidar da m-música e dessas coisas de q-qualquer jeito...

— Hã. Então por que você veio parar tão longe—

— Hii?! B-Bom, isso é... hã...

Observando-a se atrapalhar daquele jeito, assenti profundamente em compreensão.

Ah. Então era isso.

— Entendi — disse com confiança. — Você está procurando um lugar onde ninguém vá incomodar você, né?

— Hã?

Apontei o polegar por cima do ombro, diretamente para trás de mim.

— Recomendo aquele lugar atrás dos arbustos. É silencioso, e a grama ali tem uma textura bem macia, então é confortável para sentar. Eu escolhi este lugar porque daqui dá para ouvir os pássaros, mas, no geral, aquele ali é melhor.

Acertei em cheio. Nós, introvertidos, precisamos nos ajudar. Muito satisfeito com minha boa ação do dia, peguei um pedaço de karaage com os hashis.

— M-Morra.

Por que a agressão verbal?!

Enquanto permanecia ali, perplexo diante daquela crueldade repentina, senti um doce aroma floral sendo carregado pela brisa. Acompanhado pelo que parecia ser uma trilha sonora brilhante e majestosa se aproximando gradualmente da nossa posição...

— Ainda bem! Aí está você!

A voz pertencia a Karen Himemiya, que corria em nossa direção usando uma roupa completa de líder de torcida.

Ela freou bem diante da Komari, e a lei da inércia fez com que os sonhos e esperanças de todos os garotos adolescentes balançassem vigorosamente para cima e para baixo.

……..

Incrível. Não vou dizer o quê, mas… verdadeiramente incrível.

Enquanto eu permanecia paralisado pelo impacto daquela visão, Himemiya-san agarrou as duas mãos da Komari.

— Ei, Komari-chan, você não se importaria de participar da competição de torcida com a gente, né?!

— H-Hii—?!

— Takanashi-san acabou de torcer o tornozelo! Era ela que a gente ia levantar, então precisamos de uma substituta — agora!

Se bem me lembrava, Takanashi-san era uma garota baixinha, mais ou menos do tamanho da Komari. Himemiya-san se aproximou ainda mais, avançando sobre Komari sem dar espaço para fuga.

— Você já decorou toda a coreografia, né, Komari-chan? Acha que consegue entrar no lugar da Takanashi-san como flyer?!

— H-Hã...

Apavorada, Komari lançou um olhar desesperado para mim, implorando silenciosamente por ajuda. Desviei os olhos com todo o cuidado do mundo.

— Por favor, Komari-chan! Você é a única pessoa para quem podemos pedir!

— A-A Yanami não pode fazer..?

— A Anna é pesada dema—Quer dizer, ela é superforte! Então precisamos muito dela no chão ajudando a levantar! Não se preocupa, todas nós vamos segurar você!

Brilha, brilha.

Brilha, brilha.

Banhada pela luz radiante do sorriso deslumbrante da Himemiya-san, a pouca força de vontade que ainda restava a Komari foi completamente drenada. Sua cabeça caiu para a frente em absoluta derrota.

Interpretando aquilo como um "sim", Himemiya-san a arrastou alegremente para longe.

………

Caramba. Isso parece complicado. Com meu espetinho de oden na mão, voltei a olhar tranquilamente para os galhos acima.

Oh, esse canto.

É um rabirruivo-da-Dáuria.

Hã… será que ele perdeu a época da migração?

Ouvindo o canto levemente melancólico do pássaro, mordi o konjac completamente impregnado de tempero e saboreei tranquilamente seu gosto.

◇

As provas da tarde começaram pouco depois. Uma música alegre e animada explodiu pelos alto-falantes do pátio, anunciando o início da apresentação de torcida da turma 2-C.

A coreografia da nossa turma era uma mistura estranha entre líderes de torcida tradicionais e o grupo de torcida masculino vestido de gakuran, resultando naquele tipo de dança desajeitada e levemente fora do ritmo que você só vê em festivais escolares.

Era bem inocente e divertido e tudo mais, mas rapidamente esqueci completamente disso.

Porque Karen Himemiya existia. Sua beleza avassaladora e… sua figura agressivamente bem-dotada… atraíam absolutamente todos os olhares ao redor.

Era como se uma presença radiante a acompanhasse por onde quer que fosse. Parecia que um conjunto completamente diferente de leis da física se aplicava exclusivamente a ela… especialmente àquela, hã… parte dela responsável por alimentar os sonhos e esperanças de todos os garotos da nossa idade.

Seus atributos balançavam e saltavam a cada movimento, aparentemente desafiando a gravidade. Esse tipo de espetáculo era mesmo legal numa escola pública em plena luz do dia?

Quando percebi, a multidão ao redor da área reservada para nossa turma tinha ficado suspeitosamente densa. Eu tinha quase certeza de que todos os alunos homens da escola tinham migrado para cá para assistir.

Só para constar, Yanami — que tinha acabado de inalar os sete pães de curry — também dançava cheia de energia.

As roupas de líder de torcida eram feitas para deixar um pouco da barriga à mostra, mas a barriguinha macia com a qual eu estava preocupado nem aparecia.

Acho que a tia da Shiratama chamar ela de gordinha realmente acendeu uma chama dentro dela.

Ainda assim… para onde diabos foi todo aquele pão?

Arranquei os olhos da região abdominal da Yanami e vasculhei a formação procurando Komari.

Já estava começando a achar que ela tinha fugido quando finalmente a encontrei, escondida atrás de um grupo de garotas mais altas enquanto balançava fracamente os pompons.

………

Uau. Ela realmente tinha talento para encontrar pontos cegos.

E… lá vai ela de novo.

Fascinado, observei a Komari selvagem em seu habitat natural enquanto ela corria discretamente de ponto cego em ponto cego em busca de abrigo.

Antes que eu percebesse, a música chegou ao clímax e as líderes de torcida mudaram repentinamente de formação, cercando firmemente uma única pessoa no centro.

Essa pessoa era Komari.

Ayano, parado junto dos outros garotos vestidos de gakuran, levou um apito aos lábios e soltou um som agudo e penetrante que atravessou a música. Ao sinal, as líderes de torcida ergueram Komari — que se debatia fracamente — direto no ar, até a altura dos ombros.

Completamente exposta aos olhos do público, o rosto dela ficou branco como neve recém-caída.

Com movimentos rígidos e bruscos, parecendo um robô, ela ergueu lentamente os dois pompons acima da cabeça.

A música parou no momento exato.

Outro apito soou.

As líderes de torcida gritaram em uma sincronia aterrorizante e lançaram Komari para o alto.

Um grito de gelar o sangue atravessou o campo esportivo quando a gravidade se lembrou de fazer seu trabalho. Então, impecavelmente, as garotas a pegaram durante a queda. No instante em que Komari aterrissou em segurança nos braços delas, uma explosão de aplausos tomou conta do lugar.

Foi um sucesso perfeito. Observando as garotas cercarem Komari animadamente, assenti com um profundo sentimento de realização emocional.

Komari… você realmente cresceu. Mesmo que, neste exato momento, estivesse inconsciente.

◇

Pois bem. Acho que eu também deveria ir conferir a apresentação da Shiratama-san.

Garanti um bom lugar com visão clara da equipe de torcida da turma 1-E, cruzei os braços e fiquei observando o campo enquanto esperava o início.

Agora, quero deixar uma coisa bem clara. Como o presidente responsável do clube que sou, eu estava ali exclusivamente na função de apoiar os esforços da minha kouhai.

Só isso. Eu definitivamente não tinha vindo correndo para cá com um sorriso idiota estampado no rosto só porque ela prometeu fazer um sinal secreto para mim.

De jeito nenhum.

………

Talvez eu devesse chegar um pouquinho mais perto para ter um ângulo melhor, no entanto.

Na apresentação da turma 1-E, tanto os garotos quanto as garotas estavam fantasiados de raposas ou tanukis e dançavam juntos. Ver os garotos e garotas rindo e brincando uns com os outros era incrivelmente inve—

Quer dizer. Reconfortante. Muito reconfortante.

Mesmo no meio de todos eles, Shiratama-san se destacava como um diamante numa pilha de bijuterias. Embora eu não pudesse deixar de notar que ela parecia interagir exclusivamente com os garotos...

A música começou, e a turma 1-E passou a dançar em sincronia, fazendo gestinhos fofos de patinhas de gato que ficavam… absolutamente ridículos nos garotos.

Embora, pensando bem, talvez essa fosse justamente a graça. Mas, quanto mais dançavam, mais a Shiratama-san se destacava. Seus movimentos eram tão cativantes que parecia até uma idol profissional ou coisa do tipo.

Ela também tinha dominado perfeitamente aqueles gestos felinos cheios de charme.

Vou ser sincero: se eles fossem um grupo idol de verdade, provavelmente acabariam se desfazendo só porque ela estava muito acima de todo o resto.

Pelo visto, a fama da fofura dela também estava se espalhando como fogo, porque a multidão ao meu redor não parava de crescer.

Droga. Acho que não havia chance de ela me encontrar naquele mar de gente, muito menos mandar algum sinal.

É. A Shiratama-san era uma idol das massas. Não só minha. Ainda assim, esse pensamento deixou dentro de mim uma sensação estranha e vazia de solidão.

Pelo menos até meus olhos inesperadamente encontrarem os dela.

Ela olhou diretamente para mim, abriu um sorriso brilhante o bastante para abastecer uma cidade pequena e mandou um beijo com as duas mãos bem na minha direção.

……..

Caramba. Ela realmente fez isso. Senti meu rosto pegar fogo, enquanto meu coração dava uma pequena e vergonhosa acelerada.

Mas, enquanto eu ficava ali me remexendo constrangido feito um idiota, os garotos ao meu redor explodiram em euforia.

— Mano. MANO. Você viu isso? Ela acabou de mandar um beijo pra mim!

— Idiota, foi obviamente pra mim! Eu estou fazendo contato visual com ela esse tempo todo!

— Nah, ela estava olhando pra mim. Tô falando sério.

Passei a mão pelo cabelo, deixando um sorriso presunçoso e torto surgir no rosto. Desculpa, caras. Aquele sinal tinha destinatário certo. Mas continuem apoiando a Shiratama-san de uma distância respeitosa.

Bem respeitosa.

— Oh? Você também veio assistir, Nukumizu-kun?

— Ah, olá.

Virei-me e encontrei Tanaka-sensei parado logo atrás de mim. Ele dobrou um pouco os joelhos e se inclinou para sussurrar conspiratoriamente no meu ouvido.

— Como estão as coisas com a Riko-chan ultimamente?

Como estão, hã...

Bom, acho que ela já se acostumou bastante com a gente. Acho.

— Na verdade, as coisas têm estado bem tranquilas — respondi. — Nem sei quando aconteceu, mas ela até conseguiu o número da minha irmãzinha.

— Sua irmãzinha? — perguntou Tanaka-sensei, parecendo estranhamente surpreso.

— É. No começo elas não se deram muito bem, para ser sincero, mas a Kaju parou com aquela história de "jogar sal" sempre que ela aparece lá em casa, então acho que estão de boa agora.

— Sal...? Espera, a Riko-chan já está indo à sua casa?

— Bom, de vez em quando, sim.

Ah, é. Eu tinha esquecido completamente que Tanaka-sensei ainda achava que a Shiratama-san e eu estávamos namorando.

Isso… ia dar problema?

Nah. Provavelmente não.

Afinal, a gente não estava realmente junto. Tenho certeza de que tudo vai se resolver sozinho eventualmente.

— E você, Sensei? Está se dando bem com a Shiratama-san?

Pergunta ousada da minha parte, não vou mentir, mas o sorriso relaxado e tranquilo no rosto de Tanaka-sensei me deixou mais sossegado.

— Sim, muito bem. Na verdade, ela pediu que eu viesse assistir hoje. Disse que faria um sinal secreto para mim e queria que eu visse.

— Ah é? Ela disse isso pra você? Hã... olha só...

Riko Shiratama… sua pequena...

A apresentação da turma 1-E chegou ao fim, e Tanaka-sensei começou a aplaudir. Acompanhei as palmas, lançando um olhar para o sorriso calmo e completamente alheio dele.

……….

Esse pobre coitado não faz a menor ideia de que ela está mirando nele, faz?

Caramba.

— Aliás, ouvi dizer que a Riko-chan está escrevendo um romance?

— Hã, sim. Mais ou menos.

A expressão dele se iluminou de curiosidade.

— Não importa quantas vezes eu pergunte, ela fica com vergonha demais e se recusa a me deixar ler. Fico imaginando que tipo de história está escrevendo.

Hã.

Vamos ver. Você é o protagonista. Sua noiva está morta. E… a heroína é a irmã mais nova da sua falecida noiva.

É. Não. Definitivamente não. Não existia universo concebível em que ela pudesse deixar esse homem ler aquilo.

— É um romance histórico — menti. — Mas, sinceramente, mostrar algo que você escreveu para um parente dá meio que vergonha. E o contrário também vale. Até ler algo escrito por alguém da família fica estranho. Eu definitivamente precisaria me preparar mentalmente antes de ler qualquer coisa escrita pela minha irmãzinha.

— Hmm, agora que você mencionou, realmente faz sentido — assentiu Tanaka-sensei, parecendo ter alcançado uma nova compreensão graças à minha lógica completamente inventada.

De onde ele tirou alguma verdade nisso, porém, eu não faço ideia.

— Não se preocupe. Assim que ela juntar mais um pouco da história, vou garantir que chegue até você.

— Entendo. Nesse caso, ficarei ansioso para ler.

Ele deu um tapinha encorajador nas minhas costas antes de ir embora. Lancei um último olhar para Shiratama-san — naquele momento soterrada por uma multidão de colegas homens — e então me virei para voltar à área da minha própria turma.

Já estava quase na hora da minha prova: o percurso de obstáculos.

Certo. Vamos ver se pelo menos desta vez eu consigo parecer um pouco legal.

◇

E foi assim que acabei dentro da tenda principal do Comitê Executivo do Festival Esportivo, que também servia como enfermaria improvisada.

Quer saber por quê?

Eu tropecei. E… ralei o joelho.

Tudo estava indo absolutamente perfeito até chegar à parte de rastejar sob a rede — que, diga-se de passagem, eu estava a isso aqui de superar.

Então tentei disparar para a frente e, no instante seguinte, meu pé se enroscou imediatamente na rede.

Sério. Festivais esportivos são perigosos demais. Deviam proibir todos.

— Com licença... — chamei timidamente, colocando a cabeça para dentro da tenda.

Konuki-sensei se virou, e o jaleco branco balançou ao redor dela.

— Ora. O que traz você aqui, Nukumizu-kun? Veio me ver?

— Não, só ralei a perna. Preciso desinfetar.

— Frio como sempre, pelo visto. Sente naquela cadeira ali.

Ela examinou rapidamente o arranhão antes de chamar um dos alunos que estava atrás dela.

— Uma simples desinfecção deve bastar. Membro do Comitê Executivo, posso deixar isso com você?

— Sim, claro.

Quem entrou para assumir o lugar dela foi Sakurai-kun. Com um sorriso torto, ele se sentou diante de mim.

— Bom trabalho lá fora. Quase conseguiu, hein?

Eu não cheguei nem perto. Fiquei em quinto de seis. Mas, considerando que milagrosamente escapei do último lugar, vou considerar uma vitória.

Desde que a eleição tinha acabado, Sakurai-kun só tinha tido tempo para os preparativos do festival esportivo. A gente realmente não tinha tido chance de sentar e conversar direito.

Sentindo uma pontada de constrangimento, quebrei o silêncio.

— Você também cuida desse tipo de coisa, hein.

— O Conselho também faz parte do comitê do festival, então dá para dizer que é nossa última função. Aqui, isso vai arder um pouco.

Ele passou delicadamente um cotonete embebido em desinfetante sobre o arranhão. Enquanto observava o trabalho dele, um pensamento escapou da minha boca antes que eu pudesse impedir.

— Então — soltei —, foi você quem recomendou Basori-san aos senpais, né?

Sakurai-kun parou por um instante, hesitando.

— Foi há bastante tempo. Quando... nós estávamos fazendo trabalho voluntário juntos, tinha um grupo de pessoas que simplesmente não suportava ela. Então começaram a espalhar todo tipo de boato — alguns realmente cruéis. Ela passou por uma fase bem difícil.

Uma sombra atravessou o rosto dele, e sua expressão ficou turva.

— Depois, a líder daquele grupo cometeu um erro e acabou completamente excluída pelas outras. Mas teve uma pessoa que, apesar de tudo, continuou ao lado dela. E essa pessoa foi...

— Basori-san?

Sakurai-kun assentiu em silêncio e voltou a cuidar do meu joelho.

……..

Que passado.

Ser odiada pelos outros e depois ainda se virar para proteger justamente a pessoa que tinha atacado ela… Aquilo era dolorosamente a cara da Tiara-san.

Pelo visto, os membros do Conselho Estudantil realmente conheciam bem as qualidades dela. Eles realmente valorizavam ela como amiga. Talvez eu não precisasse me preocupar tanto com ela, afinal.

Além disso, aparentemente até o trabalho voluntário da nossa escola era surpreendentemente brutal.

Assustador.

— Pronto. Terminei.

Meu joelho recém-desinfetado agora estava cuidadosamente coberto com uma gaze. Eu ainda observava o trabalho dele com admiração quando uma garota irrompeu dentro da tenda.

Cabelo preso firmemente num rabo de cavalo, sobrancelhas marcantes era ninguém menos que a próxima presidente do Conselho Estudantil, Tiara-san.

— Sakurai-kun, poderia ir ajudar a preparar a cerimônia de encerramento? Shikiya-senpai não para de soltar o fecho do meu sutiã, então eu não consigo fazer nenhum tra—

Ela parou no instante em que me percebeu e correu até mim com preocupação estampada no rosto.

— Nukumizu-san, você se machucou?! Aqui, deixe que eu cuide!

— Ah, está tudo bem. Sakurai-kun já cuidou.

Levantei-me e bati o pé de leve no chão.

— Ah... entendo...

Tiara-san murchou visivelmente decepcionada, ainda segurando o desinfetante e as bandagens nos braços. Atrás dela, Sakurai-kun se levantou.

— Preparativos para a cerimônia de encerramento, certo? Vou deixar as coisas aqui com você, Basori-chan.

— Ah, sim! Pode deixar comigo.

E, simples assim, nós dois ficamos sozinhos na tenda. E, é claro, Konuki-sensei de algum modo tinha desaparecido no ar.

Que sorte a minha.

A gente praticamente não tinha conversado desde a infame Eleição do Sangramento Nasal, então o nível de constrangimento do ambiente estava começando a se aproximar do crítico...

— Hã, bom, acho melhor eu já ir—

— Minha próxima prova é a caça ao tesouro — disse Tiara-san, me interrompendo. — Você vai assistir, Nukumizu-san?

— Quer dizer... não é todo dia que dá para ver uma dessas, então sim, eu estava planejando assistir.

— Hehe, eu sabia! Parece coisa saída direto de um mangá shoujo. Para ser sincera, eu sempre sonhei em fazer coisas assim.

Ela soltou uma risadinha, sem nenhum traço da rigidez de antes, então colocou as duas mãos nas minhas costas e me deu um empurrão gentil na direção da saída.

— Bom, desculpe por prender você aqui. Por favor, preste bastante atenção quando chegar a minha vez, está bem, Nukumizu-san?

— Ah, claro. Pode deixar.

Primeiro a Shiratama-san, agora a Tiara-san também?

A eleição já acabou.

O que todas elas querem agora...?

Inclinando a cabeça em confusão, voltei para a área de espera da minha turma.

◇

A prova da caça ao tesouro era basicamente exatamente o que o nome dizia: uma corrida em que os participantes precisavam procurar aquilo que estivesse escrito num papel e levar até a linha de chegada.

A maioria dos pedidos era por objetos simples, como faixas de cabeça ou óculos, embora de vez em quando aparecesse algo um pouco mais abstrato, como "alguém que você admira".

E, se isso fosse um mangá shoujo, algum protagonista ridiculamente bonito tiraria um papel escrito "seu tesouro" e então carregaria dramaticamente a heroína no colo até a linha de chegada.

Eu não sabia que a Tiara-san gostava tanto desse tipo de clichê. Acho que os gostos dela não são completamente degenerados...

Eu observava tranquilamente a caça ao tesouro dos alunos do primeiro ano quando Ayano surgiu ao meu lado, com um sorriso idiota estampado no rosto.

— A Chihaya é a próxima. Se eu perder, nunca mais vou ouvir o fim dessa história — disse ele, com a expressão ficando toda boba e apaixonada.

Nossa, esse cara estava sempre procurando alguma chance de se gabar da namorada. Não dava para baixar a guarda nem por um segundo perto dele.

— Aliás — perguntei —, você está bem depois do que aconteceu mais cedo? Quando Asagumo-san arrastou você dizendo que precisava conversar?

— A Chihaya fez isso? Do que você está falando?

— Você sabe, logo depois da a gente torcer para a Yakishio no revezamento misto.

— Torcer para a Lemon...?

Ayano cruzou os braços e franziu a testa, parecendo genuinamente não fazer ideia do que eu estava falando.

Hã?

Asagumo-san… o que você fez com ele...?

— A seguir, teremos a caça ao tesouro dos alunos do segundo ano! Participantes, por favor, dirijam-se à linha de largada!

A voz do locutor explodiu pelo campo esportivo, misericordiosamente interrompendo o terror crescente dentro de mim.

Certo.

Vamos esquecer o casal Ayano por enquanto.

Um total de doze participantes — dois de cada turma — se posicionou na linha de largada.

Asagumo-san e Tiara-san estavam entre eles.

Asagumo-san começou a conversar alegremente com ela, e eu vi a Tiara-san recuar num reflexo que parecia puro instinto de sobrevivência.

Garota esperta. Confie nesse instinto.

Assim que o comitê executivo terminou de espalhar os papéis com os pedidos pelo chão diante da linha de partida, o disparo de largada soou.

Asagumo-san avançou como se tivesse sido lançada por um canhão, agarrou um papel, mal olhou para ele e imediatamente disparou direto na nossa direção.

Estava escrito—

— Meu pedido é "óculos"! Mitsuki-san, posso pegar os seus emprestados?

— Claro, sem problema. Dá o seu melhor.

— Obrigada, Mitsuki-san!

Por algum motivo, Asagumo-san imediatamente colocou os óculos no próprio rosto e saiu trotando de forma instável e cambaleante.

Hã.

A linha de chegada ficava exatamente na direção oposta. Ela vai ficar bem?

— Você não devia ir com ela, Ayano? Asagumo-san está indo para o lado errado — apontei.

— Está? Não consigo enxergar nada sem os óculos.

É. Imaginei. Bom, os dois parecem estar se divertindo, então tanto faz.

Voltei a olhar para o campo e percebi outra garota correndo na nossa direção.

Tiara-san.

Ela freou bem na minha frente, com a pele clara avermelhada e o peito subindo e descendo enquanto tentava recuperar o fôlego.

— Hã, Nukumizu-san. Você se importaria de vir comigo?

— Hã? Eu?

O quê? Ela tirou "um introvertido" ou alguma coisa assim? Mas, antes que eu pudesse perguntar, Tiara-san agarrou minha mão.

— Certo, vamos!

— E-Espera, calma aí?!

Sob os olhares curiosos dos nossos colegas, acabei sendo arrastado pela mão.

Espera aí. Isso não era exatamente igual àquela coisa de heroína de mangá shoujo?

Só que eu era a heroína.

— Ei, Tiara-san, o que estava escrito no seu papel? — consegui perguntar entre uma respiração e outra.

— Vou acelerar! Não morda a língua!

Ignorando completamente minha pergunta, Tiara-san aumentou a velocidade. A situação não deixava muito espaço para conversa, então só me concentrei em acompanhar o ritmo dela sem tropeçar enquanto disparávamos em direção à linha de chegada.

Corredores de outras turmas nos encararam em choque quando passamos voando por eles.

Tudo estava indo bem até um pensamento surgir de repente na minha cabeça:

Eu estava correndo. Na frente da escola inteira. De mãos dadas. Com. Uma. Garota.

Uma onda de nervosismo me atingiu de uma vez.

Espera. Qual pé vinha primeiro mesmo? Eu estava sequer correndo direito?

Bem quando minhas pernas em pânico estavam prestes a me trair de maneira espetacular, Tiara-san puxou minha mão com força e nos arrastou para além da linha de chegada.

Ela ficou ali recuperando a respiração, ainda segurando minha mão com firmeza. Quando uma integrante do comitê se aproximou de nós, finalmente me soltou.

— Com licença, preciso conferir o seu pedido — disse a garota.

— Obrigada pelo trabalho. Aqui está.

Tiara-san tirou o papel amassado e o ergueu para que ela pudesse ler. A integrante do comitê congelou, arregalando os olhos de surpresa. Tiara-san lhe ofereceu um sorriso suave.

— Está tudo bem?

— A-Ah, sim!

A garota assentiu vigorosamente. Virando as costas para ela, Tiara-san inclinou a cabeça para mim.

— Muito obrigada, Nukumizu-san. Você realmente ajudou.

— Eu não me importo em ajudar, mas afinal o que estava escrito no papel?

— Ficou curioso?

Bom, obviamente. Mas agora alguma coisa me dizia que talvez eu não devesse insistir… Enquanto eu hesitava, um súbito reflexo de luz me cegou por um instante.

Quando minha visão voltou ao normal, vi Asagumo-san parada ao nosso lado usando um conhecido par de óculos.

— Essa é a voz do Nukumizu-san que estou ouvindo? Então a Basori-san deve estar ao seu lado também.

Ela nos encarou atentamente através das lentes, sem fazer qualquer esforço para esconder o interesse.

— Meu pedido era encontrar óculos. O seu era encontrar o Nukumizu-san, Basori-san?

Diante da pergunta inocente, Tiara-san soltou uma risadinha e pegou gentilmente Asagumo-san pela mão.

— Algo assim. De qualquer forma, Asagumo-san, é perigoso ficar aqui. Deixe-me guiar você até a área de espera.

— Ah, obrigada. Aliás, onde exatamente fica a linha de chegada?

— Você já atravessou. Aqui, venha por este lado.

Enquanto a Tiara-san conduzia Asagumo-san para longe, passou por mim.

— Então, sobre aquele papel—

Comecei, mas Tiara-san abriu um sorriso travesso antes que eu pudesse insistir. Ela se inclinou para perto, aproximou a boca do meu ouvido e sussurrou pouco antes de passar por mim:

— Então... posso pegar um pouco do seu tempo depois da aula hoje?

◇

O festival esportivo do Colégio Tsuwabuki finalmente chegou ao fim, deixando para mim nada além de um joelho ralado e um caso severo de cãibra muscular.

Líderes de torcida grandes e pequenas, a corrida feroz da Yakishio, a dança de tanuki da Shiratama, o bentô especial preparado pela Kaju...

Aquelas memórias já começavam a se misturar com a nostalgia. E, quanto a se o Time Vermelho ou o Time Branco venceu o festival… isso também já estava desaparecendo no abismo.

— Já está quase na hora...

Olhei para o visor digital do relógio e depois encarei distraidamente o céu que escurecia.

Naquele momento, eu estava parado na ponte sobre o Grande Lago de Mukaiyama, a cerca de quinze minutos de bicicleta do Colégio Tsuwabuki. A última vez em que tinha vindo até ali fora meio ano atrás, quando Tiara-san me chamou para recuperar o… proibido doujin BL de RPF que Tsukinoki-senpai tinha escrito.

Os dias realmente tinham ficado muito mais longos desde então. O céu do entardecer, sangrando de um azul límpido para um ultramar profundo, despertava em mim uma sensação inquietante.

Uma estranha mistura de ansiedade e saudade. Parecia que alguma coisa estava passando por mim, mas eu não conseguia identificar exatamente o quê.

Era… uma sensação meio desesperadora.

Ainda tenho só dezesseis anos.

Já sou aluno do segundo ano.

Dois pensamentos que tecnicamente não se contradiziam, mas que pareciam completamente incompatíveis. A ideia passou pela minha cabeça antes de desaparecer na escuridão.

Ainda assim… por que ela tinha escolhido se encontrar comigo aqui em vez da mesa do pátio? Quer dizer, segundo ela, o pátio era perfeito para conversas secretas porque ninguém conseguia ouvir.

Mas, se ela tinha escolhido especificamente este lugar… então aquilo que ela queria esconder não era algo que pudesse ser ouvido. Era algo que pudesse ser visto.

Ou seja, havia alguma coisa que ela não queria que ninguém visse.

O papel da caça ao tesouro tinha sido apenas uma distração. O verdadeiro objetivo dela era———

Os produtos do anime, hein.

Com toda a confusão que tinha acontecido, eu quase tinha esquecido, mas o motivo pelo qual concordei em ajudar a Tiara-san desde o começo era colocar as mãos nos produtos promocionais da Chikapyon.

Ela devia estar planejando me entregar agora.

É verdade, trocar produtos de anime dentro da escola provavelmente seria meio constrangedor, mas não precisávamos vir até tão longe só por isso.

Enquanto eu olhava ao redor, bastante animado, uma garota usando o uniforme do Colégio Tsuwabuki apareceu no extremo oposto da longa ponte sobre o lago.

Tiara-san.

A parte da ponte onde eu estava era um pouco mais larga, com um banco ali perto. Pensando bem, era exatamente ali que ela estava esperando da última vez.

E naquela ocasião fui eu quem chegou até ela...

Enquanto relembrava aquilo, Tiara-san deve ter percebido que eu estava olhando, porque começou a trotar levemente.

— Desculpe fazer você esperar. Minhas obrigações levaram mais tempo do que eu esperava — disse ela, inclinando levemente a cabeça enquanto colocava uma mecha solta do cabelo atrás da orelha.

— Sem problema. Eu também acabei de chegar — respondi, embora não fosse exatamente verdade.

Ela sorriu diante da minha pequena mentira inofensiva e fez sinal para que eu me aproximasse.

— Olhe, Nukumizu-san. Tem uma família de patos.

Ela está alegre demais hoje.

— Parecem patos-de-bico-manchado. Afinal, estamos na época de reprodução.

Apoiando-se no corrimão da ponte, ela apontou para a família de patos lá embaixo.

— Aquele pato adulto é a mãe? Fico imaginando onde está o pai.

— Provavelmente não está por perto. Os machos dessa espécie costumam desaparecer depois que a fêmea põe os ovos.

— Ah... entendo...

Ela respondeu sem energia, parecendo murchar um pouco.

Hã… eu escolhi a opção errada de diálogo...?

Ainda assim, Tiara-san continuou observando os patos deslizando pela superfície da água, com uma expressão estranhamente satisfeita.

Então… quando exatamente vou receber meus produtos da Chikapyon?

Enquanto permanecíamos lado a lado, observando distraidamente os patos, a voz da Tiara-san chegou até mim.

— Seu discurso... você se lembrou da primeira vez que nos encontramos.

— Meio difícil esquecer quando você leva uma bronca logo no primeiro encontro.

Naquela época, quando fui até a sala do Conselho Estudantil entregar alguns documentos, eu tinha dado uma olhada para o crachá dela… e ela praticamente arrancou minha cabeça por causa disso.

Tiara-san cobriu a boca com uma das mãos e soltou uma risadinha baixa.

— Peço desculpas por aquilo. Eu fui muito grosseira naquela época. Naquele tempo, eu tinha a impressão de que o Clube de Literatura era apenas uma reunião de... indivíduos questionáveis.

— Bom, não dá para dizer que você estava totalmente errada.

— Sinceramente! Eu estava tentando ser gentil, mas você foi lá e estragou tudo!

Tiara-san caiu na risada, incapaz de se segurar.

— Ah, pensando bem, também teve aquele incidente em que você trouxe aquele doujinshi indecente para a escola, não teve?

— Só para constar, aquilo era da Tsukinoki-senpai, não meu.

— Oh? Era mesmo? — provocou ela, com um brilho brincalhão nos olhos.

Não consegui evitar devolver um sorriso torto.

— Cara, você ficou bem atrevida ultimamente, hein, Tiara-san? Está bem diferente de como era antes.

Esperei a resposta afiada de sempre.

..........

...Hã?

Nada?

Apoiando os cotovelos no corrimão, Tiara-san ergueu os olhos para mim.

— Aconteceu alguma coisa? Desculpe, eu não estava prestando muita atenção.

— Não, é só que... você não está ficando brava comigo hoje.

— Eu não fico brava enquanto você não me der um motivo para ficar brava.

Justo. Espera.

Então ela só ficava brava antes porque eu sempre dava algum motivo para isso...

— Bom, sim, mas... se você não retrucar um pouco, meio que perde toda a graça.

— Então você estava me provocando esse tempo todo?!

Opa. Boca, conheça o pé.

Tiara-san inflou as bochechas e se aproximou de mim.

— Esse é exatamente o problema com você, Nukumizu-san! Você está sempre zombando de mim desse jeito e nunca leva nada do que eu digo a sério!

— Não, não, eu juro que não estou zombando de você, Tiara-san.

— Então pare de me chamar pelo primeiro nome!

Ah. Aí está. Voltamos ao normal.

Tiara-san soltou um longo e exagerado suspiro.

— Na verdade, eu vim aqui hoje esperando agradecer direito por tudo, mas você estragou.

— Espera, sério? Então eu não vou mais receber meu agradecimento?

— Isso mesmo. Que pena. Você perdeu a chance.

O biquinho exagerado não durou muito.

(N/SLAG: Caralho, meu mano shisuii. Faz tempo que eu não traduzo algo com um sorriso bobo…… / Shisuii: Tempos bons de leitura se aproxima pelo visto.)

Sem nem tentar esconder o sorriso puxando o canto de seus lábios, ela apoiou os cotovelos novamente no corrimão.

— Sério, Nukumizu-san, eu sou grata. Por ter acompanhado meu egoísmo. E por ter lutado ao meu lado durante a eleição.

— Bom, no fim a Shikiya-senpai acabou roubando toda a glória mesmo.

— Sim, aquilo certamente me pegou de surpresa.

Os sentimentos da Shikiya-san por Tiara-san.

A preocupação dela...

Provavelmente Shikiya-san era tão ruim quanto a Tiara-san para expressar o que sentia. Talvez por isso tivesse escolhido demonstrar daquele jeito.

Enquanto eu pensava nisso, percebi Tiara-san me observando, com a bochecha apoiada na mão.

— Você está pensando na Shikiya-senpai?

— Hã? Bom, a gente estava falando dela, então...

— Então, mesmo comigo bem aqui na sua frente, você está pensando nela?

Tiara-san virou o rosto para o lado com um bufar.

……….

Por que ela está agindo de repente como uma namorada emburrada?

Apoiei meus próprios cotovelos no corrimão ao lado dela e contemplei o céu escurecendo.

— Sakurai-kun vai ser seu vice-presidente, né?

— Sim. Ele gentilmente aceitou o cargo. Mas eu gostaria de ter pelo menos mais um par de mãos...

Ela lançou um olhar significativo de canto na minha direção.

— Hã, acho que isso seria meio difícil. Afinal, eu sou presidente do Clube de Literatura, então... sabe, questões de compliance e tudo mais.

— Ora. Você conhece palavras sofisticadas.

— Bom, eu tento. Ou o quê? Está dizendo que já superou minhas aulas de japonês?

Lancei uma provocação levemente maldosa, mas a Tiara-san apenas abriu um sorriso largo e brilhante.

— Pode-se dizer que sim. Na verdade, agora eu é que vou ensinar você.

— Nesse caso, conto com você.

Trocamos provocações. Rimos um pouco. E percebi que, só aquilo, por si só, era surpreendentemente muito confortável.

Conforme nossos olhares se encontravam com mais frequência e as palavras iam diminuindo, uma sensação estranha, meio constrangedora e inquietante começou a se instalar em mim.

Afastei-me do corrimão.

— Hã... o vento está começando a ficar um pouco frio, não está?

— Tem razão. Está ficando um pouco gelado.

Bom. Talvez fosse melhor irmos embora antes de escurecer. Então eu já estava prestes a me virar e começar o caminho de volta. Até Tiara-san me chamar de repente, me fazendo parar.

— Desculpe, eu quase esqueci.

Ah, é! Eu quase esqueci completamente o motivo de ter vindo até aqui...!

— A Chikapyon—

— Eu prometi contar o que estava escrito no meu papel da caça ao tesouro, não prometi?

………..

Hã?

Quer dizer, não é como se eu estivesse perdendo o sono por causa disso...

Fiquei ali um pouco confuso enquanto a Tiara-san estendia para mim, com as duas mãos, um pequeno pedaço de papel dobrado.

— Aqui.

— Ah. Hã, obrigado.

Não é como se eu tivesse algum motivo para recusar. Acho que ela provavelmente só não conseguia agradecer de forma sincera, então usou aquilo como desculpa para me chamar até aqui.

Desdobrei o papel casualmente.

Mas, quando meus olhos caíram sobre as palavras escritas nele por um instante, esqueci como respirar.

……

..........

..............

Esse era mesmo o papel original da caça ao tesouro, né?

Escrito nele estava: "A pessoa de quem você gosta."

Hã. Então… deixa eu ver se entendi.

Tiara-san tirou esse papel.

E depois… veio me buscar.

Então...

Completamente lançado num estado de confusão, ergui os olhos e encontrei Tiara-san me encarando intensamente.

Seus dedos estavam firmemente entrelaçados diante do peito, e seu olhar parecia quase suplicante.

Então — como se estivesse reunindo coragem para o que viria em seguida — ela finalmente abriu a boca.

— Nukumizu-san. Eu gosto de você.

Foi uma confissão de amor repentina. Completamente inesperada.

— O quê—?

Não, espera. Ainda era cedo demais para assumir que aquilo era realmente uma confissão. Em romcoms, esse tipo de coisa geralmente acabava sendo algum enorme mal-entendido em que—

— Quero dizer romanticamente, é claro. Você aceitaria sair comigo?

…………

Não. Aquilo era uma confissão legítima.

Real de verdade. Não era um mal-entendido. Eu não tinha ouvido errado.

Eu, justamente eu estava realmente recebendo uma confissão. Uma situação que eu só tinha visto nas páginas de light novels estava acontecendo bem na minha frente.

E eu era o protagonista dela.

Era mesmo certo… que fosse eu?

Tiara-san era divertida de se ter por perto, bonita por qualquer padrão e, não importa como eu olhasse para a situação, estava completamente fora do meu alcance.

Tudo o que eu precisava fazer era dizer um único "sim", e aquela garota — que parecia pertencer a algum mundo de fantasia — seria minha.

………

— Hã...

Finalmente consegui destravar os lábios secos.

— É só que... eu sempre pensei em você como uma amiga, Basori-san...

…………

Hã?

— Quer dizer, tudo isso foi tão de repente, e———

………..

Que diabos eu estou falando? Tiara-san era uma boa garota. Ela era bonita. Era divertido ficar perto dela. Sim, no começo era um pouco difícil se aproximar, mas, depois que você a conhecia melhor, o sorriso dela era tão inocente.

— É a primeira vez que alguém me diz uma coisa dessas... então acho que estou só um pouco confuso agora.

Era fácil relaxar perto dela. E, se a gente namorasse, eu tinha certeza de que seria divertido.

Eu não tinha nenhum motivo de verdade para rejeitar ela. Tudo o que eu precisava fazer era dizer aquela única palavra: "Sim."

Era só isso...

— Hã, eu———

Minha voz morreu, incapaz de encontrar palavras para continuar. O que eu estava fazendo? Provavelmente nunca mais teria uma oportunidade como aquela. Tentei forçar alguma coisa, qualquer coisa, para fora da boca, quando—

— Por favor, espere um pouco! — interrompeu Tiara-san de repente.

— Hã, bom...

— Foi repentino demais, não foi?! Quer dizer, para ser sincera, eu achava que estaria mentalmente preparada... ou melhor, achei que encontraria coragem de vez assim que dissesse as palavras, mas... acontece que isso é demais e... acho que... cheguei ao meu limite absoluto agora...!

Ela apertou o peito com a mão e se agachou no chão.

— Você está bem?

— Sim. Hã, Nukumizu-san? — ainda agachada, Tiara-san respirou fundo antes de erguer lentamente o olhar para mim. Estendeu uma das mãos e disse: — Será que poderíamos... começar como amigos?

— Amigos...? Quer dizer, eu achava que a gente já era amigo.

— Fico muito feliz que você pense assim, Nukumizu-san. Porém… — segurando minha mão, Tiara-san se puxou de volta para cima, um pouco instável. — Eu estava pensando que poderíamos nos tornar o tipo de amigos que conversa de maneira mais casual. Ou o tipo que sai junto de vez em quando. Coisas assim... me deixariam muito feliz.

— Ah, bom, se for só isso... — respondi fracamente.

Apesar da minha resposta meio vazia, Tiara-san abriu para mim um sorriso gentil e radiante.

— E... espero que algum dia você também se apaixone por mim.

Um ataque surpresa. Não havia outra forma de descrever aquilo. Eu tinha gastado tanta energia fugindo de uma resposta… só para acabar correndo direto para aquele sorriso deslumbrante.

Era brilhante demais para mim. Muito, muito brilhante. Uma dor surda se espalhou pelo meu peito.

Enquanto eu permanecia ali, perdido no labirinto das minhas próprias emoções, Tiara-san abanava desesperadamente o rosto vermelho com as mãos.

— De repente fiquei nervosa. Uau... eu realmente disse uma coisa bem ousada, não disse?!

Observando ela entrar em pânico, cocei a bochecha sem jeito.

— Hã... eu fiquei muito feliz que você se confessou para mim. Então... vou pensar nisso direito...

Consegui espremer as palavras para fora. Um sorriso tímido e envergonhado floresceu no rosto da Tiara-san.

— Certo. Vou esperar por uma resposta favorável — disse ela, sorrindo. — Mas, bom... eu sou uma garota, sabe — entrelaçando as mãos atrás das costas, Tiara-san ergueu os olhos para mim antes de acrescentar uma última coisa: — Então... seria melhor você se apaixonar por mim logo, tá?

📖✨ Este capítulo foi traduzido por Slag e revisado por Shisui

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Fim da leitura

Capítulo 98 concluído

Volume 8 – Capítulo 4 – Capítulo 4: O Que Quer Dizer com Inimigo das Mulheres?