Um Toque de Caos — Capítulo 5: CAPÍTULO 5 - 4

Um Toque de Caos
Cap. 5
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Um Toque de Caos

CAPÍTULO 5 - 4

Capítulo 5

878 palavras~4 min de leitura

Capítulo 4

Um Toque de Caos

A noite avançou rapidamente, com a tripulação reunindo armas, ferramentas e informações. O clima era tenso, mas também elétrico, como antes de uma tempestade. Enquanto os outros trabalhavam, Nix subiu ao tombadilho, rolando uma maçã de uma mão para outra.Olhando para o horizonte. O vento agitava seus cabelos, e a luz da lua iluminava suas feições como uma pintura inacabada, cheia de detalhes que ainda esperavam por definição.

Ela respirou fundo, o ar salgado enchendo seus pulmões enquanto seus pensamentos vagavam para Fallon. Sua irmã sempre foi a calma que equilibrava o caos em sua vida, e agora Nix sentia que estava prestes a arriscar tudo — por ela.

— Bonito, não é? — disse uma voz grave atrás dela.

Nix virou-se rapidamente, pronta para atacar com palavras ou punhos, mas relaxou ao ver Draven parado nas sombras, com as mãos nos bolsos e um sorriso sem graça nos lábios.

— Precisa aprender a anunciar sua presença, Draven, odiaria enfiar uma faca na sua garganta. — Nix cruzou os braços, mas um sorriso provocador surgiu em seu rosto.

— E você precisa aprender a relaxar. — Ele saiu das sombras, a luz da lua iluminando sua figura alta e imponente. Seu cabelo cintilava sob o luar, e seus olhos, de um tom verde profundo, tinham o brilho sinistro que Nix odiava.

— Quanto tempo, Draven. Dez anos, não? Então, por que está aqui? — Nix inclinou a cabeça, genuinamente curiosa. — Você não é um dos meus. Não tem o cheiro do mar ou o olhar de alguém que pertence ao caos.

O naga deu um leve sorriso, mas manteve os olhos no horizonte.

— Talvez eu esteja procurando por algo. Ou para aproveitar a vista. — Ele girou a lâmina entre os dedos sem nunca olhar diretamente para Morena.

— Algo ou alguém? — Nix apertou os olhos, tentando decifrá-lo.

Ele finalmente encarou Nix com seu olhar intenso, perdido no mar, e um sorriso maroto de orelha a orelha.

— Talvez ambos.

O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som das ondas batendo contra o casco. Nix sabia que Draven mantinha um segredo, mas isso não a incomodava. No Semente do Caos, quase todos tinham segredos. Ela riu suavemente, um som carregado de ironia.

— É engraçado. Você não parece o tipo de homem que admira vistas, mas está sempre aqui quando o vento sopra forte.

— O vento ajuda a pensar.

— Ou a lembrar. — Nix finalmente virou-se para ele, os olhos brilhando com algo entre diversão e desafio.

O assassino não respondeu. Ele guardou a adaga no cinto e olhou para ela, sua expressão séria, mas calma.

— Já terminou com as insinuações ou vai continuar tentando me fazer falar o que quer ouvir?

Nix ergueu as sobrancelhas, como se tivesse sido pega em flagrante.

— Eu não preciso de palavras, Criança. Você entrega mais do que imagina — Nix ergueu as sobrancelhas, como se tivesse sido pega em flagrante.

— E o que acha que sabe sobre mim? — perguntou ele, cruzando os braços.

Ela inclinou a cabeça, o sorriso se alargando.

— Sei que é um assassino, o melhor da guilda! Mas está aqui por algo maior do que ouro ou fama. — Nix estreitou os olhos, avaliando-o. — E acho que isso tem menos a ver com este navio e mais com… alguém em particular.

Draven ficou em silêncio, mas sua expressão endureceu por um momento, o suficiente para Nix perceber que havia acertado o alvo.

— A santa, talvez? — Ela disse isso casualmente, como se o assunto fosse trivial, mas o brilho provocador em seus olhos deixava claro que não era.

O mais alto bufou, balançando a cabeça.

— Você gosta de brincar com fogo, capitã.

— Sempre gostei. — Nix virou-se novamente para o mar, apoiando-se na grade. — Mas, veja bem, Fallon não é como nós. Ela é… “pura”. “Boa”… Uma dessas pessoas que ainda acredita em finais felizes.

Ele cruzou os braços, inclinando a cabeça.

— E você acha que eu não acredito?

Nix riu, um som rouco e genuíno.

— Acha mesmo que um assassino como você pode ser o príncipe encantado de uma santa? Um naga, um homem cobra. Ah que ironia divertida!

Draven apertou os lábios, mas não respondeu. Nix continuou, sem perder o tom provocador.

— Talvez eu deixe. — entregando a maçã para ele continuou — Afinal, toda santa precisa de um milagre.

O jovem deu um passo para trás, claramente incomodado com o rumo da conversa. Ele olhou para Nix com uma mistura de irritação e algo mais que ela não conseguiu identificar.

— Fallon merece alguém que a proteja.

— Oh, ela já tem isso — disse Nix, suavemente, mas com uma pontada de tristeza. — E, no momento, esse alguém sou eu.

Draven não tinha resposta para isso. Ele sabia que, por mais provocadora que a feérica fosse, ela era ferozmente leal à irmã.

— Boa sorte com seus pensamentos, Draven. — Nix se afastou da grade, caminhando em direção à escada que levava ao convés inferior. Antes de desaparecer, ela parou e olhou por sobre o ombro. — Mas, se quiser ser o príncipe encantado de Fallon, deve estar pronto para abandonar o sangue, Draven.

E com isso, ela desapareceu, deixando o albino sozinho no tombadilho, encarando o mar. Ele ficou ali por mais alguns minutos, refletindo sobre as palavras dela. O vento continuava a soprar, mas a calmaria que ele esperava nunca veio.

Fim da leitura

Capítulo 5 concluído

CAPÍTULO 5 - 4