Um Toque de Caos — Capítulo 6: CAPÍTULO 6 - 5

Um Toque de Caos
Cap. 6
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Um Toque de Caos

CAPÍTULO 6 - 5

Capítulo 6

851 palavras~4 min de leitura

Capítulo 5

Um Toque de Caos

Draven desceu a prancha do Semente do Caos com passos firmes, mas seu olhar permanecia distante. A conversa com Nix ainda ecoava em sua mente. Ele sabia que as palavras dela, carregadas de sarcasmo e provocação, sempre vinham com uma verdade desconfortável.

“Mas, se quiser ser o príncipe encantado de Fallon, deve estar pronto para abandonar o sangue, Draven.” ela havia dito, com aquele sorriso irritante que parecia ver através de sua alma.

Ele balançou a cabeça, tentando afastar o pensamento. A lua refletia no convés do navio, iluminando a figura que o observava do outro lado.Uma figura etérea se destacou, com suas asas brancas, largas e imponentes, que se estendiam com destaques, reluzindo à luz da lua. O cabelo loiro caiu com leveza sobre seus ombros, uma extensão de sua aura de liberdade. Seus olhos azuis, profundos como o céu ao amanhecer, transmitiam uma serenidade tranquila, refletindo a calma de um ser que parecia flutuar mais do que caminhar.

Era Mathew, ex companheiro de guilda de Draven.

— Olha só quem resolveu descer — disse Mathew, com um sorriso travesso. O homem-pássaro, com suas penas brancas brilhando sob o luar, aproximou-se de Draven e deu um tapa firme em suas costas. — Então, não vai me dizer que está apaixonado pela irmã da capitã?

Draven lançou-lhe um olhar frio, mas o homem apenas riu.

— Sabe, você deveria se juntar à tripulação. Não seria o primeiro assassino que deixaria a guilda pra virar um de nós. — Ele apontou para si mesmo com um polegar. — Veja como eu me saí bem.

Mathew abriu um sorriso maroto, mas então pareceu se conter. Ele lançou um olhar rápido em direção à gávea vazia e suspirou, como se estivesse se repreendendo mentalmente.

— Olha, ignora essa minha bisbilhotice — disse ele, o tom mudando para algo um pouco mais contido, ainda amigável, mas menos provocador. — Às vezes essa língua solta é um vício. Vênus já ameaçou fazer sopa de galinha comigo se eu não parar de ouvir conversas alheias.

Draven deu de ombros, tentando esconder o leve incômodo.

— Não foi nada.

Mathew observou-o por um momento, seu olhar brincalhão dando lugar a uma serenidade mais pensativa. Ele se apoiou na amurada, as asas recolhidas.

— Ainda é estranho ver você por aqui, amigo. Nunca achei que alguém da sua estirpe fosse se envolver tanto com o Semente do Caos.

— Nem eu. — Draven riu, mas havia pouco humor em sua resposta.

Mathew ficou em silêncio por um instante, observando o reflexo da lua na água. Quando falou novamente, sua voz estava mais baixa, carregada de uma cautela incomum para ele.

— Só toma cuidado, certo? Se envolver demais com isso… com ela… pode complicar as coisas pra você de um jeito que a guilda não vai perdoar.

Draven olhou para ele, surpreso pela mudança de tom. Mathew geralmente não era dado a conselhos sombrios.

— Obrigado, Mathew. Eu… preciso ir.

Mathew acenou de volta, um sorriso pequeno e compreensivo no rosto.

— Até mais, Draven. E lembre-se: o vento muda rápido no mar. Fique esperto.

Ele deu um salto leve, impulsionado por um leve bater das asas, e começou a subir em direção à Gávea, retornando ao seu posto de vigia.

O caminho até a sede da guilda dos assassinos era escuro e sinuoso, escondido nas profundezas das vielas de Spades. Draven atravessou as passagens secretas com familiaridade, os passos ecoando em um ritmo constante.

A sede era um lugar opulento e ameaçador ao mesmo tempo, com lustres de cristal pendurados no teto e paredes cobertas de tapeçarias que escondiam armas e segredos. Draven entrou na sala principal, onde o líder da guilda, um homem conhecido apenas como O Conselheiro, esperava em seu trono de ferro ornamentado usando a máscara de boneca de sempre.

— Draven. — A voz do Conselheiro era baixa, mas cortante. Ele o observou com olhos penetrantes, um sorriso cruel curvando seus lábios. — Como foi sua missão?

— A missão foi concluída com sucesso. — Draven respondeu, a voz neutra, mas firme.— Ótimo. Mas tenho outra tarefa para você. — O Conselheiro assentiu lentamente, os dedos tamborilando no braço do trono.

Draven manteve a postura rígida, esperando as próximas palavras.

— A Santa da Lua — começou o Conselheiro, inclinando-se ligeiramente para frente. — No dia de seu casamento, ela deve morrer.

As palavras pareciam encher a sala com um peso sufocante. Draven sentiu o estômago revirar, mas não demonstrou.

— Ela é uma peça importante demais nesse jogo — continuou o Conselheiro, a voz cheia de desprezo. — E eu não gosto de peças que não posso controlar.

O silêncio na sala parecia ensurdecedor. Fallon. O nome dela pulsava na mente de Draven como um grito. Não era apenas o título dela que o perturbava, mas o fato de que, por trás de todas as camadas de dever e sacrifício, Fallon era a mulher que ele amava.

— Considere isso uma honra, Draven. — O Conselheiro sorriu, mas o gesto era mais ameaçador do que amigável. — Apenas certifique-se de que seja limpo e rápido.

Draven inclinou a cabeça em sinal de obediência, mas ao sair da sala, a máscara de neutralidade que ele usava começou a rachar.

Fim da leitura

Capítulo 6 concluído

CAPÍTULO 6 - 5