Vejo Você Quando a Neve Cair — Capítulo 27: VOLUME ÚNICO – Capítulo 27

Vejo Você Quando a Neve Cair
Cap. 27
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Vejo Você Quando a Neve Cair

VOLUME ÚNICO – Capítulo 27

Capítulo 27

743 palavras~3 min de leitura

Escrito com os kanjis de “colorido” e “flor”, Ayaka era um nome bonito e selvagem. Em aparência, ela era tão normal quanto possível. Cabelo preto até a cintura, japonesa padrão sem nenhum sotaque regional. Mas quando você a conhecia de verdade, percebia que aquela imagem aparentemente inocente escondia algo mais.

[NT: Os kanjis utilizados aqui são 彩 (Aya) para colorido e 花 (Ka) para flor.]

Eu sei porque a conheci.

Ayaka era bonita de um jeito bem comum. Atraiu a maioria dos garotos da minha sala e das salas vizinhas. Uma delicada linha no canto dos olhos, um certo brilho no cabelo. Uma saia curta. E nossa professora da sala a colocou no assento ao meu lado.

Eu teria falado com ela se não estivesse sentada ali? Provavelmente não…

Ficar nervoso ou acanhado perto de uma garota bonita é normal para caras da minha idade. Somos jovens, tolos e imaturos sem exceção. Quando chegou o primeiro intervalo, eu fui o primeiro contato dela, então acabei conversando com ela antes que qualquer outro garoto criasse coragem para se aproximar.

Conversar com ela não foi especialmente difícil. Antes do inverno eu teria ficado nervoso, mas depois de sobreviver trabalhando sob Miyazono e tia Reiko, nada era mais difícil que aquilo.

— Ei, por que você mudou de escola? — perguntei durante um intervalo curto entre as aulas.

[NT: No Japão, a cada troca de matéria, há um intervalo de 5 minutos pré-estabelicido para que os alunos se preparem para a próxima aula e também facilite a troca de turmas pelos professores.]

Ela se virou para mim.

— Você não deveria se apresentar primeiro?

Boa resposta.

— Eu sou Yamato Satoshi. Prazer em te conhecer.

— Yao Ayaka. Igualmente.

Agora que ela estava olhando diretamente para mim, pude ver que ela era realmente bonita. Sua pele tinha um certo brilho, as bochechas levemente cheinhas, os lábios macios e atraentes. Eu conseguia sentir meus colegas me fuzilando com o olhar. A nós dois.

— A sensei disse que você se transferiu para cá… por quê?

— Meu pai foi promovido e transferido para Tóquio. Então minha mãe e eu viemos com ele.

— Onde você morava antes?

— Kagoshima.

— E onde vocês estão morando agora?

— Azabu.

Meu queixo caiu um pouco. Azabu era um dos bairros mais ricos de Tóquio. As pessoas de lá não se misturavam com plebeus como nós. Ginza e Roppongi Hills eram território deles.

— Então… hm…

Não sabia como perguntar sem ser grosseiro, entretanto, Ayaka terminou a frase por mim.

— Por que uma garota rica como eu está estudando numa escola pública normal, num bairro comum?

— Isso…

— Minha mãe veio de uma família rica, mas meu pai cresceu pobre. Ele disse que se eu não conseguir me virar numa escola normal, então sou burra demais para ser rica. Minha mãe queria que eu fosse para uma daquelas escolas particulares só para garotas. O tipo de escola onde você aprende cerimônia do chá e a tocar piano. Ela disse que eu não aprenderia a ser uma dama convivendo com gente comum. Meu pai disse que é melhor ser grosseira e esperta do que burra e educada.

Boa resposta, mas ainda falta uma coisa.

— E o que você acha? — perguntei.

Ayaka ergueu uma sobrancelha.

— O que eu acho?

Ela fez a pergunta como se fosse algo estranho. Fechou os olhos e pensou por um momento.

— Acho que uma escola pública pode ser melhor para mim. Aqui é bem mais livre. Em Kagoshima, eu estudava naquelas escolas particulares super chiques e eles te vigiavam muuuuito. Você levava suspensão se te pegassem saindo da escola no horário de almoço. E se fosse pega duas vezes, era expulsa. Por isso ninguém saía para comer. Era muito chato.

Assenti. Basicamente ela estava procurando um pouco de liberdade.Ela perguntou:

— E você… hm, Yamato-kun? Ou posso te chamar só de Satoshi-kun?

— Satoshi-kun está ótimo.

— E você, Satoshi-kun? Por que está aqui?

Uma garota bonita me chamando pelo primeiro nome. Nem Miyazono fazia isso.

— Não tem nada de especial em mim. Tenho dezessete anos. Meu pai trabalha numa empresa. Não somos pobres, nem ricos.

— Hmm…

Ela ficou me encarando.

— O quê? — perguntei.

— Você é interessante. Quando conto para as pessoas em qual escola eu estudava ou que venho de uma família rica, elas logo dizem “Uau, você tem muita sorte” ou “Queria ser você”.

Não soube o que dizer, então fiquei quieto.

— Satoshi-kun, vem comigo no horário de almoço. Tem uma coisa que eu quero fazer.

— Beleza.

Seria mais chato recusar.

Fim da leitura

Capítulo 27 concluído

VOLUME ÚNICO – Capítulo 27