Vejo Você Quando a Neve Cair — Capítulo 28: VOLUME ÚNICO – Capítulo 28

Vejo Você Quando a Neve Cair
Cap. 28
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Vejo Você Quando a Neve Cair

VOLUME ÚNICO – Capítulo 28

Capítulo 28

713 palavras~3 min de leitura

Assim que o horário de almoço começou, senti os olhares de toda a sala me seguindo para fora. Houve alguns sussurros e talvez alguns rosnados de inveja.

— Para onde estamos indo? — perguntei.

— Hmm, já que estou te chamando de Satoshi-kun, que tal você me chamar só de Ayaka?

Sem hesitação, sem vergonha. Sem “-chan” ou qualquer honorífico. Se ela não tivesse me dito que veio de Kagoshima, eu teria achado que ela cresceu fora do Japão.

— Que tal eu te chamar de Yao-san?

— Mas ia ficar estranho eu te chamar pelo primeiro nome e você me chamar pelo sobrenome.

É estranho você me chamar pelo primeiro nome desde o começo.

Mas não tive coragem para falar isso.

— Então que tal Ayaka-san?

— Isso também serve.

Ela me perguntou se eu tinha dinheiro. Eu tinha. Perguntou onde ficava a saída secreta da escola. Quase toda escola tem uma. Os alunos precisam sair escondidos de algum jeito. Levei ela para trás do prédio principal, onde uma árvore caída permitia escalar a cerca que cercava a escola.

— Ei! — exclamou Ayaka ao pular do outro lado da cerca. Eu a segui.

— O que você quer fazer?

— Eu te contei antes, né? Na minha escola antiga, a gente era expulso se fosse pego saindo escondido duas vezes, então nunca comi almoço fora durante o horário de aula.

Suspirei. Seria um saco levar advertência por causa dessa garota nova, mas meus pés já estavam do outro lado da cerca, então eu ia até o fim.

— Então, o que você quer comer? — perguntei.

— Hmm, o que as pessoas costumam comer?

— Às vezes vamos ao McDonald’s ou a uma loja de ramen.

— Que tal sushi?

— Isso é caro demais. Não tenho 2000 ienes para gastar no almoço.

[NT: Na data desta tradução (06/2026), isso equivale a R$ 67,50. Apesar de parece acessível, algumas escolas já dão a opção de refeições mensais por volta de ¥4.000, ou seja, só a ida ao McDonalds representaria 2 semanas de refeição na escola.]

— Hmm, eu sempre achei 2000 ienes bem barato.

Garota rica.

Ayaka pensou um pouco e acabou dizendo que queria experimentar a loja de ramen.

Eu li uma vez num blog que você nunca deve ir a uma loja de ramen com uma garota. A comida chega rápido demais, você come rápido demais e não sobra tempo para conversar, o que fazia total sentido. O ramen ficou popular durante o período de reconstrução depois da Segunda Guerra Mundial, quando os trabalhadores precisavam de algo rápido, barato e que enchesse a barriga.

Dá pra dizer que o ramen foi o fast food original japonês.

Mas eu não estava num encontro com essa garota, portanto, levei ela para a pequena barraca de ramen que os alunos frequentam depois da aula. Custava 500 ienes por tigela, mais caro que o prato de 250 ienes da cantina da escola, mas tinha o dobro do sabor.

Ayaka parecia fascinada com o mundano. Olhava ao redor e prestava atenção em cada detalhe. Perguntei por que ela estava agindo como uma turista idiota.

— Em Kagoshima a gente quase nunca ia a lojas de ramen. Minha mãe não gostava de comer fora e achava que toda comida de rua, a menos que fosse de alto nível, fazia mal à saúde.

Olhei para o meu ramen.

Caldo oleoso, porco, macarrão, sem nenhum legume... A mãe dela não está totalmente errada….

Partimos os hashi e começamos a comer. Não falamos muito durante a refeição. Cada um focado na própria comida. Quando terminou, ela disse que queria pedir um chope. Eu avisei que ainda estávamos de uniforme e não tinha a menor chance de servirem cerveja, então ela fez biquinho.

Quando voltamos, peguei meu celular e liguei para Kota, um amigo antigo e leal. Nos conhecemos desde o ensino fundamental. Ele veio até os fundos do prédio, jogou uma corda por cima da cerca e nos ajudou a subir.

Ayaka viu meu celular e disse que devíamos trocar os IDs do LINE, então fizemos isso. Ela se virou para Kota-kun e trocou IDs com ele também.

Voltamos para a sala, com Ayaka andando na frente.

— Então… aconteceu algo bom? — perguntou Kota.

— Não.

— Que chato.

— Nem tudo precisa ser tão empolgante.

As aulas da tarde começaram e, durante a última aula, Ayaka me mandou uma mensagem.

Fim da leitura

Capítulo 28 concluído

VOLUME ÚNICO – Capítulo 28