Vivarium: Ado e Eu — Capítulo 2: Volume Único – Prólogo – Prólogo: As Luzes da Cidade

Vivarium: Ado e Eu
Cap. 2
0%
Vivarium: Ado e Eu

Volume Único – Prólogo – Prólogo: As Luzes da Cidade

Capítulo 2

1.180 palavras~5 min de leitura

1000029403.jpg

O vento acaricia minhas bochechas e balança suavemente meus cabelos.

No oitavo andar de um antigo prédio de apartamentos, de aparência fria e sem personalidade. Sempre que abro a janela e observo a cidade, meu coração se acalma, e acabo esquecendo a passagem do tempo. O entardecer transforma aquela paisagem caótica em algo semelhante a uma bela pintura. O ar, aquecido pela luz alaranjada do sol, envolve toda a cidade... e também me envolve.

Hoje, mais uma vez, estou aqui. Respirando. Vivendo.

Quando o sol, que iluminava tudo ao redor, desaparece de repente no horizonte e o contorno dos prédios a oeste se tinge de roxo, luzes acolhedoras começam a surgir por toda a cidade, uma após a outra.

Eu gosto de observar as luzes desta cidade. Em cada uma delas, sinto o calor das pessoas que estão vivendo suas vidas neste mesmo instante.

Mas, ao mesmo tempo, tenho a sensação de que estou do lado de fora daquela paisagem. Embora deseje estar entre aquelas luzes, não encontro em mim nem a coragem para me aproximar das pessoas, nem a força para acreditar plenamente em mim mesma.

A felicidade que deve existir onde essas luzes brilham... tudo o que posso fazer é imaginá-la silenciosamente, observando de longe.

Eu estava no segundo ano do ensino médio, tinha 16 anos. Era uma idade em que os adultos viviam dizendo que "eu poderia me tornar qualquer coisa". Mesmo assim, eu sempre carregava uma sensação de insegurança.

Por mais que me esforçasse para viver da melhor forma possível, aquela estranha sensação de estar escondida, sozinha, em um canto escuro nunca desaparecia. Eu mesma não conseguia explicar por que me sentia tão ansiosa, nem por que carregava um coração sem um lugar onde pudesse encontrar apoio.

Brigar com meus pais. Não crescer de altura como eu queria. Ter mãos pequenas demais para tocar guitarra direito. Receber comentários cruéis no vídeo que publiquei ontem no Nico Nico Douga...

Eu revivia cada uma dessas coisas repetidas vezes, afundando cada vez mais no desânimo. Como um computador que trava de repente, às vezes meu coração simplesmente parava, preso diante de uma tela completamente escura.

Um vento morno entrou com força pela janela, fazendo meus longos cabelos cobrirem meu rosto. Fechei a janela e, balançando a cabeça para ajeitar os fios, meus olhos encontraram, no canto da visão, uma Stratocaster azul encostada na parede.

Meus pais me deram aquela guitarra de presente quando completei treze anos. Durante anos, ela ficou praticamente esquecida, e eu sequer consegui aprender uma única música. Há alguns meses, decidi que, antes de terminar o ensino médio, seria capaz de tocar uma canção composta por mim mesma. Mas, por enquanto, tudo o que eu conseguia era machucar a ponta dos dedos da mão esquerda; produzir um som bonito ainda parecia um objetivo muito distante.

"Eu realmente não levo jeito para isso..."

As palavras escaparam baixinho junto com um suspiro.

O que eu realmente temia era me dedicar de verdade... apenas para descobrir, no fim, que eu não era capaz.

Ao perceber essa fraqueza dentro de mim, tentei falar com firmeza para mim mesma.

"Não tenha medo... eu."

O verão já havia chegado de verdade. Com a janela fechada, o calor abafado se acumulava no quarto.

Peguei a guitarra, encostei-me na parede e me sentei de pernas cruzadas.

Transformava em palavras a dor que parecia prestes a rasgar meu peito. O mundo que eu colocava sobre a melodia estava repleto de emoções que eu normalmente mantinha trancadas, escondidas, e era afiado, cortante, até o fim.

Mesmo assim, eu não hesitava.

Eu não deixaria escapar aquela intensidade tão forte que, se a segurasse com as mãos, elas se cortariam e o sangue escorreria.

Porque isso só podia ser feito agora.

Neste exato momento, aos dezesseis anos.

Toquei as cordas com a palheta, procurando os acordes aos poucos. Sem passar pelo amplificador, o som cru da guitarra ecoava seco pelo quarto.

"Será que estou tentando encontrar algum tipo de recompensa... machucando e sendo machucada?"

"Será que um dia vou conseguir ser feliz...?" ...haha.

Embriagada mais uma vez pelo vento do começo do verão,

Acabo cantando sobre um ego cheio de arrogância.

Não sei qual é a resposta certa.

Então...

Me ensine.

Me ensine!"

"As palavras de que eu gostava foram destruídas."

Mesmo acreditando que, um dia, todo esse esforço seria recompensado...

Esta voz que acumulei, pouco a pouco, é a resposta errada para este mundo.

"Eu odeio esse rosto que age como se não soubesse de nada."

Dezenas... centenas... milhares de vezes...

"Eu quero morrer."

O alívio e a vergonha de colocar em música os gritos sinceros do meu coração giravam dentro da minha cabeça. Sem perceber, minhas mãos pararam de tocar a guitarra.

Será que realmente existia alguém que quisesse ouvir os meus verdadeiros sentimentos escondidos em letras tão dolorosas?

Às vezes, penso que o mundo que desejo alcançar é como um lustre de cristal.

Quando olho para cima, ele balança suavemente, e seu brilho é capaz de roubar meu olhar. Mas, se um dia cair no chão, bastará um instante para se despedaçar completamente e perder toda a sua luz.

Tudo o que restará serão fragmentos, uma visão dolorosa demais para encarar.

Por isso... talvez seja melhor não ter sonhos.

Como um balde de água fria lançado sobre o entusiasmo que ardia dentro de mim, uma voz ecoava no meu coração.

"Você realmente acredita que tem talento de verdade?"

"Você acha mesmo que a sua voz... e a sua forma de cantar... serão aceitas por todo mundo?"

"Você realmente acredita que conseguirá continuar vivendo como uma 'utaite' daqui para frente?"

Mesmo assim...

Meu coração recebia um pequeno raio de luz e brilhava discretamente. E eu sentia, com toda a certeza, que ali também se refletia a possibilidade de um futuro.

Quando conheci o Vocaloid aos seis anos e publiquei meu primeiro vídeo de Utattemita aos quatorze, aquele foi o ponto de virada que mudou a minha vida.

Mesmo sem mudar o lugar onde eu morava, nem a paisagem que via todos os dias, o mundo conectado pela minha voz começou a se expandir diante de mim.

Eu me divertia.

Cantava todos os dias.

Recebia inspiração de inúmeros utaites, regravava minhas músicas inúmeras vezes e enviava minha voz — e minhas canções — para as pessoas do outro lado da tela.

Nunca senti que tivesse "vencido" alguém.

Seja aparência, estudos ou qualquer outra coisa, nunca consegui me comparar aos outros.

Mas havia uma coisa da qual eu me orgulhava.

Cantar.

Não importava o quão forte fossem os ventos contrários...

Eu queria continuar sendo uma utaite.

Para acalmar os batimentos acelerados do meu coração, apertei a guitarra com força contra o peito.

Ninguém sabe o que o futuro reserva.

Ninguém conhece o futuro.

Mesmo que agora eu esteja sozinha.

Mesmo que eu não goste de mim mesma.

Mesmo que alguém me rejeite.

Quando murmurei essas palavras para mim, aquela ansiedade sem forma diminuiu um pouco.

E prometi novamente, no fundo do meu coração, que, mesmo que uma escuridão ainda mais profunda me esperasse no futuro...

Eu jamais abandonaria a música.

Fim da leitura

Capítulo 2 concluído

Volume Único – Prólogo – Prólogo: As Luzes da Cidade