A Senpai CoelhinhaVolume 15 – Capítulo 1 – Capítulo 1: Vire o Mundo de Cabeça para Baixo
Capítulo 721
Sakuta Azusagawa caminhava sob o céu de Shichirigahama.
Era domingo, 9 de abril.
Um dia lindo.
O sol começava a se pôr no oeste.
Ainda havia várias vagas no estacionamento perto da praia. Os turistas ao redor tiravam fotos de Enoshima ao longe com seus celulares. Apenas Sakuta estava de costas para o mar. Seu olhar estava fixo no café elegante no centro do estacionamento.
“Bem-vindo!”
Quando ele abriu a porta, uma saudação animada ecoou pelo interior.
A voz era muito familiar.
Miori estava atrás do balcão, usando um avental.
Os olhos dela encontraram os dele, e sua boca se torceu num gesto irritado. Mas foi só por um instante antes que ele chegasse ao balcão, ela já havia voltado ao papel de simpática atendente de café.
“Já decidiu o que vai pedir?”, perguntou ela, como se não o conhecesse.
“Um iced caffe latte e o loco moco bowl”, disse Sakuta, sem se intimidar.
“Vai querer mais alguma coisa?”
“Então, Mitou…”
“Se você veio até o meu trabalho, imagino que tenha encontrado um jeito de ver a Touko.”
Ela se adiantou, indo direto ao ponto.
“Encontrei”, respondeu ele, sem piscar. Dizendo exatamente o que precisava dizer.
“Vamos fazer isso agora.”
“Eu estou trabalhando.”
“Posso esperar até seu turno acabar. Que horas você sai?”
“Vai demorar.”
Miori olhou diretamente nos olhos dele, como quem o incentiva a desistir.
“Hm? Mitou, você não sai em trinta minutos?”, disse um homem atrás dela.
Era claramente o chefe dela.
“Aqui está seu iced caffe latte”, acrescentou ele, colocando um copo numa bandeja diante de Sakuta. Em seguida, piscou de forma encorajadora para ele e voltou para a cozinha.
Miori lançou um olhar fulminante para as costas do chefe. Era evidente que não tinha gostado nada dele se meter onde não era chamado.
Depois voltou-se para Sakuta.
“Tenho trinta minutos inteiros”, disse ela, como se fosse uma eternidade.
“Vou tentar sobreviver à espera.”
Ele comeu seu loco moco enquanto observava o céu ficar vermelho sobre o oceano. A meia hora passou num instante.
Sakuta ainda ficou mais dez minutos enquanto Miori se trocava, e então os dois saíram juntos. Sentindo os olhares calorosos nas costas.
“Meu chefe entendeu tudo errado sobre nós.”
“Ele deve achar que estávamos prestes a começar a namorar, brigamos e agora ficou aquele clima estranho.”
“Ele acertou na parte do clima estranho.”
“Acertou?”
“É… este homem não tem nem um osso sensível no corpo.”
Ela lançou um olhar de lado para ele, mas estava sorrindo.
E, enquanto riam juntos, seus passos os levaram em direção à praia.
Afastaram-se do café no centro do estacionamento e caminharam pelo quebra-mar.
Uma pipa girava no céu acima deles, descrevendo um círculo elegante ao redor dos dois.
“Então, Mitou.”
“Hum?”
“Você realmente quer ver a Touko Kirishima?”
“Eu disse isso ontem, não disse?”, respondeu Miori com um tom teatral.
“Então por que você mentiu sobre o horário do seu turno?”
“Hoje eu estava com vontade de chegar em casa e passar aspirador.”
Ela parecia impossível de abalar.
“Na verdade, você não quer vê-la.”
“Preciso guardar minhas roupas de inverno.”
O olhar de Miori estava fixo em Enoshima.
“Mitou, você não estava reescrevendo a realidade para encontrar a Touko Kirishima.”
“……”
Agora o olhar dela se voltou para ele, e seus passos pararam.
“Você passou esse tempo todo fugindo, fingindo… e por fim, acabou aqui…. parando nesta realidade.”
Um lugar onde ela não pertencia.
“Exatamente como a Akagi… como eu…. Fugir…. Nós todos fugimos de tudo”
Quando terminou de falar, Sakuta também parou… e se virou para encará-la.
Ela estava olhando diretamente para ele.
“Fugindo de quê?”, ela perguntou secamente.
A voz era tão baixa que, se o vento estivesse um pouco mais forte, ele nem teria ouvido.
“Da Touko Kirishima, é claro.”
Era por isso que, não importava quantas vezes ela reescrevesse as coisas, nunca chegaria a uma realidade em que Touko Kirishima estivesse viva. E nunca chegaria.
“……”
Miori praticamente não reagiu.
Ela não era o tipo de garota que não conseguiria entender o que ele estava dizendo — então Sakuta ficou um pouco surpreso com a falta de resposta.
Ele tinha imaginado que ela discutiria, que partiria para o contra-ataque e insistiria que não estava fugindo, apenas para esconder o quanto aquilo a tinha abalado.
Ou, pelo menos, que daria aquele seu melhor sorriso e mudaria de assunto.
Mas ela não fez nenhuma das duas coisas.
Confuso, Sakuta apenas ficou parado, esperando. Até que…
“Você me pegou”, disse Miori com um sorriso sem graça. Depois desviou o olhar, culpada.
“……Você já tinha percebido?”
Ele parecia um pouco surpreso.
Ela não assentiu nem negou.
Tudo o que ofereceu foi seu sorriso vago de sempre.
Isso já era uma resposta suficiente.
“Você já ouviu a música dela — ‘Turn the World Upside Down’?”
“A que a Mai cantou no festival de música.”
“Isso. A letra diz:
‘Fico feliz por ter te conhecido.
Mas não é assim que eu vejo as coisas.
Minha alma gêmea já não está mais por aí.
Mas todas as canções de amor que ouvimos concordam.
Nós vamos nos encontrar de novo.
Não tenha medo de se perder.
Levante-se, escancare a porta e saia para fora.
Mas o futuro não é garantido.
Amanhã estarei sozinha outra vez.
Sem ninguém para dividir as coisas.
Esse vazio oco no meu coração.
Se eu tiver que me sentir assim…
Eu queria nunca ter te conhecido.’”
Ela recitou cada palavra sem emoção.
“Você sabe tudo de cor. Acho que não deveria me surpreender.”
“Essas foram as últimas letras que a Touko escreveu.”
“……”
Havia um leve traço de tristeza em sua voz.
Mas seu rosto não revelava nada sobre o que realmente sentia.
“Acho que ela escreveu isso pouco antes de ser atropelada. Encontraram nosso diário de troca na bolsa dela quando estavam a caminho do hospital… e ele estava aberto na página mais recente, na data da de vinte e quatro de dezembro.”
“Então, na sua cabeça, essas são as últimas palavras dela.”
“Ela teria sido mais feliz se nunca tivesse me conhecido.”
“……”
“Se não tivesse me conhecido, nunca teria comprado aquele pão de curry e não teria morrido.”
“……”
“Eu estava planejando fazer as pazes com ela, mas a Touko tinha outras ideias.”
Era assim que Miori interpretava aquela letra.
“Eu não a culpo. Eu disse coisas horríveis durante a nossa briga. Coisas como ‘ninguém jamais ouviria as suas músicas imbecis’ ‘elas são tão ruins que chegam a ser cômicas, todos irão rir disso’. Eu disse que seria melhor ela assumir a fazenda da família e cultivar chá em casa.”
“E o que ela disse?”
“Ela ficou realmente triste e pediu desculpas por estar exigindo demais. E, quando estava saindo, disse: ‘Eu esperava que você fosse entender, Miori.’ Naquele momento, ela parecia completamente sozinha no mundo.”
O sorriso de Miori era amargo, como se tivesse vergonha do próprio erro. Perdida, triste e tentando esconder isso. Tudo em tons de cinza.
“Você ainda quer ser meu amigo?”, perguntou ela.
Sakuta desviou o olhar dela e se encostou no quebra-mar. Seus lábios se abriram lentamente e ele foi direto ao ponto.
“Então, Mitou…”
“O quê?”
“Por que aquela música é tão curta?”
“Essas foram todas as letras que ela deixou.” Ela deu de ombros, sem pensar muito nisso.
“Por que a música termina em fade-out?”
“……”
Dessa vez a reação foi bem diferente. Ela não tinha uma resposta pronta. Não parecia um silêncio proposital, ela simplesmente não sabia.
“Havia mais na música, mas sem palavras para encaixar?”
“……”
Os olhos de Miori se encheram de emoção.
“Então havia?”
“O que te faz pensar isso?”, ela perguntou, respondendo com outra pergunta. Sua mente agora estava totalmente concentrada.
Era exatamente isso que Sakuta esperava.
Se ela precisava perguntar, isso praticamente confirmava que havia mais na música.
“Ela vai dar a resposta.”
Apoiando-se para se levantar do quebra-mar, Sakuta se virou em direção ao oceano.
Um rosto familiar os observava na praia logo abaixo.
Era Shouko, usando o uniforme da Minegahara.
“‘Ela’?”, repetiu Miori, confusa. Ela se virou para seguir o olhar dele.
Assim como Sakuta, ela olhou para a praia e encontrou Shouko olhando para ela.
Os olhares das duas se cruzaram.
E, na areia aos pés de Shouko, em letras grandes o suficiente para serem lidas dali de cima, estavam escritas as letras de “Turn the World Upside Down.”
“……?”
A confusão no rosto de Miori era compreensível.
Coisas demais estavam acontecendo ao mesmo tempo.
“Oi!”, gritou Shouko. Alto o suficiente para ser ouvida lá em cima.
“Eu sou Shouko Makinohara!”
“……”
As sobrancelhas de Miori se moveram.
Seus olhos se arregalaram, fixos na garota lá embaixo.
Havia uma boa chance de ela reconhecer aquele nome. Provavelmente de uma das cartas que a mãe da Touko tinha lhe enviado. Mas ela certamente imaginava que jamais se encontrariam de verdade.
“Foi a Touko Kirishima que me deu o meu futuro”, disse Shouko, pressionando as mãos contra o peito.
Agradecendo à sua doadora.
Com ternura e carinho.
“Então foi isso que você quis dizer com ir ver a Touko?”, murmurou Miori, olhando de lado para Sakuta. Ele percebeu que ela estava meio perdida.
“Isso é só metade da história”, disse ele, o que apenas levantou ainda mais perguntas.
Ela começou a perguntar…
…mas antes que pudesse, Shouko gritou novamente.
“Leiam estas letras!”, disse ela, começando a caminhar pelas fileiras de palavras escritas na areia.
“Fico feliz por ter te conhecido.
Mas não é assim que eu vejo as coisas.
Minha alma gêmea já não está mais por aí.
Mas todas as canções de amor que ouvimos concordam.
Nós vamos nos encontrar de novo.
Não tenha medo de se perder.
Levante-se, escancare aquela porta e saia para fora.
Mas o futuro não é garantido.
Amanhã estarei sozinha outra vez.
Sem ninguém para dividir as coisas.
Esse vazio oco no meu coração.
Se eu tiver que me sentir assim…
Eu queria nunca ter te conhecido.”
Shouko caminhava devagar, dando tempo para Miori ler. Ela parou ao lado da última linha.
“O que tem nisso?”, perguntou Miori.
“Como se chama essa música?”
“‘Turn the World Upside Down.’”
“Você já pensou no que isso significa?”, perguntou Sakuta.
“Eu sempre achei que significava virar o mundo de cabeça para baixo.”
“Acho que foi assim que a Touko Kirishima também quis dizer. Pessoas se apaixonam e deixam de se apaixonar… e o contrário também.”
“……?”
Ainda perdida, Miori lançou a ele um olhar confuso.
“É realmente irritante quando você fica enrolando assim”, reclamou ela.
Ele não respondeu.
“Miori!”, chamou Shouko lá da praia. “Desta vez, leia ao contrário!”
Ela estava parada ao lado da última linha.
E começou a caminhar lentamente para cima, refazendo o caminho das letras.
Alguns instantes depois, Miori soltou um suspiro surpreso.
“……”
Então um breve silêncio caiu sobre ela.
Um segundo depois… ela respirou suavemente.
E então Miori começou a cantar.
Foi a primeira vez que Sakuta a ouviu cantar.
Mas ele conhecia aquela voz.
Já a tinha ouvido antes.
Era a voz que Touko Kirishima tinha em todos aqueles vídeos.
A verdadeira pessoa por trás daquelas músicas estava ali, ao lado dele, cantando uma música da Touko Kirishima que ninguém jamais tinha ouvido antes.
Mas ele já tinha ouvido aquela letra.
Apenas… na direção oposta.
O mundo tinha sido virado de cabeça para baixo.
‘Eu queria nunca ter te conhecido.
Se eu tiver que me sentir assim…
Esse vazio oco no meu coração.
Sem ninguém para dividir as coisas.
Amanhã estarei sozinha outra vez.
Mas o futuro não é garantido.
Levante-se, escancare aquela porta e saia para fora.
Não tenha medo de se perder.
Nós vamos nos encontrar de novo.
Mas todas as canções de amor que ouvimos concordam.
Minha alma gêmea já não está mais por aí.
Mas não é assim que eu vejo as coisas.
Fico feliz por ter conhecido você.’
Quando terminou de cantar, havia lágrimas no rosto de Miori.
Elas ainda estavam caindo.
Ela disse uma vez que nunca havia chorado por Touko.
Hoje isso mudou.
E ainda assim seu rosto permanecia quase o mesmo. A única diferença eram as lágrimas.
“Azusagawa.”
“O quê?”
“O que eu deveria ter feito depois de perder a Touko?”
“Você sabe a resposta.”
“Sei?”
“É por isso que você está chorando, Mitou.”
Ela deveria ter chorado por ela. Deveria ter lamentado sua perda.
E por fim, sentir a dor da separação eterna.
“……Ah. Acho que sim.”
Miori tocou o próprio rosto, como se só tivesse percebido as lágrimas depois que ele mencionou. Sua expressão lentamente se desfez em dor… e então ela se ajoelhou, soluçando silenciosamente.
“……Touko. Touko… por que você teve que morrer? Por quê… por que você me deixou… por quê…?! Por quê?”
Ela continuava perguntando, chamando o nome de Touko repetidas vezes.
Coberta pelo vento e pelo som das ondas.
Como se o mundo inteiro estivesse protegendo aquele momento de luto, impedindo qualquer um de interrompê-lo.
Quanto tempo ela ficou assim?
Sakuta não tinha certeza.
Cinco minutos? Dez? Ou muito mais?
Shouko subiu da praia e ficou ao lado dele, esperando Miori se recompor. Não havia mais nada que pudessem fazer.
Enquanto esperavam, o sol se pôs atrás de Enoshima.
Os últimos traços de laranja ainda eram visíveis quando Miori finalmente se levantou.
Suas bochechas estavam úmidas.
Mas nenhuma lágrima nova caiu.
Ela se virou para Sakuta com um olhar decidido.
“Azusagawa.”
A voz dela estava firme.
“O quê?”, ele respondeu da mesma forma.
Os olhos dela encontraram os dele.
Os olhos dele encontraram os dela.
Nenhum dos dois desviou.
Ele permaneceu firme enquanto esperava que ela falasse.
Finalmente, os lábios de Miori se moveram.
“Devolva a Touko para mim.”
Não havia hesitação em seu tom.
Finalmente, ele tinha ouvido o que ela realmente queria.
“……”
Ele não respondeu com palavras.
Nem sequer assentiu.
Sakuta não era quem poderia realizar aquele desejo.
Só Miori podia.
2
O carro alugado seguia pela noite de Shichirigahama.
Não havia trânsito, e avançavam tranquilamente.
Sakuta estava ao volante, com Shouko no banco do passageiro. Miori sentava atrás, observando a paisagem passar em silêncio.
“Na próxima esquina.”
Shouko estava com o celular na mão, guiando o caminho. Sakuta entrou na via expressa pelo Intercâmbio de Totsuka.
Ele acelerou na faixa de entrada e se juntou ao fluxo de carros.
Agora eram seis e meia da tarde. O céu estava tingido por uma escuridão tranquila, enquanto o véu da noite começava a cair.
Dentro do carro, o único som era o motor funcionando — e a vibração rítmica dos pneus passando pelas irregularidades da estrada.
Por um tempo, dirigiram sem conversar.
“……O jardim de infância do bairro”, murmurou Miori no banco de trás.
“Foi lá que eu conheci a Touko pela primeira vez.”
Sakuta olhou pelo retrovisor e a viu observando pela janela lateral. Seus lábios ainda se moviam.
“A Touko era como a chefe do parquinho.”
A voz dela tinha a mesma nostalgia do céu noturno.
“Até os meninos andavam atrás dela.”
Ela estava mergulhando nas próprias lembranças.
“Correndo por aí do lado de fora.”
Como se estivesse juntando peças de um quebra-cabeça.
“Sempre sorrindo no meio da multidão.”
Miori falava baixo, em fragmentos. Não exatamente para que eles ouvissem. Não tentando alcançar ninguém… era mais como se estivesse falando consigo mesma.
“E você?”, perguntou Sakuta, no mesmo tom.
“Eu sempre estava desligada…”
“……”
Ela deixou a frase morrer, mas ele não insistiu.
“No começo, parecia impossível entrar no círculo dela.”
“……”
No banco do passageiro, Shouko também escutava em silêncio.
“Eu brincava sozinha na caixa de areia, ressentida com todo aquele alvoroço que ela fazia.”
Ela soltou uma risadinha rouca ao lembrar.
“Bem a sua cara.”
Ele talvez não a conhecesse naquela época, mas conseguia imaginar perfeitamente.
“Mas a Touko me encontrou rapidinho.”
“……”
“Nossos olhos se encontraram.”
“……”
“Ela correu direto até mim.”
“……”
“‘Seja feliz Miori!’, ela gritou.”
“……”
“‘Eu sou feliz’, eu respondi. E ela claramente não acreditou.”
Ela deve ter imaginado a expressão no rosto da Touko, porque soltou um pequeno riso nasal.
“Depois disso, todo dia era assim.”
“É mesmo?”
“Ela vinha falar comigo e perguntava como eu estava. No começo isso me irritava. Mas acho que eu sempre ficava esperando ela perguntar. Minha mãe dizia que eu falava dela o tempo todo quando chegava em casa.”
Tudo que Sakuta podia ver era o perfil do rosto de Miori.
Ela estava completamente imóvel, com os olhos fixos na janela. Era como se as lembranças dela sobre Touko estivessem do outro lado do vidro.
“Quando descobrimos que morávamos bem perto, nossas mães viraram amigas. Então, sempre que tinha algum evento do bairro, como festival e coisas assim, a gente ia todo mundo junto. Sempre comíamos juntas nos festivais esportivos da escola primária, coisas do tipo. E estávamos sempre na mesma turma.”
“Durante os seis anos?”
“Sim, o tempo todo.”
Miori ficou em silêncio por um momento. Talvez estivesse refletindo sobre todo aquele tempo.
“Quando vocês começaram o diário de troca?”, perguntou Sakuta depois de um tempo.
“Perto do fim do sexto ano.”
Ela não hesitou. Não precisou fazer esforço para lembrar. Aquela memória estava sempre à superfície.
“À medida que a formatura se aproximava, os pais de um colega compraram um smartphone para ele. De repente, todo mundo tinha um. E como estávamos prestes a nos formar, até crianças que quase nunca tinham conversado começaram a trocar contatos. Mesmo que todos fôssemos para a mesma escola de ensino fundamental II. Tão idiota.”
Miori riu de si mesma naquela época.
“Mas os pais da Touko não queriam comprar um para ela. Disseram que ainda era cedo, e ela ficou muito irritada com isso. O pai dela podia ser bem rígido.”
Era o homem que tinha saído para verificar os campos quando eles visitaram a casa.
“Ele parecia meio viciado em trabalho”, disse Sakuta.
Shouko assentiu.
“Todo mundo vivia falando no telefone, mas a Touko era a única que não tinha um e estava emburrada por causa disso. Então eu sugeri que a gente tivesse um diário de troca. Eu estava brincando. Mas ela adorou a ideia.”
“Deve ter feito o dia dela.”
“Sim.”
Havia um sorriso no rosto de Miori.
“Saímos juntas depois da aula para comprar o caderno. Cada uma colocou cem ienes. Depois dividimos um pão de curry da loja de conveniência no caminho para casa.”
Mais lembranças pareciam ter voltado enquanto ela falava. Ela assentiu para si mesma.
“Isso mesmo, isso mesmo…”, murmurou.
“E vocês continuaram com isso desde então?”, perguntou Sakuta, mantendo uma distância segura do carro à frente.
“Virou rotina. Toda primavera a gente ia comprar o caderno daquele ano. Mesmo depois que finalmente deixaram a Touko ter um telefone, no meio do ensino fundamental II, então já não precisávamos mais deles.”
“Mas você não sugeriu parar.”
“Nessa época, a Touko e o tio… quer dizer, o pai dela… brigavam o tempo todo. Eu conseguia ver a frustração dela na forma como escrevia. Ela saía correndo de casa toda sexta-feira e vinha passar a noite na minha.”
“Por que eles brigavam?”
“A Touko queria sair da cidade para estudar no ensino médio. Ela vivia me pedindo para ir com ela.”
“E o pai dela era contra a ideia.”
“Acho que ele só estava preocupado. Hoje eu entendo isso. Mas naquela época a Touko não entendia. Ela estava toda rebelde, pintando o cabelo, e claro que eles também brigavam por causa disso.”
“Você não brigava com ela?”
“Brigava, tipo uma vez por semana. Sempre que eu comprava nuggets de frango, ela pegava um. Eu ficava irritada, e ela me dava metade do pão de curry dela.”
“Parece que você saía ganhando.”
“Então eu era obrigada a dar outro nugget pra ela.”
Ela parecia incomodada. Como se a culpa fosse dele.
Mas nuggets vinham em caixas de cinco, então Miori ainda estava ganhando.
“A maior briga que tivemos foi no festival cultural do segundo ano.”
A lembrança mudou de repente de ponto no tempo, como se tivesse acabado de voltar à mente dela.
Sakuta não reagiu, e Shouko continuou em silêncio.
Aquilo nunca foi uma conversa organizada.
Era apenas um fluxo de memórias saindo de Miori.
“A Touko tinha se declarado para um garoto do terceiro ano, mas ele se declarou para mim.”
“Bem típico da Miori.”
“Foi um desastre. Ele sabia muito bem que nós éramos amigas. ‘Por que ele faria isso com a gente?’, eu pensei. Mas quando reclamei com a Touko, ela disse: ‘Não zombe disso, Miori. Ele está falando sério.’ E isso me deixou irritada, então voltei até ele e o dispensei na hora.”
“Estou começando a sentir pena dele”, disse Shouko, fazendo uma careta.
“Voltei para a Touko e disse: ‘Eu dei um fora nele. E daí?’ Ela me olhou daquele jeito e disse: ‘Eu invejo esse lado seu, Miori.’ Até hoje eu não sei o que ela quis dizer.”
“Você nunca invejou ela?”
“Nunca.”
“Sério?”
“Talvez quando éramos bem pequenas. Mas o que deixava a Touko feliz me deixava feliz também. Quando ela ficava triste, eu também ficava. Em algum momento, comecei a pensar assim.”
Talvez fosse por isso que ela não conseguia lamentar a morte de Touko.
Talvez fosse por isso que elas se desencontraram na semana antes daquele fatídico Natal.
Elas compartilhavam tudo.
Achavam que entendiam uma à outra.
Mas não entendiam de verdade.
Não importa o quão próximos dois amigos se tornem, ou o quão intenso um romance seja, nunca é possível entender completamente tudo sobre outra pessoa. Não há garantia de que você conseguirá sentir exatamente o que ela sente. Até uma pequena diferença pode causar um grande atrito. Por isso o esforço de tentar entender é tão importante.
Mas, mesmo sabendo disso, nem sempre é fácil. É difícil renovar esse compromisso constantemente no desgaste da vida diária.
E Miori sabia disso, então Sakuta não disse nada.
Ela passou um tempo saltando pela linha do tempo, contando mais lembranças de Touko em diferentes épocas e lugares. A torneira estava totalmente aberta agora.
Havia quase uma década de memórias.
Só das duas.
Não era algo que pudesse caber em uma viagem de carro de uma hora, mas Miori contou o máximo de histórias que conseguiu.
Shouko encerrou aquilo quando apontou o destino.
“Estamos quase lá”, disse ela.
Pelo para-brisa, já podiam ver o prédio para onde estavam indo a Yokohama Arena, frequentemente usada para concertos.
Sakuta dirigiu até a entrada dos fundos.
E encontrou um rosto familiar entre os caminhões de carga.
Ryouko Hanawa, a empresária de Mai, estava esperando perto da entrada de funcionários. Ele acenou para ela do banco do motorista, e logo ela os viu.
Ela estava com as mãos na cintura. Ele estava trazendo “problema” direto para a porta dela, e ela não parecia muito feliz com isso.
“Vamos ter que pedir desculpa depois”, disse Shouko, percebendo a situação.
(N/T: A Shoko é uma figura kkkkk best girl não tem como)
(N/R: Ela é!)
Sakuta fez uma careta.
“Devia ter trazido uma caixa de biscoitos”, respondeu.
3
Ryouko bateu levemente na porta de um camarim com a placa:
MAI SAKURAJIMA (TOUKO KIRISHIMA)
“Mai, eu trouxe o Sakuta.”
“Podem entrar.”
A voz de Mai veio lá de dentro.
“Vão em frente”, disse Ryouko.
Sakuta assentiu e abriu a porta. Shouko e Miori entraram atrás dele.
“Vou esperar aqui fora”, disse Ryouko.
O camarim tinha cerca de vinte metros quadrados. Havia um sofá no centro, e a decoração fazia o espaço parecer luxuoso.
Na mesa havia comida e bebidas de catering.
E flores enviadas para a estrela da apresentação daquela noite.
Mai já estava de figurino, de costas para eles diante do espelho no fundo da sala. Quando ouviu eles entrarem, virou-se com cuidado por causa dos brincos. Olhou para Sakuta, depois para Shouko, e por fim para Miori e franziu a testa.
“Você pediu para me ver do nada e ainda trouxe um grupo interessante.”
Ela não escondia a confusão.
“Não é tão estranho quanto parece.”
Se ela soubesse a história completa, ficaria claro o quanto as duas tinham em comum.
“Vocês duas se conhecem?”, perguntou Mai, em tom leve.
“Algo assim.”
“……?”
“Mitou é a verdadeira Touko Kirishima.”
“……”
A testa de Mai se franziu por um instante, e então ela soltou um desdém.
“O que quer dizer com isso? Eu já te disse antes. Eu sou a Touko Kirishima.”
“Você só pensa isso por causa da Síndrome da Adolescência da Mitou. Ela reescreveu boa parte da realidade”, explicou Sakuta.
“……Por exemplo?”
“As duas Kaedes existem ao mesmo tempo, a Futaba está namorando o Kunimi, a Koga está na nossa faculdade agora, e a Uzuki Hirokawa não largou a faculdade.”
À medida que ele listava tudo isso, o sorriso de Mai desapareceu.
“……”
Ela apertou os lábios, mas não tentou refutar o que ele disse. Mai apenas escutou.
Ela sempre foi sensata.
Houve um longo silêncio enquanto ela organizava as coisas na cabeça.
Mas não demorou tanto.
Ela olhou novamente para Sakuta.
“Então você está dizendo que eu só acredito que sou Touko Kirishima porque a realidade foi reescrita?”
Ela deixou os próprios sentimentos de lado para esclarecer a situação.
“Sim”, disse ele, olhando diretamente nos olhos dela.
Agora que entendia a situação, ela não perdeu tempo fazendo a pergunta mais importante.
“Por que eu?”
“Acho que… porque a Touko era muito sua fã”, respondeu Miori.
Naturalmente, isso levantou outra pergunta para Mai. Se Miori realmente fosse Touko, então a forma como ela disse aquilo não fazia sentido.
“Touko Kirishima era amiga da Miori… e minha doadora”, disse Shouko gentilmente, colocando as mãos sobre o coração.
Essa era a conexão central entre as quatro.
“……”
Mai não tinha palavras. Seus olhos se arregalaram um pouco, mas nada além disso.
Uma verdade chocante como aquela levaria tempo para qualquer pessoa processar. Era uma reviravolta grande demais.
Mas apenas dez segundos depois…
“Então é por isso que vocês três estão juntos”, murmurou ela, assentindo.
“É por isso que nós quatro precisávamos estar aqui.”
“Isso é obra do destino? Sinceramente acho difícil acreditar”, disse ela, parecendo de repente cansada.
Soltou um pequeno suspiro.
“Você acha que eu estou inventando isso?”
“Não”, retrucou ela. “Mas eu ainda sei que sou Touko Kirishima. Isso é verdade para mim.”
“Mesmo assim, quero que você confie em mim desta vez.”
Sakuta manteve o olhar firme, sendo o mais sincero possível.
“Todo mundo acha que eu sou Touko Kirishima.”
“É por isso que precisamos da sua ajuda para devolvê-la à Mitou.”
Ele olhou para Miori.
Mai também olhou.
Miori deu um passo à frente.
“Por favor, Mai. Devolva a Touko.”
Um pedido sincero.
“……”
Mai o aceitou em silêncio.
Mas só por um momento — logo depois ela olhou para o relógio.
“Falta meia hora para o show começar…”, murmurou. “Certo! Melhor a gente se apressar.”
Ela começou a tirar os brincos.
“Sakuta, sai daqui”, disse.
“Por quê?”, perguntou ele, genuinamente confuso.
“Miori e eu precisamos trocar de roupa. Anda!”
A voz dela estalou como um chicote, ecoando pelo camarim.
Meia hora depois, Sakuta estava com uma jaqueta da equipe, nos bastidores da Yokohama Arena. Mai e Shouko estavam ao lado dele, usando jaquetas iguais.
Mai também estava com um boné e óculos para completar o disfarce.
“Entrando ao vivo em cinco!”
O homem com os cartões de indicação falava através de um headset para os fones de ouvido deles.
No palco e nos bastidores, a tensão aumentava. Eles não podiam se dar ao luxo de errar.
“Quatro, três, dois……!”
A equipe usou um sinal com a mão para indicar o início real da transmissão ao vivo.
Um enorme telão no palco mostrava um estúdio de uma emissora de TV local. O apresentador estava voltado para a câmera.
“Nanjou está esperando por nós na Yokohama Arena! As coisas estão esquentando por aí?”, chamou ele.
“Estão ficando bem quentes!”, respondeu a apresentadora no canto do palco.
Fumika Nanjou tinha certa história com Sakuta. Normalmente, ela era uma apresentadora assistente em um programa de variedades exibido ao meio-dia, mas hoje tinha sido chamada para ajudar na transmissão do evento.
“Conseguem ouvir o público?”, perguntou ela.
Ao sinal dela, toda a plateia rugiu. Não havia um único assento vazio. O local comportava cerca de vinte mil pessoas, então os gritos eram ensurdecedores, formando uma onda contínua de som.
“Conseguimos! Eles estão realmente empolgados! E todo mundo aqui também está super animado para o primeiro concerto televisionado ao vivo da Touko Kirishima!”
Ele nem tentava esconder o quanto estava pessoalmente empolgado.
“Fui informada de que eles prepararam uma grande surpresa para todos, então fiquem atentos!”
Essa frase tinha sido adicionada ao roteiro no último minuto, mas ela a disse como se sempre tivesse feito parte dele.
“Sem mais demora! Tudo está pronto, então vamos começar uma apresentação muito especial de Touko Kirishima, ao vivo da Yokohama Arena!”
Um silêncio caiu sobre o lugar, e Fumika saiu do palco.
As luzes se apagaram.
Um suave holofote iluminou o centro do palco — e uma figura surgiu lentamente de baixo.
Ela usava um vestido azul discreto, o rosto escondido sob um véu pendendo de um pequeno chapéu.
Um murmúrio percorreu o público, e então todos ficaram imóveis.
Vinte mil pessoas prendendo a respiração.
Sem mover um músculo.
Tão silencioso que todos puderam ouvir “Touko Kirishima” puxar um grande fôlego.
Um momento depois, o microfone subiu lentamente até seus lábios.
A música começou, ecoando por toda a arena.
Fico feliz por ter te conhecido.
Eu não vejo as coisas assim.
Minha alma gêmea não está mais por aí.
Essa era “Turn the World Upside Down.”
A plateia engoliu em seco enquanto ouvia Touko Kirishima cantar.
Todos os olhares estavam fixos no palco.
Mas todas as canções de amor que ouvimos concordam.
Nós vamos nos encontrar de novo.
Não tenha medo de se perder.
Levante-se, escancare aquela porta e saia.
Por instinto, o público começou a balançar seus bastões de luz.
A cabeça de Touko Kirishima ainda estava baixa. Ninguém conseguia ver seu rosto.
O cameraman se aproximou, tentando filmar por baixo do véu.
O telão atrás dela mostrava apenas seus lábios.
Os lábios de Miori.
Mas o futuro não é garantido.
Amanhã estarei sozinha de novo.
Sem ninguém para dividir as coisas.
Esse vazio oco no meu coração.
O clima da plateia mudou.
A dúvida tomou conta da arena.
Ninguém disse uma palavra.
Mas mesmo no silêncio, a confusão se espalhava pela multidão.
Ela começou na frente e foi se espalhando para trás.
Se eu tiver que me sentir assim…
Queria nunca ter te conhecido.
Miori cantou o primeiro refrão.
A partir daquele ponto, a música deveria começar a desaparecer.
Era isso que o público esperava.
Mas algo estava diferente dessa vez.
A música continuou…
Mudou de tom, e então a melodia cresceu.
A pergunta silenciosa da plateia mudou.
Eles não conheciam essa parte da música.
E, com isso, a expectativa aumentou.
Agora todos estavam na mesma sintonia.
E foi a “Touko Kirishima” sozinha no palco quem os levou até ali.
E, no auge da expectativa, Miori arrancou o chapéu e o véu.
Seus cabelos caíram livres.
O rosto de Miori ficou exposto no palco.
O cameraman permaneceu focado nela.
O telão mostrava seu rosto claramente, enquanto a apresentação era transmitida ao vivo para telas por todo o país.
Queria nunca ter te conhecido.
Se eu tiver que me sentir assim…
Esse vazio oco no meu coração.
Sem ninguém para dividir as coisas.
Amanhã estarei sozinha de novo.
O segundo refrão soou tão diferente que parecia uma música completamente nova.
A voz clara de Miori se elevou.
A plateia não conseguia tirar os olhos dela.
O homem com os cartões de indicação esqueceu completamente seu trabalho, olhando boquiaberto. Nos bastidores, outros membros da equipe assistiam, com as mãos entrelaçadas.
Mas o futuro não é garantido.
Levante-se, escancare aquela porta e saia.
Não tenha medo de se perder.
Nós vamos nos encontrar de novo.
Ninguém tentou parar Miori.
A música continuou.
Durante uma transmissão ao vivo.
Mas todas as canções de amor que ouvimos concordam.
Minha alma gêmea não está mais por aí.
Eu não vejo as coisas assim.
Fico feliz por ter te conhecido.
Por fim, a música chegou ao último refrão, e a melodia cresceu até um clímax.
Esse vazio oco no meu coração.
Se eu tiver que me sentir assim…
Queria nunca ter te conhecido.
Eu não vejo as coisas assim.
Fico feliz por ter te conhecido.
Miori cantou a versão completa de “Turn the World Upside Down.”
A última música que Touko Kirishima escreveu… a que provavelmente tinha sido escrita para Miori.
Miori soltou um suspiro suave.
Uma única lágrima escorreu por sua bochecha, brilhando lindamente.
Ao perceber a câmera voltada para ela, Miori fez uma profunda reverência.
E naquele último quadro, a transmissão cortou para um comercial.
No instante seguinte, a plateia explodiu.
Uma salva de aplausos ensurdecedor tomou conta da arena.
Ninguém da equipe se moveu.
Eles ainda não conseguiam compreender o que tinha acabado de acontecer.
Alguns trocaram olhares, mas ninguém tinha respostas.
O primeiro movimento nos bastidores veio bem ao lado de Sakuta.
Mai de repente desabou.
Ela tinha desmaiado.
“Mai…!”
Sakuta se agachou e a segurou. Isso fez o boné dela cair — e seus óculos bateram no chão com um estalo.
Membros da equipe próximos se viraram para olhar, mas ele não estava em condições de se importar.
Mai estava completamente mole.
Com os braços e a cabeça pendendo, ela não dava nenhum sinal de consciência.
“MAI!”, chamou ele novamente.
“……”
Nenhuma resposta.
Os membros da equipe começaram a murmurar.
“Se a Sakurajima está aqui, então…”
“Quem é a garota no palco?”
“Essa era a surpresa?”
“Diretor! O que fazemos agora?”
Vozes voavam de um lado para o outro.
Pânico e tensão giravam dentro de Sakuta, mas tanta confusão e inquietação quanto isso também se espalharam pelos bastidores ao redor dele.
E ele estava bem no olho da tempestade.
“Makinohara, chama uma ambulância!”, gritou ele, deixando as emoções tomarem conta.
“Ok”, disse Shouko — mas então alguém segurou seu braço.
“?!”
Ele se assustou e olhou.
Mai estava segurando ele.
“Estou bem”, disse ela, se endireitando.
“Mas…”
“Eu não sou Touko Kirishima. Então estou bem.”
Ele viu o brilho nos olhos dela, e aquilo lhe disse tudo.
“Sakuta, leve a Miori para fora daqui.”
“E você vai…?”
“Alguém precisa explicar.”
Mai já estava observando o pânico nos bastidores.
Ela sorriu para os olhares voltados para ela e se levantou.
“O comercial acaba em trinta segundos!”, gritou alguém, lembrando-se do trabalho.
“Vamos, Sakuta”, disse Shouko.
Ele assentiu.
“Vou passar no camarim e pegar as roupas da Miori.”
“Por favor. Te encontro no estacionamento.”
“Certo.”
Shouko saiu correndo, e Sakuta se virou para o palco.
“Mitou, por aqui!”, chamou ele.
“Senhoras e senhores, desculpem pela confusão. Vou explicar essa participação surpresa assim que o comercial terminar.”
Ele ouviu Mai chamando o diretor e Fumika.
Traduzido por Moonlight Valley
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