A Senpai CoelhinhaVolume 15 – Capítulo Final – Capítulo Final: Olá e Adeus
Capítulo 751
Sakuta Azusagawa estava parado diante dos portões do colégio Minegahara, vestindo um terno.
Era segunda-feira, 6 de maio. Um dia ensolarado.
Eram 7h50 da manhã.
A essa hora, não havia mais ninguém por perto.
Os portões começariam a encher de alunos do Minegahara na meia hora antes do início da aula.
Com a sensação de ter o lugar só para si, Sakuta atravessou a entrada.
Enquanto subia o caminho até a escola, memórias vieram à tona.
Ele tinha se formado há três anos.
Já era a quarta primavera desde que começou a faculdade.
Ao se aproximar do prédio, ouviu gritos vindos da quadra no ginásio — o som de bolas sendo quicadas e tênis rangendo no chão.
Ele seguiu em frente, entrando pela entrada dos professores.
Tirou os sapatos de couro, aos quais ainda não estava acostumado, e colocou chinelos antes de subir a escada próxima até o segundo andar.
Guiando-se pela memória, encontrou a sala dos professores.
O corredor estava vazio, mas logo ele chegou diante da porta com a placa que procurava.
Sakuta respirou fundo e abriu a porta.
“Bom dia. Sakuta Azusagawa. A partir de hoje, serei professor estagiário aqui.”
Ele fez uma reverência, garantindo que sua voz alcançasse até o fundo da sala.
Os professores em suas mesas olharam para ele.
A maioria logo voltou ao trabalho.
Um homem no fundo acenou.
“Por aqui, Azusagawa.”
Era um professor de inglês que tinha sido seu professor responsável no segundo e no terceiro ano.
Sakuta caminhou até ele.
“Eu vou dar aula de matemática… e você ainda continua sendo professor de inglês?”
“A Atsugi é de matemática, mas não tem turma fixa. Então vamos te colocar na minha: 3-1.”
Isso fazia sentido.
“Entendi.”
“Mas você voltar como professor estagiário, Azusagawa…”
O homem olhou para ele, impressionado.
“Surpreso?”
“Não, eu já tinha um pressentimento,” disse ele, com um sorriso convencido. “Tem algum pedido?”
“Se possível, eu gostaria de tentar ser orientador de um clube.”
“Algum em específico?”
“Se ainda existir, o Clube de Animais.”
“Ele ainda existe. Vamos ver isso depois.”
Com isso, ele jogou para Sakuta uma folha de chamada.
“Certo,” disse Sakuta, começando a olhar a lista da turma 3-1.
A aula começou com a apresentação de Sakuta como novo professor estagiário. Ou seja, ele precisou se apresentar.
“Sakuta Azusagawa. Vou dar aula de matemática, então estarei com vocês apenas no horário de classe. Também me formei no Minegahara. É um prazer estar de volta.”
Enquanto falava diante do quadro, ele conseguia sentir a animação.
Quando terminou, a turma aplaudiu.
Trinta e cinco alunos.
A maioria curiosa — alguns fingindo desinteresse.
Ele reconheceu uma garota na primeira fileira.
Shouko — agora no terceiro ano.
Ela estava sorrindo de orelha a orelha, claramente animada por ele estar ali.
“Azusagawa-sensei! Pergunta!”
Uma mão se levantou no fundo da sala.
O sorriso malicioso do garoto deixava claro que ele era o palhaço da turma.
Sakuta olhou para o professor responsável.
Ele deu de ombros, permitindo.
“Sim?”
Sakuta já sabia o que ele ia perguntar. Todos na escola sabiam com quem ele namorava.
“É verdade que você está saindo com a Mai Sakurajima?”
Exatamente como esperado. Ele não conseguiu evitar sorrir.
Sakuta olhou ao redor da sala.
Olhares travessos, ainda cheios de uma alegria infantil.
Na frente, Shouko revirava os olhos.
“É a mais absoluta verdade, hahaha” disse ele, após uma pausa dramática.
A turma explodiu.
“Uau!” “Sério?!” Os meninos ficaram animados, mas as meninas só sabiam gritar.
A carreira de professor estagiário de Sakuta começou com tudo.
“Silêncio!” disse o professor de verdade, mas a turma 3-1 não parecia com pressa de obedecer.
O mesmo sinal de sempre anunciou o fim da aula inicial.
Os alunos ainda estavam agitados, mas Sakuta saiu com o professor, indo para sua primeira aula. Ele ouviu passos vindo atrás deles.
“Sakuta,” alguém chamou.
Só a Shouko o chamaria assim ali.
“Ah, acho que eu deveria dizer Sakuta-sensei?”
Ela mostrou a língua, como se tivesse cometido um erro.
“Começa com Azusagawa-sensei,” ele disse, mas ela apenas riu, ignorando.
Claramente, não tinha intenção de chamá-lo assim.
“Vocês dois se conhecem?” perguntou o professor, confuso.
“Intimamente.” A forma como ela disse isso dava margem para mal-entendidos.
(N/T: KKKKKKKK eu vou sentir falta da sem vergonha da Shoko-san)
O professor franziu a testa por um instante, depois disse: “Então você conhece o histórico dela?”, lembrando-se do que realmente importava.
“Conheço,” respondeu Sakuta.
“Isso facilita as coisas. Makinohara é a presidente do Clube de Animais, então isso se conecta com o que conversamos antes.”
“Que conversa?” perguntou Shouko, virando-se para Sakuta.
“Eu queria tentar ser orientador do Clube de Animais.”
“Eu estava justamente pensando em te pedir isso!”
“Não esperava que você fosse a presidente,” ele admitiu.
Shouko sorriu, satisfeita com a surpresa.
“Por isso eu não te contei!”
2
Ele teve aulas até o sexto período, seguidas pela última aula do dia.
Sakuta também passou pelo Clube de Animais. Quando seu primeiro dia como estagiário terminou, já passava das cinco, e o céu estava tingido pela luz do entardecer.
Ele se despediu de Shouko e dos outros membros do clube e escreveu um relatório sobre o dia na sala dos professores. Quando finalmente saiu, já passava das seis.
Como a maioria dos alunos já tinha ido embora, não havia uniformes no caminho até a estação Shichirigahama. Mais uma vez, ele estava praticamente sozinho.
Dentro da estação, pegou o Enoden — como fazia todos os dias no ensino médio — e foi até a estação Fujisawa.
Seguiu os outros passageiros, atravessou as catracas movimentadas. A essa hora, não eram só moradores locais — ainda havia muitos turistas por ali.
Sakuta saiu da estação Enoden de Fujisawa, indo em direção à saída norte. No caminho, a multidão em que ele estava se juntou à que vinha da linha JR Odakyu.
Ele atravessava a passarela, olhando de relance as luzes da loja de eletrônicos, quando mãos cobriram seus olhos.
“Adivinha quem é!” disse uma voz familiar.
“Himeji.”
“Errou!” ela respondeu animada, soltando-o.
Sara deu a volta e parou na frente dele, mostrando seu look estiloso.
“É a Sara Himeji, agora universitária!” disse, batendo palmas.
Tomoe estava com ela.
“Faz tempo que não vejo vocês.”
“Senpai, você saiu do restaurante faz o quê, dois meses? Desde a festa de despedida a gente não se vê. Você tá com cara de velho agora,” disse Tomoe, rindo enquanto olhava para o terno dele.
“Ano que vem é você procurando emprego, Koga. Melhor tomar cuidado.”
“Com o quê?”
“Pra não parecer que tá indo pro CLT.”
“Zero chance disso,” ela respondeu, como se a ideia fosse absurda.
A resposta veio de onde ela menos esperava.
“Ah, sei não, Tomoe-senpai. Hoje na faculdade te confundiram com caloura! Até te chamaram pra entrar num clube!”
Havia um brilho malicioso nos olhos da Sara.
“Só porque eu tava andando com você, Himeji!”
Ela insistia que não era culpa dela.
“Bom, ano que vem a gente descobre!”
“Vou garantir que nunca te encontre de terno.”
“Eu tiro uma foto e te mando!” Sara prometeu, sussurrando como se fosse segredo.
“Mas sério, Himeji, não esperava que você escolhesse a mesma faculdade feminina que a Koga.”
“É uma ótima faculdade pra quem quer ser professora de jardim de infância!”
“Isso também foi inesperado.”
“Sabe, apenas nos sentimos inspiradas pela sua escolha inusitada de carreira.”
Ela deu uma piscadinha logo depois de dizer isso.
“Sakuta-sensei, você acha que eu sou uma perdedora que só vive pra ter vários garotos atrás de mim?”
“Não posso dizer que nunca pensei nisso,” ele admitiu, fazendo uma careta.
“Eu nem preciso de garotos na faculdade. Tem um monte de encontros!”
Ela não parecia nem um pouco culpada.
“Ah, mas a Tomoe me superou ontem,” disse Sara, mostrando a língua.
“Foi mesmo?”
“Aquilo não foi um encontro! Foi só um evento normal de integração entre faculdades!”
Tomoe parecia um pouco desesperada.
“E todo mundo queria seu número.”
“Queriam, é?”
“B-bom, a gente vai ajudar nos festivais culturais umas das outras…”
A negação de Tomoe já estava perdendo força.
“Eu tenho turno! Tchau!”
“Ei, espera! Meu horário é o mesmo!”
Tomoe saiu correndo, e Sara foi atrás dela.
Mas um segundo depois, ela soltou um gritinho e voltou.
“Você já falou com a Rio-sensei?”
“Sobre o quê?”
“O Tora chamou ela pra sair de novo.”
“Bom, isso é uma boa notícia. Estou indo pro cursinho agora.”
“Até mais,” disse Sara, sorrindo e acenando, antes de voltar a correr atrás da Tomoe.
Dentro do cursinho, Sakuta encontrou vários alunos conversando no espaço comum. Um grupo de garotas estava animado falando sobre o novo namorado de alguém.
“Ah, Azusagawa. Belo terno!” disse o diretor do cursinho, enquanto comprava um café na máquina.
“Comecei o estágio hoje,” explicou Sakuta.
“Se não conseguir emprego depois, pode ficar aqui!”
“Vou me esforçar pra evitar esse destino.”
O diretor riu e voltou para a sala dos professores.
Logo depois, Rio apareceu, saindo de uma sala de aula com o jaleco branco de professora. Provavelmente tinha acabado de dar uma aula.
“Futaba,” disse ele, e ela olhou diretamente para ele.
“Começou hoje?” perguntou, notando o terno. “A Shouko me mandou mensagem sobre isso.”
“O que ela disse?”
“Que sua apresentação foi um sucesso.”
“Comecei bem.”
“A Shouko pareceu bem feliz, então ótimo pra você.”
Rio foi em direção às máquinas de bebidas.
Ela levantou o celular e comprou um café com leite.
“Aliás, Futaba.”
“O quê?”
Ela abriu a tampa e tomou um gole.
“Não tem nenhuma novidade pra contar?”
“Não, nada demais.”
O olhar dela se desviou. Estava claramente escondendo algo.
“Um passarinho me contou que o Kasai te chamou pra sair de novo.”
“……”
Ela lançou um olhar fulminante, mas nem isso conseguiu esconder o leve rubor no rosto.
“Eu fiquei preocupado quando ele teve febre e não passou na primeira opção, mas ele esperou um ano, tentou de novo e conseguiu chegar onde queria.”
Aquilo quase tinha sido o fim do mundo pra ele, principalmente porque no simulado pouco antes ele tinha tirado uma nota excelente.
“O que você respondeu pra ele?”
“A gente saiu pra comer,” disse Rio, em voz baixa.
“Onde?”
“No refeitório da faculdade.”
Ainda mais baixo.
“Não é exatamente o lugar mais romântico…”
“E a gente combinou de ir pra Tsukuba juntos,” ela admitiu, sem encarar Sakuta.
“O que tem pra ver em Tsukuba?”
“Vou visitar o centro espacial. Ele vai junto.”
“Parece divertido. Talvez eu devesse ir também.”
(N/T: kkkkkkkkk segurando vela)
“……”
Isso rendeu a ele um olhar genuinamente hostil.
“Brincadeira.”
Ela soltou um suspiro bem dramático.
“Me diz, Azusagawa.”
“Hm?”
“Eu deveria dar uma resposta de verdade no nosso terceiro encontro?”
Ela não o encarava, mas suas bochechas estavam bem vermelhas.
“Eu diria que é uma boa regra geral.”
“Certo. Vou levar isso em consideração.”
Toranosuke já gostava da Rio há dois anos, então provavelmente esperaria o tempo que fosse necessário — mas Sakuta não disse isso a ela.
3
Uma semana após o início do estágio — segunda-feira, 13 de maio.
Sakuta acordou com Nasuno pisando no rosto dele e saiu do quarto, encontrando Kaede preparando o café da manhã. A sala já estava com cheiro de torradas.
“Ah, Sakuta, bom dia.”
“Bom dia.”
“Hoje você tem uma pausa do estágio e volta pra faculdade, né?”
“É.”
Ele tomou um gole do café que ela tinha feito.
“Vou com a Nodoka no caminho pro trabalho. Quer uma carona?”
“Quero. Eu também tinha algo pra falar com a Toyohama.”
Com isso, Sakuta deu uma grande mordida na torrada.
Eles saíram a tempo de chegar para a segunda aula e seguiam tranquilamente em direção à faculdade.
Nodoka estava dirigindo. Kaede no banco da frente, e Sakuta atrás.
Era o carro da Mai, mas ela não estava ali.
“Toyohama,” ele chamou.
“O quê?”
Eles estavam parados no sinal vermelho.
“Ouvi dizer que o Sweet Bullet finalmente conseguiu um show no Budokan.”
“Pois é,” ela respondeu, de forma evasiva.
“Estava nos assuntos do momento ontem.”
“Eu tive tantos sonhos com isso… e agora finalmente vai acontecer.”
“Parabéns, Nodoka!” disse Kaede animada.
“Obrigada. Também vai ser nosso último show, então é meio difícil ficar tão empolgada.”
Era por isso que ela não estava comemorando tanto.
“Quer dizer, eu estou feliz,” disse, com um tom mais leve — antes de baixar o clima de novo.
“O que você vai fazer depois de se formar como idol?”
“Primeira coisa? Vou voltar pra casa.”
Ela disse isso quase para si mesma, sem entusiasmo.
“Você já vem fugindo há um tempo. Já passou da hora de resolver isso. Dá os parabéns pra Zukki por mim, tá?”
“Fala você mesmo.”
O sinal abriu, e o carro arrancou.
“É, acho que vou mesmo.”
Sakuta tirou o celular do bolso e mandou uma mensagem para a Uzuki.
Parabéns pelo show no Kokugikan.
A mensagem foi lida na hora, e ela respondeu logo em seguida.
‘Isso mesmo, vou virar uma yokozuna! Não, pera, é o Budokan!’
“Entrando na brincadeira? A Zukki tá evoluindo.”
“Do que você tá falando, Sakuta?” perguntou Kaede, mas antes que ele respondesse, o celular começou a tocar.
Naturalmente, o nome na tela era Zukki.
E, olhando melhor, ele percebeu que era uma chamada de vídeo.
Ele atendeu e segurou o celular à frente do rosto.
Do outro lado, ela estava em um close extremo.
“O que foi, Zukki? Você tá muito perto.”
“Você tem que ir no nosso show no Budokan!” ela gritou, afastando um pouco o celular. Parecia que ela também estava dentro de um carro.
“Se eu conseguir ingresso.”
“Tem que ir! Fala pra ele, mãe!”
O celular virou em direção ao banco do motorista. A mãe da Uzuki estava dirigindo.
“Eu tô dirigindo!” ela gritou, afastando o celular.
A chamada caiu.
“Muito a cara da Zukki.”
Nenhuma consideração pelas necessidades dele.
“Mas é engraçado,” disse Nodoka, rindo de verdade.
“Feliz demais pra parar?” perguntou Sakuta.
“É que é estranho te ver falando de coisas que estão nos assuntos do momento.”
Nodoka riu ainda mais.
No banco da frente, Kaede concordava com a cabeça. “Verdade,” disse, rindo também.
Nodoka deixou os dois na estação Kanazawa-hakkei com uns quinze minutos de sobra antes da segunda aula.
“Obrigada, Nodoka!” disse Kaede.
O carro foi embora, e Sakuta e Kaede seguiram andando em direção à faculdade.
Ao passarem pelos portões principais, viram alguém conhecido mais à frente.
“Komi, oi!” chamou Kaede, correndo para alcançá-la.
A amiga de infância de Kaede, Kotomi Kano, se virou ao ouvir o nome.
“Kae, oi. E Sakuta também,” acrescentou, ao vê-lo, inclinando a cabeça.
“Bom dia.”
Os três seguiram juntos pelo caminho cercado de árvores.
“Você fez a lição de inglês, Komi?”
“Ainda não. Quer fazer junto?”
“Por favor!”
Conversando sobre as aulas, as duas se desviaram em direção ao prédio principal.
Sakuta seguiu sozinho pelo caminho, indo até o prédio de pesquisa no final dele.
“Eu vou por aqui,” disse ele.
“Ah, certo. Até mais!”
Kotomi inclinou a cabeça mais uma vez, e elas foram embora, ainda conversando.
“Você não precisa ficar tão tensa perto dele.”
“Preciso, sim.”
“O quê? Por quê?”
No prédio de pesquisa, ele conversou com o professor sobre o tema do seu trabalho de conclusão por cerca de uma hora, e depois foi para o refeitório.
Como as aulas estavam em andamento, o lugar estava relativamente vazio, e ele pretendia almoçar mais cedo.
Mas não era o único com essa ideia — ele viu um rosto conhecido logo na entrada.
“Por que você tá aqui, Azusagawa? Não devia estar no estágio?” Era Takumi Fukuyama, do mesmo curso de estatística que ele.
“Folga,” respondeu, enquanto os dois seguiam para dentro do refeitório.
“Não tinha nada melhor pra fazer do que vir pra faculdade?”
“Eu precisava confirmar se o tema do meu TCC era aceitável.”
No balcão de tigelas de arroz, ele pediu o yokoichi-don.
“O mesmo pra mim,” disse Takumi.
O prato consistia em arroz com carne moída agridoce e um ovo pochê por cima. Com as bandejas em mãos, eles foram até uma mesa perto da janela. Takumi sentou-se de frente para ele.
“Então, qual é o tema do seu trabalho?”
‘Crenças generalizadas regionais derivadas de postagens em redes sociais.’
“E qual vai ser o resumo?”
“O que exatamente significa ‘todo mundo’?”
(N/T: pra quem não sabe, esse ‘todo mundo’ que ele fala se refere a um monólogo do Sakuta que ocorreu na primeira temporada, logo quando ele vai colocar em prática o plano de fazer as pessoas se lembrarem da Mai! Muito bacana esse detalhe)
“……Isso não vai ser fácil de definir.”
“Por isso o professor mandou eu reduzir o escopo.”
“E por onde você começaria?” perguntou Takumi, colocando arroz e carne na boca.
“Consegui aprovação ao focar nas crenças de adolescentes.”
“Ah, entendi. Mesmo assim parece difícil.”
“O que te trouxe aqui hoje, Fukuyama?”
“Também tem a ver com o TCC. Eu tava no laboratório de informática, revisando o meu.”
Os dois terminaram de comer rapidamente.
Sakuta pegou dois copos de chá no bebedouro.
Sentou-se e deu um gole.
“Ah, é mesmo, Azusagawa,” disse Takumi, com uma expressão incomumente séria.
“O quê foi? Ela terminou com você? Meus pêsames.”
“Não terminou!”
“Então o que foi?”
“Consegui um emprego em Hokkaido.”
Aquilo foi um lembrete claro de que os dois já estavam no último ano da faculdade.
“Fazendo o quê, e onde?”
“Gerenciamento de dados numa emissora de TV. Vou lidar com outras empresas, audiência, pesquisas de satisfação do público.”
“Isso não é meio arriscado?”
“Como assim?”
“Quero dizer… sua namorada é apresentadora nessa mesma emissora. Desde o ano passado.”
“Eu fiquei preocupado com isso, então perguntei pra Nene. E ela disse: ‘Ué? Não é como se eu fosse uma âncora de jornal em Tóquio. Ninguém vai ligar.’”
“Então parabéns pelo seu futuro emprego.”
Ele levantou o copo de chá.
Takumi fez o mesmo, e eles encostaram os copos.
“Então, depois que a gente se formar, não vou te ver muito.”
“Não se preocupa com isso. É assim mesmo quando a gente se forma.”
“É… acho que é mesmo.”
Houve um movimento na entrada. A segunda aula tinha acabado, e o horário de almoço estava começando.
Sem dizer nada, Sakuta e Takumi pegaram suas bandejas.
Deixaram tudo no local de devolução e saíram antes que o lugar ficasse cheio demais.
“O que você vai fazer agora?” perguntou Takumi.
“Vou fuçar trabalhos antigos, ver se encontro algo que ajude no meu.”
“Então a gente vai pro mesmo lugar!”
Eles começaram a caminhar em direção à biblioteca.
4
Pouco depois das três, Takumi foi embora para o trabalho. Sakuta continuou procurando por artigos que pudessem ser úteis.
Quando percebeu, já estava escurecendo.
Ele imprimiu o material de que precisava e saiu do campus antes que o sol se pusesse completamente.
O mesmo caminho curto até a mesma estação de sempre.
Já tinha passado um tempo desde o fim da quarta aula, então havia poucos alunos por ali.
Ele chegou à estação em três minutos.
Passou pelas catracas e foi até a plataforma, onde encontrou alguém conhecido esperando.
Ikumi Akagi estava parada exatamente onde as portas do trem iriam abrir. Não havia mais ninguém na fila. Ela percebeu que ele se aproximava e olhou de relance, mas logo voltou a encarar os trilhos.
Sakuta fez uma careta com isso, mas ficou ao lado dela.
“Quanto tempo.”
“Tem bastante espaço em outros lugares,” disse ela, olhando feio ao longo da plataforma.
“Quarto ano de enfermagem também faz residência?” ele perguntou, ignorando aquilo.
Já fazia pelo menos um ano desde a última vez que se viram. A partir do segundo ano, o curso de enfermagem ficava em outro campus, então eles quase não se encontravam.
“Metade do tempo,” respondeu ela, de forma seca.
“De uniforme de enfermeira?”
“De uniforme.”
“Legal.”
“Quer ver?” perguntou Ikumi, lançando um olhar de lado.
Inesperado. Ela já estava tirando o celular da bolsa.
“Sim, claro.”
“Aqui.”
Ela virou a tela para ele.
Havia uma foto.
Mostrava, de fato, uma universitária vestida com uniforme de enfermeira.
Mas não era Ikumi.
“Por que você tá me mostrando a Kamisato?”
“Não tenho foto minha.”
Um motivo totalmente normal.
Ele realmente não conseguia imaginar a Ikumi animada tirando selfies na primeira vez que vestiu o uniforme.
“Ela disse que foi ao parque de diversões com o namorado bombeiro semana passada.”
Ikumi mostrou, de propósito, uma foto relevante da conversa delas. Saki estava com aquelas orelhinhas de personagem do parque na cabeça, enquanto Yuuma comia pipoca.
“Eu não perguntei da Kamisato.”
“Eles dois eram seus colegas do ensino médio.”
“E você, como tem estado, Akagi?”
“Como assim?”
Ela sabia o que ele queria dizer, mas perguntou mesmo assim.
“Você tá namorando? Voltou com alguém?”
“Estou bem.”
Isso não era nem um “sim” nem um “não”.
“Bom, estar bem já é o melhor.”
“E você, Azusagawa? Está bem?”
“Estou perfeitamente feliz.”
“Isso sim é o melhor de verdade.”
Um trem chegou. Um expresso com destino ao Aeroporto de Haneda.
Ikumi entrou antes dele, e ele percebeu um leve sorriso em seus lábios.
Sakuta se separou de Ikumi em Yokohama, fazendo baldeação para a linha Tokaido e seguindo até Fujisawa.
Eram seis e meia, e o trem estava lotado de estudantes e trabalhadores voltando para casa. Gente trocando da Odakyu para a JR, ou o contrário.
Sakuta seguiu junto com a multidão em direção à saída norte da estação.
Ele não tinha mais nenhum plano para aquele dia.
Só ia para casa.
Passou pela loja de eletrônicos, afastando-se do movimento da estação. Desceu as escadas do viaduto, atravessou a rua no semáforo. Quando chegou à ponte sobre o rio Sakai, tudo já estava silencioso ao redor.
Sakuta subiu devagar a estrada levemente inclinada, quando um carro passou por ele.
Era a minivan branca que a empresária da Mai dirigia.
As luzes de freio acenderam, e o carro parou alguns metros à frente.
A porta abriu, e Mai desceu do banco de trás.
“Bem-vinda de volta, Mai.”
“Bom voltar.”
Eles começaram a caminhar juntos.
“Como estão as gravações do drama histórico?”
“Estão indo muito bem. O elenco todo é talentoso, e a equipe é muito confiável. As gravações são de segunda a sexta, sem horas extras.”
O tom de Mai era animado.
“Então você tá se divertindo.”
“É um papel bem marcante. Uma pena que me fez trancar a faculdade por mais um ano, mas…”
“Eu poderia ficar mais um ano?”
“Você segue em frente e se forma. Você nasceu pra ser professor.”
“Se me contratarem.”
“Você vai ter que se esforçar.”
Mai não estava deixando ele escapar fácil.
“Vou sim,” disse ele, e ela sorriu, satisfeita.
“O estágio tá indo bem?”
“Os alunos gostam de mim. Já estão me chamando de Sakuta-sensei.”
“Então não estão te levando muito a sério,” provocou Mai.
“Eu sou bem popular. Nem que seja só porque estou namorando você.”
“Isso já basta.”
Ela voltou a rir.
“Mas acho que tenho um problema. Todo mundo fica me pedindo conselho amoroso…”
“Parece divertido.”
“Eu tô gostando.”
Ele ainda não estava numa fase em que chamaria o trabalho de “pesado”, mas se sentia bem por estar se tornando quem queria ser. Aquela sensação de realização já começava a aparecer.
“Ah, Mai, você já comeu?”
“Ainda não.”
“Então vai lá em casa. Eu preparo alguma coisa.”
“Tá bom. Eu ajudo.”
Essa conversa simples do dia a dia levou os dois até a vista dos seus prédios.
5
No dia seguinte, 21 de maio, começaram as provas de meio de semestre.
A função de Sakuta era distribuir as provas.
E supervisionar para que ninguém colasse.
O resto do tempo era só ficar sentado em silêncio, ouvindo o som dos lápis nos papéis.
Finalmente, o sinal tocou, encerrando a prova.
“Ok, lápis para cima,” disse ele, e os alunos passaram as folhas para a frente.
Ele sempre esteve do outro lado desse processo, então estar na posição de professor era algo novo. Uma sensação bem diferente das aulas mais individuais no cursinho.
Havia apenas três matérias naquele dia — inglês, japonês e matemática.
Então, quando o terceiro período acabou, um clima de alívio tomou conta da sala. Toda a tensão desapareceu, e os alunos começaram a comentar como foram — ou o quão mal foram. A maioria só estava feliz por ter acabado.
O clima pós-prova não tinha mudado nada desde quando ele era aluno.
A aula final do dia terminou, mas muitos alunos ainda ficaram na sala — claramente adiando o momento de estudar para o dia seguinte.
“Vão pra casa estudar,” disse ele, saindo da sala. Ouviu algumas reclamações atrás dele, mas ignorou.
Sakuta ainda tinha bastante coisa pra fazer. Precisava voltar à sala dos professores, escrever um relatório e passar um resumo do dia para o professor responsável.
Ele seguiu rápido pelo corredor.
A maioria das salas ainda tinha alguns alunos enrolando.
Mas ele passou por duas salas completamente vazias.
Ambas não estavam sendo usadas.
Ele imaginou que a próxima também estaria vazia — mas ouviu uma voz lá dentro.
“Como eu disse, ninguém acredita em mim.”
Um tom pesado.
Ele espiou pela porta e viu uma garota sozinha.
Ela parecia estar falando com alguém — mas não havia mais ninguém ali.
“Eu queria poder fazer alguma coisa, mas…”
Ela continuava falando.
Para o vazio.
“O que houve?” perguntou Sakuta, encostando na porta.
“?!”
A garota quase deu um pulo de susto.
“……”
Ela se virou rapidamente e congelou.
No silêncio, uma voz animada veio do corredor.
“Ei, Sakuta-sensei! Tchauuu!”
Quatro garotos da turma 3-1 passavam arrastando os pés. Os outros acompanharam o primeiro, dizendo em coro: “Tchauuu!”
O primeiro era o mesmo que tinha perguntado se ele namorava a Mai Sakurajima no primeiro dia. Ele olhou para dentro da sala e viu a garota ali.
“Melhor não se meter com ela. Ela vê fantasmas!” sussurrou.
Então ele e os outros foram embora, rindo de outra coisa.
Sakuta ficou sozinho no corredor.
E a garota, sozinha na sala.
“É… eu sou um professor estagiário…”
“Azusagawa-sensei, certo?” disse a garota, interrompendo-o.
Era evidente que ela estava na defensiva.
“Você é bem informada.”
“Você é famoso.”
“Por causa da Mai?”
“……”
A garota apenas assentiu.
“Você realmente consegue ver fantasmas?”
“Melhor não se envolver.”
Ela claramente tinha ouvido o sussurro do garoto.
“Mas tem um aqui agora, não tem?”
“……Hã?”
A pergunta dele pareceu surpreendê-la.
“……Você consegue ver ele?” ela perguntou, hesitante.
“Receio que não. Mas eu acredito em você.”
“……”
Ela não soube como reagir. Nem o que fazer em seguida.
“Se quiser, eu posso te ouvir.”
“……”
Ela ainda estava indecisa.
“Eu vou estar dando aula aqui até a próxima sexta.”
“……”
Nenhuma resposta. Ela só ficou ali, pensando.
“Era só isso que eu queria dizer. Desculpa interromper.”
Com isso, ele se virou para sair.
“Espera!”
“……”
Ele se virou de volta, e a garota deu um passo na direção dele.
“Eu sou Rin Ebina. Turma 3-2.”
“Sakuta Azusagawa. Taro florescendo e área de descanso na estrada.”
“Eu posso… confiar em você?”
Rin Ebina olhou diretamente para ele. Seus olhos tremiam entre medo e confusão. E um pouco de esperança.
“Eu estou confiando em você, Ebina.”
(N/T: o cara realmente detém o cargo de “protagonista mais fodas dos animes”)
O resto dependia dela.
Ele sustentou o olhar, esperando que ela entendesse.
E a expressão dela pareceu relaxar um pouco.
Quando Sakuta deixou o colégio naquele dia, já passava um pouco da uma da tarde — e o sol ainda estava alto no céu. A luz era agradável, quente.
Ele começou a suar um pouco com o terno, então tirou o paletó ao chegar na passagem de trem. Afrouxou a gravata também.
Não havia sinal de nenhum estudante por perto.
As provas tinham terminado pela manhã, e todos já estavam em casa fazia tempo.
Um trem passou lentamente, e as cancelas se levantaram.
Ele atravessou a pequena ponte sobre o riacho, e a Estação Shichirigahama estava logo à sua frente. Uma estação simples, de linha única. Só as catracas ali, como espantalhos.
Ele encostou o cartão nelas.
Depois das aulas, essa estação ficava lotada de estudantes, mas agora estava vazia.
Ele colocou seus pertences e o paletó em um banco e ficou ao lado, esperando o trem.
Era um ambiente tranquilo. O tempo parecia passar devagar.
Depois de uns dez minutos, ele ouviu o barulho da passagem de trem.
Um minuto depois, o trem apareceu.
Ele parou lentamente.
As portas se abriram.
Ele pegou suas coisas e foi entrar no trem.
Mas, pelo canto do olho, viu algo que fez sua memória reagir.
Uma mulher descendo do trem, um vagão à frente.
Sakuta parou na plataforma.
Cabelo na altura dos ombros, preso meio para cima.
Uma jaqueta militar por cima de um vestido.
Ela parecia ter a mesma idade que ele.
“As portas vão se fechar”, anunciou um funcionário da estação.
Aquele trem ia para Fujisawa. Sakuta deveria entrar nele.
Mas seus pés estavam grudados na plataforma, se recusando a se mover.
Ele não conseguia nem mexer um dedo do pé.
Só a parte de cima do corpo respondia.
Seus olhos se voltaram para a garota de cabelo preso.
Ele conseguiu vê-la claramente.
As portas do trem se fecharam, e o sinal de partida soou.
A garota de cabelo preso percebeu o olhar dele e virou na sua direção.
Seus olhares se encontraram.
Ela franziu a testa, claramente confusa.
Era uma reação natural.
Apenas o penteado e as roupas batiam.
Todo o resto nela não tinha nada a ver com a garota que Sakuta conhecia.
Não havia a pinta abaixo do olho.
“O quê, você conhece ele?” perguntou a mulher ao lado dela.
“Não, nunca o vi antes.”
O olhar dela se afastou do rosto dele, e ela encostou o cartão na catraca, saindo da estação.
Sakuta não a observou indo embora.
Estranhamente, ele não ficou decepcionado.
Ele só estava rindo de si mesmo.
Se ela soubesse que ele estava começando a vê-la em completos estranhos, com certeza zombaria disso. Riria na cara dele. Perguntaria “Sentiu tanto a minha falta assim?” com aquele olhar travesso.
Ele conseguia imaginar perfeitamente ela fazendo isso, e foi isso que o fez rir.
Ele colocou suas coisas de volta no banco, deixando o engano de lado. O trem para Fujisawa já tinha partido, e ele ainda teria que esperar um tempo até o próximo.
Enquanto esperava, Sakuta tirou um par de fones sem fio do bolso do casaco. Colocou nos ouvidos e abriu o aplicativo de música no celular.
Com naturalidade, escolheu uma música da sua lista de favoritas.
Uma música da Touko Kirishima.
O nome era “Vire o Mundo de Cabeça para Baixo”.
(Fukashigi no karte)
Era a versão completa que ela havia deixado antes de partir em sua jornada.
Havia muita coisa envolvida naquela música.
“Aposto que você ainda está por aí, cantando em algum lugar.”
O sorriso em seus lábios era caloroso.
“Cantando essa música.”
O dedo de Sakuta tocou no botão de reprodução.
“Fico feliz por ter te conhecido.”
Traduzido por Moonlight Valley
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